Revolução Industrial
Mecanização, energia fóssil e sistema fabril na Grã-Bretanha (c. 1760–1840) e sua difusão
Conjunto de mudanças técnicas, econômicas e sociais iniciado na Grã-Bretanha por volta de 1760–1840, algodão mecanizado, carvão, máquina a vapor, fábrica, que inaugurou o crescimento econômico sustentado e o trabalho industrial assalariado em massa, com custos sociais ainda debatidos.
Também: Primeira Revolução Industrial · Revolução Industrial britânica · Industrial Revolution
Índice e ficha
- Período
- c. 1760–1840 na Grã-Bretanha; difusão ao longo do século XIX
- Lugares
- Lancashire e Manchester, Midlands, Escócia (Glasgow), Gales do Sul, Valônia, Nova Inglaterra, Renânia e Ruhr, Japão, Rússia
- Área
- Capitalismo
- Regiões
- Europa, América do Norte, Ásia, América Latina, África, Internacional
- Temas
- Economia e organização social, Movimento operário e sindical, Ciência e educação, Ecologia, Anticolonialismo e libertação nacional
Revolução Industrial é o nome dado à transformação da economia britânica entre meados do século XVIII e meados do XIX, quando a produção de tecidos de algodão, ferro e outros bens passou a ser feita com máquinas movidas por água e, cada vez mais, por vapor gerado a carvão, em fábricas que reuniam centenas de trabalhadores assalariados sob disciplina de horário. O termo já circulava entre contemporâneos, Friedrich Engels o usou em 1845 1, e foi popularizado na historiografia inglesa pelas conferências de Arnold Toynbee, publicadas em 1884.
Seus efeitos de longo prazo são raramente contestados: a Revolução Industrial abriu a era do crescimento econômico sustentado, da urbanização em massa, da energia fóssil e da classe operária industrial. Quase todo o resto é objeto de debate: quando começou e quão rápida foi; se melhorou ou piorou a vida dos trabalhadores no curto prazo; por que começou na Grã-Bretanha; qual foi o papel das colônias e da escravidão; e quais foram suas consequências para regiões como a Índia.
Este verbete trata da primeira industrialização (c. 1760–1840) e de sua difusão no século XIX. A fase posterior, de aço, química e eletricidade, é tratada no verbete planejado sobre a "segunda revolução industrial".
Conceito e periodização
A datação mais comum situa a Revolução Industrial britânica entre cerca de 1760 e 1830–1840. Os marcos variam conforme o critério: invenções têxteis dos anos 1760, aceleração das exportações de algodão nos anos 1780, ou difusão do vapor e das ferrovias nos anos 1820–1840.
A ideia de "revolução" foi contestada. Nos anos 1980, as reconstruções do produto britânico de N. F. R. Crafts e C. Knick Harley revisaram para baixo as estimativas anteriores de Phyllis Deane e W. A. Cole: o crescimento do produto total e da produtividade teria sido lento e gradual até 1830, concentrado em poucos setores (algodão, ferro, transportes), enquanto a maior parte da economia continuava artesanal e agrícola 2. Outros historiadores, entre eles Eric Hobsbawm e, mais tarde, Joel Mokyr, insistem que a mudança qualitativa (novas técnicas, nova organização do trabalho, crescimento que não se esgotou) justifica o termo, ainda que os números agregados tenham crescido devagar 3 4.
Há também quem prefira falar em "revolução industriosa" (aumento das horas de trabalho e do consumo de mercado das famílias antes da mecanização) ou estender a cronologia para trás, incluindo a revolução agrícola, a expansão comercial e a revolução financeira do século XVII como precondições.
Antecedentes: agricultura, comércio, Estado e colônias
A Grã-Bretanha de meados do século XVIII tinha uma agricultura relativamente produtiva, uma proporção já grande da população fora do campo, cidades em crescimento (Londres era a maior cidade da Europa), um mercado interno integrado por rios, estradas com pedágio e canais, e um Estado fiscal-militar capaz de cobrar impostos, contrair dívida e manter uma marinha poderosa.
A economia britânica estava inserida num império comercial atlântico e asiático: açúcar, tabaco e algodão das colônias americanas, produzidos com trabalho escravizado; tecidos de algodão importados da Índia pela Companhia das Índias Orientais; e as leis de navegação, que reservavam o comércio colonial a navios britânicos. O peso desses elementos na explicação da industrialização é debatido no verbete escravidão e capitalismo e na seção "Por que a Grã-Bretanha?" 5 6.
