O socialismo acaba com toda propriedade?
Propriedade pessoal, propriedade dos meios de produção e o que as experiências fizeram
Na maior parte das formulações, não. O alvo é a propriedade privada dos meios de produção, não a casa, os bens de uso ou a poupança. Mas as correntes divergem sobre Estado, cooperativas e mercado, e experiências históricas incluíram coletivizações forçadas.
Índice e ficha
- Período
- 1848–presente
- Área
- Socialismo e comunismo
- Regiões
- Internacional, Europa, Ásia, Caribe
- Temas
- Economia e organização social, Teoria e conceitos, Questão agrária e campesinato, Repressão, violência política e direitos
A pergunta aparece com frequência em debates eleitorais e em conversas de família: "se o socialismo vier, vão tomar a minha casa?". Responder exige separar duas coisas que a linguagem comum mistura sob a palavra "propriedade". De um lado estão os bens de uso pessoal, a moradia, os móveis, a roupa, o carro, a poupança feita com o salário. De outro estão os meios de produção: terras, fábricas, minas, bancos, grandes redes de comércio, plataformas, bens que geram renda para seus donos a partir do trabalho de outras pessoas.
A tradição socialista, em quase todas as suas correntes, dirige sua crítica ao segundo tipo. Isso não encerra a questão, porque as correntes divergem muito sobre o que pôr no lugar (Estado, cooperativas, conselhos de trabalhadores, comunidades locais, mercado regulado) e porque as experiências históricas fizeram coisas diferentes do que os textos diziam, inclusive expropriações de pequenos camponeses que a teoria não previa como alvo.
Este explicador apresenta, em camadas, a distinção conceitual, o que diz o Manifesto, as propostas das principais correntes e das críticas liberais, conservadoras e religiosas, o que diversas experiências efetivamente fizeram, e o que continua em debate. Ele não descreve o programa da Unidade Popular: para isso, ver qual socialismo a up defende.
De que propriedade se fala?
"Propriedade" não é uma coisa só. A literatura socialista e boa parte da ciência social trabalham com pelo menos estas distinções:
- Propriedade pessoal: bens destinados ao uso de quem os possui, escova de dentes, roupa, veículo, moradia própria. Fontes de referência descrevem a propriedade privada, na leitura marxista, como uma relação social entre o proprietário e pessoas privadas desses meios, e a propriedade pessoal como posse de bens de uso 1. Na tradição anarquista, a mesma distinção aparece como oposição entre propriedade de capital e posse de bens de consumo 1.
- Propriedade privada dos meios de produção: a posse, por indivíduos ou sociedades anônimas, de terras, empresas e capital que funcionam com trabalho assalariado. É esse o alvo da crítica socialista clássica.
- Propriedade estatal: o Estado como proprietário, em nome do conjunto da população.
- Propriedade cooperativa: empresas cujos donos são os próprios trabalhadores ou usuários, que decidem em assembleia (ver Cooperativismo).
- Propriedade social: fórmula iugoslava em que os meios de produção não pertencem nem ao Estado nem a indivíduos, sendo geridos por coletivos de trabalhadores (ver Propriedade social e Autogestão).
- Bens comuns ou comunais: recursos geridos por uma comunidade (pastos, florestas, água, conhecimento), tema retomado por correntes como o Ecossocialismo.
A pergunta "o socialismo acaba com a propriedade?" costuma confundir o primeiro item com o segundo. A resposta curta é que a maioria das correntes socialistas propõe transformar a propriedade dos meios de produção e preservar, e, em vários textos, ampliar, a propriedade pessoal. A resposta longa é o restante deste explicador.
O que diz o Manifesto de 1848
O capítulo II do Manifesto do Partido Comunista trata exatamente dessa objeção. Marx e Engels afirmam que "o que distingue o comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa" 2. Respondendo aos críticos que os acusavam de querer abolir a propriedade "adquirida pessoalmente, fruto do trabalho próprio", argumentam que essa pequena propriedade de artesãos e camponeses já estava sendo destruída pelo próprio desenvolvimento da indústria, e que o trabalho assalariado não cria propriedade para o trabalhador, e sim capital para quem o emprega 2.
