Pular para o conteúdo
Exército Lulaacervo documental
PessoaPublicado

Luís Carlos Prestes

Militar e dirigente comunista brasileiro (1898–1990)

Oficial do Exército, comandou a coluna rebelde de 1924–1927, aderiu ao comunismo no exílio e dirigiu o PCB como secretário-geral de 1943 a 1980. Esteve preso de 1936 a 1945, foi senador em 1946–1948 e rompeu com o partido em 1980.

Também: Luiz Carlos Prestes · Cavaleiro da Esperança

Fotografia de grupo de chefes rebeldes, publicada em revista de 1927.
Autoria desconhecida, 1927. Domínio público.

Índice e ficha
Nome completo
Luís Carlos Prestes
Nascimento
3 de janeiro de 1898, Porto Alegre (RS)
Morte
7 de março de 1990, Rio de Janeiro (RJ)
Nacionalidade
brasileira
Papéis
  • Comandante da Coluna Miguel Costa–PrestesOutro papel · 1924–1927
  • Presidente de honra da Aliança Nacional LibertadoraLiderança de partido comunista · 1935
  • Secretário-geral do PCBLiderança de partido comunista · 1943–1980
  • Senador pelo Distrito FederalOutro papel · 1946–1948
Como se definia
Declarou-se comunista a partir do exílio no início dos anos 1930; filiado ao PCB de 1934 até a exclusão em 1984. Não aderiu a outro partido comunista depois disso.
Filiações
organizacao:pcb (1934–1984)
Período
1898–1990
Área
Comunismo
Regiões
Brasil, América Latina
Temas
Partido e organização, Revoluções e guerras, Repressão, violência política e direitos, Estado, poder e democracia

Luís Carlos Prestes (Porto Alegre, 3 de janeiro de 1898 – Rio de Janeiro, 7 de março de 1990) foi uma das figuras políticas mais conhecidas do Brasil no século XX 1. Capitão do Exército, tornou-se célebre como comandante da coluna rebelde que atravessou o país entre 1924 e 1927. No exílio, aproximou-se do marxismo, viveu em Moscou e ingressou no Partido Comunista em 1934.

Presidente de honra da Aliança Nacional Libertadora e dirigente dos levantes de 1935, passou nove anos preso. Foi senador em 1946–1948 e secretário-geral do PCB de 1943 a 1980, período em que o partido viveu quase sempre na clandestinidade. Rompeu com a direção em 1980. Sua trajetória é objeto de admiração e de críticas, inclusive dentro da própria esquerda.

Origem e formação militar

Fatos documentados

Nasceu em Porto Alegre em 1898 e ingressou em 1916 na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Em 1922, ligado aos jovens oficiais que contestavam o governo, não participou diretamente da revolta de 5 de julho por estar doente 1.

A Coluna (1924–1927)

Fatos documentados

Em 29 de outubro de 1924, então capitão, liderou um levante em Santo Ângelo (RS). Suas tropas uniram-se aos rebeldes paulistas comandados por Miguel Costa e formaram a coluna que, até fevereiro de 1927, percorreu cerca de 25 mil quilômetros em 13 estados, sem ser derrotada, até se internar na Bolívia 1. A coluna era tenentista, não comunista; seu programa pedia, entre outras coisas, voto secreto e moralização da República. A fama da marcha valeu a Prestes o apelido de "Cavaleiro da Esperança", popularizado depois pela biografia escrita por Jorge Amado.

Exílio e adesão ao comunismo (1927–1934)

Fatos documentados

Exilado na Bolívia e na Argentina, Prestes recusou participar da Revolução de 1930 e aproximou-se do marxismo. Em 1930 foi detido em Buenos Aires e libertado sob condição de deixar o país; em 7 de novembro de 1931 chegou a Moscou 1. Sua adesão ao PCB, que desconfiava do "prestismo", só foi aceita em agosto de 1934 1.

ANL e 1935

Fatos documentados

Prestes voltou clandestinamente ao Brasil em abril de 1935, acompanhado por Olga Benario, militante comunista alemã designada pela Internacional para sua segurança 2. Foi aclamado presidente de honra da Aliança Nacional Libertadora e, em 5 de julho de 1935, lançou um manifesto que terminava com a palavra de ordem "Todo poder à ANL!", usado pelo governo para fechar a Aliança 3. Em agosto foi eleito para o comitê executivo da Internacional Comunista, e em 25 de novembro deu a ordem para o levante no Rio de Janeiro 3 2. Ver Levante comunista de 1935.

