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Exército Lulaacervo documental
PessoaPublicado

Celso Furtado

Economista brasileiro, formulador do estruturalismo e ministro (1920–2004)

Economista paraibano (Pombal, 1920 – Rio de Janeiro, 2004), autor de Formação econômica do Brasil (1959). Trabalhou na CEPAL, criou a Sudene, foi o primeiro ministro do Planejamento (1962–63), teve os direitos políticos cassados em 1964 e foi ministro da Cultura (1986–88).

Também: Celso Monteiro Furtado

Índice e ficha
Nome completo
Celso Monteiro Furtado
Nascimento
26 de julho de 1920, Pombal, Paraíba, Brasil
Morte
20 de novembro de 2004, Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade
Brasileira
Papéis
  • Diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico da CEPALIntelectual · 1950–1957
  • Superintendente da SudeneOutro papel · 1959–1964
  • Ministro do Planejamento (governo João Goulart)Outro papel · 1962–1963
  • Professor de Desenvolvimento Econômico na Universidade de ParisIntelectual · 1965–1985
  • Ministro da Cultura (governo José Sarney)Outro papel · 1986–1988
Como se definia
Não se declarava marxista; identificava-se com o desenvolvimentismo e o estruturalismo latino-americano.
Filiações
PMDB (1981)
Período
1920–2004
Área
Capitalismo
Regiões
Brasil, América Latina, Europa
Temas
Economia e organização social, Teoria e conceitos, Estado, poder e democracia, Repressão, violência política e direitos, Cultura, artes e vida cotidiana

Celso Monteiro Furtado (Pombal, Paraíba, 26 de julho de 1920 – Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2004) foi um economista, administrador público e escritor brasileiro 1. Integrou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), escreveu Formação econômica do Brasil (1959), dirigiu a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e foi o primeiro titular do Ministério do Planejamento, no governo João Goulart 1 2.

Cassado pela ditadura em 1964, viveu exilado e lecionou durante vinte anos na Universidade de Paris; voltou ao governo como embaixador e ministro da Cultura na redemocratização e foi eleito para a Academia Brasileira de Letras 1. Sua teoria do subdesenvolvimento é uma das contribuições brasileiras mais influentes ao pensamento econômico, e uma das mais debatidas, tanto à esquerda quanto à direita.

Origem, guerra e formação (1920–1949)

Fatos documentados

Furtado nasceu em Pombal, no sertão da Paraíba, filho de Maurício de Medeiros Furtado, advogado de uma família de magistrados, e de Maria Alice Monteiro, de família de proprietários de terra da região; era um de oito irmãos 1 3. Em 1927 a família mudou-se para a capital da Paraíba, onde ele estudou no Liceu Paraibano, e depois para o Recife, onde frequentou o Ginásio Pernambucano 3.

Chegou ao Rio de Janeiro em 1939 para estudar Direito na então Universidade do Brasil, trabalhando como secretário de redação da Revista da Semana e revisor do Correio da Manhã. Em 1943, aprovado em concurso, tornou-se assistente de organização do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), e publicou na Revista do Serviço Público seus primeiros artigos sobre administração pública 3. Formou-se em 1944 1.

Convocado para a Força Expedicionária Brasileira (FEB), seguiu para a Itália como aspirante a oficial no início de 1945 e serviu como oficial de ligação junto ao V Exército norte-americano, na Toscana; sofreu um acidente em missão durante a ofensiva final dos Aliados e voltou ao Brasil em agosto de 1945 2 3. A experiência rendeu seu primeiro livro, de ficção, Contos da vida expedicionária: de Nápoles a Paris (1946) 3. No mesmo ano recebeu o prêmio Franklin D. Roosevelt, do Instituto Brasil-Estados Unidos, por um ensaio sobre a trajetória da democracia na América 2.

Em dezembro de 1946 seguiu para Paris, rompendo com a tradição jurídica da família, e em 1948 doutorou-se em economia pela Universidade de Paris com a tese L'économie coloniale brésilienne, orientada por Maurice Byé; a tese só foi publicada no Brasil em 2001 2 3. De volta, trabalhou como economista na Fundação Getulio Vargas em 1948–49 1. A historiadora Ana Lúcia Lana Nemi mostra que já na tese Furtado dialogava com historiadores portugueses como António Sérgio, Oliveira Martins e João Lúcio de Azevedo, de quem tomou a ideia da precocidade da burguesia comercial portuguesa e da colônia como apêndice da expansão mercantil europeia 3.

