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CorrentePublicado

Feminismos socialistas e marxistas

Da "questão da mulher" no movimento operário à teoria da reprodução social

Conjunto de correntes que relacionam a opressão das mulheres à organização do trabalho, da família e da propriedade no capitalismo. Vai das socialistas do século XIX e da Segunda Internacional às teorias da reprodução social e às análises que integram raça e classe.

Também: feminismo marxista · feminismo socialista · marxismo feminista · socialist feminism · Marxist feminism

Índice e ficha

Chamam-se feminismos socialistas e marxistas as correntes que procuram explicar a opressão das mulheres a partir da organização social do trabalho, da família e da propriedade, e que vinculam a emancipação das mulheres à transformação socialista da sociedade. O plural é deliberado: a tradição inclui autoras que se diziam socialistas mas recusavam o rótulo "feminista" (como Clara Zetkin, que combatia o "feminismo burguês"), feministas marxistas dos anos 1970, feministas socialistas que combinaram marxismo e feminismo radical, e teóricas contemporâneas da reprodução social. As classificações se sobrepõem e não são exclusivas.

Dois eixos atravessam a história dessas correntes. O primeiro é a pergunta sobre a origem e a base material da opressão das mulheres: propriedade privada e família (Engels), trabalho doméstico não pago (debate dos anos 1970), reprodução da força de trabalho (teoria da reprodução social). O segundo é a relação entre classe, gênero e raça: se a opressão das mulheres é um efeito do capitalismo, um sistema próprio (o patriarcado) que se articula com ele, ou parte de uma totalidade social única. Este verbete apresenta as precursoras, os clássicos do movimento operário, as experiências soviéticas, o feminismo marxista e socialista dos anos 1960–1980, a reprodução social, as interseções com raça, a contribuição brasileira e os debates. Ver também Alexandra Kollontai, Flora Tristan e Socialismo e questão racial.

Precursoras: primeiros socialistas e Flora Tristan

Fatos documentadosFormulação teórica

A crítica da condição das mulheres esteve presente no primeiro socialismo (ver Socialismo utópico). Fourier criticou a família e o casamento de sua época, e Engels lhe atribuiu a ideia de que o grau de emancipação da mulher é a medida natural da emancipação geral 1. Em 1825, Anna Wheeler e William Thompson argumentaram que o trabalho doméstico não pago sustentava a ordem econômica 2. Os owenistas debateram a igualdade entre os sexos em suas comunidades.

Flora Tristan (1803–1844), escritora franco-peruana, ligou explicitamente a emancipação das mulheres à dos trabalhadores. Depois de relatar sua viagem ao Peru em Peregrinações de uma pária (1838) e as condições operárias inglesas em Passeios em Londres (1840), publicou em 1843 A União Operária, em que propunha uma associação de todos os trabalhadores e defendia a educação das mulheres; percorreu a França em 1843–1844 para promover o projeto e morreu em Bordeaux em 1844 3 2. Foi avó do pintor Paul Gauguin.

Os clássicos do movimento operário: Engels e Bebel

Formulação teóricaDocumento de época

Em A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884), escrita a partir de notas de Marx sobre o antropólogo Lewis H. Morgan, Engels associou a subordinação das mulheres ao surgimento da propriedade privada e da família monogâmica patriarcal. Escreveu que a primeira oposição de classes coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre homem e mulher no casamento monogâmico, e a primeira opressão de classe com a do sexo feminino pelo masculino; e que a primeira condição para a libertação da mulher é a volta de todo o sexo feminino à indústria pública 4. A base antropológica da obra (o esquema evolutivo de Morgan) foi largamente superada, mas sua tese de que a opressão das mulheres tem origem histórica, e não natural, marcou toda a tradição.

August Bebel (1840–1913), dirigente do Partido Social-Democrata alemão, publicou em 1879 A mulher e o socialismo, uma das obras socialistas mais lidas do seu tempo, que passou por dezenas de edições 5. O livro percorre a condição das mulheres na história, discute casamento, prostituição, trabalho industrial, educação e direitos políticos sob o capitalismo e projeta a "mulher no futuro" socialista 5.

Esses textos fixaram a posição da Segunda Internacional: a "questão da mulher" seria parte da questão social, resolvida com o socialismo; no presente, o partido apoiaria o sufrágio feminino, a proteção do trabalho das mulheres e a igualdade de direitos.

