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Exército Lulaacervo documental
ConceitoPublicado

Socialismo

Família de ideias, movimento político e projeto de sociedade

Família de ideias e movimentos, surgida com a industrialização no século XIX, que propõe pôr os principais meios de produção sob controle social e organizar a economia pelas necessidades da maioria. Divide-se em correntes que divergem sobre propriedade, mercado, Estado e caminho.

Também: socialisme · Sozialismus · socialism

Índice e ficha

O socialismo designa, no pensamento político moderno, uma família de correntes que propõem a superação do capitalismo por uma sociedade em que os principais meios de produção estejam sob controle social, do Estado, de cooperativas, de conselhos de trabalhadores, de comunidades ou de combinações dessas formas, e em que a economia seja organizada para atender às necessidades da maioria, e não ao lucro privado. Uma definição filosófica recente resume esse núcleo como uma sociedade em que, no mínimo, a maior parte dos meios de produção está sob controle social e democrático, e observa que socialismo não é sinônimo de estatismo 1.

A palavra também nomeia um movimento, partidos, sindicatos, cooperativas e organizações que se reivindicam socialistas desde o século XIX, e, em certas tradições marxistas, uma etapa histórica: a primeira fase da sociedade comunista, segundo a leitura que Lenin fez de Marx 2. A relação entre socialismo e Comunismo varia conforme a tradição e é tratada no guia Socialismo e comunismo.

Este verbete apresenta o conceito em camadas: o que é, de onde vem a palavra, por que surgiu, que problemas quer resolver, quais são as grandes famílias de correntes, como cada uma propõe organizar propriedade, produção e poder, a relação com democracia e liberdade, um panorama das experiências históricas, suas realizações, problemas e violações, as críticas que recebeu e o que segue em debate. Ele não faz balanço de cada país; isso fica nos verbetes próprios, com indicadores e fontes.

O que é: definição mínima e ressalvas

Explicação conceitual

Não existe definição de socialismo aceita por todas as correntes que usam a palavra. Um núcleo mínimo, comum às formulações modernas, tem três elementos:

  1. Crítica do capitalismo, de sua forma de propriedade (meios de produção em mãos privadas), de sua forma de coordenação (produção para o lucro, mediada pelo mercado) e de seus efeitos (exploração, desigualdade, insegurança, crises) 1.
  2. Controle social dos meios de produção, em formas variadas: propriedade estatal, municipal, cooperativa, comunal ou de fundos coletivos 1. Ver Propriedade social.
  3. Orientação igualitária e democrática, a economia deveria servir às necessidades e à autonomia das pessoas, e as decisões econômicas deveriam ser, em algum grau, coletivas.

Três ressalvas evitam confusões frequentes:

  • Socialismo não é sinônimo de Estado grande. Há socialismos fortemente estatais e socialismos que desconfiam do Estado (libertários, autogestionários). Inversamente, há economias com muitas estatais que não têm projeto socialista nenhum (ver Estado de bem-estar é socialismo?).
  • Socialismo não implica abolir toda propriedade pessoal. A crítica socialista clássica dirige-se à propriedade privada dos meios de produção, não à casa, aos objetos pessoais ou à poupança individual; ver O socialismo acaba com a propriedade?.
  • "Socialista" é usado de modo descritivo, autodenominativo e polêmico. Um partido pode chamar-se socialista e governar sem alterar a propriedade; um Estado pode declarar-se socialista; um adversário pode chamar de socialista qualquer política social. A enciclopédia diz, em cada caso, em que sentido o termo é usado.

