Inês Etienne Romeu
Militante da VPR, presa política e única sobrevivente conhecida da Casa da Morte (1942–2015)
Mineira de Pouso Alegre, bancária e dirigente da VPR, foi presa em 1971 e mantida 96 dias na Casa da Morte de Petrópolis, centro clandestino do CIE. Única sobrevivente conhecida, denunciou o local e seus agentes depois da anistia. Morreu em 2015, em Niterói.
Também: Inês Etienne · Ines Etienne Romeu · Inês Etiene Romeu (grafia de imprensa)
Índice e ficha
- Nome completo
- Inês Etienne Romeu
- Nascimento
- 1942, Pouso Alegre (MG)
- Morte
- 27 de abril de 2015, Niterói (RJ)Infarto durante o sono, segundo o irmão.
- Nacionalidade
- brasileira
- Papéis
- Bancária e líder estudantilMilitante
- Dirigente da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)Militante
- Sobrevivente e denunciante da Casa da Morte de PetrópolisOutro papel
- Filiações
- Política Operária (POLOP); Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)
- Período
- 1942–2015
- Área
- Ditaduras no Brasil
- Regiões
- Brasil
- Temas
- Repressão, violência política e direitos, Mulheres e feminismos, Partido e organização, Estado, poder e democracia
Inês Etienne Romeu (Pouso Alegre, MG, 1942 – Niterói, RJ, 27 de abril de 2015) foi bancária, líder estudantil e dirigente da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) durante a ditadura militar 1 2. A CNV a descreve também como integrante da Política Operária (POLOP), organização de onde saiu parte dos quadros da VPR 3.
Presa em São Paulo em 5 de maio de 1971 sem ordem judicial, foi mantida de 8 de maio a 11 de agosto daquele ano na Casa da Morte de Petrópolis, centro clandestino do Centro de Informações do Exército (CIE). É a única pessoa conhecida que saiu viva de lá 4 1. Seu testemunho, registrado ainda em 1971 e entregue à OAB em 1979, é a principal fonte sobre o funcionamento da casa e sobre o destino de vários desaparecidos. A CNV o considerou corroborado por documentos do próprio Estado 1.
Este verbete apresenta sua trajetória antes da prisão, a violência que sofreu (em seção de leitura opcional), os anos de cárcere, a denúncia e a luta por reconhecimento, e o desfecho judicial que ela não chegou a ver. A militância armada da VPR, da qual Inês foi dirigente, não justifica nem atenua a tortura, a violência sexual e o cárcere clandestino.
Origem e militância
Nascida em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, em 1942, Inês foi bancária e líder estudantil antes de chegar à direção da VPR, segundo a CNV 1. Em outro capítulo, a comissão a apresenta como "integrante da VPR e da POLOP" 3. As fontes consultadas não detalham as datas de sua entrada em cada organização nem sua formação universitária; a reportagem do El País de 2019 a descreve como historiadora 5. Esses pontos ficam para conferência.
No relatório que escreveu em 1971 e entregou à OAB em 1979, Inês afirmou que desde 10 de março de 1971 estava desligada da organização e se preparava para deixar o país 1. Entre 1970 e 1971, a VPR foi alvo de agentes infiltrados, entre eles José Anselmo dos Santos, o "cabo Anselmo", ligado a quedas de vários militantes com quem Inês teve contato 1.
A prisão (maio de 1971)
Em 5 de maio de 1971, por volta das 9h, Inês foi presa na avenida Santo Amaro, em São Paulo, por agentes comandados pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, do DOPS paulista. Estava com um camponês de codinome "Primo", que, segundo ela, já colaborava com a polícia 1. Foi interrogada sob tortura na sede do DOPS/SP, no edifício do largo General Osório (ver edifício do DEOPS/SP), e levada de carro ao Rio de Janeiro na mesma noite 1.
