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PessoaPublicado

Carlos Marighella

Dirigente comunista, deputado constituinte e fundador da ALN (1911–1969)

Militante comunista baiano, preso no governo constitucional de Vargas, no Estado Novo e em 1964, deputado constituinte em 1946, rompeu com o PCB e fundou a ALN. Foi morto por policiais do DOPS/SP em 4/11/1969; CEMDP e CNV concluíram que não houve o tiroteio da versão oficial.

Também: Carlos Marighela (grafia frequente na imprensa e em documentos) · Marighella

Índice e ficha
Nome completo
Carlos Marighella
Nascimento
5 de dezembro de 1911, Salvador (BA)
Morte
4 de novembro de 1969, Alameda Casa Branca, Jardim Paulista, São Paulo (SP)Morto por agentes do DOPS/SP em emboscada; a CNV concluiu que foi executado, sem troca de tiros.
Nacionalidade
brasileira
Papéis
  • Militante e dirigente do PCB (comitê central e comissão executiva)Liderança de partido comunista · anos 1930–1967
  • Deputado constituinte e deputado federal pela BahiaLiderança de partido comunista · 1946–1948
  • Fundador e dirigente da Ação Libertadora NacionalMilitante · 1968–1969
  • PoetaArtista
Como se definia
Declarou-se comunista durante toda a vida militante; depois de 1967 definiu-se como revolucionário em ruptura com o PCB (ver documentos de 1966–1969).
Filiações
Partido Comunista (PCB) (início dos anos 1930–1967); Ação Libertadora Nacional (ALN) (1968–1969)
Período
1911–1969
Área
Ditaduras no Brasil
Regiões
Brasil, América Latina
Temas
Partido e organização, Repressão, violência política e direitos, Revoluções e guerras, Relações raciais e antirracismo, Estado, poder e democracia

Carlos Marighella nasceu em Salvador em 5 de dezembro de 1911 e foi morto em São Paulo em 4 de novembro de 1969 1. Militante do Partido Comunista desde o início dos anos 1930, foi preso pela primeira vez em 1932, voltou à prisão em 1936 e passou quase seis anos encarcerado durante o Estado Novo, de 1939 a 1945 2 3. Anistiado em 1945, foi deputado à Assembleia Nacional Constituinte de 1946 pela Bahia e teve o mandato cassado em 1948 2.

Depois do Golpe de 1964, Marighella passou a defender a luta armada, rompeu com a direção do PCB, foi expulso do partido em 1967 e fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN), que deflagrou a guerrilha urbana em 1968–1969 4 1. Foi morto numa emboscada montada pelo DOPS de São Paulo sob o comando do delegado Sérgio Paranhos Fleury. A versão oficial falou em tiroteio; a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) reconheceu em 1996 a responsabilidade do Estado e a Comissão Nacional da Verdade (CNV) concluiu em 2014 que ele foi executado por agentes do Estado 1 5.

Este verbete trata Marighella como figura histórica, não como herói nem como vilão. Distingue o que é fato documentado, o que é conclusão de comissão oficial (que não é sentença penal) e o que é interpretação, e registra também as ações armadas da organização que fundou e as críticas que elas motivam. A UP não tem posição oficial documentada sobre ele que tenha sido localizada nesta pesquisa.

Origem, formação e entrada no PCB (1911–1935)

Fatos documentados

Marighella era o primeiro dos sete filhos do imigrante italiano Augusto Marighella, mecânico, e da baiana Maria Rita do Nascimento, mulher negra que a CNV descreve como descendente de africanos escravizados de origem haussá 1. O DHBB registra a mesma ascendência ("descendente de escravos africanos") e a influência das ideias socialistas do pai 2. A ascendência negra e a origem operária aparecem nas biografias como traços centrais de sua trajetória 1 3.

Estudou no Ginásio da Bahia e, em 1929, entrou no curso de engenharia civil da Escola Politécnica de Salvador, que não concluiu 2. No início dos anos 1930, ainda estudante, ingressou no Partido Comunista do Brasil (então sigla PCB) 2. Escrevia versos desde o colégio; a anedota de uma prova de física respondida em versos aparece em várias biografias, mas o biógrafo Mário Magalhães registrou que a lenda de que a prova teria recebido nota dez não tem comprovação documental 6.

A primeira prisão ocorreu em 1932, durante o Governo Provisório, depois de um poema contra o interventor da Bahia, Juracy Magalhães 1 3. Tornou-se em seguida um dos principais articuladores do partido no estado, até ser chamado pela direção nacional para atuar no Rio de Janeiro e em São Paulo 2.

Prisões sob Vargas: 1936–1937 e 1939–1945

Fatos documentados

Marighella foi preso em 1º de maio de 1936, no Rio de Janeiro, portanto no governo constitucional de Vargas, sob o estado de sítio e de guerra que se seguiu ao levante de 1935, e antes do Estado Novo 1 2. Segundo a Comissão da Verdade de São Paulo, ficou 23 dias nas mãos da Polícia Especial de Filinto Müller, foi processado pelo Tribunal de Segurança Nacional e deixou a Casa de Detenção em julho de 1937, por habeas corpus, sendo condenado em agosto de 1937 a dois anos e seis meses 3. A CNV associa a soltura à medida do ministro da Justiça Macedo Soares que libertou presos sem condenação em 1937 1. O DHBB diz apenas que ele saiu da cadeia "no ano seguinte" e se refere ao período de modo menos preciso 2.

