Planejamento econômico
Do Gosplan ao planejamento participativo: modelos, resultados e debates
Planejamento econômico é a coordenação deliberada da produção e do investimento por um plano, em vez de só pelo mercado. Vai do planejamento central soviético ao indicativo francês e a propostas participativas; teve resultados e problemas documentados e segue em debate.
Também: planificação · economia planificada · economic planning
Índice e ficha
- Área
- Socialismo e comunismo
- Regiões
- Internacional, Europa, América Latina
- Temas
- Economia e organização social, Teoria e conceitos, Estado, poder e democracia, Ciência e educação
Planejamento econômico é a coordenação deliberada da produção, da distribuição e do investimento por meio de um plano, em contraste com a coordenação feita exclusivamente pelo mercado. Ele pode cobrir a economia inteira ou só alguns setores, ser obrigatório ou apenas orientador, centralizado ou distribuído entre muitos órgãos. Em economias capitalistas, grandes empresas planejam internamente e governos planejam investimentos; na tradição socialista, o planejamento da economia como um todo foi visto como forma de substituir a "anarquia do mercado" por decisões conscientes.
A experiência mais conhecida é a da União Soviética, onde o Gosplan elaborou, a partir de 1928, uma série de planos quinquenais com base em balanços materiais. Outros países adotaram variantes desse modelo; a França do pós-guerra usou um planejamento indicativo, não socialista; e economistas e militantes propuseram, desde os anos 1980, modelos participativos e apoiados em computação. No Chile da Unidade Popular (1970–1973), o projeto Cybersyn tentou usar telecomunicações e computação para acompanhar a produção estatal.
Este verbete apresenta os tipos de planejamento, a experiência soviética e seus problemas observados (escassez, restrição orçamentária branda, incentivos, inovação), as propostas contemporâneas e uma seção de modelagem sobre o custo computacional do planejamento, com as hipóteses e limitações declaradas pelas próprias fontes. O debate teórico sobre a possibilidade de cálculo econômico sem mercado está em Debate do cálculo econômico socialista.
O que é planejar: tipos de planejamento
É útil separar quatro grandes tipos, que não esgotam as possibilidades:
- Planejamento central (imperativo): um órgão central define metas de produção obrigatórias e aloca insumos às empresas. Na URSS, o Gosplan fixava metas e um órgão de abastecimento (Gossnab) distribuía insumos 1.
- Planejamento descentralizado: as decisões partem de unidades locais e sobem, muitas vezes associado à autogestão; entre as raízes teóricas citadas estão Kautsky, Rosa Luxemburgo, Bukharin e Oskar Lange 1.
- Planejamento indicativo: o Estado projeta cenários, identifica gargalos e orienta o investimento com incentivos, sem metas obrigatórias para empresas privadas. Foi praticado na França a partir de 1946 e no Japão, e é compatível com economias de mercado 2.
- Planejamento participativo ou negociado: propostas em que conselhos de trabalhadores e consumidores, ou órgãos de coordenação negociada, constroem o plano por rodadas sucessivas (Albert e Hahnel; Devine) 1 3 4.
A tabela deste verbete compara esses tipos. Note-se que planejamento não é sinônimo de socialismo: o planejamento indicativo francês foi implantado, segundo uma referência, em parte para responder às demandas socialistas e comunistas por propriedade pública e planejamento de tipo stalinista 2.
O modelo soviético: Gosplan, planos quinquenais e balanços materiais
O Gosplan (Comitê Estatal de Planejamento) foi criado por decreto do Conselho dos Comissários do Povo de 22 de fevereiro de 1921, inicialmente como órgão consultivo. A partir de 1925 elaborou "cifras de controle" anuais e, com o primeiro plano quinquenal (1928), passou a preparar e supervisionar os sucessivos planos quinquenais; foi dissolvido em 1º de abril de 1991 5.
