Manoel Fiel Filho
Operário metalúrgico, morto sob tortura no DOI-CODI de São Paulo (1927–1976)
Operário alagoano, prensista da Metal Arte por 19 anos e militante de base do PCB. Preso na fábrica em 16/1/1976, morreu no dia seguinte no DOI-CODI do II Exército; a versão de suicídio com as próprias meias levou Geisel a afastar o comandante do II Exército.
Também: Manuel Fiel Filho · Fiel Filho · Manoel Fiel
Índice e ficha
- Nome completo
- Manoel Fiel Filho
- Nascimento
- 7 de janeiro de 1927, Quebrangulo (AL)
- Morte
- 17 de janeiro de 1976, DOI-CODI do II Exército, São Paulo (SP)Morto por agentes do Estado (CNV, 2014); versão oficial de suicídio desmentida por testemunhos, pela Justiça Federal e por perícia da CNV.
- Nacionalidade
- brasileira
- Papéis
- Operário metalúrgico (prensista na Metal Arte, Mooca)Outro papel · c. 1957–1976
- Militante de base do PCB (difusão da Voz Operária)Militante
- Filiações
- Partido Comunista Brasileiro (PCB)
- Período
- 1927–1976
- Área
- Ditaduras no Brasil
- Regiões
- Brasil
- Temas
- Repressão, violência política e direitos, Movimento operário e sindical, Partido e organização, Estado, poder e democracia
Manoel Fiel Filho (1927–1976) foi um operário metalúrgico alagoano que viveu mais de vinte anos em São Paulo. Trabalhava havia 19 anos como prensista na fábrica Metal Arte, na Mooca, e militava no Partido Comunista Brasileiro (PCB), distribuindo o jornal Voz Operária e organizando o partido entre operários do bairro 1 2.
Em 16 de janeiro de 1976 foi levado da fábrica por agentes que se apresentaram como funcionários da prefeitura e conduzido ao DOI-CODI do II Exército. No dia seguinte estava morto. O Exército anunciou que ele se enforcara com as próprias meias, a mesma versão de suicídio usada três meses antes no caso de Vladimir Herzog 1 2.
A segunda morte em série no mesmo órgão abalou o regime: o presidente Ernesto Geisel afastou o comandante do II Exército, general Ednardo D'Ávila Mello. A Justiça Federal reconheceu a responsabilidade da União e a Comissão Nacional da Verdade concluiu que Manoel Fiel Filho foi morto por agentes do Estado 1 3. Seu caso é também lembrado como símbolo de que operários e trabalhadores comuns estiveram entre as vítimas da repressão.
De Quebrangulo à Mooca
Manoel Fiel Filho nasceu em 7 de janeiro de 1927 em Quebrangulo, no agreste de Alagoas, terra natal também de Graciliano Ramos, filho de Margarida Maria de Lima e Manoel Fiel de Lima 1 2. Como muitos nordestinos de sua geração, migrou para São Paulo; a CNV e a CEMDP situam a mudança nos anos 1950 1 2.
Na capital paulista trabalhou como padeiro e cobrador de ônibus antes de se tornar operário metalúrgico. Nos últimos 19 anos de vida foi prensista na Metal Arte, no bairro da Mooca 1 2. Era casado com Thereza de Lourdes Martins Fiel, com quem teve duas filhas, e morava na Vila Guarani 2.
Em 2016, aos 40 anos da morte, a viúva e as filhas deram entrevistas públicas lembrando-o como trabalhador e pai dedicado, e que ele não chegou a conhecer os netos 4.
Militância no PCB e a Operação Radar
No PCB, Manoel era responsável pela difusão do jornal Voz Operária, órgão do partido, e pela organização partidária entre operários das fábricas da Mooca 1. O partido foi alvo, entre março de 1974 e janeiro de 1976, da Operação Radar, ofensiva do CIE e do DOI-CODI do II Exército voltada a desarticular a infraestrutura e a direção do partido, inclusive a rede de produção e distribuição da Voz Operária 1 5. A CNV considera que a morte de Manoel integra o quadro de assassinatos dessa operação 1.