Libertado, mudou-se para São Paulo, onde reorganizou o partido abalado por uma cisão trotskista e tornou-se seu principal dirigente estadual 2. Em maio de 1939, já no Estado Novo, foi preso com a maior parte do comitê regional paulista e passou quase seis anos nos presídios de Fernando de Noronha e da Ilha Grande (RJ) 2. Preso, foi eleito em 1943 para o comitê central na Conferência da Mantiqueira 2. Saiu com a anistia de abril de 1945 2 3.

Tortura denunciada

Fatos documentadosTestemunhoDebate em aberto
Conteúdo sensívelEsta seção menciona tortura sofrida por Marighella em 1936 (sem detalhes gráficos).Ler este trecho

O DHBB registra que, preso em 1936, Marighella foi torturado e se recusou a dar informações à polícia política 2; a CNV descreve as torturas sofridas nessa prisão 1. Biografias de caráter memorial falam em torturas também na prisão de 1939 7. O biógrafo Mário Magalhães, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, concluiu que a tortura documentada ocorreu uma única vez, contrariando a imagem de que teria sido torturado repetidas vezes, a reportagem data esse episódio de 1935, o que destoa da data de prisão registrada pelas demais fontes (1936) e deve ser conferido no livro 6 8.

Deputado constituinte e cassação (1945–1948)

Fatos documentados

Em dezembro de 1945, Marighella foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte pela Bahia, um dos 14 integrantes da bancada comunista; foi segundo suplente de secretário da mesa e depois secretário da bancada na Câmara 2. Segundo o DHBB, pronunciou 195 discursos, ligou seu nome ao debate do petróleo e foi o primeiro diretor da revista teórica Problemas, em 1947 2.

Em 7 de maio de 1947, o Tribunal Superior Eleitoral cancelou o registro do PCB; os parlamentares comunistas tiveram os mandatos cassados em 10 de janeiro de 1948 2. A CNV registra a votação de 169 votos a 74 que aprovou a cassação 1. A partir daí Marighella viveu na clandestinidade até morrer 1. Na República de 1946, portanto, o mandato de um constituinte eleito foi cassado por sua filiação partidária, um episódio frequentemente lembrado para mostrar que a perseguição aos comunistas não se limitou aos períodos ditatoriais.

Dirigente do PCB nos anos 1950 e início dos 1960

Fatos documentados

Na clandestinidade, Marighella dirigiu o partido na capital paulista, assumiu o comitê regional de Piratininga e substituiu temporariamente João Amazonas na direção do trabalho sindical; o DHBB liga sua atuação à preparação da greve paulista de março–abril de 1953 2. A CNV registra que passou mais de um ano na China estudando a experiência da revolução chinesa a partir de 1953 1.

Na crise aberta pelas denúncias contra Stálin (1956), ficou próximo de Prestes e foi rotulado de "fechadista" pelos defensores de um debate amplo; em 1957 entrou na comissão executiva do partido, ao lado de Prestes, Giocondo Dias e Mário Alves 2. O PCB adotou em março de 1958 a linha do "caminho pacífico", ratificada no V Congresso (1960) 2. O DHBB relata ainda, com base no depoimento de um dirigente, que no início dos anos 1950 Marighella teria proposto uma ação de sabotagem ferroviária da qual foi demovido pelos companheiros, acusação feita em reunião interna, que ele não contestou 2. Escreveu nesse período ensaios sobre a questão agrária, como "Alguns aspectos da renda da terra no Brasil" (1958) 7.

1964: a prisão no cinema e a ruptura com o PCB

Fatos documentadosDocumento de época

Para Marighella, o golpe de 31 de março de 1964 confirmou a descrença no caminho pacífico; segundo o DHBB, nos primeiros dias de abril tentou, sem êxito, articular com outros dirigentes uma reação armada 2. Em 9 de maio de 1964, foi localizado por policiais num cinema da Tijuca, no Rio, resistiu à prisão e foi baleado à queima-roupa 1. Ficou preso até 31 de julho, quando foi libertado por habeas corpus impetrado pelo advogado Sobral Pinto 1 3.

O episódio deu origem ao livro Por que resisti à prisão (1965), no qual explicou a resistência como gesto político e defendeu que a ditadura só seria derrubada por uma insurreição popular, recusando a participação eleitoral 2. Em A crise brasileira (1966), afirmou que a ditadura só se extinguiria pela força, embora ainda considerasse a guerrilha imprópria às áreas urbanas 2 4.

Em dezembro de 1966, pediu demissão da comissão executiva em carta que acusava a direção de burocratismo 2. Em maio de 1967, eleito secretário político do comitê estadual de São Paulo, obteve o apoio de 33 dos 37 delegados da conferência estadual de Campinas 2 1. Em agosto de 1967, contra a decisão da direção de boicotar o encontro, participou em Havana da I Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), onde defendeu a luta armada como caminho para a América Latina 4 1, ver Revolução Cubana e Ernesto Che Guevara. Foi expulso do PCB, segundo o DHBB, no mês seguinte, junto com outros dirigentes como Mário Alves, Jacob Gorender, Joaquim Câmara Ferreira e Apolônio de Carvalho 4. O VI Congresso do PCB (dezembro de 1967) ratificou as expulsões e a linha de 1958 4.

