Ernesto Geisel
General e presidente da República na ditadura (1907–1996)
General gaúcho (1907–1996), chefe do Gabinete Militar de Castelo Branco, presidente da Petrobras e presidente da República de 1974 a 1979. Conduziu a 'distensão' e revogou o AI-5, mas seu governo usou o AI-5, fechou o Congresso em 1977 e teve mortes e desaparecimentos sob custódia.
Também: Ernesto Beckmann Geisel · General Geisel · Presidente Geisel
Índice e ficha
- Nome completo
- Ernesto Beckmann Geisel
- Nascimento
- 3 de agosto de 1907, Bento Gonçalves (RS)
- Morte
- 12 de setembro de 1996, Rio de Janeiro (RJ)
- Nacionalidade
- brasileira
- Papéis
- Chefe do Gabinete Militar da Presidência (governo Castelo Branco)Outro papel · 1964–1967
- Ministro do Superior Tribunal MilitarOutro papel · 1967–1969
- Presidente da PetrobrasOutro papel · 1969–1973
- Presidente da RepúblicaChefe de Estado ou de governo · 1974–1979
- Filiações
- Partido Democrático Social (PDS), do qual foi fundador (a partir de 1980)
- Período
- 1907–1996
- Área
- Ditaduras no Brasil
- Regiões
- Brasil
- Temas
- Estado, poder e democracia, Repressão, violência política e direitos, Economia e organização social, Relações internacionais
Ernesto Beckmann Geisel (Bento Gonçalves, RS, 3 de agosto de 1907 – Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1996) foi general do Exército e presidente da República de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979, o quarto general a governar o país depois do golpe de 1964 1 2. Participou da conspiração que derrubou João Goulart, chefiou o Gabinete Militar de Castelo Branco, foi ministro do Superior Tribunal Militar e presidente da Petrobras 1.
Seu governo é lembrado pela "distensão lenta, gradual e segura", pela demissão de chefes militares ligados à repressão e pela revogação do AI-5 1 3. A Comissão Nacional da Verdade, porém, registra que sob Geisel o aparelho repressivo "continuaria a perseguir e matar" e que 1974 teve o maior número de desaparecimentos políticos do regime 4, e o inclui entre os responsáveis político-institucionais pelas graves violações 2. Este verbete apresenta as duas faces com as fontes e os graus de prova de cada afirmação.
Origem e carreira militar (1907–1961)
Filho de um imigrante alemão da Baviera que foi professor da escola luterana e juiz de paz no Rio Grande do Sul, Geisel nasceu em Bento Gonçalves em 3 de agosto de 1907; seus assentamentos militares registravam 1908, alteração feita para que pudesse entrar no Colégio Militar, só esclarecida em 1987 1. Seu irmão Orlando Geisel também chegou a general e foi ministro do Exército de Médici 1 2.
Primeiro aluno no Colégio Militar de Porto Alegre e na Escola Militar do Realengo, saiu aspirante de artilharia em 1928 1. Segundo o DHBB, participou da Revolução de 1930 numa bateria do Destacamento Miguel Costa; foi secretário-geral do governo do Rio Grande do Norte (1931) e secretário da Fazenda da Paraíba (1934–1935); combateu o levante do 21º Batalhão de Caçadores em Recife (1931), os constitucionalistas de 1932 e, como capitão, o levante da Escola de Aviação Militar no Rio, em 27 de novembro de 1935, parte dos levantes comunistas daquele ano 1. Ver Levante comunista de 1935.
Fez a Escola de Estado-Maior (1943) e estágio em Fort Leavenworth (EUA); chefiou o estado-maior do Núcleo de Divisão Blindada, cujas tropas tiveram papel na deposição de Getúlio Vargas em 29 de outubro de 1945 1. Foi secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional (1946–1947), adido militar no Uruguai, membro permanente da Escola Superior de Guerra (1952), subchefe do Gabinete Militar de Café Filho (1955), superintendente da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, e representante do Ministério da Guerra no Conselho Nacional do Petróleo (1957–1961) 1. Chegou a general de brigada em 1960 1. Na crise de 1961, como chefe do Gabinete Militar do presidente interino Ranieri Mazzilli, apoiou a solução parlamentarista que permitiu a posse de Goulart 1.
