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Exército Lulaacervo documental
Escola econômicaPublicado

Estruturalismo latino-americano

Escola de pensamento sobre desenvolvimento formada em torno da CEPAL a partir de 1949

Escola de análise do subdesenvolvimento formada na CEPAL a partir do texto de Raúl Prebisch de 1949: a economia mundial como sistema centro-periferia, a deterioração dos termos de troca, a industrialização como saída e a inflação como fenômeno estrutural. Influenciou políticas em toda a América Latina.

Também: Estruturalismo cepalino · Pensamento cepalino · Escola da CEPAL · Estructuralismo latinoamericano · Desenvolvimentismo (em sentido amplo, como política) · Neoestruturalismo (fase posterior a 1990)

Índice e ficha

O estruturalismo latino-americano é a escola de pensamento econômico que se formou, a partir de 1949, em torno da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), das Nações Unidas. O texto fundador é O desenvolvimento econômico da América Latina e alguns de seus principais problemas, de Raúl Prebisch, que analisa a inserção da região na economia mundial a partir do conceito de centro-periferia e formula a ideia de que a deterioração dos termos de troca dos bens primários, no longo prazo, reforça essa estrutura assimétrica 1 2.

"Estrutural" indica o método: explicar o atraso não por desvios de um equilíbrio de mercado, mas por características duradouras das economias periféricas, especialização em poucos produtos primários, heterogeneidade entre setores modernos e atrasados, concentração da terra, dependência de importações de bens de capital, inserção subordinada no comércio e nas finanças internacionais. A biblioteca da CEPAL distingue um período estruturalista (anos 1950–1980) e um neoestruturalista (desde os anos 1990) 3.

O estruturalismo foi uma escola de análise com propostas de política associadas, industrialização apoiada pelo Estado, planejamento, integração regional, reformas agrária e tributária, frequentemente chamadas de "desenvolvimentismo". Essas propostas foram aplicadas, em graus e formas muito distintos, por governos democráticos e por ditaduras; não são um regime nem uma forma única de Capitalismo. Ver também Capitalismo no Brasil, Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares.

Origem e contexto: a CEPAL (1948) e o 'manifesto' de Prebisch (1949)

Fatos documentados

A CEPAL foi criada em 25 de fevereiro de 1948 pela resolução 106 (VI) do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), por iniciativa do diplomata chileno Hernán Santa Cruz, que apresentara a proposta em julho de 1947 4. Começou a funcionar no mesmo ano, como uma das cinco comissões regionais da ONU, com sede em Santiago do Chile, para contribuir ao desenvolvimento econômico da América Latina e reforçar as relações econômicas dos países da região entre si e com o resto do mundo 5. Em 1984 passou a chamar-se Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, mantendo a sigla em espanhol; a sede sub-regional do México foi criada em 1951 4.

Raúl Prebisch (1901–1986), economista argentino que havia dirigido o Banco Central da Argentina, foi encarregado pela CEPAL, como consultor, de redigir a introdução ao Estudio Económico de América Latina 1948. Segundo a própria CEPAL, esse texto "é provavelmente o mais importante para a teoria do desenvolvimento na região" e "a pedra angular da teoria cepalina posterior" 1. Prebisch foi depois secretário-executivo da Comissão e, em 1964, secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) 2 6.

O contexto é o de economias latino-americanas que, depois da crise de 1929 e das duas guerras mundiais, haviam iniciado uma industrialização "pragmática" para substituir importações que ficaram caras ou indisponíveis; o texto de Prebisch propôs impulsionar esse processo pela intervenção ativa do Estado 1. Ver Grande Depressão.

Conceitos centrais

Formulação teóricaHipótese

Centro e periferia. A economia mundial é descrita como um sistema bipolar: o centro, formado por economias industrializadas que geram e propagam progresso técnico; a periferia, especializada na produção e exportação de bens primários, com pouco conteúdo tecnológico em sua estrutura produtiva 2. Superar o subdesenvolvimento exigiria industrializar a periferia 2.

