Socialismo e religião
Crítica marxista, socialismo cristão, teologia da libertação, ateísmo de Estado e liberdade religiosa
A relação entre socialismo e religião vai da crítica marxista à religião e da perseguição religiosa em Estados de partido único até o socialismo cristão, a teologia da libertação e formas islâmicas e budistas de socialismo. A liberdade religiosa é o critério para avaliar cada caso.
Índice e ficha
- Período
- 1844–presente
- Área
- Socialismo e comunismo
- Regiões
- Internacional, Europa, América Latina, Caribe, Oriente Médio e Norte da África, Ásia
- Temas
- Teoria e conceitos, Cultura, artes e vida cotidiana, Repressão, violência política e direitos, Dissidências e críticas
A ideia de que socialismo e religião são inimigos naturais é comum, e tem base em episódios reais, como a destruição de igrejas e mesquitas na URSS e a proibição total da prática religiosa na Albânia. Mas ela é incompleta. Desde o século XIX, cristãos fundaram associações socialistas; no século XX, padres e freiras latino-americanos participaram de movimentos revolucionários; líderes muçulmanos e budistas formularam versões próprias de socialismo; e, no Brasil, comunidades eclesiais de base tiveram papel importante em movimentos populares.
Este explicador distingue quatro planos que costumam ser confundidos: a crítica teórica da religião feita por Marx e outros autores; a política de Estado dos governos que se declararam socialistas (da separação entre Igreja e Estado ao ateísmo de Estado); a militância religiosa socialista, de várias religiões; e as relações de cooperação e conflito entre Igrejas e governos socialistas, que mudaram ao longo do tempo.
O critério comum para avaliar todos os casos é a liberdade religiosa, incluindo a liberdade de não ter religião.
Marx e o "ópio do povo": o contexto completo
A frase mais citada de Marx sobre religião está na Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, escrita entre dezembro de 1843 e janeiro de 1844 e publicada nos Deutsch-Französische Jahrbücher, em Paris, em fevereiro de 1844 1. O parágrafo completo diz, em tradução livre da redação a partir do original alemão e da versão inglesa do Marxists Internet Archive: "A miséria religiosa é, ao mesmo tempo, a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como é o espírito de situações sem espírito. Ela é o ópio do povo" 1.
Em seguida, Marx escreve que "a abolição da religião como felicidade ilusória do povo é a exigência de sua felicidade real", e que a crítica arrancou as "flores imaginárias" das correntes não para que o homem as carregue sem consolo, mas para que se livre delas 1.
Três pontos de leitura:
- Em 1844, o ópio era também medicamento contra a dor; a imagem descreve a religião como alívio e protesto, não apenas como engano.
- O alvo de Marx é a situação social que, segundo ele, produz a necessidade de consolo religioso. Sua expectativa era que a religião perderia função com a transformação dessas condições, não que devesse ser proibida por decreto.
- O texto é de crítica filosófica, não um programa de governo. Seu uso para justificar perseguições posteriores, ou para negar que Marx fosse crítico da religião, simplifica o texto nos dois sentidos.
Ver Karl Marx e o verbete planejado sobre religião e secularização no marxismo.
Lenin: assunto privado para o Estado, não para o partido
Em "Socialismo e religião" (1905), Lenin formulou a posição que orientou os bolcheviques. Ele defendia a completa separação entre Igreja e Estado, sem subsídios estatais a igrejas, sem menção à religião em documentos oficiais e sem discriminação por crença: "a religião deve ser declarada assunto privado" em relação ao Estado 2. Mas acrescentava que, para o partido do proletariado, a religião "não é assunto privado", e que o partido deveria combater as ideias religiosas por meio da propaganda, sem, contudo, fazer do ateísmo condição formal de filiação nem desviar a luta econômica e política para a questão religiosa 2 (tradução livre da redação).
A distância entre essa formulação, Estado laico, propaganda partidária, e o que veio depois na URSS é parte do debate histórico.
Ateísmo de Estado e perseguição religiosa
Em vários Estados governados por partidos comunistas, a política religiosa foi muito além da separação entre Igreja e Estado.
