Pular para o conteúdo
Exército Lulaacervo documental
TemaPublicado

Governos da ditadura (1964–1985)

Cinco generais-presidentes e uma junta militar, de Castelo Branco a Figueiredo

Entre abril de 1964 e março de 1985 o Brasil foi governado por cinco generais escolhidos por um Congresso mutilado ou por Colégio Eleitoral, e por uma junta militar (1969). O verbete apresenta cada governo, seus atos documentados e a discussão sobre responsabilidade.

Também: Governos militares · Presidentes da ditadura militar · Regime militar (1964–1985) · Generais-presidentes

Índice e ficha

Entre o golpe de 1964 e a posse de José Sarney em 15 de março de 1985, o Brasil teve cinco generais-presidentes, Humberto Castelo Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo, e, entre agosto e outubro de 1969, uma junta militar formada pelos três ministros militares 1. Nenhum deles foi eleito pelo voto popular: o AI-1 e o AI-2 entregaram a eleição presidencial ao Congresso, e a Constituição de 1967 a um Colégio Eleitoral 2 3 4.

Este verbete apresenta, para cada governo, o cargo, a forma de escolha, o período exato, os principais atos e decisões documentados, os ministros e chefes de órgãos mais relevantes para entender o período, e as instituições criadas. Em seguida, discute a cadeia de comando e a responsabilidade, o que a Comissão Nacional da Verdade concluiu, o que um memorando da CIA de 1974 registra e o que não prova, e a situação judicial, e os debates historiográficos sobre "moderados" e "linha dura". Para o quadro geral, veja Ditadura militar (1964–1985).

Como se escolhia o presidente

Fatos documentados

O AI-1 (9 de abril de 1964) determinou que o presidente e o vice seriam eleitos pela maioria absoluta do Congresso, em dois dias, em votação nominal 2, Congresso do qual a primeira lista de cassados, publicada na véspera, já havia retirado dezenas de parlamentares 5 6. O AI-2 (27 de outubro de 1965) tornou a regra permanente (art. 9º) e extinguiu os partidos existentes (art. 18), o que levou ao bipartidarismo Arena × MDB 3 5. A Constituição de 1967 transferiu a escolha a um Colégio Eleitoral formado pelo Congresso e por delegados das assembleias estaduais 4.

Na prática, a decisão era tomada na cúpula militar e no Palácio do Planalto, e depois homologada: a CNV registra que Médici apontou Geisel como sucessor em reunião com colaboradores em janeiro de 1971 5, e que Geisel comunicou formalmente a Figueiredo, em 31 de dezembro de 1977, que o indicaria 5. Em 1969, a sucessão de Costa e Silva foi decidida pelo Alto Comando das Forças Armadas, que impediu a posse do vice civil, Pedro Aleixo 6 7.

Castelo Branco (15/4/1964 – 15/3/1967)

Fatos documentados

Cargo e escolha. Marechal, chefe do Estado-Maior do Exército no momento do golpe 1, Humberto de Alencar Castelo Branco foi eleito pelo Congresso em 11 de abril de 1964, nos termos do AI-1, e tomou posse quatro dias depois 8 1. Governou até 15 de março de 1967 1.

Atos e decisões documentados.

  • Criação do Serviço Nacional de Informações (SNI) pela Lei nº 4.341, de 13 de junho de 1964 9; a CNV cita essa decisão como exemplo da responsabilidade político-institucional do presidente 1. Ver SNI e Sistema Nacional de Informações (SISNI).
  • AI-2 (27/10/1965), editado depois da vitória da oposição em Minas Gerais e na Guanabara: extinguiu os partidos e tornou indiretas as eleições para presidente 3 5; AI-3 (5/2/1966), eleições indiretas para governador e nomeação de prefeitos de capitais 10; AI-4 (7/12/1966), convocação do Congresso para votar a nova Constituição 11.
  • Recesso do Congresso decretado pelo Ato Complementar nº 23, em 20 de outubro de 1966, depois da cassação de seis deputados 6.
  • Constituição de 24 de janeiro de 1967 5, Decreto-Lei nº 200 (25/2/1967), reforma da administração federal 12, e Lei de Segurança Nacional (Decreto-Lei nº 314, 13/3/1967) 13.
  • Política econômica: a CNV registra aumentos de tarifas, reajustes salariais abaixo da inflação, restrição às greves e a criação do FGTS, que acabou com a estabilidade decenal 5 (Lei nº 5.107, de 13/9/1966 14). A Lei nº 4.595, de 31/12/1964, reorganizou o sistema financeiro e transformou a SUMOC no Banco Central da República do Brasil 15.

Pessoas-chave. Golbery do Couto e Silva chefiou o SNI de junho de 1964 a março de 1967 1; Ernesto Geisel, o Gabinete Militar 8; Costa e Silva foi ministro da Guerra/Exército até junho de 1966 1. Juraci Magalhães e, a partir de janeiro de 1966, Mem de Sá ocuparam a Justiça; Roberto Campos, o Planejamento; Luís Viana Filho, o Gabinete Civil 8.

Repressão. A CNV registra prisões em massa desde os primeiros dias, cerca de 5 mil nos dias seguintes ao golpe, segundo a embaixada dos EUA, centenas de inquéritos policial-militares e a deposição de diretorias de sindicatos 5. Segundo o DHBB, Geisel foi enviado ao Nordeste para verificar denúncias de tortura e seu relatório não as confirmou, conclusão contestada à época 8.