A Ação Libertadora Nacional (1967–1969)

Fatos documentadosDocumento de época

Em fevereiro de 1968, Marighella e Joaquim Câmara Ferreira lançaram o "Pronunciamento do Agrupamento Comunista de São Paulo", que anunciava uma organização disposta a iniciar ações armadas 1 4. O agrupamento não defendia o foco guerrilheiro isolado de Régis Debray: propunha combinar guerrilha urbana e rural e recusava o modelo clássico de partido, sob o lema atribuído a Guevara "o dever de todo revolucionário é fazer a revolução" 2 4. A ALN formou-se ao longo de 1968, a CNV data a fundação de julho de 1968 1; o DHBB registra como fundadores Marighella, Câmara Ferreira e Virgílio Gomes da Silva 4. O nome evocava a Aliança Nacional Libertadora de 1935 1.

A organização começou com assaltos a bancos para obter fundos 4. O Memorial da Democracia atribui-lhe também o assalto ao trem pagador da linha Santos–Jundiaí, que a ALN não reivindicou publicamente, e o envio de três grupos para treinamento em Cuba 9. Depois do AI-5 (13 de dezembro de 1968), que fez recuar os movimentos estudantil e operário, as organizações armadas ganharam adeptos e a ALN passou a ações de maior repercussão 4. Em dezembro de 1968, Marighella assinou o "Chamamento ao povo brasileiro"; em agosto de 1969, chefiou o grupo que ocupou a emissora da Rádio Nacional em Piraporinha (SP) e transmitiu um manifesto 2. Segundo o DHBB, participou pessoalmente de várias ações 2.

Em 4 de setembro de 1969, o embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, foi sequestrado no Rio de Janeiro. A CNV atribui a concepção da ação à Dissidência Comunista da Guanabara (DI-GB, que passou a usar o nome MR-8), que pediu apoio logístico e militar à ALN; a ALN enviou Joaquim Câmara Ferreira, comandante político da ação, e Virgílio Gomes da Silva 1. O embaixador foi libertado em troca da publicação de um manifesto e da libertação de 15 presos políticos de várias organizações, enviados ao exterior 2. As fontes consultadas não situam Marighella entre os executores da ação no Rio; seu papel foi o de dirigente da organização que a apoiou 1 4.

O Minimanual do guerrilheiro urbano (1969)

Documento de épocaInterpretação historiográfica

Marighella escreveu em junho de 1969 o Minimanual do guerrilheiro urbano 2. O texto circula em diversas versões, e nem o Marxists Internet Archive, que o reproduz, afirma dispor de uma fonte fidedigna do original 10 11. Pelo índice, é um guia de organização e ação da guerrilha urbana: define o guerrilheiro urbano, trata de logística, segurança e apoio popular, e enumera "modelos de ação" que incluem assaltos, sequestros, sabotagem, execuções e o que o texto chama de "terrorismo" e "propaganda armada" 10. Na introdução, o autor reivindica para si os rótulos de "violento" e "terrorista" como qualidades de quem luta contra a ditadura 10. Este verbete não reproduz o conteúdo operacional do texto.

O DHBB registra que o Minimanual inspirou as ações de maior repercussão da ALN e que sua publicação na França, em 1969, sofreu ameaça de censura e levou várias editoras a se associarem para editá-lo 2 4. O texto teve difusão internacional, e é justamente nele que se apoiam as leituras que qualificam Marighella como terrorista 12. Há verbete planejado próprio sobre o documento.

Ações armadas, mortes causadas e o balanço crítico

Fatos documentadosDebate em abertoPosição de outras organizações e correntes

As organizações da luta armada, entre elas a ALN, praticaram ações que resultaram em mortes de agentes do Estado e de civis. O Memorial da Democracia registra pelo menos quatro "justiçamentos" de pessoas apontadas como agentes ou colaboradores da repressão entre 1968 e 1973, entre eles o do empresário Henning Albert Boilesen (1971), apontado como financiador da Operação Bandeirante, e o do comerciante Manoel Henrique de Oliveira (1973), acusado de delatar militantes da ALN 9. Esses casos são posteriores à morte de Marighella e não podem ser atribuídos a ele pessoalmente; mostram, porém, que a organização que fundou adotou a execução como prática.

Para o período em que Marighella dirigiu a ALN (1968–1969), esta pesquisa não localizou levantamento verificado e com fonte primária das mortes causadas por ações da organização; o tema precisa de apuração própria (ver revisão). Em 2009, os clubes Naval, Militar e de Aeronáutica divulgaram uma lista de 126 pessoas que, segundo eles, foram mortas por organizações de esquerda; a lista é citada pela imprensa crítica a Marighella, mas foi produzida por entidades militares e não é levantamento independente 12. A CNV não investigou mortes causadas por organizações de oposição, seu mandato, fixado em lei, era examinar graves violações praticadas por agentes do Estado.

