Ditadura militar (1964–1985)
Regime instaurado pelo golpe de 1964 e encerrado com a posse de um presidente civil em 15 de março de 1985
Regime ditatorial que governou o Brasil de 1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985, comandado por generais e apoiado por setores civis. Governou por atos institucionais, fechou o Congresso, cassou mandatos, censurou e fez da tortura e do desaparecimento política de Estado, segundo a CNV.
Também: Ditadura de 1964 · Ditadura civil-militar · Ditadura empresarial-militar · Regime militar · Regime de 1964 · "Revolução de 1964" (nome dado pelos próprios governantes e apoiadores) · "Movimento de 31 de março"
Índice e ficha
- Período
- 1964–1985
- Lugares
- Brasil (todo o território), Exterior (exílio e coordenação repressiva no Cone Sul)
- Vítimas
- CNV (2014): 434 mortos e desaparecidos políticos confirmados (191 mortos, 210 desaparecidos, 33 desaparecidos com corpos localizados depois), número mínimo; ao menos 8.350 indígenas mortos em dez povos estudados (estimativa separada, não somável). Ver explicador sobre vítimas.
- Área
- Ditaduras no Brasil
- Regiões
- Brasil, América Latina
- Temas
- Estado, poder e democracia, Repressão, violência política e direitos, Movimento operário e sindical, Questão agrária e campesinato, Cultura, artes e vida cotidiana, Economia e organização social, Relações internacionais
A ditadura militar brasileira foi o regime instaurado pelo golpe de 31 de março–1º de abril de 1964, que depôs o presidente constitucional João Goulart, e que se estendeu até a posse do primeiro presidente civil, José Sarney, em 15 de março de 1985 1 2. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) adota essa baliza ao falar da "ditadura militar, que se estendeu de 1964 a 1985" 3.
Os governantes chamaram o próprio regime de "Revolução", o Ato Institucional de 9 de abril de 1964 afirma que "a revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte" e "se legitima por si mesma" 4. Cinco generais e uma junta militar ocuparam a Presidência; nenhum foi escolhido por voto popular direto. O regime governou com 17 atos institucionais e 104 atos complementares 5, duas Constituições outorgadas ou aprovadas sob pressão (1967 e o texto da Emenda nº 1, de 1969) 6 7, sucessivas Leis de Segurança Nacional e um aparelho de informações e repressão que, segundo a CNV, praticou de forma "generalizada e sistemática" detenções ilegais, tortura, execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres 3.
Este é o verbete central do núcleo "Ditaduras no Brasil". Ele resume cada dimensão e aponta para os verbetes específicos: o Golpe de 1964, o Ato Institucional nº 5 (AI-5), os governos, a repressão, a censura, as resistências, a economia, o campo e os povos indígenas, a transição e a memória. O nome do regime e suas datas finais são objeto de debate historiográfico, tratado em Ditadura militar, civil-militar ou empresarial-militar? Nomes e datas.
O que foi: definição e datas
Ditadura é um regime em que o poder governa sem os limites de uma ordem constitucional que ele não possa alterar à vontade, sem eleições livres para os postos decisivos e sem garantias efetivas contra o arbítrio. O regime de 1964 reunia esses traços: o Executivo podia cassar mandatos e suspender direitos políticos sem apreciação judicial (AI-1, art. 10; AI-2, art. 15; AI-5, art. 4º e art. 11) 4 8 9, fechar o Congresso (AI-5, art. 2º) 9 e suspender o habeas corpus para crimes políticos (AI-5, art. 10) 9.
Datas usuais. O marco inicial é o golpe de 31 de março–1º de abril de 1964; o marco final mais aceito é a posse de José Sarney, em 15 de março de 1985, após a eleição indireta de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro 2 3.
Outras datas propostas. Há quem date o fim em 1º de janeiro de 1979, quando entrou em vigor a Emenda Constitucional nº 11, que revogou os atos institucionais 10, é a posição do historiador Daniel Aarão Reis, que fala de um "estado de direito autoritário" entre 1979 e 1988 11. Outros estendem a transição até a Constituição de 5 de outubro de 1988, que substituiu a ordem constitucional do regime 12. A escolha da data depende do critério (fim das leis de exceção, fim dos presidentes militares, nova Constituição) e não altera o fato de que houve ditadura; ver Ditadura militar, civil-militar ou empresarial-militar? Nomes e datas.
"Revolução de 1964". É o nome que o regime e seus apoiadores deram ao movimento: o AI-2 fala em "Poder Constituinte originário da Revolução de 31.03.1964" 8, e os presidentes militares "declararam-se herdeiros e continuadores da Revolução de 1964" 13. Nas ciências sociais, revolução designa transformação profunda das relações de poder entre classes; o próprio DHBB considera o movimento "tão distante de uma revolução quanto de um golpe de Estado" clássico, por ter instaurado um regime duradouro 13. A enciclopédia usa "golpe de 1964" e "ditadura" e registra "Revolução" como termo de época e de memória.
Antecedentes: da crise de 1961 ao governo Goulart
A crise de 1961. O presidente Jânio Quadros renunciou em 25 de agosto de 1961, enquanto o vice João Goulart (PTB) estava em missão oficial na China 13. Os ministros militares, Odílio Denys (Guerra), Sílvio Heck (Marinha) e Gabriel Grün Moss (Aeronáutica), tentaram impedir a posse, contrariando o art. 79 da Constituição de 1946 13. O governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, lançou a Campanha da Legalidade, com uma cadeia de rádio de alcance nacional, e o comandante do III Exército, general Machado Lopes, recusou o veto 13 3. A CNV chama o episódio de "golpe frustrado de 1961", um "ensaio geral para 1964" 3.
Parlamentarismo e plebiscito. A saída negociada foi a Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961, que instituiu o parlamentarismo e reduziu os poderes do presidente 14; o Congresso a aprovou por 253 votos a 55 15. Goulart tomou posse em 7 de setembro 13. No plebiscito de 6 de janeiro de 1963, cerca de 9,46 milhões de votos escolheram o presidencialismo, contra cerca de 2,07 milhões pelo parlamentarismo 15 13.
Reformas de base e polarização. O governo propôs as "reformas de base" (agrária, urbana, bancária, eleitoral, universitária), limitação de remessa de lucros e política externa independente 13. Em 30 de dezembro de 1962 divulgou o Plano Trienal, que não conteve a inflação 3. Sindicatos urbanos e rurais e as Ligas Camponesas cresciam; para setores militares e proprietários, isso era "infiltração comunista" 3. Segundo o DHBB e a CNV, organizações empresariais como o IPES e o IBAD financiaram candidatos e propaganda contra o governo nas eleições de 1962, com recursos que incluíam dinheiro estrangeiro 16 3; detalhes em Golpe de 1964. Para os conspiradores militares, segundo depoimentos colhidos pelo DHBB, a volta do presidencialismo em 1963 marcou a decisão de agir pela força 13.
O golpe de 1964
Em 1964 a crise se precipitou: comício da Central do Brasil (13 de março), Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo (19 de março), revolta dos marinheiros (25 de março) e discurso de Goulart a sargentos no Automóvel Clube (30 de março) 17 18 19 3. Na madrugada de 31 de março, o general Olímpio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar, em Juiz de Fora (MG), pôs tropas em marcha para o Rio 13. Governadores como Magalhães Pinto (MG), Carlos Lacerda (GB) e Ademar de Barros (SP) apoiaram a ação 1.
