"Milagre econômico" (1968–1973)
Crescimento acelerado, arrocho salarial e concentração de renda sob a ditadura
Nome dado ao período de 1968 a 1973, em que o PIB brasileiro cresceu cerca de 10% ao ano ou mais, sob a ditadura. O ciclo combinou reformas pós-1964, crédito externo e grandes obras com arrocho salarial, repressão sindical e forte concentração de renda.
Também: Milagre brasileiro · Milagre econômico brasileiro · Ciclo expansivo de 1968–1973 · Brasil Grande
Índice e ficha
- Período
- 1968–1973
- Lugares
- Brasil (nacional)
- Área
- Ditaduras no Brasil
- Regiões
- Brasil
- Temas
- Economia e organização social, Movimento operário e sindical, Estado, poder e democracia, Repressão, violência política e direitos
"Milagre econômico" é a expressão consagrada para o período de 1968 a 1973, quando a economia brasileira cresceu a taxas excepcionais em plena ditadura militar: segundo a série do Sistema de Contas Nacionais do IBGE, o PIB real aumentou 9,8% em 1968, 9,5% em 1969, 10,4% em 1970, 11,3% em 1971, 11,9% em 1972 e 14,0% em 1973 1. O ministro da Fazenda de quase todo o período, Antonio Delfim Netto (1967–1974), não gostava da palavra "milagre", segundo pesquisadores ouvidos pela revista Pesquisa FAPESP 2.
O crescimento não caiu do céu nem se explica por uma única causa. Ele se apoiou em reformas feitas entre 1964 e 1967 pelo governo Castelo Branco, o Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG), a nova política salarial, a Lei de Greve, o FGTS e a reorganização financeira e tributária, num cenário internacional de expansão e crédito farto 3 4. E aconteceu nos anos de maior violência política do regime, depois do AI-5, com sindicatos sob intervenção e salários fixados por decreto 5. Este verbete apresenta os números com sua fonte e seus limites, as políticas que os produziram, quem ganhou e quem perdeu, e as interpretações em disputa. Crescimento econômico não apaga violações de direitos; violações, por sua vez, não dispensam a análise econômica.
O nome e o recorte
A palavra "milagre" sugere algo sem explicação. Por isso historiadores e economistas costumam usá-la entre aspas: o ciclo tem causas identificáveis e custos sociais documentados 6. O recorte 1968–1973 é dado pela própria série do PIB: depois de taxas modestas em 1963–1967 (0,6% em 1963; 3,4% em 1964; 2,4% em 1965; 6,7% em 1966; 4,2% em 1967), o produto passou a crescer perto de 10% ao ano ou mais, até o choque do petróleo de 1973 1.
O verbete do DHBB sobre o PAEG fala em "ciclo expansivo de 1968-1973" e observa que a retração do período 1963–1967 só se recomporia em 1973 3. O período cobre o fim do governo Costa e Silva (1967–1969) e quase todo o governo Médici (1969–1974); ver Governos da ditadura (1964–1985).
Antecedentes: o PAEG e as reformas de 1964–1967
O Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG) fixou a política econômica do governo Castelo Branco para o período de novembro de 1964 a março de 1967. Foi apresentado por Roberto Campos, titular do Ministério Extraordinário para o Planejamento e Coordenação Econômica criado em maio de 1964 3. O plano atribuía a inflação a três "causas tradicionais": déficits públicos, expansão do crédito às empresas e "majorações institucionais de salários em proporção superior à do aumento da produtividade". Daí sua regra para os salários: o combate à inflação se destinaria "a eliminar a instabilidade, mas não a elevar a média dos salários reais" 3.
As principais reformas do triênio, segundo as sínteses consultadas:
- Sistema financeiro: criação do Banco Central em dezembro de 1964 e de títulos públicos com correção monetária (ORTN); em 1966 o déficit público passou a ser financiado inteiramente pela venda desses títulos, e não por emissão de moeda 3.
- Impostos e gastos: a carga tributária passou de 16% do PIB em 1963 para 21% em 1967, segundo dado de Jennifer Hermann reproduzido pelo portal Memórias da Ditadura; o déficit fiscal caiu de 4,2% do PIB em 1963 para 1,1% em 1966 7.
- Capital estrangeiro: o PAEG previa estimular o ingresso de capitais externos para financiar cerca de 20% da formação de capital do país 3. A partir de 1966 entraram empréstimos tomados sobretudo por filiais de multinacionais junto às matrizes (Instrução nº 289 do Banco Central), com participação mínima de empresas privadas nacionais 3.
- Salários e trabalho: ver a seção seguinte.