O balanço crítico da luta armada é parte da própria historiografia de esquerda. Jacob Gorender, ex-dirigente do PCB e do PCBR, analisou o isolamento das organizações armadas e sua derrota em Combate nas trevas 13. Mário Magalhães, autor da biografia mais extensa, afirmou em entrevista que Marighella "se dizia terrorista", mas rejeitava atingir inocentes 6 8, leitura contestada por quem vê no Minimanual e nas ações da ALN uma opção pelo terror 12. Nenhuma dessas avaliações altera o ponto jurídico e ético central: a participação em ação armada não autorizava a polícia a executar um homem já dominado, conclusão a que chegaram a CEMDP e a CNV 1.

A emboscada de 4 de novembro de 1969

Fatos documentadosConclusão de comissão

No fim de outubro de 1969, a repressão concentrava-se na ALN. Um informe do Centro de Informações do Exército de 21 de outubro registrava que a Operação Bandeirante havia desbaratado 13 "aparelhos" e prendido 19 militantes da organização em São Paulo 1. Segundo a CNV, um militante da ALN, sob tortura, revelou a ligação de Marighella com frades dominicanos; presos e torturados, os dominicanos Fernando de Brito e Yves do Amaral Lesbaupin (frei Ivo) foram usados como "isca" para marcar um encontro 1. A busca envolveu o Centro de Informações da Marinha (Cenimar), o SNI e o DOPS/SP, segundo relatório do próprio DOPS citado pela CNV 1.

Na noite de 4 de novembro de 1969, na alameda Casa Branca, no Jardim Paulista, Marighella entrou no Fusca onde estavam os dois frades e foi cercado por policiais do DOPS/SP sob o comando do delegado Sérgio Paranhos Fleury 1 2. O livro-relatório da CEMDP fala numa operação com cerca de 150 agentes 1 14. Na mesma ação morreram, por tiros dos agentes, a investigadora Estela Borges Morato e o protético alemão Friederich Adolph Rohmann, que ultrapassou o cerco e foi confundido com apoio da ALN; um delegado foi ferido na perna 1 11.

Marighella foi enterrado como indigente no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo 2 1.

Versão oficial × conclusões da CEMDP e da CNV

Documento de épocaConclusão de comissão

Versão oficial (1969). O laudo necroscópico dos legistas Harry Shibata e Abeylard de Queiroz Orsini registrou a morte "por ocasião de um tiroteio com a polícia"; a versão foi repetida por anos em documentos oficiais, como um ofício da Polícia Federal ao SNI de 1975 1. A imprensa, sob censura, difundiu manchetes sobre "violento tiroteio" com supostos seguranças 1 3. Documentos da época divergem entre si: um informe da Aeronáutica fala em disparos dirigidos à mão que segurava uma pasta; um informe da Oban admite que não foi possível precisar de onde partiram os tiros e que nenhum veículo ou pessoa de "cobertura" foi identificado 1. Documentos de inteligência registram a versão de quem os produziu, não fatos automáticos.

CEMDP (1996). Em 1996, a família pediu o reconhecimento com base na Lei nº 9.140/1995. O dossiê apresentado incluiu nova análise do laudo e das fotografias pelo legista Nelson Massini, que concluiu que o tiro fatal no tórax foi disparado a curtíssima distância e que a posição do corpo era incompatível com a cena apresentada 5 2. O relator, Luís Francisco Carvalho Filho, escreveu que a morte "não corresponde à versão oficial" e que os disparos anteriores já o tinham imobilizado quando foi dado o tiro final; interpretou "dependências policiais ou assemelhadas" como conceito político, o poder público tinha controle absoluto da área 1 3. Em 11 de setembro de 1996, a CEMDP aprovou o caso por 5 votos a 2 (votos contrários do general Oswaldo Pereira Gomes e de Paulo Gustavo Gonet Branco), com publicação no Diário Oficial em 18 de setembro (processo 272/96) 1 5. O DHBB registra que o julgamento foi adiado por pressões de setores militares e que o representante das Forças Armadas ameaçou exigir o reconhecimento de pessoas mortas por militantes de esquerda 2.

CNV (2014). A perícia da CNV concluiu que Marighella foi atingido por pelo menos quatro projéteis quando estava no banco traseiro do carro, que todos os disparos partiram de fora para dentro do veículo, que não houve troca de tiros e que o último disparo, no tórax, foi feito a curtíssima distância, "numa ação típica de execução" 1. Segundo a CNV, Marighella estava desarmado; a pasta continha dinheiro, chaves, anotações cifradas e cápsulas de cianureto 1. O biógrafo Mário Magalhães sustenta que a versão de que portava revólver foi construída pela polícia depois da morte 6. A conclusão da CNV: Marighella "foi executado por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos"; a comissão recomendou a retificação da certidão de óbito e a continuidade das investigações para identificar e responsabilizar os agentes 1.

Conclusões de comissão não são condenação penal. Não foi localizada nesta pesquisa ação penal sobre o caso (data de corte: 19/10/2026).

Os dominicanos e a disputa sobre a "delação"

Fatos documentadosDebate em abertoConclusão de comissão

A versão policial divulgada em 1969 apresentou os frades dominicanos como responsáveis por entregar Marighella, e a imprensa desencadeou campanha contra a ordem, em especial contra frei Betto (Carlos Alberto Libânio Christo) 2. Frei Betto escreveu sua versão em Batismo de sangue (1982) 2 15.