Segundo a CNV, a ligação de Manoel com o jornal foi revelada no interrogatório de outro preso, Sebastião de Almeida; a CEMDP registra que ele foi "acusado por outro preso político torturado" de receber exemplares da Voz Operária 1 2.
A prisão na fábrica (16 de janeiro de 1976)
Ao meio-dia de 16 de janeiro de 1976, uma sexta-feira, dois homens que se diziam funcionários da prefeitura levaram Manoel da Metal Arte, sem ordem judicial 1 4. Passaram com ele pela casa da família, que revistaram à procura da Voz Operária; nada encontraram e disseram à mulher que ele seria liberado no dia seguinte. Thereza nunca mais o viu 1 2.
Nota publicada depois pelos colegas de fábrica, por meio do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, relata a detenção e o que se seguiu 2. Manoel completara 49 anos nove dias antes 4.
Tortura e morte no DOI-CODI
Conteúdo sensívelEsta seção descreve, com base em testemunhos e perícias oficiais, a tortura e a morte de Manoel Fiel Filho (sem detalhes gráficos).Ler este trechoOcultar trecho
Manoel morreu em 17 de janeiro de 1976 nas dependências do DOI-CODI do II Exército, na rua Tomás Carvalhal, em São Paulo 1. Na ação movida pela família, o também preso Geraldo Castro da Silva declarou ter ouvido Manoel, durante o interrogatório, implorar que parassem de machucá-lo e, depois, o silêncio 1. Quando o corpo foi liberado, a família constatou sinais de tortura, sobretudo na parte superior do corpo, testa, pulsos e pescoço, segundo a CEMDP 1 2.
Em setembro de 2014, um laudo pericial indireto da CNV desconstruiu a versão de autoestrangulamento: considerou, entre outros elementos, a posição em que o corpo foi encontrado e a inviabilidade de fazer o nó depois de comprimido o pescoço, e concluiu que "o diagnóstico diferencial do evento é de homicídio por estrangulamento", em local e circunstâncias que não foi possível determinar 1. O corpo foi sepultado no Cemitério da Quarta Parada, em São Paulo, na manhã de 18 de janeiro, sob a condição imposta à família de enterro rápido e silêncio sobre a morte 1 2.
A versão oficial: "enforcado com as próprias meias"
Na noite de sábado, 17 de janeiro, um homem parou diante da casa da família e, segundo o relato dos colegas de fábrica, entregou um saco com as roupas de Manoel, dizendo que ele havia se suicidado 2 4. Nota do Comando do II Exército, divulgada em 19 de janeiro, informou que ele fora encontrado morto às 13 horas do dia 17 "em um dos xadrezes do DOI-CODI/II Exército", enforcado com as próprias meias, e anunciou a abertura de Inquérito Policial Militar a cargo do coronel Murillo Fernando Alexander 1 2.
O laudo do local (peritos Paulo Pinto e Ernesto Eleutério) indicou asfixia mecânica por laço feito com duas meias, mas declarou não ser possível determinar, pela perícia, se houve suicídio ou homicídio; o laudo necroscópico, assinado pelos legistas José Antônio de Mello e José Henrique da Fonseca, apontou estrangulamento e endossou a versão de suicídio, sem registrar sinais de tortura 1.
A versão foi contestada desde o início: colegas de trabalho afirmaram que Manoel calçava chinelos, sem meias, quando foi levado; presos daquela época relataram que no DOI-CODI todos eram despojados de pertences como cintos e meias 1 2. Em 1978, o próprio legista José Antônio de Mello declarou à Folha de S.Paulo que o autoestrangulamento era raríssimo e que o laudo indicava estrangulamento 1 3. Elio Gaspari, citado pela CEMDP, contou Manoel Fiel Filho como o 39º "suicida" do regime 2 6.