Origem da palavra (anos 1820–1830)

Fatos documentadosDebate em aberto

A palavra se forma a partir do latim socius ("companheiro", "associado") e surge quase ao mesmo tempo na Inglaterra e na França, no fim dos anos 1820 e no início dos anos 1830:

  • Inglaterra, meio owenista. Segundo o historiador G. D. H. Cole, "socialista" aparece em 1827 no Co-operative Magazine, ligado às doutrinas cooperativistas de Robert Owen 3 4.
  • França, saint-simonianos. O jornal Le Globe, então órgão dos seguidores de Henri de Saint-Simon, aparece entre os primeiros usos franceses. Pierre Leroux, saint-simoniano, reivindicou ter usado socialisme pela primeira vez nesse jornal, em 1832 5. A precedência exata é disputada nas fontes de referência; o resumo de um artigo brasileiro que cita Cole traz a data "1823" para o Globe, provavelmente erro de digitação que precisa ser conferido no original 3.

Nos anos 1840 os dois termos, "socialista" e "comunista", tinham conotações sociais distintas. Em 1888, ao explicar por que o Manifesto de 1848 não se chamou "manifesto socialista", Engels lembrou que, em 1847, "socialistas" eram de um lado os adeptos dos sistemas utópicos, os owenistas na Inglaterra, os fourieristas na França, e de outro reformadores que queriam remediar males sociais sem tocar no capital; "comunistas" eram os operários que exigiam uma transformação social total. O socialismo era "respeitável" no continente; o comunismo, não 6. A partir do fim do século XIX, os partidos marxistas da Segunda Internacional passaram a usar "socialista" e "social-democrata" para si, e só depois de 1918 "comunista" voltou a nomear uma família de partidos (ver Socialismo e comunismo: relações, diferenças e usos históricos).

Por que surgiu: industrialização e classe trabalhadora

Interpretação historiográficaFatos documentados

O socialismo moderno nasce com a Revolução Industrial e com a formação de uma classe trabalhadora assalariada: pessoas que não possuem meios de produção e vivem da venda da sua força de trabalho, em fábricas e cidades que crescem depressa, com jornadas longas, trabalho infantil e insegurança. A historiografia associa o surgimento do vocabulário socialista a esse contexto, às decepções com os resultados sociais das revoluções liberais e às primeiras formas de associação operária, sindicatos, sociedades de socorro mútuo, cooperativas 7.

Os primeiros socialistas, Owen, Saint-Simon, Charles Fourier, Flora Tristan e outros, propuseram comunidades modelo, associações de produtores, reorganização da indústria por critérios científicos ou a união internacional dos operários. Engels os chamou de "utópicos" por acreditarem que bastaria demonstrar a superioridade racional de um plano de sociedade, em contraste com o que ele chamou de socialismo "científico", fundado na análise das contradições do capitalismo e na luta de classes 8. Ver Socialismo utópico, Do socialismo utópico ao socialismo científico e Cooperativismo.

Antecedentes não são socialismo moderno. Comunidades igualitárias, utopias literárias como a Utopia de Thomas More (1516), formas de propriedade comum em sociedades indígenas ou em comunidades religiosas são às vezes apresentadas como "socialistas". A enciclopédia distingue: (a) antecedente, ideia ou prática anterior que autores socialistas leram como precursora; (b) aproximação retrospectiva, comparação feita depois, que pode iluminar ou distorcer; e (c) movimento socialista propriamente dito, inseparável da sociedade industrial, do trabalho assalariado e do movimento operário.

Que problemas o socialismo quer resolver

Formulação teóricaExplicação conceitual

As correntes socialistas partem de diagnósticos sobre o capitalismo que podem ser agrupados em cinco críticas, sistematizadas na literatura filosófica 1:

  • Exploração, a ideia de que o lucro resulta, ao menos em parte, de trabalho não pago (na versão marxista, a Mais-valia); outras versões falam de troca desigual entre quem tem e quem não tem meios de produção.
  • Dominação, o poder dos proprietários sobre os trabalhadores no local de trabalho e, por meio do poder econômico, sobre a política.
  • Alienação, o trabalho como atividade imposta, sem controle sobre o produto e o processo.
  • Ineficiência e irracionalidade, crises recorrentes, desemprego, capacidade ociosa, produção orientada para o que dá lucro e não para o que é necessário, efeitos ambientais não contabilizados.
  • Desigualdade, de renda, de riqueza, de oportunidades e de poder, incompatível, para os socialistas, com a igualdade política e com a liberdade real da maioria.