As mudanças nas relações agrárias, cercamentos, arrendamentos capitalistas, proletarização rural, são, para a tradição marxista, a precondição social: a formação de uma população sem terra que dependia do salário 7. A extensão e o ritmo desse processo são discutidos em transição do feudalismo ao capitalismo.
Algodão: a indústria líder
A indústria do algodão de Lancashire foi o setor em que a mecanização avançou mais cedo e mais depressa. As invenções-chave da fiação foram a spinning jenny de James Hargreaves (anos 1760), a water frame de Richard Arkwright (patente de 1769), movida a água e base das primeiras fiações em escala fabril, e a mule de Samuel Crompton (1779), que combinava as duas. Na tecelagem, o tear mecânico de Edmund Cartwright (patente de 1785) só se difundiu amplamente nas primeiras décadas do século XIX, depois de aperfeiçoamentos 3 8.
Em 1845, Engels descreveu essa sequência, atribuindo a jenny a 1764, a máquina de Arkwright a 1767 e a mule a 1785, como o início da transformação que concentrou a população nas cidades industriais e criou o proletariado moderno; ele próprio advertiu depois que seu esboço histórico não era exato em todos os detalhes 1.
A matéria-prima vinha de fora: primeiro do Caribe e do Brasil, depois, de forma esmagadora, das plantações escravistas do Sul dos EUA, cuja expansão acompanhou a da indústria britânica até a Guerra Civil estadunidense 9. Os tecidos ingleses passaram a competir com os indianos nos mercados europeus, africanos e americanos e, depois, na própria Índia.
Carvão, ferro e vapor
A segunda transformação foi energética. A Grã-Bretanha já usava muito carvão mineral para aquecimento doméstico e em indústrias como a cerâmica e a produção de sal. A fundição de ferro com coque (Abraham Darby, Coalbrookdale, 1709) e, mais tarde, o processo de pudlagem de Henry Cort (anos 1780) permitiram produzir ferro em grande escala com carvão em vez de carvão vegetal.
A máquina a vapor de Thomas Newcomen (1712) bombeava água das minas e era rentável sobretudo onde o carvão era quase gratuito. James Watt patenteou o condensador separado em 1769; a sociedade com Matthew Boulton (1775) e o movimento rotativo, nos anos 1780, levaram o vapor às fábricas. As primeiras ferrovias públicas a vapor, Stockton–Darlington (1825) e Liverpool–Manchester (1830), abriram a "era das ferrovias" 3 8.
Para Robert Allen, a combinação de salários altos e carvão barato tornou rentável na Grã-Bretanha, e não em outros lugares, inventar e adotar técnicas que poupavam trabalho e consumiam energia; só depois de décadas de aperfeiçoamentos essas técnicas se tornaram vantajosas em países com salários mais baixos ou carvão mais caro 8. Do ponto de vista de longo prazo, a passagem à energia fóssil é também o início da trajetória de emissões que a história ambiental associa às mudanças climáticas.
A fábrica e o trabalho
A fábrica concentrou trabalhadores, máquinas e fonte de energia num mesmo lugar, sob supervisão. Os historiadores sociais descreveram a imposição de uma nova disciplina do tempo, horários, multas, ritmo da máquina, a trabalhadores acostumados ao trabalho doméstico e sazonal 10. Em A formação da classe operária inglesa (1963), E. P. Thompson reconstruiu a experiência de artesãos, tecelões manuais e operários, a repressão política das décadas de 1790–1820 e movimentos como o ludismo (1811–1816), em que trabalhadores têxteis destruíram máquinas em protesto contra salários e condições 10.
Uma parte grande da força de trabalho fabril era formada por mulheres e crianças, sobretudo na indústria têxtil. A organização dos trabalhadores, proibida pelas Combination Acts (1799–1800, revogadas em 1824), cresceu em sociedades de ajuda mútua, sindicatos e, nos anos 1830–1840, no cartismo, movimento pelo sufrágio masculino. O tema é tratado em sindicatos e negociação coletiva e trabalho assalariado.
Engels, que viveu em Manchester, descreveu em 1845 as condições de moradia, saúde e trabalho dos operários em A situação da classe trabalhadora na Inglaterra; a obra é ao mesmo tempo fonte de época e interpretação 1.