Goulart deixou o Rio em 1º de abril, passou por Brasília e foi a Porto Alegre. Na madrugada de 2 de abril, com o presidente ainda em território nacional, o presidente do Congresso, senador Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência e deu posse ao presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli 13 1. Em 2013, o Congresso anulou simbolicamente essa sessão 20. O poder real ficou com o autodenominado "Comando Supremo da Revolução" (Costa e Silva, Correia de Melo e Rademaker) 1. Os Estados Unidos acompanharam a conspiração e prepararam apoio logístico e naval ("Brother Sam") para o caso de resistência prolongada 21 1. Goulart chegou ao Uruguai em 4 de abril 15. A narrativa completa, os atores e os debates estão em Golpe de 1964.
Arquitetura jurídica do regime
O regime manteve aparência de legalidade e a combinou com uma legislação de exceção que se sobrepunha à Constituição.
- AI-1 (9/4/1964). Editado sem número pelos três comandantes militares, manteve a Constituição de 1946 com modificações, mandou o Congresso eleger em dois dias o novo presidente, suspendeu por seis meses a estabilidade e a vitaliciedade de servidores e autorizou cassações de mandatos e suspensão de direitos políticos por dez anos, "excluída a apreciação judicial" 4 5.
- AI-2 (27/10/1965). Tornou indireta a eleição presidencial (art. 9º), reabriu as cassações (art. 15), extinguiu os partidos (art. 18), ampliou o STF de 11 para 16 ministros, estendeu a Justiça Militar a civis acusados de crimes contra a segurança nacional e autorizou decretos-leis e atos complementares (art. 30) 8 5.
- AI-3 (5/2/1966). Eleição indireta de governadores pelas Assembleias e nomeação dos prefeitos das capitais 22.
- AI-4 (7/12/1966). Convocou o Congresso, em sessão extraordinária de 12/12/1966 a 24/1/1967, para votar o projeto de Constituição enviado pelo Executivo 23.
- Constituição de 1967. Promulgada em 24 de janeiro e vigente a partir de 15 de março de 1967 6; segundo a CNV, deu "grandes poderes ao presidente da República", inclusive para editar decretos-leis 3.
- AI-5 (13/12/1968). Autorizou o recesso do Congresso, das Assembleias e Câmaras, intervenção nos estados sem limites constitucionais, cassações, confisco de bens, suspensão do habeas corpus para crimes políticos e excluiu tudo isso de apreciação judicial 9. Ver Ato Institucional nº 5 (AI-5).
- AI-6 a AI-17 (1969). O AI-6 reduziu o STF de novo a 11 ministros 24 5; o AI-12 entregou a Presidência a uma junta dos ministros militares e impediu a posse do vice Pedro Aleixo 25 5; o AI-13 criou o banimento e o AI-14 admitiu pena de morte e prisão perpétua em caso de "guerra revolucionária ou subversiva" 26 27; o AI-16 declarou vagos os cargos de presidente e vice 28; o AI-17 autorizou transferir para a reserva militares que atentassem contra a "coesão das Forças Armadas" 29.
- Emenda Constitucional nº 1 (17/10/1969). Outorgada pela junta militar com o Congresso em recesso, deu novo texto à Constituição de 1967 e vigorou a partir de 30 de outubro de 1969 7.
- Leis de Segurança Nacional. Decreto-Lei nº 314, de 13/3/1967 30; Decreto-Lei nº 898, de 29/9/1969 31; Lei nº 6.620, de 17/12/1978 32; e Lei nº 7.170, de 14/12/1983, que vigorou até 2021 33 34. A primeira introduziu no direito a regra de que "toda pessoa natural ou jurídica é responsável pela segurança nacional" 30.
- Fim dos atos. A Emenda Constitucional nº 11, de 13 de outubro de 1978, revogou os atos institucionais e complementares a partir de 1º de janeiro de 1979, mas manteve fora de apreciação judicial os efeitos dos atos praticados com base neles 10.
Bipartidarismo e eleições sob controle
Em outubro de 1965 a oposição venceu as eleições para governador na Guanabara e em Minas Gerais; a resposta foi o AI-2, que extinguiu os partidos 3 5. O Ato Complementar nº 4 (20/11/1965) fixou regras que só permitiram duas organizações: a governista Aliança Renovadora Nacional (Arena), fundada em 4 de abril de 1966, e o oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB), fundado em 24 de março de 1966 5 35 36.
Eleições indiretas. Presidente e vice passaram a ser escolhidos pelo Congresso (AI-2) e, depois de 1967, por um Colégio Eleitoral formado pelo Congresso e delegados das Assembleias 8 37. Governadores foram eleitos indiretamente a partir de 1966 22. Eleições continuaram para o Legislativo, mas sob cassações: às vésperas do pleito de 1966, mais de 20% dos deputados oposicionistas eleitos em 1962 tinham sido cassados 5. Em fevereiro de 1969 o AI-7 suspendeu eleições parciais 3.
Cassações. Levantamento de Marcus Figueiredo citado por José Murilo de Carvalho e reproduzido pela CNV conta, entre 1964 e 1973, 4.841 pessoas punidas com perda de direitos políticos, cassação, aposentadoria ou demissão; 513 mandatos de senadores, deputados e vereadores cassados; e 536 intervenções em organizações operárias entre 1964 e 1970 3.
Pacote de Abril (1977). Depois da vitória do MDB nas eleições para o Senado de 1974 36, o governo Geisel fechou o Congresso pelo Ato Complementar nº 102 (1º/4/1977) e outorgou a Emenda nº 8, de 14 de abril de 1977: manteve indireta a eleição de governadores, determinou que uma das vagas de senador em disputa fosse preenchida por colégio eleitoral (os chamados "senadores biônicos") e fixou em seis anos o mandato presidencial 38. Em novembro de 1980 o Congresso restabeleceu a eleição direta de governador e extinguiu o senador "biônico", preservando os mandatos em curso 3.
Reforma partidária. Em 1979 o governo extinguiu Arena e MDB (aprovação no Congresso em 29 de novembro; Lei nº 6.767, de 20 de dezembro) 35 39. Surgiram PDS, PMDB, PP, PDT, PT e PTB 3.
Os governos
- Humberto de Alencar Castelo Branco (15/4/1964–15/3/1967): eleito pelo Congresso já expurgado em 11 de abril; teve o mandato prorrogado em 1964 e editou os AI-2, AI-3 e AI-4 5 3.
- Artur da Costa e Silva (15/3/1967–1969): eleito pelo Congresso em 3 de outubro de 1966; editou o AI-5; afastado por doença em agosto de 1969 3 5.
- Junta militar (Aurélio de Lira Tavares, Augusto Rademaker e Márcio de Sousa e Melo), de 31 de agosto a 30 de outubro de 1969 25 5.
- Emílio Garrastazu Médici (30/10/1969–15/3/1974): eleito pelo Congresso reaberto com 293 votos e abstenção do MDB 5. Segundo a CNV, com ele "o regime ditatorial-militar brasileiro atingiu sua forma plena" 3.
- Ernesto Geisel (15/3/1974–15/3/1979): conduziu a "distensão" e manteve a repressão; usou o AI-5 para cassações e para o Pacote de Abril 3 38. Ver Ernesto Geisel.