As respostas variam. Algumas correntes priorizam a segurança material (emprego, saúde, educação, moradia); outras, a democracia econômica (controle dos trabalhadores e da sociedade sobre investimentos e empresas); outras, a superação das classes e do próprio Estado como horizonte de longo prazo. Movimentos mais recentes acrescentaram problemas que o socialismo clássico tratou de modo insuficiente, opressão das mulheres, racismo, colonialismo, destruição ambiental (ver Feminismos socialistas e marxistas, Socialismo e questão racial, Ecossocialismo).

Famílias de correntes

Explicação conceitualInterpretação historiográfica

Classificações de correntes são instrumentos de leitura, não fronteiras fixas: autores e partidos mudam de posição, e uma mesma organização pode combinar traços de várias famílias. Com essa ressalva, as famílias mais citadas são:

A tabela abaixo compara as cinco grandes famílias mais usadas em comparações.

Como organizar propriedade, produção e poder

Formulação teóricaProposta políticaDebate em aberto

Toda proposta socialista precisa responder a três perguntas: quem é dono dos meios de produção, como se coordena a produção e quem decide. As respostas formam um leque, não duas opções.

Propriedade. As formas propostas incluem propriedade estatal (nacional), municipal ou regional, cooperativa (de produtores ou de consumidores), comunal, fundos coletivos de assalariados e combinações delas 1. A Declaração de Frankfurt da Internacional Socialista (1951), por exemplo, admitia empresas municipais ou regionais e cooperativas de consumidores ou produtores, tratando-as "não como fins em si mesmos", mas como meios de controlar as indústrias básicas 9. Ver Propriedade social e O socialismo acaba com toda propriedade?.

Coordenação. Os modelos discutidos vão do planejamento central (uma autoridade fixa metas de produção) ao planejamento participativo (conselhos de trabalhadores e consumidores negociam planos em rodadas sucessivas) e ao socialismo de mercado (empresas de propriedade social competem em mercados, sem classe capitalista) 1. Cada um enfrenta objeções: o planejamento central, problemas de informação, cálculo e incentivo à inovação; o socialismo de mercado, desigualdade entre empresas, risco financeiro para os trabalhadores e possível captura dos bancos de investimento 1. Ver Planejamento econômico, Socialismo de mercado e o debate sobre o cálculo econômico socialista.

Poder. As correntes divergem sobre o Estado: usá-lo para transformar a economia (social-democracia, marxismo-leninismo, com estratégias opostas); substituí-lo por conselhos ou comunas (Comuna de Paris como referência para Marx e para anarquistas); ou contorná-lo, construindo instituições alternativas dentro do capitalismo. A literatura distingue estratégias de "romper", "domar", "escapar" e "erodir" o capitalismo, e há autores que defendem combinações delas 1 10. Ver Autogestão.

Democracia, liberdade e igualdade

Formulação teóricaDocumento de épocaDebate em aberto

A relação entre socialismo e democracia é uma das questões mais disputadas da história do movimento (ver Socialismo e democracia).

  • Para Marx, entre a sociedade capitalista e a comunista haveria um período de transformação revolucionária, ao qual corresponderia um Estado que "não pode ser senão a ditadura revolucionária do proletariado" 11. O sentido da expressão, domínio político de uma classe, como no caso da Comuna de Paris, ou governo de um partido, é ponto central de divergência.
  • Em 1918, Karl Kautsky defendeu a democracia parlamentar contra o poder soviético 12, e Rosa Luxemburgo, solidária à Revolução de Outubro, criticou a supressão das liberdades pelos bolcheviques: liberdade só para os partidários do governo "não é liberdade nenhuma" 13. Ver Rosa Luxemburgo.
  • Em 1951, a Internacional Socialista afirmou que "sem liberdade não pode haver socialismo" e que o socialismo "só pode ser realizado pela democracia", condenando os partidos comunistas por instaurarem a ditadura de um partido único 9.
  • As correntes marxistas-leninistas responderam que a democracia parlamentar sob o capitalismo é limitada pelo poder econômico da burguesia e que a transição exige derrotar a resistência das antigas classes dominantes (Marxismo-leninismo, O Estado e a revolução).

