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Exército Lulaacervo documental
País e experiência históricaPublicado

União Soviética

União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (1922–1991)

Estado federal formado em 1922 a partir da Rússia soviética e de outras repúblicas, governado pelo Partido Comunista até 1991. Industrializou-se e alfabetizou-se rapidamente, venceu a Alemanha nazista com perdas imensas e praticou repressão em massa, trabalho forçado e deportações.

Também: URSS · União das Repúblicas Socialistas Soviéticas · Soiuz Sovetskikh Sotsialistitcheskikh Respublik · СССР · USSR

Índice e ficha
País de referência
Rússia, Ucrânia, Bielorrússia, Estados bálticos, Cáucaso e Ásia Central (15 Estados sucessores)
Estado histórico
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)
Período analisado
1922–1991
Regime
Estado de partido único; sovietes formalmente eleitos, com candidatura única a partir dos anos 1930; poder decisório no Politburo e no Secretariado do partido. Abertura política parcial e eleições competitivas em 1989–1991.
Partido governante
Partido Comunista (RKP(b) 1918–1925; VKP(b) 1925–1952; PCUS 1952–1991)
Ideologia declarada
Marxismo-leninismo; o Estado declarava-se em construção do socialismo e, depois, do comunismo.
Organização econômica
Economia mista sob a NEP (1921–1928); a partir de 1928–1930, propriedade estatal da indústria, agricultura coletivizada (kolkhozes e sovkhozes) e planejamento central com planos quinquenais; reformas de mercado parciais em 1987–1991.
Sobre a classificação
Fala-se em experiência "comunista" porque o Estado foi governado por um partido comunista que se declarava marxista-leninista e tinha o comunismo como objetivo programático. O próprio regime nunca declarou realizado o comunismo: dizia construir o socialismo. Correntes marxistas divergem sobre a natureza social da URSS (socialismo, Estado operário burocratizado, capitalismo de Estado, coletivismo burocrático).
Área
Socialismo e comunismo
Regiões
Europa, Ásia
Temas
Estado, poder e democracia, Economia e organização social, Repressão, violência política e direitos, Revoluções e guerras, Relações internacionais, Questão agrária e campesinato, Movimento operário e sindical, Ciência e educação, Cultura, artes e vida cotidiana, Dissidências e críticas

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi um Estado federal criado em 30 de dezembro de 1922 pela união da República Socialista Federativa Soviética da Rússia com as repúblicas soviéticas da Ucrânia, da Bielorrússia e da Transcaucásia, e dissolvido em dezembro de 1991, quando suas quinze repúblicas se tornaram Estados independentes. Por quase sete décadas foi governada por um único partido, o Partido Comunista, que se declarava marxista-leninista e apresentava o país como a primeira sociedade em construção do Socialismo rumo ao Comunismo.

A URSS passou de uma economia majoritariamente camponesa a uma potência industrial e nuclear, universalizou a alfabetização e o ensino, construiu um sistema público de saúde, lançou o primeiro satélite artificial e teve papel decisivo na derrota da Alemanha nazista, ao custo de cerca de 26 a 27 milhões de mortos. No mesmo período, o regime coletivizou à força a agricultura, provocou e agravou a fome de 1932–33, executou centenas de milhares de pessoas no Grande Terror de 1937–38, manteve milhões em campos de trabalho forçado (Gulag), deportou povos inteiros e reprimiu dissidentes até os anos 1980.

Este verbete trata essas dimensões com o mesmo rigor. Ele separa o Estado (a URSS), o regime político, o partido, a ideologia declarada e a organização econômica, que mudaram ao longo do tempo. A origem revolucionária está em Revolução Russa de 1917; a biografia do fundador, em Vladimir Lenin; o sistema de campos, em Sistema Gulag.

Estado, regime, partido, ideologia e economia: distinções

Fatos documentadosInterpretação historiográfica
  • Estado: a URSS foi formalmente uma federação de repúblicas "soberanas" com direito constitucional de secessão (constituições de 1924, 1936 e 1977). Eram 4 repúblicas fundadoras em 1922 e 15 a partir de 1956 (16 entre 1940 e 1956, com a Carélio-Finlandesa). A Rússia (RSFSR) concentrava a maior parte do território e da população.
  • Regime: os órgãos formais do Estado eram os sovietes (conselhos) eleitos, culminando no Soviete Supremo, e o governo (Conselho dos Comissários do Povo, depois Conselho de Ministros, a partir de 1946). Na prática, o poder decisório estava no partido, no Politburo e no Secretariado do Comitê Central, e as eleições, a partir dos anos 1930, tinham candidato único. A Constituição de 1977 (art. 6.º) declarou o partido "força dirigente e orientadora" da sociedade; o artigo foi alterado em 1990.
  • Partido: o Partido Operário Social-Democrata Russo (bolchevique) passou a chamar-se Partido Comunista da Rússia (bolchevique) em 1918, Partido Comunista de Toda a União (bolchevique) em 1925 e Partido Comunista da União Soviética (PCUS) em 1952.
  • Ideologia declarada: marxismo, sistematizado como Marxismo-leninismo a partir dos anos 1920–30. A constituição de 1936 declarou construído o "socialismo"; o programa do partido de 1961 prometeu a construção do comunismo em vinte anos; nos anos 1970 falou-se em "socialismo desenvolvido". Nenhum desses documentos declarou realizado o comunismo.
  • Organização econômica: propriedade estatal dos meios de produção industriais, agricultura coletivizada (fazendas coletivas, kolkhozes, e estatais, sovkhozes) a partir dos anos 1930, planejamento central (Gosplan, criado em 1921) com planos quinquenais a partir de 1928, preços fixados administrativamente e mercados legais limitados (feiras kolkhozianas, lotes privados). Durante a NEP (1921–1928) houve economia mista.

Por isso o portal evita chamar a URSS simplesmente de "país comunista": trata-se de um Estado governado por um partido comunista, com ideologia declarada marxista-leninista e economia estatal planificada, cujo funcionamento variou muito entre os anos 1920 e 1980 1 2.

Formação e NEP (1922–1928)

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

A URSS nasceu do fim da guerra civil e da reconquista, pelo Exército Vermelho, de territórios que haviam declarado independência (Ucrânia, Bielorrússia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão). A Declaração e o Tratado de União foram aprovados pelo I Congresso dos Sovietes da URSS em 30 de dezembro de 1922, depois de uma disputa em que Stalin, comissário das Nacionalidades, propusera que as repúblicas não russas entrassem na Rússia como repúblicas autônomas ("autonomização"); os comunistas georgianos se opuseram, receberam "tratamento rude" de Stalin e Sergo Ordjonikidze e foram apoiados por Lenin, que defendia uma união de repúblicas formalmente iguais. A Constituição foi aprovada em julho de 1923 e confirmada pelo II Congresso dos Sovietes da URSS em 13 de janeiro de 1924 3 4. A política de "enraizamento" (korenizatsiia) promoveu nos anos 1920 línguas, quadros e culturas nacionais nas repúblicas.

A Nova Política Econômica (NEP), adotada em 1921, permitiu o comércio privado e a agricultura camponesa familiar, com o Estado controlando a grande indústria, os bancos e o comércio exterior 5. A produção agrícola e industrial recuperou-se em grande parte dos níveis anteriores à guerra até meados da década. Após a morte de Lenin (janeiro de 1924), a disputa sucessória opôs Stalin, Trotsky, Zinoviev, Kamenev e Bukharin. Stalin, secretário-geral desde 1922, aliou-se sucessivamente a uns contra outros: Trotsky foi expulso do partido em 1927 e exilado em 1929; Bukharin, defensor da continuidade da NEP, foi derrotado em 1929 6 7.