Costa e Silva (15/3/1967 – 31/8/1969)

Fatos documentados

Cargo e escolha. Marechal, ministro da Guerra/Exército de abril de 1964 a junho de 1966, Arthur da Costa e Silva foi eleito indiretamente pelo Congresso em 3 de outubro de 1966 e tomou posse em 15 de março de 1967 5 1. Segundo o DHBB, Castelo Branco acabou aceitando sua candidatura sob pressão da "linha dura", e Geisel e Golbery se opuseram a ela 8.

Atos e decisões documentados.

  • AI-5 (13/12/1968) e recesso do Congresso pelo AC nº 38 16 17; ver Ato Institucional nº 5 (AI-5). Aposentadoria de três ministros do STF (16/1/1969) e AI-6 (1º/2/1969), que reduziu o Tribunal a onze membros 18 19.
  • AI-7 (26/2/1969), suspensão de eleições, e listas sucessivas de cassações e aposentadorias em 1969, incluindo 219 professores e pesquisadores em abril 5 6.
  • Instituições criadas por lei no período: a Fundação Nacional do Índio (Funai), pela Lei nº 5.371, de 5/12/1967 20; o programa de alfabetização funcional que deu base ao Mobral, pela Lei nº 5.379, de 15/12/1967 21; a Embraer, autorizada pelo Decreto-Lei nº 770, de 19/8/1969, baixado com base no AI-5 22.
  • Criação do Centro de Informações do Exército (CIE), em 1967, de cuja estruturação participou o então chefe de gabinete do ministro do Exército, Sylvio Frota 1.

Pessoas-chave. Luís Antônio da Gama e Silva (Justiça), Aurélio de Lyra Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha), Márcio de Souza e Mello (Aeronáutica), Antônio Delfim Netto (Fazenda) e Hélio Beltrão (Planejamento) assinaram o AI-5 16; Emílio Garrastazu Médici chefiou o SNI de março de 1967 a abril de 1969 1.

Fim do governo. Costa e Silva apresentou sintomas de trombose cerebral em 26 de agosto de 1969 e foi afastado; o vice, Pedro Aleixo, foi impedido de assumir 6.

Junta militar (31/8 – 30/10/1969)

Fatos documentados

Composição e forma. O general Aurélio de Lyra Tavares (Exército), o almirante Augusto Rademaker (Marinha) e o marechal do ar Márcio de Souza e Mello (Aeronáutica) assumiram a Presidência como ministros militares 1. A CNV data o governo da junta de 31 de agosto a 30 de outubro de 1969 1; o AI-12, que lhes atribuiu "temporariamente" as funções presidenciais enquanto durasse o impedimento de Costa e Silva, tem a data de 1º de setembro 23. A junta não foi eleita: o AI-12 invoca a consulta ao "Alto Comando das forças armadas" 23.

Atos documentados.

  • Em 5 de setembro, durante o sequestro do embaixador dos EUA Charles Elbrick, a junta aceitou trocar o diplomata por 15 presos e baixou o AI-13 (banimento) e o AI-14 (pena de morte e prisão perpétua em casos de "guerra") 6 24 25. Os 15 libertados foram banidos 6.
  • Decreto-Lei nº 898 (29/9/1969), nova Lei de Segurança Nacional 26.
  • AI-16 (14/10/1969): declarou vagos os cargos de presidente e vice, afastando Pedro Aleixo, marcou eleição pelo Congresso para 25 de outubro e fixou o fim do mandato seguinte em 15 de março de 1974 7. AI-17: autorizou transferir para a reserva militares que atentassem "contra a coesão das Forças Armadas" 27.
  • Atos complementares nº 72 e 73 (15/10/1969) reabriram o Congresso a partir de 22 de outubro e convocaram a eleição 28. Em 17 de outubro, a junta promulgou a Emenda Constitucional nº 1, que incorporou dispositivos do AI-5 ao texto constitucional 6.

Médici (30/10/1969 – 15/3/1974)

Fatos documentados

Cargo e escolha. General de Exército, ex-chefe do SNI e comandante do III Exército, Emílio Garrastazu Médici foi indicado pela cúpula militar e eleito pelo Congresso em 25 de outubro de 1969, com 293 votos e 76 abstenções da bancada do MDB, tendo Rademaker como vice 6. Governou de 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974 1.

Repressão. Para a CNV, "com Médici, o regime ditatorial-militar brasileiro atingiu sua forma plena", com um sistema repressor que fazia uso "sistemático e sem limites" da tortura e do assassinato 5. Em janeiro de 1970 o governo institucionalizou a Operação Bandeirante e passaram a funcionar os DOI-CODI; a CNV registra que no governo Médici o modelo foi difundido para todo o território 5 1. Ver Sistema DOI-CODI e Operação Bandeirante. A partir de 1972 o Exército desencadeou operações contra a Guerrilha do Araguaia, com uso largo de tortura contra guerrilheiros e camponeses 5. Depois da morte de Stuart Angel Jones sob custódia da Aeronáutica, Médici exonerou o ministro Márcio de Souza e Mello, em 26 de novembro de 1971 5.

Censura. O Decreto-Lei nº 1.077 (26/1/1970) instituiu a verificação prévia de livros e periódicos 29 5.

