John Maynard Keynes
Economista e funcionário público britânico (1883–1946)
Economista britânico (Cambridge, 1883 – Sussex, 1946), autor de As consequências econômicas da paz (1919) e da Teoria geral do emprego, do juro e da moeda (1936). Defendeu a ação do Estado contra o desemprego e chefiou a delegação britânica em Bretton Woods (1944).
Também: Lord Keynes · Barão Keynes de Tilton · J. M. Keynes
Índice e ficha
- Nome completo
- John Maynard Keynes, 1º barão Keynes
- Nascimento
- 5 de junho de 1883, Cambridge, Inglaterra
- Morte
- 21 de abril de 1946, Tilton, perto de Firle, Sussex, InglaterraDoença cardíaca, segundo os biógrafos.
- Nacionalidade
- Britânica
- Papéis
- Professor de economia e fellow do King's College, CambridgeIntelectual · 1909–1946
- Funcionário do Tesouro e representante na Conferência de Paz de ParisOutro papel · 1915–1919
- Editor do Economic JournalOutro papel · 1911
- Chefe da delegação britânica em Bretton WoodsOutro papel · 1944
- Como se definia
- Declarava-se liberal e foi membro do Partido Liberal britânico; rejeitava explicitamente o marxismo e o socialismo de Estado.
- Filiações
- Partido Liberal (Reino Unido)
- Período
- 1883–1946
- Área
- Capitalismo
- Regiões
- Europa, Internacional, América do Norte
- Temas
- Teoria e conceitos, Economia e organização social, Estado, poder e democracia, Relações internacionais
John Maynard Keynes (Cambridge, 5 de junho de 1883 – Sussex, 21 de abril de 1946) foi um economista, funcionário público e ensaísta britânico 1 2. Formado em matemática no King's College de Cambridge, trabalhou no India Office e no Tesouro, representou o Tesouro na Conferência de Paz de Paris (1919) e ficou mundialmente conhecido com a crítica às reparações impostas à Alemanha. Sua obra mais influente, a Teoria geral do emprego, do juro e da moeda (1936), deu origem ao Keynesianismo e à macroeconomia moderna.
Keynes não foi socialista nem defensor do laissez-faire. Declarava-se liberal, queria salvar o capitalismo do desemprego em massa e das crises e via no Estado um instrumento para isso. Por isso foi alvo de críticas vindas de lados opostos, e é lembrado tanto por ideias que inspiraram o Estado de bem-estar do pós-guerra quanto por posições hoje rejeitadas, como o apoio à eugenia.
Origem e formação
Keynes nasceu em Cambridge, filho do economista John Neville Keynes e da reformadora social Florence Ada Keynes 2. Em 1897 obteve bolsa no Eton College e, em 1902, entrou no King's College de Cambridge, onde se formou em matemática em 1904 2 1. Estudou economia com Alfred Marshall e Arthur Pigou 1, os principais nomes da economia que ele depois chamaria de "clássica".
Em Cambridge integrou a sociedade de debates conhecida como Apóstolos e o círculo de amigos que daria origem ao grupo de Bloomsbury, escritores, artistas e intelectuais como Virginia Woolf, Lytton Strachey, Duncan Grant e Vanessa Bell, ambiente que marcou sua visão de mundo, sua vida afetiva e seu interesse pelas artes 3.
India Office, Cambridge e o Tesouro (1906–1919)
Entre 1906 e 1908 foi funcionário do India Office, em Londres 2. A experiência resultou em seu primeiro livro, Indian Currency and Finance (1913), sobre o sistema monetário da Índia britânica 1, um dado pouco lembrado: a reflexão monetária de Keynes começou pela administração financeira de uma colônia.
Em 1908 voltou a Cambridge como professor e em 1909 tornou-se fellow do King's College; em 1911 assumiu a direção do Economic Journal, principal revista de economia britânica 2. Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, entrou para o Tesouro, onde trabalhou com o financiamento da guerra e as dívidas entre aliados 2 1.