O instrumento técnico central era o balanço material: para cada produto importante, confrontavam-se, em unidades físicas (toneladas, metros, unidades), as fontes disponíveis (produção, importações, estoques) e os usos previstos (consumo intermediário, investimento, exportação). Quando havia déficit, as metas eram ajustadas em rodadas sucessivas. O método surgiu de modo improvisado durante a coletivização, consolidou-se no pós-guerra e foi copiado por outros Estados socialistas 6 1. Segundo uma referência, em 1973 o Gosplan elaborava balanços para 1.943 itens considerados mais importantes, cobrindo cerca de 70% da produção industrial; os ministérios e o Gossnab definiam fornecedores e destinatários 6.
Dois pontos costumam ser esquecidos. O planejamento material nunca substituiu inteiramente o cálculo monetário, e a distribuição de bens de consumo e a alocação da força de trabalho passavam em boa parte por mecanismos de mercado (salários, compras com dinheiro) 6. E o modelo mudou ao longo do tempo: sob Khruschov, conselhos econômicos regionais (sovnarkhozy) dividiram tarefas com o Gosplan e os ministérios 1.
Matemática e computação no planejamento soviético
O matemático soviético Leonid Kantorovich (1912–1986) desenvolveu em 1939, ao otimizar a produção na indústria de compensados, a técnica hoje conhecida como programação linear; publicou em 1959 A melhor utilização dos recursos econômicos e dividiu em 1975 o prêmio de ciências econômicas em memória de Nobel com Tjalling Koopmans, "por contribuições à teoria da alocação ótima de recursos" 7.
Nos anos 1960, o cibernético Viktor Glushkov propôs o OGAS, rede nacional de computadores para coletar e processar dados econômicos, com um centro em Moscou, até 200 centros regionais e até 20 mil terminais locais. Proposto em 1962, o projeto teve o pedido de financiamento negado em 1º de outubro de 1970; a principal causa apontada é a disputa burocrática, inclusive a oposição do Ministério das Finanças 8. O estudo de referência é o livro de Benjamin Peters, How Not to Network a Nation (2016) 9.
Esses episódios são lidos de formas diferentes: para defensores do planejamento computacional, mostram um potencial bloqueado por razões políticas; para críticos, mostram que o problema do planejamento não era apenas técnico. Ambas são interpretações.
Cybersyn: o Chile de Allende (1971–1973)
No Chile governado pela Unidade Popular de Salvador Allende, coalizão chilena que não tem relação orgânica com a Unidade Popular brasileira, fundada em 2016, o engenheiro Fernando Flores, da Corporação de Fomento da Produção (CORFO), convidou em julho de 1971 o pesquisador britânico de cibernética Stafford Beer para desenhar um sistema de apoio à gestão das empresas estatizadas. O Projeto Cybersyn tinha quatro componentes: a Cybernet, rede de telex que ligava empresas a Santiago; o Cyberstride, programa estatístico que acompanhava indicadores e sinalizava desvios; o CHECO, simulador econômico; e a Opsroom, sala de operações 10.
A escala é incerta: o número mais citado é de 500 aparelhos de telex, mas há fontes que indicam bem menos; cerca de vinte fábricas estavam modeladas e conectadas ao fim do projeto. Durante a greve patronal de caminhoneiros de outubro de 1972, a rede de telex ajudou a organizar o abastecimento com cerca de 200 caminhões. O golpe de setembro de 1973 encerrou o projeto, e os militares destruíram a sala de operações 10. O principal estudo histórico é Cybernetic Revolutionaries, de Eden Medina (2011) 11.
As avaliações divergem: há quem o veja como antecipação de redes e de gestão por dados, e há quem aponte riscos de vigilância e tecnocracia; um ex-gestor do projeto argumentou que o desenho, baseado em autonomia das unidades, protegia contra o uso tecnocrático 10. Pela escala e pela duração (pouco mais de dois anos), Cybersyn é um experimento limitado, não uma demonstração de planejamento de uma economia inteira.