No Rio, ficou numa delegacia da avenida Suburbana. Em 6 de maio, levada a um falso "encontro" em Cascadura, atirou-se sob as rodas de um ônibus, o que a CNV registra como tentativa de suicídio em decorrência da tortura. Passou pelo Hospital da Vila Militar, pelo Hospital Carlos Chagas, onde um policial tentou registrá-la com nome falso, e pelo Hospital Central do Exército (HCE) 1 4. Em 8 de maio, foi retirada à força do HCE e levada, vendada, para a casa de Petrópolis 1.
Os 96 dias na Casa da Morte
Conteúdo sensívelEsta seção menciona tortura, violência sexual e tentativas de suicídio (sem detalhes gráficos).Ler este trechoOcultar trecho
Inês ficou na casa de 8 de maio a 11 de agosto de 1971, incomunicável e sem qualquer registro oficial de prisão 4. Segundo o que relatou e o que a CNV reproduz, foi espancada, recebeu choques elétricos, foi ameaçada e humilhada. Em entrevista à revista IstoÉ em 1981, sua irmã Lúcia Romeu disse que ela foi estuprada, submetida ao pentotal sódico ("soro da verdade") e, depois de duas tentativas de suicídio, medicada para voltar a ser interrogada 1.
Em 2009, o jurista Fábio Konder Comparato relatou na Câmara dos Deputados que Inês lhe dissera não querer indenização, mas que a Justiça reconhecesse oficialmente que ela fora sequestrada, mantida em cárcere privado e estuprada por agentes públicos federais 1. A sentença federal de 2026 reconheceu dois estupros praticados contra ela por um dos carcereiros 6.
Na casa, Inês ouviu e memorizou codinomes, conversas, o número do telefone e a disposição dos cômodos. Viu ou ouviu presos que depois desapareceram e soube por agentes do assassinato de vários deles 1. A CNV registra que agentes de segurança a visitaram, já no presídio, pressionando-a a colaborar "em troca de minha liberdade", e que ela recebia ameaças de morte 3. Saiu da casa em 11 de agosto, segundo a CNV; reportagem de 2021 diz que ela foi deixada na casa dos pais em Belo Horizonte em 18 de agosto e depois entregue ao Exército 4 7.
Condenação e cárcere (1971–1979)
A prisão de Inês só foi oficializada em 7 de novembro de 1971 4. Segundo reportagem de 2021, ela foi transferida em novembro de 1971 para a penitenciária feminina Talavera Bruce, no Rio de Janeiro, onde ficou até 1979 7. Em 3 de outubro de 1971, escreveu a um advogado uma carta em que pedia que, se morresse, o documento fosse divulgado para que um dia se esclarecessem os fatos. A sentença de 2026 abre com um trecho dessa carta 6.
Condenada pela Justiça Militar por sua militância, havia cumprido oito anos de pena quando a Lei de Anistia foi aprovada. Foi libertada em 29 de agosto de 1979 1. As fontes consultadas não informam com segurança os processos e as penas a que foi condenada; o tema fica para conferência no acervo Brasil: Nunca Mais.
A denúncia (1979–1981)
Uma semana depois de sair da prisão, Inês foi à sede do Conselho Federal da OAB, no Rio, e entregou em 5 de setembro de 1979 o relatório que havia escrito em 18 de setembro de 1971 1. O documento narrava a prisão, as torturas, a planta da casa e o cotidiano dos agentes; listava nove desaparecidos de quem tivera notícia e indicava que seis deles teriam sido mortos em Petrópolis: Carlos Alberto Soares de Freitas, Mariano Joaquim da Silva, Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, Heleny Ferreira Telles Guariba, Walter Ribeiro Novaes e Paulo de Tarso Celestino da Silva 1.
Em 1981, com Sérgio Ferreira, primo de Carlos Alberto Soares de Freitas, Inês localizou o endereço do telefone que ouvira e reconheceu a casa 1. No mesmo ano, denunciou publicamente o médico do Exército Amílcar Lobo, que teve o registro cassado pelo Cremerj em 1986 8. A CNV registra que ela foi internada em uma clínica em agosto de 1981 por causa das sequelas da tortura 3. Em abril de 1997, a pedido da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, ratificou sua denúncia sobre Marilena Villas Boas Pinto 1.