Duas passagens resumem o argumento. A primeira: "O comunismo não tira a ninguém o poder de se apropriar de produtos sociais; tira apenas o poder de, por esta apropriação, subjugar a si trabalho alheio" 2. A segunda, dirigida à burguesia: "Horrorizais-vos por querermos suprimir a propriedade privada. Mas na vossa sociedade existente, a propriedade privada está suprimida para nove décimos dos seus membros" 2.
Três observações de leitura:
- O Manifesto é um panfleto político de 1848, não um código de leis. Ele indica uma direção, não um inventário do que seria coletivizado.
- A distinção entre apropriar-se de bens para uso e usar a propriedade para "subjugar trabalho alheio" é o núcleo conceitual que reaparece em quase toda a tradição posterior.
- O mesmo capítulo lista medidas para os "países mais adiantados" (como imposto fortemente progressivo, centralização do crédito e expropriação da propriedade fundiária), apresentadas como transitórias e variáveis conforme o país 2. A forma de chegar à propriedade coletiva, gradual ou revolucionária, com ou sem indenização, dividiu as correntes desde então.
O que diferentes correntes propõem
A tabela ao final desta seção resume as posições. Em síntese:
- Marxismo clássico: propriedade comum dos meios de produção, com a ideia de que a pequena propriedade de quem trabalha por conta própria não é o alvo central 2. Marx não deixou um desenho institucional detalhado; ver Crítica do Programa de Gotha para sua discussão sobre fases da sociedade pós-capitalista.
- Marxismo-leninismo (modelo soviético): duas formas de "propriedade socialista", a estatal, "de todo o povo", e a cooperativa ou colcosiana, mais a propriedade pessoal protegida em lei e uma pequena economia privada tolerada, como se vê na Constituição soviética de 1936 (ver adiante) 3. Ver Marxismo-leninismo.
- Autogestão iugoslava: a Propriedade social gerida por conselhos de trabalhadores, em vez da estatização centralizada (ver Iugoslávia socialista (1945–1992)).
- Cooperativismo e socialismo associativo: de Robert Owen aos cooperativistas atuais, a ênfase está em empresas de propriedade dos trabalhadores, convivendo ou não com mercado (ver Cooperativismo e Economia solidária).
- Anarquismo: Pierre-Joseph Proudhon, em O que é a propriedade? (1840), separou a "posse" de quem usa um bem da "propriedade" que permite cobrar renda sem trabalhar 4; o anarcocomunismo defende a propriedade comum e a distribuição segundo as necessidades. Ver Anarquismo.
- Social-democracia: depois da Segunda Guerra, a maior parte dos partidos social-democratas europeus abandonou a meta de socializar o conjunto dos meios de produção e adotou a economia mista; o programa de Bad Godesberg do SPD alemão (1959) é o marco mais citado 5. Ver Social-democracia e Estado de bem-estar é socialismo?.
- Socialismo de mercado: propriedade pública ou cooperativa das empresas, mas coordenação parcial por mercados (ver Socialismo de mercado).
As críticas também vêm de vários lados:
- Liberal: Ludwig von Mises (1920) argumentou que, sem propriedade privada dos meios de produção, não há preços de mercado para bens de capital e, portanto, não há cálculo econômico racional 6; Friedrich Hayek (1944) associou a planificação central à perda de liberdades políticas 7. Ver Debate do cálculo econômico socialista.
- Conservadora e católica: a encíclica Rerum Novarum (1891), de Leão XIII, chamou de "emphatically unjust" (enfaticamente injustas) as propostas socialistas de transformar posses individuais em propriedade comum e afirmou que o homem tem "por natureza" o direito de possuir propriedade como sua 8. O mesmo texto, porém, afirma que os bens devem ser usados como "comuns a todos" no sentido de partilhá-los com os necessitados 8, base de uma doutrina social que critica tanto o socialismo quanto o liberalismo econômico.
O que as experiências históricas fizeram
Os textos teóricos são uma parte da resposta. A outra é o que governos que se declaravam socialistas fizeram com a propriedade. O quadro é variado, e inclui episódios em que a distinção entre propriedade pessoal e meios de produção foi atropelada.
