Keynesianismo
Família de escolas macroeconômicas derivadas da Teoria geral de John Maynard Keynes (1936)
Conjunto de correntes que, a partir da Teoria geral de Keynes (1936), explica produção e emprego pela demanda agregada e sustenta que economias de mercado podem ficar presas em desemprego involuntário. Inclui vertentes rivais: síntese neoclássica, pós-keynesianos e novos keynesianos.
Também: Economia keynesiana · Keynesian economics · Síntese neoclássica (uma de suas vertentes) · Pós-keynesianismo (outra vertente) · Novo keynesianismo (outra vertente)
Índice e ficha
- Período
- desde 1936
- Área
- Capitalismo
- Regiões
- Internacional, Europa, América do Norte, América Latina, Ásia
- Temas
- Teoria e conceitos, Economia e organização social, Estado, poder e democracia, Movimento operário e sindical
Keynesianismo designa as teorias e políticas derivadas de A teoria geral do emprego, do juro e da moeda (1936), de John Maynard Keynes (ver Teoria geral do emprego, do juro e da moeda). Seu ponto de partida é a recusa da tese de que economias de mercado tendem por si ao pleno emprego. Keynes sustentou que o nível de produção e emprego é determinado pela demanda efetiva e que nada garante que ela seja suficiente para empregar todos os que querem trabalhar 1.
O nome cobre coisas distintas. Alan Blinder, economista keynesiano, define o keynesianismo moderno por seis proposições, três sobre como a economia funciona (demanda agregada instável; efeitos de curto prazo sobre produto e emprego mais que sobre preços; rigidez de preços e salários) e três sobre política (o desemprego típico não é ótimo; políticas ativas de estabilização são desejáveis, com cautela; o combate ao desemprego pode merecer prioridade sobre a inflação) 2. Pós-keynesianos rejeitam essa definição como domesticação de Keynes; novos clássicos e monetaristas rejeitam suas conclusões.
Como as demais escolas desta área, o keynesianismo é uma escola de análise com propostas de política associadas, não um regime econômico. Políticas inspiradas em Keynes foram adotadas por governos social-democratas, conservadores, liberais e desenvolvimentistas, e também por regimes autoritários; e o "Estado de bem-estar" do pós-guerra não se reduz a ele (ver Comparando sistemas econômicos).
Origem e contexto: a Teoria geral
A Teoria geral foi publicada em Londres em 1936, no rastro da Grande Depressão, quando o desemprego de massa persistia em vários países industrializados 3. No prefácio, Keynes descreve a composição do livro como "uma longa luta de fuga" dos "modos habituais de pensamento e expressão" 4.
O adversário declarado é a "economia clássica", e aqui Keynes usa o termo num sentido próprio. Ele explica que "os economistas clássicos" foi um nome inventado por Marx para Ricardo, James Mill e seus predecessores, mas que se habituou a incluir na "escola clássica" os seguidores de Ricardo, "incluindo (por exemplo) J. S. Mill, Marshall, Edgeworth e o Prof. Pigou" 5. O alvo central é a lei de Say: "desde Say e Ricardo os economistas clássicos ensinaram que a oferta cria sua própria procura" 1 (ver Economia política clássica).
Ideias próximas surgiram em paralelo: o economista polonês Michał Kalecki publicou, no início dos anos 1930, uma teoria do ciclo baseada no investimento e na demanda, a partir de esquemas de reprodução de inspiração marxiana; economistas da chamada escola de Estocolmo também anteciparam elementos da análise. Esses precursores são reconhecidos pela historiografia, embora a influência pública tenha vindo de Keynes 6.
Conceitos centrais
Demanda efetiva. Empresas produzem o que esperam vender. Se consumo e investimento esperados forem insuficientes, a produção e o emprego se ajustam para baixo, e podem permanecer baixos.
Propensão a consumir e multiplicador. Parte de cada acréscimo de renda é gasta e parte é poupada. Um aumento de gasto autônomo (investimento ou gasto público) gera rendas que geram novos gastos; o efeito total sobre a produção é um múltiplo do impulso inicial. Blinder observa que a análise keynesiana não exige multiplicador maior que 1, apenas maior que zero 2.