O testemunho posto à prova
A CNV não tomou o relato de Inês como verdade automática: cruzou cada informação com documentos produzidos pelo próprio aparelho repressivo e com outros testemunhos 1. Vários desses cruzamentos confirmaram o que ela dissera:
- Carlos Alberto Soares de Freitas. Inês ouviu de um agente que ele ficara cerca de dois meses na casa e fora executado em abril de 1971. A Informação nº 4.057/16, da agência paulista do SNI, de 11 de setembro de 1975, registra 15 de abril de 1971 como data de sua morte 1.
- Paulo de Tarso Celestino da Silva e Heleny Guariba. O mesmo documento do SNI dá 24 de julho de 1971 como data de morte dos dois, no então estado da Guanabara. A Informação nº 2.962/1971, do CIE, mostra que documentos de Paulo de Tarso estavam com o delegado regional de Petrópolis 1.
- Aluízio Palhano. Inês ouviu sua voz durante interrogatório na casa. Em 2014, uma testemunha ouvida pela CNV e o depoimento de um ex-preso que esteve com ele no DOI-CODI/SP levaram a comissão a confirmar que ele passou por Petrópolis e foi devolvido a São Paulo 1.
- José Raimundo da Costa. Inês ouviu em 4 de agosto de 1971 um carcereiro dizer que ele fora preso numa barreira; outro agente contou depois que ele fora morto e que a morte fora encenada numa rua. A versão oficial falou em morte ao reagir à prisão, em 5 de agosto de 1971, no Rio. Mesmo assim, a CNV não conseguiu comprovar a passagem dele pela casa 1.
- A planta. O desenho que ela fez em 18 de setembro de 1971 foi considerado idêntico à planta do imóvel pelos peritos da CNV em 2014 9.
A CNV também registra os limites: dos nove desaparecidos citados por Inês, três (Ivan Mota Dias, José Raimundo da Costa e Rubens Paiva) não tiveram a passagem pela casa comprovada 1. Perfis desses e de outros desaparecidos estão no livro-relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, citado pela CNV 10.
Luta por reconhecimento
Em 1989, Inês procurou Fábio Konder Comparato. Diante da jurisprudência da época, que considerava prescritas as ações de indenização, ele propôs uma ação declaratória na 17ª Vara Federal de São Paulo. Em dezembro de 2002, a ação foi julgada procedente para declarar a relação jurídica entre Inês e a União pelos atos de cárcere privado e tortura praticados por servidores militares entre 5 de maio e 11 de agosto de 1971, em Petrópolis. Em 2007, a União desistiu da apelação, e o TRF da 3ª Região manteve a sentença 1.
Em 2009, Inês recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos na categoria "Direito à memória e à verdade" 1 11. A pedido da Comissão Nacional da Verdade, reconheceu por fotografias carcereiros e torturadores da casa. Por causa de dificuldades de fala, não pôde depor formalmente à comissão, mas sua participação nas reuniões permitiu identificar agentes 9 5.
A agressão de 2003
Em 2003, aos 61 anos, Inês foi encontrada ferida na cabeça em sua casa, no dia seguinte à visita de um marceneiro. Segundo reportagem do El País reproduzida pelo IHU, a polícia registrou o caso como acidente doméstico, mas um relatório médico apontou "sinais de traumatismo craniano devido a múltiplos golpes". O suspeito nunca foi identificado, e ela passou a ter dificuldade para falar e se movimentar 5. O Brasil de Fato também descreve uma invasão da casa por um agressor 11.
O caso não tem autoria nem motivação esclarecidas nas fontes consultadas. Não há base documental, nestas fontes, para relacioná-lo à repressão. Registra-se aqui apenas o que foi noticiado: as circunstâncias nunca foram apuradas.