Os resultados de estabilização foram reais: a inflação medida pelo IGP-DI caiu de 92,1% em 1964 para 25,0% em 1967 8. Mas o próprio DHBB lista os custos: retração do crescimento entre 1963 e 1967, queda do ritmo de criação de empregos (que as lacunas estatísticas da época não permitem medir), falências concentradas em pequenas empresas e em setores como vestuário, alimentos e construção civil, e corte relativo de despesas dos ministérios de Transportes e do Trabalho e Previdência 3. A participação dos 50% mais pobres na renda total caiu de 17,7% em 1960 para 14,9% em 1970, segundo dado de André Lara Resende citado pelo Memórias da Ditadura 7.
Arrocho salarial, Lei de Greve e FGTS
A especificidade do PAEG, segundo o DHBB, foi uma política salarial "de contornos bem definidos" 3. Seus marcos legais:
- Circular nº 10 (19 de junho de 1964): fixou que reajustes sob controle federal teriam intervalo mínimo de um ano e seriam calculados pelo salário real médio dos últimos 24 meses, multiplicado por um coeficiente de produtividade e acrescido de uma "provisão" para o resíduo inflacionário previsto pelo governo 3. O relatório da CNV situa a medida em julho de 1964 e a atribui ao Ministério da Fazenda; o DHBB a data de 19 de junho e a atribui à Presidência, divergência a conferir no documento original 5.
- Lei nº 4.330, de 1º de junho de 1964 (Lei de Greve): proibiu a greve no serviço público e em atividades "essenciais" e tornou ilegais as greves de solidariedade e as de natureza "política, social ou religiosa" 9 5. A CNV registra, com base em Maria Helena Moreira Alves, que as greves se tornaram "virtualmente impossíveis" e que trabalhadores apelidaram o texto de "Lei Anti-greve" 5.
- Lei nº 4.725, de 13 de julho de 1965: estendeu a fórmula aos dissídios coletivos julgados pela Justiça do Trabalho, determinando que a sentença tomasse por base "a reconstituição do salário real médio da categoria nos últimos vinte e quatro meses", com acréscimo de produtividade a partir do segundo ano 10. Para a CNV, a política "subestimava o resíduo inflacionário e os aumentos de produtividade, forçando a queda dos níveis salariais"; em 1966 decretos-leis (nº 15 e nº 17) passaram ao Executivo a fixação dos índices, afastando a negociação entre sindicatos e empresas 5.
- Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966 (FGTS): criou o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço como opção ao regime da CLT 11. Pela CLT, o empregado que completasse dez anos na mesma empresa tornava-se estável e só podia ser demitido por falta grave apurada em juízo; o FGTS "a elimina definitivamente", nas palavras do DHBB 12. A CNV avalia que a lei reduziu o custo de demitir empregados antigos e inibiu a participação sindical dos trabalhadores mais experientes, por medo da demissão 5.
A Lei nº 5.451, de junho de 1968, eliminou as subestimativas do resíduo inflacionário e atenuou a perda real, segundo o DHBB, pouco antes de o crescimento acelerar 3. As normas trabalhistas herdadas do Estado Novo (ver Política trabalhista e sindical (1930–1945)) continuaram a servir de base para intervir em sindicatos: segundo a CNV, houve 536 intervenções sindicais entre 1964 e 1970, 433 delas em 1964 e 1965 5.
O crescimento de 1968–1973
Números. O PIB real cresceu 9,8% (1968), 9,5% (1969), 10,4% (1970), 11,3% (1971), 11,9% (1972) e 14,0% (1973) 1. O portal Memórias da Ditadura, com base em Araujo e Mattos, informa crescimento industrial médio de 12,7% ao ano no governo Médici 4. A inflação pelo IGP-DI caiu de 25,5% em 1968 para 15,5% em 1973 8, com a ressalva de que o índice oficial de 1973 foi contestado (ver abaixo e Greves do ABC (1978–1980)).
Condução. Delfim Netto assumiu a Fazenda em 1967, com Costa e Silva, e ficou até 1974; em 1968 foi um dos signatários do AI-5 2. Segundo o historiador José Pedro Macarini, citado pelo Memórias da Ditadura, a estratégia do período combinou isenções fiscais, políticas de acesso a crédito e investimentos em infraestrutura para estimular a agricultura e a indústria exportadora, financiadas por expansão monetária e pela manutenção do arrocho salarial, "garantido pela repressão aos sindicatos" 4.
Estado e estatais. O Estado produzia diretamente insumos como energia e minérios e controlava redes de infraestrutura; Herbert Klein e Francisco Vidal Luna, citados pelo mesmo portal, afirmam que "poucos projetos privados se iniciavam sem anuência de alguma instituição governamental" para crédito, licença de importação ou subsídio 4. O I Plano Nacional de Desenvolvimento (1972–1974), coordenado por João Paulo dos Reis Velloso, mirava crescimento anual de 8% a 10% e foi o primeiro plano convertido em lei pelo Congresso 13.
Contexto externo e dívida. A expansão da economia mundial ampliou a demanda por exportações e o acesso a crédito internacional 4. A dívida externa bruta registrada pelo Banco Central passou de US$ 4,1 bilhões em 1968 para US$ 14,9 bilhões em 1973 14.