Investimento, expectativas e incerteza. O investimento depende da "eficiência marginal do capital", expectativas de rendimento futuro sob incerteza não calculável, e da taxa de juros. Expectativas voláteis ("espírito animal") tornam o investimento instável.
Preferência pela liquidez e juros. Para Keynes, a taxa de juros é o prêmio por abrir mão da liquidez, determinado no mercado de moeda, e não o preço que equilibra poupança e investimento. Em depressões, o desejo de manter liquidez pode impedir que juros baixos reanimem o investimento.
Desemprego involuntário e salários. Keynes não negou que, dada a técnica, emprego maior se associa a salário real menor, ponto que atribui aos clássicos "corretamente" 1, mas negou que cortes de salários nominais restaurem o pleno emprego, porque reduzem também a demanda.
Instabilidade financeira (Minsky). Hyman Minsky, que se considerava keynesiano, desenvolveu a hipótese da instabilidade financeira: em longos períodos de prosperidade, agentes assumem riscos crescentes até que o endividamento supere a capacidade de pagamento com as receitas correntes; a venda forçada de ativos precipita a crise, o que passou a ser chamado de "momento Minsky" 7 8. Ver Financeirização.
Vertentes: uma família dividida
Síntese neoclássica ("keynesianismo bastardo", para seus críticos). John Hicks traduziu parte da Teoria geral para o modelo IS-LM em 1937 9; Paul Samuelson popularizou, no manual Economics (1ª ed. 1948), a combinação de macroeconomia keynesiana no curto prazo com microeconomia neoclássica 10. A curva de Phillips (1958), que relacionava desemprego e variação dos salários no Reino Unido, foi incorporada como suposto trade-off estável entre inflação e desemprego 11. Joan Robinson, entre outros, acusou essa leitura de reduzir Keynes a um caso particular de rigidez de preços 12.
Pós-keynesianos. Joan Robinson, Nicholas Kaldor, Richard Kahn e Luigi Pasinetti (Cambridge, Inglaterra), Kalecki, e mais tarde Hyman Minsky e Paul Davidson nos Estados Unidos 13 7. Enfatizam incerteza fundamental, moeda endógena criada pelo crédito, tempo histórico, distribuição de renda entre salários e lucros e instabilidade financeira; rejeitam a teoria neoclássica do capital (ver a controvérsia em Economia neoclássica). Kalecki argumentou em 1943 que o pleno emprego permanente encontraria resistência política dos empresários, por fortalecer os trabalhadores 14.
Novos keynesianos. A partir dos anos 1980, economistas como Gregory Mankiw, David Romer, Olivier Blanchard, Joseph Stiglitz e George Akerlof buscaram fundamentos microeconômicos, custos de ajuste de preços, salários de eficiência, informação imperfeita, para a rigidez de preços, dentro do método de expectativas racionais 15. Blinder registra que, nos anos 1990, os próprios novos clássicos passaram a aceitar que preços são rígidos 2. Os modelos "novo-keynesianos" se tornaram a base dos modelos usados por bancos centrais.
A distância entre essas vertentes é grande: para pós-keynesianos, o novo keynesianismo é teoria neoclássica com fricções; para novos keynesianos, o pós-keynesianismo carece de rigor formal.
Método
A principal inovação de método da Teoria geral foi tratar a economia como um todo, renda nacional, consumo, investimento, emprego, nível de preços, e não como soma de mercados individuais em equilíbrio. Isso deu origem à macroeconomia como campo e, com o trabalho de estatísticos e economistas nos anos 1930 e 1940, às contas nacionais e ao PIB como instrumento de política. Keynes escrevia em prosa, com poucas equações, e insistia na incerteza e nas convenções que orientam expectativas; foi Hicks quem condensou parte do argumento num modelo de equilíbrio simultâneo 9.