- João Baptista Figueiredo (15/3/1979–15/3/1985): eleito pelo Colégio Eleitoral em 15/10/1978, por 355 votos a 226 40.
O detalhamento de cada governo está em Governos da ditadura (1964–1985).
O sistema repressivo
A repressão começou antes da formalização do regime: desde 1º de abril houve centenas de prisões, inclusive dos governadores Miguel Arraes (PE) e Seixas Dória (SE); segundo a embaixada norte-americana, citada pela CNV a partir de Elio Gaspari, cerca de 5 mil pessoas foram presas nos dias seguintes ao golpe, e brutalidades e torturas foram comuns, sobretudo no Nordeste 3 41. Centenas de Inquéritos Policiais-Militares (IPMs) foram abertos em abril de 1964 3 1.
Informação. O Serviço Nacional de Informações (SNI) foi criado pela Lei nº 4.341, de 13 de junho de 1964 42, e se tornou o centro de uma "comunidade de informações" que incluía os centros das três Forças (CIE, Cenimar, CISA) e divisões em ministérios e empresas estatais 3.
Operação. Em São Paulo, a Operação Bandeirante (Oban) passou a concentrar a repressão em julho de 1969, com doações de empresários; em 1970 foi institucionalizada e surgiram os DOI-CODI 3. Os DOPS estaduais atuavam como polícia política civil 3. Houve também uma estrutura clandestina, como a Casa da Morte de Petrópolis, descrita pela CNV como local de tortura e execução sob operação do CIE 3.
Política de Estado. A CNV concluiu que, "na ditadura militar, a repressão e a eliminação de opositores políticos se converteram em política de Estado, concebida e implementada a partir de decisões emanadas da presidência da República e dos ministérios militares", e refutou a tese de "excessos" isolados 3. Classificou as condutas como crimes contra a humanidade 3. A comissão organizou a autoria em três categorias, responsabilidade político-institucional, gestão de estruturas e autoria direta, e apontou 377 agentes do Estado 3 43 44. Conclusão de comissão não é condenação penal.
O detalhamento dos órgãos, métodos e casos está em Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985), DOPS/DEOPS, polícias políticas estaduais (1924–1983), Sistema DOI-CODI e Operação Bandeirante e SNI e Sistema Nacional de Informações (SISNI).
Mortes sob custódia e casos emblemáticos
Conteúdo sensívelEsta seção menciona tortura, mortes sob custódia do Estado e versões oficiais falsas (sem detalhes gráficos).Ler este trechoOcultar trecho
As versões oficiais da época, "suicídio", "tiroteio", "fuga", "atropelamento", foram contestadas por familiares, comissões e tribunais. Alguns casos tornaram-se marcos:
- Mário Alves, fundador e secretário-geral do PCBR, foi preso pelo DOI-CODI no Rio em 16 de janeiro de 1970; segundo depoimentos colhidos pela CNV, morreu no local em decorrência de torturas e seu corpo jamais foi encontrado 3.
- Rubens Paiva, ex-deputado cassado em 1964, deu entrada no DOI do I Exército em 20 de janeiro de 1971, conforme documento de recebimento analisado pela CNV; é desaparecido político 3.
- Vladimir Herzog, jornalista, foi morto em 25 de outubro de 1975 no DOI-CODI do II Exército, em São Paulo; a versão oficial de enforcamento foi desmentida. Em 2018, a Corte Interamericana responsabilizou o Estado brasileiro pela falta de investigação e punição e tratou o caso como crime contra a humanidade 45 3.
- Manoel Fiel Filho, operário metalúrgico, morreu em 17 de janeiro de 1976 no mesmo DOI-CODI, com morte divulgada como suicídio; o comandante do II Exército foi substituído 3.
- Chacina da Lapa: em 16 de dezembro de 1976, agentes do DOI-CODI/SP cercaram a casa da rua Pio XI onde se reunira o comitê central do PCdoB; Pedro Pomar e Ângelo Arroyo foram mortos e João Batista Drumond morreu sob custódia no DOI-CODI; a CNV considerou inconsistente a versão oficial de tiroteio 3.
A morte do líder da ALN Carlos Marighella, em 4 de novembro de 1969, é descrita pela CNV como fuzilamento numa emboscada comandada pelo delegado Sérgio Fleury 3; a de Carlos Lamarca, em 17 de setembro de 1971, no interior da Bahia, como execução numa operação com mais de 200 homens 3. Os casos detalhados estão nos verbetes de cada vítima.
Censura e propaganda
A censura atingiu imprensa, teatro, cinema, música, livros e televisão. A CNV descreve uma "burocracia de censura que intimidava ou proibia manifestações de opiniões e de expressões culturais identificadas como hostis ao sistema" 3. Depois do AI-5, o Decreto-Lei nº 1.077, de 26 de janeiro de 1970, instituiu a censura prévia de livros e revistas 3. A Lei de Segurança Nacional de 1969 previa prisão de jornalistas que divulgassem notícias "falsas ou tendenciosas" 5. O tema está em Censura na ditadura militar e em Feliz Ano Novo.
Resistências
A oposição à ditadura foi diversa e mudou ao longo do tempo:
- Estudantil. A sede da UNE no Rio foi saqueada e incendiada em 1º de abril de 1964, e a entidade foi posta na ilegalidade 46. O assassinato do secundarista Edson Luís Lima Souto pela polícia, em 28 de março de 1968, desencadeou protestos que culminaram na Passeata dos Cem Mil, em 26 de junho de 1968, no Rio 46 47. Em outubro de 1968, mais de 700 participantes do congresso clandestino da UNE em Ibiúna (SP) foram presos 46 3.
- Sindical. A greve de Osasco, em julho de 1968, foi descrita como a primeira greve operária desde 1964 em São Paulo 5; houve também, no mesmo ano, a greve metalúrgica de Contagem (MG) (data a conferir). Dez anos depois, a partir de maio de 1978, greves por empresa começaram em São Bernardo do Campo e se espalharam pela Grande São Paulo, ver Greves do ABC (1978–1980) 48.
- Armada. A partir de 1968–1969, organizações como ALN, VPR, MR-8 e outras adotaram a luta armada, com ações que incluíram sequestros de diplomatas trocados por presos políticos (o do embaixador dos EUA, Charles Elbrick, em 4 de setembro de 1969; o do cônsul japonês, em março de 1970; o do embaixador alemão, em junho de 1970; e o do embaixador suíço, em dezembro de 1970) 5 3. A Guerrilha do Araguaia, organizada pelo PCdoB no sul do Pará, foi combatida pelo Exército de 1972 a 1974 3. Essas ações tiveram vítimas e responsabilidades próprias; nenhuma delas justifica a tortura, a execução ou o desaparecimento de presos.
- Cultural, religiosa e de familiares. Artistas, setores da Igreja católica e de outras igrejas, advogados e familiares de presos e desaparecidos denunciaram a tortura; o arcebispo dom Hélder Câmara levou a denúncia ao papa Paulo VI em 1970 e o cardeal dom Paulo Evaristo Arns celebrou o ato ecumênico por Herzog 3. A campanha pela anistia, com o Movimento Feminino pela Anistia (ver Therezinha Zerbini) e os comitês pela anistia, preparou a Anistia de 1979.