O golpe de 1964 e o Gabinete Militar de Castelo Branco
Segundo o DHBB, Geisel e outros oficiais ligados à Escola Superior de Guerra, o chamado "grupo da Sorbonne", "desempenharam importante papel na conspiração, na tomada do poder e na formulação do projeto" do novo regime; nos primeiros dias de abril de 1964 trabalhou com Golbery do Couto e Silva, Cordeiro de Farias e outros para impor o nome de Castelo Branco 1.
Chefiou o Gabinete Militar da Presidência durante todo o governo Castelo Branco (abril de 1964 a março de 1967) 1. Logo no início, foi enviado ao Nordeste para verificar denúncias de tortura de presos políticos; seu relatório não as confirmou, conclusão contestada na época 1. Participou das reuniões que antecederam o AI-2, das decisões de cassar o governador paulista Adhemar de Barros e de fechar o Congresso em outubro de 1966, e da reunião do Conselho de Segurança Nacional que definiu o anteprojeto da Constituição de 1967 1. Opôs-se à candidatura de Costa e Silva 1.
Entre 1967 e 1969 foi ministro do Superior Tribunal Militar, onde, segundo o DHBB, teve posição "enérgica" nos processos da Lei de Segurança Nacional, votando, por exemplo, pela manutenção da prisão de líderes estudantis detidos no congresso da UNE em Ibiúna 1.
Presidente da Petrobras (1969–1973)
Nomeado por Médici em novembro de 1969, Geisel reduziu a perfuração exploratória em terra, ampliou o refino e a distribuição e criou a Braspetro, subsidiária para atuar no exterior 1. No período houve descobertas em São Mateus (ES) e na plataforma de Sergipe e a inauguração da refinaria de Paulínia 1. Em seu discurso de despedida, em julho de 1973, defendeu que a petroquímica coubesse "essencialmente ao capital particular", inclusive estrangeiro, e que o monopólio legal da empresa fosse "apenas um meio de ação" 1. Foi oficialmente lançado candidato por Médici em 18 de junho de 1973, escolha que a imprensa conhecia, mas não podia divulgar por causa da censura 1.
Presidência (1974–1979): a distensão e seus limites
Eleito pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1974 com 400 votos, contra 76 do "anticandidato" do MDB, Ulysses Guimarães 1, Geisel tomou posse em 15 de março. Em seu primeiro ministério estavam Golbery do Couto e Silva (Gabinete Civil), Armando Falcão (Justiça), Mário Henrique Simonsen (Fazenda), Reis Veloso (Planejamento), Azeredo da Silveira (Relações Exteriores) e Dale Coutinho (Exército); Figueiredo chefiava o SNI 1. Na primeira reunião ministerial, disse querer os atos institucionais "não tanto em exercício duradouro ou freqüente, mas como potencial de ação repressiva", até que fossem substituídos por "salvaguardas" constitucionais 1.
Em agosto de 1974 definiu seu projeto como "distensão lenta, gradual e segura", sintetizado, segundo o DHBB, na fórmula "o máximo de desenvolvimento possível com o mínimo de segurança indispensável" 1. Nas eleições de novembro de 1974, com acesso dos candidatos à TV, o MDB elegeu 16 dos 22 senadores em disputa 1. A censura prévia a O Estado de S. Paulo foi suspensa no início de 1975 1.