Essa dupla origem explica os desacordos metodológicos posteriores. A síntese neoclássica e os novos keynesianos adotaram modelos formais de equilíbrio, nos quais desemprego resulta de rigidez de preços ou de imperfeições; Blinder admite que racionalizar preços rígidos é "um problema teórico difícil" para a microeconomia padrão 2. Os pós-keynesianos, ao contrário, partem da incerteza fundamental, o futuro não é calculável por probabilidades, e do tempo histórico irreversível, recusando o equilíbrio como centro de gravidade; daí o uso de modelos de crescimento e distribuição em que salários e lucros dependem de poder de barganha e da demanda 13 12. Minsky combinou análise de balanços (quem deve a quem, com que fluxos de caixa) e história financeira 8.
Do ponto de vista empírico, o debate entre keynesianos e seus críticos girou em torno da estabilidade da curva de Phillips, do tamanho dos multiplicadores fiscais e da eficácia da política monetária, com resultados que variam conforme o país, o período e o regime de política 2 16.
Debates internos
- O que Keynes "realmente quis dizer": caso particular de rigidez de salários dentro de uma teoria geral de equilíbrio (leitura da síntese) ou ruptura com o equilíbrio em economias monetárias sob incerteza (leitura pós-keynesiana)? A disputa, iniciada nos anos 1950–1960, continua 12 10.
- Política fiscal × política monetária: Blinder registra que, décadas atrás, alguns keynesianos consideravam a política monetária impotente, e alguns monetaristas, a fiscal; hoje quase todos admitem que ambas afetam a demanda, mas divergem sobre qual deve ter prioridade e sobre o papel dos bancos centrais 2.
- Desemprego × inflação: alguns keynesianos dão prioridade ao emprego; outros, como a maioria dos dirigentes de bancos centrais, seriam "keynesianos anti-inflação" 2.
- Distribuição: para Kalecki e os pós-keynesianos, a distribuição de renda entre salários e lucros afeta a demanda e o crescimento, e é objeto de conflito político 14; na síntese e no novo keynesianismo, a distribuição ficou em segundo plano até a retomada recente do tema. Ver Participação dos salários na renda.
- Finanças: a maior parte da macroeconomia keynesiana do pós-guerra tratou o sistema financeiro como "véu"; Minsky e os pós-keynesianos o colocaram no centro, crítica que ganhou força depois de 2008 7.
- Alcance internacional: a gestão da demanda pressupõe moeda própria e margem de endividamento; para países periféricos com restrição externa, estruturalistas latino-americanos argumentaram que a falta de divisas limitava a expansão keynesiana (ver Estruturalismo latino-americano). A nota do FMI de 2008 também reconhece que muitos países de baixa renda e emergentes não tinham espaço fiscal para estímulos 17.
Keynesianismo de guerra e do pós-guerra
Em How to Pay for the War (1940), Keynes aplicou sua análise ao problema inverso, excesso de demanda em economia de guerra, propondo poupança compulsória para evitar inflação 18. A mobilização para a Segunda Guerra Mundial, com gasto público muito elevado e desemprego em queda, foi vista por muitos contemporâneos como demonstração prática do papel da demanda, uma interpretação que outros contestam, apontando o racionamento, os controles e o caráter excepcional da guerra.
No pós-guerra, compromissos governamentais com "alto e estável" nível de emprego foram assumidos em vários países, e Keynes participou das negociações que criaram o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial em Bretton Woods (1944) 6. A extensão em que as políticas do pós-guerra foram efetivamente "keynesianas" varia muito por país: o estudo comparativo organizado por Peter Hall mostra difusão desigual, condicionada por instituições, partidos e burocracias nacionais 19. Na América Latina, ideias keynesianas misturaram-se ao estruturalismo da CEPAL e às políticas de industrialização; em países asiáticos de industrialização tardia, a gestão da demanda conviveu com planejamento industrial e controle de crédito. Ver também Capitalismo no Brasil.
Keynes não era socialista. No capítulo final da Teoria geral, aponta como "falhas mais salientes da sociedade econômica em que vivemos" a incapacidade de proporcionar pleno emprego e a "distribuição arbitrária e desigual da riqueza e das rendas" 20. Propõe que o Estado oriente a propensão a consumir por meio de tributos e da taxa de juros, e "uma socialização bastante abrangente do investimento", ao mesmo tempo em que considera a teoria "moderadamente conservadora em suas implicações" e preserva amplos campos para a iniciativa individual; prevê ainda a "eutanásia do rentista", à medida que o capital deixasse de ser escasso 20.