URSS: o que a lei protegia
A Constituição soviética de 1936 definia a base econômica do país como a "propriedade socialista dos meios e instrumentos de produção" e reconhecia duas formas dela: a propriedade estatal, "patrimônio de todo o povo", e a propriedade cooperativa e colcosiana 3. O artigo 7 garantia a cada família de colcosianos um pequeno lote de terra junto à casa, e como propriedade pessoal uma economia auxiliar, a casa de moradia, animais e pequenas ferramentas. O artigo 9 permitia a "pequena economia privada" de camponeses individuais e artesãos baseada no trabalho próprio, "excluindo a exploração do trabalho alheio". O artigo 10 protegia a propriedade pessoal dos rendimentos do trabalho, da poupança, da casa, dos móveis e utensílios, e o direito de herança desses bens 3 (tradução livre da redação, a partir da versão inglesa).
Isso não significa que a vida cotidiana correspondesse ao texto: a escassez crônica de moradia nas cidades, a distribuição de apartamentos estatais por critérios administrativos e a ausência de garantias judiciais efetivas contra o Estado são temas da historiografia da União Soviética.
A coletivização forçada (URSS, 1929–1933)
O caso mais grave de choque entre o discurso e a prática foi a coletivização da agricultura soviética. Em novembro de 1929, a direção do partido optou por uma coletivização acelerada em todo o país; cerca de 7,5% das famílias camponesas estavam em fazendas coletivas em outubro de 1929, e a proporção saltou nos meses seguintes 9. A campanha de "deskulakização" atingiu camponeses classificados como kulaks, categoria elástica, que podia incluir quem tivesse uma ou duas vacas a mais que os vizinhos, segundo Robert Conquest 9. Estimativas citadas na literatura falam em cerca de 1 milhão de famílias, talvez 5 milhões de pessoas, deportadas para assentamentos especiais e campos de trabalho 9.
A coletivização desorganizou a produção: o rebanho bovino soviético caiu de 33,2 milhões de cabeças em 1928 para 27,8 milhões em 1941, e o de cavalos, de 36,1 para 21 milhões; no Cazaquistão, o gado bovino passou de 7 milhões para 1,6 milhão 9. A fome de 1932–1933 matou milhões de pessoas; as estimativas variam conforme o método, com faixas citadas de 5,7 a 8,7 milhões de mortes por fome no conjunto da URSS 9. Para a Ucrânia, R. W. Davies e Stephen Wheatcroft calcularam, a partir dos óbitos registrados, cerca de 1,5 milhão de mortes em excesso registradas em 1932–1933, ressalvando, como lembrou Alec Nove, que o registro de óbitos praticamente parou em muitas áreas durante a fome, o que torna esse número um piso 9. A classificação da fome ucraniana como genocídio (Holodomor) é objeto de debate próprio.
O ponto relevante para esta pergunta: a coletivização expropriou camponeses que trabalhavam a própria terra, exatamente o tipo de pequena propriedade que o Manifesto dizia não ser o alvo. Historiadores divergem sobre as causas (pressão da industrialização acelerada, resistência camponesa, lógica do partido único, ideologia), mas há amplo acordo documental sobre o caráter forçado da campanha e suas consequências. Ver União Soviética, Stalinismo e, para os campos, Sistema Gulag.
China e Vietnã: coletivização e descoletivização
A China também coletivizou a agricultura nos anos 1950, chegando às comunas populares do Grande Salto Adiante (ver Mortes da fome do Grande Salto Adiante). A partir de 1978, com o "sistema de responsabilidade familiar", iniciado por 18 famílias da aldeia de Xiaogang, em Anhui, endossado por Deng Xiaoping em 1980 e oficializado em 1982, a produção voltou a ser organizada por famílias, mas a terra permaneceu em propriedade pública ou coletiva 10.
