Vala clandestina de Perus
Vala comum aberta em 1976 no Cemitério Dom Bosco (São Paulo) e revelada em 1990, com 1.049 conjuntos de ossadas
Vala comum sem registro aberta em 1976 no Cemitério Dom Bosco, em Perus (São Paulo), e revelada em 4 de setembro de 1990, com 1.049 conjuntos de ossadas em sacos sem identificação, entre eles restos de desaparecidos políticos enterrados como indigentes.
Também: Vala de Perus · Vala clandestina do Cemitério Dom Bosco · Ossadas de Perus · Colina dos Mártires
Índice e ficha
- Período
- 1976 (abertura) – 1990 (revelação)
- Área
- Ditaduras no Brasil
- Regiões
- Brasil
- Temas
- Repressão, violência política e direitos, Estado, poder e democracia, Relações raciais e antirracismo, Ciência e educação
A vala clandestina de Perus é uma vala comum aberta em 1976, sem registro, numa área ajardinada do Cemitério Dom Bosco, no distrito de Perus, cidade de São Paulo. Nela foram depositadas cerca de mil ossadas exumadas das quadras de indigentes, entre elas restos de opositores da ditadura mortos sob custódia e enterrados como desconhecidos ou com nome falso. Revelada em 4 de setembro de 1990, continha 1.049 conjuntos de ossos em sacos plásticos sem identificação 1.
Para a CNV, a vala foi uma das peças do sistema de ocultação de cadáveres que envolveu órgãos de repressão como DOPS e DOI-CODI, o Instituto Médico-Legal (IML) e a administração municipal de cemitérios 1. A descoberta abriu uma investigação parlamentar inédita e um trabalho de identificação que já dura mais de três décadas, com longos períodos de abandono 2 3.
Além de presos políticos, a vala guardava restos de vítimas da violência policial, de pessoas em situação de rua e de mortos não reclamados. A história da vala é também a história de como a cidade tratava os corpos dos pobres 4 1.
Localização e acesso
O Cemitério Dom Bosco é um cemitério municipal no distrito de Perus, na periferia da capital, na saída de São Paulo para Campinas 5; a Lei municipal nº 16.600/2016 o chama de "cemitério municipal Dom Bosco" 6. A vala foi aberta fora das quadras de sepultamento, numa área destinada ao cruzeiro e a uma futura capela, à beira de um barranco, segundo o ex-administrador do cemitério ouvido pela CNV e pela Comissão Rubens Paiva 1.
Acesso. Por ser um cemitério público em funcionamento, é aberto à visitação nos horários do serviço funerário. No local da antiga vala há um memorial às vítimas (ver "Memória"). As coordenadas indicadas são aproximadas, correspondem ao centro do terreno do cemitério no OpenStreetMap e não marcam o ponto exato da vala 7.
Um cemitério para indigentes (1971)
O Cemitério Dom Bosco foi inaugurado em 1971, na gestão do prefeito Paulo Maluf. Segundo a CPI citada pela CNV, "logo na sua inauguração foi transformado em cemitério exclusivo para corpos de indigentes, entre os quais passaram a ser enviados cadáveres de vítimas do regime". Os primeiros sepultamentos registrados nos livros são de março de 1971 1. O portal Memórias da Ditadura dá o dia 2 de março de 1971 e lembra que um cemitério no bairro era reivindicação antiga dos moradores de Perus 5.
A CPI encontrou registro de que o projeto original incluía um crematório: a planta de 1969 menciona um "crematório eventual". Por haver impedimento legal à cremação de indigentes, o projeto foi transferido para Vila Nova Cachoeirinha e depois para Vila Alpina, onde o crematório foi instalado 1. Fábio Pereira Bueno, diretor do Departamento de Cemitérios entre 1970 e 1974, disse à CPI que houve entendimentos diretos com o IML, na pessoa do legista Harry Shibata, para que o cemitério recebesse esses corpos 1.
Até 1971, os presos políticos mortos em São Paulo iam sobretudo para o Cemitério de Vila Formosa. A partir de então, Perus recebeu o corpo de no mínimo 29 militantes políticos, nove deles com identidade falsa, enterrados em sua maioria nas quadras 1 e 2, reservadas a indigentes 1. Entre eles estavam presos mortos sob custódia do DOPS/SP, como Dimas Antônio Casemiro (1971) e Luiz Hirata (1972), enterrados como indigentes segundo suas certidões de óbito 8.