- Institucional. O MDB passou de oposição consentida a canal do voto contra o regime, sobretudo em 1974 36; a OAB, a ABI e a CNBB tornaram-se vozes críticas na segunda metade dos anos 1970 3.
Economia e trabalho
O governo Castelo Branco adotou um programa anti-inflacionário com reajustes salariais abaixo da inflação, restrição de greves e criação do FGTS, que acabou com a estabilidade decenal no emprego 3. Entre 1968 e 1973, o país teve as altas taxas de crescimento conhecidas como "milagre econômico"; a CNV avalia que essa política "favorecia sobretudo o grande capital, sem grande consideração sobre seus efeitos na distribuição da renda" 3. O DHBB descreve o modelo como de "forte compressão salarial e grande concentração de renda e capital", vinculado a investimentos estrangeiros 13.
O crescimento teve várias causas (conjuntura internacional, crédito externo, investimento estatal, capacidade ociosa herdada), e a historiografia discute o peso de cada uma; não se deve atribuí-lo apenas ao autoritarismo nem negar que a repressão sindical facilitou o arrocho. No fim do regime, o quadro se inverteu: a inflação saltou de 77% para 110% entre 1979 e 1980 e a dívida externa disparou 40; a CNV fala de "uma dívida assustadora, uma inflação galopante e uma recessão que se prolongava" como legado à Nova República 3.
Campo e povos indígenas
A repressão atingiu primeiro as organizações camponesas: as Ligas Camponesas foram alvo de perseguição desde as primeiras horas do golpe, e seu fundador Francisco Julião foi preso 3. A CNV registra que a repressão "atingia, sobretudo, grupos ou instituições que procuravam organizar as classes populares: sindicatos de trabalhadores urbanos e rurais" 3.
Para os povos indígenas, a CNV estimou "ao menos 8.350 indígenas mortos" no período investigado, "em decorrência da ação direta de agentes governamentais ou da sua omissão". A cifra cobre só dez povos estudados, entre eles cerca de 3.500 Cinta-Larga, 2.650 Waimiri-Atroari e 1.180 Tapayuna, e a comissão afirma que o número real "deve ser exponencialmente maior" 49. Segundo o texto, a violência ganhou protagonismo da União a partir do AI-5 e do Plano de Integração Nacional 49. Ver Povos indígenas e a ditadura (1964–1985) e Relatório Figueiredo.
Relações internacionais: Guerra Fria, EUA e Cone Sul
O golpe ocorreu no contexto da Guerra Fria e da reação dos EUA à Revolução Cubana 3. Documentos norte-americanos desclassificados mostram que o governo Kennedy discutiu desde 1962 a hipótese de derrubada de Goulart 50 e que, em 31 de março de 1964, o governo Johnson mobilizou uma força-tarefa naval, petroleiros e um carregamento de munição para apoiar os golpistas caso houvesse resistência, apoio que se mostrou desnecessário 21. O presidente Johnson reconheceu o novo governo poucas horas depois da tomada do poder 3.
Após 1964, o regime alinhou-se aos EUA na política externa 13 e, nos anos 1970, participou da coordenação repressiva entre ditaduras do Cone Sul. A CNV registra delegação brasileira na reunião de fundação da Operação Condor, em Santiago (novembro–dezembro de 1975), e dedica capítulos ao Centro de Informações do Exterior (Ciex) do Itamaraty, que vigiava exilados 3. Documentos de inteligência estrangeiros registram avaliações de quem os produziu; a responsabilidade do Estado brasileiro em casos da Condor não foi julgada pela Corte Interamericana 3.
Distensão, abertura e transição
Geisel assumiu em 15 de março de 1974 anunciando uma distensão "lenta, gradual e segura"; a CNV ressalta que a repressão continuou: 1974 registrou 54 desaparecimentos políticos, o maior número do regime, e em 1975 houve uma ofensiva contra o PCB 3. As mortes de Herzog e Fiel Filho provocaram reação e a troca do comando do II Exército 3.
Marcos da abertura: fim dos atos institucionais (EC 11, em vigor em 1º/1/1979) 10; Lei da Anistia de 28 de agosto de 1979 51; reforma partidária de 1979 39; restabelecimento da eleição direta de governador (1980) 3; eleições de 15 de novembro de 1982, em que a oposição obteve maioria na Câmara e dez dos 22 governos estaduais, mas o PDS manteve maioria no Colégio Eleitoral 40.
Reação de setores militares. Em 1980 houve 25 atentados a bomba contra bancas e uma carta-bomba que matou Lyda Monteiro da Silva, secretária da OAB, em agosto 3. Em 30 de abril de 1981, uma bomba explodiu no carro de dois militares do DOI-CODI do I Exército no Riocentro, durante um show de 1º de maio; a versão oficial os apresentou como vítimas 3 52.
Diretas e Colégio Eleitoral. A campanha Diretas Já mobilizou milhões em 1984, mas em 25 de abril a emenda Dante de Oliveira obteve 298 votos, quando precisava de 320 37. Em 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral elegeu Tancredo Neves por 480 votos contra 180 de Paulo Maluf 2 3. Tancredo foi operado na madrugada de 15 de março e José Sarney, ex-presidente do PDS, tomou posse naquele dia; Tancredo morreu em 21 de abril 2. A EC 25 (15/5/1985) restabeleceu eleições diretas para presidente e a EC 26 (27/11/1985) convocou a Assembleia Nacional Constituinte, instalada em 1º de fevereiro de 1987 53 54. A Constituição foi promulgada em 5 de outubro de 1988 12.
Uma transição controlada. Para a CNV, foi "uma transição sob medida" 3; Carlos Fico sustenta que a moldura institucional da exceção ainda estava ativa em 1985 e que os militares controlaram a saída, com medidas de emergência usadas em Brasília em 1983 e em abril de 1984 55.
Números: o que se sabe e com que limites
- Mortos e desaparecidos políticos (CNV, 2014): 434 casos confirmados e identificados individualmente, 191 mortos, 210 desaparecidos e 33 desaparecidos cujos corpos foram depois localizados. A própria CNV adverte que "esses números certamente não correspondem ao total", mas apenas aos casos comprovados, por falta de acesso a documentos das Forças Armadas 3. As categorias não se somam a outras listas.
- Indígenas: ao menos 8.350 mortos, estimativa limitada a dez povos 49.
- Punições políticas 1964–1973: 4.841 pessoas atingidas por cassações, suspensões de direitos, aposentadorias e demissões, segundo levantamento de Marcus Figueiredo citado pela CNV 3.
- Anistia de 1979: beneficiou 4.650 pessoas, segundo a CNV; havia então 52 presos políticos 3.
- Agentes apontados pela CNV: 377 43.
A discussão sobre métodos, listas oficiais (Lei 9.140/1995, CEMDP, CNV) e estimativas está em Quantas foram as vítimas da ditadura? Como se constroem os números e Qual a diferença entre morto e desaparecido político? 56.