Versalhes e As consequências econômicas da paz (1919)
No prefácio de As consequências econômicas da paz, datado de novembro de 1919, Keynes conta que esteve ligado temporariamente ao Tesouro durante a guerra, que foi o representante oficial do Tesouro na Conferência de Paz de Paris até 7 de junho de 1919 e que atuou como suplente do ministro das Finanças no Conselho Econômico Supremo; renunciou quando ficou claro que o projeto de tratado não seria modificado substancialmente 4.
O livro descreve a Europa anterior a 1914 como uma economia interdependente e frágil, traça perfis dos negociadores (Clemenceau, Wilson, Lloyd George), analisa as cláusulas econômicas do tratado e sustenta que as reparações exigidas da Alemanha excediam sua capacidade de pagamento e ameaçavam a recuperação de toda a Europa; termina com propostas de remédio, como o cancelamento de dívidas entre aliados 4. Teve enorme repercussão. Historiadores posteriores discutem até que ponto o diagnóstico era correto e até que ponto o livro, ao deslegitimar o tratado, influenciou a política de apaziguamento dos anos 1930 3.
Anos 1920: moeda, padrão-ouro e o "longo prazo"
Em A Tract on Monetary Reform (1923), Keynes defendeu a estabilidade do nível interno de preços acima da volta ao padrão-ouro com a paridade de antes da guerra, e argumentou que inflação e deflação redistribuem renda de modo arbitrário 1 2. É nesse livro, e não na Teoria geral, que está a frase mais citada dele. Ao discutir a teoria quantitativa da moeda, Keynes admite que ela talvez seja verdadeira "no longo prazo", mas diz que esse longo prazo é um guia enganoso para os assuntos correntes: "No longo prazo, estaremos todos mortos". E completa que os economistas se dariam uma tarefa fácil e inútil demais se, em tempos de tempestade, só pudessem dizer que, passada a tormenta, o oceano voltará a ficar calmo 5. A frase, portanto, é uma crítica à complacência teórica, não um elogio à imprevidência.
Em 1925, Keynes atacou a decisão do governo britânico de voltar ao ouro na paridade anterior à guerra no panfleto As consequências econômicas do Sr. Churchill 2. No mesmo ano casou-se com a bailarina russa Lydia Lopokova 1. Membro do Partido Liberal, escreveu nesse período ensaios políticos, reunidos em 1931 em Essays in Persuasion, como "Am I a Liberal?", "The End of Laissez-Faire" e "A Short View of Russia", este último muito crítico do regime soviético e da economia marxista 6.
O Treatise on Money (1930) foi sua grande obra teórica antes da Teoria geral 1.
Probabilidade e incerteza
Antes de se dedicar à economia monetária, Keynes trabalhou sobre a lógica da probabilidade: a dissertação com que disputou a bolsa de fellow do King's College tratava do tema, e o Treatise on Probability saiu em 1921 2 3. Ali Keynes tratou a probabilidade como uma relação lógica entre proposições e admitiu que, em muitos casos, as probabilidades não podem ser medidas numericamente nem sequer comparadas.
Essa ideia reaparece, transformada, na Teoria geral: decisões de investimento dependem de expectativas sobre um futuro que não pode ser calculado com base em frequências passadas, e por isso estão sujeitas a ondas de otimismo e pessimismo. Intérpretes pós-keynesianos, como Hyman Minsky, consideram essa noção de incerteza radical, diferente do risco calculável, o núcleo do pensamento de Keynes, e criticam as versões de manual que a deixaram de lado 7 8.
A Grande Depressão e a política econômica (1929–1935)
A crise iniciada em 1929 deu às ideias de Keynes um peso político novo. Em 5 de novembro de 1929, depondo perante o Comitê Macmillan sobre finanças e indústria, Keynes admitiu que tarifas poderiam ajudar a reequilibrar o comércio britânico; em março de 1931 publicou no New Statesman and Nation uma proposta de tarifa para fins de receita, posição surpreendente para um defensor histórico do livre-comércio 2. Em julho de 1933, no ensaio "National Self-Sufficiency", defendeu maior autonomia das economias nacionais diante das finanças internacionais 2.