Problemas observados nas economias de planejamento central
A literatura especializada registra problemas recorrentes nas economias de tipo soviético. O mais estudado é a escassez crônica. O economista húngaro János Kornai (1928–2021), em Economics of Shortage (1980), argumentou que a escassez nessas economias não resultava de erros de planejadores ou de preços mal fixados, mas de falhas sistêmicas 12 13. Na descrição de Kornai, a escassez era frequente, intensa, crônica e atingia bens de consumo e de produção; consumidores e empresas reagiam com filas, listas de espera (para apartamentos soviéticos, de 10 a 15 anos), busca prolongada, compra de substitutos ("substituição forçada") e poupança forçada 14.
Um dos mecanismos centrais da explicação de Kornai é a restrição orçamentária branda (soft budget constraint): o orçamento de uma organização é "brando" quando ela espera que um agente externo, o Estado ou uma organização-mãe, cubra seus déficits, em vez de enfrentar falência. Kornai introduziu o termo no fim dos anos 1970 para analisar empresas estatais socialistas e o desenvolveu em artigo de 1986 na revista Kyklos 15. Uma revisão de 2003 de Kornai, Eric Maskin e Gérard Roland mostra que o conceito passou a ser aplicado também a economias em transição e de mercado, governos locais, bancos "grandes demais para quebrar" 16 15. Ou seja: o mecanismo não é exclusivo do socialismo, mas Kornai o considerava generalizado nas economias de tipo soviético.
Outros problemas apontados por estudiosos e também por economistas socialistas incluem:
- preços: preços administrados que não refletiam custos ou escassez relativa, dificultando escolhas entre técnicas e produtos;
- incentivos: metas medidas em quantidade (toneladas, unidades) favoreciam o cumprimento formal em detrimento da qualidade e da variedade; empresas tendiam a esconder capacidade e inflar pedidos de insumos, problema de incentivo citado, por exemplo, na Stanford Encyclopedia 17;
- investimento: forte prioridade à indústria pesada e ao investimento, em prejuízo do consumo;
- inovação: dificuldade de introduzir novos produtos e técnicas fora de setores prioritários (militar, espacial);
- informação: o volume de produtos, Alec Nove mencionou cerca de 12 milhões de produtos identificáveis na URSS, tornava impossível planejar em detalhe a partir do centro 18.
Esses diagnósticos não apagam resultados também documentados, como a industrialização acelerada e a expansão de educação e saúde em vários desses países, nem os custos humanos de episódios como a coletivização soviética e o Grande Salto Adiante chinês. O balanço dessas experiências é objeto de verbetes próprios (União Soviética, China (República Popular da China), Cuba (1959–presente)) e do explicador Por que experiências socialistas entraram em crise?.
Reformas dentro do planejamento
Várias economias de planejamento central tentaram reformas que davam mais autonomia às empresas e mais peso a preços e lucros. A mais radical no bloco soviético foi o Novo Mecanismo Econômico húngaro, introduzido em 1º de janeiro de 1968: aboliu as metas obrigatórias de plano para as empresas, fez do lucro o objetivo principal delas e criou categorias de preços fixos, limitados e livres; a reforma foi parcialmente contida entre 1972 e 1978 19. Em Cuba, o grande debate econômico dos anos 1960 opôs, entre outros, defensores do cálculo econômico com autonomia financeira das empresas e o sistema orçamentário de financiamento defendido por Che Guevara. Essas reformas e debates são tratados também em Socialismo de mercado.
Propostas contemporâneas: participação, negociação e computação
Desde os anos 1980, autores socialistas formularam modelos de planejamento que procuram evitar a centralização burocrática do modelo soviético. São propostas: nenhuma foi aplicada em escala nacional.
Economia participativa (Parecon). Michael Albert e Robin Hahnel apresentaram em 1991 (The Political Economy of Participatory Economics e Looking Forward) e Albert sistematizou em Parecon: Life After Capitalism (2003) um modelo com propriedade social, conselhos de trabalhadores e consumidores, "complexos de trabalho equilibrados" (tarefas agrupadas para equilibrar desgaste e poder), remuneração segundo esforço e sacrifício, e planejamento participativo por rodadas, em que um "conselho facilitador de iteração" publica preços indicativos sem poder de decisão 3 20 21. Críticos como David Schweickart questionaram a mensuração do esforço, o peso da avaliação mútua e o ônus de listar preferências de consumo; a objeção mais geral é a enorme complexidade informacional do processo iterativo 3 17.