CEPAL e o Grupo Misto CEPAL-BNDE (1949–1957)

Fatos documentadosFormulação teórica

Em 1949 Furtado instalou-se em Santiago do Chile para integrar a recém-criada CEPAL, órgão das Nações Unidas dirigido pelo argentino Raúl Prebisch 2. Em 1950 tornou-se diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico 2; a ABL registra o cargo de 1949 a 1957 1.

A CEPAL formulou nesses anos a tese de que a divisão internacional do trabalho entre um centro industrializado e uma periferia exportadora de bens primários tendia a reproduzir a desigualdade, inclusive pela deterioração dos termos de troca, e de que a industrialização planejada era o caminho para superá-la (ver Estruturalismo latino-americano) 4.

Em 1952 publicou seu primeiro artigo de circulação internacional, "Formação de capital e desenvolvimento econômico", traduzido no International Economic Papers 2 3. Em 1953 presidiu o Grupo Misto CEPAL-BNDE, encarregado de adaptar à realidade brasileira a proposta cepalina de planejamento da industrialização; seu relatório, o "Esboço de um programa de desenvolvimento para o período 1955–1962", serviu de base ao Plano de Metas do governo Juscelino Kubitschek 2 3. Nesses anos publicou também A economia brasileira (1954) e Uma economia dependente (1956) 5 3. Em 1957–58 passou o ano letivo no King's College, em Cambridge, onde escreveu Formação econômica do Brasil 2 1.

Formação econômica do Brasil (1959)

Formulação teóricaInterpretação historiográfica

Publicado em 1959 pela editora Fundo de Cultura e traduzido para nove línguas, Formação econômica do Brasil tornou-se o livro mais difundido de Furtado 2 3 e tem verbete próprio (Formação econômica do Brasil). O livro reinterpreta a história econômica brasileira, da colônia ao século XX, a partir dos ciclos exportadores (açúcar, ouro, café) e de seus efeitos sobre a renda, o mercado interno e a mão de obra, escravizada e, depois, imigrante e livre 6.

Entre as análises mais conhecidas está a da política de defesa do café depois de 1929: ao comprar e destruir estoques com recursos públicos, o governo teria sustentado a renda interna, num mecanismo que Furtado aproximou da análise keynesiana, e isso teria ajudado a deslocar o "centro dinâmico" da economia para o mercado interno e a indústria 6 (ver John Maynard Keynes e Grande Depressão). O livro também discute a "socialização das perdas" pelos cafeicultores por meio da desvalorização cambial. Segundo Nemi, Furtado combinou nessa interpretação as teses de historiadores portugueses sobre a fragilidade da economia metropolitana com leituras de Keynes, e a comparação com as colônias de povoamento da América do Norte lhe servia para explicar as raízes históricas do subdesenvolvimento 3. A interpretação é ao mesmo tempo um marco da historiografia econômica e objeto de revisão por historiadores posteriores.

Ao lado de Formação do Brasil contemporâneo (1942), de Caio Prado Júnior, a obra integra o conjunto de grandes interpretações do capitalismo no Brasil.

Sudene, BNDE e Ministério do Planejamento (1958–1964)

Fatos documentados

Em 1958–59 Furtado foi diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) 1. No governo Kubitschek, elaborou o Plano de Desenvolvimento do Nordeste, criou em 1958 o Conselho de Desenvolvimento do Nordeste (CODENO) 3 e esteve na origem da Sudene, instituída pela Lei nº 3.692, de 15 de dezembro de 1959, como autarquia subordinada diretamente à Presidência da República e sediada no Recife 7 1. Dirigiu a Sudene de 1959 a 1964 1. Em 1961, como superintendente, encontrou-se em Washington com o presidente John F. Kennedy, no contexto da Aliança para o Progresso 2.

A política da Sudene combinava planejamento regional, industrialização, incentivos fiscais e propostas de mudança na estrutura agrária do Nordeste, num momento de forte mobilização camponesa e de disputa política sobre a região. Furtado sustentava que a seca não era a causa dos problemas nordestinos: a responsável seria a estrutura socioeconômica herdada do modelo colonial, com o latifúndio e a monocultura 3.

