Rubens Paiva
Engenheiro e deputado federal (PTB-SP), desaparecido após prisão em 1971 (1929–1971)
Engenheiro, empresário e deputado federal pelo PTB de São Paulo, cassado pelo AI-1 em 1964. Preso em casa, no Rio, em 20/1/1971, foi levado ao DOI-CODI do I Exército e desapareceu; o Exército alegou fuga. A CNV concluiu que foi morto sob guarda do Estado; seus restos nunca foram encontrados.
Também: Rubens Beyrodt Paiva · Rubens Beirodt Paiva (grafia da CEMDP) · Deputado Rubens Paiva
Índice e ficha
- Nome completo
- Rubens Beyrodt Paiva
- Nascimento
- 26 de dezembro de 1929 (data disputada), Santos (SP)
- Morte
- janeiro de 1971, Provavelmente no DOI-CODI do I Exército, Rio de Janeiro (RJ)Desaparecido após prisão por agentes do Estado; morto sob a guarda do Estado (CNV, 2014). Restos mortais não localizados.
- Nacionalidade
- brasileira
- Papéis
- Deputado federal por São Paulo (PTB), vice-líder do partidoOutro papel · 1963–1964
- Engenheiro civil e empresárioOutro papel
- Filiações
- Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) (até 1964)
- Período
- 1929–1971
- Área
- Ditaduras no Brasil
- Regiões
- Brasil, América Latina
- Temas
- Repressão, violência política e direitos, Estado, poder e democracia
Rubens Beyrodt Paiva (1929–1971) foi engenheiro civil, empresário e deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) de São Paulo. Vice-líder do partido do presidente João Goulart, teve o mandato cassado logo após o golpe de 1964, pelo primeiro Ato Institucional 1 2.
Em 20 de janeiro de 1971, já sem mandato e sem vínculo com organização clandestina, foi levado de sua casa no Leblon, no Rio de Janeiro, por agentes armados ligados ao Centro de Informações da Aeronáutica (CISA). Passou pelo quartel da 3ª Zona Aérea e pelo DOI-CODI do I Exército, onde documentos registram sua entrada, e desapareceu. O Exército afirmou que ele fugira durante uma "interceptação" por desconhecidos; a Comissão Nacional da Verdade concluiu que ele foi morto e desaparecido "sob a guarda do Estado" 1 3.
O caso é um dos mais conhecidos de desaparecimento político no Brasil: pela luta de sua mulher, Eunice Paiva; pela investigação reaberta várias vezes; pela denúncia penal de 2014, barrada pela Lei de Anistia; e pela memória construída pelos livros de Marcelo Rubens Paiva e pelo filme Ainda estou aqui (2024), vencedor do Oscar de filme internacional em 2025 4 5.
Origem e formação
Rubens Beyrodt Paiva nasceu em Santos (SP), filho de Araci Beyrodt e Jaime Almeida Paiva 1. A data de nascimento diverge entre fontes oficiais: 26 de dezembro de 1929 no DHBB e no cabeçalho do perfil da CNV; 26 de setembro de 1929 no texto do mesmo perfil e no livro da CEMDP 2 1 3.
Estudou em São Paulo, no Colégio Arquidiocesano e no Colégio de São Bento, e formou-se em engenharia civil pela Universidade Mackenzie em 1954, como orador da turma; foi presidente do centro acadêmico e vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, e também teve atividade jornalística 2 3. Dirigiu empresas de construção e o Jornal de Debates em sua fase paulista (1957) 2. Casou-se com Maria Eunice Facciola Paiva, com quem teve cinco filhos: Vera Sílvia, Maria Eliana, Ana Lúcia, Maria Beatriz e Marcelo 1.
Deputado federal e a CPI do IBAD (1963–1964)
Em outubro de 1962 foi eleito deputado federal por São Paulo pelo PTB, mesma legenda do presidente João Goulart, e tomou posse em fevereiro de 1963 1 2. Foi vice-líder do PTB na Câmara a partir de maio de 1963 e presidiu a Comissão de Transportes, Comunicações e Obras 2. A CEMDP o descreve como parlamentar defensor das bandeiras nacionalistas desde a campanha pela criação da Petrobras 3.
Teve papel destacado na CPI que investigou o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), acusados em 1963 de receber recursos do exterior para desestabilizar o governo Goulart; a CNV o registra como vice-presidente da comissão 1 2. Para a CEMDP, a cassação foi represália a essa atuação 3.
Cassação, exílio e retorno (1964–1970)
O mandato foi cassado com base no Ato Institucional n. 1, baixado em 9 de abril de 1964; a lista de cassações que incluiu seu nome foi publicada em 10 de abril 1 2. Rubens Paiva asilou-se na Embaixada da Iugoslávia no Rio e, em junho de 1964, deixou o país rumo à França e depois à Inglaterra 1 3.