A CNV registra que os frades foram presos e torturados e que um encontro foi marcado sob coação 1; a Comissão da Verdade de São Paulo relata que os frades Fernando e Ivo foram presos no Rio por volta de 1º–2 de novembro, levados ao Cenimar e depois ao DOPS/SP, e que o convento de Perdizes foi invadido na madrugada de 4 de novembro 3. No texto sobre as igrejas, a CNV lista as consequências do caso: prisão de frei Betto, Fernando de Brito, Yves Lesbaupin e Roberto Romano por cerca de quatro anos, com torturas; prisão do frei Maurício (João Valença); expulsão do padre Giorgio Callegari; e as torturas que levaram frei Tito de Alencar Lima ao suicídio no exílio, na França, em 10 de agosto de 1974 16. Arcebispo de São Paulo a partir de 1970, dom Paulo Evaristo Arns visitou os frades presos, gesto que o DHBB descreve como o primeiro desse tipo de uma autoridade da Igreja 17.

Em 1995, com a abertura dos arquivos do DEOPS/SP, a imprensa divulgou documentos que isentavam os dominicanos e atribuíam a pista a militantes presos e torturados dias antes; a ex-companheira de Marighella, Zilda Xavier Pereira, contestou essa leitura 2. Mário Magalhães rejeita a tese de um "traidor" e considera os frades bodes expiatórios 6. O DHBB observa que a infiltração policial parece ter sido a causa principal da desarticulação da ALN 2.

A ALN depois de Marighella

Fatos documentados

Joaquim Câmara Ferreira (o "Toledo" ou "Velho") assumiu o comando da ALN; foi detido por agentes do DOPS/SP chefiados por Fleury em 23 de outubro de 1970 e morreu no mesmo dia, segundo a CNV 18. (O verbete temático do DHBB sobre a ALN data a prisão de outubro de 1971, divergência que deve ser corrigida a favor da data da CNV 4.) A organização participou ainda, com a VPR, do sequestro do embaixador alemão em junho de 1970, mas entrou em desagregação; o DHBB registra que chegou a contar, por cálculo de seus integrantes, com cerca de dois mil adeptos ativos 4. O Memorial da Democracia contabiliza 53 militantes da ALN mortos ou desaparecidos 9.

Reconhecimento oficial, reparação e anistia post mortem

Fatos documentadosConclusão de comissão
  • CEMDP (1996): reconhecimento da responsabilidade do Estado pela morte, com indenização à família, o DHBB registra o pagamento de cem mil reais no ano seguinte 5 2. Dom Paulo Evaristo Arns apoiou publicamente, em 1996, o pedido das famílias de Marighella e de Lamarca, qualificando-o de "questão de justiça" 17.
  • Comissão de Anistia (2011–2012): o processo foi aberto numa sessão da Caravana da Anistia em Salvador, em 5 de dezembro de 2011 3 19; Marighella foi declarado anistiado político post mortem pela Portaria nº 2.780, de 8 de novembro de 2012, do Ministério da Justiça 1. A família não pediu reparação econômica nesse processo 19.
  • CNV (2014): perfil no vol. III do relatório, com a conclusão de execução e a recomendação de retificar a certidão de óbito 1. Ver Relatório da Comissão Nacional da Verdade e Qual a diferença entre morto e desaparecido político?.
  • Comissão da Verdade de São Paulo: recomendou responsabilizar os agentes, rever promoções concedidas pela operação e renomear a alameda Casa Branca 3.

Em 10 de dezembro de 1979, depois da anistia, os restos mortais foram transferidos para o cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador, em túmulo projetado por Oscar Niemeyer; Jorge Amado escreveu uma mensagem para a cerimônia 2. A lápide traz a inscrição "Não tive tempo para ter medo" 1.

Memória e disputas

Fatos documentadosInterpretação historiográficaDebate em aberto

A CNV registra que a ditadura se empenhou em associá-lo à figura de terrorista sanguinário e, depois da morte, em apagá-lo da história; e que iniciativas no cinema, na música e na literatura recontaram sua trajetória 1. Entre elas, segundo a CNV: título de cidadão paulistano (2009); a medalha Chico Mendes de Resistência do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ (1994); ruas em várias cidades; e, em 14 de fevereiro de 2014, a mudança do nome de um colégio estadual da Bahia, até então "Presidente Emílio Garrastazu Médici", para Carlos Marighella, depois de votação da comunidade escolar 1. Em 1999, os 30 anos da morte foram marcados por livro, exposição no Memorial da América Latina e caminhada até a alameda Casa Branca 2.

Na produção cultural, a CNV cita documentários de Isa Grinspum Ferraz e Sílvio Tendler, canções de Caetano Veloso e dos Racionais MC's e peças de teatro 1. O longa de ficção Marighella, dirigido por Wagner Moura e baseado na biografia de Mário Magalhães 1, estreou no Festival de Berlim em fevereiro de 2019; a estreia no Brasil, marcada para novembro de 2019, foi adiada por trâmites na Ancine e depois pela pandemia, e ocorreu em 4 de novembro de 2021 20. O adiamento foi denunciado pelo diretor e por parte da imprensa como censura; a reportagem consultada o atribui a trâmites administrativos, os dois registros são versões em disputa. Filmes e canções são obras de memória, não fontes sobre os fatos.