Propostas de política associadas
- Política fiscal anticíclica: aumentar gasto público ou cortar impostos em recessões e fazer o inverso em expansões; deixar que "estabilizadores automáticos" (impostos e seguro-desemprego) atuem.
- Política monetária: juros baixos e crédito em recessões; em versões novo-keynesianas, metas de inflação com atenção ao desemprego.
- Pleno emprego como objetivo de Estado, com investimento público e, em versões pós-keynesianas, controles de capital, regulação financeira estrita, políticas de rendas e de salário.
- Coordenação internacional: Blinder lembra que a maioria dos keynesianos abandonou o "ajuste fino" mensal, por causa das defasagens de reconhecimento, decisão e efeito, mantendo um "ajuste grosso" quando o desemprego é muito alto 2.
Essas propostas foram defendidas por correntes políticas distintas. Para Kalecki, o pleno emprego tensiona a disciplina do trabalho e tende a ser abandonado sob pressão empresarial 14; para críticos liberais, a política ativa produz inflação e expansão do Estado (ver "Críticas").
Críticas monetaristas e novo-clássicas
Monetarismo. Milton Friedman e Anna Schwartz atribuíram a profundidade da Grande Depressão sobretudo à contração monetária mal conduzida pelo Federal Reserve, e não a uma falha intrínseca do mercado 21. Em seu discurso presidencial à Associação Americana de Economia (1968), Friedman argumentou, como Edmund Phelps, de forma independente, que não existe trade-off permanente entre inflação e desemprego: abaixo de uma "taxa natural" de desemprego, a inflação aceleraria continuamente 22 2. A estagflação dos anos 1970 foi vista como confirmação. Friedman recebeu o prêmio de economia de 1976, entre outros motivos, "por sua demonstração da complexidade da política de estabilização" 23. Blinder registra que, desde cerca de 1972, os keynesianos integraram a taxa natural a seu pensamento 2.
Novos clássicos. Robert Lucas argumentou em 1976 que modelos econométricos estimados sob uma política deixam de valer quando a política muda, porque os agentes ajustam expectativas, a "crítica de Lucas" 24. Com Thomas Sargent, publicou em 1979 "After Keynesian Macroeconomics", um ataque frontal à macroeconomia keynesiana dos anos 1960 25. Lucas foi premiado em 1995 "por ter desenvolvido e aplicado a hipótese das expectativas racionais, e assim transformado a análise macroeconômica" 26. Os modelos de ciclos reais de negócios trataram as recessões como respostas eficientes a choques de produtividade.
Respostas keynesianas. Blinder sustenta que a evidência dos anos 1980, recessões profundas após apertos monetários anunciados nos EUA e no Reino Unido; ausência de aumento da poupança privada após os cortes de impostos de 1981–1984; desemprego europeu persistente, foi mais compatível com a teoria keynesiana do que com a novo-clássica 2. Trata-se de avaliação de um participante do debate.
Crítica austríaca. Hayek e seus seguidores atribuíram as crises à expansão artificial do crédito e viram nas políticas keynesianas uma fonte de inflação e de má alocação de capital (ver Escola austríaca de economia); o debate Keynes–Hayek dos anos 1930 é um marco 27.
Crítica marxista. Para autores marxistas, a gestão da demanda pode atenuar, mas não eliminar, crises que derivariam da dinâmica da acumulação e da taxa de lucro (ver O Capital); Kalecki aponta os limites políticos do pleno emprego sob o capitalismo 14.
O retorno depois de 2008
Na Crise financeira de 2008, com juros próximos de zero, governos e organismos internacionais voltaram a recomendar estímulo fiscal. Em nota técnica de 29 de dezembro de 2008, economistas do FMI, entre eles Olivier Blanchard, escreveram que o pacote fiscal ótimo deveria ser "oportuno, grande, duradouro, diversificado, contingente, coletivo e sustentável", e que, nas circunstâncias, aumentos de gasto e cortes de impostos e transferências focalizados teriam os maiores multiplicadores 17.