União Soviética. O Estado confiscou as propriedades da Igreja nos primeiros anos; entre 1922 e 1926, 28 bispos ortodoxos e mais de 1.200 padres foram mortos; em 1925, foi criada a Liga dos Ateus Militantes 3. A partir de 1929, uma onda de fechamentos de igrejas e prisões de sacerdotes reduziu as igrejas abertas de cerca de 54 mil antes da Primeira Guerra Mundial para cerca de 500 em 1941; a Catedral de Cristo Salvador, em Moscou, foi demolida em 1931 3. As mesquitas passaram de cerca de 25 mil em 1917 para cerca de 500 nos anos 1970; a maioria das cerca de 5 mil sinagogas foi fechada 3. Durante a Segunda Guerra, Stálin recorreu à Igreja Ortodoxa para mobilizar o patriotismo, e o número de igrejas abertas voltou a cerca de 22 mil; Khrushchev lançou nova campanha antirreligiosa em 1959, e as igrejas ortodoxas ativas caíram para cerca de 7 mil em 1975 3. Testemunhas de Jeová foram deportados para a Sibéria a partir de 1951 3. Ver União Soviética.
Albânia. Em 1967, o governo do Partido do Trabalho, dirigido por Enver Hoxha, lançou uma campanha para eliminar a vida religiosa: até maio daquele ano, 2.169 igrejas, mesquitas, mosteiros e santuários foram entregues às autoridades, e até o fim do ano todos os templos estavam fechados ou convertidos em depósitos e outros usos 4. A Constituição de 1976 declarava, no artigo 37, que "o Estado não reconhece nenhuma religião", e o país foi apresentado como o primeiro Estado constitucionalmente ateu; mais de 200 clérigos foram presos, alguns executados ou mortos por fome nas prisões 4. A proibição da prática religiosa foi oficialmente suspensa em dezembro de 1990 4.
Na China, a Revolução Cultural (1966–1976) atacou templos, igrejas e mesquitas; as restrições a grupos religiosos não registrados e a minorias continuam a ser denunciadas por organizações de direitos humanos (tema dos verbetes próprios).
Esses episódios são documentados e devem ser apresentados sem atenuação. Eles mostram também que "ateísmo de Estado" não é sinônimo de laicidade: o Estado laico não toma partido entre crenças; o ateísmo de Estado combate ativamente a religião.
Teologia da libertação
Na América Latina, a partir do fim dos anos 1960, a teologia da libertação propôs ler o Evangelho a partir da situação dos pobres. O padre peruano Gustavo Gutiérrez cunhou o termo e publicou, em 1971, Teología de la liberación 8 9. A expressão "opção preferencial pelos pobres" foi popularizada por teólogos como Juan Luis Segundo e Jon Sobrino, e as comunidades eclesiais de base mobilizaram populações pobres em lutas por terra, direitos trabalhistas e democracia 8. A corrente apoiou-se fortemente na análise social marxista das desigualdades e das classes, sem adotar o marxismo como um todo 8.
O Vaticano reagiu. A Instrução sobre alguns aspectos da "teologia da libertação", de 6 de agosto de 1984, assinada pelo cardeal Joseph Ratzinger como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, reafirmou a "opção preferencial pelos pobres" e condenou a injustiça, mas criticou o uso de "conceitos tomados acriticamente da ideologia marxista", a ideia de luta de classes como lei objetiva da história e a redução política da fé 10.
Na Nicarágua sandinista, padres ocuparam cargos no governo. O poeta e sacerdote Ernesto Cardenal, fundador da comunidade de Solentiname, foi ministro da Cultura de 1979 a 1987; na visita de 1983, o papa João Paulo II repreendeu-o publicamente, e em fevereiro de 1984 ele foi suspenso do exercício do sacerdócio, suspensão retirada pelo papa Francisco em 2019 11. Cardenal rompeu com a Frente Sandinista em 1994, criticando o autoritarismo de Daniel Ortega 11. Em El Salvador, o arcebispo Óscar Romero tornou-se símbolo da resistência contra violações de direitos humanos 8.
Entre os teólogos da libertação, muitos recusavam o rótulo "socialista"; outros, como os participantes do movimento Cristãos pelo Socialismo no Chile dos anos 1970, o assumiam. Ver o verbete planejado sobre a teologia da libertação.
Conflito e cooperação: Cuba e Nicarágua
As relações entre Igrejas e governos socialistas mudaram ao longo do tempo.
Cuba. Depois de 1959, o governo restringiu a prática religiosa e muitos sacerdotes deixaram o país; os crentes foram impedidos de entrar no Partido Comunista até 1991 12. Em 1992, uma reforma constitucional passou a definir Cuba como Estado laico, e não mais ateu; o país recebeu as visitas de João Paulo II (1998), Bento XVI (2012) e Francisco (2015) 12. Grupos religiosos continuam obrigados a registrar-se no Escritório de Assuntos Religiosos, e grupos minoritários, inclusive de religiões de matriz africana, relatam restrições e assédio 12. Ver Cuba (1959–presente).