Lacuna declarada. A literatura costuma destacar também a expansão do crédito ao consumo de bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos) para as camadas médias; esta redação não abriu uma fonte que quantifique esse ponto, que fica pendente.
Crescimento sob repressão
O texto temático da Comissão Nacional da Verdade sobre trabalhadores afirma que os trabalhadores e o movimento sindical foram "o alvo primordial do golpe de Estado de 1964" e que intervenções em sindicatos, prisões, torturas e execuções foram "acontecimentos reiterados e sistemáticos" 5. Somente em 1964, 409 sindicatos e 43 federações sofreram intervenção do Ministério do Trabalho 5.
A CNV relaciona diretamente esse controle à política econômica: "articulada ao arrocho salarial", a repressão à organização dos trabalhadores teria produzido "maior acumulação do capital"; o texto também descreve o financiamento e o apoio material de empresários a órgãos como a Operação Bandeirante (Oban) e o DOI-CODI, que teriam rendido "os dividendos do crescimento econômico com segurança e concentração de renda" 5. São conclusões de comissão da verdade, apoiadas em documentos e depoimentos reunidos pelo GT-13 da CNV, não sentenças judiciais.
O dado incontornável é cronológico: os anos do "milagre" coincidem com os de maior número de mortes e desaparecimentos políticos (ver Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985) e Quantas foram as vítimas da ditadura? Como se constroem os números) e com a censura prévia à imprensa (Censura na ditadura militar). Isso não prova que o crescimento dependesse da violência em cada um de seus mecanismos; prova que o debate público sobre a economia se fazia sem liberdade de imprensa, de greve e de organização.
Concentração de renda e o debate de 1972–1973
Os dados. Os Censos de 1960 e 1970 mostraram concentração de renda no período. Ricardo Lago, citado pelo portal Memórias da Ditadura, estima que a participação dos 5% mais ricos na renda passou de 28,3% em 1960 para 39,8% em 1972, e a do 1% mais rico, de 11,9% para 19,1% 4. O texto da CNV sobre trabalhadores informa índice de Gini de 0,50 na década de 1960, 0,56 na de 1970 e 0,59 na de 1980 5. A série anual calculada pelo Ipea com a Pnad só começa em 1976, quando o Gini da renda domiciliar per capita era de 0,62 15. Os números de fontes diferentes não são diretamente comparáveis: mudam a base (Censo ou Pnad), o conceito de renda (individual, familiar ou per capita) e a cobertura.
O debate. O resultado do Censo de 1970 abriu, em 1972–1973, uma das mais conhecidas controvérsias da economia brasileira. De um lado, o economista Carlos Langoni, em estudo encomendado pelo governo, associou a concentração sobretudo ao desequilíbrio do mercado de trabalho num momento de crescimento rápido, que valorizou trabalhadores mais escolarizados 16. De outro, Albert Fishlow e Rodolfo Hoffmann com João Carlos Duarte, em trabalhos de 1972, apontaram o peso da política salarial e da contenção dos sindicatos 17 18. Esta é uma síntese corrente do debate; as obras não foram abertas nesta redação e as formulações precisas de cada autor devem ser conferidas antes da publicação.
A frase do bolo. A ideia de que seria preciso "fazer o bolo crescer para depois dividi-lo" é tradicionalmente atribuída a Delfim Netto; o portal Memórias da Ditadura fala em "famosa frase associada" ao ministro 4, e a Forbes Brasil registra que ele negava ser o autor da frase que mais lhe atribuíram 19. Não foi localizada fonte primária (entrevista ou discurso datado), trata-se de atribuição não confirmada.
Salário mínimo e custo de vida
A série de salário mínimo real do Ipea permite comparar o poder de compra do mínimo ao longo do tempo. Calculando a média anual dos valores mensais e tomando 1964 como base 100, o índice cai para 88 em 1965, 75 em 1966 e 70 em 1967 e permanece entre 66 e 67 de 1969 a 1974, sem recuperação durante o "milagre"; em 1983–1985 cai para cerca de 58–64 20. Até 1984 a série usa o maior dos mínimos regionais, e o deflator muda em 1979 (do IGPC-MTb para o INPC) 20.
A CNV, citando Maria Helena Moreira Alves, informa que o índice do salário mínimo real caiu de 112,52 em 1961 para 68,93 em 1970, e que o tempo de trabalho necessário para comprar a ração mínima fixada em lei passou de 88 horas e 16 minutos mensais em 1965 para 163 horas e 32 minutos em 1974 5 21. O salário mínimo não mede toda a renda do trabalho, boa parte dos trabalhadores urbanos qualificados ganhava acima dele, e o salário médio industrial teve trajetória própria, mas é a referência para os mais pobres e para os reajustes indexados.
Em 1977 o DIEESE denunciou que o índice oficial de inflação de 1973 tinha sido subestimado, o que reduzira os reajustes de 1974; o episódio está em Greves do ABC (1978–1980).
