Pular para o conteúdo
Exército Lulaacervo documental
InstituiçãoPublicado

SNI e Sistema Nacional de Informações (SISNI)

Serviço Nacional de Informações (1964–1990) e a "comunidade de informações" da ditadura

Órgão central de informações da ditadura, criado pela Lei 4.341, de 13 de junho de 1964, por iniciativa de Golbery do Couto e Silva. Coordenava uma rede de divisões e assessorias em ministérios, estatais e universidades e recebia dados dos centros militares. Foi extinto em 1990.

Também: SNI · Serviço Nacional de Informações · SISNI · Sistema Nacional de Informações · comunidade de informações · DSI (Divisões de Segurança e Informações) · ASI (Assessorias de Segurança e Informações) · AESI (Assessoria Especial de Segurança e Informações) · EsNI (Escola Nacional de Informações) · SFICI (antecessor, 1946–1964)

Índice e ficha

O Serviço Nacional de Informações (SNI) foi criado pela Lei 4.341, de 13 de junho de 1964, "como órgão da Presidência da República", com a finalidade de "superintender e coordenar, em todo o território nacional, as atividades de informação e contra informação, em particular as que interessem à Segurança Nacional" 1. Idealizado e chefiado inicialmente pelo general Golbery do Couto e Silva, absorveu o antigo Serviço Federal de Informações e Contrainformações (SFICI) e tornou-se, segundo a CNV, "o grande repositório das informações obtidas pelos demais instrumentos da repressão" 2.

Em torno dele formou-se o Sistema Nacional de Informações (SISNI): Divisões de Segurança e Informações (DSI) nos ministérios civis, Assessorias de Segurança e Informações (ASI) em órgãos da administração indireta, estatais e universidades, e a ligação com os centros de informações do Exército (CIE), da Marinha (Cenimar) e da Aeronáutica (CISA) 2. O SNI foi extinto em 1990, no início do governo Collor 3.

Este verbete explica as atribuições e a estrutura do SNI, diferencia os órgãos de informação dos órgãos de operações (prisão e interrogatório), apresenta os chefes, a escola de formação de agentes, a vigilância sobre a sociedade e o destino do acervo. Para o braço operacional da repressão, ver Sistema DOI-CODI e Operação Bandeirante; para as polícias políticas estaduais, ver DOPS/DEOPS, polícias políticas estaduais (1924–1983).

Antecedentes: do Conselho de Defesa Nacional ao SFICI (1927–1964)

Fatos documentados

A CNV traça a origem dos serviços de informação brasileiros ao Conselho de Defesa Nacional (Decreto 17.999/1927), órgão consultivo voltado sobretudo ao movimento operário e às repercussões da Revolução Russa; em 1934, ele foi reorganizado como Conselho Superior de Segurança Nacional, com seções de segurança nacional em cada ministério 2. No Estado Novo, segundo a CNV, a Polícia Civil do Distrito Federal e o Ministério da Guerra funcionaram, na prática, como serviços secretos 2.

Na República de 1946, o presidente Eurico Dutra criou o Serviço Federal de Informações e Contrainformações (SFICI), por ato de 6 de setembro de 1946, no âmbito do Conselho de Segurança Nacional; as Seções de Segurança Nacional (SSN) dos ministérios passaram a órgãos complementares do CSN 2. O SFICI existiu de início só no papel e só funcionou efetivamente cerca de dez anos depois, após visitas técnicas de funcionários brasileiros aos serviços dos Estados Unidos; Juscelino Kubitschek deu-lhe autonomia em 1958 2. No governo Jânio Quadros, Golbery chefiou o SFICI e o então coronel João Baptista Figueiredo, sua Subseção de Operações 2.

A CNV destaca ainda o papel de Golbery no Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), centro de apoio civil à conspiração que resultou no golpe de 1964 2.