Geisel afasta o comandante do II Exército
As reações à morte levaram ao afastamento do general Ednardo D'Ávila Mello do comando do II Exército, em 20 de janeiro de 1976, e à demissão do chefe do Centro de Informações do Exército, general Confúcio Danton de Paula Avelino, por decisão do presidente Ernesto Geisel 1 2 3. A CEMDP observa que a morte de Fiel, ocorrida no recesso parlamentar e nas férias universitárias, teve noticiário mais discreto que a de Herzog, mas "produziu abalos na estrutura do regime", abrindo conflito com o ministro do Exército, Sylvio Frota, demitido no ano seguinte 2.
A leitura do episódio como parte da disputa entre o projeto de "distensão" de Geisel e setores do aparelho repressivo é interpretação historiográfica (desenvolvida, entre outros, por Elio Gaspari), não fato estabelecido por documento único 6 2. A CEMDP acrescenta que a própria exoneração equivaleu a reconhecimento implícito da responsabilidade do Estado 2. O afastamento de um general não significou investigação dos agentes: o IPM seguiu seu curso para confirmar o suicídio.
IPM e arquivamento (1976)
O IPM foi concluído em cerca de 30 dias. Em parecer de 28 de abril de 1976, o procurador militar Darcy de Araújo Rebello afirmou que as provas eram "suficientes e robustas" para convencê-lo da hipótese de suicídio; o juiz auditor Arylton da Cunha Henriques, da 3ª Auditoria da 2ª Circunscrição Judiciária Militar, arquivou o caso em 3 de maio de 1976 por inexistência de crime 1 2 3. A família foi representada no IPM pelo advogado Belisário dos Santos Júnior 2.
A ação da viúva contra a União
Em 1978, Thereza de Lourdes Martins Fiel moveu ação contra a União com apoio da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, que no mesmo ano tomou depoimentos de presos políticos que presenciaram as torturas, com os advogados Marco Antônio Rodrigues Barbosa, Samuel Mac Dowell Figueiredo e Sérgio Bermudes 1 2 3. Segundo a CEV-SP, ela declarou não querer dinheiro, mas justiça 3.
A CNV registra sentença do juiz federal Jorge Flaquer Scartezzini, de 17 de dezembro de 1980, que reconheceu a responsabilidade objetiva da União pela prisão, tortura e morte de Manoel por agentes do DOI-CODI 1. A CEMDP e a CEV-SP falam em julgamento de procedência em 1995, "após vários anos de tramitação", o que pode corresponder ao desfecho definitivo da ação; a revisão deve conferir as duas datas 2 3.
Em 2009, o MPF ajuizou ação civil pública (n. 2009.61.00.005503-0) para responsabilizar civilmente pessoas apontadas como participantes da prisão ilegal, tortura, execução e ocultação de provas no caso, pedindo, entre outras medidas, o ressarcimento à União das indenizações pagas e a inclusão dos fatos em equipamento público de memória 1 3. Não foi localizada decisão definitiva dessa ação até a data de corte.
Reconhecimento: CEMDP, CNV e Comissão da Verdade paulista
A CEMDP reconheceu Manoel Fiel Filho como beneficiário da Lei 9.140/1995 em 30 de maio de 1996, por unanimidade (processo 309, relator Paulo Gonet Branco; DOU de 3/6/1996), a pedido da viúva 2 1.
A CNV concluiu, em 2014, que ele "morreu em decorrência de ação perpetrada por agentes do Estado brasileiro", em contexto de violações sistemáticas, e recomendou a retificação da certidão de óbito e a continuidade das investigações para identificar e responsabilizar os agentes 1. A Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva" concluiu que ele foi torturado e executado por agentes do Estado e que ninguém foi punido, recomendando investigação, responsabilização e correção da causa de morte no registro 3. Essas conclusões de comissão não equivalem a condenação penal. Não foi possível confirmar, até a data de corte, se a certidão já foi retificada.