Sobre igualdade, as correntes não defendem, em geral, igualdade absoluta de renda: Marx previa que, na primeira fase, cada um receberia segundo o trabalho realizado, um "direito igual" que ainda é, diz ele, "direito burguês", e só numa fase superior valeria o princípio "de cada um segundo suas capacidades, a cada um segundo suas necessidades" 14. Sobre liberdade, os socialistas argumentam que liberdades formais pouco valem sem condições materiais; seus críticos liberais respondem que concentrar o poder econômico no Estado ameaça as liberdades civis e políticas (ver "Críticas", abaixo).

Experiências: panorama sem rótulos

Fatos documentadosExplicação conceitual

Chamar um país inteiro de "socialista" esconde distinções importantes. A enciclopédia usa categorias sobrepostas, que não se excluem:

  • Governo de partido socialista em democracia parlamentar, sem alteração estrutural da propriedade (muitos governos social-democratas europeus do século XX).
  • Programa socialista declarado por um governo eleito, com nacionalizações e reforma agrária, como na experiência chilena da Unidade Popular (1970–1973), coalizão chilena que não tem relação orgânica com a Unidade Popular brasileira, fundada em 2016.
  • Economia capitalista redistributiva, Estado de bem-estar amplo com propriedade majoritariamente privada (países nórdicos; ver Estado de bem-estar é socialismo?).
  • Transição declarada e autodefinição oficial, Estados cuja constituição se diz socialista: a Constituição soviética de 1936 definia a URSS como "Estado socialista de operários e camponeses" e o partido comunista como "núcleo dirigente" das organizações 15. Ver União Soviética, China (República Popular da China), Cuba (1959–presente), Vietnã.
  • Predominância estatal na economia, que pode existir sem projeto socialista.
  • Experiências cooperativas e autogestionárias, da autogestão iugoslava (Iugoslávia socialista (1945–1992)) a cooperativas e redes de Economia solidária.
  • Governos subnacionais eleitos dirigidos por partidos comunistas, como em Kerala: governos comunistas eleitos e o "modelo de Kerala", na Índia.
  • Classificação acadêmica, termos como "socialismo real", "economias de tipo soviético" ou "sistema socialista", usados por historiadores e economistas com critérios próprios 16 17.

Marcos frequentemente citados: a Comuna de Paris (1871); a Revolução Russa de 1917; a expansão de Estados dirigidos por partidos comunistas depois de 1945 na Europa Oriental e na Ásia; as revoluções cubana e vietnamita; os socialismos africanos pós-independência (Tanzânia e o ujamaa (1967–1985)); a via chilena; e, em outro registro, os longos governos social-democratas da Escandinávia. No Brasil, ver Socialismo no Brasil e Comunismo no Brasil.

Realizações atribuídas

Interpretação historiográficaAvaliação crítica

Estudos de diferentes orientações atribuem a movimentos e governos socialistas, conforme o caso, realizações como: expansão rápida da alfabetização e da escolarização; sistemas universais de saúde e previdência; industrialização acelerada em países agrários; redução da desigualdade de renda; pleno emprego formal; ampliação de direitos das mulheres em certos períodos; apoio a lutas anticoloniais; e, nas democracias, conquistas trabalhistas e sociais obtidas por partidos e sindicatos socialistas (jornada de trabalho, seguridade, negociação coletiva).

Essas afirmações só têm valor com dados comparáveis: séries com mesma definição e período, comparação com países de ponto de partida semelhante, e cuidado com a atribuição de causalidade, melhorias que se seguem a uma revolução não são, por isso, efeito dela, e o contrário também vale. Os verbetes de cada experiência trazem indicadores com fonte e limitações; o explicador Como avaliar realizações e violações das experiências socialistas? discute métodos. Ver também o debate sobre o balanço econômico do "socialismo real" 16.