Voltou no início de 1965 e instalou-se com a família em São Paulo e depois no Rio de Janeiro 1. Retomou a carreira de engenheiro e empresário, dirigiu a Última Hora paulista (1965) e empresas como Machado da Costa S.A. e Geobrás 2. A CEMDP sublinha que ele não militava em organização clandestina de oposição 3. Mantinha contato com exilados: segundo Elio Gaspari, citado pela CEMDP, havia ajudado a esconder no Rio, antes de ela partir para o exílio, Helena Bocayuva, filha de um amigo e sócio, militante do MR-8 3 6.
A prisão em casa (20 de janeiro de 1971)
Na madrugada de 20 de janeiro de 1971, agentes do CISA prenderam no aeroporto do Galeão Cecília de Barros Correia Viveiros de Castro e Marilene de Lima Corona, que voltavam do Chile, e encontraram com elas cartas de exilados; uma delas era endereçada a Rubens Paiva 1 3.
No mesmo dia, feriado de São Sebastião no Rio, depois de ele voltar da praia com duas filhas, seis agentes armados invadiram a casa da família no Leblon 1 3. Rubens Paiva foi levado, dirigindo o próprio carro sob escolta, ao Quartel da 3ª Zona Aérea, junto ao aeroporto Santos Dumont, então comandada pelo brigadeiro João Paulo Moreira Burnier. Foi a última vez que a família o viu 1 3. Os familiares ficaram detidos e incomunicáveis em casa durante todo o dia 1.
No dia seguinte, Eunice Paiva e a filha Eliana, de 15 anos, foram presas e levadas ao DOI-CODI do I Exército, na rua Barão de Mesquita (Tijuca); os agentes confirmaram que Rubens estava ali, mas elas não puderam vê-lo. Eliana foi solta após cerca de dois dias de interrogatórios (a CNV indica 23 de janeiro); Eunice ficou presa até 2 de fevereiro, quando viu o carro do marido no pátio do quartel 1 3.
O que os documentos registram
O documento "Turma de Recebimento" do DOI do I Exército, de 21 de janeiro de 1971, atesta a entrada de Rubens Paiva no órgão em 20 de janeiro, encaminhado pela equipe do CISA a partir da 3ª Zona Aérea, e lista seus pertences, documentos, relógio, dinheiro, 14 livros e quatro cadernos de anotações. Uma anotação manuscrita registra que dois cadernos estavam com o "MAJ BELHAM"; outra folha, de 4 de fevereiro de 1971, registra a retirada dos documentos do carro 1. O papel foi achado entre documentos do coronel Júlio Miguel Molinas Dias, ex-comandante do DOI do I Exército, apreendidos pela Polícia Civil gaúcha após o assassinato do coronel em 1º de novembro de 2012, e entregues à CNV pelo governador Tarso Genro 1.
O Informe n. 70 da Agência Rio de Janeiro do SNI, de 25 de janeiro de 1971, também registra que Rubens Paiva foi "localizado, detido e levado para o QG da 3ª Zona Aérea" e dali conduzido ao DOI com Cecília e Marilene 1. Documentos de inteligência registram o ponto de vista de quem os produziu; aqui, porém, eles confirmam a prisão que o próprio Exército negava.
Tortura e morte: testemunhos
Conteúdo sensívelEsta seção descreve, com base em testemunhos reunidos por comissões oficiais, a tortura e a provável morte de Rubens Paiva (sem detalhes gráficos).Ler este trechoOcultar trecho
Cecília Viveiros de Castro declarou em 1986 à Polícia Federal que, ao ser transferida da 3ª Zona Aérea para o DOI-CODI, encontrou no carro um homem de mãos amarradas, com a camisa manchada de sangue, que reconheceu como Rubens Paiva, pai de alunas do colégio onde lecionava; no DOI-CODI ouviu-o soletrar o sobrenome ao ser identificado 1.
O então tenente-médico Amílcar Lobo declarou em 1986 que, numa madrugada de janeiro de 1971, foi chamado ao quartel da Polícia do Exército e examinou numa cela um preso que se identificou como Rubens Paiva, com sinais de hemorragia abdominal grave; recomendou hospitalização imediata e, no dia seguinte, soube que o preso havia morrido; admitiu que as escoriações indicavam tortura 1 3.
À CNV, em 2013–2014, um militar do 1º Batalhão de Polícia do Exército, identificado como "Agente Y", relatou ter visto um interrogador do DOI agredir violentamente um homem de meia-idade, depois identificado como Rubens Paiva, e ter comunicado o fato no mesmo dia (21 de janeiro de 1971), com o capitão Ronald José Mota Batista de Leão, ao comandante do DOI, major José Antônio Nogueira Belham. Leão confirmou o relato em carta à CNV 1. A CNV identificou o interrogador como Antônio Fernando Hughes de Carvalho, oficial da reserva falecido em 2005, condecorado com a Medalha do Pacificador em novembro de 1971 1.