Em 1962, durante o regime parlamentarista, Furtado tornou-se o primeiro ministro do Planejamento e elaborou o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social (1963–1965), que procurava combinar estabilização da inflação, crescimento e reformas de base, na formulação de Nemi, um projeto de capitalismo nacionalista e progressista conduzido pelo Estado 2 8 3. O plano enfrentou resistência de sindicatos (pela contenção salarial), de empresários e de setores do próprio governo, e foi abandonado em 1963; Furtado deixou o ministério e voltou à Sudene, onde implantou a política de incentivos fiscais para a região 2 4.

Cassação e exílio (1964–1979)

Fatos documentadosDocumento de época

Logo após o golpe de 1º de abril de 1964, o Ato do Comando Supremo da Revolução nº 1, de 10 de abril de 1964, suspendeu por dez anos os direitos políticos de cem cidadãos, com base no art. 10 do Ato Institucional de 9 de abril; Celso Furtado é o 28º nome da lista, que começa por Luiz Carlos Prestes, João Goulart e Jânio Quadros 9. Furtado iniciou então o exílio 2.

Lecionou em Santiago do Chile e na Universidade Yale (1964–65) e, a partir de 1965, ocupou por vinte anos a cátedra de Desenvolvimento Econômico da Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Universidade de Paris, segundo Nemi, foi o primeiro professor estrangeiro nomeado para uma universidade francesa 3; foi também professor visitante na American University (1972), em Cambridge (1973–74) e em Columbia (1976–77) 1 2. Em junho de 1968 fez a primeira visita ao Brasil depois da cassação, a convite da Câmara dos Deputados 2. A suspensão de direitos expirou em 1974; depois da Lei da Anistia, de 1979, passou a vir com frequência ao país 2.

O exílio coincidiu com a fase mais teórica de sua produção: Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina (1966), Teoria e política do desenvolvimento econômico (1967), Um projeto para o Brasil (1968), Análise do "modelo" brasileiro (1972), O mito do desenvolvimento econômico (1974) e Criatividade e dependência na civilização industrial (1978) 10 11 12 13 14. Em Análise do "modelo" brasileiro, examinou criticamente o crescimento do período do "milagre econômico", com concentração de renda e endividamento externo. Nas memórias, chamou os anos entre a CEPAL e a Sudene de "fantasia organizada" e o período aberto pelo golpe de "fantasia desfeita" 15 3.

Redemocratização, Ministério da Cultura e ABL (1985–2004)

Fatos documentados

Em 1981 filiou-se ao PMDB, partido de oposição à ditadura; em 1985 participou do grupo que redigiu o plano de ação do governo de Tancredo Neves e integrou depois a Comissão de Estudos Constitucionais que preparou subsídios para a Constituinte 3. Ainda em 1985, a convite de Tancredo Neves, foi nomeado embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Europeia, em Bruxelas 2. Em março de 1986 assumiu o Ministério da Cultura no governo José Sarney; por sua iniciativa foi aprovada a primeira lei federal de incentivos fiscais à cultura. Deixou o ministério em julho de 1988 2 1.

Em 7 de agosto de 1997 foi eleito para a Cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Darcy Ribeiro, e tomou posse em 31 de outubro do mesmo ano 1. Nos anos 1980 e 1990 integrou comissões da ONU, como a Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento e o Comitê Internacional de Bioética 3, e continuou a publicar sobre a globalização, como em O capitalismo global (1998) 16. Foi casado com a jornalista e tradutora Rosa Freire d'Aguiar, que depois organizou a edição de sua obra autobiográfica 1 17. Morreu em casa, no Rio de Janeiro, em 20 de novembro de 2004; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias 1 3.

Ideias: subdesenvolvimento, dependência cultural e o mito do desenvolvimento

Formulação teórica

Subdesenvolvimento como processo histórico. Em Desenvolvimento e subdesenvolvimento (1961), Furtado sustenta que o subdesenvolvimento não é uma etapa pela qual as economias desenvolvidas teriam passado, mas um processo histórico autônomo, resultante da penetração de empresas capitalistas modernas em estruturas arcaicas e da inserção da periferia como fornecedora de produtos primários 18 19. Daí a ênfase no dualismo, convivência de um setor moderno com um setor de baixa produtividade, e na heterogeneidade estrutural (ver Estruturalismo latino-americano).

Padrões de consumo e dependência. Nos anos 1970, Furtado deslocou a análise para o consumo: as elites da periferia imitam padrões de consumo dos países centrais, o que orienta a industrialização para bens sofisticados, concentra renda e reproduz a dependência tecnológica e cultural 14. A superação do subdesenvolvimento exigiria, portanto, também uma dimensão cultural: capacidade criativa própria e identidade nacional 19.