Criação, atribuições e subordinação (1964)

Fatos documentadosDocumento de época

A Lei 4.341/1964 definiu o SNI como órgão da Presidência que operaria também em proveito do Conselho de Segurança Nacional. Incumbia-lhe especialmente 1:

  • assessorar o presidente na orientação e coordenação das atividades de informação e contrainformação dos ministérios, serviços estatais, autônomos e entidades paraestatais;
  • estabelecer ligações com governos estaduais, entidades privadas e, quando fosse o caso, administrações municipais, "tendo em vista a complementação do sistema nacional de informação e contra-informação";
  • proceder "no mais alto nível" à coleta, avaliação e integração das informações para as decisões do presidente e os estudos do CSN;
  • difundir as informações e estimativas no âmbito governamental.

A lei previa uma chefia, uma Agência Central no Distrito Federal e agências regionais, e incorporou o SFICI como agência regional no Rio de Janeiro (Guanabara) 1. O Decreto 55.194, de 10 de dezembro de 1964, organizou a Agência Central em Seção de Informações Estratégicas, Seção de Segurança Interna e Seção de Operações Especiais; o chefe do SNI tinha prerrogativas de ministro, podia requisitar funcionários, propor a designação de militares e classificar assuntos como "secretos" e "ultrassecretos" 2.

O general Adyr Fiúza de Castro, um dos fundadores do CIE, resumiu em entrevista ao CPDOC que o SNI tinha "um cliente": o presidente da República; recebia de todos e informava apenas a ele 2 4. Golbery teria dito, anos mais tarde, ter criado "um monstro", frase relatada pela CNV como atribuída, sem fonte primária indicada 2 5.

Informação × operações: como distinguir os órgãos

Explicação conceitualConclusão de comissão

Na linguagem dos órgãos, informe era o dado bruto e informação, o informe já analisado 2. O SNI e as DSI eram, formalmente, órgãos de informação: coletavam, analisavam, arquivavam e difundiam. Os órgãos de operações, os DOI, os DOPS, a Polícia Federal e, em muitos casos, os centros de informações militares, prendiam, interrogavam e executavam ações 2.

A distinção ajuda a entender as responsabilidades, mas não deve ser lida como separação estanque:

  • Documento do Conselho de Segurança Nacional sobre a reforma das DSI, de meados dos anos 1970, orientava que elas não teriam "a iniciativa de realizar operações de busca de informações", nem coordenariam policiamento 2.
  • Os relatórios de interrogatório da Oban e do DOI eram difundidos ao SNI, que os arquivava; esses documentos fundamentavam processos no CSN e no Superior Tribunal Militar 2.
  • O chefe da agência paulista do SNI integrava o Centro de Coordenação da Oban e a Central de Informações 2.
  • A CNV registra que o SNI abrigou oficiais que executavam ações clandestinas, como o coronel Freddie Perdigão Pereira, a quem atribui várias mortes e atentados, inclusive os que vitimaram Zuzu Angel e o do Riocentro 2.

Os centros de informações militares combinavam as duas funções: o CIE foi, segundo a CNV, o principal órgão de repressão das Forças Armadas e manteve centros clandestinos de tortura e execução 2.

Os chefes do SNI

Fatos documentadosConclusão de comissão

Segundo a CNV (cap. 16), salvo indicação 6:

| Chefe | Período | Observação | |---|---|---| | Golbery do Couto e Silva (1911–1987) | jun. 1964–mar. 1967 | Idealizador; chefe do Gabinete Civil de 1974 a 1981. | | Emílio Garrastazu Médici | mar. 1967–abr. 1969 | Presidente de 1969 a 1974. | | Carlos Alberto da Fontoura (1912–1997) | abr. 1969–1974 | A CNV dá "outubro de 1974" como fim, o que se sobrepõe ao início de Figueiredo (março de 1974). | | João Baptista de Oliveira Figueiredo | mar. 1974–jun. 1978 | Presidente de 1979 a 1985. | | Octávio Aguiar de Medeiros (1922–2005) | jun. 1978–mar. 1985 | Integrou o grupo que criou o SNI; dirigiu a EsNI. | | Ivan de Souza Mendes (1922–2010) | mar. 1985–mar. 1990 | Convidado por Tancredo Neves; serviu no governo Sarney; último chefe 7 8. |