A disputa sobre Marighella atravessa a política brasileira até hoje: para uns, foi um dos principais nomes da resistência à ditadura; para outros, um terrorista 12 1. O verbete registra essas leituras como posições, sem tomá-las como fatos. Ver também Comunismo no Brasil.

Contexto: resistência armada e não armada

Interpretação historiográficaFatos documentados

A oposição à ditadura de 1964 não foi um bloco. O PCB, de onde Marighella saiu, defendia uma frente ampla contra o regime e recusou a luta armada, o que não poupou seus dirigentes da repressão 2. As organizações armadas também divergiam entre si (foco rural, guerrilha urbana, guerra popular prolongada), e suas estratégias foram criticadas, já na época, por outras correntes de esquerda 4 13.

Ao lado delas, formas de resistência não armada, advogados de presos políticos como Sobral Pinto, que obteve o habeas corpus de Marighella em 1964 1; religiosos que denunciaram torturas, como dom Paulo Evaristo Arns; familiares de mortos e desaparecidos; e movimentos de mulheres pela anistia, como o de Therezinha Zerbini, ganharam peso crescente nos anos 1970 21. Ver Ditadura militar (1964–1985) e Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985).

Situação documentada

As categorias não se somam: uma mesma pessoa pode ter sido presa, exilada e depois desaparecida.

  • Morto(a)
  • Cassado(a)
Reconhecimento oficial
Restos mortais
Enterrado como indigente no cemitério de Vila Formosa (São Paulo); restos transferidos em dezembro de 1979 para o cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador.
Investigações e processos
Não foi localizada ação penal sobre a morte. CNV e Comissão da Verdade de SP recomendaram a identificação e responsabilização dos agentes.
Reparação e memória
Indenização paga à família após a decisão da CEMDP (1996–1997); anistia post mortem sem pedido de reparação econômica (2012). A CNV recomendou retificar a certidão de óbito; a retificação não foi confirmada nesta pesquisa.
O que não se sabe
Quem disparou o tiro fatal (agentes disputaram a autoria, segundo a CNV); composição exata da equipe; como a polícia chegou ao encontro (dominicanos coagidos sob tortura × outras pistas obtidas de militantes presos), versões em disputa desde 1969.

Informações sobre processos e reparações conferidas até 19 de outubro de 2026; podem ter mudado depois.

Responsabilidades e grau de prova

Ocupar um cargo não prova participação pessoal em cada crime. A tabela diz o que cada fonte afirma e com que grau de prova.

SobreGrau de provaO que a fonte afirmaFonte
Morte de Carlos Marighella (4/11/1969)Conclusão de comissãoA CNV concluiu que Marighella foi executado por agentes do Estado brasileiro, sem troca de tiros, com o último disparo feito a curtíssima distância.Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. III, Mortos e desaparecidos políticos: perfil de Carlos Marighella
Comando da operação na alameda Casa BrancaConclusão de comissãoA CNV aponta o delegado Sérgio Paranhos Fleury, do DOPS/SP, como comandante do aparato policial e o inclui na tabela de autoria de graves violações (homicídio), com base no relatório do DOPS/SP de 11/11/1969 e em pesquisa jornalística. Fleury morreu em 1979.Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. III, Mortos e desaparecidos políticos: perfil de Carlos Marighella
Participação de outros agentes do DOPS/SPConclusão de comissãoA tabela de autoria da CNV relaciona outros policiais do DOPS/SP na operação, entre eles o guarda civil João Carlos Tralli, que segundo a CNV disputou com Fleury a autoria do tiro fatal.Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. III, Mortos e desaparecidos políticos: perfil de Carlos Marighella
Reconhecimento da responsabilidade do EstadoConclusão de comissãoA CEMDP reconheceu que a morte não correspondeu à versão oficial e que Marighella estava sob domínio do poder público quando foi morto.Carlos Marighella, ficha do acervo Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP)
Cadeia de comandoCargo ou comandoA CNV lista a cadeia de comando dos órgãos envolvidos (governador Roberto de Abreu Sodré, secretário de Segurança general Olavo Vianna Moog, diretor do DOPS/SP Benedito Nunes Dias); cargo não prova participação pessoal.Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. III, Mortos e desaparecidos políticos: perfil de Carlos Marighella

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Governo Provisório (1930–1934) · Governo constitucional de Vargas (1934–1937) · Estado Novo (1937–1945) · República de 1946 (1946–1964) · Ditadura de 1964–1985 · Transição e Nova República (1985–) · Nordeste, Sudeste (BA, SP, RJ)

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Citações

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  • Citação localizada na fonte
    “um modo de exprimir confiança na capacidade e receptividade do povo”

    Explicação da resistência à prisão de maio de 1964, no livro Por que resisti à prisão (1965).

    Trecho transcrito pelo DHBB; não conferido na edição de 1965.