Deterioração dos termos de troca (tese Prebisch–Singer). Prebisch sustentou que os preços dos bens primários tendem a cair, no longo prazo, em relação aos dos manufaturados, de modo que os frutos do progresso técnico se concentrariam no centro 1. O economista alemão-britânico Hans Singer, nas Nações Unidas, chegou de forma independente a conclusão semelhante, publicada em 1950 7. As explicações propostas incluem a baixa elasticidade-renda da demanda por produtos primários e a assimetria no mercado de trabalho: no centro, sindicatos e empresas oligopolistas reteriam ganhos de produtividade em salários e lucros; na periferia, o excedente de mão de obra empurraria preços para baixo. É uma hipótese empírica sujeita a teste (ver "Evidência").

Industrialização por substituição de importações (ISI). Produzir internamente bens antes importados, começando por bens de consumo e avançando para bens intermediários e de capital, com proteção tarifária, câmbio administrado, crédito público e investimento estatal em infraestrutura. Prebisch previa uma primeira fase com apoio deliberado do Estado e uma segunda centrada em bens de capital e integração comercial regional 2. Em 1954, a CEPAL apresentou como objetivos reforma tributária e agrária, cooperação técnica, industrialização rápida, planejamento, integração regional e novas abordagens para o investimento estrangeiro 2.

Restrição externa. O crescimento da periferia esbarraria repetidamente na falta de divisas para importar máquinas e insumos, o "estrangulamento externo".

Inflação estrutural. Contra o diagnóstico monetarista, segundo o qual a inflação latino-americana resultava sobretudo de excesso de emissão e déficit público, os estruturalistas argumentaram que ela tinha raízes em "pressões básicas", oferta agrícola rígida por causa da estrutura fundiária, estrangulamento externo, sistema tributário regressivo, que mecanismos de propagação (indexação, conflito distributivo, emissão) transformavam em alta contínua de preços. As formulações clássicas são de Juan Noyola, sobre México e outros países (1956), e de Osvaldo Sunkel, sobre o Chile (1958) 8 9. O debate entre estruturalistas e monetaristas sobre a inflação marcou a política econômica latino-americana dos anos 1950 e 1960.

Heterogeneidade estrutural. Aníbal Pinto chamou atenção, em 1970, para a coexistência de setores de produtividade muito diferente, modernos, intermediários e "primitivos", dentro das economias da região, e para seus efeitos sobre a distribuição de renda 10.

Autores e trajetórias

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

A biblioteca da CEPAL destaca Raúl Prebisch, Celso Furtado, José Medina Echavarría e Aníbal Pinto entre os intelectuais que, desde os anos 1950, apontaram a necessidade de ação estatal em políticas industriais para superar a dependência e a assimetria dos termos de troca 2. Vínculos e autoidentificações variam:

  • Raúl Prebisch (Argentina): fundador intelectual; secretário-executivo da CEPAL e da UNCTAD 1 6.
  • Celso Furtado (Brasil): integrou a CEPAL nos anos 1950; em Formação econômica do Brasil (1959) aplicou o método histórico-estrutural à economia brasileira 11; em Desenvolvimento e subdesenvolvimento (1961) tratou o subdesenvolvimento como processo histórico próprio, e não etapa anterior ao desenvolvimento 12. Ver Formação econômica do Brasil.
  • Juan Noyola (México) e Osvaldo Sunkel (Chile): teoria estrutural da inflação 8 9. Sunkel, com Pedro Paz, escreveu um manual influente sobre subdesenvolvimento e teoria do desenvolvimento 13 e, nos anos 1990, organizou a formulação "neoestruturalista" 14.
  • Aníbal Pinto (Chile): heterogeneidade estrutural 10.
  • Maria da Conceição Tavares (Portugal/Brasil): em ensaio publicado pela CEPAL em 1964 analisou o "auge e declínio" da substituição de importações no Brasil 15; com José Serra, em "Além da estagnação" (1971), contestou a tese estagnacionista de Furtado, mostrando que a economia brasileira voltara a crescer concentrando renda 16 17.
  • Fernando Fajnzylber (Chile, 1940–1991): engenheiro de formação, trabalhou para a CEPAL a partir de 1968, colaborou com o governo da Unidade Popular no Chile e foi interventor na mina de El Teniente até o golpe de 11 de setembro de 1973; exilado no México, ajudou a fundar o CIDE; voltou à CEPAL em 1985 18.