Nicarágua. Se nos anos 1980 havia sacerdotes no governo sandinista, nas décadas seguintes a relação se inverteu. Desde 2018, quando membros da Igreja Católica se ofereceram como mediadores durante protestos de massa e manifestaram apoio aos manifestantes, o governo de Daniel Ortega passou a perseguir o clero: em agosto de 2022, o bispo Rolando Álvarez foi detido e posto em prisão domiciliar e outros sete religiosos foram presos, o que levou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos a pedir respeito à liberdade religiosa 13. Se o governo Ortega das últimas décadas pode ser chamado de socialista é, ele próprio, objeto de debate.
Socialismo islâmico e socialismo árabe (debatidos)
Socialismo islâmico designa formulações de líderes e pensadores muçulmanos que viam no Corão e na tradição, por exemplo, na esmola obrigatória (zakat), fundamentos para a justiça social e a redistribuição 14. Entre os nomes associados aparecem Jamal al-Din al-Afghani, o paquistanês Zulfikar Ali Bhutto e seu Partido do Povo do Paquistão, o iraniano Ali Shariati (influenciado pelo marxismo), Sukarno e Tan Malaka na Indonésia e Muammar Gaddafi na Líbia 14. É uma família heterogênea, que muitos autores descrevem como sincrética.
Socialismo árabe combinou nacionalismo pan-árabe e socialismo. O Partido Baath, cuja constituição de 1947 defendia redistribuição da riqueza e propriedade estatal de recursos naturais e grandes indústrias, protegia também a propriedade privada; seu fundador Michel Aflaq declarou que não buscaria a definição de socialismo nas obras de Marx e Lenin 15. Gamal Abdel Nasser adotou formalmente o "socialismo árabe" na Carta Nacional egípcia de 1962, rejeitou o materialismo histórico e via a religião como parte do tecido social; cooperou com comunistas em alguns momentos e os perseguiu em outros 15.
A classificação desses projetos como "socialistas" é debatida: Nasser dizia que não havia "socialismo árabe", mas uma "aplicação árabe do socialismo"; críticos de esquerda viram neles um compromisso pouco consistente, e governos baathistas reprimiram partidos comunistas 15. Pela regra desta enciclopédia, é preciso distinguir autodefinição oficial, programa e organização econômica efetiva.
Budismo e socialismo: U Nu e outros
O socialismo budista reúne propostas que associam metas socialistas e igualitárias a ensinamentos budistas, tratando a transformação interior e a mudança das relações socioeconômicas como interdependentes; surgiu na Ásia dos séculos XIX e XX em resposta ao colonialismo e ao capitalismo global 16.
O nome mais associado é U Nu, primeiro-ministro da Birmânia (atual Mianmar) após a independência, que combinava princípios do budismo Theravada com uma economia socialista democrática: o Estado cuidaria das necessidades materiais, e o budismo, das espirituais; em 1952, seu governo lançou o plano Pyidawtha ("Terra Feliz"), tentativa de Estado de bem-estar budista 16. O economista E. F. Schumacher, então consultor da ONU junto a U Nu, cunhou em 1956 a expressão "economia budista" 16. O golpe de Ne Win em 1962 encerrou esse período e instaurou o "Caminho Birmanês para o Socialismo", secular e autoritário, distinto do modelo de U Nu 16.
Outros nomes: o monge tailandês Buddhadasa Bhikkhu ("socialismo dhâmmico"), Norodom Sihanouk no Camboja, S. W. R. D. Bandaranaike no Sri Lanka e B. R. Ambedkar, na Índia, que ligou o socialismo democrático à superação das castas e fundou o budismo Navayana 16.
Liberdade religiosa como critério
Diante dessa variedade, a pergunta útil não é "socialismo é contra ou a favor da religião?", mas: em cada caso, crentes e não crentes podiam praticar, mudar ou abandonar sua fé, organizar-se e expressar-se sem perseguição? A tabela abaixo distingue modelos de relação entre Estado e religião que aparecem nas experiências tratadas neste explicador. Ela permite comparar, com o mesmo critério, Estados socialistas, capitalistas, confessionais e laicos.
O que segue em debate
- Marx e a perseguição. A perseguição religiosa na URSS e na Albânia decorreu da teoria marxista ou foi uma escolha política de regimes específicos? Defensores da primeira leitura apontam o ateísmo militante do movimento comunista; da segunda, lembram textos como o de Lenin de 1905 e experiências de convivência.
- Fé e análise marxista. É possível usar a análise social marxista sem aderir ao materialismo filosófico? Teólogos da libertação dizem que sim; a instrução vaticana de 1984 e muitos marxistas, por razões opostas, duvidam.