Os limites apareceram cedo. O AI-5 foi usado a partir de abril de 1975 para intervenções, cassações e confiscos 1 4. A Lei Falcão (1976) restringiu a propaganda eleitoral no rádio e na TV 5. Depois que o Congresso rejeitou a reforma do Judiciário, Geisel decretou o recesso pelo Ato Complementar nº 102, em 1º de abril de 1977, e outorgou o "Pacote de Abril": mandato presidencial de seis anos, eleição indireta de governadores e de um terço dos senadores, aumento das bancadas de estados onde a Arena era mais forte e aprovação de emendas por maioria simples 6 7 1. Pouco depois usou a expressão "democracia relativa" para descrever o regime 1. Em junho de 1977 cassou o líder do MDB na Câmara, Alencar Furtado, que criticara os órgãos de repressão na televisão 1 8.
As demissões de Ednardo D'Ávila Mello e Sylvio Frota
Em 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi morto no DOI-CODI do II Exército, em São Paulo; o comandante do II Exército, general Ednardo D'Ávila Mello, divulgou nota oficial com a versão de suicídio 4 9. Em 17 de janeiro de 1976, o operário metalúrgico Manoel Fiel Filho morreu nas mesmas dependências, também com versão oficial de suicídio e laudo assinado pelo mesmo médico legista 4. Três dias depois da divulgação da morte, Geisel demitiu Ednardo D'Ávila Mello do comando do II Exército, e o chefe do CIE, Confúcio Danton de Paula Avelino, nomeando Dilermando Gomes Monteiro 10 4. Para a CNV, foi a primeira vez que um presidente agiu contra os grupos dos "porões", abrindo uma crise com a "linha dura" 8.
Essa crise culminou em 12 de outubro de 1977, quando Geisel demitiu o ministro do Exército, Sylvio Frota, que articulava a própria candidatura à sucessão, depois de convocar a Brasília os principais chefes militares para impedir uma reação do Alto Comando 1. Nomeou Fernando Bethlem e, em 31 de dezembro, comunicou a Figueiredo que seria o sucessor 1 2.
Essas decisões mostram disputa pelo controle do aparelho repressivo; não mostram que ele tenha sido desmontado. As demissões não foram acompanhadas de punição pelos crimes, e a versão oficial sobre as mortes de Herzog e Fiel Filho só foi desfeita por via judicial e pelas comissões (ver os verbetes das vítimas).
Mortes e desaparecimentos no período
Conteúdo sensívelEsta seção menciona mortes sob custódia, execuções e desaparecimentos forçados (sem detalhes gráficos).Ler este trechoOcultar trecho
A CNV registra que, com Geisel, o aparelho policial "continuaria a perseguir e matar os remanescentes da oposição armada"; cita estimativa de cerca de 50 pessoas assassinadas em 1974, a maioria nas matas e cárceres militares do Araguaia, e o registro de 54 desaparecimentos políticos em 1974, "o maior número do regime" 4. A Guerrilha do Araguaia foi liquidada até 1975 4.
A partir de 1974–1975 o PCB foi alvo de ofensiva "sistemática e direcionada": documento do II Exército de março de 1975, citado pela CNV, lista dirigentes cuja prisão causaria "danos irreparáveis" ao partido; vários membros do Comitê Central foram presos, torturados e desapareceram, entre eles David Capistrano da Costa, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Walter de Souza Ribeiro e João Massena Mello 8 4.
Em 16 de dezembro de 1976, na Chacina da Lapa, agentes do DOI-CODI/SP e do DOPS/SP invadiram a casa onde se reunira o Comitê Central do PCdoB; Pedro Pomar e Ângelo Arroyo foram mortos e João Batista Drummond morreu no DOI-CODI, com versão oficial de atropelamento desmentida por depoimentos e por decisão da Justiça Federal (1993) 10 8.
Grau de prova. Esses casos são conclusões da CNV e, em parte, decisões judiciais de natureza civil; a atribuição a Geisel é de ordem político-institucional (ver adiante), não de autoria direta comprovada em cada caso.
II PND, crescimento e endividamento
O II Plano Nacional de Desenvolvimento (Lei nº 6.151, de 4/12/1974) orientou o governo para a produção de insumos básicos, energia e bens de capital, em resposta ao choque do petróleo de 1973 11 1. O DHBB registra aumento de 65% da potência elétrica instalada, de 44% das reservas de petróleo e de 73% da capacidade de refino no período, e o lançamento do Acordo Nuclear com a Alemanha 1. Registra também a paralisação de projetos quando as metas se tornaram inatingíveis, a dívida externa de cerca de 42 bilhões de dólares e a inflação de 42% ao fim de 1978, e a continuidade da concentração de renda 1.