Clara Zetkin, Alexandra Kollontai e o movimento socialista de mulheres

Fatos documentadosFormulação teórica

Clara Zetkin (1857–1933) foi a principal organizadora do movimento socialista de mulheres na Alemanha e no plano internacional. Dirigiu o jornal Die Gleichheit ("A Igualdade"), da social-democracia, até 1917; opôs-se ao que chamava de feminismo burguês, por dividir a classe trabalhadora, e sustentou que a emancipação das mulheres exigia o socialismo 6. Passou pelo SPD, pelo USPD e, a partir de 1918–1919, pelo Partido Comunista Alemão, que representou no Reichstag de 1920 a 1933; em 1932, como deputada mais velha, presidiu a abertura da legislatura e conclamou a uma frente única contra o fascismo. Morreu no exílio, perto de Moscou, em 1933 6.

Alexandra Kollontai (1872–1952), em As bases sociais da questão feminina (1909), polemizou com as feministas liberais russas: a subordinação das mulheres teria raízes econômicas, e "as mulheres só podem tornar-se verdadeiramente livres e iguais num mundo organizado segundo novas linhas sociais e produtivas"; reformas parciais importavam, mas a frente única de mulheres de todas as classes seria irrealista 7. Depois de outubro de 1917, foi comissária do povo para a Assistência Social, primeira mulher num governo, e participou da fundação do Zhenotdel, o departamento de mulheres do partido (1919). Alinhou-se à Oposição Operária em 1920–1921 e foi afastada para postos diplomáticos a partir de 1922; mais tarde aceitou as políticas stalinistas 8.

O Dia Internacional da Mulher

Fatos documentados

O Partido Socialista da América organizou um "Dia da Mulher" em Nova York em 28 de fevereiro de 1909. Em 1910, na Conferência Internacional de Mulheres Socialistas de Copenhague, delegadas alemãs, entre elas Clara Zetkin, Käte Duncker e Paula Thiede, propuseram a realização anual de um Dia da Mulher, sem fixar data 9. O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 19 de março de 1911, com mais de um milhão de participantes na Áustria-Hungria, na Dinamarca, na Alemanha e na Suíça 9. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário juliano), operárias têxteis de Petrogrado iniciaram as manifestações que abriram a Revolução de Fevereiro; em 1921, a Segunda Conferência Internacional de Mulheres Comunistas, presidida por Zetkin, fixou o 8 de março 9 6. A ONU passou a celebrar a data em 1975 e, em 1977, a Assembleia Geral convidou os Estados a proclamarem um dia pelos direitos das mulheres 9 10. A versão de que a data lembraria um incêndio ou greve de operárias de Nova York em 1857 é considerada mito pela historiografia citada pela fonte 9.

A experiência soviética: avanços e recuos

Fatos documentadosAvaliação crítica

Os primeiros anos da Rússia soviética trouxeram mudanças jurídicas profundas: casamento civil e divórcio facilitado, igualdade formal entre os sexos, fim da distinção entre filhos legítimos e ilegítimos e, em 1920, a legalização do aborto, a primeira no mundo. O Zhenotdel organizou campanhas de alfabetização e de participação política das mulheres, inclusive na Ásia Central muçulmana, onde a campanha contra o véu (hujum, a partir de 1927) provocou violência contra as mulheres que o retiraram. O Zhenotdel foi extinto em 1930, e em 1936 o aborto voltou a ser proibido, num movimento de revalorização da família; foi legalizado de novo em 1955. Essas datas e informações são amplamente registradas na historiografia, mas não foram conferidas em fonte aberta nesta redação e devem ser verificadas (ver União Soviética).

A historiografia discute o balanço: para umas autoras, o Estado soviético promoveu a entrada massiva das mulheres no trabalho assalariado e na educação, mas manteve sobre elas a "dupla jornada" do trabalho doméstico; para outras, o recuo dos anos 1930 mostra a subordinação da agenda feminista às prioridades do Estado. Kollontai, que defendia a socialização do cuidado e uma nova moral sexual, foi marginalizada.