Morte e o processo que ela não viu terminar
Inês morreu dormindo, de infarto, segundo o irmão, na madrugada de 27 de abril de 2015, em sua casa em Niterói, aos 72 anos 2. A Comissão da Verdade do Rio anunciou na ocasião que pediria à Câmara de Petrópolis que a rua da Casa da Morte recebesse o nome dela; o resultado desse pedido não foi verificado 2.
A denúncia do MPF contra o ex-sargento Antônio Waneir Pinheiro Lima, o "Camarão", foi rejeitada em 2017, recebida pelo TRF-2 em 2019 e confirmada em 2021. Em 31 de julho de 2026, a Justiça Federal condenou o réu em primeira instância a 12 anos, 11 meses e 25 dias de reclusão por sequestro qualificado e estupros contra Inês, afastando anistia e prescrição por se tratar de crimes contra a humanidade. A decisão não é definitiva, e o réu, que nega as acusações, pode recorrer em liberdade 11 5 7 6 12. Os detalhes estão em Casa da Morte de Petrópolis.
Memória
A CNV resume o peso do testemunho de Inês: as informações mais importantes sobre a Casa da Morte "têm origem no depoimento de sua única sobrevivente" e foram confirmadas por documentos produzidos pelo próprio Estado 1. Para os procuradores que atuaram no caso, a condenação de 2026 é uma reparação "ainda que tardia" a ela 6.
Sua trajetória costuma ser lembrada em três dimensões: a da sobrevivente que memorizou detalhes para denunciar; a da mulher que nomeou publicamente a violência sexual cometida por agentes do Estado, numa época em que isso era raro; e a da cidadã que buscou reconhecimento judicial em vez de indenização. Essas leituras são interpretações de quem a homenageia e não substituem os fatos documentados acima.
Situação documentada
As categorias não se somam: uma mesma pessoa pode ter sido presa, exilada e depois desaparecida.
- Sobrevivente
- Reconhecimento oficial
- 17ª Vara Federal de São Paulo / TRF-3: Sentença de dezembro de 2002, mantida em 2007, declara a relação jurídica com a União pelos atos de cárcere privado e tortura (5/5 a 11/8/1971). Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- Comissão Nacional da Verdade: Relatório (2014) a reconhece como única sobrevivente da Casa da Morte e base das informações sobre o local. Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- Governo federal: Prêmio Nacional de Direitos Humanos de 2009, categoria Direito à memória e à verdade. Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- Investigações e processos
- Ação penal nº 0170716-17.2016.4.02.5106: denúncia rejeitada (2017), recebida pelo TRF-2 (2019, confirmada em 2021); condenação de Antônio Waneir Pinheiro Lima em 1ª instância em 31/07/2026, não definitiva.
- Reparação e memória
- Segundo Fábio Konder Comparato, Inês recusou buscar indenização e pediu reconhecimento judicial oficial dos crimes; obteve sentença declaratória (2002). Não foi verificado se houve outra reparação administrativa.
- O que não se sabe
- Datas de entrada na POLOP e na VPR, formação, processos e penas na Justiça Militar não foram confirmados; a agressão de 2003 nunca foi esclarecida.
Informações sobre processos e reparações conferidas até 19 de outubro de 2026; podem ter mudado depois.
No portal Ditaduras no Brasil
Ditadura de 1964–1985 · Transição e Nova República (1985–) · Sudeste (MG, SP, RJ)
Vítimas e sobreviventesPessoasResistênciasRepressãoMemória, verdade e justiça
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Citação localizada na fonte
“Se eu morrer, quero que todas as circunstâncias de minha morte sejam esclarecidas”
Trecho de documento de Inês Etienne Romeu do início dos anos 1970, citado pela CNV no capítulo sobre tortura (vol. I, p. 377). A sentença de 2026, segundo o MPF, abre com trecho de redação próxima, de carta de 3 de outubro de 1971.