Cuidado com a causalidade. O endividamento externo do período resultou de vários fatores, choque do petróleo, juros internacionais, escolhas de financiamento do II PND e das estatais, e se agravou sob Figueiredo; a CNV lista a "desastrosa situação econômica" (dívida, inflação, recessão) entre os legados do regime, sem atribuí-la a uma única decisão 4. Atribuir a crise dos anos 1980 apenas ao II PND, ou isentá-lo, são simplificações. Ver "Milagre econômico" (1968–1973).
Política externa: o "pragmatismo responsável"
Segundo o DHBB, o governo substituiu o alinhamento automático com os EUA e as "fronteiras ideológicas" pelo "pragmatismo responsável": reconheceu o governo português posterior a 25 de abril de 1974 e a independência da Guiné-Bissau, reatou relações com a República Popular da China (15 de agosto de 1974), votou na ONU contra o regime sul-africano e, em novembro de 1975, foi o primeiro país a reconhecer o governo do MPLA em Angola, decisão criticada pelos setores mais conservadores 1. O Acordo Nuclear Brasil–Alemanha foi assinado em Bonn em 27 de junho de 1975, apesar da oposição dos EUA; foi criticado pela comunidade científica e pela oposição pela centralização, pela pequena transferência de tecnologia e pelo custo 1. Em 1977, depois de relatório do Congresso dos EUA denunciando torturas no Brasil, o governo denunciou o acordo militar Brasil–EUA de 1952 1.
A revogação do AI-5 e a sucessão
Em 1978, o governo enviou ao Congresso o conjunto de reformas que se tornou a Emenda Constitucional nº 11, de 13 de outubro de 1978: revogação dos atos institucionais, com os efeitos ressalvados e fora do alcance judicial, e criação do estado de emergência 3. Segundo o DHBB, Geisel exigiu votação em bloco, e a reforma foi aprovada por 241 a 145 em 20 de setembro de 1978; o MDB não participou da votação final, segundo a CNV 1 4. A emenda entrou em vigor em 1º de janeiro de 1979 3. Em dezembro de 1978, Geisel também revogou o banimento de mais de cem exilados, mas recusou a anistia reclamada pela oposição 1.
Figueiredo, seu chefe do SNI, foi eleito pelo Colégio Eleitoral em 15 de outubro de 1978 e assumiu em 15 de março de 1979 1 2. Ver Ato Institucional nº 5 (AI-5) e Governos da ditadura (1964–1985).
Responsabilidade: o que dizem as fontes
Conclusão da CNV. Geisel aparece, como sétimo nome, na lista de responsáveis político-institucionais do capítulo 16, na condição de presidente da República de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979 2. A Comissão ressalva que essa indicação não equivale a responsabilidade jurídica individual 2.
Depoimento do próprio Geisel (1994). No longo depoimento concedido em 1994 a Maria Celina D'Araujo e Celso Castro, do CPDOC/FGV, publicado em 1997 12, Geisel admitiu considerar a tortura necessária em certos casos; a CNV transcreve o trecho (ver citação abaixo) e o interpreta como legitimação da violência 4. Perguntado sobre a investida contra o PCB em seu governo, disse que "não podíamos deixar o comunismo recrudescer", segundo transcrição da CNV 8. No mesmo depoimento, referiu-se à casa clandestina de Petrópolis como "dependência do CIE" 13, ver Casa da Morte de Petrópolis. O livro não foi consultado diretamente nesta redação: os trechos vêm da transcrição da CNV.