Ouvido pela CNV em 2013, o general da reserva José Antônio Nogueira Belham disse estar de férias em 21 de janeiro de 1971; sua folha de alterações, porém, registra deslocamentos sigilosos com saque de diárias em janeiro, inclusive no dia 20 1. A CNV concluiu que Rubens Paiva provavelmente foi executado nas dependências do DOI-CODI do I Exército 1.
A versão oficial: "interceptação" e "fuga"
Diante da insistência da família, o I Exército declarou, em informação a um habeas corpus, que Rubens Paiva não estava preso em nenhuma de suas organizações militares e que, quando era conduzido por agentes de segurança para ser inquirido, "teve seu veículo interceptado por elementos desconhecidos, possivelmente terroristas", empreendendo fuga para local ignorado 1. A nota à imprensa situou o suposto resgate em 22 de janeiro de 1971, no Alto da Boa Vista; para dar verossimilhança, registrou-se ocorrência na delegacia da Barra da Tijuca, abriu-se sindicância e suspendeu-se a censura sobre o tema 3 2. A família teve recusadas, no Ministério do Exército, as roupas levadas para ele, sob o argumento de que não estava em nenhuma unidade do I Exército 1.
A versão se desfez nos próprios depoimentos dos militares que teriam participado da diligência: o capitão Raymundo Ronaldo Campos disse ter visto "uma pessoa atravessar a rua", e os sargentos Jurandyr e Jacy Ochsendorf e Souza afirmaram não poder assegurar que a pessoa transportada fosse Rubens Paiva nem que ela tivesse fugido 1. Em 2013, Raymundo Ronaldo Campos declarou à Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro que a versão da fuga era falsa 1.
Eunice Paiva: a busca e a vida pública
Eunice Paiva (1929–2018), presa com a filha em janeiro de 1971, passou a cobrar publicamente o paradeiro do marido. Ainda em 1971 escreveu ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), citando testemunhos de que ele fora torturado; o pedido de investigação foi indeferido com o voto de desempate do ministro da Justiça, Alfredo Buzaid; recorreu também ao Superior Tribunal Militar, sem êxito 2 3.
Formou-se em Direito depois dos 40 anos e tornou-se advogada 7. Atuou na defesa dos direitos dos povos indígenas: segundo reportagem da DW, foi assessora jurídica da Comissão Pró-Índio de São Paulo, cofundou em 1987 o Instituto de Antropologia e Meio Ambiente (IAMA), publicou em 1985, com Carmen Junqueira, O Estado contra o índio, e é lembrada por historiadores e lideranças indígenas pela contribuição ao debate que resultou no artigo 231 da Constituição de 1988 8. Ver também povos indígenas e a ditadura militar.
Integrou a CEMDP como representante da sociedade civil nos primeiros meses de funcionamento, até abril de 1996 3. Morreu em São Paulo em 13 de dezembro de 2018, aos 86 anos 7. Aqui se registram apenas fatos públicos de sua atuação.
Investigações reabertas e buscas (1986–1996)
Em 1986, com a redemocratização, o caso foi reaberto: o procurador-geral da Justiça Militar, Francisco Leite Chaves, determinou nova apuração, e foi instaurado inquérito na Polícia Federal e, depois, IPM (n. 5425/09/86); foi nesse contexto que Amílcar Lobo e Cecília Viveiros de Castro depuseram 2 3 1. O inquérito da Polícia Federal chegou à conclusão de que Rubens Paiva fora morto nas dependências do Pelotão de Investigações Criminais (PIC) do quartel da PE no Rio, mas o caso foi remetido à Justiça Militar e arquivado 3 2.
Houve várias hipóteses sobre o destino do corpo e escavações sem resultado conclusivo, incluindo uma busca na praia do Recreio dos Bandeirantes em 1987 3 2. Em 5 de outubro de 1988, Ulysses Guimarães evocou o caso no discurso de promulgação da Constituição 3.
O nome de Rubens Paiva integra o anexo I da Lei 9.140/1995, que reconheceu como mortos os desaparecidos políticos listados. A família não pediu indenização à CEMDP, preferindo a via judicial, e solicitou apenas o atestado de óbito, expedido em 23 de fevereiro de 1996, que o declarava "desaparecido desde 1971" 3 2 1.
Conclusões da Comissão Nacional da Verdade
A CNV concluiu que Rubens Paiva "foi morto e desaparecido quando o mesmo se encontrava sob a guarda do Estado brasileiro", em contexto de violações sistemáticas, "restando desconstruída a versão oficial divulgada à época dos fatos" 1. Recomendou a continuidade das investigações para localizar os restos mortais, identificar local e circunstâncias da morte e responsabilizar os agentes 1.
