Karl Marx
Filósofo, jornalista, economista e militante revolucionário alemão (1818–1883)
Pensador e militante alemão (Trier, 1818 – Londres, 1883), autor de O Capital e, com Engels, do Manifesto do Partido Comunista. Sua crítica da economia política e sua concepção materialista da história marcaram o movimento operário e as ciências sociais.
Também: Karl Heinrich Marx · Carlos Marx · "Mouro" (apelido familiar)

Índice e ficha
- Nome completo
- Karl Heinrich Marx
- Nascimento
- 5 de maio de 1818, Trier, Província do Reno (Reino da Prússia)
- Morte
- 14 de março de 1883, Londres, Reino UnidoDoença, após anos de saúde debilitada.
- Nacionalidade
- Prussiana (de origem); depois apátrida, exilado em Londres
- Papéis
- Redator-chefe da Rheinische ZeitungOutro papel · 10/1842–03/1843
- Membro e dirigente da Liga dos ComunistasMilitante · 1847
- Redator-chefe da Neue Rheinische ZeitungOutro papel · 06/1848–05/1849
- Membro do Conselho Geral da Associação Internacional dos TrabalhadoresMilitante · 1864–1872
- Teórico da crítica da economia políticaIntelectual marxista
- Como se definia
- Assinou com Engels o Manifesto do Partido Comunista (1848), programa da Liga dos Comunistas. Segundo Engels, ironizou o rótulo "marxista" aplicado por terceiros.
- Filiações
- Liga dos Comunistas (1847); Associação Internacional dos Trabalhadores (Conselho Geral) (1864–1872)
- Período
- 1818–1883
- Área
- Socialismo e comunismo
- Regiões
- Europa, Internacional
- Temas
- Teoria e conceitos, Economia e organização social, Movimento operário e sindical, Partido e organização
Karl Marx (Trier, 5 de maio de 1818 – Londres, 14 de março de 1883) foi um filósofo, jornalista, economista e militante revolucionário alemão 1. Formado na filosofia hegeliana, passou da crítica da religião e do Estado prussiano para a crítica da sociedade burguesa e, por fim, para a crítica da economia política, projeto ao qual dedicou a maior parte da vida adulta e cujo resultado mais conhecido é O Capital (Livro I, 1867).
Junto com Friedrich Engels, redigiu o Manifesto do Partido Comunista (1848), participou da Liga dos Comunistas, das revoluções de 1848–49 e, mais tarde, da Associação Internacional dos Trabalhadores (a Primeira Internacional). Viveu exilado em Londres de 1849 até a morte, em condições materiais frequentemente precárias. A obra de Marx foi lida de maneiras muito diferentes, e frequentemente opostas, por social-democratas, bolcheviques, marxistas ocidentais, acadêmicos e críticos liberais, conservadores e anarquistas. Este verbete separa o que é documentado na trajetória dele do que é interpretação posterior.
Família e juventude em Trier
Marx nasceu em 5 de maio de 1818 na casa que hoje corresponde à Brückenstraße 10, em Trier, cidade da Renânia então sob domínio prussiano; a família mudou-se dali no outono de 1819 2. O pai, Heinrich Marx (nascido Hirschel, 1782–1838), era advogado; a mãe, Henriette Pressburg, era de família judaica holandesa. Os dois lados descendiam de linhagens de rabinos: o avô paterno havia sido rabino em Trier, cargo depois ocupado por um tio de Karl 3.
Heinrich Marx converteu-se ao protestantismo luterano, ao que tudo indica para poder continuar exercendo a advocacia depois que a legislação prussiana passou a vetar cargos jurídicos a judeus. A data é discutida: a biografia clássica de Franz Mehring (1918) indica 1824, enquanto pesquisas posteriores situam a conversão por volta de 1816–1818; os filhos teriam sido batizados em 1824 e a mãe, em 1825 3 4. A questão não é apenas biográfica: o tema da emancipação dos judeus reaparece em textos de Marx dos anos 1840 e em debates posteriores sobre eles (ver "Críticas e controvérsias").
Karl frequentou o ginásio de Trier a partir de 1830 e concluiu os estudos secundários em 1835 1. Ainda em Trier, aproximou-se da família do conselheiro de governo Ludwig von Westphalen, a quem chamava de amigo paternal; a filha deste, Jenny von Westphalen (1814–1881), viria a ser sua esposa 3.
Formação: Bonn, Berlim e os jovens hegelianos
Em outubro de 1835, Marx matriculou-se em Direito na Universidade de Bonn; no verão de 1836 ficou noivo de Jenny von Westphalen e, em outubro do mesmo ano, transferiu-se para a Universidade de Berlim 1. Em Berlim, aproximou-se do círculo dos chamados jovens hegelianos (ou hegelianos de esquerda), que extraíam da filosofia de G. W. F. Hegel consequências críticas em relação à religião e ao Estado prussiano. A biografia em dois volumes iniciada por Michael Heinrich dedica o primeiro tomo justamente a esse período de formação (1818–1841) 5.
Marx não concluiu os estudos em Berlim com um doutorado: apresentou a tese, sobre a diferença entre as filosofias da natureza de Demócrito e de Epicuro, à Universidade de Jena, que lhe conferiu o título de doutor em filosofia em 15 de abril de 1841 1. A Stanford Encyclopedia of Philosophy resume essa formação dizendo que Marx foi treinado como filósofo, com doutorado em filosofia antiga 6. A carreira universitária, porém, fechou-se: o ambiente político prussiano tornava-se hostil aos jovens hegelianos.