Grandes obras e o "Brasil Grande"
O regime associou o crescimento a obras de grande escala: a Rodovia Transamazônica (cujas obras o presidente Médici e o ministro Mário Andreazza visitaram em 1970, segundo documentário da Agência Nacional), a Ponte Rio–Niterói, a usina de Itaipu e o complexo nuclear de Angra 22. O portal Memórias da Ditadura observa que a Transamazônica simbolizou a ocupação forçada da Amazônia num projeto "que ignorava os impactos sociais e ambientais"; esses impactos sobre povos indígenas são tratados em Povos indígenas e a ditadura (1964–1985) 22.
O mesmo portal registra denúncias de corrupção nessas obras e cita o historiador Pedro Henrique Pedreira Campos, para quem o regime foi propício a práticas corruptas pela falta de transparência e pela ausência de imprensa livre e de órgãos de controle independentes 22. As datas de início e conclusão de cada obra, e os números de custo, devem ser conferidos em fontes específicas antes de publicação.
O fim do ciclo: choque do petróleo e II PND (1973–1979)
Em 1973 a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) quadruplicou em poucos meses o preço do barril; o Brasil importava então 81% do petróleo que consumia, segundo Jennifer Hermann, citada pelo Memórias da Ditadura 4. O crescimento caiu para 8,2% em 1974 e 5,2% em 1975, e a inflação pelo IGP-DI saltou para 34,5% em 1974 1 8.
O governo Ernesto Geisel (1974–1979) optou por manter o investimento elevado em vez de ajustar a economia pela recessão. O II Plano Nacional de Desenvolvimento foi aprovado pela Lei nº 6.151, de 4 de dezembro de 1974, para o período de 1975 a 1979 23. Mirava completar a industrialização pesada, bens de capital, siderurgia, química pesada, metais não ferrosos, a infraestrutura e a energia (petróleo, hidrelétricas, álcool e energia nuclear) 13 22. Foi financiado em boa parte por empréstimos externos baratos, alimentados pelos "petrodólares" 22. A dívida externa bruta saltou de US$ 14,9 bilhões em 1973 para US$ 52,2 bilhões em 1978 14.
O balanço do II PND é disputado: o portal Memórias da Ditadura reconhece que o país completou uma cadeia produtiva e melhorou a balança comercial, mas que a estratégia, "alicerçada na poupança externa", mostrou seus limites com o segundo choque do petróleo (1979) e a alta dos juros nos Estados Unidos (1981) 22.
Crise da dívida e inflação nos anos 1980
No governo Figueiredo (1979–1985), com Delfim Netto de volta, por cinco meses na Agricultura e depois no Planejamento, a partir de 1979 2, a economia entrou na crise que marcaria a "década perdida". O PIB caiu 4,3% em 1981 e 2,9% em 1983, com quase estagnação em 1982 (0,8%) 1. A inflação pelo IGP-DI passou de 77% em 1979 para 110% em 1980 e 211% em 1983; pelo IPCA, chegou a 215% em 1984 e 242% em 1985 8 24. A dívida externa bruta foi de US$ 64,3 bilhões em 1980 para US$ 85,5 bilhões em 1982 e US$ 105,2 bilhões em 1985 14.
Sempre que o mercado desconfiava da capacidade de pagamento, os ajustes recessivos exigidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) entravam na pauta 25. O recurso formal ao FMI ocorreu no fim de 1982 e em 1983; datas e termos dos acordos e cartas de intenção devem ser conferidos em fonte primária. A crítica ao FMI e ao arrocho esteve entre as bandeiras da recém-fundada Central Única dos Trabalhadores, que em setembro de 1984 enviou aos partidos carta contra o modelo econômico e o FMI 26.
O salário mínimo real voltou a cair: a média anual de 1984 foi cerca de 17% inferior à de 1982, pela série do Ipea 20. A herança, dívida externa e inflação crônica, passou aos governos civis, que tiveram quatro moedas entre 1986 e 1994 25.
Indicadores
Os indicadores estruturados deste verbete (campo de indicadores do núcleo) trazem, para cada número, fonte, série, unidade, período e limitações. Três cuidados gerais:
- Séries reconstruídas. As contas nacionais do período foram consolidadas depois; a série de PIB usada é a das Contas Nacionais Consolidadas para 1948–1990 1.
- Índices de preços contestados. O índice oficial de 1973 foi questionado pelo DIEESE em 1977, com apoio de estudo do Banco Mundial (ver Greves do ABC (1978–1980)); taxas de inflação de 1973–1974 devem ser lidas com essa ressalva.
- Distribuição de renda. Censos (1960, 1970, 1980) e Pnad (a partir de 1976 na série do Ipea) usam conceitos diferentes; não se deve emendar números de fontes distintas numa única série 15.