Memória, verdade e justiça
A Lei da Anistia concedeu anistia a "crimes políticos ou conexo com estes" praticados entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979; seu § 1º definiu como conexos "os crimes de qualquer natureza relacionados com crimes políticos" 51. Essa formulação foi interpretada como extensiva a agentes do Estado. Em 29 de abril de 2010, o STF rejeitou por 7 votos a 2 a ADPF 153, proposta pela OAB para excluir da anistia os crimes de agentes da repressão 57. Meses depois, em 24 de novembro de 2010, a Corte Interamericana decidiu no caso Gomes Lund ("Guerrilha do Araguaia") que as disposições da Lei de Anistia que impedem investigar e punir graves violações "são incompatíveis com a Convenção Americana" e "carecem de efeitos jurídicos" 58; em 2018 repetiu o entendimento no caso Herzog 45.
O Estado reconheceu mortos e desaparecidos pela Lei nº 9.140/1995 56 e criou a CNV pela Lei nº 12.528/2011 59, cujo relatório final foi entregue em 10 de dezembro de 2014 43. A situação das ações penais e cíveis, com data de corte, está em Memória, verdade, reparação e justiça no Brasil.
Debates de denominação
Os nomes "ditadura militar", "ditadura civil-militar" e "ditadura empresarial-militar" refletem interpretações diferentes sobre o peso de civis, empresários e militares no golpe e no regime; as datas finais propostas (1979, 1985, 1988) refletem critérios diferentes. Há consenso de que houve ditadura; a disputa é sobre como caracterizá-la e periodizá-la 55 11. O tema está em Ditadura militar, civil-militar ou empresarial-militar? Nomes e datas.
Responsabilidades e grau de prova
Ocupar um cargo não prova participação pessoal em cada crime. A tabela diz o que cada fonte afirma e com que grau de prova.
| Sobre | Grau de prova | O que a fonte afirma | Fonte |
|---|---|---|---|
| Repressão e eliminação de opositores como política de Estado (1964–1985) | Conclusão de comissão | A CNV concluiu que a repressão 'se converteu em política de Estado, concebida e implementada a partir de decisões emanadas da presidência da República e dos ministérios militares', e refutou a tese de excessos isolados (vol. I, cap. 18). | Relatório, Volume I |
| Autoria das graves violações | Conclusão de comissão | A CNV distribuiu 377 agentes do Estado em três categorias: responsabilidade político-institucional (presidentes e ministros militares, entre outros), gestão de estruturas e autoria direta. Não é responsabilização penal. | Renan recebe relatório final da Comissão Nacional da Verdade |
| Morte de Carlos Marighella (4/11/1969) | Conclusão de comissão | O vol. I, cap. 3, da CNV descreve fuzilamento numa emboscada 'comandada pelo delegado Sérgio Fleury'. | Relatório, Volume I |
| Impunidade pela tortura e morte de Vladimir Herzog | Decisão internacional | Sentença da Corte IDH de 15/3/2018 responsabilizou o Estado brasileiro (não indivíduos) pela falta de investigação, julgamento e punição. | Caso Herzog e outros vs. Brasil, Sentença de 15 de março de 2018 |
| Desaparecimentos na Guerrilha do Araguaia e efeitos da Lei de Anistia | Decisão internacional | Sentença da Corte IDH de 24/11/2010 declarou incompatíveis com a Convenção Americana as disposições da Lei de Anistia que impedem investigar e punir graves violações. | Caso Gomes Lund e outros ("Guerrilha do Araguaia") vs. Brasil, Sentença de 24 de novembro de 2010 |
Indicadores
Cada número traz fonte, série, unidade, período e limitações. Números de séries ou universos diferentes não se comparam nem se somam.
| Indicador | Valor | Período | Fonte e série | Limitações |
|---|---|---|---|---|
| Mortos e desaparecidos políticos confirmados pela CNV | 434 (191 mortos, 210 desaparecidos, 33 desaparecidos com corpos localizados depois) pessoas | 1946–1988, sobretudo 1964–1985 | Relatório, Volume ICNV, Relatório, vol. I, cap. 18 e vol. III | Casos comprovados individualmente; a própria CNV afirma que não correspondem ao total. Não inclui as estimativas sobre indígenas e camponeses. |
| Indígenas mortos (estimativa mínima) | ao menos 8.350 pessoas | 1946–1988 | Relatório, Volume II, Texto 5: Violações de direitos humanos dos povos indígenasCNV, vol. II, texto 5 | Restrita a dez povos estudados; a CNV considera o número real 'exponencialmente maior'. Não somar à lista de 434. |
| Pessoas punidas politicamente (cassação, suspensão de direitos, aposentadoria, demissão) | 4.841 pessoas | 1964–1973 | Relatório, Volume ILevantamento de Marcus Figueiredo citado por José Murilo de Carvalho, reproduzido pela CNV (vol. I, cap. 3) | Cobre só até 1973 e só punições formais; não inclui presos, torturados ou exilados sem punição formal. |
No portal Ditaduras no Brasil
República de 1946 (1946–1964) · Ditadura de 1964–1985 · Transição e Nova República (1985–) · Nacional, Exterior (exílio, Cone Sul)
Comece aquiGolpes e rupturasGovernos e instituiçõesRepressãoCensura e propagandaVítimas e sobreviventesResistênciasEconomia e trabalhoPovos indígenasCampo e conflitos agráriosRelações internacionaisTransiçãoMemória, verdade e justiçaDebates e perguntas
Cronologia
25 de agosto de 1961
Renúncia do presidente Jânio Quadros; o vice João Goulart está na China.13
25 de agosto de 1961
Leonel Brizola lança manifesto em defesa da posse de Goulart: começa a Campanha da Legalidade.3
agosto de 1961
Os três ministros militares tentam vetar a posse de Goulart; o III Exército rompe com o veto.13
2 de setembro de 1961
Emenda Constitucional nº 4 institui o parlamentarismo.14
7 de setembro de 1961
Posse de João Goulart sob o parlamentarismo.13
2 de fevereiro de 1962
Fundação oficial do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) no Rio de Janeiro.60
outubro de 1962
Eleições gerais com financiamento de candidatos de oposição via IBAD, depois investigado por CPI.16
30 de dezembro de 1962
Divulgação do Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social.3
6 de janeiro de 1963
Plebiscito restabelece o presidencialismo (cerca de 9,46 milhões de votos contra 2,07 milhões).15
maio de 1963
Começam os trabalhos da CPI do IBAD na Câmara.16
setembro de 1963
Revolta dos Sargentos em Brasília.13
7 de outubro de 1963
Massacre de Ipatinga (MG), contra trabalhadores da Usiminas.3
20 de dezembro de 1963
Fechamento do IBAD e da Adep.16
13 de março de 1964
Comício das Reformas na Central do Brasil, com cerca de 150 mil pessoas.17
19 de março de 1964
Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo.18
25 de março de 1964
Revolta dos marinheiros no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio.19
30 de março de 1964
Goulart discursa a sargentos no Automóvel Clube do Brasil.3
31 de março de 1964