A Rheinische Zeitung e o encontro com as "questões materiais"
Em 15 de outubro de 1842, Marx tornou-se redator-chefe da Rheinische Zeitung, jornal liberal de Colônia. Foi nesse período, no fim de novembro de 1842, que conheceu Friedrich Engels pela primeira vez, num encontro sem maiores consequências. Em janeiro de 1843 o governo prussiano decidiu proibir o jornal a partir de 1º de abril; em 18 de março, diante das pressões da censura, Marx deixou a redação 1.
Os artigos desse período trataram, entre outros temas, dos debates da Dieta renana sobre o furto de lenha e da situação dos viticultores do Mosela. A historiografia costuma ver nessa experiência jornalística o momento em que Marx se deparou com as chamadas "questões materiais" que o levariam ao estudo da economia, avaliação que ele próprio fez, retrospectivamente, no Prefácio de 1859 7.
Em 19 de junho de 1843, casou-se com Jenny von Westphalen; o casal passou os meses seguintes em Kreuznach, onde Marx trabalhou numa crítica da filosofia do direito de Hegel 1.
Paris e Bruxelas (1843–1848)
No fim de outubro de 1843, Marx mudou-se para Paris. Em fevereiro de 1844 saiu o único número (duplo) dos Deutsch-Französische Jahrbücher, editado com Arnold Ruge, em que publicou "Sobre a questão judaica" e a introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel; no mesmo número saiu o esboço de crítica da economia política de Engels 1 8. Em Paris, Marx entrou em contato com associações de artesãos alemães emigrados e com socialistas franceses, e redigiu os manuscritos econômico-filosóficos de 1844, só publicados no século XX.
Em 28 de agosto de 1844, Marx e Engels encontraram-se novamente em Paris; dali nasceu a colaboração que duraria até a morte de Marx 1. O primeiro fruto foi A sagrada família (1845), polêmica contra os irmãos Bauer 8.
Em janeiro de 1845, por pressão do governo prussiano, Marx recebeu ordem de deixar a França e instalou-se em Bruxelas no início de fevereiro 1. Ali escreveu as Teses sobre Feuerbach e, com Engels, os manuscritos depois conhecidos como A ideologia alemã (1845–46), em que se esboça a concepção materialista da história (ver Materialismo histórico) 6. Em 1847 publicou Miséria da filosofia, em francês, resposta a Pierre-Joseph Proudhon.
No fim de janeiro de 1847, o comitê londrino da Liga dos Justos convidou Marx e Engels a ingressar na organização; no congresso de junho de 1847 ela foi rebatizada Liga dos Comunistas, que encomendou aos dois o programa publicado em fevereiro de 1848 como Manifesto do Partido Comunista 1.
As revoluções de 1848–49 e a Neue Rheinische Zeitung
A onda revolucionária de 1848 levou Marx de Bruxelas a Paris e, depois, a Colônia. Ali, o primeiro número da Neue Rheinische Zeitung, datado de 1º de junho de 1848, saiu com Marx como redator-chefe; o jornal defendia a radicalização democrática da revolução alemã. Com o refluxo da revolução, o último número, impresso em vermelho, saiu em 19 de maio de 1849 1. Engels, que trabalhou no jornal, participou em seguida do levante armado no sudoeste da Alemanha 8.
Expulso da Prússia e depois de Paris (ordem de 23 de agosto de 1849), Marx chegou a Londres em 26 de agosto de 1849; a família juntou-se a ele em 17 de setembro 1. A Inglaterra seria seu lugar de exílio pelo resto da vida.
Exílio em Londres: pobreza e vida familiar
Os primeiros anos em Londres foram marcados por dívidas, mudanças forçadas, penhoras e doenças. Jenny e Karl tiveram sete filhos, dos quais só três chegaram à idade adulta: Jenny (n. 1844), Laura (n. 1845) e Eleanor (n. 1855) 9. Heinrich Guido, nascido em novembro de 1849, morreu em novembro de 1850; Franziska, nascida em março de 1851, morreu em abril de 1852; Edgar, nascido em 1847, morreu em abril de 1855, com cerca de oito anos 1.
Parte importante da sobrevivência da família veio do apoio financeiro de Engels, que a partir de 1850 voltou a trabalhar na firma paterna em Manchester 8, de pequenas heranças e da colaboração jornalística de Marx. As filhas sobreviventes tiveram trajetórias próprias no movimento socialista: Laura casou-se com Paul Lafargue; Jenny, com Charles Longuet; Eleanor tornou-se militante e tradutora na Inglaterra.
Helene Demuth e a questão de Frederick Demuth
Helene ("Lenchen") Demuth (31 de dezembro de 1820 – 4 de novembro de 1890) trabalhou como empregada da família Marx durante décadas e é descrita pelo arquivo marxista como amiga de toda a vida da família; após a morte de Marx, passou a cuidar da casa de Engels, que escreveu seu necrológio 10.