Feminismo marxista e socialista nos anos 1960–1980

Formulação teóricaFatos documentadosDebate em aberto

Com a "segunda onda" feminista, a relação entre marxismo e feminismo foi rediscutida. A expressão "feminismo socialista" aparece, ao que se sabe pela primeira vez, num documento de 1972 do Chicago Women's Liberation Union 2. Feministas radicais sustentavam que o patriarcado era a opressão fundamental; feministas marxistas e socialistas procuraram explicar a opressão das mulheres sem reduzi-la à classe, mas sem separá-la da economia 2.

O debate sobre o trabalho doméstico e a campanha Salário para o Trabalho Doméstico

Fatos documentadosFormulação teóricaProposta política

A Campanha Internacional Salário para o Trabalho Doméstico (Wages for Housework) foi fundada em 1972 por Mariarosa Dalla Costa, Silvia Federici, Brigitte Galtier e Selma James 11. Em Pádua atuava o grupo Lotta Feminista, de Dalla Costa e Federici. O livro de Dalla Costa e James O poder das mulheres e a subversão da comunidade (1972) ajudou a abrir o chamado "debate sobre o trabalho doméstico": o trabalho de casa e de cuidado não é um serviço privado de amor, mas trabalho que produz e reproduz a força de trabalho, da qual o capital depende 11. Em 1975, Federici argumentou em Salário contra o trabalho doméstico que apresentar esse trabalho como ato de amor mantém as mulheres sem pagamento, dependentes e com menos capacidade de se organizar 11.

A reivindicação dividiu feministas: críticas afirmaram que um salário doméstico cristalizaria a divisão sexual do trabalho e que o objetivo deveria ser libertar as mulheres do trabalho doméstico, por sua socialização; defensoras responderam que o emprego assalariado, por si só, não acaba com a "dupla jornada" 11. Angela Davis, em Mulheres, raça e classe (1981), defendeu a socialização do trabalho doméstico e a participação no trabalho assalariado como caminho 12. Federici desenvolveu depois uma história da caça às bruxas e da acumulação primitiva em Calibã e a bruxa (2004) 13.

Sistemas duplos × teoria unitária

Formulação teóricaDebate em aberto

Em 1979, a economista Heidi Hartmann publicou O casamento infeliz do marxismo e do feminismo: por uma união mais progressista, em que argumentava que a relação entre os dois tinha sido desigual, o marxismo, "cego ao sexo", absorvera o feminismo, e que era preciso analisar a combinação de patriarcado e capitalismo como dois sistemas distintos e articulados (teoria dos sistemas duplos) 14. O texto foi debatido no volume Women and Revolution (1981), organizado por Lydia Sargent; ali, Iris Marion Young criticou a teoria dos sistemas duplos e propôs uma análise unificada, sustentando que o esquema de Hartmann ainda dava primazia à teoria marxista das relações de produção sobre a teoria das relações de gênero 14.

A alternativa "unitária" teve sua formulação mais influente em Lise Vogel, Marxism and the Oppression of Women: Toward a Unitary Theory (1983): a opressão das mulheres decorreria do lugar que ocupam na reprodução da força de trabalho, da qual depende a acumulação capitalista, de modo que gênero e classe fazem parte de uma única totalidade social 15.

Teoria da reprodução social

Formulação teórica

A partir dos anos 2010, a obra de Vogel foi retomada e ampliada sob o nome de teoria da reprodução social. A ideia central é que o capitalismo depende de atividades que produzem e regeneram a força de trabalho, gestação e criação de filhos, alimentação, cuidado de doentes e idosos, educação, saúde, realizadas em parte sem pagamento nas famílias e em parte em serviços públicos e mercantis; as crises dessas atividades ("crise do cuidado") são parte das crises do capitalismo. O volume Social Reproduction Theory (2017), organizado por Tithi Bhattacharya, reuniu essa linha 16.

A filósofa Nancy Fraser desenvolveu uma crítica do capitalismo como "ordem social institucionalizada" que depende de condições não econômicas, reprodução social, natureza, poder político, expropriação racializada, que ele mesmo tende a consumir; com Cinzia Arruzza e Tithi Bhattacharya, assinou o manifesto Feminismo para os 99% (2019) 17. Fraser também criticou o "feminismo liberal" corporativo, que estaria em sintonia com o neoliberalismo.