Nem todos se diriam membros de uma "escola": muitos se viam como técnicos de uma organização internacional, e suas posições políticas iam da social-democracia ao nacionalismo desenvolvimentista. A designação "estruturalismo" é, em boa parte, dada por historiadores do pensamento como Ricardo Bielschowsky e Octavio Rodríguez 19 20.

Fases: dos anos 1950 ao neoestruturalismo

Fatos documentadosInterpretação historiográfica
  • Anos 1950, industrialização: promoção da industrialização liderada pelo Estado; criação do Centro Latino-Americano de Demografia (CELADE) 2.
  • Anos 1960, reformas: a CEPAL avaliou que a industrialização, apesar do crescimento, havia reproduzido condições periféricas; propôs reformas agrária, fiscal e financeira e redistribuição de renda para reduzir a heterogeneidade estrutural e a dependência, e criou o Instituto Latino-Americano de Planejamento Econômico e Social (ILPES) 6.
  • Anos 1970, estilos de desenvolvimento: continuidade dos temas de crescimento industrial e distribuição; diante das liberalizações no Cone Sul, a CEPAL manteve atitude "reservada", embora vários de seus intelectuais reconhecessem desde os anos 1960 que a proteção havia sido excessiva; propôs estimular exportações de manufaturas 21.
  • Anos 1980, a "década perdida": a crise da dívida deslocou o foco para dívida, inflação e ajuste; Norberto González, secretário-executivo, cunhou a expressão "década perdida" 22. Ver Crise da dívida latino-americana.
  • Desde 1990, neoestruturalismo: Transformación productiva con equidad (1990) propôs transformar as estruturas produtivas com progresso técnico, competitividade internacional e equidade crescente; a CEPAL passou a aceitar parte das reformas de mercado, criticando seus erros e insuficiências e mantendo papel central para o Estado 23 24 18.

Fajnzylber e o "casillero vacío". Em A industrialização truncada da América Latina (1983) e em Industrialización en América Latina: de la "caja negra" al "casillero vacío" (Cuadernos de la CEPAL n. 60, 1989/1990), Fajnzylber comparou padrões de industrialização. O "casillero vacío" (a casa vazia) é a constatação de que nenhum país da região havia conseguido compatibilizar crescimento sustentado com equidade, ao contrário de países asiáticos de industrialização recente, que teriam construído um "círculo virtuoso" entre crescimento, competitividade, progresso técnico e equidade 18 25 26. Ele distinguiu a competitividade autêntica, baseada em progresso técnico, da competitividade espúria, baseada em salários baixos, câmbio desvalorizado ou exploração predatória de recursos naturais 18. A biblioteca da CEPAL registra que Fajnzylber foi o primeiro a oferecer argumentos teóricos e empíricos para a hipótese de que crescimento e equidade são inseparáveis 22. Ver Capitalismo na Coreia do Sul.

Método histórico-estrutural

Explicação conceitual

O método histórico-estrutural combina dedução teórica e interpretação histórica, ocupando-se da trajetória de agentes e instituições e do diálogo permanente entre formulações teóricas e mudanças históricas, na síntese de Bielschowsky citada por Patricia Olave 18 27. Os estruturalistas partiam de estudos de caso nacionais, séries de comércio e produção e comparações internacionais; Fajnzylber, por exemplo, estudou Brasil, México, Chile, Japão, Alemanha e Estados Unidos 18. Em relação à economia neoclássica, a diferença está em recusar modelos de equilíbrio com mobilidade perfeita de fatores como descrição de economias periféricas; em relação ao marxismo, em não centrar a análise na luta de classes e na exploração, embora autores como Furtado e Tavares dialogassem com ele.