A cadeia de comando listada pela CNV vai do presidente Emílio Garrastazu Médici e dos ministros do Exército (Orlando Geisel) e da Aeronáutica (Márcio de Souza e Mello) aos chefes do CISA e do CIE, ao comandante da 3ª Zona Aérea (João Paulo Burnier), ao comandante do I Exército e ao chefe do DOI, major José Antônio Nogueira Belham, sem que o posto, por si, prove participação pessoal 1. Na tabela de autoria, a CNV atribui condutas a onze pessoas, entre elas Antônio Fernando Hughes de Carvalho (tortura, homicídio e ocultação de cadáver), João Paulo Burnier e José Antônio Nogueira Belham (sequestro, desaparecimento forçado, ocultação de cadáver e homicídio), Rubens Paim Sampaio, Freddie Perdigão Pereira, os sargentos Ochsendorf e Souza, Raymundo Ronaldo Campos, José Ney Fernandes Antunes e Francisco Demiurgo Santos Cardoso (desaparecimento forçado e ocultação de cadáver, com variações) e Amílcar Lobo (tortura) 1. São conclusões de comissão, não condenações.
Em 2012 a Câmara dos Deputados restituiu simbolicamente seu mandato em sessão solene, e em 2014 foi inaugurado um busto em sua homenagem diante do quartel onde funcionou o DOI-CODI do I Exército 1.
A denúncia do MPF (2014) e o trancamento da ação
Em 19 de maio de 2014, o MPF no Rio de Janeiro denunciou cinco militares reformados: o general José Antônio Nogueira Belham (ex-comandante do DOI) e o coronel Rubens Paim Sampaio (ex-integrante do CIE), por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa armada; o coronel Raymundo Ronaldo Campos e os irmãos Jurandyr e Jacy Ochsendorf e Souza, por ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa armada 9 10. Os procuradores sustentaram que se tratava de crimes contra a humanidade, imprescritíveis, cometidos em contexto de ataque sistemático à população civil; parte da prova veio de documentos apreendidos na casa do coronel reformado Paulo Malhães, morto em abril de 2014 9. A denúncia foi recebida pela 4ª Vara Federal Criminal do Rio (ação penal 0023005-91.2014.4.02.5101) 10 4.
Os réus recorreram ao STF (Reclamação 18.686), alegando afronta à ADPF 153, e o ministro Teori Zavascki concedeu liminar suspendendo a ação penal; em 2015 foi autorizada a produção antecipada de provas, dada a idade das testemunhas 10. Paralelamente, a 5ª Turma do STJ, em recurso em habeas corpus, reconheceu a incidência da Lei de Anistia e determinou o trancamento da ação penal (2019); nos embargos, entendeu que a ocultação de cadáver, no caso, seria crime "instantâneo de efeitos permanentes", e não permanente 4 11. Uma denúncia do MPF não é condenação; nenhum dos acusados foi julgado no mérito.
O caso no STF: repercussão geral e situação em outubro de 2026
O MPF recorreu ao STF (Recurso Extraordinário com Agravo 1.316.562/RJ, relator ministro Alexandre de Moraes). Em parecer de 28 de janeiro de 2025, a subprocuradora-geral Maria Caetana Cintra Santos defendeu que a ocultação de cadáver é crime permanente, "nunca se revelou o paradeiro do corpo", e que a Lei de Anistia não deveria alcançar graves violações de direitos humanos, citando a condenação do Brasil pela Corte IDH no caso Gomes Lund (Guerrilha do Araguaia) 4 12.
Em fevereiro de 2025, o plenário do STF reconheceu, por unanimidade, a repercussão geral da questão (Tema 1376: recepção da Lei 6.683/1979 quanto a crimes permanentes e graves violações de direitos humanos, à luz da ADPF 153), julgada em conjunto com os casos de Mário Alves de Souza Vieira e Helber José Gomes Goulart; na mesma época, outro recurso, sobre ocultação de cadáver na Guerrilha do Araguaia, também teve repercussão geral reconhecida (Tema 1369) 13 14. Ao votar pela repercussão, Moraes apontou incerteza sobre a aplicação da anistia a crimes permanentes e citou revisões de anistias na Argentina e no Chile 13.
Situação na data de corte (19/10/2026): a lista oficial de temas de repercussão geral do TJSP atualizada em 13/10/2026 registra o Tema 1376 (ARE 1.316.562/RJ) sem julgamento de mérito 14. Segundo a imprensa, três dos cinco denunciados, Raymundo Ronaldo Campos, Rubens Paim Sampaio e Jurandyr Ochsendorf e Souza, já haviam morrido em janeiro de 2025 11. A ADPF 320, que discute a interpretação da Lei de Anistia, seguia pendente em outubro de 2025 (ver o verbete Vladimir Herzog).