Ainda em 1933 publicou The Means to Prosperity, em que defendia gasto público anticíclico para sair da depressão; em 1934 encontrou-se com o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt e escreveu-lhe sobre a política econômica do New Deal 2. A Grã-Bretanha havia abandonado o padrão-ouro em 1931, como Keynes defendia desde os anos 1920 2. Essas intervenções precedem a Teoria geral: em boa medida, a teoria veio justificar propostas de política que Keynes já fazia (ver Grande Depressão).
O debate com Hayek (1931–1932)
Em 1931, Friedrich Hayek, recém-chegado à London School of Economics, publicou na revista Economica uma longa resenha crítica do Treatise; Keynes respondeu atacando o livro de Hayek Prices and Production (1931), e a troca prosseguiu 9 10.
Robert Skidelsky descreve o episódio como um encontro teórico inconclusivo e de mau humor. Para Hayek, a expansão do crédito empurra a taxa de juros de mercado abaixo da taxa "natural", induz investimentos que a poupança real não sustenta e prepara a crise; a solução seria evitar o boom. Para Keynes, poupança e investimento podem divergir por razões de expectativa, e a estabilidade exige gestão monetária ativa. Keynes chegou a dizer que as duas teorias ocupavam "terrenos diferentes" 10.
A divergência reapareceu em 1944: lendo O caminho da servidão a caminho de Bretton Woods, Keynes escreveu a Hayek que, moral e filosoficamente, concordava com praticamente tudo, mas criticou a falta de qualquer orientação sobre onde traçar a linha entre o mercado e o planejamento 10 11. Skidelsky conclui que Keynes venceu o debate econômico de sua geração e que Hayek teve influência mais duradoura na economia política; ambos, diz ele, eram liberais que divergiam sobre como preservar uma sociedade livre 10.
A Teoria geral (1936)
Publicada em fevereiro de 1936, em plena Grande Depressão, a Teoria geral do emprego, do juro e da moeda tem verbete próprio (Teoria geral do emprego, do juro e da moeda). Em linhas gerais:
- O nível de emprego depende da demanda agregada, consumo, investimento e gasto público, e não se ajusta automaticamente ao pleno emprego 1.
- O investimento depende de expectativas incertas sobre o futuro ("espíritos animais") e da taxa de juros, que por sua vez depende da preferência pela liquidez.
- Cortes gerais de salários não curam o desemprego, porque reduzem a demanda 1.
- Em recessões, o Estado pode e deve sustentar a demanda, inclusive com déficit 1.
O último capítulo expõe a filosofia social do livro. Keynes aponta duas falhas principais da sociedade econômica em que vivia: a incapacidade de garantir o pleno emprego e a distribuição "arbitrária e desigual" da riqueza e das rendas. Prevê, com juros baixos, a "eutanásia do rentista", o desaparecimento gradual da renda de quem vive apenas da propriedade do capital; propõe uma "socialização relativamente ampla do investimento", que não significaria propriedade estatal dos meios de produção; e encerra dizendo que os homens práticos que se julgam livres de influências intelectuais costumam ser escravos de algum economista defunto 12.
O economista polonês Michał Kalecki chegou de forma independente, em trabalhos de 1933 escritos a partir de Marx, a resultados próximos sobre demanda efetiva, antecedência discutida pela tradição pós-keynesiana 13.
Segunda Guerra, Bretton Woods e o empréstimo americano (1939–1946)
Em 1937 Keynes sofreu um ataque cardíaco que limitou sua atividade por cerca de dois anos 2. Com a guerra, voltou ao Tesouro como conselheiro. Em How to Pay for the War (1940) propôs financiar o esforço de guerra com poupança compulsória, para conter a inflação sem cortar o consumo dos mais pobres 2. Em julho de 1942 recebeu um título de nobreza, como barão Keynes de Tilton, e passou a integrar a Câmara dos Lordes 2 1.