Memorando da CIA (1974). O memorando de William Colby a Henry Kissinger de 11 de abril de 1974 registra relato, de fonte não identificada, segundo o qual Geisel, depois de reunião em 30 de março com os generais Milton Tavares de Souza, Confúcio Danton de Paula Avelino e João Figueiredo, decidiu em 1º de abril que as execuções sumárias de "subversivos perigosos" pelo CIE deveriam continuar, com aprovação prévia do chefe do SNI 14. É documento de inteligência estrangeira: registra o que a CIA soube, não o que se pôde verificar; a fonte foi mantida em sigilo e o Exército afirma ter destruído os documentos correspondentes 15. Paulo Sérgio Pinheiro, ex-coordenador da CNV, o considerou autêntico e confirmatório das conclusões da Comissão 16.
Leitura historiográfica. Carlos Fico inclui Geisel entre os "pragmáticos rigorosos (supostos moderados)" que admitiam tortura e assassinato "como necessidade conjuntural", e menciona uma conversa entre Geisel e o general Dale Coutinho revelada por Elio Gaspari 17 18.
Situação judicial. Geisel nunca foi processado. A Lei da Anistia (1979) e a decisão do STF na ADPF 153 (2010) barraram a persecução penal de agentes do Estado; a Corte IDH responsabilizou o Estado brasileiro, em 2018, pela falta de investigação da morte de Herzog 19 20 9.
Depois da Presidência e memória
Depois de 1979, Geisel foi fundador do PDS e presidiu a Norquisa, empresa do setor petroquímico, de 1980 a 1990–1991 1. Segundo o DHBB, preferia Aureliano Chaves como candidato do PDS à sucessão de Figueiredo, apoiou a formação da Frente Liberal em 1985 e defendeu a sustentação do governo Sarney 1. Em 1994, já doente, concedeu o depoimento ao CPDOC publicado em 1997 sob o título Ernesto Geisel 1 12. Morreu no Rio de Janeiro em 12 de setembro de 1996; seu arquivo pessoal está depositado no CPDOC/FGV 1.
A memória de Geisel permanece disputada: para parte da historiografia e da imprensa, é o presidente da abertura; para familiares de vítimas e para a CNV, é também o chefe de um governo em que a repressão continuou a matar e desaparecer com opositores.
Responsabilidades e grau de prova
Ocupar um cargo não prova participação pessoal em cada crime. A tabela diz o que cada fonte afirma e com que grau de prova.
| Sobre | Grau de prova | O que a fonte afirma | Fonte |
|---|---|---|---|
| Graves violações de direitos humanos no governo Geisel (1974–1979) | Conclusão de comissão | A CNV lista Ernesto Beckmann Geisel (n. 7) entre os responsáveis político-institucionais, como presidente da República de 15/3/1974 a 15/3/1979, sem implicar responsabilidade jurídica individual. | Relatório, vol. I, cap. 16, A autoria das graves violações de direitos humanos (pp. 841–932; presidentes nas pp. 846–847) |
| Continuidade de execuções sumárias de 'subversivos perigosos' pelo CIE | Documento de época | Memorando da CIA (Colby a Kissinger, 11/4/1974) registra relato de fonte não identificada segundo o qual Geisel decidiu, em 1º/4/1974, manter a política com aprovação prévia do chefe do SNI. Documento de inteligência estrangeira, não verificado contra arquivos brasileiros. | Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger, Washington, April 11, 1974 (FRUS 1969–1976, vol. E–11, parte 2, doc. 99) |
| Mortes no DOI-CODI do II Exército (Herzog, 1975; Fiel Filho, 1976) e Chacina da Lapa (1976) | Cargo ou comando | Ocorreram quando Geisel era presidente e comandante supremo das Forças Armadas; o cargo não prova participação pessoal nesses casos, cuja autoria direta e gestão são tratadas pela CNV em outras categorias. | Relatório, vol. I, cap. 11, Execuções e mortes decorrentes de tortura |
| Posição sobre a tortura | Testemunho | Em depoimento de 1994 ao CPDOC, Geisel admitiu considerar a tortura necessária em certas circunstâncias (trecho transcrito pela CNV). | Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110) |
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Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Citação localizada na fonte
“Há circunstâncias em que o indivíduo é impelido a praticar a tortura, para obter determinadas confissões e, assim, evitar um mal maior.”