A Constituição chinesa atual combina as duas coisas: afirma que a base do sistema econômico é a "propriedade pública socialista dos meios de produção" (art. 6), estabelece que a terra urbana pertence ao Estado e a rural, em geral, a coletivos, com direitos de uso transferíveis (art. 10), reconhece as empresas privadas como "componente importante da economia socialista de mercado" (art. 11) e declara "inviolável" a propriedade privada legal dos cidadãos (art. 13) 11. Em 2020, segundo fontes oficiais citadas em obras de referência, as estatais respondiam por cerca de 40% do PIB e o setor privado, doméstico e estrangeiro, pelo restante, números difíceis de medir por causa das formas mistas de propriedade 12.
No Vietnã, o VI Congresso do partido (dezembro de 1986) lançou o Đổi Mới; a Lei de Terras de 1988 reconheceu direitos privados de uso da terra, uma resolução do Comitê Central permitiu aos camponeses deixar as cooperativas, uma lei de 1990 deu base legal às empresas privadas e a Constituição de 1992 reconheceu o setor privado 13.
Cuba: várias formas de propriedade na Constituição de 2019
A Constituição cubana aprovada em referendo em 2019 enumera, no artigo 22, várias formas de propriedade: a socialista de todo o povo, a cooperativa, a das organizações políticas, de massas e sociais, a privada, a mista, a de instituições e formas associativas e a pessoal, deixando à lei regular seu alcance 14. A enumeração foi conferida apenas em análises secundárias; a redação literal deve ser verificada no texto oficial antes da revisão. Ver Cuba (1959–presente).
A casa própria em países do socialismo de Estado
A ideia de que todo imóvel residencial era estatal nos países socialistas da Europa central e oriental não corresponde ao quadro geral. Havia moradia estatal, municipal, cooperativa e de propriedade individual, em proporções muito diferentes de país para país. Pesquisa comparativa de Bence Kováts e Sebastian Kohl sobre sete países da região identifica uma clivagem duradoura entre um grupo "do norte" (Alemanha, Polônia, Tchéquia), com mais habitação coletiva e cooperativa, e um grupo "do sul" (Eslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária), com mais apoio à propriedade individual, diferença que os autores atribuem a escolhas políticas anteriores ao socialismo de Estado e que persistiu durante e depois dele 15. Percentuais por país e por ano devem ser buscados nos censos e nos trabalhos completos, não neste resumo.
Mercado, empresas e cooperativas no socialismo
Outra confusão comum é supor que socialismo significa ausência total de mercado e de empresas autônomas. Também aqui as correntes divergem:
- Para parte da tradição marxista, a meta de longo prazo é substituir a produção para o mercado por uma economia planejada e coordenada democraticamente (ver Planejamento econômico).
- Para defensores do Socialismo de mercado, empresas de propriedade pública ou cooperativa podem competir em mercados, desde que a renda do capital não seja apropriada por proprietários privados.
- Experiências reais misturaram formas: a NEP soviética dos anos 1920, a autogestão iugoslava, as reformas húngaras de 1968, o Đổi Mới vietnamita e a "economia socialista de mercado" chinesa admitiram, em graus diferentes, mercado e propriedade privada 13 12.
- Cooperativas existem dentro de economias capitalistas. O grupo Mondragón, no País Basco, fundado em 1956 a partir de uma oficina de aquecedores (Talleres Ulgor), reunia cerca de 71 mil empregados em 2025, mas nem todos são sócios: na rede varejista Eroski, por exemplo, eram 8.336 sócios-trabalhadores entre mais de 28 mil empregados; a falência da Fagor Electrodomésticos em 2013 mostrou também os limites das cooperativas expostas à concorrência 16. Cooperativismo não é, por si só, socialismo; é uma forma de propriedade que diferentes correntes avaliam de modo distinto (ver Cooperativismo e Economia solidária).
O debate sobre se o socialismo pode funcionar sem preços de mercado para bens de capital, o chamado debate do cálculo econômico, está em Debate do cálculo econômico socialista.
A pergunta no debate público
No debate eleitoral, inclusive no Brasil, a afirmação de que um governo de esquerda "vai tomar sua casa" ou "acabar com a propriedade" é usada com frequência como argumento contra partidos e candidatos que nem sequer propõem socialização dos meios de produção. Do ponto de vista desta enciclopédia, duas confusões devem ser evitadas: tratar como socialista qualquer política redistributiva ou de bem-estar (ver Estado de bem-estar é socialismo?) e, no sentido oposto, ignorar que expropriações forçadas de pequenos proprietários aconteceram em experiências históricas concretas. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo: a teoria socialista majoritária distingue propriedade pessoal de propriedade dos meios de produção, e governos que se diziam socialistas nem sempre respeitaram essa distinção.