Responsabilidades apontadas e grau de prova
A CNV listou a cadeia de comando do DOI-CODI do II Exército (presidente Ernesto Geisel, ministro Sylvio Frota, general Ednardo D'Ávila Mello, tenente-coronel Audir Santos Maciel e subcomandante major Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo) e a do DOPS/SP; posto de comando não prova participação pessoal 1.
Na tabela de autoria, apoiada sobretudo nas petições iniciais de ações civis públicas do MPF, a CNV atribui: a Ednardo D'Ávila Mello, responsabilidade "por gestão de estruturas destinadas à prática de graves violações"; a Audir Santos Maciel, Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo, ao sargento Luiz Shinji Akaboshi, aos delegados Harim Sampaio D'Oliveira e Edevarde José e a Tamotu Nakao, chefe da equipe de interrogadores, "tortura e execução"; ao perito Ernesto Eleutério, aos legistas José Henrique da Fonseca e José Antônio de Mello e ao coronel Murillo Fernando Alexander, "participação direta nos atos de ocultação das causas da morte" 1. A atribuição é da CNV, com base em petições do MPF; não houve processo penal nem condenação.
Um operário entre as vítimas
O caso é frequentemente lembrado ao lado do de Herzog: um jornalista conhecido e um operário anônimo, mortos no mesmo lugar, com a mesma encenação, em intervalo de três meses 2 7. A CNV aproxima as circunstâncias da morte de Manoel às de José Ferreira de Almeida, Pedro Jerônimo de Souza e Vladimir Herzog 1. A reação mais contida à morte de Fiel, notada pela CEMDP, ajuda a pensar como classe social e notoriedade pesaram na repercussão das violências 2. A repressão a trabalhadores e a sindicalistas é tema mais amplo, que inclui também as greves do ABC do fim da década.
Memória
Ruas em São Paulo e no Rio de Janeiro, uma praça em Maceió e uma escola municipal de educação infantil no Parque São Rafael, em São Paulo, levam seu nome; ele integra o memorial aos alagoanos mortos na luta contra a ditadura, na Praça da Paz da Universidade Federal de Alagoas 1. O livro Manoel Fiel Filho: quem vai pagar por este crime?, de Carlos Alberto Luppi, saiu em 1980; o documentário Perdão, Mister Fiel, de Jorge Oliveira, é de 2008 (algumas fontes indicam 2009) 2 1 8 9. Segundo o portal Memórias da Ditadura, um documento confidencial encontrado no antigo arquivo do DOPS-SP registra como "crime" atribuído a ele o recebimento da Voz Operária 10. O Arquivo Nacional registra que a canção "O bêbado e a equilibrista" (Aldir Blanc e João Bosco, 1979), gravada por Elis Regina e convertida em hino da campanha pela anistia, contém referências à filha de Manoel Fiel Filho e à viúva de Vladimir Herzog 11.
Situação documentada
As categorias não se somam: uma mesma pessoa pode ter sido presa, exilada e depois desaparecida.
- Morto(a)
- Reconhecimento oficial
- Justiça Federal (SP): Sentença de 17/12/1980 (juiz Jorge Flaquer Scartezzini) reconhece a responsabilidade objetiva da União; CEMDP e CEV-SP registram procedência em 1995. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- CEMDP (Lei 9.140/1995): Processo 309 deferido por unanimidade em 30/5/1996 (DOU 3/6/1996). Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
- Comissão Nacional da Verdade: Relatório final, vol. III (2014): morte por ação de agentes do Estado. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva": Torturado e executado por agentes do Estado; ninguém punido. Manoel Fiel Filho, Mortos e desaparecidos (relatório digital)
- Restos mortais
- Corpo entregue à família sob condição de enterro rápido; sepultado no Cemitério da Quarta Parada, em São Paulo, em 18/1/1976.