Coletivização e deskulakização (1929–1933)

Fatos documentados

As dificuldades de abastecimento de grãos em 1927–28 levaram a direção do partido a abandonar a NEP. Stalin chamou 1929 de "ano da grande virada". Em junho de 1929, cerca de 1 milhão dos 25 milhões de domicílios camponeses estavam em fazendas coletivas; um decreto de 5 de janeiro de 1930 previu coletivizar a "imensa maioria" das propriedades nas principais regiões de grãos até o outono. Em março de 1930, cerca de 55% dos domicílios estavam formalmente inscritos; depois de Stalin criticar os "excessos" num artigo, mais da metade dos inscritos saiu dos kolkhozes, mas a pressão foi retomada: 53% em julho de 1931 e 61,5% em 1932 8.

A campanha veio acompanhada da "liquidação dos kulaks como classe" (deskulakização). Camponeses classificados como kulaks, categoria aplicada de forma arbitrária a famílias mais prósperas ou simplesmente a opositores, tiveram bens confiscados e foram reassentados localmente, deportados para "povoados especiais" no Norte, nos Urais, na Sibéria e no Cazaquistão, enviados a campos ou, nos casos considerados "mais perigosos", executados 8. Lynne Viola estudou esses povoados especiais, que receberam cerca de 2 milhões de deportados em 1930–1931 (número a conferir na obra), com mortalidade muito alta nos primeiros anos 9.

Camponeses resistiram com abate de gado, fuga para as cidades e milhares de protestos. As perdas de rebanhos foram enormes, e os kolkhozes tiveram dificuldade para cumprir as cotas de carne e leite 8.

Industrialização e planos quinquenais

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

O primeiro plano quinquenal (1928–1932, declarado cumprido em quatro anos e três meses) priorizou a indústria pesada: aço, carvão, energia, máquinas, tratores e armamento. Grandes projetos, Magnitogorsk, a usina hidrelétrica do Dnieper (DneproGES), as fábricas de tratores de Stalingrado e Tcheliabinsk, o metrô de Moscou, tornaram-se símbolos do período. Milhões de camponeses migraram para as cidades e canteiros. O financiamento veio da compressão do consumo, da extração de grãos do campo (inclusive para exportação durante a fome), da inflação e, em setores como mineração, canais e madeira, do trabalho forçado de presos do Gulag 10 1.

Os resultados são objeto de debate. As estatísticas oficiais anunciaram taxas de crescimento extraordinárias; reconstruções ocidentais (Abram Bergson e a CIA) e do economista soviético Grigori Khanin chegaram a taxas bem menores, embora ainda altas para os anos 1930 e 1950. Há consenso de que a URSS construiu em pouco tempo uma base industrial pesada capaz de sustentar o esforço de guerra de 1941–45, com custo humano e de bem-estar muito alto 11.

O movimento stakhanovista (1935), nomeado a partir do mineiro Aleksei Stakhanov, premiava recordes de produção. A legislação trabalhista endureceu: passaporte interno (dezembro de 1932) 12, cadernetas de trabalho (1938) e, em junho de 1940, uma lei que tornou crime mudar de emprego sem autorização ou chegar mais de vinte minutos atrasado ao trabalho, revogada só por decreto do Soviete Supremo de 25 de abril de 1956 13.

A fome de 1932–1933: Ucrânia (Holodomor), Cazaquistão e outras regiões

Fatos documentadosDebate em aberto

Entre 1930 e 1933, a URSS sofreu fomes catastróficas, com o auge em 1932–33 na Ucrânia, no Cáucaso do Norte (inclusive o Kuban, com forte população ucraniana), no Baixo Volga e no Cazaquistão 8. As causas imediatas foram as cotas de entrega de grãos impostas a uma agricultura desorganizada pela coletivização e pela deskulakização, colheitas ruins e a decisão de manter requisições e exportações. Medidas punitivas agravaram a mortalidade: a lei de 7 de agosto de 1932 sobre a "proteção da propriedade socialista", que punia com até a morte o furto de espigas em campos coletivos; as "listas negras" de aldeias que não cumpriam cotas (novembro de 1932), privadas de comércio e abastecimento; e a diretiva de janeiro de 1933 que proibiu a saída de camponeses da Ucrânia e do Cáucaso do Norte em busca de comida 12.

Números (não somar as estimativas, que se sobrepõem):

  • Ucrânia: reconstrução demográfica de Rudnytskyi, Levchuk, Wolowyna e coautores (2015) estima 3,9 milhões de mortes em excesso em 1932–34, além de 0,6 milhão de nascimentos perdidos (perda total de 4,5 milhões); as mortes em excesso equivalem a 16,5% da população rural e 4,0% da urbana de 1933 14.
  • Cazaquistão: a fome de 1930–33, associada à sedentarização forçada dos pastores nômades e à requisição de rebanhos, matou cerca de 1,5 milhão de pessoas, em sua grande maioria cazaques, mais de um quarto da população da república, segundo Sarah Cameron; centenas de milhares fugiram para outras repúblicas e para a China 15 12.
  • URSS como um todo: o projeto Seventeen Moments fala em "pelo menos cinco milhões" de mortos 8; estimativas reunidas na literatura vão de cerca de 5,5–6,5 milhões (faixa geralmente atribuída a Davies e Wheatcroft, 2004, a conferir na obra) a mais de 8 milhões 16 12. Robert Conquest atribuíra 7 milhões de mortes à fome e 14,5 milhões ao conjunto de coletivização, deskulakização e fome 17 18.

A fome foi negada pelo governo soviético por décadas e reconhecida apenas no fim dos anos 1980.

Debate: intencionalidade e classificação como genocídio

Debate em abertoInterpretação historiográfica

Há consenso historiográfico de que a fome foi causada ou enormemente agravada por decisões políticas da direção soviética, e não apenas por fatores naturais. O debate é sobre intenção e classificação jurídica:

  • Robert Conquest (The Harvest of Sorrow, 1986) apresentou a fome como "terror-fome" politicamente motivado, dirigido contra o campesinato e o nacionalismo ucraniano 18.
  • R. W. Davies e Stephen Wheatcroft, com base em arquivos centrais e regionais, consideram as políticas de Stalin "implacáveis e brutais", mas sustentam que não há bases sérias para a tese de uma política consciente de matar camponeses pela fome; para Wheatcroft, a fome foi consequência de políticas mal concebidas, sobretudo a de coleta de grãos 19 17. Michael Ellman respondeu que essa definição de intenção é estreita demais e que mortes previstas e aceitas também podem ser consideradas intencionais 12.
  • Andrea Graziosi distingue as fomes soviéticas de 1931–33 da fome específica ucraniana (e do Kuban) a partir do outono de 1932: a fome não teria sido planejada desde o início, mas a decisão de explorá-la para "dar uma lição" aos camponeses e à Ucrânia tornaria aceitável o uso do termo genocídio para o Holodomor 20.
  • Anne Applebaum (Red Famine, 2017) argumenta que decisões do fim de 1932 e início de 1933, combinadas com a repressão ao partido e à cultura ucranianos, tornaram a fome deliberadamente mais letal na Ucrânia; resenhistas divergem sobre o quanto ela se compromete com a classificação jurídica de genocídio, que relaciona à concepção ampla de Raphael Lemkin 21.
  • Hiroaki Kuromiya (2008) concluiu que não há evidência suficiente para afirmar nem que Stalin causou a fome para matar milhões, nem que ela foi um genocídio étnico ucraniano, e destacou o contexto internacional (medo de guerra e de infiltração estrangeira) como fator crítico 22.
  • Para o Cazaquistão, Sarah Cameron considera que o caso não se enquadra na definição de genocídio da Convenção da ONU, mas se aproxima da concepção mais ampla de Lemkin, e o descreve como crime contra a humanidade 12 15.