Coordenação negociada (Devine). Pat Devine, em Democracy and Economic Planning (1988), propôs um modelo de planejamento participativo descentralizado em que órgãos de "coordenação negociada", com representantes das partes afetadas, decidem sobre investimento e mudança de capacidade; o modelo distingue troca de mercado (que pode continuar existindo) de forças de mercado (que deveriam ser substituídas por decisão negociada) 4 22.
Planejamento computacional em tempo de trabalho (Cockshott e Cottrell). Em Towards a New Socialism (1993), o cientista da computação Paul Cockshott e o economista Allin Cottrell propuseram planejamento em unidades físicas com apoio de computadores, contabilidade em tempo de trabalho, certificados de trabalho não circulantes no lugar do dinheiro, mercado restrito a bens de consumo e preenchimento de cargos públicos por sorteio 23 24. Uma resenha publicada em revista da escola austríaca (Brewster, 2004) argumentou que o cálculo em valores-trabalho é impossível e que o mercado de bens de consumo tornaria o modelo uma sociedade produtora de mercadorias; Cockshott respondeu em 2009 23.
Quanto custa calcular um plano? Duas estimativas publicadas
Esta seção descreve estimativas publicadas sobre o custo computacional de planejar uma economia inteira. Elas não são previsões e dependem de hipóteses que os próprios autores declaram.
1. Cockshott e Cottrell (1993). Segundo a página do livro mantida pelos autores, Towards a New Socialism avaliou o tempo necessário para os cálculos de planejamento de uma economia com dez milhões de produtos, tomando como referência um multiprocessador avançado de 1993 capaz de um bilhão (10^9) de operações por segundo; a mesma página observa que, em 2021, os sistemas mais rápidos superavam 10^17 operações de ponto flutuante por segundo 24. Hipóteses principais (segundo a crítica de Shalizi, abaixo): o método de Cockshott resolve um sistema linear para metas de produção já dadas, supondo um só método de produção por bem, proporções fixas de insumos e não verificando a suficiência de recursos 25. Limitação reconhecida no próprio debate: resolver esse sistema é uma etapa do planejamento, não a escolha de o que e como produzir.
2. Shalizi (2012). O estatístico Cosma Shalizi tratou o planejamento ótimo como um problema de programação linear (na linha de Kantorovich) e usou: (a) o número de cerca de 12 milhões de produtos identificáveis na URSS citado por Alec Nove (1983); (b) um custo de algoritmo de pontos interiores que cresce aproximadamente com n^3,5 (n = número de variáveis); (c) a suposição generosa de que um programa comercial resolveria um problema de 12–13 milhões de variáveis em cerca de 1 segundo. Com um fator de localização (o mesmo bem em lugares diferentes conta como variáveis diferentes) de 1.000, o problema passa a ter 12–13 bilhões de variáveis e levaria cerca de 30 bilhões de segundos, da ordem de mil anos; para chegar a 1 segundo, seriam necessárias cerca de 35 duplicações de velocidade de computação. Com fator de localização de um milhão, cerca de 70 duplicações 18. Limitações declaradas: o número de produtos não capta variações de qualidade nem serviços; a estimativa supõe objetivo e dados bem definidos; Shalizi reconhece que o planejamento é viável em domínios limitados (como uma empresa) e que a dificuldade é de escala, não de princípio 18 25.
O que as estimativas mostram e o que não mostram. As duas abordagens respondem a perguntas diferentes: a primeira estima o custo de calcular um plano já especificado; a segunda, o custo de otimizar a escolha entre técnicas e produtos. Nenhuma trata do problema de obter a informação (preferências, capacidades, técnicas) nem do problema político de definir prioridades, pontos centrais na crítica de Hayek e na resposta de Nove a Mandel (ver Debate do cálculo econômico socialista). Shalizi também argumenta que calcular preços ótimos tem a mesma complexidade que calcular o plano ótimo, de modo que descentralizar via preços não elimina o problema computacional, mas mercados reais não resolvem um problema de otimização global 18. O debate segue aberto.