Economia e território. O período coincidiu com altas taxas de crescimento; a CNV avalia que a política econômica favoreceu "sobretudo o grande capital, sem grande consideração sobre seus efeitos na distribuição da renda" 5. Ver "Milagre econômico" (1968–1973). Foram criados o Programa de Integração Nacional (Decreto-Lei nº 1.106, de 16/6/1970) e o Incra (Decreto-Lei nº 1.110, de 9/7/1970) 30 31.

Pessoas-chave. Orlando Geisel, ministro do Exército (novembro de 1969 a março de 1974); Carlos Alberto da Fontoura, chefe do SNI (abril de 1969 a outubro de 1974); João Figueiredo, chefe do Gabinete Militar durante todo o governo 1. Ernesto Geisel presidiu a Petrobras de novembro de 1969 a julho de 1973 8.

A palavra do governo

Documento de época

Em mensagem pelo sexto aniversário do golpe, em março de 1970, Médici afirmou: "Haverá repressão, sim. E dura e implacável. Mas apenas contra o crime e só contra os criminosos", trecho transcrito pela CNV, que remete ao acervo de discursos da Biblioteca da Presidência 5. É a versão oficial da época; a CNV a contrapõe aos casos de tortura e morte que documentou no mesmo período.

Geisel (15/3/1974 – 15/3/1979)

Fatos documentados

Cargo e escolha. O general Ernesto Geisel, lançado por Médici em 18 de junho de 1973, foi eleito pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1974 com 400 votos, contra 76 dados a Ulysses Guimarães, "anticandidato" do MDB; houve 21 abstenções 8. Governou de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979 1. Ver o verbete Ernesto Geisel.

Atos e decisões documentados.

  • Projeto de "distensão lenta, gradual e segura", anunciado em agosto de 1974 8; eleições de novembro de 1974 com relativa liberdade de propaganda, em que o MDB elegeu 16 senadores, contra seis da Arena 8.
  • II Plano Nacional de Desenvolvimento (Lei nº 6.151, de 4/12/1974) 32; Acordo Nuclear com a República Federal da Alemanha (27/6/1975) 8.
  • Uso do AI-5 para intervenções, cassações e confiscos em 1975–1977 8 5; Lei Falcão (Lei nº 6.339, de 1º/7/1976), que restringiu a propaganda no rádio e na TV 33; recesso do Congresso pelo AC nº 102 (1º/4/1977) e "Pacote de Abril" (EC nº 8, de 14/4/1977): senadores eleitos indiretamente, mandato presidencial de seis anos, governadores indiretos 34 35 8.
  • Emenda Constitucional nº 11 (13/10/1978), que revogou os atos institucionais a partir de 1º/1/1979 e criou as medidas de emergência 36.
  • Política externa do "pragmatismo responsável": reatamento com a República Popular da China (agosto de 1974) e reconhecimento do governo do MPLA em Angola (novembro de 1975) 8.
  • Criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e do Ministério da Previdência Social 8.

Repressão. A CNV registra que, com Geisel, o aparelho repressivo "continuaria a perseguir e matar"; em 1974 foram registrados 54 desaparecimentos políticos, "o maior número do regime" 5. A partir de 1974–1975, o PCB foi alvo de ofensiva sistemática, com dirigentes desaparecidos 5 37. Vladimir Herzog (25/10/1975) e Manoel Fiel Filho (janeiro de 1976) morreram no DOI-CODI do II Exército, com versões oficiais de suicídio; depois da segunda morte, Geisel demitiu o comandante do II Exército, Ednardo D'Ávila Mello 5 38. Em dezembro de 1976, a Chacina da Lapa matou dirigentes do PCdoB 38.

Pessoas-chave. Golbery do Couto e Silva (Gabinete Civil), Armando Falcão (Justiça), Mário Henrique Simonsen (Fazenda), João Paulo dos Reis Veloso (Planejamento), Azeredo da Silveira (Relações Exteriores) 8; Dale Coutinho, Sylvio Frota (demitido em outubro de 1977) e Fernando Bethlem no Exército; João Figueiredo no SNI (março de 1974 a junho de 1978) 1.

Figueiredo (15/3/1979 – 15/3/1985)

Fatos documentados

Cargo e escolha. General de Exército, ex-chefe do Gabinete Militar de Médici e do SNI de Geisel 1, João Baptista de Oliveira Figueiredo foi indicado por Geisel e eleito pelo Colégio Eleitoral em 15 de outubro de 1978, por 355 votos contra 226 dados ao general Euler Bentes Monteiro, candidato do MDB 8 5. Exerceu integralmente o mandato de seis anos fixado pelo Pacote de Abril, de 15 de março de 1979 a 15 de março de 1985 5 1.

Atos e decisões documentados.

  • Lei da Anistia (Lei nº 6.683, de 28/8/1979), de iniciativa do governo, para crimes políticos ou "conexos" entre 2/9/1961 e 15/8/1979, com exceção dos condenados por "terrorismo, assalto, sequestro e atentado pessoal" 39 5. A CNV registra 4.650 beneficiados e a volta de exilados como Prestes, Brizola, Arraes e Julião 5. Ver Anistia de 1979.
  • Reforma partidária (Lei nº 6.767, de 20/12/1979): fim da Arena e do MDB e criação de PDS, PMDB, PP, PDT, PT e PTB 40 5.
  • Voto direto para governador restabelecido pela EC nº 15, de 19/11/1980 41; eleições de 1982 com voto vinculado e proibição de coligações 5.
  • Atentados de extrema direita em 1980–1981, entre eles a carta-bomba que matou Lyda Monteiro da Silva, na OAB, e as bombas do Riocentro (30/4/1981), em que morreu um sargento do DOI-CODI; o inquérito do I Exército sustentou que os militares eram vítimas 5 8. Golbery deixou o governo em agosto de 1981 8.
  • Crise econômica (inflação, dívida externa, recessão) 5; campanha das Diretas Já e medidas de emergência em Brasília em abril de 1984 42.