Plano Keynes × Plano White. Para o pós-guerra, Keynes propôs uma União Internacional de Compensação (Clearing Union), espécie de banco central mundial que emitiria uma moeda internacional, o bancor, para liquidar desequilíbrios; cada país teria uma linha de crédito, e os países com superávit persistente seriam pressionados a reduzi-lo. O norte-americano Harry Dexter White, economista-chefe do Tesouro dos EUA, propôs um Fundo de Estabilização mais limitado, formado por cotas em moedas nacionais e ouro 14.
Na conferência de Bretton Woods (New Hampshire, julho de 1944), com delegados de 44 países, Keynes chefiou a delegação britânica. O acordo final se aproximou do plano White, com concessões como a "cláusula da moeda escassa", que permitia racionar a moeda de um país superavitário 14. Benn Steil reconstitui a negociação como uma disputa desigual entre uma Grã-Bretanha endividada e a nova potência credora norte-americana 15. Daí nasceram o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento. Eric Helleiner mostrou que delegações da América Latina, da China e da Índia tiveram papel maior do que a historiografia centrada em Keynes e White costumava admitir, sobretudo nas discussões sobre desenvolvimento 16.
Keynes e o Sul global. A preocupação central de Keynes em Bretton Woods era a posição de uma Grã-Bretanha devedora diante dos Estados Unidos credores. Mas a ideia de que países superavitários também deveriam ajustar-se, e não apenas os deficitários, foi retomada depois por economistas do Sul global, sobretudo nas crises de balanço de pagamentos da América Latina, em que o ajuste recaiu sobre os devedores (ver Crise da dívida latino-americana e Fundo Monetário Internacional (FMI)) 16. Na CEPAL, os estruturalistas latino-americanos incorporaram instrumentos keynesianos de análise da renda e da demanda, mas criticaram sua aplicação direta a economias primário-exportadoras, cujo problema principal seria a restrição externa, e não apenas a insuficiência de demanda 17 (ver Estruturalismo latino-americano).
Em 1945–46, Keynes negociou em Washington o empréstimo norte-americano à Grã-Bretanha, em condições que ele próprio considerou duras 2 18. Morreu em 21 de abril de 1946, em sua casa de campo em Sussex 1 2.
Outras atividades: investidor, King's College e as artes
Keynes foi também investidor e administrador financeiro. Como tesoureiro (bursar) do King's College a partir dos anos 1920, mudou a forma como a instituição aplicava seu patrimônio 19. Apoiou as artes: patrocinou o Arts Theatre de Cambridge e, durante a guerra, presidiu o conselho de incentivo à música e às artes que daria origem ao Arts Council da Grã-Bretanha 18. Esses papéis ajudam a entender um traço do pensamento dele: a economia era, para Keynes, um meio para uma vida boa, e não um fim, tema do ensaio "Economic Possibilities for our Grandchildren", em que especula sobre uma sociedade em que o problema econômico estaria resolvido 6.
Críticas e controvérsias
Eugenia. Keynes participou do movimento eugenista britânico. Segundo a literatura secundária, ajudou a criar uma sociedade eugênica estudantil em Cambridge em 1911 e ocupou cargo de direção na Eugenics Society entre 1937 e 1944, as fontes divergem sobre o título exato do cargo. Em 1937 proferiu na sociedade a conferência Galton, publicada na Eugenics Review como "Some Economic Consequences of a Declining Population", em que tratou da relação entre população e demanda 20 21. David Singerman argumenta que a eugenia não era um interesse lateral, mas parte da visão de Keynes sobre progresso e controle racional da sociedade 21. A revisão humana deve conferir esses dados na obra de Singerman e nas biografias de Skidelsky.
Liberais e a Escola Austríaca. Para Hayek e a Escola austríaca de economia, a política keynesiana de sustentação da demanda alimentaria desequilíbrios e inflação crescente e abriria caminho para o controle estatal da economia 1 10.