Prisão (1936–1945)

Fatos documentados

Foi preso com Olga em 5 de março de 1936, no bairro do Méier, no Rio de Janeiro 1. Olga foi expulsa para a Alemanha nazista; a filha do casal, Anita Leocádia, nasceu numa prisão de Berlim. Prestes foi condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional e ficou preso, grande parte do tempo isolado, até a anistia de abril de 1945. Em 1943, ainda preso, foi eleito secretário-geral do PCB na Conferência da Mantiqueira 1.

Senador (1946–1948) e clandestinidade

Fatos documentados

Em 2 de dezembro de 1945 foi eleito senador pelo Distrito Federal e tomou posse em fevereiro de 1946, na Assembleia Constituinte. Com o cancelamento do registro do PCB em maio de 1947, os mandatos comunistas foram extintos em janeiro de 1948 1. Prestes voltou à clandestinidade e permaneceu à frente do partido durante a virada da Declaração de Março (1958), que adotou a via pacífica e a aliança com setores nacionalistas 4.

Ditadura e exílio (1964–1979)

Fatos documentados

Depois do golpe de 1964, Prestes manteve a orientação contrária à luta armada, o que levou à saída de Marighella e de outros dirigentes. Em fevereiro de 1971, o comitê central decidiu que ele deveria deixar o país por razões de segurança; viveu sobretudo em Moscou até a anistia. Voltou ao Rio de Janeiro em 20 de outubro de 1979 1.

Ruptura com o PCB (1980) e últimos anos

Fatos documentados

Em choque com a maioria do comitê central, Prestes publicou em março de 1980 a Carta aos comunistas, em que denunciava a falência da direção e a falta de democracia interna. Em maio perdeu a secretaria-geral, assumida por Giocondo Dias; em 1984 foi excluído do partido 1. Nos anos seguintes apoiou candidatos do PDT de Leonel Brizola e, em 1989, Brizola e depois Lula no segundo turno. Morreu no Rio de Janeiro em 7 de março de 1990 1.

Críticas e controvérsias

Fatos documentadosDebate em aberto

O caso Elza Fernandes. Depois do fracasso de 1935, a direção do PCB passou a suspeitar de Elza Fernandes, jovem companheira do secretário-geral Antônio Maciel Bonfim (o "Miranda"), cujo nome aparece nas fontes como Elvira Cupello Calônio ou Elsa Cupelo Coloni, que fora presa e solta pela polícia. Ela foi considerada informante, "julgada" por dirigentes do partido e assassinada em 1936. Segundo o DHBB, em 7 de novembro de 1940 Prestes foi condenado por essa morte, com base em um bilhete de sua autoria datado de 19 de fevereiro de 1936, recebendo pena superior a 30 anos 1. O caso voltou ao debate público com o livro Elza, a garota, de Sérgio Rodrigues, que mistura investigação e ficção e sustenta que o partido matou uma jovem provavelmente inocente 5. A idade de Elza, a cadeia de decisão e o peso do bilhete de Prestes são discutidos por biógrafos e historiadores; parte das provas vem de inquéritos policiais do Estado Novo, que também devem ser lidos criticamente.

Outras críticas. Prestes foi criticado por adversários pela condução de 1935, pela obediência às orientações soviéticas e pelo personalismo na direção do PCB; dentro da esquerda, dissidentes que fundaram o PCdoB, a ALN e o PCBR o acusaram de reformismo e de passividade diante do golpe de 1964. Sua aproximação com Vargas em 1945, poucos anos depois da entrega de Olga à Alemanha, também é frequentemente lembrada. Biografias recentes oferecem avaliações divergentes 6 7.

Legado e memória

Interpretação historiográfica

Prestes é lembrado por admiradores como símbolo de coerência e resistência, a marcha da coluna, os nove anos de prisão, e por críticos como dirigente autoritário e alinhado a Moscou. Sua filha Anita Leocádia Prestes tornou-se historiadora e defendeu, em 1989, tese de doutorado sobre a Coluna Prestes 1. Prestes teve ainda sete filhos com Maria do Carmo Ribeiro, com quem se casou em 1953 1.