O que segue em debate
- Onde passa a fronteira. Um pequeno comércio familiar com dois empregados é propriedade pessoal ou meio de produção? Um segundo apartamento alugado? As correntes respondem de modo diferente, e as experiências traçaram a linha em lugares diferentes (a Constituição soviética de 1936 tolerava a pequena economia "sem exploração do trabalho alheio"; a cubana de 2019 reconhece a propriedade privada com limites legais) 3 14.
- Estatal é social? Para críticos de esquerda, trotskistas, conselhistas, autogestionários, anarquistas, a propriedade estatal sob controle de uma burocracia não equivale à propriedade social; para defensores do modelo soviético, o Estado operário era a forma necessária da propriedade coletiva.
- Mercado e socialismo. Se as reformas chinesa e vietnamita representam uma forma de socialismo com mercado ou uma transição ao capitalismo é uma das questões mais disputadas do debate atual.
- Transição. Indenização ou expropriação; ritmo gradual ou rápido; o que fazer com a pequena propriedade camponesa, a experiência de 1929–1933 pesa nessa discussão.
- Novos objetos. Dados, plataformas digitais, patentes e recursos naturais escassos reabrem a pergunta sobre o que é "meio de produção" no século XXI.
Comparações
Tabelas resumem tendências gerais; cada linha simplifica debates que o texto detalha. Classificações sobrepostas não são exclusivas.
| Critério | Moradia e bens de uso | Grandes meios de produção | Pequeno negócio próprio | Papel do mercado |
|---|---|---|---|---|
| Marxismo clássico (Manifesto) | Não é o alvo | Propriedade comum | Tende a desaparecer com a indústria; não é o alvo central | Superado no longo prazo |
| Modelo soviético (Const. 1936) | Propriedade pessoal protegida | Estatal e colcosiana | Tolerado sem trabalho alheio | Muito restrito |
| Autogestão iugoslava | Pessoal | Propriedade social gerida por trabalhadores | Permitido em pequena escala | Mercado entre empresas |
| Anarquismo | Posse de uso | Comum, sem Estado | Posse de quem trabalha (Proudhon) | Varia: mutualismo ou comunismo |
| Social-democracia (pós-1959) | Privada | Mista, com regulação | Privado | Amplo, regulado |
| Socialismo de mercado | Pessoal | Pública ou cooperativa | Permitido | Central na coordenação |
| China (Const. vigente) | Privada legal 'inviolável' | Pública predominante, privada importante | Privado | 'Economia socialista de mercado' |
Quadro esquemático: dentro de cada corrente houve divergências, e as linhas da URSS e da China descrevem textos legais, não a prática efetiva. Fontes: Manifesto do Partido Comunista, cap. II: Proletários e comunistas, Constitution (Fundamental Law) of the Union of Soviet Socialist Republics (1936), Qu'est-ce que la propriété?, Programa de Godesberg, Constitution of the People's Republic of China (texto de 2018).
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Tradução de texto localizado
“O que distingue o comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa.”
Manifesto do Partido Comunista (1848), cap. II, na edição portuguesa do Arquivo Marxista na Internet.
Fonte: Manifesto do Partido Comunista, cap. II: Proletários e comunistas
- Tradução de texto localizado
“O comunismo não tira a ninguém o poder de se apropriar de produtos sociais; tira apenas o poder de, por esta apropriação, subjugar a si trabalho alheio.”
Manifesto do Partido Comunista (1848), cap. II.