- Investigações e processos
- IPM arquivado pela Justiça Militar em 3/5/1976. Ação civil pública do MPF n. 2009.61.00.005503-0 (Justiça Federal, SP), sem decisão definitiva localizada até 19/10/2026. Nenhum processo penal.
- Reparação e memória
- Indenização pela Lei 9.140/1995 (CEMDP, 1996). Ação civil contra a União julgada procedente. CNV e CEV-SP recomendaram retificar a certidão de óbito (de 11/2/1976); retificação não confirmada até a data de corte. Homenagens: ruas, escola municipal, memorial na UFAL.
- O que não se sabe
- Data definitiva da ação civil da viúva (1980 ou 1995, conforme a fonte). Situação atual da ação civil pública de 2009 e da retificação da certidão. A CNV não determinou o local e as circunstâncias exatas do estrangulamento.
Informações sobre processos e reparações conferidas até 19 de outubro de 2026; podem ter mudado depois.
Responsabilidades e grau de prova
Ocupar um cargo não prova participação pessoal em cada crime. A tabela diz o que cada fonte afirma e com que grau de prova.
| Sobre | Grau de prova | O que a fonte afirma | Fonte |
|---|---|---|---|
| Prisão, tortura e morte | Decisão judicial (cível) | Sentença da Justiça Federal (1980) reconhece a responsabilidade objetiva da União pela conduta dos agentes do DOI-CODI. | Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos |
| Cadeia de comando do DOI-CODI do II Exército (jan. 1976) | Cargo ou comando | CNV lista Ernesto Geisel, Sylvio Frota, Ednardo D'Ávila Mello, Audir Santos Maciel e Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo, entre outros. | Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos |
| Gestão de estruturas de tortura e execução | Conclusão de comissão | CNV atribui a Ednardo D'Ávila Mello responsabilidade por gestão de estruturas destinadas a graves violações, com base em petição do MPF. | Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos |
| Tortura e execução | Conclusão de comissão | CNV atribui tortura e execução a Audir Santos Maciel, Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo, Luiz Shinji Akaboshi, Harim Sampaio D'Oliveira, Edevarde José e Tamotu Nakao, com base em petição inicial de ação civil pública do MPF. | Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos |
| Ocultação das causas da morte | Conclusão de comissão | CNV atribui participação direta a Ernesto Eleutério, José Henrique da Fonseca, José Antônio de Mello e Murillo Fernando Alexander. | Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos |
No portal Ditaduras no Brasil
Ditadura de 1964–1985 · Transição e Nova República (1985–) · Sudeste, Nordeste (SP, AL)
Vítimas e sobreviventesRepressãoPessoasEconomia e trabalhoMemória, verdade e justiça
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Citação localizada na fonte
“O comando do II Exército lamenta informar que foi encontrado morto, às 13h do dia 17 do corrente, sábado, em um dos xadrezes do DOI-CODI/II Exército, o Sr. Manoel Fiel Filho.”
Trecho da nota oficial do II Exército (janeiro de 1976), reproduzida pela CEMDP. Documento de época que veicula a versão oficial, desmentida depois.