O mito do desenvolvimento. Em O mito do desenvolvimento econômico (1974), escrito em diálogo com o relatório do Clube de Roma sobre os limites do crescimento, Furtado argumentou que a ideia de que os países pobres poderiam um dia consumir como os ricos era um mito: a generalização desse padrão seria ecologicamente inviável e servia para legitimar a concentração de renda e a destruição ambiental 13.

Planejamento e democracia. Furtado defendeu o planejamento estatal e reformas estruturais, agrária, tributária, dentro de uma ordem democrática, e não a ruptura revolucionária. Não se declarava marxista, embora dialogasse com Marx; sua matriz combinava a análise histórica, Keynes e o estruturalismo cepalino 4.

Principais obras

Fatos documentados

Lista indicativa, com datas de primeira publicação 3:

  • L'économie coloniale brésilienne (tese, Paris, 1948; publicada no Brasil em 2001 como Economia colonial no Brasil nos séculos XVI e XVII).
  • A economia brasileira: contribuição à análise do seu desenvolvimento (1954) 5.
  • Uma economia dependente (1956).
  • Formação econômica do Brasil (1959) 6.
  • Uma política de desenvolvimento econômico para o Nordeste (1959).
  • Desenvolvimento e subdesenvolvimento (1961) 18.
  • Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina (1966) 10.
  • Um projeto para o Brasil (1968) 11.
  • Análise do "modelo" brasileiro (1972) 12.
  • O mito do desenvolvimento econômico (1974) 13.
  • Criatividade e dependência na civilização industrial (1978) 14.
  • A fantasia organizada (1985), primeiro volume de memórias, seguido de A fantasia desfeita e Os ares do mundo, reunidos em 2014 na Obra autobiográfica 15 17.
  • O capitalismo global (1998) 16.

A bibliografia sobre Furtado é extensa; o verbete de Nemi lista, entre outras, coletâneas organizadas por Luiz Carlos Bresser-Pereira e José Marcio Rego (2001) e por Francisco de Oliveira (1983), e a edição de Formação econômica do Brasil de 2009, que reúne textos de comentadores e críticos 3.

Críticas e debates

Debate em abertoAvaliação críticaPosição de outras organizações e correntes

A tese da estagnação. Em Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina (1966), Furtado sustentou que a concentração de renda tenderia a levar as economias latino-americanas à estagnação 10. O "milagre econômico" brasileiro do fim dos anos 1960 pareceu desmenti-lo. Em "Além da estagnação" (1971), Maria da Conceição Tavares e José Serra refutaram a tese e propuseram que o crescimento podia, ao contrário, apoiar-se na concentração de renda 20 21.

Crítica do dualismo. Francisco de Oliveira, em Crítica à razão dualista (1972), argumentou que o setor "atrasado" não era um resíduo a ser superado, mas parte funcional da acumulação capitalista no Brasil, barateando a reprodução da força de trabalho 22.

Dependentistas. Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto propuseram analisar a dependência a partir das alianças de classe internas 23. A teoria marxista da dependência, com Ruy Mauro Marini, Vânia Bambirra e Theotonio dos Santos, criticou o reformismo cepalino por supor que a industrialização e a ação de uma burguesia nacional pudessem superar o subdesenvolvimento sem romper com o capitalismo dependente e a superexploração do trabalho 24.

Liberais. Economistas liberais e "monetaristas", no debate latino-americano dos anos 1950–60, contrapostos aos "estruturalistas", criticaram a explicação estrutural da inflação, a confiança no planejamento, o protecionismo e o papel das empresas estatais; para eles, a industrialização por substituição de importações gerou ineficiência e desequilíbrios externos 4.

Cultura e identidade. Estudos recentes discutem os limites da noção de identidade nacional que Furtado propôs como resposta cultural ao subdesenvolvimento, a partir da teoria cultural marxista 19.

Legado

Interpretação historiográficaFatos documentados

Furtado é amplamente reconhecido como o economista brasileiro de maior projeção internacional no século XX e como um dos formuladores do estruturalismo latino-americano. Sua obra continua a ser referência para os debates sobre desenvolvimento, desigualdade regional e o papel do Estado (ver Capitalismo no Brasil). O Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, dedica-se a difundir sua obra; Maria da Conceição Tavares, que o chamava de "O Velho", presidiu-o depois (ver o verbete dela) 3. A leitura que se faz dele varia: para desenvolvimentistas, é patrono; para marxistas da dependência, um reformista lúcido mas limitado; para liberais, o símbolo de um modelo de industrialização protegida que eles consideram esgotado.