A nova certidão de óbito (2025)
Em 23 de janeiro de 2025, em cumprimento à Resolução n. 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça, o Cartório da Sé, em São Paulo, retificou a certidão de óbito de Rubens Paiva: a causa da morte passou a constar como "não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964", com a CEMDP como atestante 15. A certidão de 1996 apenas o declarava desaparecido desde 1971 2 15.
Memória: livros, filme e homenagens
Marcelo Rubens Paiva, filho que tinha 11 anos em 1971, evocou o desaparecimento do pai em Feliz ano velho (1982), livro de grande sucesso premiado com o Jabuti, e dedicou à mãe Ainda estou aqui (2015) 3 16 17. Esse livro deu origem ao filme homônimo de Walter Salles (2024), que venceu o Oscar de melhor filme internacional na 97ª cerimônia, em março de 2025, o primeiro Oscar do cinema brasileiro nessa categoria; Salles dedicou o prêmio a Eunice Paiva 5. A repercussão do filme recolocou o caso no debate público e no STF 13. Livros e filme são obras de memória: neste verbete, os fatos vêm de documentos, comissões e decisões, não da ficção.
O livro-reportagem Segredo de Estado: o desaparecimento de Rubens Paiva, de Jason Tércio, saiu em 2011 1 18. Ruas e praças em diversos municípios levam seu nome, e a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo foi batizada "Rubens Paiva" 1.
Situação documentada
As categorias não se somam: uma mesma pessoa pode ter sido presa, exilada e depois desaparecida.
- Desaparecido(a)
- Cassado(a)
- Exilado(a)
- Reconhecimento oficial
- Lei 9.140/1995: Nome no anexo I (desaparecidos reconhecidos como mortos); certidão de óbito expedida em 23/2/1996. Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
- Comissão Nacional da Verdade: Relatório final, vol. III (2014): morto e desaparecido sob a guarda do Estado; versão oficial desconstruída. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- Câmara dos Deputados: Restituição simbólica do mandato em sessão solene (2012). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- Restos mortais
- Não localizados nem identificados. Buscas e escavações desde 1986, inclusive no Recreio dos Bandeirantes (1987), sem resultado conclusivo. A CNV recomendou a continuidade das buscas.
- Investigações e processos
- IPM de 1986 arquivado na Justiça Militar. Denúncia do MPF de 19/5/2014 contra cinco militares, recebida pela 4ª Vara Federal Criminal do RJ (AP 0023005-91.2014.4.02.5101); suspensa por liminar no STF (Rcl 18.686) e trancada pela 5ª Turma do STJ (2019) com base na anistia. ARE 1.316.562/RJ (Tema 1376) com repercussão geral reconhecida em 22/2/2025 e sem julgamento de mérito em 13/10/2026. Três dos cinco denunciados haviam morrido até janeiro de 2025.
- Reparação e memória
- A família não requereu a indenização da Lei 9.140/1995, preferindo a via judicial. Certidão de 1996 retificada em 23/1/2025 (Resolução CNJ 601/2024) para registrar morte violenta causada pelo Estado. Mandato simbolicamente restituído (2012); busto diante do antigo DOI-CODI/RJ (2014).
- O que não se sabe
- Data de nascimento (setembro ou dezembro de 1929). Data e local exatos da morte e destino do corpo. Autoria individual não foi julgada por nenhum tribunal; atribuições vêm da CNV e de denúncia do MPF.
Informações sobre processos e reparações conferidas até 19 de outubro de 2026; podem ter mudado depois.
Responsabilidades e grau de prova
Ocupar um cargo não prova participação pessoal em cada crime. A tabela diz o que cada fonte afirma e com que grau de prova.
| Sobre | Grau de prova | O que a fonte afirma | Fonte |
|---|---|---|---|
| Cadeia de comando (jan. 1971) | Cargo ou comando | CNV lista Emílio Garrastazu Médici, Orlando Geisel, Márcio de Souza e Mello, chefes do CISA e do CIE, o comandante da 3ª Zona Aérea e o chefe do DOI do I Exército, entre outros; o posto não prova participação pessoal. | Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos |
| Entrada no DOI-CODI do I Exército | Documento de época | Documento "Turma de Recebimento" (21/1/1971) e Informe n. 70 do SNI (25/1/1971) registram a prisão e a entrega ao DOI pela equipe do CISA. | Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos |
| Tortura | Testemunho | "Agente Y" e Ronald Leão relataram à CNV ter visto/sabido da agressão por um interrogador do DOI e comunicado ao comandante do DOI; a CNV identificou o interrogador como Antônio Fernando Hughes de Carvalho (falecido em 2005). | Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos |
| Sequestro, desaparecimento forçado, homicídio e ocultação de cadáver | Conclusão de comissão | CNV atribui condutas a onze pessoas, incluindo João Paulo Burnier, José Antônio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Freddie Perdigão Pereira, Raymundo Ronaldo Campos e os sargentos Ochsendorf e Souza. | Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos |
| Homicídio, ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa armada | Denúncia judicial | Denúncia do MPF (19/5/2014) contra José Antônio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Raymundo Ronaldo Campos, Jurandyr e Jacy Ochsendorf e Souza; ação trancada pelo STJ (2019) e recurso pendente no STF em 13/10/2026. Não é condenação. | MPF denuncia cinco militares por morte de Rubens Paiva |
No portal Ditaduras no Brasil
República de 1946 (1946–1964) · Ditadura de 1964–1985 · Transição e Nova República (1985–) · Sudeste (RJ, SP)
Vítimas e sobreviventesRepressãoPessoasMemória, verdade e justiçaGolpes e rupturas
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Citação localizada na fonte
“O paciente não se encontra preso por ordem nem à disposição de qualquer OM deste Exército. [...] teve seu veículo interceptado por elementos desconhecidos, possivelmente terroristas, empreendendo fuga para local ignorado”
Informação do I Exército sobre o paradeiro de Rubens Paiva (1971), transcrita pela CNV. Documento de época que veicula a versão oficial, desmentida por documentos e testemunhos.
Fonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- Citação localizada na fonte
“conclui-se que Rubens Beyrodt Paiva foi morto e desparecido quando o mesmo se encontrava sob a guarda do Estado brasileiro”
Conclusão do perfil de Rubens Paiva no relatório final da CNV, vol. III (2014); grafia original.
Fonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
Cronologia
26 de dezembro de 1929 (data disputada)
Nascimento em Santos (SP).2
1954
Forma-se em engenharia civil pelo Mackenzie.2
outubro de 1962
Eleito deputado federal por São Paulo (PTB).1
maio de 1963
Torna-se vice-líder do PTB na Câmara; atua na CPI do IBAD.2
10 de abril de 1964
Mandato cassado com base no AI-1 (baixado em 9/4/1964).2
junho de 1964
Deixa o Brasil após asilo na Embaixada da Iugoslávia.1
1965
Retorna ao Brasil.1
20 de janeiro de 1971
Preso em casa, no Leblon; levado à 3ª Zona Aérea e ao DOI-CODI do I Exército.1
21 de janeiro de 1971
Documento "Turma de Recebimento" do DOI registra sua entrada; Eunice e Eliana são presas.1
22 de janeiro de 1971
Data do suposto "resgate por terroristas" na versão oficial.3
25 de janeiro de 1971
Informe n. 70 do SNI registra a prisão.1
2 de fevereiro de 1971
Eunice Paiva é solta.1
1982
Publicação de Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva.3
4 de setembro de 1986
IPM reaberto para investigar a morte (n. 5425/09/86).1
5 de outubro de 1988
Ulysses Guimarães evoca o caso na promulgação da Constituição.3
4 de dezembro de 1995
Lei 9.140/1995: nome incluído no anexo I.3
23 de fevereiro de 1996
Expedida certidão de óbito ("desaparecido desde 1971").2
novembro de 2012
Documentos do coronel Molinas Dias, incluindo a "Turma de Recebimento", são entregues à CNV.1
19 de maio de 2014
MPF denuncia cinco militares.9
2014
Liminar de Teori Zavascki (Rcl 18.686) suspende a ação penal.10
dezembro de 2014
Relatório final da CNV.1
2015
Publicação de Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva.17
13 de dezembro de 2018
Morte de Eunice Paiva, em São Paulo.7
2019
5ª Turma do STJ tranca a ação penal com base na Lei de Anistia.11
23 de janeiro de 2025
Certidão de óbito retificada: morte "violenta, causada pelo Estado brasileiro".15
28 de janeiro de 2025
Parecer do MPF no ARE 1.316.562/RJ.4
22 de fevereiro de 2025
STF reconhece repercussão geral (Tema 1376).14
março de 2025
Ainda estou aqui, de Walter Salles, vence o Oscar de melhor filme internacional.5
13 de outubro de 2026
Tema 1376 segue sem julgamento de mérito (lista do TJSP).14
Bibliografia comentada
Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos (2014)
Perfil oficial (pp. 519–528): documento "Turma de Recebimento", testemunhos de Cecília Viveiros de Castro, Amílcar Lobo, "Agente Y" e Ronald Leão, contradições da versão oficial e tabela de autoria.
Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) / Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (2007)
Entrada da CEMDP (pp. 142–145): biografia política, prisão, versão oficial, reabertura de 1986 e buscas pelo corpo.
Ministério Público Federal (subprocuradora-geral Maria Caetana Cintra Santos). Parecer no Recurso Extraordinário com Agravo n. 1.316.562/RJ (caso Rubens Paiva) (2025)
Documento-chave da situação processual: transcreve as ementas do STJ e a tese do MPF sobre a ocultação de cadáver como crime permanente.
Jason Tércio. Segredo de Estado: o desaparecimento de Rubens Paiva (2011)
Livro-reportagem sobre o desaparecimento, referido pela CNV. Não consultado nesta redação.