Interseções com raça: Claudia Jones, Combahee, Angela Davis

Formulação teóricaFatos documentadosAvaliação crítica

Feministas negras e de outras minorias criticaram tanto o feminismo branco de classe média quanto o marxismo que ignorava o racismo 2. A comunista caribenho-americana Claudia Jones, nos anos 1940–1950, falou da "superexploração" das mulheres negras, oprimidas como trabalhadoras, como negras e como mulheres 2. O Coletivo Combahee River, de feministas negras socialistas de Boston, publicou em 1977 uma declaração que tratava as opressões de raça, sexo, classe e sexualidade como sistemas interligados e se declarava socialista (texto não aberto nesta redação).

Angela Davis, filósofa e militante comunista, publicou em 1981 Mulheres, raça e classe, coleção de ensaios que vai do trabalho das mulheres escravizadas à crítica do racismo nos movimentos sufragista e feminista e à denúncia da esterilização forçada de mulheres negras e porto-riquenhas, ligada a correntes eugenistas 12. A obra é apontada como uma das primeiras análises interseccionais de raça, gênero e classe; o termo "interseccionalidade" foi formulado pela jurista Kimberlé Crenshaw em 1989 12 2. Ver Socialismo e questão racial.

No Brasil: Heleieth Saffioti e depois

Fatos documentadosFormulação teórica

A socióloga Heleieth Saffioti (1934–2010) escreveu entre dezembro de 1966 e fevereiro de 1967 a tese de livre-docência A mulher na sociedade de classes: mito e realidade, defendida em 1967 na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara e publicada em livro em 1969 pela pequena editora Quatro Artes; seguiram-se edições pela Vozes (1976, 1979), a edição norte-americana pela Monthly Review Press (1978, Women in Class Society) e reedições recentes 18. A Wikipédia em português registra Florestan Fernandes como orientador da tese, informação que não aparece na fonte acadêmica consultada e deve ser conferida 19 (ver Florestan Fernandes).

Segundo a leitura de Falquet, Mano e Gonçalves, a tese sustenta que o capitalismo alternadamente absorve as mulheres na produção e as devolve à família como exército de reserva, rebaixando salários e dividindo a classe trabalhadora; que a opressão das mulheres permite extrair mais-valia absoluta por meio de jornadas longas e salários menores; e que o capitalismo não pode oferecer integração social plena às mulheres enquanto subsistir a propriedade privada dos meios de produção 18. A obra é considerada fundadora dos estudos sobre mulheres no Brasil. Em trabalhos posteriores, Saffioti dedicou-se à violência de gênero e à articulação entre patriarcado, racismo e capitalismo 19. No Brasil, a tradição também se expressa em pesquisas sobre trabalho doméstico remunerado, majoritariamente exercido por mulheres negras, em movimentos de mulheres ligados a partidos e sindicatos e no feminismo negro brasileiro (Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro), que dialogou criticamente com o marxismo.

Debates e críticas

Debate em abertoAvaliação crítica
  • Classe × gênero: marxistas ortodoxos acusaram feministas de dividir a classe; feministas radicais acusaram marxistas de subordinar as mulheres à "causa geral". A teoria da reprodução social apresenta-se como superação dessa oposição; críticos dizem que ela ainda privilegia a economia sobre a cultura e a sexualidade.
  • Sistemas duplos × unitária: o patriarcado é um sistema autônomo, anterior ao capitalismo, ou uma dimensão das relações sociais capitalistas? Ver acima.
  • Salário doméstico × socialização do cuidado: pagar o trabalho doméstico ou transferi-lo para serviços públicos e coletivos? Ver acima.
  • Engels e a antropologia: a tese de uma "derrota histórica" ligada à propriedade privada repousa em esquemas evolutivos superados; autoras como Eleanor Leacock defenderam uma versão revista, outras a abandonaram.
  • Balanço dos Estados socialistas: avanços em emprego, educação e direitos formais conviveram com dupla jornada, sub-representação das mulheres nos órgãos dirigentes e recuos (como a proibição do aborto na URSS em 1936). Comparações com países capitalistas exigem indicadores e períodos compatíveis (ver Como avaliar realizações e violações das experiências socialistas?).
  • Raça, sexualidade e colonialidade: feministas negras, lésbicas e do Sul global criticaram a centralidade da mulher branca, heterossexual e europeia nessas teorias 2.

Comparações

Tabelas resumem tendências gerais; cada linha simplifica debates que o texto detalha. Classificações sobrepostas não são exclusivas.