Cronologia

  1. 26 de julho de 1920

    Nasce em Pombal, Paraíba.1

  2. 1939

    Muda-se para o Rio de Janeiro para estudar Direito.3

  3. 1944

    Forma-se em Direito; é convocado para a FEB.2

  4. 1945

    Serve na Itália como aspirante a oficial da FEB; volta ao Brasil em agosto.3

  5. 1948

    Doutorado em economia pela Universidade de Paris (tese sobre a economia colonial brasileira).2

  6. 1949

    Instala-se em Santiago do Chile e integra a CEPAL.2

  7. 1953

    Preside o Grupo Misto CEPAL-BNDE.2

  8. 1957

    Ano letivo no King's College, Cambridge, onde escreve Formação econômica do Brasil.2

  9. 1959

    Publica Formação econômica do Brasil.2

  10. 15 de dezembro de 1959

    Lei nº 3.692 institui a Sudene, que Furtado dirige até 1964.7

  11. 1962

    Primeiro ministro do Planejamento; elabora o Plano Trienal.2

  12. 10 de abril de 1964

    Tem os direitos políticos suspensos por dez anos pelo Ato do Comando Supremo da Revolução nº 1.9

  13. 1965

    Assume a cátedra de Desenvolvimento Econômico na Universidade de Paris (até 1985).2

  14. 1974

    Publica O mito do desenvolvimento econômico.13

  15. 1981

    Filia-se ao PMDB.3

  16. 1985

    Embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Europeia.2

  17. março de 1986

    Assume o Ministério da Cultura (até julho de 1988).2

  18. 7 de agosto de 1997

    Eleito para a Cadeira 11 da Academia Brasileira de Letras.1

  19. 20 de novembro de 2004

    Morre no Rio de Janeiro.1

Bibliografia comentada

  • Celso Furtado. Formação econômica do Brasil (Rio de Janeiro, Fundo de Cultura) (1959)

    A obra mais lida de Furtado; interpretação da história econômica brasileira da colônia aos anos 1950.

  • Celso Furtado. O mito do desenvolvimento econômico (1974)

    Ensaio que antecipa a crítica ecológica ao crescimento e à imitação dos padrões de consumo dos países centrais.

  • Ricardo Bielschowsky. Pensamento econômico brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimentismo (1988)

    Estudo de referência sobre o desenvolvimentismo brasileiro e suas correntes, inclusive o debate com liberais.

  • Francisco de Oliveira. A economia brasileira: crítica à razão dualista (Estudos CEBRAP, n. 2) (1972)

    Crítica marxista influente ao dualismo da análise cepalina.

  • Maria da Conceição Tavares; José Serra. Além da estagnação (1971)

    Contestação da tese da estagnação, escrita por discípulos de Furtado.

  • Celso Furtado (org. Rosa Freire d'Aguiar). Obra autobiográfica (reúne A fantasia organizada, A fantasia desfeita e Os ares do mundo)