Pessoas-chave. Walter Pires (Exército), Octávio Medeiros (SNI, junho de 1978 a março de 1985), Délio Jardim de Mattos (Aeronáutica) 1; Golbery e, depois, João Leitão de Abreu no Gabinete Civil 8 4.

Sucessão. O Colégio Eleitoral de 15 de janeiro de 1985 elegeu Tancredo Neves e José Sarney por 480 votos contra 180 dados a Paulo Maluf, num total de 686, com 17 abstenções e nove ausências 5. Tancredo adoeceu na véspera da posse e morreu em 21 de abril de 1985; José Sarney assumiu em 15 de março 43. A CNV chama esse desfecho de "uma transição sob medida" 5.

Cadeia de comando e responsabilidade

Conclusão de comissãoDocumento de épocaDecisão judicial

Ocupar a Presidência não prova, por si, participação pessoal em cada prisão, tortura ou morte. Mas a responsabilidade de quem governa também não se esgota em ordens escritas e assinadas. As fontes abaixo têm graus de prova diferentes e não devem ser confundidas.

O que a Comissão Nacional da Verdade concluiu

Conclusão de comissão

No capítulo 16 do volume I, a CNV classificou os autores de graves violações em três categorias: (1) responsabilidade político-institucional, "pela definição geral da doutrina que permitiu as graves violações e das correspondentes estratégias"; (2) responsabilidade pelo controle e gestão de estruturas e procedimentos diretamente ligados às violações; (3) autoria direta 1. Na primeira categoria, diz a Comissão, "situam-se nesse plano os presidentes da República do regime militar, responsáveis pela adoção, no país, da Doutrina de Segurança Nacional e pela edição de atos institucionais e outras medidas de exceção" 1.

A lista nominal dessa categoria começa pelos presidentes: Castelo Branco, Costa e Silva, os três membros da junta (Lyra Tavares, Rademaker e Souza e Mello), Médici, Geisel e Figueiredo, seguidos de ministros militares, chefes do SNI e chefes dos centros de informações das Forças Armadas 1. A CNV afirma que as violações foram "expressão (...) de decisões políticas adotadas por suas instâncias dirigentes", em cadeias de comando que subiam "até o comando máximo da Presidência da República e dos ministérios militares", e afasta "integralmente" a hipótese de condutas isoladas 1.

A própria CNV ressalva: suas indicações "não implicam, por si, a atribuição de responsabilidade jurídica individual, criminal, civil ou administrativa"; a lei que a criou não lhe deu funções jurisdicionais 1. É uma conclusão de comissão oficial, apoiada em documentos e depoimentos, não uma condenação.

O memorando da CIA de 11 de abril de 1974

Documento de época

O que é. Um memorando do diretor da CIA, William Colby, ao secretário de Estado Henry Kissinger, datado de 11 de abril de 1974, publicado na série Foreign Relations of the United States (FRUS 1969–1976, vol. E–11, parte 2, documento 99) 44. O título é "Decision by Brazilian President Ernesto Geisel To Continue the Summary Execution of Dangerous Subversives Under Certain Conditions" 44. Foi desclassificado pelo Departamento de Estado em 2015 e ganhou repercussão no Brasil em maio de 2018, quando o pesquisador Matias Spektor, da FGV, o divulgou 45.

O que registra. Segundo o memorando, em 30 de março de 1974 Geisel reuniu-se com o general Milton Tavares de Souza (chefe do CIE que deixava o cargo), com seu sucessor, general Confúcio Danton de Paula Avelino, e com o chefe do SNI, general João Figueiredo. Milton teria relatado que cerca de 104 pessoas consideradas "subversivas perigosas" haviam sido executadas sumariamente pelo CIE no último ano e defendido a continuidade; Figueiredo teria apoiado. Geisel teria pedido para pensar e, em 1º de abril, dito a Figueiredo que a política deveria continuar, com cuidado para que só "subversivos perigosos" fossem executados, e com aprovação prévia do chefe do SNI em cada caso 44.

O que não prova, sozinho. É um documento de inteligência estrangeira: registra o que a CIA soube, por fonte não identificada, sobre uma reunião da qual não participou. O primeiro parágrafo, que provavelmente identificaria a fonte, não foi desclassificado 44 45. O número de 104 execuções é atribuído a um general e não foi verificado pela CIA 44. Ao ser procurado em 2018, o Centro de Comunicação Social do Exército informou que os documentos sigilosos do período "foram destruídos, de acordo com as normas existentes à época" 45, o que impede o confronto com os arquivos brasileiros correspondentes.

Como foi lido. Paulo Sérgio Pinheiro, que coordenou a CNV, considerou o documento autêntico pelos detalhes e personagens, mas o tratou como "pequeníssima confirmação" do que a Comissão já havia estabelecido sobre a coordenação da repressão a partir da Presidência 46. O memorando é posterior ao relatório da CNV e não integra suas conclusões.