Como os corpos eram ocultados
Conteúdo sensívelEsta seção trata de laudos falsos, marcas de tortura e manipulação de corpos (sem detalhes gráficos).Ler este trechoOcultar trecho
Segundo a CNV, os laudos do IML chancelavam versões policiais, com nomes falsos e causas de morte forjadas, e liberavam os corpos, que seguiam como indigentes para o cemitério. A resposta padrão dos legistas ao quesito sobre tortura era negativa, mesmo quando registravam hematomas e escoriações 1. Os laudos de presos políticos eram marcados com um "T" em vermelho, de "terrorista". O auxiliar de necropsia que fazia a marca disse à CPI que agia por ordem de um delegado do DOPS 1. Funcionários do necrotério relataram ordens do comando da Oban e depois do DOI-CODI/SP para fotografar só a cabeça das vítimas, e menor tempo de permanência dos corpos na geladeira 1.
No cemitério, segundo o ex-administrador ouvido em 2014, os "terroristas" chegavam isolados no carro do IML, com "um aparato político junto", enquanto os indigentes comuns vinham em grupos de seis ou mais 1. A CPI concluiu que a certeza da impunidade e o desrespeito habitual aos corpos dos pobres permitiram que militantes desaparecessem nos cemitérios da própria cidade 1.
A CNV atribui ao legista Harry Shibata a assinatura de "inúmeros laudos falsos de presos políticos". Ele negou à CPI saber quando um corpo era de militante 1.
A abertura da vala (1975–1976)
Uma lei municipal de 1972 reduziu de cinco para três anos o prazo para exumação. Em 1975, houve exumações em massa nas quadras 1 e 2, registradas pelo Serviço Funerário. A lei exigia que as ossadas fossem reinumadas na mesma sepultura, com registro, o que não aconteceu 1. Segundo a CPI, a ideia inicial era cremá-las em Vila Alpina. O projeto foi abandonado em 1976, e os sacos de ossos ficaram de seis meses a um ano amontoados em salas de velório sem uso, até a abertura da vala, onde foram jogados e cobertos de grama 1.
A CPI concluiu que a vala "se manteve em caráter de clandestinidade": não há registro de sua criação; foi aberta em área destinada a uma capela; não foi demarcada nem incluída na planta; foi feita sem alvenaria; e não há registro da transferência das ossadas para ela 1. A CNV considera que a coincidência com as alterações feitas na mesma época nas quadras do Cemitério de Vila Formosa aparenta "ação coordenada, planejada para promover a ocultação dos corpos" 1.
Segundo a reconstituição do portal Memórias da Ditadura, a comissão da prefeitura de 1990 contou 1.564 corpos exumados sem local de reinumação nos livros. A diferença em relação às 1.049 ossadas encontradas foi atribuída por peritos a cerca de 500 crianças, cujos ossos não teriam resistido ao tempo; a hipótese de uma segunda vala nunca foi comprovada 2. O CAAF estima que a vala tinha restos de 1.300 a 1.400 pessoas, porque 26% dos conjuntos misturam indivíduos 4. Os números vêm de métodos diferentes e não devem ser somados.
As buscas dos familiares (1973–1990)
Em 1973, a família dos irmãos Iuri e Alex Xavier Pereira, da ALN, encontrou nos livros do cemitério o registro de Iuri e o de "João Maria de Freitas", nome falso de Alex 1 5. Em 1979, familiares localizaram outros registros com identidade falsa: Gélson Reicher ("Emiliano Sessa"), Luiz Eurico Tejera Lisbôa ("Nelson Bueno") e Flávio Carvalho Molina ("Álvaro Lopes Peralta") 1.
Com a ajuda do funcionário que operara a retroescavadeira, Suzana Keniger Lisbôa localizou em 1979 os restos do marido, Luiz Eurico Tejera Lisbôa, desaparecido em 1972 e enterrado fora das quadras 1 e 2. Foi o primeiro corpo de desaparecido político descoberto 1. No mesmo período foi achado o registro de Dênis Casemiro (VPR), com dados alterados. Familiares denunciaram os dois casos no Congresso durante a votação da Lei de Anistia, em agosto de 1979 1. Ainda em 1979, a vala foi aberta parcialmente a pedido de Gilberto Molina, irmão de Flávio, mas a busca não avançou 1.