A CNV incluiu os chefes do SNI do período 1964–1985 na categoria de responsabilidade político-institucional pelas graves violações, ao lado dos presidentes e dos ministros militares, por terem dirigido o órgão criado para coordenar a ação repressiva 6. Essa classificação não é condenação. Ivan de Souza Mendes, chefe após 1985, não está nessa lista; em depoimento à Câmara, afirmou ter queimado os documentos que guardava ao deixar a função 8.

DSI, ASI e o Sistema Nacional de Informações (1967–1990)

Fatos documentadosDocumento de época

DSI. As Divisões de Segurança e Informações sucederam as Seções de Segurança Nacional. Foram criadas pelo Decreto-Lei 200, de 25 de fevereiro de 1967 (reforma administrativa), como órgãos de assistência direta aos ministros civis 2. Seu diretor era nomeado pelo presidente, por indicação do ministro e com aprovação prévia do secretário-geral do CSN; depois, o SNI passou a opinar sobre diretores e chefes 2. O Decreto 66.622, de 22 de maio de 1970, deixou as DSI subordinadas aos ministros, mas "sob a superintendência e coordenação do SNI" no campo das informações 2.

SISNI e Comunidades Setoriais. Em 1970 foram criados o Sistema Nacional de Informações (SISNI) e o Sistema de Segurança Interna (Sissegin). As DSI passaram a enviar à Agência Central do SNI as "informações necessárias" segundo o Plano Nacional de Informações e integraram as Comunidades Setoriais de Informações (CSI) de cada ministério 2. Em 1975, o Decreto 75.640 tornou as DSI órgãos centrais dos sistemas setoriais e as classificou em três tipos por efetivo (até 35, 45 e 60 servidores) 2.

ASI. As Assessorias de Segurança e Informações funcionavam em autarquias, fundações, empresas públicas e universidades; a partir de 1975, sua criação dependia de parecer favorável do SNI (Decreto 75.524/1975), e seus chefes passaram a precisar do curso da ESG e do curso "A" da EsNI 2. No Ministério da Educação, a implantação das ASI se completou ao longo de 1973; em junho de 1975 havia mais de 40 "elementos de informações" organizados em assessorias 9. A Funai incorporou formalmente uma ASI em 1970, vinculada à DSI do Ministério do Interior 10.

Comunidades complementares. Fora da administração federal, DOPS estaduais, 2ªs Seções das Polícias Militares (P2), órgãos municipais e até entidades privadas selecionadas pelo SNI repassavam informações ao sistema 2.

Dimensão. Ouvido pela BBC News Brasil, o historiador Rodrigo Patto Sá Motta afirma que, no fim da ditadura, havia "mais de 100 unidades de informação, quase 200", mais de 40 só nas universidades 5 11. É estimativa de pesquisador, não contagem oficial.

Os centros de informações das Forças Armadas

Fatos documentadosConclusão de comissão

Ligados aos gabinetes dos ministros militares, não ao SNI, os centros de informações participavam do SISNI e, ao contrário do SNI, conduziam operações diretas de repressão 2 6:

  • Cenimar, Centro de Informações da Marinha. Criado em 21 de novembro de 1957 (Decreto 42.688), é o mais antigo; subordinado ao Estado-Maior da Armada, foi reestruturado em 30 de março de 1971 (Decreto 68.447) para combater a "subversão". Mantinha infiltrados em organizações de esquerda e usou a Base Naval da Ilha das Flores (São Gonçalo, RJ) como local de tortura, onde cerca de 200 pessoas foram presas entre 1969 e 1971. Em 1986 passou a se chamar CIM 2.
  • CIE, Centro de Informações do Exército. Criado em 2 de maio de 1967 (Decreto 60.664), subordinado ao gabinete do ministro do Exército. Primeiro diretor: Adyr Fiúza de Castro. Comandou operações como a chacina do grupo de Onofre Pinto (Parque Nacional do Iguaçu, 1974) e a Operação Radar (1973–1975), contra o PCB, e manteve a Casa da Morte, em Petrópolis, que o próprio Ernesto Geisel chamou, em depoimento de 1994, de "dependência do CIE" 2.
  • CISA, Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica. Criado em abril de 1970 (Decretos 66.513 e 66.608), sucedeu órgãos de informação da Aeronáutica de 1968–1969; mudou-se para Brasília em 1971, mantendo um escalão no Rio. Segundo a CNV, foi na área do 3º Comando Aéreo, no Rio, sob a chefia do brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, que ocorreu a morte sob tortura de Stuart Edgar Angel Jones, em maio de 1971; sua mãe, Zuzu Angel, apontou oficiais do CISA como responsáveis. Renomeado em 1980, foi extinto em 13 de janeiro de 1988 (Decreto 95.638) 2.
  • Ciex, Centro de Informações do Exterior, no Itamaraty (1966–anos 1980), vigiava brasileiros exilados, sobretudo no Cone Sul; nunca teve existência formal 2.

A Polícia Federal também integrava o sistema e atuou na repressão e, por meio da Divisão de Censura de Diversões Públicas, na censura, ver Censura na ditadura militar 2.

A Escola Nacional de Informações (EsNI)

Fatos documentadosConclusão de comissão

A EsNI foi criada pelo Decreto 68.448, de 31 de março de 1971, com sede em Brasília e subordinação direta ao chefe do SNI 12. Foi inaugurada em maio de 1972, tendo como primeiro diretor o general Ênio dos Santos Pinheiro, que antes estudara seis meses nos Estados Unidos; o SNI também enviou oficiais à Alemanha, Israel, França e Inglaterra para conhecer serviços de informação 2. Militares e civis indicados pelos ministérios frequentavam seus cursos 2.

Segundo a CNV, depois de deixar o comando do DOI-CODI/II Exército, Carlos Alberto Brilhante Ustra tornou-se instrutor de operações da EsNI e difundiu as técnicas do DOI; a partir de 1976, os cursos A, B, C1 e C2 passaram a ter módulo específico sobre o DOI-CODI 2. A CNV atribui a Octávio Aguiar de Medeiros, quando dirigiu a EsNI, a responsabilidade pelo treinamento de militares em métodos psicológicos de interrogatório 6.

Vigilância sobre a sociedade: sindicatos, universidades, igrejas, indígenas

Conclusão de comissãoFatos documentados

O alcance do SISNI ia muito além das organizações armadas. A CNV documenta, entre outros alvos:

  • Trabalhadores e sindicatos. Nas empresas estatais, as ASI produziam fichas sobre a atuação política dos empregados, responsáveis por "centenas de demissões e prisões"; trabalhadores tiveram carreiras paralisadas por anos por terem participado de uma assembleia ou lido um jornal considerado suspeito 13.
  • Universidades. A DSI do MEC centralizou o controle sobre o ensino superior, instruiu inquéritos e processos de expulsão de professores e estudantes com base no Decreto 477/1969 e vigiava candidatos a cargos públicos 9.
  • Povos indígenas. A ASI da Funai, vinculada à DSI do Ministério do Interior, vigiou e cerceou assembleias indígenas nos anos 1970, ver Povos indígenas e a ditadura (1964–1985) 10.
  • Atestados ideológicos. Generalizou-se a exigência de "atestado ideológico" além do de bons antecedentes, e a verificação informal de referências em processos seletivos 13.