Trabalho infantil e as primeiras leis fabris
Crianças trabalhavam na agricultura e no artesanato antes da industrialização; o que mudou foi a escala e a forma, jornadas longas em fábricas e minas, sob disciplina de terceiros. Estimativas reunidas pela historiadora Carolyn Tuttle indicam que, em 1833, crianças com menos de 13 anos eram cerca de 10% a 20% da força de trabalho das fábricas de algodão, lã, linho e seda, e jovens de 13 a 18 anos, de 23% a 57%; num estudo das fábricas de algodão, 4,5% dos trabalhadores tinham menos de 10 anos e 54,5% menos de 19 11.
A regulação veio por etapas. A lei de 1819 sobre fábricas de algodão fixou idade mínima de 9 anos, mas sem fiscalização eficaz 11. A Factory Act de 1833 proibiu o emprego de menores de 9 anos nas fábricas têxteis (exceto as de seda), limitou a jornada de crianças de 9 a 13 anos (48 horas semanais) e de jovens até 18 anos (12 horas diárias), proibiu o trabalho noturno de menores de 18, exigiu duas horas diárias de escola para as crianças e, sobretudo, criou um corpo de inspetores pagos pelo Estado 11 12. Seguiram-se a lei das minas de 1842, que proibiu o trabalho subterrâneo de mulheres e meninas, a lei de 1844 e a lei das dez horas de 1847, que limitou a jornada de mulheres e jovens nas fábricas têxteis 11 12.
A participação de crianças com menos de 13 anos nas fábricas têxteis caiu de 13,4% em 1835 para 4,6% em 1850, voltando a subir depois. As explicações para o declínio de longo prazo do trabalho infantil incluem as leis, o aumento dos salários adultos, o ideal do "chefe de família provedor", mudanças técnicas que exigiam trabalhadores adultos e a escolarização (a escola obrigatória só veio em 1870–1880) 11.
Salários e padrão de vida: otimistas × pessimistas
O debate sobre o padrão de vida é um dos mais antigos da história econômica. Os "pessimistas", de Engels e dos Hammond a Eric Hobsbawm e E. P. Thompson, sustentaram que a vida dos trabalhadores piorou ou estagnou entre o fim do século XVIII e meados do XIX; os "otimistas", como R. M. Hartwell e, nos anos 1980, Peter Lindert e Jeffrey Williamson, viram ganhos reais 13.
Hoje há acordo de que o padrão de vida subiu no longo prazo; a disputa é sobre quando e quanto 13:
- Lindert e Williamson (1983) encontraram crescimento lento dos salários reais de 1781 a 1819 e rápido depois: seu índice de salários de trabalhadores manuais quase dobra entre 1819 e 1851 13.
- Charles Feinstein (1998), com novas séries de salários nominais e de custo de vida e ajustes para desemprego, dependentes e custos da urbanização, concluiu que o padrão de vida da família operária média melhorou menos de 15% entre os anos 1780 e os anos 1850, um longo platô 14.
- Gregory Clark propôs um índice de preços mais otimista; Robert Allen (2007), comparando os dois, construiu um índice próprio cujo resultado ficou muito mais próximo de Feinstein 15.
- Indicadores não salariais complicam o quadro: a expectativa de vida ao nascer na Inglaterra subiu de cerca de 35 para 40 anos entre 1781 e 1851, segundo Wrigley e Schofield 13, mas estudos de estatura, de mortalidade urbana e de saúde indicam piora em cidades industriais nas primeiras décadas do século XIX.
A conclusão mais aceita, com base nas séries de Feinstein e Allen, é que a produtividade cresceu bem mais do que os salários reais até cerca de 1840, de modo que a participação dos lucros na renda aumentou, um dado que alimenta leituras marxistas e não marxistas sobre a distribuição dos ganhos da industrialização (ver participação dos salários na renda).
Por que a Grã-Bretanha?
As principais explicações não são todas excludentes:
- Preços relativos, Robert Allen. A Grã-Bretanha tinha salários altos em comparação com a Europa continental e a Ásia, e energia (carvão) e capital baratos. Inventar máquinas que poupavam trabalho e usavam carvão era rentável ali e não em outros lugares; os salários altos também permitiam mais escolarização e aprendizado técnico 8. Críticos perguntam o que explicava os salários altos e se o carvão merece tanto peso.
- Cultura e conhecimento, Joel Mokyr. A "economia esclarecida" britânica teria combinado o Iluminismo industrial, circulação de conhecimento útil entre cientistas, engenheiros e artesãos, sociedades científicas, patentes, com uma grande oferta de mecânicos habilidosos 4.