Debates atuais sobre dados, plataformas e planejamento
O crescimento de grandes empresas de tecnologia, que coordenam internamente cadeias logísticas enormes com dados e algoritmos, reacendeu a discussão. Ernest Mandel já argumentava, em 1986, que grandes corporações coordenam suas vastas "economias" internas por planejamento, e não por trocas de mercado 26. Defensores do planejamento computacional, como Cockshott, sustentam que a computação moderna remove a barreira que derrotou o planejamento do século XX, citando Glushkov, o OGAS e Cybersyn 1.
Críticos respondem que a coordenação interna de uma empresa ocorre dentro de um ambiente de mercado, que fornece preços, concorrência e sinais de falência; que dados históricos não revelam preferências futuras nem inovações; e que mais capacidade de cálculo não resolve conflitos sobre prioridades. Alec Nove sustentou que a maior participação democrática não resolve, por si, o problema de coordenação, e que alguns setores (redes elétricas, ferrovias) devem ser coordenados centralmente enquanto a maior parte da economia deveria ser descentralizada 27.
Este é um campo de proposta e modelagem: não há experiência histórica de planejamento computacional democrático de uma economia nacional que permita avaliar resultados. Afirmações de que a tecnologia atual "resolve" ou "torna impossível" o planejamento extrapolam a evidência disponível.
Comparações
Tabelas resumem tendências gerais; cada linha simplifica debates que o texto detalha. Classificações sobrepostas não são exclusivas.
| Critério | Quem decide | Caráter das metas | Papel do mercado | Exemplos e propostas |
|---|---|---|---|---|
| Central (imperativo) | Órgão central e ministérios | Obrigatórias para empresas estatais | Secundário (consumo, salários) | URSS (Gosplan, 1928–1991) e economias de tipo soviético |
| Descentralizado / autogestionário | Empresas e conselhos locais, com coordenação | Negociadas ou indicativas | Variável | Propostas conselhistas; elementos do modelo iugoslavo |
| Indicativo | Estado, com empresas privadas e públicas | Orientadoras, com incentivos | Principal mecanismo de coordenação | França a partir de 1946; Japão (não socialistas) |
| Participativo (Parecon) | Conselhos de trabalhadores e consumidores | Construídas por rodadas iterativas | Substituído pelo processo participativo | Albert e Hahnel (1991; 2003), proposta |
| Coordenação negociada | Órgãos com representantes das partes afetadas | Negociadas para investimento e capacidade | Troca mantida; forças de mercado substituídas | Devine (1988), proposta |
| Computacional em tempo de trabalho | Órgãos de plano com controle democrático | Calculadas em unidades físicas e horas de trabalho | Restrito a bens de consumo | Cockshott e Cottrell (1993), proposta |
As três últimas linhas descrevem propostas teóricas sem aplicação em escala nacional; as primeiras descrevem práticas históricas. A tabela não compara desempenho. Fontes: Economic planning, Indicative planning, Participatory economics, Pat Devine, Towards a New Socialism.
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Citação localizada na fonte
“Planning is not equivalent to 'perfect' allocation of resources, nor 'scientific' allocation…”
Ernest Mandel, "In Defence of Socialist Planning", New Left Review 159 (1986). Trecho inicial de frase; ler no contexto.
Texto original em inglês, conforme a reprodução no Marxists Internet Archive.