Cronologia
1942
Nasce em Pouso Alegre (MG).1
10 de março de 1971
Data a partir da qual, segundo seu relatório, estava desligada da organização.1
5 de maio de 1971
É presa em São Paulo por agentes comandados pelo delegado Sérgio Fleury e torturada no DOPS/SP.1
6 de maio de 1971
Atira-se sob um ônibus no Rio; passa por três hospitais.1
8 de maio de 1971
É levada do Hospital Central do Exército para a Casa da Morte, em Petrópolis.1
11 de agosto de 1971
Sai da Casa da Morte.4
18 de setembro de 1971
Data do relatório que entregaria à OAB em 1979.1
3 de outubro de 1971
Escreve carta a advogado pedindo divulgação dos fatos caso morresse.6
7 de novembro de 1971
Sua prisão é oficializada.4
29 de agosto de 1979
É libertada, após oito anos de prisão.1
5 de setembro de 1979
Entrega sua denúncia ao Conselho Federal da OAB.1
1981
Identifica a Casa da Morte e denuncia o médico Amílcar Lobo.8
1989
Procura Fábio Konder Comparato para buscar reconhecimento judicial.1
dezembro de 2002
A 17ª Vara Federal de São Paulo julga procedente a ação declaratória contra a União.1
2003
É agredida em casa; o caso nunca foi esclarecido.5
2007
A União desiste da apelação; o TRF-3 mantém a sentença.1
2009
Recebe o Prêmio Nacional de Direitos Humanos (categoria Direito à memória e à verdade).1
2014
Reconhece por fotografias, a pedido da CNV, agentes da Casa da Morte.9
27 de abril de 2015
Morre em Niterói, aos 72 anos.2
31 de julho de 2026
Ex-carcereiro é condenado em primeira instância pelos crimes contra ela.12
Bibliografia comentada
Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553 (2014)
Reproduz longos trechos do relatório de Inês de 1971 e mostra como cada informação dela foi cruzada com documentos do SNI e do CIE.
Joana Oliveira (El País). Em caso inédito, militar será julgado por estupro de presa política na ditadura (2019)
Reportagem do El País sobre o recebimento da denúncia pelo TRF-2 em 2019, com contexto biográfico e o episódio de 2003.
Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Direito à memória e à verdade (2007)
Livro-relatório da CEMDP com perfis dos desaparecidos que Inês viu ou de quem ouviu falar na casa (não consultado aqui).
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]PDF baixado e lido nesta redação (texto extraído com pdftotext). Parágrafos 110–154 e 179 (José Raimundo da Costa).
- 2Morre aos 72 anos única sobrevivente da Casa da Morte. O Povo (conteúdo Estadão, 27/04/2015), 2015.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 3Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 9 (Tortura), p. 377. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Trecho sobre Inês Etienne Romeu ("integrante da VPR e da POLOP"), pressões para colaborar e ameaças de morte, com citação de documento dela.
- 4Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 8 (Detenções ilegais e arbitrárias), pp. 309 e 316. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Parágrafo 19 (Operação Ibiúna, conduzida pelo DOPS/SP) e parágrafo 33 (prisão e incomunicabilidade de Inês Etienne Romeu).
- 5Joana Oliveira (El País). Em caso inédito, militar será julgado por estupro de presa política na ditadura. Instituto Humanitas Unisinos (reprodução de reportagem do El País de 14/08/2019), 2019.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Fonte da descrição da agressão de 2003 (relatório médico citado pela reportagem).
- 6Procuradoria da República no Rio de Janeiro (MPF). Ex-carcereiro da Casa da Morte é condenado por sequestro e estupros cometidos durante a ditadura militar. Ministério Público Federal (notícia de 04/08/2026), 2026.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 7Justiça confirma processo contra sargento acusado de atuar na Casa da Morte. Estado de Minas (conteúdo Estadão, 01/03/2021), 2021.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 8Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 16 (A autoria das graves violações de direitos humanos), verbetes de agentes, pp. 861–930. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultados os verbetes nº 78 (Cyro Guedes Etchegoyen, p. 861), 150 (Amílcar Lobo, p. 877), 158 (Antônio Waneir Pinheiro Lima, p. 880), 211 (Freddie Perdigão Pereira, p. 894), 329 (Paulo Malhães, p. 919), 352 (Rubens Gomes Carneiro, p. 925), 353 (Rubens Paim Sampaio, p. 925) e 371 (Ubirajara Ribeiro de Souza, p. 930). Conclusão de comissão, não condenação penal.