A Ucrânia reconheceu legalmente o Holodomor como genocídio em 2006, e diversos parlamentos e governos fizeram o mesmo; outros Estados e muitos historiadores preferem termos como "fome provocada" ou "crime contra a humanidade". O portal registra o debate sem minimizar a escala nem a responsabilidade política pelas mortes.

O Grande Terror (1936–1938)

Fatos documentadosDebate em aberto

Depois do assassinato de Serguei Kirov, dirigente do partido em Leningrado, em dezembro de 1934, a repressão política intensificou-se. Os processos de Moscou levaram à morte antigos dirigentes bolcheviques acusados de terrorismo e espionagem: Zinoviev, Kamenev e outros em agosto de 1936; Iuri Piatakov e outros em janeiro de 1937; Bukharin, Aleksei Rykov e o ex-chefe do NKVD Genrikh Iagoda em março de 1938. Em 1937–38, a cúpula do Exército Vermelho foi dizimada; também foram atingidos secretários regionais do partido, gestores industriais, quadros de minorias nacionais, intelectuais e religiosos 23.

O maior número de vítimas, porém, veio das "operações de massa" do NKVD, conduzidas por troikas extrajudiciais com cotas por região. A Ordem n.º 00447, de 30 de julho de 1937, mirou ex-kulaks, criminosos e "elementos antissoviéticos"; as cotas iniciais previam dezenas de milhares de fuzilamentos e foram ultrapassadas 23 24. As "operações nacionais" visaram poloneses, alemães, letões, coreanos e outros grupos; só a operação polonesa resultou em 143.810 prisões e 111.091 execuções, segundo dados do NKVD citados na literatura 24.

Segundo a documentação do NKVD publicada a partir dos anos 1990, 681.692 pessoas foram condenadas à morte e executadas em 1937–1938, cerca de 376 mil delas na operação "kulak", e mais de 1,5 milhão foram presas 24 25. A esse número somam-se mortes em detenção e nos campos, que não estão nele incluídas. A onda foi interrompida por resolução de novembro de 1938; o chefe do NKVD, Nikolai Iejov, foi preso e executado em 1940.

Debate: antes da abertura dos arquivos, estimativas como as de Robert Conquest (The Great Terror, 1968) chegaram a números de execuções muito superiores 26. Os dados do NKVD reduziram e precisaram as cifras, mas confirmaram a escala do massacre. J. Arch Getty e Oleg Naumov enfatizaram as tensões entre o centro e as elites regionais e a dinâmica institucional da repressão; Oleg Khlevniuk e a maioria dos especialistas atuais, com base na mesma documentação, sublinham que as operações de massa foram iniciadas, planejadas e controladas a partir do centro, com aprovação pessoal de Stalin e do Politburo 27 7.

Gulag e deportações de povos

Fatos documentados

O sistema de campos de trabalho forçado, o Gulag, chegou a manter mais de 2,4 milhões de pessoas em campos e colônias no início de 1953; ver o verbete Sistema Gulag para origens, números e debates 28.

As deportações de povos inteiros atingiram, nos anos 1930, coreanos do Extremo Oriente (1937) e outras minorias de fronteira; em 1941, os alemães do Volga; e, em 1943–44, chechenos, inguches, karatchais, balkares, kalmuks, tártaros da Crimeia e turcos mesquécios, acusados coletivamente de colaboração com a Alemanha. Só nas deportações do Cáucaso do Norte e da Crimeia em 1943–44, cerca de um milhão de pessoas foram removidas pelo NKVD; chechenos e inguches foram deportados em fevereiro de 1944, os tártaros da Crimeia em maio de 1944. Muitos morreram no transporte e nos primeiros anos de "assentamento especial" no Cazaquistão e na Ásia Central 29. Em 1957, o governo retirou a acusação de colaboração e permitiu o retorno da maioria desses povos, exceto tártaros da Crimeia e turcos mesquécios, cuja reabilitação plena só veio no fim dos anos 1980 29.

A Segunda Guerra Mundial (1939–1945)

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

Depois de anos de política de "segurança coletiva" e de frentes populares antifascistas promovidas pela Internacional Comunista, a URSS assinou com a Alemanha nazista, em 23 de agosto de 1939, o Pacto Molotov-Ribbentrop, de não agressão, com um protocolo secreto que previa a partilha da Polônia e dividia a Europa oriental em esferas de influência. Em 17 de setembro de 1939, o Exército Vermelho entrou no leste da Polônia, apresentando a ação como reunificação de terras ucranianas e bielorrussas; em 30 de novembro de 1939 a URSS invadiu a Finlândia (o que levou à sua expulsão da Liga das Nações em 14 de dezembro), obtendo territórios no tratado de março de 1940; em junho–agosto de 1940 ocupou e incorporou Lituânia, Letônia e Estônia como repúblicas soviéticas e anexou a Bessarábia e a Bucovina do Norte, territórios romenos. Milhares de ex-funcionários, proprietários, clérigos e intelectuais dos territórios anexados foram presos, deportados ou executados 30. Em 1940, por ordem de Stalin e sob organização de Lavrenti Beria, o NKVD fuzilou cerca de 20 mil oficiais e outros prisioneiros poloneses, 4.443 na floresta de Katyn e cerca de 16 mil em outros locais, segundo documentos oficiais entregues à Polônia em 1992. Quando a Alemanha anunciou a descoberta das valas, em abril de 1943, Stalin acusou os nazistas; o governo soviético só admitiu o crime sob Gorbachev 31.

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha invadiu a URSS. O plano alemão era uma guerra de aniquilação: previa a morte pela fome de dezenas de milhões de pessoas nos territórios ocupados para alimentar o Reich 32. Nos territórios ocupados, os nazistas e seus colaboradores assassinaram a população judaica soviética em escala massiva, em massacres como o de Babi Iar, em Kiev, e na liquidação dos guetos de Minsk, Vilna e Riga, até 3 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos morreram em campos alemães 33, e o cerco de Leningrado (1941–44) matou centenas de milhares de civis. Depois das derrotas iniciais, agravadas pela falta de preparação e pela decapitação do comando militar em 1937–38, admitidas mais tarde pelo próprio Khrushchev, o Exército Vermelho venceu em Moscou (1941–42), Stalingrado (1942–43) e Kursk (1943) e chegou a Berlim em maio de 1945. A frente oriental concentrou a maior parte das forças terrestres alemãs, e a contribuição soviética para a derrota do nazismo é reconhecida pela historiografia de todas as correntes 34.