Em 23 de junho de 1851, Helene deu à luz um filho, Frederick ("Freddy") Demuth, cuja certidão de nascimento não indica o pai; o menino foi criado fora da casa dos Marx 11. A atribuição da paternidade a Karl Marx apoia-se essencialmente numa cópia datilografada de uma carta de Louise Freyberger (antes Louise Kautsky), datada de 2–4 de setembro de 1898 e dirigida a August Bebel, cujo original se perdeu; publicada em trechos em 1962, ela afirma que Engels, no leito de morte, teria revelado a Eleanor Marx que Marx era o pai 11.
Muitos biógrafos aceitaram essa versão. O cientista político Terrell Carver, porém, argumenta que a questão não pode ser resolvida "além de dúvida razoável": aponta que quase toda a evidência remonta à própria Louise Freyberger; que a carta contém erros verificáveis; que pessoas supostamente a par do segredo (como Laura Marx e Samuel Moore) parecem não ter sabido de nada; e que a correspondência de Eleanor indica simpatia, não hostilidade, por Freddy. Carver considera mais plausíveis as avaliações de Eduard Bernstein (1898) e de Karl Kautsky (1929), que julgou a paternidade de Marx "totalmente improvável", e critica o artigo de Gemkow e Hecker (1994) que defendeu a tese 11.
Estado da questão: a paternidade de Frederick Demuth permanece disputada. O verbete registra a hipótese e as objeções sem tomá-la como fato estabelecido; a revisão humana deve conferir como Stedman Jones, Sperber e Heinrich tratam o tema.
Jornalismo: o New-York Daily Tribune
Entre agosto de 1851 e março de 1862, Marx foi correspondente europeu do New-York Daily Tribune, então um dos jornais de maior circulação nos Estados Unidos 1. Parte dos textos publicados sob seu nome, sobretudo nos primeiros anos, como a série sobre revolução e contrarrevolução na Alemanha, foi escrita por Engels. Os artigos trataram de política europeia, crises comerciais, a Guerra da Crimeia, a Índia e a China sob domínio britânico, a escravidão e a Guerra Civil norte-americana. Esse material jornalístico, por vezes deixado de lado nas leituras centradas em O Capital, é hoje importante para os debates sobre Marx e o mundo não europeu (ver "Críticas e controvérsias").
A crítica da economia política
Em Londres, Marx retomou os estudos econômicos na biblioteca do Museu Britânico. Os manuscritos de 1857–58, conhecidos como Grundrisse, abrem a longa série de rascunhos registrada na segunda seção da edição crítica MEGA², que inclui ainda os manuscritos de 1861–63 (com as chamadas Teorias da mais-valia) e de 1863–65 12.
Em 11 de junho de 1859 saiu em Berlim a primeira parte de Para a crítica da economia política, cujo prefácio contém a mais citada síntese da concepção materialista da história 1 7. Em 14 de setembro de 1867 saiu das prensas o Livro I de O Capital, publicado em Hamburgo por Otto Meissner 1. No prefácio, datado de 25 de julho de 1867, Marx diz que o objetivo final da obra é revelar a lei econômica do movimento da sociedade moderna, e que trata as pessoas apenas como personificações de categorias econômicas 13.
Os conceitos centrais dessa crítica, valor, trabalho abstrato, fetichismo da mercadoria, força de trabalho, Mais-valia, acumulação, são tratados nos verbetes próprios. Marx não concluiu os livros II e III, editados por Engels em 1885 e 1894 a partir de manuscritos 12.
A Primeira Internacional, a Comuna e o conflito com Bakunin
Em 28 de setembro de 1864, num ato no St. Martin's Hall, em Londres, foi fundada a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), depois chamada Primeira Internacional 1 14. Marx integrou o Conselho Geral e redigiu documentos fundadores, como o Manifesto Inaugural. A AIT reuniu correntes muito diversas: sindicalistas ingleses, proudhonianos franceses, lassallianos alemães e, mais tarde, os seguidores do anarquista russo Mikhail Bakunin.
Durante a Comuna de Paris (18 de março a 28 de maio de 1871), o Conselho Geral aprovou em 30 de maio o texto de Marx A guerra civil na França, defesa da Comuna e análise de suas medidas 1. A partir de então, Marx passou a ser apontado na imprensa europeia como chefe de uma suposta conspiração internacional, imagem que chegou inclusive ao Brasil 15.
O conflito entre Marx e Bakunin dizia respeito à organização da Internacional e à questão do Estado. No Congresso da Haia (2 a 7 de setembro de 1872), Bakunin e James Guillaume foram expulsos e a sede do Conselho Geral foi transferida para Nova York 1 16. As leituras divergem: Marx justificou a expulsão pela existência de uma sociedade secreta, a Aliança da Democracia Socialista, dentro da AIT; historiadores de perspectiva anarquista, como Robert Graham, consideram que as acusações foram montadas e que a transferência para Nova York serviu para afastar os federalistas. Poucos dias depois, no Congresso de Saint-Imier (Suíça), os opositores reconstituíram uma Internacional federalista 16. A Internacional "marxista" esvaziou-se nos anos seguintes 14.
Últimos anos e morte
Nos anos 1870, Marx revisou O Capital para a segunda edição alemã (1872–73) e para a edição francesa, publicada em fascículos; uma tradução russa saiu na primavera de 1872, a primeira em língua estrangeira 17 12. Em maio de 1875 enviou à Alemanha suas glosas críticas ao projeto de programa de unificação dos socialistas alemães, conhecidas como Crítica do Programa de Gotha 1. Dedicou-se também a extensos estudos de história agrária, etnologia, matemática e ciências naturais, e acompanhou com interesse o debate russo sobre a comuna camponesa.