Interpretações
Reformas como pré-condição. Uma leitura difundida entre economistas atribui o ciclo às reformas de 1964–1967, à capacidade ociosa herdada da recessão e ao ambiente externo favorável. O economista Ivan Salomão (FEA-USP), ouvido pela Pesquisa FAPESP, afirma que a gestão de Delfim foi muito beneficiada pelas reformas feitas após o golpe; Marcos Lisboa observa que os desequilíbrios deixados pelo período só foram corrigidos na democracia 2. O DHBB, por sua vez, sublinha que as reformas do PAEG tiveram custos sociais e um "redesenho institucional" de grande envergadura 3.
Modelo excludente. Outra linhagem enfatiza o caráter concentrador do modelo. O texto da CNV sobre trabalhadores fala, citando relatório do economista Alcides Ribeiro Soares, em "superexploração da força de trabalho" como "cerne do 'modelo brasileiro de desenvolvimento'", e menciona a leitura de Edmilson Costa sobre "acumulação predatória" 5. O portal Memórias da Ditadura recorre a Florestan Fernandes e à noção de "contrarrevolução preventiva e permanente", em que autoritarismo e concentração de renda "se retroalimentaram" 6.
Comparação de longo prazo. Rubens Penha Cysne, citado pelo mesmo portal, calcula crescimento médio de 6,15% ao ano entre 1964 e 1985, acima da média mundial (3,66%) e latino-americana (4,75%) 6. A média esconde a sequência: estabilização recessiva (1964–1967), boom (1968–1973), crescimento com endividamento (1974–1980) e crise (1981–1983).
Cuidados com a causalidade. Nenhuma dessas leituras sustenta, sozinha, que a ditadura "causou" o crescimento ou que o crescimento "explica" a ditadura. O ciclo dependeu de condições externas que beneficiaram também outros países, de decisões de política econômica e de uma relação de forças em que trabalhadores não podiam negociar salários nem fazer greve. Avaliar o período exige pôr lado a lado os números do PIB, os da distribuição de renda e os do salário mínimo, e lembrar que nada disso era debatido livremente na época.
Indicadores
Cada número traz fonte, série, unidade, período e limitações. Números de séries ou universos diferentes não se comparam nem se somam.
| Indicador | Valor | Período | Fonte e série | Limitações |
|---|---|---|---|---|
| Crescimento do PIB real, 1968–1973 | 9,8 · 9,5 · 10,4 · 11,3 · 11,9 · 14,0 % ao ano | 1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973 | PIB, preços de mercado, variação real anual (%), série SCN10_PIBG10IBGE, Sistema de Contas Nacionais Consolidadas (Ipeadata SCN10_PIBG10) | Série reconstruída depois do período; revisões de metodologia das contas nacionais podem alterar décimos. Crescimento do PIB não informa distribuição nem bem-estar. |
| Crescimento do PIB real nos anos de crise | -4,3 (1981) · 0,8 (1982) · -2,9 (1983) % ao ano | 1981–1983 | PIB, preços de mercado, variação real anual (%), série SCN10_PIBG10IBGE, Sistema de Contas Nacionais Consolidadas (Ipeadata SCN10_PIBG10) | Mesmas da série anterior; o PIB per capita, não calculado aqui, caiu mais do que o PIB total, porque a população continuava crescendo. |
| Inflação (IGP-DI, variação da média anual) | 92,1 (1964) · 25,0 (1967) · 15,5 (1973) · 34,5 (1974) · 110,2 (1980) · 211,0 (1983) · 235,1 (1985) % ao ano | 1964–1985 | IGP-DI, variação anual (% a.a.), série IGP_IGPDIGFGV, IGP-DI (Ipeadata IGP_IGPDIG) | Média anual, não dezembro a dezembro. O índice oficial de 1973 foi contestado pelo DIEESE e por estudo do Banco Mundial (1977). O IGP-DI pesa preços no atacado (60%), não só custo de vida. |
| Inflação ao consumidor (IPCA, dez./dez.) | 99,3 (1980) · 104,8 (1982) · 215,3 (1984) · 242,2 (1985) % ao ano | 1980–1985 | IPCA, taxa de variação anual (dez./dez., % a.a.), série PRECOS_IPCAGIBGE, SNIPC (Ipeadata PRECOS_IPCAG) | Série anual disponível a partir de 1980 na consulta; cobre famílias urbanas de 1 a 40 salários mínimos nas áreas pesquisadas. |
| Dívida externa bruta | 4,1 (1968) · 14,9 (1973) · 52,2 (1978) · 85,5 (1982) · 105,2 (1985) US$ bilhões correntes (fim de ano) | 1968–1985 | Dívida externa bruta, total (inclui empréstimos intercompanhias), série BM_DEXTEI (US$ milhões)Banco Central, Boletim, Balanço de Pagamentos (Ipeadata BM_DEXTEI) | Valores nominais em dólar, sem correção pela inflação americana; inclui empréstimos intercompanhias e dívida registrada no Banco Central. |