Mortos: Stalin anunciou no pós-guerra 7 milhões de mortos, e Khrushchev, 20 milhões, ambos números redondos sem base contábil. Uma auditoria demográfica encomendada sob Gorbachev, feita por Evgueni Andreev, Leonid Darski e Tatiana Kharkova, estimou 26 a 27 milhões de mortes em excesso (cerca de 26,6 milhões; um em cada oito habitantes do pré-guerra), cifra amplamente aceita; as perdas militares calculadas pela equipe de Grigori Krivosheev são de cerca de 8,7 milhões. Mark Harrison (2017) rejeitou como sem fundamento uma estimativa recente de 42 milhões e manteve a faixa de 26–27 milhões 32. O número militar é contestado por alguns pesquisadores russos, sobretudo quanto a prisioneiros de guerra mortos e desaparecidos.

Durante e logo depois da guerra, a repressão continuou: deportações de povos (ver acima), filtragem e envio a campos de ex-prisioneiros de guerra e repatriados, e repressão nos territórios anexados.

Pós-guerra, morte de Stalin e desestalinização (1945–1964)

Fatos documentados

O pós-guerra trouxe reconstrução rápida da indústria e uma nova fome em 1946–47, na Moldávia, em grande parte da Ucrânia e em áreas da Terra Negra central e do Baixo Volga: a seca de 1946 atingiu uma agricultura devastada pela guerra (em 1945 os kolkhozes tinham 42% dos cavalos e 38% dos homens em idade ativa do pré-guerra), a colheita de grãos caiu a 39,6 milhões de toneladas, contra 95,5 milhões em 1940, e o Estado manteve cotas elevadas de entrega e confiscou lotes familiares (decreto de 19 de setembro de 1946) 35; o número de mortos ainda precisa de fonte confiável neste verbete. Seguiram-se campanhas ideológicas contra a influência ocidental (a "jdanovschina") e uma campanha contra "cosmopolitas sem raízes" com forte conteúdo antissemita, que culminou na execução de membros do Comitê Antifascista Judaico (1952) e no "complô dos médicos" (1953). A URSS testou sua primeira bomba atômica em 1949. No Leste Europeu, governos comunistas foram instalados com apoio soviético entre 1945 e 1948 7.

Stalin morreu em 5 de março de 1953. Em 27 de março de 1953, uma anistia libertou mais de um milhão de presos comuns e condenados a penas curtas 36. Lavrenti Beria foi preso e executado no mesmo ano, e Nikita Khrushchev tornou-se primeiro-secretário do partido.

Em 24–25 de fevereiro de 1956, numa sessão fechada do XX Congresso do PCUS, Khrushchev leu o chamado "discurso secreto", que denunciou o "culto da personalidade" de Stalin, as prisões e execuções de quadros leais nos anos 1930, a falta de preparação para a invasão de 1941 e as deportações de nacionalidades. O discurso não tratou da coletivização, da fome nem da responsabilidade dos demais dirigentes; não foi publicado na imprensa soviética, mas circulou em reuniões do partido e foi divulgado no Ocidente 34. Seguiram-se reabilitações de presos e um "degelo" cultural limitado. O impacto no movimento comunista mundial foi enorme. Na Hungria, a revolta de outubro de 1956 foi esmagada por tropas soviéticas em novembro 34.

Khrushchev lançou a campanha das "terras virgens", ampliou a construção de moradias e as aposentadorias e prometeu, no programa de 1961, alcançar o comunismo em vinte anos. Em 2 de junho de 1962, milhares de operários da fábrica de locomotivas elétricas de Novotcherkassk e apoiadores marcharam contra o aumento nacional dos preços da carne e dos laticínios e contra o aumento das normas de trabalho; tropas dispersaram a multidão a tiros, matando 24 pessoas. Depois, 114 pessoas foram condenadas e sete executadas. O primeiro artigo na imprensa soviética sobre o caso só saiu em junho de 1988 37. No mesmo ano, a crise dos mísseis em Cuba (1959–presente) levou o mundo à beira da guerra nuclear. Khrushchev foi afastado por seus pares em outubro de 1964.

Era Brejnev, Afeganistão, perestroika e dissolução (1964–1991)

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

Sob Leonid Brejnev (1964–1982), o regime buscou estabilidade de quadros e garantiu à população emprego, moradia barata e bens básicos subsidiados, mas o crescimento econômico desacelerou continuamente. Em 1968, tropas do Pacto de Varsóvia invadiram a Tchecoslováquia para encerrar a "Primavera de Praga". A década de 1970 combinou paridade nuclear e distensão com os EUA (acordos SALT, Ata de Helsinque de 1975) e repressão a dissidentes. Em 25 de dezembro de 1979, tropas soviéticas entraram no Afeganistão, a convite do governo afegão de então, numa guerra que durou cerca de dez anos e terminou com a retirada soviética (concluída em fevereiro de 1989); dezenas de milhares de soldados soviéticos voltaram mortos ou feridos 38, e as perdas afegãs, muito maiores, ainda precisam de fonte neste verbete. O físico Andrei Sakharov, Nobel da Paz de 1975, foi desterrado para Gorki em 22 de janeiro de 1980, depois de criticar a invasão 39. Economicamente, todas as séries disponíveis registram forte desaceleração no período 11.

Depois dos breves governos de Iuri Andropov e Konstantin Tchernenko, Mikhail Gorbachev tornou-se secretário-geral em março de 1985. Lançou a perestroika (reestruturação) e a glasnost (transparência), temas que já anunciara em discurso de dezembro de 1984 e que ganharam substância depois de 1986, ano do desastre nuclear de Tchernóbil (26 de abril). No plano político, houve eleições competitivas para novos órgãos como o Congresso dos Deputados do Povo e maior papel dos sovietes; no econômico, legalização de cooperativas e empresas semiprivadas, liberalização parcial de preços e eleição de gerentes pelos coletivos de trabalho. A glasnost passou a funcionar como direito reivindicado de baixo, e a "glasnost retrospectiva", a revelação de crimes do passado, corroeu a confiança no Estado 40. Houve libertação de presos políticos, fim da censura prévia e revogação do monopólio constitucional do partido (1990). Em 1989, a URSS deixou de impedir a queda dos regimes comunistas do Leste Europeu. A reforma econômica desorganizou o planejamento sem criar mercados funcionais, e movimentos nacionais ganharam força nas repúblicas 41.

Uma tentativa de golpe de dirigentes conservadores em agosto de 1991 fracassou diante da resistência liderada por Boris Ieltsin em Moscou. Em 1.º de dezembro, a Ucrânia aprovou a independência em referendo; em 8 de dezembro, os líderes da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia declararam extinta a URSS e criaram a Comunidade de Estados Independentes; em 21 de dezembro, outras repúblicas aderiram; em 25 de dezembro de 1991, Gorbachev renunciou à presidência da URSS 41. No dia seguinte, o Soviete das Repúblicas declarou formalmente o fim da União.

As explicações para o colapso são debatidas: esgotamento do modelo econômico extensivo, custo da corrida armamentista, perda de legitimidade ideológica, questão nacional, efeitos não previstos das reformas de Gorbachev, papel das elites que preferiram o controle de Estados próprios.

Economia, trabalho e agricultura

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

A economia soviética foi, a partir de 1928–30, uma economia de comando: as metas físicas de produção, os preços e a alocação de insumos eram definidos por órgãos do Estado; não havia mercado de capitais, e o desemprego aberto praticamente desapareceu nos anos 1930. O modelo foi eficaz para mobilizar recursos para a indústria pesada e a defesa, mas tendia a produzir escassez crônica de bens de consumo, baixa qualidade, desperdício de insumos e pouca inovação fora do setor militar 11.