Cronologia
22 de fevereiro de 1921
Decreto cria o Gosplan na Rússia soviética.5
1928
Início do primeiro plano quinquenal soviético.5
1939
Kantorovich formula a programação linear para problemas de produção.7
1946
França adota planejamento indicativo.2
1962
Glushkov propõe o OGAS, rede nacional de computadores para o planejamento.8
1 de janeiro de 1968
Hungria introduz o Novo Mecanismo Econômico.19
1 de outubro de 1970
Financiamento do OGAS é negado.8
julho de 1971
Stafford Beer é convidado pela CORFO; início do Projeto Cybersyn no Chile.10
outubro de 1972
Rede de telex do Cybersyn é usada durante a greve patronal de caminhoneiros.10
1980
Kornai publica Economics of Shortage.13
1988
Pat Devine publica Democracy and Economic Planning.22
1 de abril de 1991
Dissolução do Gosplan.5
1993
Cockshott e Cottrell publicam Towards a New Socialism.24
30 de maio de 2012
Cosma Shalizi publica estimativa crítica do custo computacional do planejamento ótimo.18
Bibliografia comentada
János Kornai. Economics of Shortage (1980)
Obra de referência sobre a escassez crônica nas economias de tipo soviético, escrita por economista que viveu e estudou o sistema húngaro.
János Kornai; Eric Maskin; Gérard Roland. Understanding the Soft Budget Constraint (2003)
Revisão da literatura sobre a restrição orçamentária branda, mostrando sua aplicação além das economias socialistas.
Eden Medina. Cybernetic Revolutionaries: Technology and Politics in Allende's Chile (2011)
Estudo histórico do Projeto Cybersyn baseado em arquivos e entrevistas.
W. Paul Cockshott; Allin Cottrell. Towards a New Socialism (página do livro) (1993)
Proposta de planejamento computacional em tempo de trabalho; o texto é de livre redistribuição pelos autores.
Cosma Shalizi. In Soviet Union, Optimization Problem Solves You (2012)
Estimativa crítica, com hipóteses explícitas, do custo computacional do planejamento ótimo; ensaio, não artigo revisado por pares.
Pat Devine. Democracy and Economic Planning: The Political Economy of a Self-Governing Society (1988)
Modelo de planejamento participativo por coordenação negociada, alternativo tanto ao planejamento central quanto ao socialismo de mercado.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Economic planning. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 2Indicative planning. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 3Participatory economics. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]A página tinha aviso (jan. 2026) de dependência excessiva de fontes ligadas ao tema.
- 4Pat Devine. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 5Gosplan. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 6Material balance planning. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 7Leonid Kantorovich. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 8OGAS. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 9Benjamin Peters. How Not to Network a Nation: The Uneasy History of the Soviet Internet. MIT Press, 2016.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 10Project Cybersyn. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 11Eden Medina. Cybernetic Revolutionaries: Technology and Politics in Allende's Chile. MIT Press, 2011.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 12János Kornai. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 13János Kornai. Economics of Shortage. North-Holland, Amsterdã, 1980.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 14Shortage economy. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 15Soft budget constraint. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 16János Kornai; Eric Maskin; Gérard Roland. Understanding the Soft Budget Constraint. Journal of Economic Literature, v. 41, n. 4, p. 1095–1136, 2003.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada a página do resumo na American Economic Association. DOI 10.1257/002205103771799999 (conforme a página).
- 18Cosma Shalizi. In Soviet Union, Optimization Problem Solves You. Crooked Timber (blog acadêmico), 30 maio 2012, 2012.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Ensaio de estatístico (Carnegie Mellon) a propósito do romance Red Plenty, de Francis Spufford. Não é artigo revisado por pares.
- 19New Economic Mechanism. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 20Michael Albert; Robin Hahnel. The Political Economy of Participatory Economics. Princeton University Press, 1991.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 21Michael Albert. Parecon: Life After Capitalism. Verso, 2003.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 22Pat Devine. Democracy and Economic Planning: The Political Economy of a Self-Governing Society. Polity Press, 1988.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 23Towards a New Socialism. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 24W. Paul Cockshott; Allin Cottrell. Towards a New Socialism (página do livro). Spokesman, Nottingham (página mantida por Allin Cottrell, Wake Forest University), 1993.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Os autores permitem cópia e redistribuição do texto inglês com crédito. A página informa a hipótese de cálculo usada no livro (economia de 10 milhões de produtos; 10^9 operações por segundo em 1993).
- 25Cosma Shalizi. Résumé of comments on "In Soviet Union, Optimization Problem Solves You". Three-Toed Sloth (blog), 15 jun. 2012, 2012.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Título conforme a página; conferir. Texto de resposta a comentários, inclusive sobre Cockshott.