    Fonte: MARIGHELLA, Carlos, verbete biográfico

Cronologia

  1. 5 de dezembro de 1911

    Nasce em Salvador (BA).1

  2. 1929

    Ingressa no curso de engenharia civil da Escola Politécnica da Bahia.2

  3. 1932

    Primeira prisão, depois de poema contra o interventor Juracy Magalhães (Governo Provisório).1

  4. 1 de maio de 1936

    Preso no Rio de Janeiro e torturado (governo constitucional de Vargas, sob estado de sítio).1

  5. julho de 1937

    Deixa a prisão por habeas corpus, antes do golpe do Estado Novo.3

  6. maio de 1939

    Nova prisão em São Paulo; quase seis anos em Fernando de Noronha e Ilha Grande (Estado Novo).2

  7. abril de 1945

    Libertado pela anistia.2

  8. dezembro de 1945

    Eleito deputado constituinte pela Bahia (PCB).2

  9. 10 de janeiro de 1948

    Mandatos dos parlamentares comunistas cassados.2

  10. 1953

    Viaja à China, onde passa mais de um ano.1

  11. 9 de maio de 1964

    Baleado e preso por policiais num cinema da Tijuca (RJ).1

  12. 31 de julho de 1964

    Libertado por habeas corpus impetrado por Sobral Pinto.1

  13. 1965

    Publica Por que resisti à prisão.2

  14. dezembro de 1966

    Pede demissão da comissão executiva do PCB.2

  15. agosto de 1967

    Participa da I Conferência da OLAS, em Havana.4

  16. setembro de 1967

    Expulso do PCB.4

  17. fevereiro de 1968

    Pronunciamento do Agrupamento Comunista de São Paulo.1

  18. julho de 1968

    Fundação da Ação Libertadora Nacional (ALN).1

  19. 13 de dezembro de 1968

    Edição do AI-5.4

  20. junho de 1969

    Escreve o Minimanual do guerrilheiro urbano.2

  21. agosto de 1969

    Chefia a ocupação da Rádio Nacional em Piraporinha (SP).2

  22. 4 de setembro de 1969

    Sequestro do embaixador Charles Burke Elbrick (DI-GB/MR-8 e ALN).1

  23. 4 de novembro de 1969

    Morto em emboscada do DOPS/SP na alameda Casa Branca, em São Paulo.1

  24. 10 de dezembro de 1979

    Restos mortais transferidos para Salvador.2

  25. janeiro de 1995

    Abertura dos arquivos do DEOPS/SP reacende a controvérsia sobre a localização de Marighella.2

  26. 11 de setembro de 1996

    CEMDP reconhece a responsabilidade do Estado (5 votos a 2).1

  27. 5 de dezembro de 2011

    Caravana da Anistia em Salvador examina o caso.3

  28. 8 de novembro de 2012

    Portaria nº 2.780 declara Marighella anistiado político post mortem.1

  29. dezembro de 2014

    Relatório da CNV conclui que foi executado por agentes do Estado.1

  30. fevereiro de 2019

    Filme Marighella, de Wagner Moura, estreia no Festival de Berlim.20

  31. 4 de novembro de 2021

    Estreia do filme nos cinemas brasileiros.20

Bibliografia comentada

  • Comissão Nacional da Verdade. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. III, Mortos e desaparecidos políticos: perfil de Carlos Marighella (2014)

    Perfil oficial no vol. III do relatório da CNV: biografia, documentos da operação de 1969, perícia da CNV, tabela de autoria e recomendações. Ponto de partida obrigatório para a morte.

  • Mauro Malin. MARIGHELLA, Carlos, verbete biográfico

    Verbete biográfico extenso do CPDOC/FGV, especialmente útil para a trajetória no PCB (1930–1967) e para a controvérsia de 1995–1996.

  • Mário Magalhães. Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo (2012)

    Biografia jornalística de referência, base do filme de 2019; discute mitos e versões com documentos e depoimentos. Não consultada diretamente nesta tarefa.

  • Jacob Gorender. Combate nas trevas: a esquerda brasileira, das ilusões perdidas à luta armada (1987)