O crescimento foi alto nos anos 1930 e 1950 e desacelerou a partir dos anos 1960–70. Segundo Mark Harrison, as séries oficiais indicam crescimento médio anual do produto material líquido de 5,2% entre 1950 e 1987; a CIA estimou 3,8% ao ano para o PNB real; e Grigori Khanin, crítico soviético das estatísticas oficiais, também chegou a 3,8% para o produto material líquido. A distribuição no tempo difere: pelas cifras oficiais, de 6–8% nos anos 1960 a 3,5% no início dos 1980; pela CIA, de quase 5% a menos de 2%; por Khanin, de cerca de 4% a menos de 1% 11.

Na agricultura, os kolkhozes entregavam ao Estado cotas a preços baixos; os camponeses dependiam muito de pequenos lotes privados, que respondiam por parte desproporcional da produção de batatas, hortaliças, carne e leite. Os kolkhozianos só receberam passaporte interno de forma geral nos anos 1970. A partir dos anos 1970, a URSS tornou-se grande importadora de grãos 2 1.

No trabalho, havia garantia de emprego, sindicatos oficiais subordinados ao partido e ao Estado, ausência de direito de greve reconhecido e, entre 1940 e 1956, criminalização da mudança de emprego sem autorização. A participação feminina no trabalho assalariado era muito alta, combinada com a "dupla jornada" doméstica.

Educação, saúde e ciência

Fatos documentados

Educação. Um decreto de 26 de dezembro de 1919 obrigou a população de 8 a 50 anos a aprender a ler e escrever. Segundo os censos, a proporção de alfabetizados entre 9 e 49 anos passou de 28,4% em 1897 (Império Russo) para 56,6% em 1926, 87,4% em 1939 e 98,5% em 1959; entre mulheres, de 16,6% em 1897 para 81,6% em 1939 42. Os números vêm de fonte oficial soviética e devem ser lidos com as limitações apontadas nos indicadores abaixo. A escolarização secundária e o ensino superior técnico expandiram-se muito; a política escolar alternou fases de experimentação pedagógica (anos 1920) e de padronização (a partir dos anos 1930).

Saúde. O Comissariado da Saúde (1918) organizou um sistema público e gratuito (modelo associado a Nikolai Semachko), com expansão de hospitais, médicos e vacinação. A esperança de vida ao nascer subiu de cerca de 42 anos (homens) e 47 anos (mulheres) em 1926–27 para 64,4 e 71,6 anos em 1958–59, segundo as tábuas de mortalidade oficiais; depois, a dos homens estagnou e caiu (62,5 em 1978–79), em parte pelo alcoolismo, e só se recuperou temporariamente com a campanha antiálcool de 1985–87 43. As grandes catástrofes (fomes, Terror, guerra) não aparecem nessas tábuas, que excluem os anos de crise.

Ciência e tecnologia. A URSS formou uma grande comunidade científica e obteve feitos como o primeiro satélite artificial (Sputnik I, lançado de Baikonur em 4 de outubro de 1957), que deu ao país enorme prestígio internacional e levou os EUA a investir maciçamente em educação científica, e o primeiro voo humano ao espaço (Iuri Gagarin, 1961) 44. Ao mesmo tempo, a ciência sofreu intervenção ideológica: o agrônomo Trofim Lysenko, cujas promessas não verificadas de aumentar colheitas agradavam à direção, atacou a genética como ciência "burguesa"; o geneticista Nikolai Vavilov foi preso em 1940 (e morreu na prisão em 1943); e, depois da sessão da Academia Lênin de Ciências Agrícolas de agosto de 1948, toda a pesquisa genética foi interrompida até meados dos anos 1960 45. Cientistas, engenheiros e projetistas também trabalharam presos em laboratórios do NKVD (as charachkas).

Cultura, censura e vida cotidiana

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

Os anos 1920 conheceram um florescimento de vanguardas, o construtivismo, o suprematismo de Kazimir Malevitch, a poesia de Vladimir Maiakovski, o cinema de Serguei Eisenstein e Dziga Vertov, ao lado de movimentos de "cultura proletária". Em 1932, um decreto do partido dissolveu as associações literárias independentes, e o I Congresso dos Escritores Soviéticos (agosto de 1934), aberto por Máximo Górki, consagrou o realismo socialista como método oficial, com as palavras de ordem de acessibilidade, espírito popular e espírito de partido, e a fórmula "socialista no conteúdo, nacional na forma"; o método tornou-se mais rígido no pós-guerra, sob Andrei Jdanov 46. Escritores, artistas e cientistas foram presos e executados no Terror (entre eles Isaac Babel e Vsevolod Meyerhold).

A censura prévia (Glavlit, a partir de 1922) e o controle das editoras, da imprensa e das artes pelo partido duraram até a glasnost. O degelo pós-1956 permitiu publicar Um dia na vida de Ivan Denissovitch, de Aleksandr Soljenítsin (1962), mas Doutor Jivago, de Boris Pasternak, foi publicado no exterior (1957) e seu autor pressionado a recusar o Nobel de 1958. A partir dos anos 1960 cresceu a circulação clandestina de textos datilografados (samizdat).

A política para as mulheres incluiu, nos primeiros anos, casamento civil e divórcio sem autorização do marido (decretos de dezembro de 1917), o departamento feminino do partido (Jenotdel, 1919–1930) 47 e a legalização do aborto gratuito em hospitais (novembro de 1920). Uma lei de 27 de junho de 1936 "sobre a proteção da maternidade e da infância" proibiu o aborto, salvo risco de vida, e dificultou o divórcio; os abortos registrados caíram de 1,9 milhão em 1935 para 570 mil em 1937, e a mortalidade infantil subiu de 146 para 162 por mil nascidos entre 1935 e 1938, segundo o comissário da Saúde 48. O aborto voltou a ser legal em 1955. A religião foi combatida: milhares de igrejas, mesquitas e sinagogas foram fechadas, sobretudo a partir de 1929, e clérigos foram executados em massa em 1937–38; durante a guerra, Stalin permitiu uma reabertura controlada da Igreja Ortodoxa.

Direitos, liberdades e dissidência

Fatos documentados

As constituições soviéticas listavam direitos sociais (trabalho, descanso, educação, saúde, aposentadoria) e liberdades civis (expressão, imprensa, reunião), mas estas eram subordinadas, na lei e na prática, aos "interesses do socialismo" definidos pelo partido. Não havia partidos de oposição legais depois do início dos anos 1920, nem imprensa independente, nem judiciário autônomo diante do poder político. A polícia política, Tcheka, GPU/OGPU, NKVD, MGB e KGB (a partir de 1954), vigiava a população por meio de redes de informantes.