Depoimento de Ernesto Geisel a Maria Celina D'Araujo e Celso Castro (CPDOC/FGV, 1994), publicado em 1997.
Conferida na transcrição do Relatório da CNV (vol. I, cap. 3, nota 23), que remete a D'Araujo e Castro, Ernesto Geisel, p. 225. O livro não foi consultado diretamente.
Fonte: Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110)
Cronologia
3 de agosto de 1907
Nasce em Bento Gonçalves (RS).1
1928
Aspirante a oficial de artilharia pela Escola Militar do Realengo.1
27 de novembro de 1935
Como capitão, participa da repressão ao levante na Escola de Aviação Militar (Rio).1
29 de outubro de 1945
Chefe do estado-maior do Núcleo de Divisão Blindada, cujas tropas atuam na deposição de Vargas.1
agosto de 1961
Chefe do Gabinete Militar de Ranieri Mazzilli na crise da renúncia de Jânio Quadros.1
15 de abril de 1964
Assume o Gabinete Militar de Castelo Branco.1
março de 1967
Nomeado ministro do Superior Tribunal Militar.1
novembro de 1969
Assume a presidência da Petrobras.1
18 de junho de 1973
Lançado candidato por Médici.1
15 de janeiro de 1974
Eleito pelo Colégio Eleitoral (400 votos).1
15 de março de 1974
Posse na Presidência.2
30 de março de 1974
Reunião com Milton Tavares de Souza, Confúcio Danton e Figueiredo, segundo memorando da CIA de 11/4/1974.14
15 de agosto de 1974
Reatamento de relações com a República Popular da China.1
4 de dezembro de 1974
Sancionado o II PND (Lei nº 6.151).11
27 de junho de 1975
Assinatura do Acordo Nuclear Brasil–Alemanha.1
25 de outubro de 1975
Vladimir Herzog é morto no DOI-CODI/SP.9
novembro de 1975
Brasil reconhece o governo do MPLA em Angola.1
17 de janeiro de 1976
Morte de Manoel Fiel Filho no DOI-CODI/SP; dias depois, demissão de Ednardo D'Ávila Mello.4
16 de dezembro de 1976
Chacina da Lapa.10
1 de abril de 1977
Fecha o Congresso (AC 102) e outorga o Pacote de Abril.6
12 de outubro de 1977
Demite o ministro do Exército, Sylvio Frota.1
13 de outubro de 1978
Promulgada a Emenda nº 11, que revoga o AI-5 a partir de 1º/1/1979.3
15 de março de 1979
Transmite o cargo a Figueiredo.2
1994
Depoimento ao CPDOC/FGV (publicado em 1997).1
12 de setembro de 1996
Morre no Rio de Janeiro.1
maio de 2018
Divulgação no Brasil do memorando da CIA de 1974.15
Bibliografia comentada
Maria Celina D'Araujo; Celso Castro (orgs.). Ernesto Geisel (1997)
Depoimento do próprio Geisel ao CPDOC; fonte indispensável, a ser lida como testemunho de parte interessada. Não consultado diretamente nesta redação.
Amélia Coutinho; Maria Cristina Guido. GEISEL, Ernesto (verbete biográfico)
O verbete mais completo de acesso aberto sobre a trajetória de Geisel; segue a imprensa da época e o enquadramento 'distensão × linha dura'.
Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110) (2014)
Contraponto oficial: registra a continuidade da repressão e os desaparecimentos no período Geisel.
William E. Colby (CIA); edição: Office of the Historian, U.S. Department of State. Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger, Washington, April 11, 1974 (FRUS 1969–1976, vol. E–11, parte 2, doc. 99) (1974)
Documento de inteligência dos EUA sobre a decisão atribuída a Geisel em 1974; ler com as ressalvas do FRUS sobre trechos não desclassificados.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Amélia Coutinho; Maria Cristina Guido. GEISEL, Ernesto (verbete biográfico). Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB), CPDOC/FGV.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 2Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 16, A autoria das graves violações de direitos humanos (pp. 841–932; presidentes nas pp. 846–847). Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 3Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 11, de 13 de outubro de 1978. Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1978.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 4Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110). Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Seções G a K (traços do regime, AI-5, governos Médici, Geisel e Figueiredo, epílogo da transição).