Problemas, violações e crises

Fatos documentadosAvaliação crítica

Os Estados que se declararam socialistas no século XX também foram responsáveis por violações graves e crises, documentadas em arquivos e na historiografia: regimes de partido único; censura; perseguição de opositores, inclusive de outros socialistas; trabalho forçado e campos de prisioneiros (Sistema Gulag); deportações; execuções; e fomes associadas a políticas de coletivização e mobilização, como no Grande Salto Adiante (Mortes da fome do Grande Salto Adiante). Ver também Stalinismo e Revolução Cultural. Números de vítimas são controversos: a enciclopédia apresenta intervalos, categorias, métodos e autores nos verbetes próprios e não soma estimativas.

No plano econômico, as economias de planejamento central conviveram com escassez crônica, baixa qualidade de bens de consumo e dificuldades de inovação, fenômenos que economistas como János Kornai analisaram como traços sistêmicos dessas economias 16. Entre 1989 e 1991, os regimes da Europa Oriental e a União Soviética se desfizeram; ver Por que experiências socialistas entraram em crise?.

A social-democracia também tem um passivo discutido: apoio à guerra em 1914, participação em governos coloniais, alinhamento com políticas de austeridade e a perda de base eleitoral no século XXI (ver Social-democracia). E a repressão contra socialistas, golpes, ditaduras, massacres anticomunistas, faz parte da mesma história (Massacres na Indonésia (1965–1966), golpe de 1973 no Chile).

Críticas

Avaliação críticaPosição de outras organizações e correntes

As críticas ao socialismo vêm de três direções principais, que não devem ser confundidas: a liberal (e, em economia, a escola austríaca), a anarquista e a interna ao próprio campo socialista.

Liberais e escola austríaca

Avaliação crítica

Em 1920, Ludwig von Mises argumentou que uma economia sem mercado para os meios de produção não teria preços capazes de indicar quais usos dos recursos são mais valiosos, e por isso não poderia calcular racionalmente, argumento que abriu o chamado debate do cálculo socialista 18. Oskar Lange respondeu nos anos 1930 com um modelo de socialismo que simulava preços por tentativa e erro 19; Friedrich Hayek deslocou a crítica para o problema do conhecimento disperso, que nenhum planejador poderia reunir 20, e, em O caminho da servidão (1944), sustentou que o planejamento econômico abrangente tende a minar as liberdades políticas 21. Ver Debate do cálculo econômico socialista.

Anarquistas

Posição de outras organizações e correntes

Desde a Primeira Internacional, anarquistas criticaram a ideia de um Estado operário de transição. Mikhail Bakunin argumentou, em 1873, que os ex-trabalhadores alçados ao governo deixariam de representar o povo e passariam a representar a si mesmos e a sua pretensão de governá-lo, uma nova minoria privilegiada 22. Ver Anarquismo.

Críticas internas

Avaliação críticaPosição de outras organizações e correntes

Muitas das críticas mais duras vieram de dentro do campo socialista: Rosa Luxemburgo sobre as liberdades na Rússia soviética 13; Kautsky e os social-democratas sobre a ditadura de partido 12; trotskistas sobre a burocratização (Trotskismo); dissidentes do Leste, como Rudolf Bahro, que analisou o "socialismo realmente existente" como uma sociedade de dominação burocrática 23 17; feministas, ecologistas e militantes antirracistas sobre os pontos cegos do socialismo clássico. Na outra direção, marxistas revolucionários criticam a social-democracia por administrar o capitalismo em vez de superá-lo (Reforma ou revolução?).