Depois de 1956, a repressão em massa deu lugar a uma repressão mais seletiva. O movimento dissidente, surgido entre intelectuais nos anos 1960, nunca reuniu mais do que alguns milhares de pessoas, mas teve peso moral e político muito maior: abaixo-assinados, cartas abertas, protestos e circulação de textos proibidos em samizdat, como a Crônica dos Acontecimentos Correntes (1968 ao início dos anos 1980). Conviviam nele correntes muito diferentes, o socialismo democrático do historiador Roi Medvedev, o liberalismo e a defesa dos direitos humanos de Andrei Sakharov, a crítica ortodoxa e nacionalista russa de Soljenítsin, e causas como as de crentes, judeus impedidos de emigrar e tártaros da Crimeia. As autoridades responderam com campanhas de imprensa, demissões, processos, prisão, internação psiquiátrica, desterro interno e expulsão do país com perda da cidadania; os grupos de monitoramento dos Acordos de Helsinque, formados depois de 1975, foram praticamente destruídos por prisões. Soljenítsin foi expulso em 1974; Sakharov foi desterrado em 1980 49 39. A psiquiatria punitiva, internação de opositores em hospitais psiquiátricos com diagnósticos como "esquizofrenia lenta", foi documentada por dissidentes e por associações psiquiátricas internacionais; a associação psiquiátrica soviética deixou a Associação Mundial de Psiquiatria em 1983, diante da iminente expulsão. Restrições à emigração, em especial de judeus soviéticos, foram outro foco de conflito.

Relações internacionais

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

A Internacional Comunista (Comintern), fundada em Moscou em 1919 e dissolvida em 1943, coordenou partidos comunistas de todo o mundo sob forte influência soviética. No Brasil, a ligação passou pela formação do Partido Comunista Brasileiro (PCB), pela permanência de Luís Carlos Prestes em Moscou no início dos anos 1930 e pelo Levante comunista de 1935, preparado com apoio de quadros da Internacional, entre eles Olga Benario.

A URSS apoiou a República Espanhola na guerra civil (1936–39), assinou o pacto de 1939 com a Alemanha e, depois de 1941, integrou a coalizão antifascista com EUA e Reino Unido. No pós-guerra, liderou o bloco do Leste: Cominform (1947), Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecon, 1949) e Pacto de Varsóvia (1955–1991). Interveio militarmente na Hungria (1956) e na Tchecoslováquia (1968). A Guerra Fria com os EUA incluiu corrida nuclear e espacial e conflitos indiretos. A ruptura sino-soviética, a partir do fim dos anos 1950, dividiu o movimento comunista internacional; ver China (República Popular da China).

A URSS deu apoio diplomático, militar e econômico a governos e movimentos de libertação nacional e anticoloniais na Ásia, na África e na América Latina, entre eles o Vietnã, Cuba após 1960 e movimentos nas colônias portuguesas da África, o que foi visto por seus aliados como solidariedade internacionalista e por seus adversários como expansão de influência geopolítica. As duas dimensões coexistiram e são objeto de interpretação 1.

Legados e debates

Debate em abertoInterpretação historiográficaPosição de outras organizações e correntes

O balanço da experiência soviética é dos mais disputados da história contemporânea. Algumas linhas de debate:

  • Modernização e custo humano. Para uma parte da historiografia, a URSS foi uma forma específica de modernização acelerada, industrialização, urbanização, alfabetização, ascensão social de milhões de filhos de operários e camponeses, obtida com coerção extrema. Para outra, a coerção não foi um "custo" de um projeto modernizador, mas a substância do regime. Moshe Lewin descreveu o "século soviético" como a construção de um Estado burocrático que absorveu a sociedade; Sheila Fitzpatrick estudou como as pessoas comuns viveram e se adaptaram ao stalinismo 1 2.
  • Totalitarismo e revisionismo. O conceito de totalitarismo, influente na Guerra Fria, enfatizou o controle total do Estado-partido; historiadores sociais "revisionistas" mostraram dinâmicas de baixo, conflitos institucionais e improvisação. Com os arquivos abertos, muitos especialistas combinam as duas perspectivas, reconhecendo tanto a centralização das decisões repressivas quanto a participação e a resistência sociais 27 7.
  • Continuidade entre Lenin e Stalin. Uns veem o stalinismo como desdobramento lógico do partido único e do terror de 1918–21 (por exemplo, Richard Pipes); outros, como ruptura com o projeto de 1917 (tradição trotskista, Moshe Lewin) ou como resultado de circunstâncias e escolhas específicas dos anos 1928–1933. Ver Stalinismo e Trotskismo.
  • Avaliações das correntes de esquerda. Partidos marxistas-leninistas reivindicam a construção do socialismo e a vitória sobre o nazismo, com graus diferentes de crítica aos crimes do período stalinista; trotskistas falam em "Estado operário degenerado" ou burocratizado; outras correntes (social-democratas, comunistas de conselhos, anarquistas) usaram expressões como "capitalismo de Estado" ou "coletivismo burocrático". O portal registra essas avaliações como posições de correntes, não como fatos.
  • Memória pós-soviética. Na Rússia atual, a memória oscila entre a nostalgia da potência, a celebração da vitória de 1945 e a lembrança das vítimas; a liquidação judicial da organização Memorial em 2021 é exemplo das disputas em torno dessa memória (ver Sistema Gulag).

Cronologia

  1. 30 de dezembro de 1922

    Tratado de criação da URSS (Rússia, Ucrânia, Bielorrússia e Transcaucásia).3

  2. 13 de janeiro de 1924

    II Congresso dos Sovietes da URSS confirma a Constituição.3

  3. 21 de janeiro de 1924

    Morte de Lenin.50

  4. 1928

    Início do primeiro plano quinquenal; fim da NEP.

  5. 5 de janeiro de 1930

    Decreto do Comitê Central sobre o ritmo da coletivização.8

  6. 7 de agosto de 1932

    Lei sobre a proteção da propriedade socialista ("lei das espigas").12

  7. 1933

    Auge da fome na Ucrânia, Cáucaso do Norte, Volga e Cazaquistão.14

  8. 1 de dezembro de 1934

    Assassinato de Serguei Kirov em Leningrado.23

  9. 30 de julho de 1937

    Ordem n.º 00447 do NKVD: início das operações de massa.24

  10. novembro de 1938

    Resolução que encerra as operações de massa do NKVD.24

  11. 23 de agosto de 1939

    Pacto Molotov-Ribbentrop.30

  12. 17 de setembro de 1939

    Exército Vermelho entra no leste da Polônia.30

  13. 1940

    Fuzilamento de cerca de 20 mil prisioneiros poloneses pelo NKVD (Katyn e outros locais).31

  14. 22 de junho de 1941

    Invasão alemã da URSS.32

  15. fevereiro de 1944

    Deportação de chechenos e inguches.29

  16. maio de 1945

    Tomada de Berlim; fim da guerra na Europa.

  17. 5 de março de 1953

    Morte de Stalin.

  18. 27 de março de 1953

    Anistia em massa de presos.36

  19. 25 de fevereiro de 1956

    "Discurso secreto" de Khrushchev no XX Congresso.34

  20. novembro de 1956

    Intervenção soviética na Hungria.34

  21. 4 de outubro de 1957

    Lançamento do Sputnik.44

  22. 2 de junho de 1962

    Massacre de Novotcherkassk.37

  23. agosto de 1968

    Invasão da Tchecoslováquia por tropas do Pacto de Varsóvia.

  24. 25 de dezembro de 1979

    Intervenção militar no Afeganistão (até fevereiro de 1989).38

  25. 22 de janeiro de 1980

    Andrei Sakharov é desterrado para Gorki.39

  26. março de 1985

    Gorbachev torna-se secretário-geral.

  27. 26 de abril de 1986

    Desastre nuclear de Tchernóbil.

  28. agosto de 1991

    Tentativa de golpe em Moscou.41

  29. 25 de dezembro de 1991

    Renúncia de Gorbachev; fim da URSS (declaração formal em 26 de dezembro).41

Indicadores

Cada número traz fonte, série, unidade, período e limitações. Números de séries diferentes não devem ser comparados entre si.