| Salário mínimo real (média anual, 1964 = 100) | 100 (1964) · 88 (1965) · 70 (1967) · 66 (1970) · 67 (1973) · 71 (1982) · 58 (1984) índice | 1964–1985 | Salário mínimo real, série mensal GAC12_SALMINRE12 (R$ constantes do último mês)Ipea, salário mínimo real mensal (GAC12_SALMINRE12); médias e índice calculados pela redação | Até maio de 1984 a série usa o maior mínimo regional; deflator muda em 1979 (IGPC-MTb para INPC). Mede o piso legal, não o salário médio. |
| Índice do salário mínimo real segundo a CNV | 112,52 (1961) → 68,93 (1970) índice (base não informada no trecho) | 1961–1970 | Relatório da CNV, Volume II, Texto 2: Violações de direitos humanos dos trabalhadoresMaria Helena Moreira Alves, citada pela CNV, vol. II, texto 2 | Fonte secundária; base e deflator não informados no trecho consultado. Não somar nem emendar com a série do Ipea. |
| Participação dos 5% e do 1% mais ricos na renda | 5%: 28,3 → 39,8 · 1%: 11,9 → 19,1 % da renda total | 1960 → 1972 | O Milagre Econômico (1968/1973)Ricardo Lago, citado pelo portal Memórias da Ditadura | Citação de segunda mão; 1960 vem do Censo e 1972 de pesquisa amostral, com conceitos de renda distintos. Conferir na obra de origem. |
| Coeficiente de Gini (renda domiciliar per capita, Pnad) | 0,62 (1976) · 0,59 (1979) · 0,58 (1981) · 0,60 (1985) coeficiente (0 a 1) | 1976–1985 | Renda, desigualdade, coeficiente de Gini (renda domiciliar per capita), série DISOC_RDCG (inativa)Ipea, a partir da Pnad (DISOC_RDCG) | Não há dados Pnad para 1968–1975 nesta série nem para anos de Censo; a cobertura geográfica da Pnad da época (que excluía parte do território) deve ser conferida antes de comparações com séries recentes. |
| Horas de trabalho para comprar a ração mínima legal | 88 h 16 min (1965) → 163 h 32 min (1974) horas por mês | 1965 → 1974 | Relatório da CNV, Volume II, Texto 2: Violações de direitos humanos dos trabalhadoresMoreira Alves, citada pela CNV, vol. II, texto 2 | Medida de referência (salário mínimo e cesta legal); não representa todos os trabalhadores nem todas as regiões. |
No portal Ditaduras no Brasil
Ditadura de 1964–1985 · Nacional
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Atribuição não confirmada
“Primeiro é preciso fazer crescer o bolo, para depois reparti-lo.”
Frase tradicionalmente atribuída a Delfim Netto como síntese da política do período; a Forbes Brasil registra que ele negava a autoria. Não foi localizada fonte primária datada.
Fonte: Morre aos 96 anos o economista e ex-ministro Antonio Delfim Netto
Cronologia
1 de junho de 1964
Lei nº 4.330 regula (e restringe) o direito de greve.9
19 de junho de 1964
Circular nº 10 fixa a fórmula de reajuste salarial do governo.3
novembro de 1964
Início do período de execução do PAEG (até março de 1967).3
dezembro de 1964
Criação do Banco Central do Brasil.3
13 de julho de 1965
Lei nº 4.725 estende a fórmula salarial aos dissídios coletivos.10
13 de setembro de 1966
Lei nº 5.107 cria o FGTS, opção que elimina a estabilidade decenal.11
1967
Delfim Netto assume o Ministério da Fazenda no governo Costa e Silva.2
1968
PIB cresce 9,8%; Lei nº 5.451 corrige a subestimação do resíduo inflacionário.1
13 de dezembro de 1968
AI-5; Delfim Netto está entre os signatários.2
1972
Início do I PND (1972–1974), primeiro plano convertido em lei.13
1973
PIB cresce 14,0%, maior taxa da série; choque do petróleo.1
1974
Delfim deixa a Fazenda, substituído por Mário Henrique Simonsen; inflação sobe para 34,5% (IGP-DI).2
4 de dezembro de 1974
Lei nº 6.151 aprova o II PND para 1975–1979.23
1979
Segundo choque do petróleo; Delfim volta ao governo Figueiredo (Agricultura, depois Planejamento).22
1981
PIB cai 4,3%: início da recessão da crise da dívida.1
1984
IPCA chega a 215%; dívida externa bruta passa de US$ 100 bilhões.24
Bibliografia comentada
Fabio Giambiagi; André Villela; Lavinia Barros de Castro; Jennifer Hermann (orgs.). Economia brasileira contemporânea (1945–2004) (2005)
Manual de referência de história econômica; o capítulo sobre 1964–1973 (Jennifer Hermann) é a base de vários dados usados por portais de divulgação. Não aberto nesta redação.