    Balanço crítico da luta armada escrito por um ex-dirigente comunista; essencial para o debate sobre estratégias e derrota.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Comissão Nacional da Verdade. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. III, Mortos e desaparecidos políticos: perfil de Carlos Marighella. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Arquivo com os perfis de 1950–1969 do vol. III. O site oficial da CNV (cnv.memoriasreveladas.gov.br) recusou o acesso automatizado em 19/10/2026; o PDF foi lido em cópia integral espelhada no Marxists Internet Archive. Conferir paginação e redação na edição oficial antes de publicar.
  2. 2Mauro Malin. MARIGHELLA, Carlos, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  3. 3Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva". Carlos Marighella, Mortos e desaparecidos (Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva"). Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  4. 4Alzira Alves de Abreu. Ação Libertadora Nacional (ALN), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  5. 5Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Carlos Marighella, ficha do acervo Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  6. 6Mario Cesar Carvalho. "Marighella, O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo". Anatomia de um mito. Folha de S.Paulo (27/10/2012), reproduzido pelo Instituto Humanitas Unisinos, 2012.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  7. 7Carlos Marighella (1911–1969), obras disponíveis. Marxists Internet Archive (seção em português).[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Lista de textos e nota biográfica de caráter memorial; usada para a relação de títulos e datas atribuídas.
  8. 8Mário Magalhães. Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo. Companhia das Letras, São Paulo, 2012.[Historiografia · referência bibliográfica]
  9. 9Luta armada (1969–1972). Memorial da Democracia (Instituto Lula).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Portal de memória mantido por instituição ligada a um ex-presidente; algumas datas internas são inconsistentes (ver revisão).
  10. 10Carlos Marighella. Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano (junho de 1969), índice e introdução. Marxists Internet Archive (seção em português), 1969.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]O próprio MIA adverte que o texto circula em várias versões e que não possui fonte fidedigna; usado aqui apenas para descrever a estrutura do documento.
  11. 11Instituto Vladimir Herzog. Carlos Marighella, Memórias da Ditadura (personagens). Memórias da Ditadura.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  12. 12Maurício Brum. Marighella: quem é o terrorista que Wagner Moura trouxe ao cinema. Gazeta do Povo (05/12/2017), 2017.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Texto de opinião/reportagem com enquadramento crítico a Marighella; usado como exemplo da leitura que o qualifica como terrorista e para a menção à lista dos clubes militares (2009).
  13. 13Jacob Gorender. Combate nas trevas: a esquerda brasileira, das ilusões perdidas à luta armada. Ática, São Paulo, 1987.[Historiografia · referência bibliográfica]
  14. 14Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Brasília, 2007.[Fonte oficial · referência bibliográfica]Livro-relatório citado e parcialmente transcrito pela CNV (vol. III, perfil de Marighella); não consultado diretamente nesta tarefa.
  15. 15Frei Betto. Batismo de sangue. 1982.[Historiografia · referência bibliográfica]Ano da primeira edição conforme o DHBB; editora e edições posteriores não conferidas.
  16. 16Comissão Nacional da Verdade (texto sob responsabilidade do conselheiro Paulo Sérgio Pinheiro). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II, Texto 4, Violações de direitos humanos nas igrejas cristãs. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]O site oficial da CNV (cnv.memoriasreveladas.gov.br) recusou o acesso automatizado em 19/10/2026; o PDF foi lido em cópia integral espelhada no Marxists Internet Archive. Conferir paginação e redação na edição oficial antes de publicar.
  17. 17Maria Letícia Correia; atualização de Bruno Marques. ARNS, Paulo Evaristo, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  18. 18Comissão Nacional da Verdade. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. III, perfil de Joaquim Câmara Ferreira. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Arquivo com os perfis de 1970–1971 do vol. III. O site oficial da CNV (cnv.memoriasreveladas.gov.br) recusou o acesso automatizado em 19/10/2026; o PDF foi lido em cópia integral espelhada no Marxists Internet Archive. Conferir paginação e redação na edição oficial antes de publicar.
  19. 19Leonencio Nossa. Marighella recebe anistia post mortem. O Estado de S. Paulo (10/11/2012), reproduzido pelo Instituto Humanitas Unisinos (12/11/2012), 2012.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  20. 20Lucas Leone. Adiado três vezes, Marighella tem estreia marcada nos cinemas do Brasil. AdoroCinema (04/10/2021), 2021.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  21. 21Comissão Nacional da Verdade. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II, Texto 9, A resistência da sociedade civil às graves violações de direitos humanos. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]O site oficial da CNV (cnv.memoriasreveladas.gov.br) recusou o acesso automatizado em 19/10/2026; o PDF foi lido em cópia integral espelhada no Marxists Internet Archive. Conferir paginação e redação na edição oficial antes de publicar.

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
3.888 palavras · 21 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisado: verbete biográfico do DHBB (Mauro Malin) e verbete temático da ALN (Alzira Alves de Abreu), lidos na íntegra; perfil de Carlos Marighella no vol. III da CNV (PDF de 1950–1969, lido em espelho do MIA porque o site oficial recusou acesso) e perfil de Joaquim Câmara Ferreira (PDF 1970–1971); Texto 4 (igrejas) e Texto 9 (sociedade civil) do vol. II da CNV; ficha da CEMDP (cid 191); página da Comissão da Verdade de SP; Memórias da Ditadura (IVH); reportagens da Folha (2012) e do Estadão (2012) reproduzidas pelo IHU; índice e introdução do Minimanual no MIA; Memorial da Democracia; Gazeta do Povo (2017); AdoroCinema (2021). PENDÊNCIAS: (1) conferir paginação e redação na edição oficial da CNV; (2) levantar com fonte primária ou pesquisa acadêmica as mortes causadas por ações da ALN em 1968–1969 (não localizado), a seção de violência hoje só traz casos posteriores a 1969; (3) data exata da expulsão do PCB (DHBB biográfico: 'depois' da OLAS; DHBB ALN: setembro de 1967); (4) data de fundação da ALN (CNV: julho de 1968; outras fontes: 1967/1968); (5) prisão de 1936–1937: conferir datas de habeas corpus e condenação (CV-SP) com fonte primária; (6) episódio de tortura: a reportagem da Folha sobre Magalhães diz 1935, conferir no livro; (7) codinomes de Marighella não foram conferidos em fonte aberta e ficaram fora de nomesAlternativos; (8) não incluir o conteúdo operacional do Minimanual; (9) INCIDENTE PARA O INTEGRADOR: o verbete experiencia:comunismo-no-brasil (lote1-brasil.ts) repete o DHBB e diz que Joaquim Câmara Ferreira foi 'preso em outubro de 1971'; a CNV (vol. III) registra prisão e morte em 23/10/1970, corrigir lá. Imagens candidatas não verificadas: nenhuma registrada.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Carlos Marighella. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/carlos-marighella.

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