Até 1990, além de Luiz Eurico, já estavam localizados em Perus os corpos de 14 militantes, entre eles Ângelo Arroyo, Alexandre Vannucchi Leme, Carlos Nicolau Danielli e Pedro Pomar 1. O jornalista Caco Barcellos, que investigava homicídios cometidos pela Polícia Militar, chegou ao cemitério pelos laudos marcados com "T" no arquivo do IML. Sua apuração para o Globo Repórter contribuiu para a revelação da vala 9.
A revelação e a CPI (1990–1991)
Em 4 de setembro de 1990, a vala foi aberta com 1.049 ossadas em sacos plásticos sem identificação 1. A prefeita Luiza Erundina criou no dia seguinte uma comissão de acompanhamento, publicada no Diário Oficial do Município em 6 de setembro, e convidou familiares de mortos e desaparecidos a integrá-la. Diante da desconfiança em relação ao IML, as ossadas foram confiadas ao Departamento de Medicina Legal da Unicamp e levadas para Campinas em 1º de dezembro de 1990 2 10.
Na Câmara Municipal, o vereador Júlio César Caligiuri Filho (PDT) pediu em 5 de setembro uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a "CPI dos Desaparecidos", conhecida como CPI de Perus. Instalada em 17 de setembro de 1990, teve como relator Aldo Rebelo (PCdoB) e, na prorrogação, Tereza Lajolo (PT). Sua última sessão foi em 18 de abril de 1991 2. Pela primeira vez, foram ouvidos agentes do DOPS e do DOI-CODI, legistas que assinaram laudos falsos, um ex-prefeito e um ex-governador 2. A CPI apurou a relação entre os órgãos de repressão, o IML e a administração do cemitério, além da "dilapidação intencional" do arquivo do IML relativo aos anos 1970 1.
Pela cronologia reconstituída na CPI, as ossadas foram exumadas sobretudo durante a gestão do prefeito Miguel Colasuonno (1973–1975) e lançadas na vala durante a de Olavo Setúbal (1975–1979), segundo o portal Memórias da Ditadura 2. Trata-se de uma datação administrativa: as fontes consultadas não atribuem aos prefeitos participação pessoal na decisão.
Identificações e paralisações (1991–2026)
Unicamp (1990–2001). Em 1991 e 1992, a equipe do Departamento de Medicina Legal da Unicamp, coordenada por Fortunato Badan Palhares, identificou Dênis Casemiro (1991) e Frederico Eduardo Mayr (1992) na vala. Identificou também, em sepulturas individuais de Perus, Sônia Moraes Angel Jones, Antônio Carlos Bicalho Lana e Helber José Gomes Goulart 1 11. Os trabalhos pararam, e as ossadas ficaram em condições inadequadas 1. Uma avaliação de 2012-2013 da Equipe Argentina de Antropologia Forense criticou a seleção feita em Campinas 12.
USP, Araçá e MPF (2001–2014). Após intervenção do MPF, em 2001 as ossadas foram transferidas para o IML de São Paulo, para análise com a USP, e quase todas acabaram no columbário do Cemitério do Araçá 1. Em 2005 foi identificado Flávio Carvalho Molina, com exame de DNA 1 12. A CNV registra também a identificação de Luiz José da Cunha em 2006, em trabalhos da CEMDP; as fontes consultadas não o incluem entre os identificados da vala 1 11. Entre 2012 e 2014, exames feitos com a Polícia Federal e a Equipe Argentina de Antropologia Forense deram resultado negativo para Aylton Mortati, Dimas Casemiro e Hiroaki Torigoe 1.
Grupo de Trabalho Perus (2014–2019). O GTP foi criado pela Portaria nº 620, de 9 de outubro de 2014, para analisar as 1.049 caixas e procurar 41 desaparecidos políticos, com a Secretaria de Direitos Humanos, a prefeitura e o Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Unifesp (CAAF). A CNV fala numa lista de 46 nomes 3 1. Em agosto de 2015, as caixas que estavam no Araçá foram levadas provisoriamente para a sede do MPF, até a ampliação do laboratório da Unifesp 13. Por DNA, com análises feitas no laboratório do ICMP em Sarajevo, foram identificados Dimas Antônio Casemiro (janeiro/fevereiro de 2018) e Aluísio Palhano Pedreira Ferreira (dezembro de 2018) 3 14. Palhano é um dos desaparecidos que a CNV liga à Casa da Morte 15.