Os documentos de inteligência que registram essa vigilância expressam a avaliação de quem os produziu, suspeitas, rótulos e informações obtidas por delação ou sob coação, e não fatos automaticamente verdadeiros sobre as pessoas vigiadas.

Depois de 1985 e a extinção (1990)

Fatos documentadosDocumento de época

O SNI sobreviveu ao fim da ditadura. Em 29 de setembro de 1988, já sob a nova Constituição, o Decreto 96.876 regulamentou suas funções e estrutura (Agência Central, agências regionais, EsNI, centros de informática, telecomunicações e pesquisa em segurança das comunicações); o órgão dispunha de um fundo especial, o Fesni, criado por decreto reservado em 1979 2.

A extinção veio com a Medida Provisória 150, de 15 de março de 1990, editada no primeiro dia do governo Fernando Collor e convertida na Lei 8.028, de 12 de abril de 1990, cujo art. 27 extinguiu o SNI e também "as Divisões ou Assessorias de Segurança e Informações dos Ministérios Civis e os órgãos equivalentes das entidades da Administração Federal indireta e fundacional" 14 3 2. O último chefe, Ivan de Souza Mendes, deixou o cargo nessa ocasião 7.

O acervo no Arquivo Nacional e a Lei de Acesso à Informação

Fatos documentados

O Decreto 5.584, de 18 de novembro de 2005, determinou que os documentos dos extintos Conselho de Segurança Nacional, Comissão Geral de Investigações e SNI que estivessem sob custódia da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) fossem recolhidos ao Arquivo Nacional até 31 de dezembro de 2005, na Coordenação Regional do Distrito Federal 15. A CNV usou extensamente esses fundos e observa que o acervo do SNI e dos serviços militares, com milhões de páginas, registra o cotidiano da espionagem e a troca de informações entre os órgãos 2.

A Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011) estabelece que informações ou documentos sobre condutas que impliquem violação de direitos humanos por agentes públicos "não poderão ser objeto de restrição de acesso" 16. Ao mesmo tempo, a CNV registra que a documentação produzida pelas Forças Armadas foi "oficialmente dada como destruída", o que limitou a investigação 17.

Organograma histórico

Fatos documentadosDocumento de época

1. SNI segundo a Lei 4.341 e o Decreto 55.194 (1964), fontes: lei e CNV, vol. I, cap. 4, §§24–28 1 2:

  • Presidente da República (e Conselho de Segurança Nacional, em assuntos de segurança nacional)
  • Chefe do SNI (prerrogativas de ministro) e Gabinete
  • Agência Central (Brasília; até sua instalação, a Agência Regional da Guanabara, ex-SFICI, fez esse papel)
  • Seção de Informações Estratégicas
  • Seção de Segurança Interna
  • Seção de Operações Especiais
  • Agências Regionais (nas capitais)

2. SISNI na década de 1970, fonte: CNV, vol. I, cap. 4, organograma do §4 e §§37–60 2:

  • Presidência da República
  • SNI (órgão central do SISNI), EsNI a partir de 1971–1972
  • Ministérios civis: DSI (órgão central de cada Comunidade Setorial de Informações)
  • ASI/AESI em autarquias, fundações, estatais e universidades
  • Ministérios militares (ligados ao SISNI, mas subordinados aos ministros)
  • Exército: CIE (1967); 2ªs Seções; Oban/DOI-CODI (operações, via comandos de área)
  • Marinha: Cenimar (1957; reestruturado em 1971)
  • Aeronáutica: CISA (1970)
  • Ministério das Relações Exteriores: Ciex e DSI/MRE
  • Ministério da Justiça: Polícia Federal (Divisão de Inteligência; Divisão de Censura de Diversões Públicas)
  • Comunidades complementares: DOPS estaduais, P2 das Polícias Militares, órgãos municipais e entidades privadas selecionadas

3. SNI após o Decreto 96.876 (1988–1990), fonte: CNV, vol. I, cap. 4, §32 2:

  • Gabinete do Ministro; Consultoria Jurídica; Assessoria de Coordenação e Planejamento; Agência Central; agências regionais; EsNI; Secretaria Administrativa; Secretaria de Controle Interno; Centro de Informática; Centro de Telecomunicações e Eletrônica; Centro de Pesquisas e Desenvolvimento para a Segurança das Comunicações (Cepesc).