Marcelo Rubens Paiva. Ainda estou aqui (2015)
Memória familiar centrada em Eunice Paiva, base do filme de 2024. Obra de memória, não fonte primária sobre a morte.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]PDF integral baixado do espelho do Marxists Internet Archive e lido com pdftotext; o endereço oficial (cnv.memoriasreveladas.gov.br/images/pdf/relatorio/volume_3_digital.pdf) recusou a conexão em 19/10/2026. Perfis usados: Rubens Beyrodt Paiva, pp. 519–528; Vladimir Herzog, pp. 1794–1799; Manoel Fiel Filho, pp. 1811–1816. Conferir paginação contra o arquivo oficial.
- 2Beatriz Kushnir (atualização), CPDOC/FGV. Rubens Beyrodt Paiva (verbete biográfico). Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB), CPDOC/FGV.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado por leitor automático (resumo e trechos curtos).
- 3Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) / Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Brasília, 2007.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]PDF integral (espelho do Marxists Internet Archive) lido com pdftotext. Entradas usadas: Rubens Beirodt Paiva, pp. 142–145; Vladimir Herzog, pp. 407–409; Neide Alves dos Santos, pp. 410–411; Manoel Fiel Filho, pp. 411–413.
- 4Ministério Público Federal (subprocuradora-geral Maria Caetana Cintra Santos). Parecer no Recurso Extraordinário com Agravo n. 1.316.562/RJ (caso Rubens Paiva). Ministério Público Federal (cópia publicada pelo JOTA), 2025.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Assinado em 28/1/2025. Transcreve as ementas do STJ (RHC que trancou a ação penal e embargos de declaração).
- 5TNH1 (com Agência Brasil). 'Ainda Estou Aqui' vence Oscar de melhor filme estrangeiro e faz história na premiação. TNH1, 2025.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Matéria de 3/3/2025 sobre a 97ª cerimônia do Oscar.
- 6Elio Gaspari. A ditadura escancarada. Companhia das Letras.[Historiografia · referência bibliográfica]Trecho sobre Rubens Paiva transcrito pela CEMDP (2007). Não consultado diretamente.
- 7Jornal de Brasília. Morre Eunice Paiva, protagonista de buscas por desaparecidos no regime militar. Jornal de Brasília, 2018.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Matéria de 13/12/2018.
- 8Edison Veiga (DW), republicado por O Povo. O legado de Eunice Paiva para a luta por direitos dos povos indígenas. O Povo / Deutsche Welle, 2025.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Republicação de 18/1/2025.
- 9Estado de Minas / Agência Estado. MPF denuncia cinco militares por morte de Rubens Paiva. Estado de Minas, 2014.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Matéria de 19/5/2014.
- 10Procuradoria-Geral da República (Raquel Dodge). Manifestação n. 165/2018 na Reclamação 18.686 (STF), caso Rubens Paiva. Ministério Público Federal, 2018.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Documento assinado em 5/2/2018. Relata a liminar de Teori Zavascki que suspendeu a ação penal 0023005-91.2014.4.02.5101.
- 11Diário do Grande ABC. PGR quer que STF decida se lei da Anistia se aplica a militares acusados de matar Rubens Paiva. Diário do Grande ABC, 2025.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Matéria de 28/1/2025; fonte da informação sobre denunciados já falecidos.
- 12André Richter (Agência Brasil). STF deve analisar uso da Lei da Anistia no caso Rubens Paiva, diz PGR. Agência Brasil, 2025.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Matéria de 28/1/2025.
- 13Migalhas. Caso Rubens Paiva: STF julga lei da anistia em crimes da ditadura. Migalhas, 2025.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Publicada em 22/2/2025, atualizada em 24/2/2025.
- 14Tribunal de Justiça de São Paulo, Seção de Direito Criminal. Matérias com repercussão geral reconhecida sem julgamento de mérito (atualizada em 13/10/2026). TJSP, 2026.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Lista os Temas 1369 (ARE 1.501.674/PA), 1374, 1375 e 1376 (ARE 1.316.562/RJ, caso Rubens Paiva) sem mérito julgado em 13/10/2026. Fonte secundária oficial; conferir no portal do STF.
- 15Poder360. Morte de Rubens Paiva foi causada pelo Estado, diz nova certidão. Poder360, 2025.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Matéria de 24/1/2025.
- 16Marcelo Rubens Paiva. Feliz ano velho. 1982.[Fonte primária · referência bibliográfica]Livro de memórias citado pela CNV e pela CEMDP. Obra de memória, não fonte factual primária sobre a morte.
- 17Marcelo Rubens Paiva. Ainda estou aqui. 2015.[Fonte primária · referência bibliográfica]Livro de memórias sobre Eunice Paiva, base do filme de Walter Salles (2024). Obra de memória. Não consultado diretamente.