Monetaristas e novos clássicos. Milton Friedman (1968) argumentou que a política monetária não pode manter o desemprego abaixo de sua taxa "natural" sem acelerar a inflação; Robert Lucas (1976) criticou o uso de modelos macroeconométricos de inspiração keynesiana para avaliar políticas 22 23. A estagflação dos anos 1970 enfraqueceu o consenso keynesiano do pós-guerra.
Marxistas e pós-keynesianos. Do lado marxista, autores como Paul Mattick sustentaram que a intervenção keynesiana adia, mas não resolve, as contradições da acumulação de capital (ver Karl Marx) 24. Pós-keynesianos como Hyman Minsky criticaram a "síntese neoclássica" por ter domesticado o Keynes da incerteza e da instabilidade financeira 7. Keynes, por sua vez, foi explícito na rejeição do marxismo como teoria e como projeto político 6.
Posições pessoais. Biógrafos registram em cartas e textos de Keynes comentários depreciativos sobre judeus, russos e outros povos, comuns em seu meio social; o peso desses trechos na avaliação de sua obra é discutido 8.
Legado e recepção
Das décadas de 1940 a 1970, políticas inspiradas em Keynes, gasto público anticíclico, metas de pleno emprego, controles de capital, regimes de câmbio fixo mas ajustável, estiveram no centro da política econômica de muitos países capitalistas, inclusive na construção dos Estados de bem-estar europeus (ver Keynesianismo e Comparando sistemas econômicos). Na América Latina, a ideia de que o Estado pode orientar a demanda e o investimento foi combinada com o Estruturalismo latino-americano da CEPAL; Celso Furtado, por exemplo, usou a análise keynesiana da renda para interpretar a política de defesa do café nos anos 1930 (ver o verbete dele).
Depois da crise de 1929, Keynes voltou à cena a cada grande crise: a crise financeira de 2008 trouxe de volta políticas de estímulo fiscal e um renovado interesse por Minsky e pela instabilidade financeira. Como Smith, Keynes é hoje reivindicado por correntes diferentes, da social-democracia ao centro liberal, e lido de modos distintos por cada uma.
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Tradução de texto localizado
“Mas esse longo prazo é um guia enganoso para os assuntos correntes. No longo prazo, estaremos todos mortos.”
But this long run is a misleading guide to current affairs. In the long run we are all dead.
A Tract on Monetary Reform (1923), cap. III, seção I, ao discutir a teoria quantitativa da moeda.
Tradução da redação. A frase NÃO está na Teoria geral, onde costuma ser situada.
Fonte: A Tract on Monetary Reform (Londres, Macmillan, 1923), cap. III, seção I
Cronologia
5 de junho de 1883
Nasce em Cambridge, Inglaterra.2
1902
Entra no King's College, Cambridge; forma-se em matemática em 1904.2
1906
Começa a trabalhar no India Office (até 1908).2
1911
Assume a direção do Economic Journal.2
1913
Publica Indian Currency and Finance.1
1915
Entra para o Tesouro britânico.2
7 de junho de 1919
Deixa a representação do Tesouro na Conferência de Paz de Paris.4
novembro de 1919
Conclui As consequências econômicas da paz.4
1923
Publica A Tract on Monetary Reform.5
1925
Critica a volta ao padrão-ouro; casa-se com Lydia Lopokova.1
1930
Publica A Treatise on Money.1
1931
Início da polêmica com Hayek na revista Economica.10
fevereiro de 1936
Publica a Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.1
1937
Sofre ataque cardíaco; profere a conferência Galton na Eugenics Society.20
1940
Publica How to Pay for the War.2
7 de julho de 1942
Recebe o título de barão Keynes de Tilton.2
28 de junho de 1944
Escreve a Hayek sobre O caminho da servidão, a caminho de Bretton Woods.10
julho de 1944
Chefia a delegação britânica na Conferência de Bretton Woods.14
21 de abril de 1946
Morre em Sussex, Inglaterra.1
Bibliografia comentada
Robert Skidelsky. John Maynard Keynes, v. 1: Hopes Betrayed, 1883–1920 (1983)
Primeiro volume da biografia em três tomos de Robert Skidelsky (1983, 1992, 2000), a obra de referência sobre a vida e o pensamento de Keynes.