O organograma 2 combina relações formais e de fato; a CNV observa que o SNI disputava espaço com o CSN dentro das DSI e que os centros militares atuavam, por vezes, em concorrência 2.

Responsabilidades e grau de prova

Ocupar um cargo não prova participação pessoal em cada crime. A tabela diz o que cada fonte afirma e com que grau de prova.

SobreGrau de provaO que a fonte afirmaFonte
Concepção e direção do sistema de informações que coordenou a repressão (1964–1985)Conclusão de comissãoA CNV inclui os chefes do SNI Golbery do Couto e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Carlos Alberto da Fontoura, João Baptista de Oliveira Figueiredo e Octávio Aguiar de Medeiros na categoria de responsabilidade político-institucional pelas graves violações.Relatório, vol. I, cap. 16, A autoria das graves violações de direitos humanos (pp. 841–932)
Ações clandestinas executadas por oficial lotado no SNIConclusão de comissãoA CNV afirma que o coronel Freddie Perdigão Pereira, abrigado no SNI, executava ações clandestinas e foi responsável por várias mortes e atentados, como o que vitimou Zuzu Angel e o do Riocentro.Relatório, vol. I, Parte II, cap. 4, Órgãos e procedimentos da repressão política (pp. 111–174)
Treinamento em métodos de interrogatório na EsNIConclusão de comissãoA CNV atribui a Octávio Aguiar de Medeiros, quando dirigiu a EsNI, a responsabilidade pelo treinamento de militares em métodos psicológicos de interrogatório, e registra que Ustra difundiu na escola as técnicas do DOI-CODI.Relatório, vol. I, cap. 16, A autoria das graves violações de direitos humanos (pp. 841–932)

No portal Ditaduras no Brasil

República de 1946 (1946–1964) · Ditadura de 1964–1985 · Transição e Nova República (1985–) · Nacional (DF, RJ)

Governos e instituiçõesRepressãoDocumentosMemória, verdade e justiçaEconomia e trabalhoPovos indígenas

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

Cronologia

  1. 1927

    Decreto 17.999 institui o Conselho de Defesa Nacional.2

  2. 6 de setembro de 1946

    Criação do Serviço Federal de Informações e Contrainformações (SFICI).2

  3. 21 de novembro de 1957

    Criação do Centro de Informações da Marinha (Cenimar).2

  4. 13 de junho de 1964

    Lei 4.341 cria o SNI; Golbery é o primeiro chefe.1

  5. 10 de dezembro de 1964

    Decreto 55.194 regulamenta o SNI.2

  6. 25 de fevereiro de 1967

    Decreto-Lei 200 cria as Divisões de Segurança e Informações (DSI) nos ministérios civis.2

  7. 2 de maio de 1967

    Criação do Centro de Informações do Exército (CIE).2

  8. abril de 1970

    Criação do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA).2

  9. 22 de maio de 1970

    Decreto 66.622 põe as DSI sob superintendência do SNI no campo das informações.2

  10. 1970

    Criação do Sistema Nacional de Informações (SISNI) e do Sistema de Segurança Interna (Sissegin).2

  11. 31 de março de 1971

    Decreto 68.448 cria a Escola Nacional de Informações (EsNI).12

  12. maio de 1972

    Inauguração da EsNI.2

  13. 22 de abril de 1975

    Decreto 75.640 aprova novo regulamento das DSI; criação de ASI passa a depender de parecer do SNI.2