A partir de 2010, vários países europeus adotaram políticas de consolidação fiscal (austeridade). Em 2013, Blanchard e Daniel Leigh, do FMI, concluíram que, nas economias avançadas, países que planejaram consolidações maiores cresceram menos do que os previsores esperavam, sobretudo no início da crise, o que interpretaram como sinal de que os multiplicadores fiscais eram substancialmente maiores do que se supunha implicitamente 16. O resultado foi lido como apoio a argumentos keynesianos e contestado por outros autores; é evidência relevante dentro de um debate em aberto.
A crise também reacendeu o interesse por Minsky 7 e pela relação entre bancos e ciclos: em 2022, Ben Bernanke, Douglas Diamond e Philip Dybvig foram premiados "por pesquisas sobre bancos e crises financeiras" 28. Bernanke presidia o Federal Reserve durante a crise de 2008.
Legado e presença atual
A macroeconomia acadêmica dominante incorpora hoje elementos keynesianos (rigidez nominal, papel da demanda no curto prazo, multiplicadores) dentro de modelos com expectativas racionais e fundamentos microeconômicos, o que leva alguns a dizer que "todos são keynesianos" e outros, que Keynes foi neutralizado. Os pós-keynesianos permanecem como corrente heterodoxa com periódicos e instituições próprias, como o Levy Institute, onde está o arquivo de Minsky 7. No debate público, "keynesiano" é usado ora como elogio (responsabilidade com o emprego), ora como acusação (gasto público irresponsável), usos que dizem mais sobre o debate político do que sobre a teoria.
Leituras recomendadas
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Tradução de texto localizado
“As falhas mais salientes da sociedade econômica em que vivemos são sua incapacidade de proporcionar pleno emprego e sua distribuição arbitrária e desigual da riqueza e das rendas.”
The outstanding faults of the economic society in which we live are its failure to provide for full employment and its arbitrary and inequitable distribution of wealth and incomes.
Abertura do capítulo 24 da Teoria geral.
Tradução da redação.
- Tradução de texto localizado
“Desde Say e Ricardo, os economistas clássicos ensinaram que a oferta cria sua própria procura.”
Teoria geral, cap. 2, seção VI.
Tradução da redação.
Fonte: The General Theory, cap. 2 (Os postulados da economia clássica), Marxists Internet Archive
- Tradução de texto localizado
“[O pacote fiscal ótimo deve ser] oportuno, grande, duradouro, diversificado, contingente, coletivo e sustentável.”
Resumo executivo da nota técnica do FMI SPN/08/01 (dezembro de 2008).
Tradução da redação.
Fonte: Fiscal Policy for the Crisis (IMF Staff Position Note SPN/08/01, 29 de dezembro de 2008)
Cronologia
1936
Keynes publica A teoria geral do emprego, do juro e da moeda.4
1937
Hicks propõe o modelo IS-LM.9
1940
Keynes publica How to Pay for the War.18
1943
Kalecki publica 'Political Aspects of Full Employment'.14
1948
Primeira edição do manual Economics, de Samuelson.10
1968
Friedman apresenta a hipótese da taxa natural de desemprego.22
1976
Lucas publica a crítica às avaliações econométricas de política; Friedman recebe o prêmio de economia.24
1979
Lucas e Sargent publicam 'After Keynesian Macroeconomics'.25
1986
Minsky publica Stabilizing an Unstable Economy.8
29 de dezembro de 2008
Nota técnica do FMI defende estímulo fiscal global diante da crise.17
3 de janeiro de 2013
Blanchard e Leigh publicam estudo sobre multiplicadores fiscais subestimados.16
Bibliografia comentada
John Maynard Keynes. The General Theory, cap. 24 (Notas finais sobre a filosofia social a que a Teoria geral pode conduzir), Marxists Internet Archive (1936)
Capítulo curto e acessível em que Keynes expõe a 'filosofia social' do livro: pleno emprego, desigualdade, socialização do investimento e eutanásia do rentista.