Relação e divergência com as teorias da dependência

Debate em abertoInterpretação historiográfica

As teorias da dependência surgiram nos anos 1960 em parte dentro do mesmo ambiente intelectual, Santiago do Chile, a CEPAL e o ILPES, e em parte como crítica ao estruturalismo, diante da constatação de que a industrialização não havia superado a condição periférica, a concentração de renda nem a dependência tecnológica e financeira 6.

  • Versão "associada" (Cardoso e Faletto): Dependência e desenvolvimento na América Latina (1969), escrito no ILPES, argumentou que a dependência era compatível com desenvolvimento capitalista, associado ao capital estrangeiro, e enfatizou as alianças de classe internas 28.
  • Teoria marxista da dependência: Ruy Mauro Marini, Vânia Bambirra e Theotonio dos Santos sustentaram que a dependência é uma forma específica de capitalismo, baseada na transferência de valor para o centro e na superexploração do trabalho, e que a industrialização sob hegemonia burguesa não romperia essa condição; a saída seria socialista 29 30 31. Marini criticou o "desenvolvimentismo" cepalino por supor que reformas no interior do capitalismo dependente bastariam. Ver Mais-valia.
  • Andre Gunder Frank falou em "desenvolvimento do subdesenvolvimento", tese da qual tanto cepalinos quanto marxistas dependentistas divergiram 32.
  • Fora da América Latina: o guianense Walter Rodney aplicou ideias próximas à história africana em Como a Europa subdesenvolveu a África (1972) 33; Samir Amin e Arghiri Emmanuel desenvolveram teorias da troca desigual. O historiador Joseph Love mostrou paralelos entre o pensamento brasileiro e o romeno do entreguerras sobre subdesenvolvimento 34.

Convergências: centro-periferia, crítica das vantagens comparativas estáticas, ênfase na estrutura. Divergências: o estruturalismo via no Estado nacional e na industrialização o caminho para superar a periferia dentro do capitalismo, com reformas; a teoria marxista da dependência via essa via como bloqueada. Fernando Henrique Cardoso e José Serra criticaram Marini em 1978 35, e o debate entre essas linhas segue sendo objeto de pesquisa. Os verbetes sobre a teoria da dependência e seus autores estão planejados nesta enciclopédia.

Propostas de política associadas

Proposta política
  • Industrialização apoiada pelo Estado: proteção tarifária, crédito de bancos públicos de desenvolvimento, empresas estatais em setores básicos, planejamento 2.
  • Integração regional: mercado comum latino-americano, defendido por Prebisch em 1959 2.
  • Reformas estruturais: agrária, tributária e financeira; redistribuição de renda (anos 1960) 6.
  • Comércio internacional: preferências comerciais e estabilização de preços de produtos primários, agenda levada por Prebisch à UNCTAD 6.
  • Neoestruturalismo: transição da "renda perecível" dos recursos naturais para a "renda não perecível" do progresso técnico; educação, inovação, inserção competitiva e equidade; "regionalismo aberto" 18 23.

Aplicação. Políticas de industrialização substitutiva foram adotadas no Brasil, no México, na Argentina, no Chile e em outros países, sob governos democráticos e autoritários, muitas vezes antes e independentemente da CEPAL, e misturadas a outras influências (nacionalismo, keynesianismo, planejamento de guerra). Atribuir essas políticas, e seus resultados, exclusivamente ao estruturalismo é simplificação; atribuir-lhes todo o crescimento ou todas as crises da região também.