O que segue em debate

Debate em aberto

Entre as questões abertas, discutidas por autores de diferentes correntes:

No Brasil

Fatos documentados

No Brasil, correntes socialistas atravessam a história do movimento operário e popular desde o fim do século XIX e o início do século XX, com anarquistas, comunistas, socialistas e trabalhistas de esquerda, e depois com a reflexão de intelectuais como Florestan Fernandes. Hoje convivem diferentes partidos e organizações que se reivindicam socialistas, com programas e estratégias próprios, além de experiências de Economia solidária. Ver Socialismo no Brasil, Comunismo no Brasil e Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Comparações

Tabelas resumem tendências gerais; cada linha simplifica debates que o texto detalha. Classificações sobrepostas não são exclusivas.

Grandes famílias socialistas: comparação esquemática
CritérioMarxista revolucionáriaSocial-democrata / reformistaLibertária (anarquista)Socialismo de mercadoAutogestionária
Propriedade dos meios de produçãoEstatal predominante, com cooperativas subordinadas ao planoMajoritariamente privada, com setor público e seguridade (após meados do séc. XX)Coletiva, de comunas, sindicatos ou associações livresSocial (estatal, cooperativa ou de fundos), com empresas autônomasDas próprias coletividades de trabalhadores
EstratégiaRuptura revolucionária dirigida por partido de vanguardaReformas graduais por via eleitoral e sindicalAção direta, greve geral, construção de instituições própriasVaria: reformas ou transição planejadaConselhos operários, ocupações, cooperativas; via estatal ou não
EstadoEstado de transição forte; extinção prevista a longo prazoEstado democrático-liberal como instrumento de reformaRejeitado como instrumento de emancipaçãoRegula mercados e garante a propriedade socialDescentralizado; desconfiança da burocracia
MercadoPlanejamento central; mercado residual (com variações e reformas)Aceito e reguladoEm geral rejeitado ou reduzido a troca entre associaçõesPrincipal mecanismo de coordenaçãoAceito em graus variados entre empresas autogeridas
Exemplos históricos associadosURSS, China, Cuba, Vietnã (com fases muito distintas)Governos do SPD alemão, do Partido Trabalhista britânico, da social-democracia suecaUcrânia makhnovista; coletivizações na Espanha de 1936Modelos teóricos (Lange, Roemer); reformas húngaras e iugoslavas como aproximações discutidasIugoslávia (desde 1950); cooperativas e economia solidária

Esquema didático: cada família abriga tendências internas que discordam entre si, e organizações reais combinam traços de várias colunas. A coluna social-democrata descreve sobretudo a social-democracia posterior a 1945; a social-democracia da Segunda Internacional era marxista. Os 'exemplos associados' indicam onde a família foi invocada, não que a experiência tenha realizado o modelo; os exemplos da coluna libertária e as aproximações do socialismo de mercado precisam ser conferidos nos verbetes próprios. Fontes: Socialism, Aims and Tasks of Democratic Socialism (Declaração de Frankfurt), I Congresso, 30 de junho a 3 de julho de 1951, Statism and Anarchy (excertos), On the Economic Theory of Socialism, A Future for Socialism, The Socialist System: The Political Economy of Communism.

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

Bibliografia comentada

  • Pablo Gilabert e Martin O'Neill. Socialism (2019 (revisão substantiva em 2024))

    Verbete filosófico atualizado: define socialismo pelo controle social e democrático dos meios de produção, organiza as críticas ao capitalismo e compara modelos (plano central, planejamento participativo, socialismo de mercado, reformas).

  • Friedrich Engels. Socialism: Utopian and Scientific (1880)

    Texto curto e muito lido em que Engels opõe socialismo 'utópico' e 'científico'; fundamental para entender a autoimagem do marxismo.

  • Karl Marx. Critique of the Gotha Programme, parte I (1875)

    Marx sobre as duas fases da sociedade pós-capitalista e o princípio de distribuição em cada uma, base das discussões posteriores sobre socialismo e comunismo.

  • Internacional Socialista. Aims and Tasks of Democratic Socialism (Declaração de Frankfurt), I Congresso, 30 de junho a 3 de julho de 1951 (1951)

    Documento fundador da Internacional Socialista do pós-guerra: socialismo democrático, formas de propriedade pública e crítica aos partidos comunistas.