Situação judicial (data de corte: 19/10/2026)

Decisão judicial
  • Lei da Anistia. A Lei nº 6.683/1979 anistiou crimes políticos e "conexos" cometidos entre 2/9/1961 e 15/8/1979 39. Nenhum dos presidentes do período foi processado criminalmente; todos já morreram (os anos de morte constam do cap. 16 da CNV) 1.
  • ADPF 153 (STF, 2010). Em 28 e 29 de abril de 2010, o Supremo Tribunal Federal, por maioria, julgou improcedente a ação da OAB e afirmou que a lei é compatível com a Constituição de 1988 e que a anistia "foi ampla e geral, alcançando os crimes de qualquer natureza praticados pelos agentes da repressão"; ficaram vencidos os ministros Ricardo Lewandowski e Ayres Britto 47.
  • Corte Interamericana. No caso Herzog e outros vs. Brasil (sentença de 15/3/2018), a Corte IDH declarou, por unanimidade, a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pela falta de investigação, julgamento e punição dos responsáveis pela tortura e morte de Vladimir Herzog, "cometidos em um contexto sistemático e generalizado de ataques à população civil", e pela aplicação da Lei da Anistia a crimes contra a humanidade 48. A decisão responsabiliza o Estado, não indivíduos.
  • Crimes permanentes (pendente). O STF reconheceu repercussão geral, em fevereiro de 2025, para decidir se a anistia alcança sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver cujas vítimas seguem desaparecidas; em 11 de março de 2026, os processos (entre eles o ARE 1501674, sobre o Araguaia, e casos ligados a Rubens Paiva e Mário Alves) foram encaminhados para julgamento presencial, sem data informada 49. Não localizamos decisão de mérito até a data de corte.

Ver Memória, verdade, reparação e justiça no Brasil.

Debates historiográficos: "moderados" × "linha dura"

Debate em abertoInterpretação historiográfica

A narrativa mais difundida sobre os governos militares opõe dois grupos: os "castelistas" ou "moderados", ligados à Escola Superior de Guerra, o "grupo da Sorbonne", na expressão citada pelo DHBB 8, e a "linha dura". Nessa leitura, Castelo Branco teria cedido aos radicais; Costa e Silva e Médici representariam o predomínio da linha dura; Geisel e Golbery teriam retomado o controle e conduzido a abertura, enfrentando os "porões" com a demissão de Ednardo D'Ávila Mello (1976) e de Sylvio Frota (1977). A própria CNV usa essa linguagem ao descrever a crise entre Geisel e "os militares mais à direita, da chamada 'linha dura'" 37, e o DHBB organiza a biografia de Geisel em torno dos "confrontos com a 'linha dura'" 8.

Limites da dicotomia. Carlos Fico reconhece a importância da linha dura para explicar a escalada repressiva (do AI-2 ao AI-5), mas defende que "deve ser abandonada a divisão duros/moderados": a posição sobre a tortura é só um critério, e outros, formação militar, laços de lealdade, posição sobre o capital estrangeiro, produzem agrupamentos diferentes 50. Ele observa que, tanto para os "linhas-duras" quanto para os "pragmáticos rigorosos (supostos moderados, como Ernesto Geisel)", a tortura era aceita como "mal menor", e que a tese dos "excessos" de subordinados é hoje "uma tópica de um discurso fraudulento" 50. As conclusões da CNV sobre o caráter planejado e sistemático das violações apontam na mesma direção 1.

Distensão: concessão ou estratégia? Para o historiador Daniel Aarão Reis, citado pela DW em 2024, a transição começa com a política de Geisel em 1974 51. A CNV, por sua vez, descreve o governo Geisel como um "duplo movimento": vigilância repressiva (censura, prisões, tortura, assassinatos) e "reinvenção institucional casuística" para preservar o caráter autoritário do regime 5. As duas leituras convivem: a abertura foi controlada de cima, mas também respondeu às derrotas eleitorais, à crise econômica e às pressões sociais, da campanha pela anistia às greves do ABC e às Diretas Já 8 4.

Leituras de referência indicadas, não consultadas diretamente nesta redação: Thomas Skidmore, Brasil: de Castelo a Tancredo 52, e Elio Gaspari, A ditadura encurralada 53.

Comparações

Tabelas resumem tendências gerais; cada linha simplifica debates que o texto detalha. Classificações sobrepostas não são exclusivas.

Os governos da ditadura em resumo
CritérioPeríodoForma de escolhaMarcos documentados
Castelo Branco15/4/1964 – 15/3/1967Congresso, nos termos do AI-1 (11/4/1964)SNI (1964); AI-2, AI-3, AI-4; Constituição de 1967; LSN (DL 314); FGTS
Costa e Silva15/3/1967 – 31/8/1969Congresso (3/10/1966)AI-5 e recesso do Congresso; aposentadorias no STF; AI-6 a AI-11; Funai; Embraer
Junta militar31/8 – 30/10/1969 (AI-12 datado de 1º/9)Ministros militares, por decisão do Alto ComandoAI-12 a AI-17; banimento e pena de morte; LSN (DL 898); EC nº 1/1969
Médici30/10/1969 – 15/3/1974Congresso (25/10/1969; 293 votos)DOI-CODI; DL 1.077 (censura prévia); PIN; Incra; operações no Araguaia
Geisel15/3/1974 – 15/3/1979Colégio Eleitoral (15/1/1974; 400 votos)Distensão; II PND; Lei Falcão; Pacote de Abril; EC 11 revoga o AI-5
Figueiredo15/3/1979 – 15/3/1985Colégio Eleitoral (15/10/1978; 355 votos)Lei da Anistia; reforma partidária; voto direto para governador; Riocentro; medidas de emergência (1984)