- Carvão e colônias, Kenneth Pomeranz. O carvão próximo aos centros produtivos e os recursos das Américas (terra, algodão, açúcar, produzidos em grande parte por escravizados) teriam permitido à Grã-Bretanha escapar de limites ecológicos que as regiões mais avançadas da China também enfrentavam 6 16.
- Comércio atlântico e escravidão, Eric Williams, Joseph Inikori. Mercados coloniais e trabalho africano nas Américas como motores da demanda e das exportações 5.
- Competição com a Índia, Prasannan Parthasarathi. A concorrência dos tecidos indianos e a política protecionista britânica (proibições de importação de chitas no século XVIII) estimularam a substituição de importações e a mecanização 17.
- Instituições. Para historiadores neoinstitucionalistas, direitos de propriedade seguros e um Parlamento dominado por proprietários após 1688 favoreceram o investimento.
- Relações sociais. Na tradição de Marx, Brenner e Wood, a precondição foi a formação anterior de relações capitalistas no campo e de uma massa de trabalhadores sem terra 7 18.
Difusão: Europa, Américas e Ásia
A industrialização se difundiu de forma desigual no século XIX, muitas vezes com papel maior do Estado e dos bancos do que no caso britânico, argumento central de Alexander Gerschenkron sobre o "atraso relativo": quanto mais atrasado o país, maior o papel de bancos de investimento e do Estado e maior a ênfase em bens de capital 19.
- Bélgica, com carvão e ferro na Valônia, foi o primeiro país do continente a industrializar-se, nas primeiras décadas do século XIX.
- Estados Unidos. A indústria têxtil da Nova Inglaterra começou com cópias de máquinas britânicas no fim do século XVIII e cresceu nas décadas de 1810–1830; a expansão ferroviária e a "segunda revolução industrial" fizeram dos EUA a maior economia industrial no fim do século XIX.
- Alemanha. Depois da união aduaneira (Zollverein, 1834) e das ferrovias dos anos 1840, a industrialização acelerou, sobretudo após a unificação de 1871, com grandes bancos, cartéis e indústrias química e elétrica.
- Japão. Após a Restauração Meiji (1868), o Estado criou fábricas-modelo, ferrovias e bancos e depois as vendeu a grupos privados, que deram origem aos conglomerados zaibatsu.
- Rússia. A industrialização acelerou nos anos 1890, com ferrovias, capital estrangeiro e política estatal (ministério de Serguei Witte), num país majoritariamente camponês 19.
- América Latina. Na maior parte da região, a inserção no mercado mundial do século XIX deu-se pela exportação de produtos primários; surtos industriais ocorreram no fim do século, em São Paulo, Buenos Aires e Cidade do México. A interpretação dessa trajetória é central para o estruturalismo latino-americano e para as teorias da dependência.
A desindustrialização da Índia: um debate
A Índia foi, no início do século XVIII, a principal exportadora mundial de tecidos de algodão. No meio do século XIX, havia perdido a maior parte dos mercados externos e parte do interno, sobretudo para a indústria britânica. Segundo estimativas do historiador econômico Paul Bairoch, citadas por David Clingingsmith e Jeffrey Williamson, a participação indiana na produção industrial mundial teria caído de cerca de 25% em 1750 para cerca de 2% em 1900 20.
A tese da desindustrialização foi formulada pelos nacionalistas indianos do fim do século XIX, como Romesh Chunder Dutt, que atribuíram o declínio à política da Companhia das Índias Orientais e da Coroa britânica, tributação, livre entrada de manufaturas inglesas, proteção na Grã-Bretanha contra os tecidos indianos 21. Historiadores marxistas e nacionalistas do século XX, como Amiya Kumar Bagchi, reforçaram a tese com estimativas de perda de emprego artesanal.
Os revisionistas relativizam: Clingingsmith e Williamson argumentam, com um modelo de três setores e séries de preços relativos, que fatores locais (fragmentação política após o declínio mogol, secas mais frequentes) já pesavam desde 1700, ao lado do choque de preços causado pela produtividade britânica 20; Tirthankar Roy destaca que parte do artesanato sobreviveu e se adaptou e que uma indústria moderna (algodão em Bombaim, juta em Calcutá) surgiu no fim do século XIX 22. O debate opõe, portanto, a ênfase na política colonial e a ênfase em mudanças tecnológicas e internas, sem que uma exclua a outra.