Evidência sobre os termos de troca

Evidência empíricaDebate em aberto

A tese Prebisch–Singer foi testada muitas vezes, com resultados que dependem do período, dos produtos e do método:

  • David Harvey, Neil Kellard, Jakob Madsen e Mark Wohar, com séries de 25 produtos primários do século XVII ao XXI, encontraram tendência significativa de queda em 11 delas, em todo ou parte do período, e concluíram que, no longuíssimo prazo, uma tendência secular de deterioração é relevante para uma proporção significativa dos produtos primários 36. Há notícia de errata posterior dos autores sobre a construção dos dados, não conferida nesta redação.
  • Shouvik Chakraborty, com o índice Grilli-Yang (1900–2015), encontrou evidência fraca para o período inteiro, mas forte para a segunda metade do século XX, e maior propensão à queda nos produtos agrícolas do que nos metais 37.

Os ciclos de alta de preços de commodities, como o do início do século XXI, são frequentemente citados por críticos da tese; defensores respondem que a hipótese é de tendência de longo prazo, não de queda contínua.

Críticas

Avaliação críticaPosição de outras organizações e correntesDebate em aberto

Eficiência da ISI. A partir do fim dos anos 1960, estudos comparativos, como o de Ian Little, Tibor Scitovsky e Maurice Scott para a OCDE (1970), argumentaram que a proteção elevada e prolongada gerou indústrias pouco competitivas, viés contra exportações e contra a agricultura, uso intensivo de capital em economias com abundância de trabalho e crises recorrentes de balanço de pagamentos 38. Albert Hirschman, simpático ao projeto de desenvolvimento, analisou em 1968 as dificuldades da passagem da substituição "fácil" de bens de consumo para etapas mais complexas 39. A própria CEPAL reconheceu, desde os anos 1960, que a proteção havia sido excessiva 21.

Rent-seeking. Anne Krueger, em artigo de 1974 na American Economic Review, argumentou que restrições ao comércio (licenças de importação, cotas) criam rendas que levam empresas a gastar recursos para obtê-las, um custo social adicional à ineficiência alocativa 40. O argumento foi central na virada para a liberalização comercial dos anos 1980 e 1990.

Comparação com o Leste Asiático. Críticos liberais contrastaram a ISI latino-americana com o crescimento orientado à exportação de Coreia do Sul e Taiwan. Fajnzylber fez a mesma comparação, mas tirou conclusão diferente: o que faltava à América Latina era progresso técnico endógeno, empresariado nacional e equidade, e não simplesmente mercado 18 (ver Capitalismo na Coreia do Sul).

Críticas monetaristas dirigiram-se à teoria estrutural da inflação e à tolerância com déficits; críticas marxistas e dependentistas (ver seção anterior), à crença na burguesia nacional e no Estado como agentes da superação da periferia 29; críticas ecológicas e indígenas posteriores questionaram o próprio ideal de desenvolvimento industrial.

Legado e presença atual

Interpretação historiográficaFatos documentados

A CEPAL continua ativa e produz diagnósticos e propostas sob a rubrica neoestruturalista 3. O vocabulário estruturalista, centro-periferia, heterogeneidade estrutural, restrição externa, termos de troca, permanece no debate latino-americano sobre reprimarização das exportações, desindustrialização precoce, dependência de commodities e política industrial. Fora da região, ideias de Prebisch circularam pela UNCTAD e influenciaram debates sobre uma nova ordem econômica internacional nos anos 1970 6 21.

No Brasil, a tradição teve continuidade na obra de Furtado e de Tavares e em centros como o Instituto de Economia da Unicamp e a UFRJ. Seu legado é disputado: para uns, a industrialização do século XX foi a maior transformação econômica da região e deve muito ao pensamento cepalino; para outros, a ISI deixou ineficiências, inflação e endividamento que desembocaram na Crise da dívida latino-americana. Ambas as leituras são interpretações e devem ser confrontadas com dados por país e período.

Leituras recomendadas

Fatos documentados

Texto fundador: Prebisch (1949) 1. Panoramas: Bielschowsky (1998; 2009) 19 27; Octavio Rodríguez 20; guia da biblioteca da CEPAL 3. Brasil: Furtado (1959) 11; Tavares (1964) 15. Neoestruturalismo: Fajnzylber, por Olave 18; Sunkel (org.) 14. Críticas: Krueger 40; Little, Scitovsky e Scott 38; Marini 29.