Donald E. Moggridge. Maynard Keynes: An Economist's Biography (1992)
Biografia de um dos editores dos Collected Writings, mais centrada na economia.
Roy Harrod. The Life of John Maynard Keynes (1951)
Primeira biografia, escrita por um discípulo; útil, mas discreta sobre a vida pessoal.
Eric Helleiner. Forgotten Foundations of Bretton Woods: International Development and the Making of the Postwar Order (2014)
Mostra o papel de delegações do Sul global em Bretton Woods, corrigindo a narrativa centrada no duelo Keynes × White.
David R. Singerman. Keynesian Eugenics and the Goodness of the World (2016)
Artigo acadêmico sobre a eugenia no pensamento de Keynes.
Hyman P. Minsky. John Maynard Keynes (1975)
Leitura pós-keynesiana que enfatiza incerteza e instabilidade financeira.
Paul Mattick. Marx and Keynes: The Limits of the Mixed Economy (1969)
Crítica marxista dos limites da economia mista keynesiana.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1David R. Henderson (ed.). John Maynard Keynes (verbete biográfico). The Concise Encyclopedia of Economics, Econlib (Liberty Fund).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 2John Maynard Keynes (verbete da Wikipédia em inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Usada só como orientação para datas (Eton, India Office, Economic Journal, 1925, 1937, 1942, morte em Sussex). Conferir em Skidelsky e Moggridge.
- 3Robert Skidelsky. John Maynard Keynes, v. 1: Hopes Betrayed, 1883–1920. 1983.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 4John Maynard Keynes. The Economic Consequences of the Peace (prefácio datado de King's College, Cambridge, novembro de 1919). Project Gutenberg (eBook #15776), 1919.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 5John Maynard Keynes. A Tract on Monetary Reform (Londres, Macmillan, 1923), cap. III, seção I. Project Gutenberg (eBook #65278), 1923.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Fonte da frase "In the long run we are all dead", no capítulo III ("The Theory of Money and of the Foreign Exchanges"), seção I ("The Quantity Theory of Money").
- 6John Maynard Keynes. Essays in Persuasion (inclui "A Short View of Russia", "Am I a Liberal?", "The End of Laissez-Faire" e "Economic Possibilities for our Grandchildren"). 1931.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 7Hyman P. Minsky. John Maynard Keynes. 1975.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 8Robert Skidelsky. John Maynard Keynes, v. 2: The Economist as Saviour, 1920–1937. 1992.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 9Friedrich A. Hayek. Reflections on the Pure Theory of Money of Mr. J. M. Keynes (Economica, 1931–32).[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 10Robert Skidelsky. Hayek versus Keynes: The Road to Reconciliation. The Cambridge Companion to Hayek (ed. Edward Feser), reproduzido no site do autor, 2006.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 11John Maynard Keynes. The Collected Writings of John Maynard Keynes (30 v., Royal Economic Society/Macmillan).[Fonte primária · referência bibliográfica]O v. 27 reúne a correspondência do pós-guerra, inclusive a carta a Hayek de 28 de junho de 1944.
- 12John Maynard Keynes. The General Theory of Employment, Interest and Money, cap. 24, "Concluding Notes on the Social Philosophy towards which the General Theory might Lead". Marxists Internet Archive (seção de referência), 1936.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 13Michał Kalecki. Próba teorii koniunktury (Ensaio sobre a teoria do ciclo econômico). 1933.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 14Sandra Kollen Ghizoni. Creation of the Bretton Woods System. Federal Reserve History (Federal Reserve System).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Os valores monetários dos planos aparecem no ensaio em "milhões", o que parece erro (a literatura fala em bilhões de dólares); por isso não são reproduzidos aqui.