Datas de mandato conforme a CNV (vol. I, cap. 16). Votações conforme o DHBB. 'Marcos' é uma seleção, não lista exaustiva. Fontes: Relatório, vol. I, cap. 16, A autoria das graves violações de direitos humanos (pp. 841–932; presidentes nas pp. 846–847), Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110), GEISEL, Ernesto (verbete biográfico), ATOS INSTITUCIONAIS (verbete temático).

Responsabilidades e grau de prova

Ocupar um cargo não prova participação pessoal em cada crime. A tabela diz o que cada fonte afirma e com que grau de prova.

SobreGrau de provaO que a fonte afirmaFonte
Graves violações de direitos humanos de 1964 a 1985 (presidentes e junta militar)Conclusão de comissãoA CNV situa 'os presidentes da República do regime militar' no plano da responsabilidade político-institucional e lista nominalmente Castelo Branco, Costa e Silva, Lyra Tavares, Rademaker, Souza e Mello, Médici, Geisel e Figueiredo. Ressalva que isso não implica responsabilidade jurídica individual.Relatório, vol. I, cap. 16, A autoria das graves violações de direitos humanos (pp. 841–932; presidentes nas pp. 846–847)
Edição do AI-5Documento de épocaAto assinado por Costa e Silva e dezesseis ministros (texto oficial).Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968
Continuidade de execuções sumárias pelo CIE em 1974Documento de épocaMemorando da CIA de 11/4/1974 registra relato, de fonte não identificada, segundo o qual Geisel decidiu em 1º/4/1974 que a política continuaria, com aprovação prévia do chefe do SNI, João Figueiredo. É documento de inteligência estrangeira, com trechos não desclassificados e sem confronto possível com arquivos brasileiros, que o Exército diz terem sido destruídos.Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger, Washington, April 11, 1974 (FRUS 1969–1976, vol. E–11, parte 2, doc. 99)
Ausência de investigação e punição no caso HerzogDecisão internacionalA Corte IDH declarou a responsabilidade internacional do Estado brasileiro (não de indivíduos) e qualificou a tortura e morte de Herzog como cometidas em contexto de ataque sistemático e generalizado contra a população civil.Caso Herzog e outros vs. Brasil, Sentença de 15 de março de 2018 (Série C nº 353)

No portal Ditaduras no Brasil

Ditadura de 1964–1985 · Transição e Nova República (1985–) · Nacional (DF, RJ, SP)

Governos e instituiçõesComece aquiRepressãoMemória, verdade e justiçaDebates e perguntasEconomia e trabalho

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

Cronologia

  1. 9 de abril de 1964

    AI-1 regula a eleição do presidente pelo Congresso.2

  2. 15 de abril de 1964

    Posse de Castelo Branco.1

  3. 13 de junho de 1964

    Lei nº 4.341 cria o SNI.9

  4. 27 de outubro de 1965

    AI-2: extinção dos partidos e eleição indireta.3

  5. 3 de outubro de 1966

    Costa e Silva eleito pelo Congresso.5

  6. 24 de janeiro de 1967

    Promulgada a Constituição de 1967.5

  7. 15 de março de 1967

    Posse de Costa e Silva.1

  8. 13 de dezembro de 1968

    AI-5.16

  9. 31 de agosto de 1969

    Junta militar assume (AI-12, datado de 1º/9).1

  10. 14 de outubro de 1969

    AI-16 declara vagos os cargos de presidente e vice.7

  11. 30 de outubro de 1969

    Posse de Médici.1

  12. janeiro de 1970

    Institucionalização da Oban e início dos DOI-CODI.5

  13. 15 de março de 1974

    Posse de Geisel.1

  14. 11 de abril de 1974

    Memorando da CIA (Colby a Kissinger) sobre reunião atribuída a Geisel em 30/3/1974.44

  15. 25 de outubro de 1975

    Morte de Vladimir Herzog no DOI-CODI/SP.48

  16. 1 de abril de 1977

    Recesso do Congresso e Pacote de Abril.34

  17. 13 de outubro de 1978

    Emenda Constitucional nº 11.36

  18. 15 de março de 1979

    Posse de Figueiredo.1

  19. 28 de agosto de 1979

    Lei da Anistia.39

  20. 20 de dezembro de 1979

    Reforma partidária (Lei nº 6.767).40

  21. 30 de abril de 1981

    Atentado do Riocentro.5

  22. 15 de janeiro de 1985

    Colégio Eleitoral elege Tancredo Neves (480 votos).5

  23. 15 de março de 1985

    Fim do governo Figueiredo; José Sarney assume.43

  24. 29 de abril de 2010

    STF julga improcedente a ADPF 153.47

  25. dezembro de 2014

    Relatório final da CNV.1

  26. 15 de março de 2018

    Corte IDH condena o Brasil no caso Herzog.48

Bibliografia comentada

  • Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110) (2014)

    Síntese histórica oficial dos governos, com datas e números; útil como linha do tempo e para ver como a Comissão caracteriza cada período.

  • Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 16, A autoria das graves violações de direitos humanos (pp. 841–932; presidentes nas pp. 846–847) (2014)

    Lista nominal dos responsáveis por categoria; ler junto com a advertência de que não se trata de responsabilização jurídica.

  • William E. Colby (CIA); edição: Office of the Historian, U.S. Department of State. Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger, Washington, April 11, 1974 (FRUS 1969–1976, vol. E–11, parte 2, doc. 99) (1974)

    O texto do memorando da CIA, em inglês, com as notas editoriais do FRUS sobre trechos não desclassificados.

  • Carlos Fico. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar (2004)

    Discute a tipologia dos grupos militares e propõe abandonar a dicotomia duros × moderados.

  • Thomas Skidmore. Brasil: de Castelo a Tancredo, 1964–1985 (1988)

    Síntese clássica da história política do período, muito citada pela CNV; indicada como leitura, não consultada aqui.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 16, A autoria das graves violações de direitos humanos (pp. 841–932; presidentes nas pp. 846–847). Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  2. 2Presidência da República. Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964. Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1964.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  3. 3Presidência da República. Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965. Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1965.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  4. 4Maria Ester Lopes Moreira. DIRETAS JÁ (verbete temático). Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB), CPDOC/FGV.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  5. 5Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 3, Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988 (pp. 85–110). Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Seções G a K (traços do regime, AI-5, governos Médici, Geisel e Figueiredo, epílogo da transição).
  6. 6Vera Calicchio. ATOS INSTITUCIONAIS (verbete temático). Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB), CPDOC/FGV.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  7. 7Presidência da República. Ato Institucional nº 16, de 14 de outubro de 1969 (vacância da Presidência e da Vice-Presidência). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  8. 8Amélia Coutinho; Maria Cristina Guido. GEISEL, Ernesto (verbete biográfico). Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB), CPDOC/FGV.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  9. 9Presidência da República. Lei nº 4.341, de 13 de junho de 1964 (cria o Serviço Nacional de Informações). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1964.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  10. 10Presidência da República. Ato Institucional nº 3, de 5 de fevereiro de 1966. Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1966.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  11. 11Presidência da República. Ato Institucional nº 4, de 7 de dezembro de 1966. Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1966.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  12. 12Presidência da República. Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 (organização da administração federal). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1967.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  13. 13Presidência da República. Decreto-Lei nº 314, de 13 de março de 1967 (Lei de Segurança Nacional). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1967.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  14. 14Presidência da República. Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966 (cria o FGTS). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1966.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  15. 15Presidência da República. Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964 (sistema financeiro; transforma a SUMOC no Banco Central da República do Brasil). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1964.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  16. 16Presidência da República. Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968. Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1968.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  17. 17Presidência da República. Ato Complementar nº 38, de 13 de dezembro de 1968 (decreta o recesso do Congresso Nacional). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1968.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  18. 18Supremo Tribunal Federal. Cobertura especial recorda os 40 anos do Ato Institucional nº 5 e seus efeitos sobre o STF. Notícias STF, 2009.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  19. 19Presidência da República. Ato Institucional nº 6, de 1º de fevereiro de 1969 (composição e competência do STF). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  20. 20Presidência da República. Lei nº 5.371, de 5 de dezembro de 1967 (autoriza a instituição da Funai). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1967.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  21. 21Presidência da República. Lei nº 5.379, de 15 de dezembro de 1967 (alfabetização funcional, base do Mobral). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1967.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  22. 22Presidência da República. Decreto-Lei nº 770, de 19 de agosto de 1969 (autoriza a constituição da Embraer). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  23. 23Presidência da República. Ato Institucional nº 12, de 1º de setembro de 1969 (exercício da Presidência pelos ministros militares). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  24. 24Presidência da República. Ato Institucional nº 13, de 5 de setembro de 1969 (pena de banimento). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  25. 25Presidência da República. Ato Institucional nº 14, de 5 de setembro de 1969 (pena de morte e prisão perpétua em casos de 'guerra'). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  26. 26Presidência da República. Decreto-Lei nº 898, de 29 de setembro de 1969 (Lei de Segurança Nacional). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  27. 27Presidência da República. Ato Institucional nº 17, de 14 de outubro de 1969. Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  28. 28Presidência da República. Atos Complementares anteriores à Constituição de 1988, índice com ementas (inclui AC 72 e AC 73, de 15/10/1969). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1964–1977.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  29. 29Presidência da República. Decreto-Lei nº 1.077, de 26 de janeiro de 1970 (verificação prévia de livros e periódicos). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1970.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  30. 30Presidência da República. Decreto-Lei nº 1.106, de 16 de junho de 1970 (Programa de Integração Nacional). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1970.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  31. 31Presidência da República. Decreto-Lei nº 1.110, de 9 de julho de 1970 (cria o Incra). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1970.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  32. 32Presidência da República. Lei nº 6.151, de 4 de dezembro de 1974 (II Plano Nacional de Desenvolvimento, 1975–1979). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1974.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  33. 33Presidência da República. Lei nº 6.339, de 1º de julho de 1976 ("Lei Falcão": propaganda eleitoral no rádio e na TV). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1976.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  34. 34Presidência da República. Ato Complementar nº 102, de 1º de abril de 1977 (recesso do Congresso Nacional). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1977.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  35. 35Presidência da República. Emenda Constitucional nº 8, de 14 de abril de 1977 (outorgada com base no AI-5 durante o recesso do Congresso). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1977.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  36. 36Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 11, de 13 de outubro de 1978. Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1978.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  37. 37Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 13, Casos emblemáticos (repressão ao PCB em 1974–1976; Chacina da Lapa). Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  38. 38Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 11, Execuções e mortes decorrentes de tortura. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  39. 39Presidência da República. Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979 (Lei da Anistia). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1979.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  40. 40Presidência da República. Lei nº 6.767, de 20 de dezembro de 1979 (reforma da Lei Orgânica dos Partidos). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1979.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  41. 41Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 15, de 19 de novembro de 1980 (voto direto para governador e senador). Presidência da República, Casa Civil, portal da legislação (texto não substitui o publicado no Diário Oficial), 1980.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  42. 42Presidência da República. Decreto nº 89.566, de 18 de abril de 1984 (medidas de emergência no Distrito Federal e em municípios de Goiás), publicação original. Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada, 1984.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  43. 43Agência Senado. Em 1985, a madrugada mais longa da República (Arquivo S). Senado Notícias, 2015.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  44. 44William E. Colby (CIA); edição: Office of the Historian, U.S. Department of State. Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger, Washington, April 11, 1974 (FRUS 1969–1976, vol. E–11, parte 2, doc. 99). Foreign Relations of the United States, 1969–1976, Volume E–11, Part 2, Documents on South America, 1973–1976, 1974.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]Fonte arquivística indicada no FRUS: CIA, Office of the Director of Central Intelligence, Job 80M01048A, Subject Files, Box 1, Folder 29: B–10: Brazil. Trechos não desclassificados.
  45. 45Estadão Conteúdo. Geisel autorizou execuções de presos políticos, diz documento da CIA. Estado de Minas (10/5/2018), 2018.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  46. 46Ricardo Senra (BBC Brasil). "Último prego no caixão de Geisel", diz coordenador da Comissão da Verdade sobre memorando da CIA (entrevista de Paulo Sérgio Pinheiro). BBC Brasil (12/5/2018), republicado pelo Instituto Humanitas Unisinos, 2018.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  47. 47Supremo Tribunal Federal. Informativo STF nº 584, ADPF 153/DF, rel. Min. Eros Grau, julgada em 28 e 29/4/2010. Informativo STF, 2010.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  48. 48Corte Interamericana de Direitos Humanos. Caso Herzog e outros vs. Brasil, Sentença de 15 de março de 2018 (Série C nº 353). Corte IDH, San José, 2018.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  49. 49Supremo Tribunal Federal. Processos sobre desaparecimento forçado de pessoas na ditadura militar serão julgados em sessão presencial (11/3/2026). Notícias STF, 2026.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  50. 50Carlos Fico. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista Brasileira de História, v. 24, n. 47 (SciELO), 2004.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  51. 51Edison Veiga (DW Brasil). Há 40 anos, Câmara derrubava emenda das eleições diretas. DW Brasil (25/4/2024), republicado pelo Instituto Humanitas Unisinos, 2024.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  52. 52Thomas Skidmore. Brasil: de Castelo a Tancredo, 1964–1985. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1988.[Historiografia · referência bibliográfica]Tradução de Mário Salviano Silva (dados conforme citação no Relatório da CNV).
  53. 53Elio Gaspari. A ditadura encurralada. Companhia das Letras, São Paulo, 2004.[Historiografia · referência bibliográfica]