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

Cronologia

  1. julho de 1947

    Hernán Santa Cruz propõe no ECOSOC uma comissão econômica para a América Latina.4

  2. 25 de fevereiro de 1948

    O ECOSOC cria a CEPAL pela resolução 106 (VI).4

  3. 1949

    Prebisch redige O desenvolvimento econômico da América Latina e alguns de seus principais problemas.1

  4. 1950

    Hans Singer publica sua versão da tese sobre os termos de troca.7

  5. 1956

    Noyola formula a teoria estrutural da inflação.8

  6. 1959

    Furtado publica Formação econômica do Brasil.11

  7. 1964

    Prebisch torna-se secretário-geral da UNCTAD; Tavares publica o ensaio sobre a substituição de importações no Brasil.6

  8. 1969

    Cardoso e Faletto publicam Dependencia y desarrollo en América Latina.28

  9. 1974

    Anne Krueger publica o artigo sobre rent-seeking.40

  10. 27 de julho de 1984

    A Comissão passa a incluir o Caribe no nome.4

  11. 1990

    A CEPAL publica Transformación productiva con equidad (neoestruturalismo).23

Bibliografia comentada

  • Raúl Prebisch. El desarrollo económico de la América Latina y algunos de sus principales problemas (registro da reedição da CEPAL no RePEc/IDEAS, com resumo editorial da CEPAL) (1949)

    O texto fundador; a CEPAL mantém reedição gratuita em seu repositório.

  • Ricardo Bielschowsky. Cincuenta años del pensamiento de la CEPAL: una reseña (em português: Cinquenta anos de pensamento na CEPAL, Record/CEPAL, 2000) (1998)

    A síntese mais citada da evolução das ideias da CEPAL, década a década.

  • Celso Furtado. Formação econômica do Brasil (1959)

    Aplicação do método histórico-estrutural à história econômica brasileira; clássico da escola.

  • Patricia Olave C.. Acerca del pensamiento de Fernando Fajnzylber

    Introdução acessível à obra de Fajnzylber e à passagem para o neoestruturalismo.

  • Anne O. Krueger. The Political Economy of the Rent-Seeking Society (1974)

    Crítica liberal mais influente às restrições comerciais típicas da ISI.

  • Fernando Henrique Cardoso; Enzo Faletto. Dependencia y desarrollo en América Latina (1969)