Fonte: Manifesto do Partido Comunista, cap. II: Proletários e comunistas
Cronologia
1840
Proudhon publica O que é a propriedade?4
fevereiro de 1848
Publicação do Manifesto do Partido Comunista.2
15 de maio de 1891
Encíclica Rerum Novarum rejeita a comunidade de bens proposta pelos socialistas.8
novembro de 1929
Direção soviética decide pela coletivização acelerada da agricultura.9
1932
Fome na URSS, com milhões de mortos (estimativas variam conforme o método).9
5 de dezembro de 1936
Constituição soviética protege a propriedade pessoal (art. 10).3
1978
Início do sistema de responsabilidade familiar na China (Xiaogang).10
dezembro de 1986
VI Congresso do Partido Comunista do Vietnã lança o Đổi Mới.13
2019
Nova Constituição cubana enumera formas de propriedade, inclusive a privada.14
Bibliografia comentada
Karl Marx e Friedrich Engels. Manifesto do Partido Comunista, cap. II: Proletários e comunistas (1848)
Texto-base da distinção entre apropriação de bens para uso e propriedade que permite explorar trabalho alheio; curto e direto.
Constitution (Fundamental Law) of the Union of Soviet Socialist Republics (1936) (1936)
Mostra como o modelo soviético classificava as formas de propriedade e o que protegia como propriedade pessoal; ler junto com a historiografia sobre a prática.
Collectivization in the Soviet Union (verbete)
Porta de entrada para a coletivização soviética, com remissões a Davies e Wheatcroft, Viola e outros; números a conferir nas obras originais.
Pierre-Joseph Proudhon. Qu'est-ce que la propriété? (1840)
Formulação clássica anarquista da diferença entre posse e propriedade.
Ludwig von Mises. Die Wirtschaftsrechnung im sozialistischen Gemeinwesen (O cálculo econômico na comunidade socialista) (1920)
Crítica liberal fundadora: sem propriedade privada dos meios de produção, não haveria cálculo econômico racional.
Papa Leão XIII. Rerum Novarum: encíclica sobre a condição dos operários (1891)
Base da crítica católica ao socialismo e, ao mesmo tempo, da doutrina social que limita o uso da propriedade privada.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Personal property (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Seção sobre propriedade pessoal e propriedade privada no marxismo e no anarquismo.
- 2Karl Marx e Friedrich Engels. Manifesto do Partido Comunista, cap. II: Proletários e comunistas. Arquivo Marxista na Internet (transcrição autorizada da edição da Editorial Avante!), 1848.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]A página do capítulo não nomeia o tradutor; o índice da mesma edição no Arquivo Marxista atribui a tradução a José Barata-Moura (Avante!, 1997).
- 3Constitution (Fundamental Law) of the Union of Soviet Socialist Republics (1936). Marxists Internet Archive (versão inglesa), 1936.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Artigos 4, 5, 7, 9 e 10. Traduções para o português feitas pela redação.
- 4Pierre-Joseph Proudhon. Qu'est-ce que la propriété?. Paris, 1840.[Fonte primária · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação.
- 5Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Programa de Godesberg. 1959.[Fonte partidária · referência bibliográfica]Documento não aberto nesta redação; citado como marco do abandono, pelo SPD, da meta de socialização geral.
- 6Ludwig von Mises. Die Wirtschaftsrechnung im sozialistischen Gemeinwesen (O cálculo econômico na comunidade socialista). Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, 1920.[Fonte primária · referência bibliográfica]Artigo não aberto nesta redação.
- 7Friedrich A. Hayek. The Road to Serfdom. Routledge, Londres, 1944.[Fonte primária · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação.
- 8Papa Leão XIII. Rerum Novarum: encíclica sobre a condição dos operários. Santa Sé (vatican.va), versão em inglês, 1891.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Passagens usadas: §§ 4–6, 8, 15 e 22 da versão inglesa.
- 9Collectivization in the Soviet Union (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Usado como orientação; os números vêm de autores citados no verbete (Davies e Wheatcroft, Viola, Conquest, Fainsod, Nove) e devem ser conferidos nas obras originais.
- 10Household responsibility system (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 11Constitution of the People's Republic of China (texto de 2018). Wikisource, em inglês, 2018.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Artigos 6, 10, 11 e 13. Conferir com a versão oficial da Assembleia Popular Nacional (o site npc.gov.cn não abriu nesta sessão).