  • János Kornai. The Socialist System: The Political Economy of Communism (1992)

    Análise de economista húngaro sobre o funcionamento das economias de tipo soviético; contraponto empírico importante.

  • Erik Olin Wright. Envisioning Real Utopias (2010)

    Proposta sociológica de pensar alternativas ao capitalismo e estratégias de transformação combinadas.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Pablo Gilabert e Martin O'Neill. Socialism. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2019 (revisão substantiva em 2024).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Definição mínima, críticas ao capitalismo, modelos (planejamento central, planejamento participativo, socialismo de mercado, reformas graduais) e estratégias de transformação.
  2. 2V. I. Lenin. The State and Revolution, cap. 5: The Economic Basis of the Withering Away of the State. Marxists Internet Archive, 1917.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  3. 3Jorge Miglioli. Formas de entendimento do socialismo. Idéias (Unicamp), v. 3, n. 2, p. 55–68, 1996.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada apenas a página do artigo e o resumo, que remete a G. D. H. Cole para o primeiro uso de 'socialista' (1827, Co-operative Magazine, owenista). O resumo traz a data '1823' para o Globe saint-simoniano, provavelmente erro; o PDF não foi aberto.
  4. 4G. D. H. Cole. A History of Socialist Thought, vol. 1: The Forerunners, 1789–1850. 1953.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; citada a partir do resumo de Miglioli (1996). Página não conferida.
  5. 5Socialism (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Usada só como orientação para a etimologia (reivindicação de Pierre Leroux, 1832) e a mudança de nome do partido bolchevique (1918); conferir nas fontes citadas pelo verbete.
  6. 6Karl Marx e Friedrich Engels. Prefácios ao Manifesto do Partido Comunista (inclui o prefácio de Engels à edição inglesa de 1888). Arquivo Marxista na Internet.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Prefácio de 1888 datado de Londres, 30 de janeiro de 1888.
  7. 7Michael Newman. Socialism: A Very Short Introduction. Oxford University Press, 2005.[Historiografia · referência bibliográfica]Não consultada nesta redação; introdução geral.
  8. 8Friedrich Engels. Socialism: Utopian and Scientific. Marxists Internet Archive (tradução inglesa de Edward Aveling, 1892, autorizada por Engels), 1880.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Escrito entre janeiro e março de 1880; publicado na Revue Socialiste (março–maio de 1880).
  9. 9Internacional Socialista. Aims and Tasks of Democratic Socialism (Declaração de Frankfurt), I Congresso, 30 de junho a 3 de julho de 1951. Site da Internacional Socialista, 1951.[Fonte partidária · consultada em 19 de outubro de 2026]Documento da própria Internacional Socialista: vale como posição dela.
  10. 10Erik Olin Wright. Envisioning Real Utopias. Verso, Londres, 2010.[Historiografia · referência bibliográfica]Referência listada na bibliografia da SEP; não consultada nesta redação.
  11. 11Karl Marx. Critique of the Gotha Programme, parte IV. Marxists Internet Archive, 1875.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Passagem sobre o período de transformação revolucionária e a ditadura revolucionária do proletariado.
  12. 12Karl Kautsky. The Dictatorship of the Proletariat (índice). Marxists Internet Archive (edição inglesa da National Labour Press, 1919), 1918.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado só o índice (capítulos sobre democracia, ditadura, Assembleia Constituinte e sovietes).
  13. 13Rosa Luxemburgo. The Russian Revolution, cap. 6: The Problem of Dictatorship. Marxists Internet Archive, 1918.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  14. 14Karl Marx. Critique of the Gotha Programme, parte I. Marxists Internet Archive, 1875.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Glosas de 1875 publicadas por Engels em 1891. Passagens sobre a primeira fase ('marcas de nascença', 'direito burguês') e a fase superior.
  15. 15Constitution (Fundamental Law) of the Union of Soviet Socialist Republics. Marxists Internet Archive, 1936.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Artigos 1 (Estado socialista de operários e camponeses), 4 (sistema socialista de economia) e 126 (papel dirigente do partido).
  16. 16János Kornai. The Socialist System: The Political Economy of Communism. Princeton University Press, 1992.[Historiografia · referência bibliográfica]Não consultado nesta redação; referência geral sobre economias de tipo soviético.
  17. 17Real socialism (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Orientação sobre a expressão 'socialismo realmente existente' (era Brejnev) e o uso crítico de Rudolf Bahro (1977).
  18. 18Ludwig von Mises. Economic Calculation in the Socialist Commonwealth. Mises Institute (página do livro), 1920.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Página de apresentação de instituto que segue a escola austríaca; o texto integral não foi lido nesta redação.
  19. 19Oskar Lange. On the Economic Theory of Socialism. Review of Economic Studies, 1936–1937.[Fonte primária · referência bibliográfica]Publicado em duas partes; não consultado nesta redação.
  20. 20Friedrich A. Hayek. The Use of Knowledge in Society. American Economic Review, 1945.[Fonte primária · referência bibliográfica]Não consultado nesta redação.
  21. 21Friedrich A. Hayek. The Road to Serfdom. 1944.[Fonte primária · referência bibliográfica]Não consultado nesta redação.
  22. 22Mikhail Bakunin. Statism and Anarchy (excertos). Marxists Internet Archive (Bakunin on Anarchy, trad. e org. Sam Dolgoff, 1971), 1873.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  23. 23Rudolf Bahro. Die Alternative: Zur Kritik des real existierenden Sozialismus. 1977.[Fonte primária · referência bibliográfica]Não consultada nesta redação.
  24. 24John E. Roemer. A Future for Socialism. Harvard University Press, Cambridge (MA), 1994.[Historiografia · referência bibliográfica]Referência listada na bibliografia da SEP; não consultada nesta redação.
  25. 25Site oficial da Unidade Popular.[Fonte partidária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  26. 26Estatuto da Unidade Popular pelo Socialismo (TSE).[Fonte partidária · consultada em 18 de outubro de 2026]Registro herdado da versão anterior do verbete (consulta de 18/10/2026); não reaberto nesta redação.