A saúde, fragilizada havia anos, piorou. Jenny von Westphalen morreu em Londres em 2 de dezembro de 1881. Entre fevereiro e outubro de 1882, Marx viajou à Argélia, ao sul da França e à Suíça em busca de tratamento. A filha mais velha, Jenny Longuet, morreu em Paris em 11 de janeiro de 1883. Marx morreu em Londres em 14 de março de 1883 e foi sepultado em 17 de março no Cemitério de Highgate 1. No enterro, Engels atribuiu-lhe duas descobertas: a lei de desenvolvimento da história humana e a lei específica do movimento da produção capitalista, com a teoria da mais-valia 18.
Ideias centrais (visão de conjunto)
Resumir o pensamento de Marx é, em si, uma escolha interpretativa. Com essa ressalva, quatro eixos aparecem em praticamente todas as exposições acadêmicas 6:
- Alienação e crítica da sociedade burguesa. Nos escritos de 1843–44, Marx critica a separação entre o cidadão abstrato do Estado moderno e o indivíduo real da sociedade civil, e descreve o trabalho assalariado como atividade alienada: o trabalhador não controla o produto, o processo nem o sentido do próprio trabalho. A importância desses textos juvenis para a obra madura é um dos grandes debates da tradição marxista 6 19.
- Concepção materialista da história. As formas de produção da vida material condicionam, em última instância, as instituições e as ideias; as sociedades mudam quando as relações de produção se tornam entraves ao desenvolvimento das forças produtivas (ver Materialismo histórico) 7.
- Crítica da economia política. O capitalismo é analisado como sistema histórico, movido pela valorização do valor; o lucro tem origem na Mais-valia extraída do trabalho assalariado; a acumulação produz ao mesmo tempo riqueza, desemprego estrutural e crises (ver O Capital) 13.
- Política e emancipação. Para Marx, a emancipação dos trabalhadores seria obra deles mesmos, por meio da organização como classe e da conquista do poder político, com o objetivo de longo prazo de uma sociedade sem classes e sem Estado como poder separado (ver Comunismo e Socialismo). Depois da Comuna de Paris, ele e Engels escreveram que a classe operária não pode simplesmente se apossar da máquina de Estado existente, no prefácio de 1872 20, tema desenvolvido no verbete sobre o Manifesto. A expressão "ditadura do proletariado", usada ocasionalmente por Marx, recebeu leituras muito diferentes, da democracia operária radical ao regime de partido único, e é um dos pontos mais disputados de seu legado.
Marx nunca escreveu um tratado sistemático de filosofia nem um projeto detalhado de sociedade socialista; boa parte de suas ideias está em polêmicas, artigos, cartas e manuscritos inacabados, o que explica a diversidade de leituras posteriores.
Principais obras
Lista indicativa (datas de redação ou de primeira publicação):
- Tese de doutorado sobre Demócrito e Epicuro (1841).
- Crítica da filosofia do direito de Hegel (manuscrito de 1843; introdução publicada em 1844).
- "Sobre a questão judaica" (1844).
- Manuscritos econômico-filosóficos (1844; publicados no século XX).
- A sagrada família, com Engels (1845).
- Teses sobre Feuerbach (1845) e A ideologia alemã, com Engels (1845–46; publicada postumamente).
- Miséria da filosofia (1847).
- Manifesto do Partido Comunista, com Engels (1848).
- As lutas de classes na França (1850) e O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852).
- Grundrisse (manuscritos de 1857–58).
- Para a crítica da economia política (1859).
- O Capital, Livro I (1867); livros II e III editados por Engels (1885, 1894).
- A guerra civil na França (1871).
- Crítica do Programa de Gotha (1875; publicada por Engels em 1891).
A edição histórico-crítica completa das obras, manuscritos, cartas e excertos de Marx e Engels, a MEGA², é um projeto de longa duração da Academia de Ciências de Berlim-Brandemburgo 21.
Recepção e leituras: como diferentes correntes leram Marx
O "marxismo" como rótulo. A palavra "marxista" foi usada primeiro por adversários de Marx na Internacional. Engels relatou que Marx, referindo-se a certos "marxistas" franceses do fim dos anos 1870, teria dito que tudo o que sabia era que ele próprio não era marxista 22. Maximilien Rubel sustentou que o "marxismo" como sistema foi em boa parte obra de Engels, que transformou o rótulo em título de honra 23, tese discutida no verbete Friedrich Engels.
Segunda Internacional. Nos partidos social-democratas do fim do século XIX, sobretudo o alemão, Marx foi lido como fundador de um "socialismo científico", com ênfase nas leis de desenvolvimento histórico; Karl Kautsky foi o principal sistematizador dessa leitura, contestada pelo revisionismo de Eduard Bernstein e, à esquerda, por autoras como Rosa Luxemburgo.
Bolchevismo e marxismo soviético. Lênin escreveu em 1914 uma exposição de conjunto da doutrina de Marx para uma enciclopédia russa. Após 1917, na União Soviética, formou-se uma doutrina oficial, o Marxismo-leninismo, com a divisão em materialismo dialético e materialismo histórico (ver Materialismo histórico). O Instituto Marx-Engels de Moscou, dirigido por David Riazanov, iniciou a primeira MEGA nos anos 1920; Riazanov foi depois vítima da repressão stalinista.