- 18Jason Tércio. Segredo de Estado: o desaparecimento de Rubens Paiva. Objetiva, 2011.[Historiografia · referência bibliográfica]Referido pela CNV (vol. III). Não consultado diretamente.
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
vítima de
- Sistema DOI-CODI e Operação BandeiranteInstituiçãoDesaparecido após entrada registrada no DOI-CODI do I Exército (Rio de Janeiro). Fonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
relacionado a
- Golpe de 1964AcontecimentoCassado pelo AI-1 logo após o golpe. Fonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- João Goulart (verbete planejado)PessoaDeputado do PTB, partido do presidente deposto. Fonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- Exílio brasileiro (1964–1979) (verbete planejado)AcontecimentoFonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- Anistia de 1979AcontecimentoLei invocada pelo STJ para trancar a ação penal. Fonte: Parecer no Recurso Extraordinário com Agravo n. 1.316.562/RJ (caso Rubens Paiva)
- Lei de Anistia e justiça de transição (verbete planejado)Debate historiográficoFonte: Caso Rubens Paiva: STF julga lei da anistia em crimes da ditadura
- Memória, verdade, reparação e justiça no BrasilPolítica públicaFonte: Parecer no Recurso Extraordinário com Agravo n. 1.316.562/RJ (caso Rubens Paiva)
- Guerrilha do AraguaiaAcontecimentoCaso Gomes Lund invocado pelo MPF. Fonte: Parecer no Recurso Extraordinário com Agravo n. 1.316.562/RJ (caso Rubens Paiva)
- Relatório da Comissão Nacional da VerdadeDocumentoFonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- Qual a diferença entre morto e desaparecido político?Pergunta e guia
- Povos indígenas e a ditadura (1964–1985)TemaAtuação posterior de Eunice Paiva em defesa de direitos indígenas. Fonte: O legado de Eunice Paiva para a luta por direitos dos povos indígenas
- Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985)Tema
- Ditadura militar (1964–1985)Acontecimento
- Casa da Morte de PetrópolisLugar históricoCitado por Inês; a CNV não conseguiu comprovar sua passagem pela casa. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553 (no verbete Casa da Morte de Petrópolis)
- Inês Etienne RomeuPessoaCitou-o entre os desaparecidos de quem teve notícia; a CNV não comprovou a passagem dele pela casa. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553 (no verbete Inês Etienne Romeu)
Compartilhe
Peças para as redes
Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.
Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP, rascunho assistido por IA
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.826 palavras · 18 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisado: perfil da CNV (vol. III, pp. 519–528); CEMDP 2007 (pp. 142–145); DHBB/CPDOC; manifestação da PGR na Rcl 18.686 (2018) e parecer do MPF no ARE 1.316.562/RJ (2025, com ementas do STJ); lista de temas de repercussão geral do TJSP atualizada em 13/10/2026; Agência Brasil, Migalhas, Diário do Grande ABC, Estado de Minas, Poder360, Jornal de Brasília, DW/O Povo e TNH1. Pendências: (1) decidir a data de nascimento (26/9 ou 26/12/1929); (2) confirmar no portal do STF o andamento do ARE 1.316.562/RJ após 13/10/2026 e a data exata do acórdão do STJ (2019) e dos embargos (2020); (3) confirmar em fonte primária os falecimentos de três denunciados (hoje só na imprensa); (4) conferir a data exata da cerimônia do Oscar (2/3/2025, horário de Los Angeles) em fonte oficial da Academia; (5) a CNV registra data de libertação de Eliana em 23/1, a CEMDP fala em 24 horas, conferir; (6) conferir a data da liminar de Teori Zavascki (setembro de 2014, segundo a imprensa); (7) a busca web desta tarefa esgotou o limite antes de consultar a Comissão Estadual da Verdade do RJ.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
Encontrou um erro? Escreva pela página de correções citando o verbete e a seção. Correções ficam registradas neste histórico.
Como citar: Rubens Paiva. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/rubens-paiva.
Continue explorando
Sistema DOI-CODI e Operação Bandeirante
Destacamentos de Operações de Informações e Centros de Operações de Defesa Interna do Exército (1969–anos 1980)
Golpe de 1964
Deposição do presidente João Goulart (31 de março–2 de abril de 1964)
Anistia de 1979
A campanha pela anistia "ampla, geral e irrestrita" e a Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979
Memória, verdade, reparação e justiça no Brasil
A justiça de transição depois da ditadura de 1964–1985: leis, comissões, buscas, processos e decisões (situação em 19/10/2026)
Guerrilha do Araguaia
Núcleo guerrilheiro do PCdoB no sudeste do Pará e campanhas militares de extermínio (1966–1974)
Relatório da Comissão Nacional da Verdade
Relatório final da CNV (Lei 12.528/2011), entregue em 10 de dezembro de 2014