IndicadorValorPeríodoFonte e sérieLimitações
Esperança de vida ao nascer, homens / mulheres41,9 / 46,8 anos1926–1927USSR (former), tábuas de mortalidade e arquivo e0.csvTábuas de mortalidade oficiais (Goskomstat da URSS, 1989), arquivo e0 da Human Life-Table DatabaseTábua oficial publicada em 1989; conferir a cobertura territorial da tábua de 1926–27. Não comparável a anos de crise (fome, guerra), que não têm tábua oficial.
Esperança de vida ao nascer, homens / mulheres64,4 / 71,6 anos1958–1959USSR (former), tábuas de mortalidade e arquivo e0.csvTábuas de mortalidade oficiais (Goskomstat da URSS, 1989)Baseada no censo de 1959. Sub-registro de mortes infantis em algumas repúblicas da Ásia Central é apontado pela literatura demográfica.
Esperança de vida ao nascer, homens / mulheres62,5 / 72,6 anos1978–1979USSR (former), tábuas de mortalidade e arquivo e0.csvTábuas de mortalidade oficiais (Goskomstat da URSS, 1989)Mostra a estagnação e queda da esperança de vida masculina nos anos 1970; nos anos 1970–80 as autoridades deixaram de publicar parte dos dados de mortalidade.
Esperança de vida ao nascer, homens / mulheres65,0 / 73,8 anos1986–1987USSR (former), tábuas de mortalidade e arquivo e0.csvTábuas de mortalidade oficiais (Goskomstat da URSS, 1989)Melhora associada à campanha antiálcool de 1985–87, revertida depois.
Alfabetizados de 9 a 49 anos (total)28,4 (1897) · 56,6 (1926) · 87,4 (1939) · 98,5 (1959) % da população de 9–49 anos1897–1959Gramotnost (Alfabetização), verbete da Grande Enciclopédia Soviética, 3.ª ed.Censos de população; tabela da Grande Enciclopédia Soviética (3.ª ed., verbete "Gramotnost")Fonte oficial soviética. 1897 refere-se ao Império Russo (território diferente). O critério de alfabetização mudou (em 1897 bastava saber ler). O censo de 1939 foi feito depois da anulação do censo de 1937, cujos responsáveis foram reprimidos.
Crescimento médio anual do produto, 1950–19875,2 (oficial, PML) · 3,8 (CIA, PNB) · 3,8 (Khanin, PML) % ao ano1950–1987Economic Growth and Slowdown (cap. de "Brezhnev Reconsidered", org. E. Bacon e M. Sandle, Palgrave, 2002)Séries oficiais da TsSU/Goskomstat, CIA e G. I. Khanin, conforme Harrison (2002)Produto material líquido (conceito soviético) e PNB não são equivalentes. As séries diferem muito na distribuição temporal. Comparações de nível de renda com os EUA variaram de 57% a 12% conforme o método e não são confiáveis.
Mortes em excesso na Segunda Guerra Mundial26–27 milhões (cerca de 26,6 milhões); militares: cerca de 8,7 milhões pessoas1941–1945Counting the Soviet Union's War Dead: Still 26-27 Million (CAGE Working Paper n.º 332)Balanço demográfico de Andreev, Darski e Kharkova (1990, 1993); perdas militares de Krivosheev e outros (1993)Estimativa demográfica por diferença entre população esperada e observada; inclui mortes por fome, repressão e doença no período. O número militar é contestado quanto a prisioneiros e desaparecidos. Não somar com outras estimativas.

Bibliografia comentada

  • Moshe Lewin. Le siècle soviétique (ed. inglesa: The Soviet Century) (2003)

    Interpretação de conjunto de um historiador marxista independente, crítico do stalinismo, centrada na formação do Estado burocrático.

  • Sheila Fitzpatrick. Everyday Stalinism: Ordinary Life in Extraordinary Times. Soviet Russia in the 1930s (1999)

    História social da vida cotidiana nos anos 1930: moradia, abastecimento, mobilidade social, denúncias; referência da corrente "revisionista".

  • Oleg V. Khlevniuk. Stalin: New Biography of a Dictator (2015)

    Biografia baseada nos arquivos do Politburo por um dos principais especialistas russos; enfatiza o papel pessoal de Stalin nas decisões repressivas.

  • Stephen Kotkin. Stalin, vol. 1: Paradoxes of Power, 1878–1928 (2014)

    Primeiro volume de uma biografia monumental; trata da formação do regime até 1928, com ênfase na geopolítica e na ideologia.

  • J. Arch Getty e Oleg V. Naumov. The Road to Terror: Stalin and the Self-Destruction of the Bolsheviks, 1932–1939 (1999)

    Coleção comentada de documentos do Comitê Central sobre o Terror; interpretação que enfatiza conflitos institucionais e dinâmica interna da elite.

  • Omelian Rudnytskyi, Nataliia Levchuk, Oleh Wolowyna, Pavlo Shevchuk e Alla Kovbasiuk. Demography of a man-made human catastrophe: The case of massive famine in Ukraine 1932-1933 (2015)

    Principal reconstrução demográfica recente das perdas da fome na Ucrânia, com distribuição por idade, sexo e área.

  • R. W. Davies e S. G. Wheatcroft. The Years of Hunger: Soviet Agriculture, 1931-1933 (The Industrialisation of Soviet Russia, vol. 5) (2004)

    Estudo de referência sobre a agricultura e a fome de 1931–33 com base em arquivos centrais e regionais; defende que a fome não foi planejada, embora causada por políticas brutais.

  • Anne Applebaum. Red Famine: Stalin's War on Ukraine (2017)

    Narrativa de grande circulação sobre a fome na Ucrânia, que enfatiza a dimensão nacional; discutida por especialistas quanto à classificação de genocídio.

  • Robert Conquest. The Harvest of Sorrow: Soviet Collectivization and the Terror-Famine (1986)

    Obra pioneira (1986), anterior à abertura dos arquivos, que fixou a interpretação da fome como "terror-fome"; vários números foram revistos.

  • Sarah Cameron. The Hungry Steppe: Famine, Violence, and the Making of Soviet Kazakhstan (2018)

    Estudo de referência sobre a fome cazaque de 1930–33 e a sedentarização forçada dos nômades.

  • Mark Harrison. Economic Growth and Slowdown (cap. de "Brezhnev Reconsidered", org. E. Bacon e M. Sandle, Palgrave, 2002) (2002)

    Comparação clara entre as séries oficiais, da CIA e de Khanin sobre o crescimento soviético e a desaceleração.