Marxismos ocidentais. A partir dos anos 1920, autores como György Lukács (História e consciência de classe, 1923) 24 e Antonio Gramsci, com o conceito de Hegemonia 25, destacaram a dimensão subjetiva, cultural e política. A publicação, em 1932, dos manuscritos de 1844 alimentou leituras humanistas centradas na alienação; Louis Althusser, ao contrário, defendeu uma "ruptura epistemológica" entre o jovem e o velho Marx 19.
Marxismo analítico e leituras acadêmicas. G. A. Cohen reconstruiu a teoria da história com ferramentas da filosofia analítica 26 6; John Roemer reformulou a teoria da exploração 27. Mais recentemente, a "nova leitura de Marx" alemã (Michael Heinrich, entre outros) enfatiza a crítica das formas sociais do valor 28.
América Latina e Brasil. Marx foi lido a partir de realidades coloniais e dependentes: José Carlos Mariátegui articulou marxismo e questão indígena no Peru; a teoria marxista da dependência (Ruy Mauro Marini e outros) retomou O Capital para pensar a economia latino-americana (ver Mais-valia). No Brasil, Marx foi mencionado já no século XIX por intelectuais como Tobias Barreto e Sílvio Romero, e a circulação de seus textos ganhou fôlego com o movimento operário e a fundação do PCB em 1922 15 (ver Comunismo no Brasil).
Essas leituras são interpretações em disputa; nenhuma delas é aqui apresentada como "a" leitura correta.
Críticas e controvérsias
Economistas. Desde o fim do século XIX, economistas da teoria subjetiva do valor rejeitam a teoria do valor-trabalho em que se apoia a análise de Marx. O austríaco Eugen von Böhm-Bawerk sustentou, em 1896, que o Livro III contradiz o Livro I na passagem dos valores aos preços de produção 29; Rudolf Hilferding respondeu em 1904 30. O chamado problema da transformação e a lei da queda tendencial da taxa de lucro continuam debatidos (ver O Capital e Mais-valia). A Stanford Encyclopedia registra que a tentativa de Marx de resolver a transformação "sofre de dificuldades técnicas" e que a afirmação de que só o trabalho cria valor é contestável 6.
Liberais e críticos do historicismo. Karl Popper criticou o que chamou de historicismo, a pretensão de prever o curso da história por leis, e viu em Marx um de seus principais representantes 31. O filósofo Leszek Kołakowski, ex-marxista polonês, escreveu uma história crítica do marxismo em três volumes que discute a relação entre as ideias de Marx e os regimes que nelas se inspiraram 32. Isaiah Berlin publicou em 1939 uma biografia intelectual crítica, mas respeitosa 33.
Anarquistas. Para Bakunin (Estatismo e anarquia, 1873), a ideia do proletariado organizado como classe dominante levaria a um novo domínio de uma minoria de ex-trabalhadores e "sábios" sobre a maioria; a liberdade só poderia nascer da liberdade, por federação de baixo para cima 34. Marx respondeu em notas de leitura a esse livro. A controvérsia é retomada sempre que se discute o destino dos Estados que se reivindicaram do marxismo.
Historiografia. Biografias recentes, como as de Jonathan Sperber 35 e Gareth Stedman Jones 36, insistem em ler Marx como um homem do século XIX, distinguindo o autor histórico do "Marx" construído pelos marxismos do século XX. Leituras anteriores, como as de David McLellan 37 e Francis Wheen 38, também são referências frequentes.
"Sobre a questão judaica". O ensaio de 1844, que responde a Bruno Bauer defendendo a emancipação política dos judeus, emprega estereótipos que associam judaísmo e comércio; há leituras que o consideram antissemita e outras, como a de Hal Draper, que o situam no vocabulário da época e no argumento contra Bauer 39. É um debate em aberto.
Colonialismo e mundo não europeu. Os artigos de 1853 sobre a Índia britânica, que combinam denúncia da violência colonial com a ideia de um papel "regenerador" do capitalismo, foram criticados por Edward Said como parte do orientalismo europeu 40; Kevin Anderson argumenta que os escritos tardios de Marx sobre Rússia, Irlanda e sociedades não ocidentais revelam uma perspectiva multilinear 41.
Marx e os regimes do século XX. É objeto de debate em que medida as ideias de Marx explicam a trajetória dos Estados governados por partidos comunistas, com suas políticas sociais, industrialização, repressão, censura e fomes. Marx morreu em 1883 e não deixou um modelo detalhado de sociedade socialista; críticos como Kołakowski veem continuidades, outros autores enfatizam rupturas. A enciclopédia trata cada experiência em verbete próprio (ver União Soviética, China (República Popular da China), Cuba (1959–presente)).
Legado e memória
A casa natal de Marx em Trier foi identificada em 1904, comprada pelo Partido Social-Democrata alemão (SPD) em 1928, ocupada pelos nazistas em 1933 e aberta como museu em 1947; desde 1968 é administrada pela Fundação Friedrich Ebert, ligada ao SPD 2. O túmulo em Highgate, em Londres, tornou-se local de visitação. O bicentenário de nascimento, em 2018, motivou exposições e uma onda de novas biografias.