Interpretações e legados
- Marx e Engels viram na grande indústria a base material do capitalismo plenamente desenvolvido e da formação do proletariado, com produtividade inédita e, ao mesmo tempo, exploração intensificada 1 7.
- Karl Polanyi, em A grande transformação (1944), interpretou o período como a tentativa de criar um mercado autorregulado que tratava trabalho, terra e dinheiro como mercadorias, e as leis fabris e outras proteções como um "contramovimento" da sociedade.
- Historiadores econômicos (Crafts, Mokyr, Allen) tratam a Revolução Industrial como o início do crescimento sustentado da produtividade, com divergências sobre suas causas 2 4 8.
- História global e pós-colonial enfatiza a relação entre industrialização europeia, escravidão, colonialismo e desindustrialização de outras regiões 6 17.
- História ambiental destaca a transição a uma economia baseada em combustíveis fósseis.
Atribuir à Revolução Industrial, sozinha, todos os ganhos de bem-estar dos dois séculos seguintes, ou todos os males sociais da época, simplifica demais: os resultados dependeram também de lutas sociais, legislação, saúde pública, educação e da posição de cada região na economia mundial.
Cronologia
1709
Abraham Darby funde ferro com coque em Coalbrookdale.3
1712
Primeira máquina a vapor atmosférica de Newcomen em operação.8
c. 1764
Spinning jenny de James Hargreaves.1
1769
Patente da water frame de Arkwright e do condensador separado de Watt.3
1779
Mule de Samuel Crompton.3
1785
Patente do tear mecânico de Cartwright; uso do vapor na fiação.1
1811
Movimento ludista.10
1819
Lei sobre fábricas de algodão fixa idade mínima de 9 anos.11
1830
Inauguração da ferrovia Liverpool–Manchester.3
1833
Factory Act cria inspetores de fábrica e limita o trabalho infantil na indústria têxtil.11
1834
Formação do Zollverein alemão.19
1845
Engels publica A situação da classe trabalhadora na Inglaterra.1
1847
Lei das dez horas limita a jornada de mulheres e jovens nas fábricas têxteis.11
1868
Restauração Meiji no Japão.19
Bibliografia comentada
Robert C. Allen. The British Industrial Revolution in Global Perspective (2009)
Explicação pelos preços relativos (salários altos, energia barata) em perspectiva global; a principal referência recente do debate sobre as causas.
Joel Mokyr. The Enlightened Economy: An Economic History of Britain, 1700–1850 (2009)
História econômica da Grã-Bretanha de 1700 a 1850 com ênfase em conhecimento, instituições e cultura técnica.
Eric Hobsbawm. Industry and Empire (1968)
Síntese clássica de um historiador marxista sobre a industrialização britânica e o império; escrita acessível.
E. P. Thompson. The Making of the English Working Class (1963)
Obra fundamental da história social; reconstrói a experiência dos trabalhadores e a formação da consciência de classe.
Charles H. Feinstein. Pessimism Perpetuated: Real Wages and the Standard of Living in Britain during and after the Industrial Revolution (1998)
Principal estimativa "pessimista" moderna dos salários reais; base do consenso atual sobre o platô de 1780–1850.
Kenneth Pomeranz. The Great Divergence: China, Europe, and the Making of the Modern World Economy (2000)
Leitura global que relaciona a industrialização britânica ao carvão e às colônias americanas.
David Clingingsmith; Jeffrey G. Williamson. Mughal Decline, Climate Change, and Britain's Industrial Ascent: An Integrated Perspective on India's 18th and 19th Century Deindustrialization (2005)
Versão revisionista e quantitativa do debate sobre a desindustrialização indiana.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Friedrich Engels. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, Introdução (tradução inglesa no MIA). Marxists Internet Archive, 1845.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Engels advertiu (nota de 1892) que o esboço histórico não é exato em certos detalhes; algumas datas de invenções diferem das usadas hoje.
- 2N. F. R. Crafts. British Economic Growth during the Industrial Revolution. Clarendon Press (Oxford), 1985.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 3Eric Hobsbawm. Industry and Empire. Weidenfeld & Nicolson, 1968.[Historiografia · referência bibliográfica]Em português: Da Revolução Industrial inglesa ao imperialismo (Forense Universitária).