  14. março de 1985

    Ivan de Souza Mendes assume a chefia do SNI.7

  15. 13 de janeiro de 1988

    Extinção do CISA (Decreto 95.638).2

  16. 29 de setembro de 1988

    Decreto 96.876 regulamenta o SNI sob a nova Constituição.2

  17. 15 de março de 1990

    Medida Provisória 150 extingue o SNI.14

  18. 12 de abril de 1990

    Lei 8.028 (conversão da MP 150) confirma a extinção do SNI e das DSI/ASI.3

  19. 18 de novembro de 2005

    Decreto 5.584 determina o recolhimento do acervo do SNI ao Arquivo Nacional.15

  20. 18 de novembro de 2011

    Lei de Acesso à Informação veda restrição de acesso a documentos sobre violações de direitos humanos.16

Bibliografia comentada

  • Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, Parte II, cap. 4, Órgãos e procedimentos da repressão política (pp. 111–174) (2014)

    Seções A e C do capítulo 4: histórico do SFICI ao SNI, regulamentos das DSI e ASI, EsNI, Cenimar, CIE, CISA e Ciex, com organogramas.

  • Priscila Carlos Brandão Antunes. SNI & ABIN: uma leitura da atuação dos serviços secretos brasileiros ao longo do século XX (2002)

    Estudo sobre os serviços secretos brasileiros no século XX, do SFICI à ABIN. Não consultado diretamente nesta redação.

  • Carlos Fico. Como eles agiam. Os subterrâneos da ditadura militar: espionagem e polícia política (2001)

    Análise de referência da 'comunidade de informações' e da polícia política, a partir de documentos dos próprios órgãos. Não consultado diretamente nesta redação.

  • Rodrigo Patto Sá Motta. As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária (2014)

    Pesquisa sobre a vigilância e as ASI nas universidades durante a ditadura. Não consultado diretamente nesta redação.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Lei n. 4.341, de 13 de junho de 1964, Cria o Serviço Nacional de Informações. Presidência da República, Planalto.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  2. 2Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, Parte II, cap. 4, Órgãos e procedimentos da repressão política (pp. 111–174). CNV, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Seções A (Sistema Nacional de Informações), B (Oban e DOI-CODI), C (centros de informações das Forças Armadas) e D (DOPS). O capítulo está na Parte II do vol. I, não na Parte III. Paginação do PDF = paginação impressa.
  3. 3Lei n. 8.028, de 12 de abril de 1990 (conversão da Medida Provisória n. 150, de 1990). Presidência da República, Planalto.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Art. 27 extingue o SNI (inciso II) e as Divisões ou Assessorias de Segurança e Informações dos ministérios civis e órgãos equivalentes da administração indireta (inciso VII).
  4. 4Maria Celina D'Araújo, Glaucio Ary Dillon Soares e Celso Castro (orgs.). Os anos de chumbo: a memória militar sobre a repressão. Relume Dumará, Rio de Janeiro, 1994.[Historiografia · referência bibliográfica]Entrevistas de militares ao CPDOC; testemunhos de agentes, citados pela CNV.
  5. 5Como funcionava o SNI, o 'monstro' da repressão criado pela ditadura militar há 60 anos. Correio Braziliense (reportagem da BBC News Brasil), 2024.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Ouve os historiadores Rodrigo Patto Sá Motta (UFMG) e Paulo Henrique Martinez (Unesp).
  6. 6Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 16, A autoria das graves violações de direitos humanos (pp. 841–932). CNV, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Lista 377 agentes em três categorias de responsabilidade (político-institucional; controle e gestão de estruturas; autoria direta). A própria CNV afirma que a indicação não implica responsabilidade jurídica individual (§4).
  7. 7Mendes, Ivan de Sousa, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  8. 8Depoimento de Ivan de Souza Mendes ao programa de história oral Memória Política. Câmara dos Deputados, Arquivo, História Oral.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Testemunho de agente: registra a versão do depoente (inclusive a afirmação de que queimou documentos que guardava).
  9. 9Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. II, Texto 6, Violações de direitos humanos na universidade (pp. 265–298; DSI/MEC e ASIs nas pp. 282–283). CNV, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  10. 10Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. II, Texto 5, Violações de direitos humanos dos povos indígenas (pp. 203–264). CNV, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  11. 11Rodrigo Patto Sá Motta. As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária. Zahar, Rio de Janeiro, 2014.[Historiografia · referência bibliográfica]
  12. 12Decreto n. 68.448, de 31 de março de 1971, Cria a Escola Nacional de Informações. Senado Federal, Legislação.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  13. 13Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. II, Texto 2, Violações de direitos humanos dos trabalhadores (pp. 57–90). CNV, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  14. 14Medida Provisória n. 150, de 15 de março de 1990, ficha da norma. Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  15. 15Decreto n. 5.584, de 18 de novembro de 2005, recolhimento ao Arquivo Nacional dos documentos do CSN, da CGI e do SNI sob custódia da ABIN. Presidência da República, Planalto.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]O decreto consta como revogado pelo Decreto n. 10.346, de 2020; o recolhimento por ele determinado é anterior.
  16. 16Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011, Lei de Acesso à Informação. Presidência da República, Planalto.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  17. 17Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 18, Conclusões e recomendações (pp. 961–965). CNV, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  18. 18Priscila Carlos Brandão Antunes. SNI & ABIN: uma leitura da atuação dos serviços secretos brasileiros ao longo do século XX. Editora FGV, Rio de Janeiro, 2002.[Historiografia · referência bibliográfica]
  19. 19Carlos Fico. Como eles agiam. Os subterrâneos da ditadura militar: espionagem e polícia política. Record, Rio de Janeiro, 2001.[Historiografia · referência bibliográfica]