    Obra que marca a passagem do estruturalismo para a análise da dependência.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Raúl Prebisch. El desarrollo económico de la América Latina y algunos de sus principales problemas (registro da reedição da CEPAL no RePEc/IDEAS, com resumo editorial da CEPAL). CEPAL (reedição do projeto 'Raúl Prebisch y los desafíos del Desarrollo del siglo XXI'), 1949.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]O texto integral (repositorio.cepal.org) bloqueou o acesso automatizado; foi lido apenas o resumo editorial da CEPAL. Data do texto: elaborado em 1949 como introdução ao Estudio Económico de América Latina 1948.
  2. 2Biblioteca Hernán Santa Cruz (CEPAL). The origins of ECLAC and the 1950s (Biblioguia). CEPAL, Nações Unidas.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  3. 3Biblioteca Hernán Santa Cruz (CEPAL). 75 years of ECLAC and ECLAC thinking, introdução (Biblioguia). CEPAL, Nações Unidas.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  4. 4Biblioteca Hernán Santa Cruz (CEPAL). Establishment of ECLAC, 75 years of ECLAC and ECLAC thinking (Biblioguia). CEPAL, Nações Unidas.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Guia de pesquisa da biblioteca da CEPAL; o próprio guia avisa que não constitui posição oficial da Comissão.
  5. 5Memoria Chilena, Biblioteca Nacional de Chile. Comisión Económica para América Latina (CEPAL).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  6. 6Biblioteca Hernán Santa Cruz (CEPAL). The 1960s: structural reform for regional development (Biblioguia). CEPAL, Nações Unidas.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  7. 7Hans W. Singer. The Distribution of Gains between Investing and Borrowing Countries. American Economic Review (Papers and Proceedings), 1950.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  8. 8Juan F. Noyola Vázquez. El desarrollo económico y la inflación en México y otros países latinoamericanos. Investigación Económica (UNAM), 1956.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  9. 9Osvaldo Sunkel. La inflación chilena: un enfoque heterodoxo. El Trimestre Económico, 1958.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  10. 10Aníbal Pinto. Naturaleza e implicaciones de la 'heterogeneidad estructural' de la América Latina. El Trimestre Económico, 1970.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  11. 11Celso Furtado. Formação econômica do Brasil. Fundo de Cultura (Rio de Janeiro), 1959.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  12. 12Celso Furtado. Desenvolvimento e subdesenvolvimento. 1961.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  13. 13Osvaldo Sunkel; Pedro Paz. El subdesarrollo latinoamericano y la teoría del desarrollo. Siglo XXI, 1970.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  14. 14Osvaldo Sunkel (org.). El desarrollo desde dentro: un enfoque neoestructuralista para la América Latina. Fondo de Cultura Económica, 1991.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  15. 15Maria da Conceição Tavares. Auge y declinación del proceso de sustitución de importaciones en el Brasil. Boletín Económico de América Latina (CEPAL), 1964.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  16. 16Maria da Conceição Tavares; José Serra. Más allá del estancamiento: una discusión sobre el estilo de desarrollo reciente de Brasil. El Trimestre Económico, 1971.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  17. 17Celso Furtado. Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina. 1966.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  18. 18Patricia Olave C.. Acerca del pensamiento de Fernando Fajnzylber. Projeto PensaLatiTec, Instituto de Investigaciones Económicas (IIEc), UNAM.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Texto sem data explícita na versão lida; biografia, conceitos ('casillero vacío', 'competitividad espuria') e relação com 'Transformación productiva con equidad' (1990).
  19. 19Ricardo Bielschowsky. Cincuenta años del pensamiento de la CEPAL: una reseña (em português: Cinquenta anos de pensamento na CEPAL, Record/CEPAL, 2000). 1998.[Historiografia · referência bibliográfica]
  20. 20Octavio Rodríguez. El estructuralismo latinoamericano. Siglo XXI/CEPAL, 2006.[Historiografia · referência bibliográfica]
  21. 21Biblioteca Hernán Santa Cruz (CEPAL). The 1970s: development models in Latin America and the Caribbean (Biblioguia). CEPAL, Nações Unidas.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  22. 22Biblioteca Hernán Santa Cruz (CEPAL). The 1980s (Biblioguia). CEPAL, Nações Unidas.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  23. 23CEPAL. Transformación productiva con equidad: la tarea prioritaria del desarrollo de América Latina y el Caribe en los años noventa. 1990.[Fonte oficial · referência bibliográfica]
  24. 24Biblioteca Hernán Santa Cruz (CEPAL). The 1990s (Biblioguia). CEPAL, Nações Unidas.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]O guia data de 1996 o documento 'Changing production patterns with social equity'; a edição original em espanhol, 'Transformación productiva con equidad', é de 1990 (ver Olave). Conferir.
  25. 25Fernando Fajnzylber. La industrialización trunca de América Latina. Nueva Imagen (México), 1983.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  26. 26Máximo Vega-Centeno. Industrialización en América Latina: De la 'Caja Negra' al 'casillero vacío' de Fernando Fajnzylber (resenha). Economía (PUCP), v. 13, n. 25, p. 170–175, 1990.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada a página do artigo (dados bibliográficos); o texto da resenha não foi lido.
  27. 27Ricardo Bielschowsky. Sesenta años de la CEPAL: estructuralismo y neoestructuralismo. Revista de la CEPAL, n. 97, 2009.[Historiografia · referência bibliográfica]
  28. 28Fernando Henrique Cardoso; Enzo Faletto. Dependencia y desarrollo en América Latina. Siglo XXI, 1969.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  29. 29Ruy Mauro Marini. Dialéctica de la dependencia. Era (México), 1973.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  30. 30Vânia Bambirra. El capitalismo dependiente latinoamericano. Siglo XXI, 1974.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  31. 31Theotonio dos Santos. The Structure of Dependence. American Economic Review (Papers and Proceedings), 1970.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  32. 32Andre Gunder Frank. Capitalism and Underdevelopment in Latin America. 1967.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  33. 33Walter Rodney. How Europe Underdeveloped Africa. 1972.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  34. 34Joseph L. Love. Crafting the Third World: Theorizing Underdevelopment in Rumania and Brazil. Stanford University Press, 1996.[Historiografia · referência bibliográfica]
  35. 35Fernando Henrique Cardoso; José Serra. As desventuras da dialética da dependência. 1978.[Historiografia · referência bibliográfica]
  36. 36David I. Harvey; Neil M. Kellard; Jakob B. Madsen; Mark E. Wohar. The Prebisch-Singer Hypothesis: Four Centuries of Evidence. Review of Economics and Statistics, v. 92, n. 2, p. 367–377 (registro e resumo no RePEc/IDEAS), 2010.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Lido o resumo. Há notícia (não conferida nesta redação) de uma errata posterior dos autores sobre erros de construção dos dados; conferir antes de citar os resultados.
  37. 37Shouvik Chakraborty. Reinvestigating the Prebisch-Singer Hypothesis (PERI Working Paper, dezembro de 2016). Political Economy Research Institute (PERI), University of Massachusetts Amherst, 2016.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Lido o resumo; documento de trabalho, sem revisão por pares indicada.
  38. 38Ian Little; Tibor Scitovsky; Maurice Scott. Industry and Trade in Some Developing Countries. OCDE/Oxford University Press, 1970.[Historiografia · referência bibliográfica]
  39. 39Albert O. Hirschman. The Political Economy of Import-Substituting Industrialization in Latin America. Quarterly Journal of Economics, 1968.[Historiografia · referência bibliográfica]
  40. 40Anne O. Krueger. The Political Economy of the Rent-Seeking Society. American Economic Review, v. 64, n. 3, p. 291–303 (registro no RePEc/IDEAS), 1974.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado só o registro bibliográfico; o argumento é resumido a partir da literatura conhecida, sem leitura do artigo nesta redação.