O general Mourão Filho põe em marcha as tropas de Juiz de Fora; o governo dos EUA mobiliza a operação "Brother Sam".13
1 de abril de 1964
Goulart deixa o Rio; a sede da UNE é saqueada e incendiada.46
2 de abril de 1964
Auro de Moura Andrade declara vaga a Presidência com Goulart no país; Ranieri Mazzilli assume.13
4 de abril de 1964
Goulart chega ao Uruguai, onde pede asilo.15
9 de abril de 1964
Ato Institucional (depois chamado AI-1).4
10 de abril de 1964
Primeira lista de cassados, com 102 nomes.3
11 de abril de 1964
O Congresso elege Castelo Branco presidente.5
15 de abril de 1964
Posse de Castelo Branco.5
13 de junho de 1964
Lei nº 4.341 cria o Serviço Nacional de Informações (SNI).42
julho de 1964
Congresso prorroga o mandato de Castelo Branco até 15/3/1967.5
3 de outubro de 1965
Oposição vence eleições para governador na Guanabara e em Minas Gerais.5
27 de outubro de 1965
AI-2: eleição presidencial indireta e extinção dos partidos.8
20 de novembro de 1965
Ato Complementar nº 4 fixa as regras que levam ao bipartidarismo.5
5 de fevereiro de 1966
AI-3: eleição indireta de governadores.22
24 de março de 1966
Fundação do MDB.36
4 de abril de 1966
Fundação da Arena.35
3 de outubro de 1966
Congresso elege Costa e Silva; o MDB se abstém.5
20 de outubro de 1966
Ato Complementar nº 23 decreta recesso do Congresso.5
7 de dezembro de 1966
AI-4 convoca o Congresso para votar a nova Constituição.23
24 de janeiro de 1967
Promulgação da Constituição de 1967.6
13 de março de 1967
Decreto-Lei nº 314: primeira Lei de Segurança Nacional do regime.30
15 de março de 1967
Constituição de 1967 entra em vigor; posse de Costa e Silva.6
28 de março de 1968
O estudante Edson Luís Lima Souto é morto pela polícia no Rio.46
5 de abril de 1968
Portaria do Ministério da Justiça proíbe atividades da Frente Ampla.5
26 de junho de 1968
Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro.47
julho de 1968
Greve dos metalúrgicos de Osasco (SP).5
2 de setembro de 1968
Discurso do deputado Márcio Moreira Alves na Câmara.5
outubro de 1968
Mais de 700 estudantes são presos no congresso da UNE em Ibiúna (SP).46
12 de dezembro de 1968
Câmara nega licença para processar Márcio Moreira Alves.5
13 de dezembro de 1968
AI-5 e Ato Complementar nº 38, que fecha o Congresso por tempo indeterminado.9
16 de janeiro de 1969
Lista de punições inclui três ministros do STF, aposentados compulsoriamente.5
1 de fevereiro de 1969
AI-6 reduz o STF a 11 ministros.24
26 de fevereiro de 1969
AI-7 suspende eleições parciais.3
29 de abril de 1969
Aposentadoria compulsória de professores e pesquisadores universitários.5
julho de 1969
Operação Bandeirante (Oban) passa a concentrar a repressão em São Paulo.3
31 de agosto de 1969 (data disputada)
AI-12: junta militar assume a Presidência e impede a posse do vice Pedro Aleixo.25
4 de setembro de 1969
Sequestro do embaixador dos EUA Charles Burke Elbrick, trocado por 15 presos políticos.5
5 de setembro de 1969
AI-13 (banimento) e AI-14 (pena de morte e prisão perpétua).26
29 de setembro de 1969
Decreto-Lei nº 898: nova Lei de Segurança Nacional.31
14 de outubro de 1969
AI-16 declara vagos os cargos de presidente e vice; AI-17.28
17 de outubro de 1969
Emenda Constitucional nº 1 dá novo texto à Constituição.7
30 de outubro de 1969
Posse de Médici; entra em vigor a Emenda nº 1.5
4 de novembro de 1969
Carlos Marighella é morto em emboscada em São Paulo.3
janeiro de 1970
Institucionalização da Oban e criação dos DOI-CODI.3
16 de janeiro de 1970
Mário Alves, do PCBR, é preso pelo DOI-CODI no Rio; desaparece.3
26 de janeiro de 1970
Decreto-Lei nº 1.077 institui censura prévia a livros e revistas.3
11 de junho de 1970
Sequestro do embaixador alemão, trocado por 40 presos.3
7 de dezembro de 1970
Sequestro do embaixador suíço, o último da luta armada; 70 presos são banidos em janeiro de 1971.3
20 de janeiro de 1971
Rubens Paiva dá entrada no DOI do I Exército; torna-se desaparecido.3
17 de setembro de 1971
Carlos Lamarca é morto no interior da Bahia.3
1972
Início das operações do Exército contra a Guerrilha do Araguaia.3
15 de março de 1974
Posse de Ernesto Geisel.3
1974
54 desaparecimentos políticos, o maior número anual do regime (CNV).3
janeiro de 1975
Nova ofensiva repressiva contra o PCB; dirigentes desaparecem.3
25 de outubro de 1975
Vladimir Herzog é morto no DOI-CODI de São Paulo.45
17 de janeiro de 1976
Manoel Fiel Filho é morto no DOI-CODI de São Paulo.3
6 de dezembro de 1976
João Goulart morre no exílio, em Mercedes (Argentina).15
16 de dezembro de 1976
Chacina da Lapa contra o comitê central do PCdoB em São Paulo.3
1 de abril de 1977
Ato Complementar nº 102 fecha o Congresso: começa o "Pacote de Abril".38
14 de abril de 1977
Emenda nº 8: senadores eleitos por colégio eleitoral e mandato presidencial de seis anos.38
maio de 1978
Greves metalúrgicas começam em São Bernardo do Campo.48
13 de outubro de 1978
Emenda Constitucional nº 11 revoga os atos institucionais (vigência em 1º/1/1979).10
15 de outubro de 1978
Colégio Eleitoral elege Figueiredo (355 votos contra 226 de Euler Bentes).40
17 de dezembro de 1978
Lei nº 6.620: nova Lei de Segurança Nacional.32
1 de janeiro de 1979
Fim da vigência dos atos institucionais.10
15 de março de 1979
Posse de João Figueiredo.40
28 de agosto de 1979
Lei da Anistia (Lei nº 6.683).51
29 de novembro de 1979
Congresso aprova o fim do bipartidarismo.35
20 de dezembro de 1979
Lei nº 6.767: reforma partidária.39
27 de agosto de 1980
Carta-bomba mata Lyda Monteiro da Silva, secretária da OAB.3
13 de novembro de 1980
Congresso aprova eleição direta para governador e extingue o senador "biônico".3
30 de abril de 1981
Atentado do Riocentro.52
15 de novembro de 1982
Eleições gerais: oposição obtém maioria na Câmara e dez governos estaduais.40
14 de dezembro de 1983
Lei nº 7.170: última Lei de Segurança Nacional do regime.33
25 de abril de 1984
Câmara rejeita a emenda Dante de Oliveira (298 votos, eram necessários 320).37
15 de janeiro de 1985
Colégio Eleitoral elege Tancredo Neves (480 votos contra 180).2
15 de março de 1985
Posse de José Sarney como presidente.2
21 de abril de 1985
Morte de Tancredo Neves.2
15 de maio de 1985
Emenda nº 25 restabelece eleições diretas para presidente.53
27 de novembro de 1985
Emenda nº 26 convoca a Assembleia Nacional Constituinte.54
1 de fevereiro de 1987
Instalação da Assembleia Nacional Constituinte.54
5 de outubro de 1988
Promulgação da Constituição.12
Bibliografia comentada
Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, Volume I (2014)
Ponto de partida obrigatório: o cap. 3 resume a história política de 1946 a 1988; o cap. 18 traz as conclusões. Os números são mínimos comprovados.
FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Atos institucionais (verbete temático)
Síntese documentada dos 17 atos institucionais, com listas de cassações e contexto de cada ato.
FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Golpe de 1964 (verbete temático)
Verbete longo do DHBB sobre o golpe, com a conspiração por estado e o papel dos EUA.
Carlos Fico. Ditadura militar brasileira: aproximações teóricas e historiográficas (versão em inglês: Brazilian Military Dictatorship: theoretical and historiographical approximations) (2017)
Balanço crítico da historiografia: nomes, datas e moldura institucional da exceção até 1985.
Peter Kornbluh (org.), National Security Archive. Brazil Marks 40th Anniversary of Military Coup: declassified documents shed light on U.S. role (Electronic Briefing Book nº 118) (2004)
Documentos norte-americanos desclassificados sobre 1964, apresentados com contexto; leia-os como registro de planos e avaliações do governo dos EUA.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Celso Castro (FGV CPDOC). O golpe de 1964 e a instauração do regime militar. FGV CPDOC, artigos.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 2FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Tancredo de Almeida Neves (verbete biográfico). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 3Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, Volume I. CNV, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]PDF baixado e lido com pdftotext. Usados: cap. 3 (contexto histórico, pp. 85–110), cap. 6 (Operação Condor, pp. 219 ss.), cap. 13 (casos emblemáticos, Chacina da Lapa), cap. 16 (categorias de responsabilidade) e cap. 18 (conclusões, pp. 962–964).
- 4Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964. Portal da Legislação do Planalto, 1964.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Preâmbulo, arts. 2º, 7º, 10 e 11 conferidos no texto.
- 5FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Atos institucionais (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Informa 17 atos institucionais e 104 atos complementares. Diverge do Planalto em algumas datas (DL 314, DL 898, EC 11): prevalecem as do Planalto.
- 6Presidência da República (Planalto), texto legal. Constituição da República Federativa do Brasil de 1967. Portal da Legislação do Planalto, 1967.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Promulgada em 24/1/1967; vigência em 15/3/1967 (conferido no texto).
- 7Presidência da República (Planalto), texto legal. Emenda Constitucional nº 1, de 17 de outubro de 1969. Portal da Legislação do Planalto, 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Vigência em 30/10/1969 (conferido).
- 8Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965. Portal da Legislação do Planalto, 1965.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Arts. 9º (eleição indireta), 15 (cassações), 18 (extinção dos partidos), 30 e 33 conferidos.
- 9Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968. Portal da Legislação do Planalto, 1968.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Arts. 2º, 4º, 5º, 10 e 11 conferidos.
- 10Presidência da República (Planalto), texto legal. Emenda Constitucional nº 11, de 13 de outubro de 1978. Portal da Legislação do Planalto, 1978.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Art. 3º revoga os atos institucionais e complementares 'no que contrariarem a Constituição', ressalvando seus efeitos; art. 4º: vigência em 1º/1/1979.
- 11Leonardo Cazes (entrevista com Daniel Aarão Reis), O Globo, 15/2/2014; republicada pelo IHU-Unisinos em 27/2/2014. Daniel Aarão Reis: as conexões civis da ditadura brasileira. Instituto Humanitas Unisinos (republicação), 2014.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 12FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Constituição de 1988 (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]O verbete data a EC 11 de '13 de agosto de 1978'; o Planalto registra 13 de outubro de 1978.
- 13FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Golpe de 1964 (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Verbete extenso, com seções sobre 1961, IPES/IBAD, 'Brother Sam' e o desenrolar militar.
- 14Presidência da República (Planalto), texto legal. Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961 (parlamentarismo). Portal da Legislação do Planalto, 1961.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 15FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). João Belchior Marques Goulart (verbete biográfico). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 16FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 17FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Comício das Reformas (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 18FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Marcha da Família com Deus pela Liberdade (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 19FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Revolta dos Marinheiros (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 20Agência Câmara. Congresso anula sessão que declarou vaga a Presidência de João Goulart. Portal da Câmara dos Deputados, 2013.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Notícia de 21/11/2013 sobre o PRN 4/2013.
- 21Peter Kornbluh (org.), National Security Archive. Brazil Marks 40th Anniversary of Military Coup: declassified documents shed light on U.S. role (Electronic Briefing Book nº 118). National Security Archive, George Washington University, 2004.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]Apresenta telegramas de Lincoln Gordon (27/3/1964 e seguintes), telegrama de Dean Rusk (31/3/1964), memorando da reunião de 1º/4/1964 e gravação de Lyndon Johnson (LBJ Library). Documentos registram avaliações e planos de quem os produziu.
- 22Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 3, de 5 de fevereiro de 1966. Portal da Legislação do Planalto, 1966.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 23Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 4, de 7 de dezembro de 1966. Portal da Legislação do Planalto, 1966.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 24Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 6, de 1º de fevereiro de 1969. Portal da Legislação do Planalto, 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 25Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 12 (datado no Planalto de 1º de setembro de 1969). Portal da Legislação do Planalto, 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]O cabeçalho do Planalto data o ato de 1º/9/1969; os AI-13, AI-14 e AI-17 referem-se a ele como 'de 31 de agosto de 1969'.
- 26Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 13, de 5 de setembro de 1969. Portal da Legislação do Planalto, 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 27Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 14, de 5 de setembro de 1969. Portal da Legislação do Planalto, 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 28Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 16, de 14 de outubro de 1969. Portal da Legislação do Planalto, 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 29Presidência da República (Planalto), texto legal. Ato Institucional nº 17, de 14 de outubro de 1969. Portal da Legislação do Planalto, 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 30Presidência da República (Planalto), texto legal. Decreto-Lei nº 314, de 13 de março de 1967 (Lei de Segurança Nacional). Portal da Legislação do Planalto, 1967.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 31Presidência da República (Planalto), texto legal. Decreto-Lei nº 898, de 29 de setembro de 1969 (Lei de Segurança Nacional). Portal da Legislação do Planalto, 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 32Presidência da República (Planalto), texto legal. Lei nº 6.620, de 17 de dezembro de 1978 (Lei de Segurança Nacional). Portal da Legislação do Planalto, 1978.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 33Presidência da República (Planalto), texto legal. Lei nº 7.170, de 14 de dezembro de 1983 (Lei de Segurança Nacional). Portal da Legislação do Planalto, 1983.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Revogada pela Lei nº 14.197/2021.
- 34FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Lei de Segurança Nacional (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 35FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Aliança Renovadora Nacional (Arena) (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 36FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Movimento Democrático Brasileiro (MDB) (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 37FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Diretas Já (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 38Presidência da República (Planalto), texto legal. Emenda Constitucional nº 8, de 14 de abril de 1977 ("Pacote de Abril"). Portal da Legislação do Planalto, 1977.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Outorgada com base no AI-5 durante o recesso do Congresso decretado pelo Ato Complementar nº 102, de 1º/4/1977 (conferido no preâmbulo).
- 39Presidência da República (Planalto), texto legal. Lei nº 6.767, de 20 de dezembro de 1979 (reforma partidária). Portal da Legislação do Planalto, 1979.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 40FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). João Batista de Oliveira Figueiredo (verbete biográfico). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 41Elio Gaspari. A ditadura envergonhada. Companhia das Letras, São Paulo.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta; é a fonte citada pela CNV (vol. I, cap. 3) para os números de presos nos dias seguintes ao golpe (4ª impressão, 2004).