Rede de relações

Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.

relacionado a

Compartilhe

Peças para as redes

Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.

Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
2.658 palavras · 19 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisado: Lei 4.341/1964, Lei 8.028/1990 (art. 27), ficha da MP 150/1990, Decreto 68.448/1971, Decreto 5.584/2005 e Lei 12.527/2011 (textos oficiais abertos); CNV, vol. I, cap. 4 (seções A e C), cap. 16 e cap. 18; CNV, vol. II, Textos 2, 5 e 6; DHBB (Ivan de Sousa Mendes); depoimento de Ivan Mendes à Câmara; reportagem da BBC Brasil no Correio Braziliense (2024). Pendências: (1) datas dos chefes: a CNV dá fim da gestão Fontoura em out. 1974, conflitante com início de Figueiredo em mar. 1974, conferir no DHBB; (2) o SFICI aparece na CNV como criado por 'Decreto n. 9.775' e, em nota, por 'Decretos-Leis 9.775 e 9.775-A', conferir no Planalto; (3) conferir Decretos 55.194/1964, 60.664/1967, 66.622/1970, 67.325/1970, 75.524/1975, 75.640/1975, 95.638/1988 e 96.876/1988, citados só pela CNV; (4) data de inauguração da EsNI: CNV diz maio de 1972, outra fonte localizada em busca (não aberta) fala em 1973; (5) página oficial atual do Arquivo Nacional sobre o fundo SNI (código de fundo e condições de acesso) não foi aberta; (6) frase 'Criei um monstro' sem fonte primária; (7) vigilância de artistas e da Igreja: não detalhada por falta de fonte aberta nesta redação (CNV vol. II, Texto 4, sobre igrejas, não foi lido); (8) ler Antunes, Fico e Motta.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

Encontrou um erro? Escreva pela página de correções citando o verbete e a seção. Correções ficam registradas neste histórico.

Como citar: SNI e Sistema Nacional de Informações (SISNI). In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/sni.

Continue explorando

Preferências de leitura
Tamanho do texto
Fonte