- Classificação. Socialismo islâmico, árabe e budista são socialismos, nacionalismos com política social ou categorias próprias? A resposta depende do critério adotado.
- Religião e movimentos populares hoje. No Brasil e em outros países, o peso crescente de igrejas evangélicas e o histórico das comunidades eclesiais de base alimentam debates sobre a relação entre esquerda e religião.
- Liberdade religiosa em Estados socialistas atuais. A situação em China, Vietnã, Laos, Cuba e Coreia do Norte é objeto de relatórios contraditórios, que devem ser lidos considerando quem os produz.
Comparações
Tabelas resumem tendências gerais; cada linha simplifica debates que o texto detalha. Classificações sobrepostas não são exclusivas.
| Critério | Princípio | Exemplo histórico | Situação da liberdade religiosa |
|---|---|---|---|
| Laicidade com propaganda partidária (programa de Lenin, 1905) | Estado neutro; partido faz propaganda ateia | Formulação bolchevique antes de 1917 | Garantida em princípio; prática posterior divergiu |
| Ateísmo de Estado repressivo | Estado combate ativamente a religião | URSS (fases de 1929–1941 e 1959–1964); Albânia (1967–1990) | Suprimida ou severamente restringida |
| Acomodação controlada | Religião tolerada sob registro e vigilância | URSS na Segunda Guerra; Cuba após 1992 | Parcial; restrições a grupos não registrados |
| Socialismo de inspiração religiosa | Fé como fundamento da justiça social | Socialismo cristão inglês; U Nu na Birmânia; socialismo islâmico | Variável; religião majoritária pode ser privilegiada |
| Conflito entre governo e Igreja | Igreja vista como oposição | Nicarágua após 2018 | Restrições, prisões e expulsões de clérigos |
Quadro esquemático; um mesmo país passou por modelos diferentes em épocas diferentes. Fontes: Socialism and Religion, Religion in the Soviet Union (verbete), Religion in Albania (verbete), Religion in Cuba (verbete), Buddhist socialism (verbete), Democracy Tracker, Nicaragua, August 2022.
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Paráfrase
“A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como é o espírito de situações sem espírito. Ela é o ópio do povo.”
Die Religion ist der Seufzer der bedrängten Kreatur, das Gemüt einer herzlosen Welt, wie sie der Geist geistloser Zustände ist. Sie ist das Opium des Volkes.
Karl Marx, Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (1844). Tradução livre da redação; o original alemão foi transcrito de memória e deve ser conferido na MEGA² ou na MEW antes da publicação; a versão inglesa do MIA foi consultada.
Fonte: A Contribution to the Critique of Hegel's Philosophy of Right: Introduction
- Paráfrase
“A religião deve ser declarada assunto privado.”
Lenin, "Socialismo e religião" (1905), em relação ao Estado. Tradução livre da redação a partir da versão inglesa do MIA.
Fonte: Socialism and Religion
Cronologia
fevereiro de 1844
Marx publica a Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel.1
1848
Movimento socialista cristão na Inglaterra (Maurice, Kingsley, Ludlow).5
15 de maio de 1891
Rerum Novarum rejeita a comunidade de bens socialista.7
3 de dezembro de 1905
Lenin publica "Socialismo e religião".2
1925
Criação da Liga dos Ateus Militantes na URSS.3
1952
U Nu lança o plano Pyidawtha na Birmânia.16
1962
Carta Nacional egípcia adota o socialismo árabe; golpe de Ne Win na Birmânia.15
1967
Albânia fecha todos os templos religiosos.4
1971
Gustavo Gutiérrez publica Teología de la liberación.9
6 de agosto de 1984
Instrução do Vaticano sobre a teologia da libertação.10
dezembro de 1990
Albânia suspende a proibição da prática religiosa.4
1992
Reforma constitucional define Cuba como Estado laico.12
19 de agosto de 2022
Detenção do bispo Rolando Álvarez na Nicarágua.13
Bibliografia comentada
Karl Marx. A Contribution to the Critique of Hegel's Philosophy of Right: Introduction (1844)
Leitura obrigatória antes de citar o 'ópio do povo': o parágrafo inteiro muda o sentido da frase isolada.
V. I. Lenin. Socialism and Religion (1905)
Texto curto que separa a política de Estado (laicidade) da política do partido (propaganda ateia); útil para medir a distância em relação à prática soviética posterior.
Gustavo Gutiérrez. Teología de la liberación: perspectivas (1971)
Obra fundadora da teologia da libertação.
Congregação para a Doutrina da Fé (cardeal Joseph Ratzinger, prefeito). Instruction on Certain Aspects of the "Theology of Liberation" (Libertatis nuntius) (1984)
A crítica oficial da Igreja ao uso do marxismo pela teologia da libertação, que ao mesmo tempo reafirma a opção pelos pobres.