Alan S. Blinder. Keynesian Economics
Síntese do keynesianismo moderno por um de seus defensores, com o debate contra os novos clássicos.
Hyman P. Minsky. Stabilizing an Unstable Economy (1986)
Obra principal da hipótese da instabilidade financeira, redescoberta depois de 2008.
Michał Kalecki. Political Aspects of Full Employment (1943)
Ensaio curto e influente sobre os obstáculos políticos ao pleno emprego no capitalismo.
Peter A. Hall (org.). The Political Power of Economic Ideas: Keynesianism across Nations (1989)
Estudo comparativo de como (e se) as ideias keynesianas foram adotadas em diferentes países.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1John Maynard Keynes. The General Theory, cap. 2 (Os postulados da economia clássica), Marxists Internet Archive. 1936.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 2Alan S. Blinder. Keynesian Economics. The Concise Encyclopedia of Economics (Liberty Fund, Econlib).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Autor keynesiano (Princeton; ex-vice-presidente do Federal Reserve); texto que se declara favorável à evidência keynesiana.
- 3John Maynard Keynes. The General Theory of Employment, Interest and Money. Macmillan (Londres), 1936.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 4John Maynard Keynes. The General Theory, prefácio, Marxists Internet Archive. 1936.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 5John Maynard Keynes. The General Theory of Employment, Interest and Money, cap. 1 e nota sobre 'economistas clássicos', Marxists Internet Archive. 1936.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 6Robert Skidelsky. John Maynard Keynes (biografia em 3 v., 1983–2000).[Historiografia · referência bibliográfica]
- 7Levy Economics Institute of Bard College. Hyman P. Minsky (página institucional).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 8Hyman P. Minsky. Stabilizing an Unstable Economy. 1986.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 9John R. Hicks. Mr. Keynes and the 'Classics': A Suggested Interpretation. Econometrica, 1937.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 10Paul A. Samuelson. Economics: An Introductory Analysis (1ª ed. 1948; edições sucessivas). 1948.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 11A. W. Phillips. The Relation between Unemployment and the Rate of Change of Money Wage Rates in the United Kingdom, 1861–1957. Economica, 1958.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 12Joan Robinson. Economic Philosophy. 1962.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 13Paul Davidson. Money and the Real World. 1972.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 14Michał Kalecki. Political Aspects of Full Employment. Political Quarterly, 1943.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 15N. Gregory Mankiw; David Romer (orgs.). New Keynesian Economics (2 v.). MIT Press, 1991.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 16Olivier J. Blanchard; Daniel Leigh. Growth Forecast Errors and Fiscal Multipliers (IMF Working Paper, 3 de janeiro de 2013). Fundo Monetário Internacional, 2013.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada a página com o resumo.
- 17Antonio Spilimbergo; Steve Symansky; Olivier Blanchard; Carlo Cottarelli (FMI). Fiscal Policy for the Crisis (IMF Staff Position Note SPN/08/01, 29 de dezembro de 2008). Fundo Monetário Internacional, 2008.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Nota de equipe técnica: não expressa necessariamente a posição oficial do FMI.
- 18John Maynard Keynes. How to Pay for the War. 1940.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 19Peter A. Hall (org.). The Political Power of Economic Ideas: Keynesianism across Nations. Princeton University Press, 1989.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 20John Maynard Keynes. The General Theory, cap. 24 (Notas finais sobre a filosofia social a que a Teoria geral pode conduzir), Marxists Internet Archive. 1936.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 21Milton Friedman; Anna J. Schwartz. A Monetary History of the United States, 1867–1960. 1963.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 22Milton Friedman. The Role of Monetary Policy. American Economic Review, 1968.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 23Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel 1976, Milton Friedman (resumo). NobelPrize.org.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 24Robert E. Lucas Jr.. Econometric Policy Evaluation: A Critique. Carnegie-Rochester Conference Series on Public Policy, 1976.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 25Robert E. Lucas Jr.; Thomas J. Sargent. After Keynesian Macroeconomics. Federal Reserve Bank of Minneapolis Quarterly Review (primavera de 1979); versão de conferência do Federal Reserve Bank of Boston (1978), 1979.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada a página do Fed de Minneapolis com os dados de publicação; o texto não foi lido nesta redação.