Fonte: Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
Cronologia
7 de janeiro de 1927
Nascimento em Quebrangulo (AL).1
década de 1950
Migração para São Paulo (anos 1950).2
março de 1974
Início da Operação Radar contra o PCB (março de 1974 a janeiro de 1976).1
25 de outubro de 1975
Morte de Vladimir Herzog no mesmo DOI-CODI.1
16 de janeiro de 1976
Levado da Metal Arte por agentes do DOI-CODI.1
17 de janeiro de 1976
Morte no DOI-CODI do II Exército.1
18 de janeiro de 1976
Sepultamento no Cemitério da Quarta Parada.2
19 de janeiro de 1976
Nota do II Exército anuncia suicídio e abertura de IPM.1
20 de janeiro de 1976
Afastamento do general Ednardo D'Ávila Mello do comando do II Exército.1
28 de abril de 1976
Procurador militar pede arquivamento do IPM.2
3 de maio de 1976
Juiz auditor arquiva o IPM.1
1978
Viúva move ação contra a União; legista declara à imprensa que houve estrangulamento.1
17 de dezembro de 1980
Sentença do juiz federal Jorge Flaquer Scartezzini reconhece a responsabilidade da União.1
1995
Ação contra a União julgada procedente, segundo CEMDP e CEV-SP (possível desfecho definitivo).2
30 de maio de 1996
CEMDP reconhece o caso por unanimidade.2
27 de fevereiro de 2009
MPF ajuíza ação civil pública contra agentes apontados no caso.1
10 de setembro de 2014
Laudo pericial indireto da CNV conclui por homicídio por estrangulamento.1
dezembro de 2014
Relatório final da CNV recomenda retificação da certidão de óbito.1
Bibliografia comentada
Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos (2014)
Perfil oficial (pp. 1811–1816): biografia, IPM, sentença de 1980, laudo pericial de 2014, cadeia de comando e autoria apontada.
Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) / Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (2007)
Entrada da CEMDP (pp. 411–413) com a nota do II Exército, o relato dos colegas de fábrica e a leitura da crise militar.
Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva". Manoel Fiel Filho, Mortos e desaparecidos (relatório digital)
Relatório da Comissão da Verdade paulista: cronologia processual e recomendações.
Carlos Alberto Luppi. Manoel Fiel Filho: quem vai pagar por este crime? (1980)
Primeiro livro sobre o caso, publicado quatro anos após a morte. Não consultado nesta redação.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]PDF integral baixado do espelho do Marxists Internet Archive e lido com pdftotext; o endereço oficial (cnv.memoriasreveladas.gov.br/images/pdf/relatorio/volume_3_digital.pdf) recusou a conexão em 19/10/2026. Perfis usados: Rubens Beyrodt Paiva, pp. 519–528; Vladimir Herzog, pp. 1794–1799; Manoel Fiel Filho, pp. 1811–1816. Conferir paginação contra o arquivo oficial.
- 2Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) / Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Brasília, 2007.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]PDF integral (espelho do Marxists Internet Archive) lido com pdftotext. Entradas usadas: Rubens Beirodt Paiva, pp. 142–145; Vladimir Herzog, pp. 407–409; Neide Alves dos Santos, pp. 410–411; Manoel Fiel Filho, pp. 411–413.
- 3Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva". Manoel Fiel Filho, Mortos e desaparecidos (relatório digital). Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Página consultada por meio de leitor automático (resumo); conferir trechos no original antes de citar literalmente.
- 4Camila Maciel (Agência Brasil). DOI-Codi sequestra e mata Manoel Fiel e diz que metalúrgico cometeu suicídio. Agência Brasil, 2016.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Matéria de 15/1/2016, com declarações públicas da viúva e das filhas aos 40 anos da morte. Título conferido apenas pelo endereço e pelo conteúdo; conferir grafia exata.
- 5Corte Interamericana de Direitos Humanos. Caso Herzog e outros vs. Brasil. Sentença de 15 de março de 2018 (Exceções preliminares, mérito, reparações e custas). Série C, n. 353. Corte IDH, San José (Costa Rica), 2018.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Versão oficial em português. Usados: par. 113–167 (fatos provados) e pontos resolutivos (par. 416).
- 6Elio Gaspari. A ditadura encurralada. Companhia das Letras.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada diretamente; citada pela CEMDP (2007) nas entradas de Manoel Fiel Filho e Élson Costa.
- 7Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva". Vladimir Herzog, Mortos e desaparecidos (relatório digital). Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Página consultada por meio de leitor automático (resumo); conferir trechos no original antes de citar literalmente.