Rede de relações

Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.

relacionado a

debateu com

  • Teoria marxista da dependência (verbete planejado)CorrenteOrigem parcialmente comum; divergência sobre a possibilidade de superar a periferia dentro do capitalismo. Fonte: Dependencia y desarrollo en América Latina
  • Ruy Mauro Marini (verbete planejado)PessoaFonte: Dialéctica de la dependencia
  • Economia neoclássicaEscola econômicaFonte: The Political Economy of the Rent-Seeking Society

conceito central

  • Subdesenvolvimento (verbete planejado)ConceitoFonte: Desenvolvimento e subdesenvolvimento

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação assistida por IA (Claude)
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
2.681 palavras · 40 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação a partir de guias da biblioteca da CEPAL (biblioguias), Memoria Chilena, registro e resumo do texto de Prebisch (RePEc), Olave (UNAM) sobre Fajnzylber e resumos de Harvey et al., Chakraborty e Krueger. Pendências: o texto integral de Prebisch (repositorio.cepal.org bloqueou acesso) e as obras de Furtado, Tavares, Noyola, Sunkel, Pinto, Cardoso-Faletto, Marini, Bielschowsky, Hirschman e Little et al. não foram consultados; datas de vida de Prebisch e trajetória de Tavares sem fonte aberta; conferir a errata de Harvey et al.; a data de 'Transformación productiva con equidad' (1990) diverge do guia da CEPAL (1996, provavelmente outra edição).Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Estruturalismo latino-americano. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/estruturalismo-latino-americano.

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