- 4Joel Mokyr. The Enlightened Economy: An Economic History of Britain, 1700–1850. Yale University Press, 2009.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 5Joseph E. Inikori. Africans and the Industrial Revolution in England: A Study in International Trade and Economic Development. Cambridge University Press, 2002.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 6Kenneth Pomeranz. The Great Divergence: China, Europe, and the Making of the Modern World Economy. Princeton University Press, 2000.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 7Karl Marx. O Capital, livro I, cap. 26: O segredo da acumulação primitiva (tradução inglesa no MIA). Marxists Internet Archive, 1867.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 8Robert C. Allen. The British Industrial Revolution in Global Perspective. Cambridge University Press, 2009.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 9Sven Beckert. Empire of Cotton: A Global History. Alfred A. Knopf, 2014.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 10E. P. Thompson. The Making of the English Working Class. Victor Gollancz, 1963.[Historiografia · referência bibliográfica]Em português: A formação da classe operária inglesa (Paz e Terra).
- 11Carolyn Tuttle. Child Labor during the British Industrial Revolution. EH.Net Encyclopedia (Economic History Association), 2001.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 12Factory Acts (verbete da Wikipédia em inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Usado só como orientação para as cláusulas das leis de 1833, 1844 e 1847; conferir no texto legal.
- 13Clark Nardinelli. Industrial Revolution and the Standard of Living. The Concise Encyclopedia of Economics (Econlib).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Texto de síntese de um economista de orientação otimista; usado para números de Lindert e Williamson e de Wrigley e Schofield.
- 14Charles H. Feinstein. Pessimism Perpetuated: Real Wages and the Standard of Living in Britain during and after the Industrial Revolution. The Journal of Economic History, v. 58, n. 3, p. 625–658, 1998.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado o resumo (RePEc/IDEAS).
- 15Robert C. Allen. Pessimism Preserved: Real Wages in the British Industrial Revolution. University of Oxford, Department of Economics, Working Paper 314, 2007.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado o resumo (EconPapers).
- 16Cosma Shalizi. Resenha de Kenneth Pomeranz, The Great Divergence (The Bactra Review, n. 133). The Bactra Review.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Resenha de um estatístico, não de um historiador especialista; usada para resumir o argumento e algumas objeções.
- 17Prasannan Parthasarathi. Why Europe Grew Rich and Asia Did Not: Global Economic Divergence, 1600–1850. Cambridge University Press, 2011.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 18Ellen Meiksins Wood. The Origin of Capitalism: A Longer View. Verso (1.ª ed. Monthly Review Press, 1999), 2002.[Historiografia · referência bibliográfica]Em português: A origem do capitalismo (Jorge Zahar).
- 19Alexander Gerschenkron. Economic Backwardness in Historical Perspective. Harvard University Press, 1962.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 20David Clingingsmith; Jeffrey G. Williamson. Mughal Decline, Climate Change, and Britain's Industrial Ascent: An Integrated Perspective on India's 18th and 19th Century Deindustrialization. NBER Working Paper 11730 (versão publicada: Explorations in Economic History, v. 45, n. 3, 2008, p. 209–234), 2005.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado o resumo. A participação indiana na produção industrial mundial (c. 25% em 1750; c. 2% em 1900) é estimativa de Paul Bairoch citada pelos autores.
- 21Romesh Chunder Dutt. The Economic History of India under Early British Rule. Kegan Paul, Trench, Trübner, 1902.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 22Tirthankar Roy. The Economic History of India, 1857–1947. Oxford University Press, 2000.[Historiografia · referência bibliográfica]
Rede de relações
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- Criado em
- 19 de outubro de 2026
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- 19 de outubro de 2026
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- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação a partir de Engels (MIA, introdução de 1845), resumos de Feinstein (1998) e Allen (2007), verbetes do Econlib (Nardinelli) e do EH.Net (Tuttle), Wikipédia (Factory Acts, só orientação) e resumo de Clingingsmith e Williamson (NBER). Datas de invenções e marcos de difusão seguem a cronologia corrente da historiografia (Hobsbawm, Allen), citada como referência bibliográfica sem conferência de página. Pendente: conferir as cláusulas da Factory Act de 1833 no texto legal (horas exatas por faixa etária, número inicial de inspetores); conferir datas das invenções (jenny, mule) em obra especializada; conferir a atribuição a Bagchi e o conteúdo de Roy (2000); conferir dados de estatura e mortalidade urbana citados genericamente.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Revolução Industrial. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/revolucao-industrial.
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