Carlos Geraldo Langoni. Distribuição da renda e desenvolvimento econômico do Brasil (1973)
Estudo central do lado governista no debate sobre distribuição de renda do início dos anos 1970. Ler junto com Fishlow (1972) e Hoffmann e Duarte (1972).
Maria Helena Moreira Alves. Estado e oposição no Brasil (1964–1984) (1984)
Clássico sobre a relação entre Estado de segurança nacional, legislação trabalhista e oposições; fonte de séries usadas pela CNV.
Marcos Napolitano. 1964: história do regime militar brasileiro (2014)
Síntese historiográfica recente do regime, útil para situar a economia no conjunto da política do período. Não aberto nesta redação.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1IBGE, Sistema de Contas Nacionais (via Ipeadata). PIB, preços de mercado, variação real anual (%), série SCN10_PIBG10. Ipeadata (Ipea).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Metadados: para 1948–1990, Sistema de Contas Nacionais Consolidadas. Série atualizada pelo Ipeadata em 10/7/2026.
- 2Ricardo Balthazar. Delfim Netto conduziu a economia na ditadura e manteve influência na academia e na política. Pesquisa FAPESP, ed. 343 (publicado on-line em 16/8/2024), 2024.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 3CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG) (verbete temático). DHBB, CPDOC/FGV.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 4Portal Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog). O Milagre Econômico (1968/1973). Memórias da Ditadura.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]A página situa o governo Médici em '1968–1973'; o mandato foi de 1969 a 1974.
- 5Comissão Nacional da Verdade (texto 2 sob responsabilidade da conselheira Rosa Maria Cardoso da Cunha, com o GT-13). Relatório da CNV, Volume II, Texto 2: Violações de direitos humanos dos trabalhadores. CNV, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Cópia integral do PDF oficial (dez. 2014) hospedada no Marxists Internet Archive; o endereço oficial cnv.memoriasreveladas.gov.br recusou o acesso automatizado nesta data. Conferir paginação contra o original oficial antes de publicar. Texto 2 começa na p. 57 do volume.
- 6Portal Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog). A economia brasileira no período da Ditadura Militar. Memórias da Ditadura.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 7Portal Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog). Castelo Branco e a "preparação para o milagre" (1964/1967). Memórias da Ditadura.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 8FGV, Conjuntura Econômica (via Ipeadata). IGP-DI, variação anual (% a.a.), série IGP_IGPDIG. Ipeadata (Ipea).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Variação da média anual do índice. A série 'fim de período' (IGP_IGPFG) apresentou valores inconsistentes para 1980–1985 na consulta e não foi usada.
- 9Presidência da República. Lei nº 4.330, de 1º de junho de 1964, Regula o direito de greve. Planalto, Legislação, 1964.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Revogada pela Lei nº 7.783/1989. O relatório da CNV (vol. II, texto 2) data a lei de 'julho de 1964'; o texto do Planalto traz 1º de junho de 1964.
- 10Presidência da República. Lei nº 4.725, de 13 de julho de 1965, Normas para o processo dos dissídios coletivos. Planalto, Legislação, 1965.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 11Presidência da República. Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966, Cria o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Planalto, Legislação, 1966.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Aprovada 'nos termos do artigo 5º do Ato Institucional nº 2'; revogada pela Lei nº 7.839/1989.
- 12CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) (verbete temático). DHBB, CPDOC/FGV.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 13CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) (verbete temático). DHBB, CPDOC/FGV.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 14Banco Central do Brasil, Boletim, Balanço de Pagamentos (via Ipeadata). Dívida externa bruta, total (inclui empréstimos intercompanhias), série BM_DEXTEI (US$ milhões). Ipeadata (Ipea).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Valores em milhões de dólares correntes; em 2001 o Bacen reclassificou empréstimos intercompanhias, o que afeta a comparação com séries posteriores, não com o período 1964–1985.
- 15Ipea, a partir da Pnad/IBGE. Renda, desigualdade, coeficiente de Gini (renda domiciliar per capita), série DISOC_RDCG (inativa). Ipeadata (Ipea).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Série começa em 1976; não há valor para anos de Censo (1980, 1991).
- 16Carlos Geraldo Langoni. Distribuição da renda e desenvolvimento econômico do Brasil. Expressão e Cultura, Rio de Janeiro, 1973.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 17Albert Fishlow. Brazilian Size Distribution of Income. American Economic Review, v. 62, n. 2 (Papers and Proceedings), 1972.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 18Rodolfo Hoffmann; João Carlos Duarte. A distribuição da renda no Brasil. Revista de Administração de Empresas (FGV), v. 12, n. 2, 1972.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 19Forbes Brasil. Morre aos 96 anos o economista e ex-ministro Antonio Delfim Netto. Forbes Brasil, 12/8/2024, 2024.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 20Ipea. Salário mínimo real, série mensal GAC12_SALMINRE12 (R$ constantes do último mês). Ipeadata (Ipea).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Deflatores segundo os metadados: IGPC-MTb (jan./1948–mar./1979) e INPC (desde abr./1979). Até maio/1984 a série usa o maior mínimo regional vigente. Médias anuais e índice 1964 = 100 calculados pela redação a partir dos valores mensais.