Independentemente da avaliação política, há amplo reconhecimento de que Marx influenciou profundamente a sociologia, a história, a economia e a filosofia, e que suas obras se contam entre os textos mais lidos e traduzidos do século XIX.
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Tradução de texto localizado
“Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência.”
Es ist nicht das Bewußtsein der Menschen, das ihr Sein, sondern umgekehrt ihr gesellschaftliches Sein, das ihr Bewußtsein bestimmt.
Prefácio de Para a crítica da economia política (Londres, janeiro de 1859).
Tradução de José Barata-Moura (Avante!). O original alemão foi transcrito de memória da redação e deve ser conferido em edição crítica.
- Tradução de texto localizado
“Tudo o que sei é que não sou marxista.”
Frase atribuída a Marx por Engels, em carta a Conrad Schmidt (5 de agosto de 1890), a propósito dos "marxistas" franceses do fim dos anos 1870.
Tradução da redação a partir da versão inglesa do MIA. Não há registro escrito do próprio Marx: é um dito relatado por Engels.
Cronologia
5 de maio de 1818
Nasce em Trier, na Renânia prussiana.2
outubro de 1835
Matricula-se em Direito na Universidade de Bonn.1
22 de outubro de 1836
Matricula-se na Universidade de Berlim.1
15 de abril de 1841
Doutorado em filosofia pela Universidade de Jena.1
15 de outubro de 1842
Torna-se redator-chefe da Rheinische Zeitung.1
19 de junho de 1843
Casa-se com Jenny von Westphalen.1
outubro de 1843
Muda-se para Paris.1
28 de agosto de 1844
Encontro com Engels em Paris; início da colaboração.1
fevereiro de 1845
Expulso da França, instala-se em Bruxelas.1
junho de 1847
A Liga dos Justos torna-se Liga dos Comunistas.1
fevereiro de 1848
Publicação do Manifesto do Partido Comunista em Londres.1
1 de junho de 1848
Primeiro número da Neue Rheinische Zeitung, em Colônia.1
26 de agosto de 1849
Chega a Londres, onde viverá até a morte.1
agosto de 1851
Começa a colaborar com o New-York Daily Tribune (até 1862).1
11 de junho de 1859
Publica Para a crítica da economia política.1
28 de setembro de 1864
Fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres.1
setembro de 1867
Publicação do Livro I de O Capital (Hamburgo, Otto Meissner).1
30 de maio de 1871
O Conselho Geral aprova A guerra civil na França.1
setembro de 1872
Congresso da Haia: expulsão de Bakunin e Guillaume.16
5 de maio de 1875
Envia as glosas críticas ao programa de Gotha.1
2 de dezembro de 1881
Morte de Jenny von Westphalen.1
14 de março de 1883
Morre em Londres.1
17 de março de 1883
Sepultado no Cemitério de Highgate.1
Imagens

Bibliografia comentada
Karl Marx: Life and Work (cronologia)
Cronologia detalhada de origem soviética, útil para datas; não traz interpretação crítica nem discute controvérsias.
Jonathan Wolff; David Leopold. Karl Marx (2003 (revisão substantiva de 2025))
Verbete acadêmico de referência (Wolff e Leopold), centrado nas ideias: alienação, teoria da história, economia, ética. Boa porta de entrada para o debate filosófico.
Jonathan Sperber. Karl Marx: A Nineteenth-Century Life (2013)
Biografia que insiste em situar Marx no século XIX, nas controvérsias políticas e intelectuais do seu tempo.
Gareth Stedman Jones. Karl Marx: Greatness and Illusion (2016)
Biografia intelectual extensa, que separa o Marx histórico do mito posterior; discutida por seu ceticismo em relação à coerência de O Capital.
Michael Heinrich. Karl Marx und die Geburt der modernen Gesellschaft, v. 1 (1818–1841) (2018)
Primeiro volume de biografia em andamento, de um dos principais especialistas da "nova leitura de Marx"; cobre 1818–1841 com base na MEGA².
David McLellan. Karl Marx: His Life and Thought (1973)
Biografia clássica em inglês, ainda muito citada como obra de referência geral.
Terrell Carver. Marx's 'Illegitimate Son' (coleção Marx Myths and Legends) (2005)
Exame crítico das provas sobre a paternidade de Frederick Demuth; leitura indispensável para quem trata do tema.
Leszek Kołakowski. Main Currents of Marxism (3 v.; original polonês, 1976)
História crítica do marxismo por um ex-marxista; importante como contraponto, não como obra neutra.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Karl Marx: Life and Work (cronologia). Marx/Engels Internet Archive (marxists.org).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Cronologia baseada em edições soviéticas; usada para datas de vida, publicações e nascimentos e mortes dos filhos.
- 2Friedrich-Ebert-Stiftung, Museu Casa Karl Marx (Trier). History of the Building.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 3Franz Mehring. Karl Marx: Geschichte seines Lebens (cap. 1, em tradução inglesa no MIA). 1918.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Biografia clássica escrita por um social-democrata alemão; algumas datas (ex.: conversão do pai) divergem da pesquisa posterior.
- 4Heinrich Marx (verbete da Wikipédia em inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Usada só como orientação; remete a Allan Megill (2002). Conferir na bibliografia especializada.