- 42Presidência da República (Planalto), texto legal. Lei nº 4.341, de 13 de junho de 1964 (cria o Serviço Nacional de Informações). Portal da Legislação do Planalto, 1964.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 43Rádio Senado. Renan recebe relatório final da Comissão Nacional da Verdade. Senado Federal, 2014.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]10/12/2014: 434 mortos e desaparecidos; 377 agentes do Estado apontados como responsáveis.
- 44Human Rights Watch. Brasil: Comissão da Verdade expõe atrocidades da ditadura. Human Rights Watch, 2014.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Comunicado de 10/12/2014. Registra 377 responsáveis, 'dos quais quase 200 ainda estão vivos'. Divergência: fala em 192 mortos; o Relatório (vol. I, cap. 18) diz 191.
- 45Corte Interamericana de Direitos Humanos. Caso Herzog e outros vs. Brasil, Sentença de 15 de março de 2018. Corte IDH, Série C nº 353, 2018.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 46FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). União Nacional dos Estudantes (UNE) (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 47FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Passeata dos Cem Mil (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 48FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Central Única dos Trabalhadores (CUT) (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 49Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, Volume II, Texto 5: Violações de direitos humanos dos povos indígenas. CNV, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Estimativa de 'ao menos 8.350 indígenas mortos' e nota 2 com a distribuição por povo (pp. 204–205).
- 50James G. Hershberg e Peter Kornbluh (orgs.), National Security Archive. Brazil Marks 50th Anniversary of Military Coup (Electronic Briefing Book nº 465). National Security Archive, George Washington University, 2014.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]Transcrições de gravações de Kennedy (30/7/1962, 8/3/1963, 7/10/1963) e documento do EXCOMM de 11/12/1962.
- 51Presidência da República (Planalto), texto legal. Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979 (Lei da Anistia). Portal da Legislação do Planalto, 1979.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 52FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Riocentro, Atentado do (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 53Presidência da República (Planalto), texto legal. Emenda Constitucional nº 25, de 15 de maio de 1985. Portal da Legislação do Planalto, 1985.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 54Presidência da República (Planalto), texto legal. Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985. Portal da Legislação do Planalto, 1985.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 55Carlos Fico. Ditadura militar brasileira: aproximações teóricas e historiográficas (versão em inglês: Brazilian Military Dictatorship: theoretical and historiographical approximations). Revista Tempo e Argumento, v. 9, n. 20, jan./abr. 2017 (DOI 10.5965/2175180309202017005), Florianópolis, 2017.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Lida a versão em inglês (pp. 400–467), seção 4 'Names and dates' e seção 5. Paráfrases traduzidas pela redação.
- 56Presidência da República (Planalto), texto legal. Lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995 (mortos e desaparecidos políticos). Portal da Legislação do Planalto, 1995.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 57Supremo Tribunal Federal. STF é contra revisão da Lei da Anistia por sete votos a dois (ADPF 153). Portal do STF, notícias, 2010.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Notícia de 29/4/2010.
- 58Corte Interamericana de Direitos Humanos. Caso Gomes Lund e outros ("Guerrilha do Araguaia") vs. Brasil, Sentença de 24 de novembro de 2010. Corte IDH, Série C nº 219, 2010.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 59Presidência da República (Planalto), texto legal. Lei nº 12.528, de 18 de novembro de 2011 (cria a Comissão Nacional da Verdade). Portal da Legislação do Planalto, 2011.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 60FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPÊS) (verbete temático). FGV CPDOC.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
Rede de relações
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- Partido Comunista do Brasil (PCdoB) (verbete planejado)OrganizaçãoAraguaia e Chacina da Lapa. Fonte: Relatório, Volume I
inclui
- Casa da Morte de PetrópolisLugar históricoFonte: Relatório, vol. I, cap. 15 (Instituições e locais associados a graves violações de direitos humanos), item "Casa da Morte – Petrópolis (RJ)", pp. 792–803 (no verbete Casa da Morte de Petrópolis)
- Edifício do DEOPS/SPLugar históricoFonte: Relatório, vol. I, cap. 4 (Órgãos e procedimentos da repressão política), parágrafos 202–223 sobre o DOPS/SP, pp. 164–168 (no verbete Edifício do DEOPS/SP)
- Vala clandestina de PerusLugar históricoFonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518 (no verbete Vala clandestina de Perus)
vitimou
- Celso FurtadoPessoaDireitos políticos suspensos por dez anos. Fonte: Ato do Comando Supremo da Revolução nº 1, de 10 de abril de 1964 (publicação original) (no verbete Celso Furtado)
- Florestan FernandesPessoaPreso de 11 a 14/9/1964. Fonte: Criação dos Inquéritos Policiais Militares (IPMs) (no verbete Florestan Fernandes)
- Maria da Conceição TavaresPessoaDetida e interrogada por alguns dias em 1974. Fonte: Maria da Conceição Tavares teve influência duradoura na economia brasileira (obituário) (no verbete Maria da Conceição Tavares)
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP, rascunho assistido por IA
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 4.299 palavras · 60 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisa: textos dos AI-1 a AI-6, AI-12 a AI-17, Constituição de 1967, EC 4/1961, EC 1/1969, EC 8/1977, EC 11/1978, EC 25 e 26/1985, Leis 4.341/1964, 6.620/1978, 6.683/1979, 6.767/1979, 7.170/1983, 9.140/1995, 12.528/2011 e DLs 314/1967 e 898/1969 no Planalto; Relatório da CNV vol. I (PDF lido: caps. 3, 6, 13, 16 e 18) e vol. II, texto 5; verbetes do DHBB/CPDOC (golpe, atos institucionais, Jango, Arena, MDB, Diretas, UNE, Passeata dos Cem Mil, LSN, Riocentro, Tancredo, Figueiredo, Constituição de 1988, CUT, IPES, IBAD); artigo de Celso Castro (CPDOC); NSA EBB 118 e 465; STF (ADPF 153); sentenças da Corte IDH (Gomes Lund, Herzog); Fico (2017); entrevista de Daniel Aarão Reis (2014). PENDÊNCIAS: (1) a CNV (vol. I, §59) diz que a Marcha de 19/3/1964 foi no Rio; o DHBB a situa em São Paulo, adotado o DHBB, conferir; (2) dia do congresso de Ibiúna (12/10/1968) e data da greve de Contagem (abril de 1968) sem fonte aberta; (3) data da prorrogação do mandato de Castelo (17 ou 22/7/1964); (4) dia exato da instalação da junta (31/8 ou 1º/9/1969); (5) primeira lista de cassados: CNV diz 40 congressistas, DHBB diz 41 deputados federais; (6) HRW fala em 192 mortos, a CNV em 191; (7) número de cadeiras do MDB no Senado em 1974 (DHBB: 15) não usado no texto; (8) participação formal do Brasil na Operação Condor a detalhar com CNV cap. 6; (9) conferir páginas exatas da CNV para cada caso antes de publicar; (10) os números de presos de 1964 vêm de Gaspari via CNV. Busca na web encerrada por limite de buscas da sessão: itens 2 e 8 exigem nova pesquisa.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Ditadura militar (1964–1985). In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/ditadura-militar-brasileira.
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