Rede de relações

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP (assistida por IA)
Criado em
18 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
2.997 palavras · 26 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoAmpliação do verbete para página canônica do conceito (lote de socialismo): definição em camadas, origem da palavra, contexto de surgimento, problemas, famílias de correntes com tabela comparativa, propriedade/coordenação/poder, democracia e liberdade, panorama de experiências com categorias não exclusivas, realizações, violações, críticas e debates; posição da UP mantida idêntica à versão anterior (lema, fonte site-up). Abertas nesta sessão: SEP (Gilabert e O'Neill), prefácio de 1888 do Manifesto (MIA-pt), Crítica do Programa de Gotha partes I e IV, O Estado e a Revolução cap. 5, Socialismo utópico e científico (índice), Kautsky 1918 (índice), Luxemburgo 1918 cap. 6, Declaração de Frankfurt, Constituição soviética de 1936, Bakunin 1873, página do Mises Institute, resumo de Miglioli (1996). Pendentes: conferir em Cole (1953) e no Co-operative Magazine o primeiro uso de 'socialista' (1827) e a data do uso no Globe (o resumo de Miglioli traz '1823', provável erro) e a reivindicação de Leroux (1832); obras de Hayek, Lange, Kornai, Wright, Roemer, Newman e Bahro não foram abertas; exemplos da tabela (coluna libertária e aproximações de socialismo de mercado) a conferir nos verbetes próprios.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
  3. 19 de outubro de 2026 · migracaoMigração para o novo modelo da enciclopédia; texto preservado, ligações internas acrescentadas. Ampliação pendente.Redação assistida por IA (Claude)
  4. 18 de outubro de 2026 · criacaoPrimeira versão do verbete.Redação UP (rascunho assistido por IA)

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Como citar: Socialismo. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/socialismo.

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