- 21Maria Helena Moreira Alves. Estado e oposição no Brasil (1964–1984). Vozes, Petrópolis, 1984.[Historiografia · referência bibliográfica]Citada pela CNV (vol. II, texto 2) para a Lei de Greve e para o índice do salário mínimo real.
- 22Portal Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog). Geisel e a marcha forçada do II PND. Memórias da Ditadura.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 23Presidência da República. Lei nº 6.151, de 4 de dezembro de 1974, Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (1975–1979). Planalto, Legislação, 1974.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 24IBGE, SNIPC (via Ipeadata). IPCA, taxa de variação anual (dez./dez., % a.a.), série PRECOS_IPCAG. Ipeadata (Ipea).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Série disponível a partir de 1980 na consulta.
- 25Portal Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog). As consequências econômicas da ditadura: dívida externa, hiperinflação e a década perdida. Memórias da Ditadura.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 26CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. Central Única dos Trabalhadores (CUT) (verbete temático). DHBB, CPDOC/FGV.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 27Fabio Giambiagi; André Villela; Lavinia Barros de Castro; Jennifer Hermann (orgs.). Economia brasileira contemporânea (1945–2004). Elsevier/Campus, Rio de Janeiro, 2005.[Historiografia · referência bibliográfica]Manual citado pelo portal Memórias da Ditadura (Hermann) para PAEG, milagre e choque do petróleo.
- 28Marcos Napolitano. 1964: história do regime militar brasileiro. Contexto, São Paulo, 2014.[Historiografia · referência bibliográfica]
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
parte de
- Ditadura militar (1964–1985)Acontecimento
relacionado a
- Governos da ditadura (1964–1985)Tema
- Ato Institucional nº 5 (AI-5)AcontecimentoO ministro da Fazenda do período assinou o AI-5. Fonte: Delfim Netto conduziu a economia na ditadura e manteve influência na academia e na política
- Ernesto GeiselPessoaGoverno que lançou o II PND. Fonte: Lei nº 6.151, de 4 de dezembro de 1974, Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (1975–1979)
- Política trabalhista e sindical (1930–1945)Política públicaNormas do Estado Novo usadas nas intervenções sindicais após 1964. Fonte: Relatório da CNV, Volume II, Texto 2: Violações de direitos humanos dos trabalhadores
- Operação Bandeirante (Oban) (verbete planejado)InstituiçãoA CNV descreve apoio empresarial à Oban e ao DOI-CODI. Fonte: Relatório da CNV, Volume II, Texto 2: Violações de direitos humanos dos trabalhadores
- Povos indígenas e a ditadura (1964–1985)TemaGrandes obras na Amazônia. Fonte: Geisel e a marcha forçada do II PND
- Censura na ditadura militarTema
precedeu
- Greves do ABC (1978–1980)AcontecimentoArrocho e contestação do índice de 1973 estão na origem das campanhas salariais de 1977–1978. Fonte: Relatório da CNV, Volume II, Texto 2: Violações de direitos humanos dos trabalhadores
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP, rascunho assistido por IA
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 3.166 palavras · 28 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisado: séries do Ipeadata via API (PIB SCN10_PIBG10, IGP-DI IGP_IGPDIG, IPCA PRECOS_IPCAG, dívida externa BM_DEXTEI, salário mínimo real GAC12_SALMINRE12, Gini DISOC_RDCG, médias anuais e índice 1964=100 do salário mínimo calculados pela redação); Leis 4.330/1964, 4.725/1965, 5.107/1966 e 6.151/1974 no Planalto; verbetes temáticos do DHBB sobre PAEG, FGTS, PND e CUT; CNV vol. II, texto 2 (trabalhadores); páginas do portal Memórias da Ditadura sobre PAEG, milagre, II PND e anos 1980; Pesquisa FAPESP e Forbes sobre Delfim Netto. Pendências: (1) ler Langoni (1973), Fishlow (1972) e Hoffmann e Duarte (1972) e conferir a síntese do debate; (2) localizar fonte primária ou negar formalmente a frase do bolo; (3) quantificar o crédito ao consumo de bens duráveis; (4) datas e termos dos acordos com o FMI (1982–1983); (5) conferir a divergência de data e autoria da Circular nº 10 (DHBB: 19/6/1964, Presidência; CNV: julho de 1964, Fazenda); (6) confirmar números dos decretos-leis salariais de 1966; (7) datas de início/conclusão da Ponte Rio–Niterói, Transamazônica e Itaipu; (8) conferir os dados de Lago (via Memórias) na obra original; (9) conferir paginação da CNV no PDF oficial (cópia usada: Marxists Internet Archive).Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: "Milagre econômico" (1968–1973). In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/milagre-economico-brasileiro.
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