- 5Presidência da República. Lei nº 6.339, de 1º de julho de 1976 ("Lei Falcão": propaganda eleitoral no rádio e na TV). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1976.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 6Presidência da República. Ato Complementar nº 102, de 1º de abril de 1977 (recesso do Congresso Nacional). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1977.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 7Presidência da República. Emenda Constitucional nº 8, de 14 de abril de 1977 (outorgada com base no AI-5 durante o recesso do Congresso). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1977.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 8Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 13, Casos emblemáticos (repressão ao PCB em 1974–1976; Chacina da Lapa). Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 9Corte Interamericana de Direitos Humanos. Caso Herzog e outros vs. Brasil, Sentença de 15 de março de 2018 (Série C nº 353). Corte IDH, San José, 2018.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 10Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 11, Execuções e mortes decorrentes de tortura. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 11Presidência da República. Lei nº 6.151, de 4 de dezembro de 1974 (II Plano Nacional de Desenvolvimento, 1975–1979). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1974.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 12Maria Celina D'Araujo; Celso Castro (orgs.). Ernesto Geisel. Editora FGV, Rio de Janeiro, 1997.[Historiografia · referência bibliográfica]Depoimento de Geisel ao CPDOC/FGV (1994). Não consultado diretamente: trechos usados aqui vêm da transcrição feita no Relatório da CNV.
- 13Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 4, Órgãos e procedimentos da repressão política. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 14William E. Colby (CIA); edição: Office of the Historian, U.S. Department of State. Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger, Washington, April 11, 1974 (FRUS 1969–1976, vol. E–11, parte 2, doc. 99). Foreign Relations of the United States, 1969–1976, Volume E–11, Part 2, Documents on South America, 1973–1976, 1974.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]Fonte arquivística indicada no FRUS: CIA, Office of the Director of Central Intelligence, Job 80M01048A, Subject Files, Box 1, Folder 29: B–10: Brazil. Trechos não desclassificados.
- 15Estadão Conteúdo. Geisel autorizou execuções de presos políticos, diz documento da CIA. Estado de Minas (10/5/2018), 2018.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 16Ricardo Senra (BBC Brasil). "Último prego no caixão de Geisel", diz coordenador da Comissão da Verdade sobre memorando da CIA (entrevista de Paulo Sérgio Pinheiro). BBC Brasil (12/5/2018), republicado pelo Instituto Humanitas Unisinos, 2018.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 17Carlos Fico. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista Brasileira de História, v. 24, n. 47 (SciELO), 2004.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 18Elio Gaspari. A ditadura encurralada. Companhia das Letras, São Paulo, 2004.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 19Presidência da República. Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979 (Lei da Anistia). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1979.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 20Supremo Tribunal Federal. Informativo STF nº 584, ADPF 153/DF, rel. Min. Eros Grau, julgada em 28 e 29/4/2010. Informativo STF, 2010.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
participou de
- Golpe de 1964AcontecimentoIntegrante do grupo de oficiais da ESG que participou da conspiração, segundo o DHBB. Fonte: GEISEL, Ernesto (verbete biográfico)
reprimiu
- Levante comunista de 1935AcontecimentoComo capitão, na Escola de Aviação Militar (Rio), 27/11/1935. Fonte: GEISEL, Ernesto (verbete biográfico)
governou
relacionado a