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

Cronologia

  1. 3 de janeiro de 1898

    Nasce em Porto Alegre.1

  2. 29 de outubro de 1924

    Lidera levante em Santo Ângelo (RS), origem da coluna.1

  3. 3 de fevereiro de 1927

    A coluna entra na Bolívia.1

  4. 7 de novembro de 1931

    Chega a Moscou.1

  5. agosto de 1934

    Admitido no PCB.1

  6. 5 de julho de 1935

    Manifesto da ANL.3

  7. 5 de março de 1936

    Preso com Olga Benario no Méier (Rio de Janeiro).1

  8. 7 de novembro de 1940

    Condenado pela morte de Elza Fernandes.1

  9. agosto de 1943

    Eleito secretário-geral do PCB, ainda preso.1

  10. abril de 1945

    Libertado pela anistia.1

  11. 2 de dezembro de 1945

    Eleito senador pelo Distrito Federal.1

  12. janeiro de 1948

    Mandato extinto.1

  13. fevereiro de 1971

    Parte para o exílio.1

  14. 20 de outubro de 1979

    Retorna ao Rio de Janeiro.1

  15. março de 1980

    Carta aos comunistas.1

  16. 7 de março de 1990

    Morre no Rio de Janeiro.1

Imagens

Fotografia de grupo de chefes rebeldes, publicada em revista de 1927.
Comandantes da Coluna Miguel Costa–Prestes, com Luís Carlos Prestes entre eles (número 3 na legenda original). Revista Careta, 19 de março de 1927.Autoria desconhecida, 1927. Origem: Revista Careta, ed. 978, p. 20 (Rio de Janeiro), via Wikimedia Commons. Licença: Domínio público. PD-Brazil-media na Wikimedia Commons: fotografia publicada no Brasil há mais de 70 anos (Lei 9.610/1998, art. 44).

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Alzira Alves de Abreu e Alan Carneiro. Prestes, Luís Carlos, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  2. 2Alzira Alves de Abreu. Revolta Comunista de 1935, verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  3. 3Alzira Alves de Abreu. Aliança Nacional Libertadora (ANL), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  4. 4Partido Comunista Brasileiro (PCB), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Verbete longo; nesta redação foram conferidos os trechos de 1922 a c. 1961 e as menções a 1962 e 1992.
  5. 5Sérgio Rodrigues. Elza, a garota, página da editora. Companhia das Letras.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Livro classificado pela editora como romance que mistura reportagem e ficção; aqui citado apenas como parte do debate público sobre o caso.
  6. 6Daniel Aarão Reis. Luís Carlos Prestes: um revolucionário entre dois mundos. 2014.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
  7. 7Anita Leocádia Prestes. Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro. 2015.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
  8. 8"A última photographia dos chefes revolucionários", Careta, ed. 978 (19/03/1927), via Wikimedia Commons.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]

Rede de relações

Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.

integrou

liderou

relacionado a

parente de

adversário de

Compartilhe

Peças para as redes

Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.

Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
999 palavras · 8 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoBase: verbete biográfico de Prestes no DHBB (lido integralmente em duas partes) e verbetes da ANL e da Revolta de 1935. Pendente: fonte para a frase sobre a aproximação com Vargas em 1945 (queremismo) e para o apelido 'Cavaleiro da Esperança' (Jorge Amado, 1942); conferir a sentença do TSN e a data e circunstâncias da morte de Elza Fernandes em fontes primárias; registrar com fonte as posições de Anita Leocádia Prestes e de outros autores sobre o caso Elza (não localizadas nesta pesquisa). Retrato de 1935 do Arquivo Nacional foi descartado: a fotografia hospedada na Commons com essa data aparenta ser de outra época.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

Encontrou um erro? Escreva pela página de correções citando o verbete e a seção. Correções ficam registradas neste histórico.

Como citar: Luís Carlos Prestes. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/luis-carlos-prestes.

Continue explorando

Preferências de leitura
Tamanho do texto
Fonte