    Memórias de Furtado sobre a CEPAL, a Sudene, o governo Goulart e o exílio.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Academia Brasileira de Letras. Celso Furtado, biografia (Cadeira 11).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  2. 2Agência Senado (a partir de biografia da ABL). Biografia de Celso Furtado. Senado Notícias, 2 de março de 2005, 2005.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Traz "agosto de 1977" para a eleição à ABL, o que é erro: a própria ABL registra 7 de agosto de 1997, na sucessão de Darcy Ribeiro.
  3. 3Ana Lúcia Lana Nemi. Furtado, Celso (Pombal, 1920 – Rio de Janeiro, 2004), verbete. Dicionário de historiadores portugueses (Biblioteca Nacional de Portugal).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Verbete acadêmico com família, formação, FEB (início de 1945), CODENO, influências portuguesas, exílio, PMDB (1981) e bibliografia ativa e passiva.
  4. 4Ricardo Bielschowsky. Pensamento econômico brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimentismo. 1988.[Historiografia · referência bibliográfica]
  5. 5Celso Furtado. A economia brasileira: contribuição à análise do seu desenvolvimento (Rio de Janeiro, A Noite). 1954.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  6. 6Celso Furtado. Formação econômica do Brasil (Rio de Janeiro, Fundo de Cultura). 1959.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  7. 7Lei nº 3.692, de 15 de dezembro de 1959, institui a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada, 1959.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  8. 8Presidência da República (Ministro Extraordinário do Planejamento, Celso Furtado). Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, 1963–1965. 1962.[Fonte oficial · referência bibliográfica]
  9. 9Comando Supremo da Revolução. Ato do Comando Supremo da Revolução nº 1, de 10 de abril de 1964 (publicação original). Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada (Diário Oficial da União, Seção 1, 10/04/1964, p. 3217), 1964.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Suspende por dez anos os direitos políticos de 100 cidadãos com base no art. 10 do Ato Institucional de 9 de abril de 1964; Celso Furtado é o item 28.
  10. 10Celso Furtado. Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina. 1966.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  11. 11Celso Furtado. Um projeto para o Brasil. 1968.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  12. 12Celso Furtado. Análise do "modelo" brasileiro (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira). 1972.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  13. 13Celso Furtado. O mito do desenvolvimento econômico. 1974.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  14. 14Celso Furtado. Criatividade e dependência na civilização industrial. 1978.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  15. 15Celso Furtado. A fantasia organizada. 1985.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  16. 16Celso Furtado. O capitalismo global (São Paulo, Paz e Terra). 1998.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  17. 17Celso Furtado (org. Rosa Freire d'Aguiar). Obra autobiográfica (reúne A fantasia organizada, A fantasia desfeita e Os ares do mundo).[Fonte primária · referência bibliográfica]
  18. 18Celso Furtado. Desenvolvimento e subdesenvolvimento. 1961.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  19. 19Nathan Barbosa dos Santos; Vinícius Azevedo Bastos. Implicações e limitações da identidade nacional como resposta ao subdesenvolvimento em Celso Furtado. Leituras de Economia Política (IE-Unicamp), n. 31, p. 75–93, 2020.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  20. 20Maria da Conceição Tavares; José Serra. Além da estagnação. 1971.[Fonte primária · referência bibliográfica]Publicado em espanhol ("Más allá del estancamiento") e incluído em Da substituição de importações ao capitalismo financeiro (1972).
  21. 21Maria da Conceição Tavares teve influência duradoura na economia brasileira (obituário). Revista Pesquisa FAPESP, ed. 341 (on-line em 15 de junho de 2024), 2024.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  22. 22Francisco de Oliveira. A economia brasileira: crítica à razão dualista (Estudos CEBRAP, n. 2). 1972.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  23. 23Fernando Henrique Cardoso; Enzo Faletto. Dependencia y desarrollo en América Latina. 1969.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  24. 24Ruy Mauro Marini. Dialéctica de la dependencia. 1973.[Fonte primária · referência bibliográfica]

Rede de relações

Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.

desenvolve

formulou

relacionado a

  • Capitalismo no BrasilPaís e experiência histórica
  • Planejamento econômicoConceitoFonte: Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, 1963–1965
  • João Goulart (verbete planejado)PessoaMinistro do Planejamento do governo Goulart. Fonte: Biografia de Celso Furtado
  • Teoria marxista da dependência (verbete planejado)CorrenteFonte: Dialéctica de la dependencia
  • Dependência (verbete planejado)Conceito
  • Formação do Brasil contemporâneo (verbete planejado)Obra
  • Grande DepressãoAcontecimentoAnálise da defesa do café depois de 1929. Fonte: Formação econômica do Brasil (Rio de Janeiro, Fundo de Cultura)
  • Escravidão e capitalismoDebate historiográficoFonte: Formação econômica do Brasil (no verbete Escravidão e capitalismo)

participou de

influenciado por

  • John Maynard KeynesPessoaFonte: Formação econômica do Brasil (Rio de Janeiro, Fundo de Cultura)

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação assistida por IA (Claude)
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
2.438 palavras · 24 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação a partir da biografia da ABL, da biografia publicada pelo Senado (2005), do Ato do Comando Supremo da Revolução nº 1 e da Lei nº 3.692 (Câmara) e de artigo da revista Leituras de Economia Política (2020). Pendências: conferir em DHBB/CPDOC e na obra autobiográfica as datas exatas de posse na Sudene e no ministério e as razões do fim do Plano Trienal; conferir o conteúdo de Formação econômica do Brasil (resumido sem consulta ao texto nesta redação); conferir o nome e a data de criação do Centro Internacional Celso Furtado; eventual filiação partidária posterior.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Celso Furtado. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/celso-furtado.

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