- 13Đổi Mới (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 14Constitución de la República de Cuba, art. 22. 2019.[Fonte oficial · referência bibliográfica]Texto oficial não aberto nesta sessão; a enumeração das formas de propriedade foi conhecida por análises secundárias localizadas em busca. Conferir na Gaceta Oficial de la República de Cuba.
- 15Bence Kováts e Sebastian Kohl. Varieties of Central European Housing Tenure Regimes: The Long Life of a North-South Cleavage Line (resumo de conferência). Instituto de Filosofia e Sociologia da Academia Polonesa de Ciências (IFiS PAN).[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Página de anúncio de palestra com resumo; não traz percentuais por país. Localizar o artigo completo.
- 16Mondragon Corporation (verbete). Wikipedia, em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
relacionado a
- Manifesto do Partido ComunistaObraFonte: Manifesto do Partido Comunista, cap. II: Proletários e comunistas
- Propriedade pessoal (verbete planejado)ConceitoFonte: Personal property (verbete)
- Propriedade privada (verbete planejado)Conceito
- Propriedade estatal (verbete planejado)ConceitoFonte: Constitution (Fundamental Law) of the Union of Soviet Socialist Republics (1936)
- Propriedade coletiva e cooperativa (verbete planejado)Conceito
- Propriedade socialConceito
- CooperativismoConceitoFonte: Mondragon Corporation (verbete)
- AutogestãoConceito
- Socialismo de mercadoConceitoFonte: Socialist market economy (verbete)
- Debate do cálculo econômico socialistaDebate historiográficoFonte: Die Wirtschaftsrechnung im sozialistischen Gemeinwesen (O cálculo econômico na comunidade socialista)
- Economia solidáriaConceito
- Coletivização soviética (verbete planejado)AcontecimentoFonte: Collectivization in the Soviet Union (verbete)
- Deskulakização (verbete planejado)AcontecimentoFonte: Collectivization in the Soviet Union (verbete)
- União SoviéticaPaís e experiência históricaFonte: Constitution (Fundamental Law) of the Union of Soviet Socialist Republics (1936)
- China (República Popular da China)País e experiência históricaFonte: Constitution of the People's Republic of China (texto de 2018)
- Doi Moi (verbete planejado)AcontecimentoFonte: Đổi Mới (verbete)
- Cuba (1959–presente)País e experiência históricaFonte: Constitución de la República de Cuba, art. 22
- Iugoslávia socialista (1945–1992)País e experiência histórica
- Pierre-Joseph Proudhon (verbete planejado)PessoaFonte: Qu'est-ce que la propriété?
- qual socialismo a up defende (verbete planejado)Pergunta e guia
- Estado de bem-estar é socialismo?Pergunta e guia
- Utopia (Thomas More)Obra
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP (assistida por IA)
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.616 palavras · 16 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação do explicador. Abertos nesta sessão: Manifesto cap. II (Arquivo Marxista, pt), Constituição soviética de 1936 (MIA), Constituição chinesa (Wikisource), Rerum Novarum (vatican.va), resumo de Kováts e Kohl (IFiS PAN) e verbetes da Wikipedia sobre coletivização, propriedade pessoal, sistema de responsabilidade familiar, economia socialista de mercado, Đổi Mới e Mondragón. Pendentes: texto oficial do art. 22 da Constituição cubana; números da coletivização e da fome nas obras de Davies e Wheatcroft e outros; programa de Godesberg, Proudhon, Mises e Hayek não foram abertos; percentuais de moradia própria por país.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: O socialismo acaba com toda propriedade?. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/socialismo-acaba-com-a-propriedade.
Continue explorando
Manifesto do Partido Comunista
Programa da Liga dos Comunistas, de Marx e Engels (Londres, fevereiro de 1848)
Propriedade social
Quem possui, quem decide e quem se apropria dos resultados dos meios de produção
Cooperativismo
Empresas de propriedade e gestão dos próprios membros: história, princípios e debate socialista
Autogestão
Gestão de empresas e da economia pelos próprios trabalhadores
Socialismo de mercado
Propriedade social combinada com mercados: modelos teóricos e experiências
Debate do cálculo econômico socialista
Mises, Hayek, Lange e os interlocutores posteriores (1920–hoje)