- 26Ernest Mandel. In Defence of Socialist Planning. New Left Review, n. 159, set.–out. 1986, p. 5–37 (reprod. MIA), 1986.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 27Alec Nove. Markets and Socialism. New Left Review, I/161, jan.–fev. 1987, 1987.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
conceito central
- SocialismoConceito
relacionado a
- Debate do cálculo econômico socialistaDebate historiográfico
- União SoviéticaPaís e experiência históricaFonte: Gosplan
- Planos quinquenais e industrialização soviética (verbete planejado)AcontecimentoFonte: Gosplan
- Coletivização soviética (verbete planejado)AcontecimentoFonte: Material balance planning
- Chile da Unidade Popular (1970–1973)País e experiência históricaFonte: Project Cybersyn
- Salvador AllendePessoaFonte: Project Cybersyn
- República Popular da Hungria (verbete planejado)País e experiência históricaFonte: New Economic Mechanism
- Grande debate econômico cubano (1963–1965)Debate historiográfico
- Socialismo de mercadoConceito
- AutogestãoConceito
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- Ernest Mandel (verbete planejado)PessoaFonte: In Defence of Socialist Planning
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- Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comecon) (verbete planejado)Organização
- Capitalismo na Coreia do SulPaís e experiência histórica
- Celso FurtadoPessoaFonte: Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, 1963–1965 (no verbete Celso Furtado)
- Comparando sistemas econômicosPergunta e guia
- EcossocialismoCorrenteFonte: Löwy reformula a Opção Ecossocialista (2) (no verbete Ecossocialismo)
- Estruturalismo latino-americanoEscola econômicaFonte: The origins of ECLAC and the 1950s (Biblioguia) (no verbete Estruturalismo latino-americano)
- Formação econômica do BrasilObraFonte: "Formação econômica do Brasil" de Celso Furtado em três dimensões: história, economia e horizonte de expectativa (no verbete Formação econômica do Brasil)
- John Maynard KeynesPessoaFonte: Hayek versus Keynes: The Road to Reconciliation (no verbete John Maynard Keynes)
- Kerala: governos comunistas eleitos e o "modelo de Kerala"País e experiência históricaFonte: Local Democracy and Development: The Kerala People's Campaign for Decentralized Planning, página de apresentação do livro de T. M. Thomas Isaac e Richard W. Franke (no verbete Kerala: governos comunistas eleitos e o "modelo de Kerala")
- KeynesianismoEscola econômica
- MercadoConceito
- Por que experiências socialistas entraram em crise?Pergunta e guia
- Tanzânia e o ujamaa (1967–1985)País e experiência histórica
- Teoria geral do emprego, do juro e da moedaObra
criticado por
- Escola austríaca de economiaEscola econômicaFonte: The Use of Knowledge in Society (no verbete Escola austríaca de economia)
- Friedrich HayekPessoaFonte: The Use of Knowledge in Society (American Economic Review, v. 35, n. 4, set. 1945, p. 519–530) (no verbete Friedrich Hayek)
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP (assistida por IA)
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.528 palavras · 27 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação inicial com base em páginas abertas em 19/10/2026 (Wikipedia, AEA, MIA, NLR, Crooked Timber, blog de Shalizi, página de Cockshott e Cottrell). Pendente: conferir no livro de Cockshott e Cottrell o resultado numérico da estimativa (não reproduzido por falta de consulta); conferir em fonte especializada (Ellman, Nove) os dados sobre balanços materiais; conferir Kornai 1980 diretamente; revisão humana.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
Encontrou um erro? Escreva pela página de correções citando o verbete e a seção. Correções ficam registradas neste histórico.
Como citar: Planejamento econômico. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/planejamento-economico.
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O governo de Salvador Allende e a "via chilena ao socialismo"
Salvador Allende
Médico e político socialista chileno, presidente do Chile (1908–1973)
Grande debate econômico cubano (1963–1965)
Sistema orçamentário de financiamento × cálculo econômico; estímulos morais × materiais