- Ato Institucional nº 5 (AI-5)AcontecimentoUsou o AI-5 e promoveu sua revogação. Fonte: Emenda Constitucional nº 11, de 13 de outubro de 1978
- SNI e Sistema Nacional de Informações (SISNI)InstituiçãoFonte: Relatório, vol. I, cap. 16, A autoria das graves violações de direitos humanos (pp. 841–932; presidentes nas pp. 846–847)
- Sistema DOI-CODI e Operação BandeiranteInstituiçãoFonte: Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110)
- Vladimir HerzogPessoaFonte: Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110)
- Manoel Fiel FilhoPessoaFonte: Relatório, vol. I, cap. 11, Execuções e mortes decorrentes de tortura
- Chacina da Lapa (verbete planejado)AcontecimentoFonte: Relatório, vol. I, cap. 11, Execuções e mortes decorrentes de tortura
- Guerrilha do AraguaiaAcontecimentoFonte: Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110)
- Casa da Morte de PetrópolisLugar históricoFonte: Relatório, vol. I, cap. 4, Órgãos e procedimentos da repressão política
- Partido Comunista Brasileiro (PCB)OrganizaçãoOfensiva contra o PCB em 1974–1976. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 13, Casos emblemáticos (repressão ao PCB em 1974–1976; Chacina da Lapa)
- Partido Comunista do Brasil (PCdoB) (verbete planejado)OrganizaçãoChacina da Lapa (1976). Fonte: Relatório, vol. I, cap. 11, Execuções e mortes decorrentes de tortura
- "Milagre econômico" (1968–1973)Acontecimento
- Anistia de 1979Acontecimento
- Dom Paulo Evaristo ArnsPessoaArns celebrou o ato ecumênico por Herzog (1975). Fonte: Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110)
- Lei de Anistia e justiça de transição (verbete planejado)Debate historiográficoFonte: Informativo STF nº 584, ADPF 153/DF, rel. Min. Eros Grau, julgada em 28 e 29/4/2010
- Censura na ditadura militarTemaCensura a livros mais intensa no seu governo, segundo o acervo da DCDP. Fonte: "Proíbo a publicação e circulação...", censura a livros na ditadura militar (no verbete Censura na ditadura militar)
- Ditadura militar (1964–1985)AcontecimentoFonte: Relatório, Volume I (no verbete Ditadura militar (1964–1985))
- Feliz Ano NovoObraA proibição ocorreu no seu governo, por ato do ministro da Justiça. Fonte: 'Feliz Ano Novo' é proibido pela censura (Acervo O Globo, Fatos históricos) (no verbete Feliz Ano Novo)
- Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985)TemaMemorando da CIA de 1974; documento de inteligência, não prova independente. Fonte: Memorandum, Washington, April 11, 1974, Foreign Relations of the United States, 1969–1976, vol. E-11, part 2, documento 99 (no verbete Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985))
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP, rascunho assistido por IA
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.461 palavras · 20 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisado: verbete 'Geisel, Ernesto' do DHBB (lido integralmente); Relatório da CNV vol. I (caps. 3, 4, 11, 13 e 16); EC 8/1977, AC 102/1977, EC 11/1978, Leis 6.151/1974, 6.339/1976 e 6.683/1979 (Planalto); FRUS doc. 99; Estadão Conteúdo e BBC Brasil (2018); sentença da Corte IDH (Herzog); Informativo STF 584; Carlos Fico (2004). Pendências: (1) consultar diretamente D'Araujo & Castro, Ernesto Geisel (FGV, 1997) para conferir os trechos transcritos pela CNV (p. 225 e p. 366) e ampliar a seção; (2) conferir a data do reconhecimento de Angola (o DHBB diz 10 de novembro de 1975; a independência é de 11/11) e a data exata do discurso da 'distensão' (DHBB: 29/8/1974); (3) a data da morte de Fiel Filho aparece como 17/1/1976 (CNV) e o anúncio como 19/1 (DHBB); (4) verificar no FRUS o texto integral e as notas sobre trechos não desclassificados; (5) conferir os números econômicos do DHBB em séries oficiais (IBGE/Banco Central). Imagem candidata: retrato oficial da galeria de presidentes (Biblioteca da Presidência), licença a conferir; não incluída.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Ernesto Geisel. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/ernesto-geisel.
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