- 26Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel 1995, Robert E. Lucas Jr. (resumo). NobelPrize.org.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 27Nicholas Wapshott. Keynes Hayek: The Clash That Defined Modern Economics. 2011.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 28Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel 2022, Bernanke, Diamond e Dybvig (resumo). NobelPrize.org.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 29Avi J. Cohen; G. C. Harcourt. Retrospectives: Whatever Happened to the Cambridge Capital Theory Controversies?. Journal of Economic Perspectives (inverno de 2003), 2003.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada a página do artigo com o resumo; o texto integral não foi lido.
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
relacionado a
- John Maynard KeynesPessoaFundador. Fonte: The General Theory, prefácio, Marxists Internet Archive
- Grande DepressãoAcontecimentoContexto da Teoria geral.
- Crise financeira de 2008AcontecimentoFonte: Fiscal Policy for the Crisis (IMF Staff Position Note SPN/08/01, 29 de dezembro de 2008)
- Fundo Monetário Internacional (FMI)OrganizaçãoFonte: Fiscal Policy for the Crisis (IMF Staff Position Note SPN/08/01, 29 de dezembro de 2008)
- Plano Marshall (verbete planejado)Acontecimento
- Social-democraciaCorrentePolíticas keynesianas foram adotadas por governos social-democratas e de outras orientações. Fonte: The Political Power of Economic Ideas: Keynesianism across Nations
- Crises capitalistas (verbete planejado)Conceito
- FinanceirizaçãoConceitoFonte: Hyman P. Minsky (página institucional)
- Sindicatos e negociação coletivaConceitoFonte: Political Aspects of Full Employment
- Participação dos salários na rendaPergunta e guia
- Estruturalismo latino-americanoEscola econômica
- Planejamento econômicoConceito
- LucroConceito
- PIB e PIB per capitaPergunta e guiaÓtica da despesa e demanda agregada.
conceito central
criticou
- Economia política clássicaEscola econômicaCrítica à lei de Say e à tendência ao pleno emprego. Fonte: The General Theory, cap. 2 (Os postulados da economia clássica), Marxists Internet Archive
debateu com
- Economia neoclássicaEscola econômicaFonte: Retrospectives: Whatever Happened to the Cambridge Capital Theory Controversies?
- Escola austríaca de economiaEscola econômicaFonte: Keynes Hayek: The Clash That Defined Modern Economics
- Friedrich HayekPessoaFonte: Keynes Hayek: The Clash That Defined Modern Economics
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação assistida por IA (Claude)
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.559 palavras · 29 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação a partir da Teoria geral (MIA, caps. 1, 2, 24 e prefácio), Blinder (Econlib), Levy Institute (Minsky), notas e documentos do FMI (SPN/08/01; Blanchard e Leigh) e resumos de prêmios (NobelPrize.org). Pendências: Hicks, Samuelson, Phillips, Friedman, Lucas, Kalecki, Minsky (livro), Davidson, Mankiw-Romer, Skidelsky, Hall e Wapshott não consultados; participação de Keynes em Bretton Woods e menções à escola de Estocolmo carecem de fonte aberta; conferir caracterização das políticas asiáticas e latino-americanas.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Keynesianismo. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/keynesianismo.
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John Maynard Keynes
Economista e funcionário público britânico (1883–1946)
Teoria geral do emprego, do juro e da moeda
The General Theory of Employment, Interest and Money, de John Maynard Keynes (1936)
Economia política clássica
Tradição de análise econômica britânica e francesa de fins do século XVIII a meados do XIX
Economia neoclássica
Tradição teórica nascida da revolução marginalista (1871–1874) e base da economia ensinada hoje na maior parte das universidades
Escola austríaca de economia
Tradição iniciada por Carl Menger em Viena (1871) e continuada por Böhm-Bawerk, Mises, Hayek, Rothbard e Kirzner
Friedrich Hayek
Economista e filósofo político austro-britânico (1899–1992)