- 9Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 15 (Instituições e locais associados a graves violações de direitos humanos), item "Casa da Morte – Petrópolis (RJ)", pp. 792–803. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Parágrafos 145–146 (estrutura clandestina) e 154–166 (Casa da Morte e Usina Cambahyba).
- 10Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Direito à memória e à verdade. Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Brasília, 2007.[Fonte oficial · referência bibliográfica]Livro-relatório citado pela CNV sobre os desaparecidos que passaram pela Casa da Morte; não consultado diretamente nesta redação.
- 11Justiça absolve estuprador de Inês Etienne Romeu. Brasil de Fato (10/03/2017), 2017.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Texto opinativo; a decisão de 2017 foi de rejeição da denúncia.
- 12Justiça condena militar por estupro de guerrilheira durante ditadura. Poder360 (texto da Agência Brasil de 03/08/2026), 2026.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
integrou
- Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) (verbete planejado)OrganizaçãoDirigente da VPR, segundo a CNV. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- Organização Revolucionária Marxista – Política Operária (POLOP) (verbete planejado)OrganizaçãoA CNV a descreve como integrante da VPR e da POLOP; datas não conferidas. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 9 (Tortura), p. 377
vítima de
- Casa da Morte de PetrópolisLugar históricoMantida ali de 8/5 a 11/8/1971. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- DOPS/DEOPS, polícias políticas estaduais (1924–1983)InstituiçãoInterrogada sob tortura no DOPS/SP em 5/5/1971. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
relacionado a
- Edifício do DEOPS/SPLugar históricoFonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- Sérgio Paranhos Fleury (verbete planejado)PessoaA CNV diz que ela foi presa por agentes comandados pelo delegado. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- José Anselmo dos Santos (Cabo Anselmo) (verbete planejado)PessoaFonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- Anistia de 1979AcontecimentoLibertada em 29/8/1979. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- Rubens PaivaPessoaCitou-o entre os desaparecidos de quem teve notícia; a CNV não comprovou a passagem dele pela casa. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- Memória, verdade, reparação e justiça no BrasilPolítica públicaFonte: Ex-carcereiro da Casa da Morte é condenado por sequestro e estupros cometidos durante a ditadura militar
- Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos (verbete planejado)OrganizaçãoRatificou denúncia a pedido da Comissão de Familiares (1997). Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553
- Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985)Tema
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP, rascunho assistido por IA
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 1.946 palavras · 12 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisado: CNV vol. I (caps. 8, 9, 12, 15 e 16), MPF (notícia da condenação de 2026), imprensa (O Povo/Estadão 2015, Brasil de Fato 2017, El País/IHU 2019, Estado de Minas 2021, Poder360/Agência Brasil 2026). Pendências: (1) data completa de nascimento e formação (a CNV só dá o ano; o El País diz historiadora); (2) datas de militância na POLOP e na VPR e cargos; (3) processos e penas na Justiça Militar (consultar BNM Digital e STM; não afirmar prisão perpétua sem fonte); (4) se houve reparação da Comissão de Anistia; (5) a sequência de agosto de 1971 (CNV: saída em 11/8; Estado de Minas: entrega à família em BH em 18/8); (6) se a rua de Petrópolis recebeu o nome dela; (7) o local exato da agressão de 2003 (fontes divergem entre São Paulo e outra cidade; não incluído). Não foi possível abrir o relatório da Comissão da Verdade do Rio nem o número da Revista do Arquivo (APESP) com o in memoriam dela. Imagem candidata: nenhuma com licença conferida.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Inês Etienne Romeu. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/ines-etienne-romeu.
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Engenheiro e deputado federal (PTB-SP), desaparecido após prisão em 1971 (1929–1971)
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