Principais formulações comparadas
CritérioMovimento operário clássico (Engels, Bebel, Zetkin)Feminismo radicalSistemas duplos (Hartmann)Teoria unitária / reprodução social (Vogel, Bhattacharya)
Origem da opressãopropriedade privada e família patriarcalpatriarcado como sistema fundamentalpatriarcado e capitalismo, articuladoslugar das mulheres na reprodução da força de trabalho
Trabalho domésticoa superar pela entrada na indústria e pela socializaçãoexpressão da dominação masculinabase material do patriarcadoparte da reprodução social de que o capital depende
Estratégiasocialismo; organização de mulheres no partidoorganização autônoma das mulheresaliança entre movimento feminista e socialistalutas no trabalho e na reprodução (cuidado, serviços públicos)

Quadro didático; cada coluna reúne autoras com diferenças relevantes. Fontes: The Origin of the Family, Private Property and the State, cap. II, parte 4 (The Monogamous Family), The Unhappy Marriage of Marxism and Feminism: Towards a More Progressive Union, Marxism and the Oppression of Women: Toward a Unitary Theory.

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

  • Paráfrase
    “A primeira condição para a libertação da mulher é a volta de todo o sexo feminino à indústria pública.”

    the first condition for the liberation of the wife is to bring the whole female sex back into public industry

    Engels, A origem da família, da propriedade privada e do Estado (1884), cap. II.

    Tradução livre da redação a partir da versão inglesa do MIA; conferir em edição brasileira.

    Fonte: The Origin of the Family, Private Property and the State, cap. II, parte 4 (The Monogamous Family)

  • Paráfrase
    “As mulheres só podem tornar-se verdadeiramente livres e iguais num mundo organizado segundo novas linhas sociais e produtivas.”

    Women can become truly free and equal only in a world organised along new social and productive lines.

    Kollontai, As bases sociais da questão feminina (1909).

    Tradução livre da redação a partir da versão inglesa do MIA; original em russo.

    Fonte: The Social Basis of the Woman Question

Cronologia

  1. 1843

    Flora Tristan publica A União Operária.3

  2. 1879

    August Bebel publica A mulher e o socialismo.5

  3. 1884

    Engels publica A origem da família, da propriedade privada e do Estado.4

  4. 1909

    Kollontai publica As bases sociais da questão feminina.7

  5. 1910

    Conferência de Copenhague propõe um Dia Internacional da Mulher.9

  6. 19 de março de 1911

    Primeiro Dia Internacional da Mulher (Áustria-Hungria, Dinamarca, Alemanha, Suíça).9

  7. 8 de março de 1917

    Operárias de Petrogrado iniciam as manifestações da Revolução de Fevereiro.9

  8. 1919

    Criação do Zhenotdel na Rússia soviética.8

  9. 1921

    Conferência de Mulheres Comunistas fixa o 8 de março.9

  10. 1969

    Saffioti publica A mulher na sociedade de classes (Quatro Artes).18

  11. 1972

    Fundação da Campanha Internacional Salário para o Trabalho Doméstico.11

  12. 1977

    Assembleia Geral da ONU convida Estados a proclamar um dia pelos direitos das mulheres.9

  13. 1979

    Heidi Hartmann publica O casamento infeliz do marxismo e do feminismo.14

  14. 1981

    Angela Davis publica Mulheres, raça e classe.12

  15. 1983

    Lise Vogel publica Marxism and the Oppression of Women.15

Bibliografia comentada

  • Friedrich Engels. The Origin of the Family, Private Property and the State, cap. II, parte 4 (The Monogamous Family) (1884)

    O texto clássico que deu origem histórica, e não natural, à opressão das mulheres; base antropológica datada.

  • Alexandra Kollontai. The Social Basis of the Woman Question (1909)

    Formulação socialista da 'questão feminina' em polêmica com o feminismo liberal, às vésperas da revolução.

  • Lise Vogel. Marxism and the Oppression of Women: Toward a Unitary Theory (1983)

    Fundamento da teoria unitária e da teoria da reprodução social.

  • Women, Race and Class (verbete)

    Porta de entrada para Mulheres, raça e classe, obra central para pensar raça, gênero e classe juntos.