- 15Benn Steil. The Battle of Bretton Woods: John Maynard Keynes, Harry Dexter White, and the Making of a New World Order. 2013.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 16Eric Helleiner. Forgotten Foundations of Bretton Woods: International Development and the Making of the Postwar Order. Cornell University Press, 2014.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 17Ricardo Bielschowsky. Pensamento econômico brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimentismo. 1988.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 18Robert Skidelsky. John Maynard Keynes, v. 3: Fighting for Britain, 1937–1946. 2000.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 19Donald E. Moggridge. Maynard Keynes: An Economist's Biography. 1992.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 20Seth Jamieson. John Maynard Keynes in the History of Eugenics. Série "Investigating UCL Eugenics" (ensaio de graduação, UCL, 2021–22), no site de Joe Cain.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Trabalho estudantil, usado só como pista; remete a Singerman (2016), Skidelsky e Toye. As datas na Sociedade Eugênica (1937–1944) e o título do cargo divergem entre fontes.
- 21David R. Singerman. Keynesian Eugenics and the Goodness of the World. Journal of British Studies, 2016.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 22Milton Friedman. The Role of Monetary Policy (American Economic Review). 1968.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 23Robert E. Lucas Jr.. Econometric Policy Evaluation: A Critique. 1976.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 24Paul Mattick. Marx and Keynes: The Limits of the Mixed Economy. 1969.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 25Roy Harrod. The Life of John Maynard Keynes. 1951.[Historiografia · referência bibliográfica]
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
autor de
influenciou
- KeynesianismoEscola econômicaFonte: John Maynard Keynes (verbete biográfico)
- Social-democraciaCorrente
- Estruturalismo latino-americanoEscola econômica
- Celso FurtadoPessoa
- Maria da Conceição TavaresPessoaFonte: Maria da Conceição Tavares: vida, ideias, teorias e políticas (inclui os capítulos "Itinerários" e "Cronologia") (no verbete Maria da Conceição Tavares)
criticou
- Economia neoclássicaEscola econômicaKeynes chamava de "clássica" a economia de Marshall e Pigou, que a enciclopédia trata como neoclássica. Fonte: The General Theory of Employment, Interest and Money, cap. 24, "Concluding Notes on the Social Philosophy towards which the General Theory might Lead"
debateu com
participou de
- Fundo Monetário Internacional (FMI)OrganizaçãoChefe da delegação britânica em Bretton Woods (1944). Fonte: Creation of the Bretton Woods System
relacionado a
- Grande DepressãoAcontecimentoFonte: John Maynard Keynes (verbete biográfico)
- Crises capitalistas (verbete planejado)Conceito
- Planejamento econômicoConceitoFonte: Hayek versus Keynes: The Road to Reconciliation
- CapitalismoConceito
- Crise financeira de 2008Acontecimento
- Trabalho assalariadoConceitoFonte: The General Theory of Employment, Interest and Money, cap. 19, "Changes in Money-Wages" (no verbete Trabalho assalariado)
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação assistida por IA (Claude)
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.468 palavras · 25 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação a partir de Econlib, prefácio de 1919 e Tract de 1923 (Gutenberg), cap. 24 da Teoria geral (MIA), Federal Reserve History e Skidelsky (2006). Pendências: conferir em Skidelsky/Moggridge as datas pessoais tomadas da Wikipédia; confirmar cargo e datas na Eugenics Society (fontes divergem entre "diretor" e "vice-presidente"); confirmar a passagem sobre comentários depreciativos em cartas; obras listadas como referência bibliográfica não foram consultadas.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: John Maynard Keynes. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/john-maynard-keynes.
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Teoria geral do emprego, do juro e da moeda
The General Theory of Employment, Interest and Money, de John Maynard Keynes (1936)
Keynesianismo
Família de escolas macroeconômicas derivadas da Teoria geral de John Maynard Keynes (1936)
Economia neoclássica
Tradição teórica nascida da revolução marginalista (1871–1874) e base da economia ensinada hoje na maior parte das universidades
Friedrich Hayek
Economista e filósofo político austro-britânico (1899–1992)
Fundo Monetário Internacional (FMI)
Organização internacional criada em Bretton Woods (1944) para a cooperação monetária e o financiamento de balanços de pagamentos
Grande Depressão
A crise econômica mundial de 1929–1939