Religion in Albania (verbete)
Ponto de partida para o caso mais extremo de ateísmo de Estado; dados a conferir em historiografia albanesa.
Buddhist socialism (verbete)
Panorama das formulações budistas de socialismo, de U Nu a Ambedkar.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Karl Marx. A Contribution to the Critique of Hegel's Philosophy of Right: Introduction. Marxists Internet Archive (versão inglesa), 1844.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Publicado nos Deutsch-Französische Jahrbücher, Paris, fevereiro de 1844. A página não identifica o tradutor. A página em português do Arquivo Marxista foi removida (redireciona ao índice).
- 2V. I. Lenin. Socialism and Religion. Marxists Internet Archive (Collected Works, vol. 10, Progress Publishers, 1965; trad. Andrew Rothstein), 1905.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Publicado originalmente em Novaya Zhizn, n. 28, 3 de dezembro de 1905.
- 3Religion in the Soviet Union (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Números a conferir em historiografia especializada.
- 4Religion in Albania (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 5Frederick Denison Maurice (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 7Papa Leão XIII. Rerum Novarum: encíclica sobre a condição dos operários. Santa Sé (vatican.va), versão em inglês, 1891.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Passagens usadas: §§ 4–6, 8, 15 e 22 da versão inglesa.
- 8Liberation theology (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 9Gustavo Gutiérrez. Teología de la liberación: perspectivas. Lima, 1971.[Fonte primária · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação.
- 10Congregação para a Doutrina da Fé (cardeal Joseph Ratzinger, prefeito). Instruction on Certain Aspects of the "Theology of Liberation" (Libertatis nuntius). Santa Sé (vatican.va), versão em inglês, 1984.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Datada de 6 de agosto de 1984; a expressão sobre conceitos marxistas está na seção VI, § 10.
- 11Ernesto Cardenal (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 12Religion in Cuba (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 13Democracy Tracker, Nicaragua, August 2022. International IDEA.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
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- Albânia socialista (verbete planejado)País e experiência históricaFonte: Religion in Albania (verbete)
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP (assistida por IA)
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.291 palavras · 16 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação do explicador. Abertos nesta sessão: Introdução de 1844 de Marx (MIA, inglês), "Socialismo e religião" de Lenin (MIA), Rerum Novarum e Libertatis nuntius (vatican.va), relatório do International IDEA sobre a Nicarágua (ago. 2022) e verbetes da Wikipedia sobre religião na URSS, na Albânia e em Cuba, F. D. Maurice, socialismo cristão, teologia da libertação, Ernesto Cardenal, socialismo islâmico, árabe e budista. Pendentes: conferir o original alemão de Marx (MEGA²/MEW) e uma tradução publicada em português; números da perseguição religiosa na URSS em historiografia especializada; Gutiérrez não foi aberto; China e Vietnã só mencionados; Kingsley e Ludlow sem fonte própria.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Socialismo e religião. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/socialismo-e-religiao.
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Socialismo cristão e socialismo religioso
Na Inglaterra, depois das manifestações cartistas de 1848, o teólogo anglicano Frederick Denison Maurice liderou, até 1854, o movimento dos socialistas cristãos, com Charles Kingsley e John Malcolm Ludlow, entre outros 5 6. Maurice considerava a concorrência anticristã e via nas associações cooperativas uma forma moderna do "comunismo cristão primitivo"; em 1849 o grupo criou oficinas cooperativas em Londres, várias delas deficitárias, e em 1850 Maurice presidiu a Sociedade para a Promoção de Associações de Trabalhadores 5. Em 1854, fundou o Working Men's College, escola para trabalhadores 5. Sua liderança no movimento e suas posições teológicas custaram-lhe a demissão do King's College de Londres 5. Ludlow editou o periódico The Christian Socialist (1850) 6.
Esse socialismo cristão era reformista e cooperativista, bem distante do marxismo. No século XX surgiram correntes de "socialismo religioso" na Europa de língua alemã, com teólogos protestantes como Paul Tillich 6, e organizações internacionais de socialistas religiosos.
A Igreja Católica, por sua vez, rejeitou o socialismo em documentos oficiais: a Rerum Novarum (1891) afirmou que "o princípio central do socialismo, a comunidade de bens, deve ser completamente rejeitado" 7 (tradução livre da redação), ao mesmo tempo em que criticava a exploração dos operários e defendia associações de trabalhadores. A democracia cristã, surgida depois, incorporou valores de justiça social sem aderir ao socialismo 6.