- 5Michael Heinrich. Karl Marx und die Geburt der modernen Gesellschaft, v. 1 (1818–1841). 2018.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 6Jonathan Wolff; David Leopold. Karl Marx. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2003 (revisão substantiva de 2025).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 7Karl Marx. Prefácio de Para a Crítica da Economia Política (Londres, janeiro de 1859), tradução de José Barata-Moura. Arquivo Marxista na Internet (a partir de Obras Escolhidas em três tomos, Avante!/Progresso, 1982).[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 8Verbete "Engels" no Handwörterbuch der Staatswissenschaften, v. 3 (Jena, 1892), em inglês no MIA. 1892.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Verbete de época, sem autoria indicada na página.
- 9Jenny von Westphalen (página biográfica). Marx/Engels Internet Archive.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 10Helena Demuth (página biográfica). Marx/Engels Internet Archive.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 11Terrell Carver. Marx's 'Illegitimate Son' (coleção Marx Myths and Legends). Marxists Internet Archive, 2005.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Adaptado de Carver, Friedrich Engels: His Life and Thought (Macmillan, 1989), com pesquisa adicional.
- 12Berlin-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften. MEGA, II. Abteilung: "Das Kapital" und Vorarbeiten.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Informa 15 volumes em 23 tomos, concluída em 2012.
- 13Karl Marx. O Capital, Livro I, Prefácio da primeira edição alemã (Londres, 25 de julho de 1867), tradução inglesa no MIA. 1867.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 14First International (verbete do glossário de organizações). Marxists Internet Archive.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 15Leandro Konder. A chegada do Manifesto. Estudos Avançados, v. 12, n. 34 (reproduzido no Arquivo Marxista na Internet), 1998.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 16Robert Graham. The Birth of Revolutionary Anarchism. Black Flag Anarchist Review, v. 2, n. 2 (reproduzido em The Anarchist Library), 2022.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Leitura de perspectiva anarquista sobre o Congresso da Haia (1872) e o Congresso de Saint-Imier.
- 17Karl Marx. O Capital, Livro I, Posfácio da segunda edição alemã (Londres, 24 de janeiro de 1873), tradução inglesa no MIA. 1873.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 18Friedrich Engels. Discurso junto ao túmulo de Karl Marx (Highgate, 17 de março de 1883). 1883.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 19Louis Althusser. Pour Marx; e, com outros, Lire le Capital. 1965.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 20Karl Marx; Friedrich Engels. Prefácios do Manifesto (1872, 1882, 1883, 1888, 1890, 1892, 1893), em inglês. Marx/Engels Internet Archive.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 21Berlin-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften. Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA), página do projeto.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 22Friedrich Engels. Carta a Conrad Schmidt, Londres, 5 de agosto de 1890. 1890.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 23Maximilien Rubel. La légende de Marx ou Engels fondateur (tradução inglesa no MIA). Études de Marxologie, série S, n. 5, 1972.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 24György Lukács. História e consciência de classe. 1923.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 25Antonio Gramsci. Cadernos do cárcere (Quaderni del carcere), escritos entre 1929 e 1935.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 26G. A. Cohen. Karl Marx's Theory of History: A Defence. 1978.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 27John E. Roemer. A General Theory of Exploitation and Class. 1982.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 28Michael Heinrich. An Introduction to the Three Volumes of Karl Marx's Capital. 2012.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 29Eugen von Böhm-Bawerk. Zum Abschluss des Marxschen Systems (em inglês: Karl Marx and the Close of His System). 1896.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 30Rudolf Hilferding. Böhm-Bawerk's Criticism of Marx (prefácio, tradução inglesa no MIA). 1904.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 31Karl Popper. The Open Society and Its Enemies. 1945.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 32Leszek Kołakowski. Main Currents of Marxism (3 v.; original polonês, 1976).[Historiografia · referência bibliográfica]
- 33Isaiah Berlin. Karl Marx: His Life and Environment. 1939.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 34Mikhail Bakunin. Estatismo e anarquia (trecho em inglês). 1873.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 35Jonathan Sperber. Karl Marx: A Nineteenth-Century Life. 2013.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 36Gareth Stedman Jones. Karl Marx: Greatness and Illusion. 2016.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 37David McLellan. Karl Marx: His Life and Thought. 1973.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 38Francis Wheen. Karl Marx. 1999.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 39Hal Draper. Marx and the Economic-Jew Stereotype (coleção Marx Myths and Legends).[Historiografia · não consultada]Localizado no índice da coleção (consultado); o texto não foi aberto.