  • Jules Falquet, Maíra Kubík Mano e Renata Gonçalves. 50 anos de A mulher na sociedade de classes: o pioneirismo de Heleieth Saffioti e suas contribuições teóricas para os estudos feministas e de gênero (2020)

    Dossiê sobre os 50 anos da obra pioneira de Saffioti, com contexto e principais teses.

  • Tithi Bhattacharya (org.). Social Reproduction Theory: Remapping Class, Recentering Oppression (2017)

    Coletânea que sistematizou a teoria da reprodução social nos anos 2010.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Friedrich Engels. Socialism: Utopian and Scientific, cap. 1. Marxists Internet Archive, 1880.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  2. 2Socialist feminism (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  3. 3Flora Tristan (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  4. 4Friedrich Engels. The Origin of the Family, Private Property and the State, cap. II, parte 4 (The Monogamous Family). Marxists Internet Archive, 1884.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  5. 5August Bebel. Woman and Socialism (índice; trad. Meta L. Stern, ed. do 50º aniversário, 1910). Marxists Internet Archive, 1879.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado apenas o índice e a nota de tradução.
  6. 6Clara Zetkin (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Datas de início da direção de Die Gleichheit inconsistentes na fonte (1891 ou 1892).
  7. 7Alexandra Kollontai. The Social Basis of the Woman Question. Marxists Internet Archive, 1909.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  8. 8Alexandra Kollontai (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  9. 9International Women's Day (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  10. 10Organização das Nações Unidas. International Women's Day, Background. un.org.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Confirma o reconhecimento oficial pela ONU em 1977 e a ligação do 8 de março com 1917.
  11. 11Wages for housework (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  12. 12Women, Race and Class (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  13. 13Silvia Federici. Caliban and the Witch: Women, the Body and Primitive Accumulation. Autonomedia, 2004.[Historiografia · referência bibliográfica]Não consultada nesta redação; tradução brasileira: Calibã e a bruxa (Elefante).
  14. 14Heidi Hartmann. The Unhappy Marriage of Marxism and Feminism: Towards a More Progressive Union. 1979.[Historiografia · referência bibliográfica]Não aberto nesta redação; tese e debate com Iris M. Young (no volume Women and Revolution, org. Lydia Sargent, 1981) conforme resultados de busca. Conferir periódico de publicação original.
  15. 15Lise Vogel. Marxism and the Oppression of Women: Toward a Unitary Theory. Rutgers University Press, 1983.[Historiografia · referência bibliográfica]Não consultada nesta redação; reeditada em 2013 (Brill/Haymarket).
  16. 16Tithi Bhattacharya (org.). Social Reproduction Theory: Remapping Class, Recentering Oppression. Pluto Press, 2017.[Historiografia · referência bibliográfica]Não consultada nesta redação.
  17. 17Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser. Feminism for the 99%: A Manifesto. Verso, 2019.[Fonte primária · referência bibliográfica]Não consultada nesta redação; tradução brasileira: Feminismo para os 99% (Boitempo).
  18. 18Jules Falquet, Maíra Kubík Mano e Renata Gonçalves. 50 anos de A mulher na sociedade de classes: o pioneirismo de Heleieth Saffioti e suas contribuições teóricas para os estudos feministas e de gênero. Cadernos CRH, v. 33 (publicado em 2021), 2020.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  19. 19Heleieth Saffioti (verbete). Wikipédia, em português.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Dá 1976 como ano de publicação (edição Vozes) e datas de morte inconsistentes; usada só para a orientação e a trajetória posterior.

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP (assistida por IA)
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
2.388 palavras · 19 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação inicial. Abertos nesta sessão: Engels (Origem da família, cap. II; Socialismo utópico, cap. 1), Bebel (índice), Kollontai (1909) no MIA; página da ONU sobre o Dia Internacional da Mulher; artigo de Falquet, Mano e Gonçalves (Cadernos CRH/SciELO); verbetes da Wikipedia. Pendentes: conferir a orientação de Florestan Fernandes na tese de Saffioti; conferir em historiografia as datas soviéticas (aborto 1920/1936/1955, Zhenotdel 1930, hujum 1927); abrir Hartmann (1979) e a declaração do Coletivo Combahee River (1977); obras de Vogel, Bhattacharya, Arruzza/Fraser e Federici não consultadas.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Feminismos socialistas e marxistas. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/marxismo-feminista.

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