  • Mark Harrison. Counting the Soviet Union's War Dead: Still 26-27 Million (CAGE Working Paper n.º 332) (2017)

    Discussão metodológica das estimativas de mortos soviéticos na Segunda Guerra; defende a faixa de 26–27 milhões.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Moshe Lewin. Le siècle soviétique (ed. inglesa: The Soviet Century). Fayard, 2003.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  2. 2Sheila Fitzpatrick. Everyday Stalinism: Ordinary Life in Extraordinary Times. Soviet Russia in the 1930s. Oxford University Press, 1999.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  3. 3Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Union Treaty (1924).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  4. 4Moshe Lewin. Le dernier combat de Lénine (ed. inglesa: Lenin's Last Struggle). Éditions de Minuit, 1967.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  5. 5Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). The New Economic Policy (1921).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  6. 6Stephen Kotkin. Stalin, vol. 1: Paradoxes of Power, 1878–1928. Penguin Press, 2014.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  7. 7Oleg V. Khlevniuk. Stalin: New Biography of a Dictator. Yale University Press, 2015.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  8. 8Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Collectivization (1929).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  9. 9Lynne Viola. The Unknown Gulag: The Lost World of Stalin's Special Settlements. Oxford University Press, 2007.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  10. 10Oleg V. Khlevniuk. The History of the Gulag: From Collectivization to the Great Terror. Yale University Press, 2004.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  11. 11Mark Harrison. Economic Growth and Slowdown (cap. de "Brezhnev Reconsidered", org. E. Bacon e M. Sandle, Palgrave, 2002). Versão do autor, Universidade de Warwick, 2002.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  12. 12Soviet famine of 1930–1933. Wikipédia em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Orientação para datas de leis e para o mapa de posições; conferir na historiografia.
  13. 13Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Labor Reforms (1956).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  14. 14Omelian Rudnytskyi, Nataliia Levchuk, Oleh Wolowyna, Pavlo Shevchuk e Alla Kovbasiuk. Demography of a man-made human catastrophe: The case of massive famine in Ukraine 1932-1933. Canadian Studies in Population, vol. 42, n.º 1-2, p. 53-80, 2015.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado o resumo.
  15. 15Sarah Cameron. The Hungry Steppe: Famine, Violence, and the Making of Soviet Kazakhstan. Cornell University Press, 2018.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  16. 16R. W. Davies e S. G. Wheatcroft. The Years of Hunger: Soviet Agriculture, 1931-1933 (The Industrialisation of Soviet Russia, vol. 5). Palgrave Macmillan, 2004.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada a página de apresentação e tabelas suplementares; o livro em si não foi aberto.
  17. 17UCLA International Institute. The Soviet Famine of 1931-33: Politically Motivated or Ecological Disaster? (relato de palestra de Stephen Wheatcroft).[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  18. 18Robert Conquest. The Harvest of Sorrow: Soviet Collectivization and the Terror-Famine. Oxford University Press, 1986.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  19. 19R. W. Davies e Stephen G. Wheatcroft. Stalin and the Soviet Famine of 1932–33: A reply to Ellman. Europe-Asia Studies, vol. 58, n.º 4, p. 625-633, 2006.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado o resumo; resposta a M. Ellman (Europe-Asia Studies, 2005).
  20. 20Andrea Graziosi. The Soviet 1931–1933 Famines and the Ukrainian Holodomor: Is a New Interpretation Possible, and What Would Its Consequences Be?. Harvard Ukrainian Studies, vol. 25, n.º 3/4.[Historiografia · referência bibliográfica]Não consultado na íntegra; a posição resumida no texto vem de resumos do repositório da Universidade de Nápoles e deve ser conferida.
  21. 21Anne Applebaum. Red Famine: Stalin's War on Ukraine. Doubleday / Allen Lane, 2017.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  22. 22Hiroaki Kuromiya. The Soviet Famine of 1932–1933 Reconsidered. Europe-Asia Studies, vol. 60, n.º 4, p. 663-675, 2008.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado o resumo.
  23. 23Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Great Terror (1936).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  24. 24Great Purge. Wikipédia em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Orientação para os números das operações do NKVD (que remontam a relatórios do próprio NKVD publicados nos anos 1990); conferir em Getty/Rittersporn/Zemskov e Khlevniuk.
  25. 25J. Arch Getty, Gábor T. Rittersporn e Viktor N. Zemskov. Victims of the Soviet Penal System in the Pre-war Years: A First Approach on the Basis of Archival Evidence. American Historical Review, vol. 98, n.º 4, p. 1017-1049, 1993.[Historiografia · referência bibliográfica]Artigo não aberto; dados citados a partir de reproduções secundárias.
  26. 26Robert Conquest. The Great Terror: Stalin's Purge of the Thirties. Macmillan, 1968.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  27. 27J. Arch Getty e Oleg V. Naumov. The Road to Terror: Stalin and the Self-Destruction of the Bolsheviks, 1932–1939. Yale University Press, 1999.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  28. 28Gulag. Wikipédia em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Orientação para as séries de população e mortalidade, que reproduzem dados de arquivo publicados por Zemskov e por Getty, Rittersporn e Zemskov; conferir nos originais.
  29. 29Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Mass Deportation of National Minorities (1943).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  30. 30Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Soviet Territorial Annexations (1939).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  31. 31Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Katyn Forest Massacre (1943).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  32. 32Mark Harrison. Counting the Soviet Union's War Dead: Still 26-27 Million (CAGE Working Paper n.º 332). Universidade de Warwick, 2017.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  33. 33Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Holocaust (1943).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  34. 34Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Khrushchev's Secret Speech (1956).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  35. 35Lewis Siegelbaum, Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Famine of 1946-1947.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  36. 36Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Release of Prisoners from the GULAG / Prisoners Return (1954).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  37. 37Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Novocherkassk Massacre (1961).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  38. 38Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Invasion of Afghanistan (1980).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  39. 39Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Sakharov Exiled (1980).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  40. 40Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Perestroika and Glasnost (1985).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  41. 41Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). The End of the Soviet Union (1991).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  42. 42M. P. Kashin. Gramotnost (Alfabetização), verbete da Grande Enciclopédia Soviética, 3.ª ed.. Bolshaia Sovetskaia Entsiklopediia (reprodução digital em booksite.ru).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Fonte oficial soviética; tabela 1 traz o percentual de alfabetizados de 9 a 49 anos nos censos de 1897, 1926, 1939, 1959 e 1970.
  43. 43Human Life-Table Database (Max Planck Institute for Demographic Research e parceiros). USSR (former), tábuas de mortalidade e arquivo e0.csv. Dados de Goskomstat da URSS, "Tablitsy smertnosti i ozhidaemoi prodolzhitelnosti zhizni naseleniia" (1989).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]
  44. 44Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Launch of Sputnik (1956).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  45. 45Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Lysenkoism in Biology (1947).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  46. 46Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Socialist Realism (1934).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  47. 47Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). The New Woman (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  48. 48Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Abolition of Legal Abortion (1936).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  49. 49Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Dissident Movement (1973).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  50. 50Marxists Internet Archive. Lenin, Timeline. Marxists Internet Archive.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Datas no calendário juliano com equivalente gregoriano entre parênteses.

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
5.729 palavras · 50 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisa em Seventeen Moments in Soviet History (coletivização, Grande Terror, deportações, anistia de 1953, discurso secreto, fim da URSS), Mark Harrison (crescimento 1950–87; mortos de guerra), Human Life-Table Database (esperança de vida), Grande Enciclopédia Soviética (alfabetização), Rudnytskyi et al. 2015 (Ucrânia), resumos de Kuromiya 2008 e Davies e Wheatcroft 2006, e Wikipédia como orientação (leis da fome, números do NKVD). Pendente: conferir a faixa de 5,5–6,5 milhões atribuída a Davies e Wheatcroft (2004); confirmar as posições de Graziosi e Applebaum nos textos; número de deportados para povoados especiais em 1930–31 (Viola); números de Katyn, Novotcherkassk e da fome de 1946–47; cobertura territorial da tábua de 1926–27; dados de saúde (médicos, mortalidade infantil) com fonte; inserir imagens em domínio público.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: União Soviética. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/uniao-sovietica.

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