- 40Edward W. Said. Orientalism. 1978.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 41Kevin B. Anderson. Marx at the Margins: On Nationalism, Ethnicity, and Non-Western Societies. 2010.[Historiografia · referência bibliográfica]
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
autor de
- O CapitalObraFonte: Karl Marx: Life and Work (cronologia)
- Manifesto do Partido ComunistaObraFonte: Karl Marx: Life and Work (cronologia)
- A ideologia alemã (verbete planejado)ObraCom Engels; manuscritos de 1845–46. Fonte: Karl Marx
- Crítica do Programa de GothaObraFonte: Crítica do Programa de Gotha, tradução de José Barata-Moura (no verbete Crítica do Programa de Gotha)
formulou
- Mais-valiaConceitoFonte: Discurso junto ao túmulo de Karl Marx (Highgate, 17 de março de 1883)
- Materialismo históricoConceitoA expressão "materialismo histórico" é de Engels; Marx falava em concepção materialista da história. Fonte: Prefácio de Para a Crítica da Economia Política (Londres, janeiro de 1859), tradução de José Barata-Moura
aliado de
casado(a) com
- Jenny von Westphalen (verbete planejado)PessoaFonte: Karl Marx: Life and Work (cronologia)
integrou
- Liga dos Comunistas (verbete planejado)OrganizaçãoFonte: Karl Marx: Life and Work (cronologia)
- Associação Internacional dos Trabalhadores (Primeira Internacional) (verbete planejado)OrganizaçãoIntegrou o Conselho Geral. Fonte: First International (verbete do glossário de organizações)
debateu com
- Mikhail Bakunin (verbete planejado)PessoaFonte: Estatismo e anarquia (trecho em inglês)
- Escola austríaca de economiaEscola econômicaDebate póstumo via Böhm-Bawerk e Hilferding. Fonte: Zum Abschluss des Marxschen Systems (Karl Marx and the Close of His System) (no verbete Escola austríaca de economia)
relacionado a
- Comuna de ParisAcontecimentoAutor de A guerra civil na França (1871). Fonte: Karl Marx: Life and Work (cronologia)
- Alienação (verbete planejado)Conceito
- Luta de classes (verbete planejado)Conceito
- A riqueza das naçõesObraLeitor crítico de Smith. Fonte: Teorias da mais-valia (manuscrito de 1861–63; ed. Kautsky, 1905–1910) (no verbete A riqueza das nações)
- CapitalismoConceito
- ComunismoConceito
- CooperativismoConceitoAvaliação das cooperativas na Mensagem Inaugural da AIT (1864). Fonte: Inaugural Address of the International Working Men's Association (no verbete Cooperativismo)
- Do socialismo utópico ao socialismo científicoObraIntrodução à edição francesa (1880). Fonte: Socialism: Utopian and Scientific (índice e ficha) (no verbete Do socialismo utópico ao socialismo científico)
- Economia política clássicaEscola econômicaMarx cunhou o rótulo e foi o principal crítico da tradição. Fonte: O Capital, Livro I, cap. 1 (A mercadoria), nota 33, tradução inglesa de 1887 no Marxists Internet Archive (no verbete Economia política clássica)
- Flora TristanPessoaDiscutida em A sagrada família (1845); sem relação pessoal documentada. Fonte: The Holy Family, cap. IV, seção 1: Flora Tristan's Union Ouvrière (no verbete Flora Tristan)
- LucroConceito
- Revolução IndustrialAcontecimento
- SocialismoConceito
- Socialismo e comunismo: relações, diferenças e usos históricosPergunta e guiaFonte: Critique of the Gotha Programme, parte I (no verbete Socialismo e comunismo: relações, diferenças e usos históricos)
- Socialismo e religiãoPergunta e guiaFonte: A Contribution to the Critique of Hegel's Philosophy of Right: Introduction (no verbete Socialismo e religião)
- Trabalho assalariadoConceitoFonte: Wage Labour and Capital, cap. 2, "What are Wages?" (Trabalho assalariado e capital, 1849) (no verbete Trabalho assalariado)
- Transição do feudalismo ao capitalismoDebate historiográficoFonte: O Capital, livro I, cap. 26: O segredo da acumulação primitiva (tradução inglesa no MIA) (no verbete Transição do feudalismo ao capitalismo)
influenciou
- Vladimir LeninPessoa
- Rosa LuxemburgoPessoa
- José Carlos MariáteguiPessoa
- EcossocialismoCorrenteFonte: Capital, vol. III, cap. 47: Genesis of Capitalist Ground-Rent (no verbete Ecossocialismo)
- Ernesto Che GuevaraPessoaFonte: Sobre el sistema presupuestario de financiamiento (no verbete Ernesto Che Guevara)
- Mao ZedongPessoa
- Maria da Conceição TavaresPessoaFonte: Maria da Conceição Tavares: vida, ideias, teorias e políticas (inclui os capítulos "Itinerários" e "Cronologia") (no verbete Maria da Conceição Tavares)
influenciado por
- Adam SmithPessoaMarx leu Smith criticamente. Fonte: Teorias da mais-valia (manuscritos de 1861–63), capítulos sobre Adam Smith (no verbete Adam Smith)
rompimento de
- AnarquismoCorrente1872. Cisão na Primeira Internacional. Fonte: The Hague Congress (1872) (verbete) (no verbete Anarquismo)
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Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.
Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP, rascunho assistido por IA
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 3.735 palavras · 41 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação a partir de cronologia do MIA, Casa Karl Marx/FES, SEP, Mehring, Carver e textos primários. Pendências: conferir datas de conversão/batismo da família (fontes divergem), o tratamento da paternidade de Frederick Demuth em Stedman Jones, Sperber e Heinrich, a expulsão de Bakunin em fonte neutra, o original alemão da citação de 1859; obras de historiografia listadas não foram consultadas.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Karl Marx. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/karl-marx.
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Crítica da economia política, de Karl Marx (Livro I, 1867)
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Programa da Liga dos Comunistas, de Marx e Engels (Londres, fevereiro de 1848)
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Materialismo histórico
Friedrich Engels
Industrial, teórico e militante socialista alemão (1820–1895)
Comuna de Paris
Governo insurrecional de Paris (18 de março – 28 de maio de 1871)