Rede de relações

Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.

parte de

relacionado a

Compartilhe

Peças para as redes

Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.

Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
3.609 palavras · 53 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisado: Relatório da CNV vol. I (caps. 3, 11, 13 e 16, extraídos do PDF oficial); atos institucionais 1, 2, 3, 4, 5, 6, 12, 13, 14, 16 e 17, atos complementares 38, 72/73 e 102, EC 8/1977, 11/1978 e 15/1980, e leis/decretos-leis citados (Planalto); Decreto 89.566/1984 (Câmara); DHBB (Geisel, Atos institucionais, Diretas Já); FRUS doc. 99; Estadão Conteúdo e BBC Brasil (2018); Informativo STF 584; notícia STF de 11/3/2026; sentença da Corte IDH no caso Herzog; Carlos Fico (RBH, 2004); DW (2024). Pendências: (1) faltam verbetes do DHBB sobre Castelo, Costa e Silva, Médici e Figueiredo (URLs não localizadas), ministros da Justiça e da Fazenda de Médici e Figueiredo não foram incluídos por falta de fonte aberta conferida; (2) conferir a data de início da junta (CNV: 31/8; AI-12: 1º/9; DHBB: reunião de 30/8); (3) conferir na ata do Colégio Eleitoral as votações de 1974 e 1978 (fonte única: DHBB); (4) acompanhar o julgamento do ARE 1501674 e processos conexos no STF; (5) a CNV data a aprovação da EC 15 em 13/11/1980 pelo Congresso; a promulgação é de 19/11/1980. Ditadura de 1964 é tratada aqui só no plano dos governos; violações detalhadas estão nos verbetes temáticos.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

Encontrou um erro? Escreva pela página de correções citando o verbete e a seção. Correções ficam registradas neste histórico.

Como citar: Governos da ditadura (1964–1985). In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/governos-da-ditadura-militar.

Continue explorando

Preferências de leitura
Tamanho do texto
Fonte