- 8Carlos Alberto Luppi. Manoel Fiel Filho: quem vai pagar por este crime?. Escrita, São Paulo, 1980.[Historiografia · referência bibliográfica]Referido pela CEMDP (2007) e pela CEV-SP. Não consultado diretamente.
- 9Wikipédia. Manoel Fiel Filho.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Usada só como orientação (lista de referências e homenagens); nenhuma afirmação relevante depende apenas dela.
- 10Instituto Vladimir Herzog (realização), portal Memórias da Ditadura. Manoel Fiel Filho (Memorial de mortos e desaparecidos). Memórias da Ditadura.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Portal de divulgação; registra documento confidencial do DOPS-SP sobre a acusação contra Manoel. Consultado por leitor automático.
- 11Arquivo Nacional, Memórias Reveladas. A história de 'O bêbado e a equilibrista' na voz de Elis Regina. Arquivo Nacional (gov.br/memoriasreveladas), 2022.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Página de 3/11/2022. Nenhum trecho da letra é reproduzido neste verbete.
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
vítima de
- Sistema DOI-CODI e Operação BandeiranteInstituiçãoMorto nas dependências do DOI-CODI do II Exército (São Paulo). Fonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
relacionado a
- DOI-CODI de São Paulo (rua Tutoia) (verbete planejado)Lugar históricoFonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- Ernesto GeiselPessoaAfastou o comandante do II Exército após a morte. Fonte: Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
- Vladimir HerzogPessoaMorto no mesmo DOI-CODI três meses antes, sob a mesma versão oficial. Fonte: Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos
- Ditadura militar (1964–1985)Acontecimento
- Relatório da Comissão Nacional da VerdadeDocumentoFonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
- Qual a diferença entre morto e desaparecido político?Pergunta e guia
- Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985)Tema
- Memória, verdade, reparação e justiça no BrasilPolítica pública
- Dom Paulo Evaristo ArnsPessoaFonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II, Texto 9, A resistência da sociedade civil às graves violações de direitos humanos (no verbete Dom Paulo Evaristo Arns)
- Governos da ditadura (1964–1985)TemaFonte: Relatório, vol. I, cap. 11, Execuções e mortes decorrentes de tortura (no verbete Governos da ditadura (1964–1985))
- Greves do ABC (1978–1980)AcontecimentoFonte: Relatório da CNV, Volume II, Texto 2: Violações de direitos humanos dos trabalhadores (no verbete Greves do ABC (1978–1980))
integrou
- Partido Comunista Brasileiro (PCB)OrganizaçãoDistribuía a Voz Operária e organizava o partido entre operários da Mooca. Fonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, volume III: Mortos e desaparecidos políticos
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP, rascunho assistido por IA
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 1.961 palavras · 11 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisado: perfil da CNV (vol. III, pp. 1811–1816); CEMDP 2007 (pp. 411–413); página da CEV-SP; sentença da Corte IDH (contexto da Operação Radar); Agência Brasil (2016); Wikipédia apenas como orientação. Pendências: (1) conciliar a data da sentença na ação da viúva (17/12/1980 na CNV; procedência em 1995 na CEMDP/CEV-SP); (2) verificar se a certidão de óbito foi retificada (ex.: no lote de certidões retificadas entregues em 2025), não confirmado; (3) andamento da ACP 2009.61.00.005503-0; (4) conferir a grafia de nomes da tabela de autoria da CNV (o PDF traz 'Luiz Shinji Akabosh'); (5) confirmar o ano do documentário 'Perdão, Mister Fiel' (2008 x 2009); (6) o título da matéria da Agência Brasil de 2016 foi inferido do endereço e deve ser conferido; (7) busca web esgotou o limite da tarefa antes de consultar o DHBB e a imprensa da época (O Estado de S. Paulo, 20/1/1976).Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Manoel Fiel Filho. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/manoel-fiel-filho.
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