Desmonte e retomada (2019–2026). Segundo o CAAF, os trabalhos foram praticamente paralisados a partir de 2019: o GTP foi extinto em abril daquele ano, e a CEMDP foi encerrada em 2022 3. Em fevereiro de 2022, o coordenador científico informou à Justiça Federal que a coleta de material genético de 901 caixas compatíveis com os desaparecidos terminaria em abril de 2022 4. Um novo acordo de cooperação (nº 001/2024) entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a prefeitura e a Unifesp, a reinstalação da CEMDP em agosto de 2024 e a retomada das análises em 2 de setembro de 2024 reabriram o trabalho 3.
Balanço na data de corte. As fontes consultadas registram cinco desaparecidos identificados na vala: Dênis Casemiro, Frederico Eduardo Mayr, Flávio Carvalho Molina, Dimas Antônio Casemiro e Aluísio Palhano Pedreira Ferreira 11 4. Não foi possível confirmar, nesta redação, identificações posteriores a dezembro de 2018.
Memória
No local da antiga vala existe um memorial em homenagem aos mortos e desaparecidos 11. Fontes secundárias informam que ele foi inaugurado em 26 de agosto de 1993, na gestão Erundina, com texto de Ricardo Ohtake; esses dados não foram conferidos em fonte primária 16. Em 2015, a Secretaria Municipal de Serviços anunciou monumentos nos cemitérios de Perus e de Vila Formosa 13.
A Lei municipal nº 16.600, de 22 de dezembro de 2016, de iniciativa do vereador Jamil Murad (PCdoB), sancionada pelo prefeito Fernando Haddad, determina a fixação, em todas as entradas do cemitério, de placa com os dizeres: "Colina dos Mártires - neste cemitério o regime militar ocultou cadáveres de perseguidos políticos" 6. Está previsto que as 1.049 caixas sigam para um memorial a ser construído pela prefeitura, que também permitiria novas análises no futuro 4.
Comissões da verdade da Câmara Municipal (Comissão Vladimir Herzog, 2012–2014), da Assembleia Legislativa (Comissão Rubens Paiva) e a CNV trataram da vala. A recomendação nº 27 da CNV pede a continuidade da localização, identificação e entrega dos restos mortais e "tratamento respeitoso e adequado às ossadas já localizadas" 12.
Interpretações
A CNV lê Perus como exemplo de ocultação de cadáver deliberada, que dependeu da colaboração entre polícia política, Exército, IML e serviço funerário 1. A própria CPI hesitou entre duas formulações: o que teria sido mais bárbaro, "transformar oponentes do regime em indigentes ou tripudiar ainda mais a indigência para dar fim aos corpos de oponentes do regime" 1.
Movimentos de familiares e pesquisadores ligam a vala à violência de Estado contra pobres e negros, antes e depois da ditadura. A estimativa de que só uma parte das ossadas seria de presos políticos, sendo as demais de vítimas da violência policial e de indigentes, reforça essa leitura 13 4.
O debate técnico gira em torno de por que o trabalho demorou tanto: negligência e condições inadequadas de guarda (Unicamp, Araçá), disputas de método no GTP e interrupções políticas (2019–2024). Essas avaliações vêm do CAAF, do MPF e de familiares, partes interessadas no processo, e foram registradas em ação civil pública e audiências judiciais 3 12 14.
Para aprofundar, a CNV cita duas obras de referência não consultadas nesta redação: a coletânea organizada por Maria Amélia de Almeida Teles e Suzana Keniger Lisbôa, que reúne textos de familiares, procuradores e pesquisadores, e a publicação oficial Habeas corpus: que se apresente o corpo, sobre os cemitérios usados para ocultar desaparecidos 17 18.
Responsabilidades e grau de prova
Ocupar um cargo não prova participação pessoal em cada crime. A tabela diz o que cada fonte afirma e com que grau de prova.
| Sobre | Grau de prova | O que a fonte afirma | Fonte |
|---|---|---|---|
| Laudos falsos de presos políticos enterrados como indigentes | Conclusão de comissão | A CNV descreve o legista Harry Shibata como "homem de confiança do regime que assinou inúmeros laudos falsos de presos políticos"; ele negou saber quando o corpo era de militante. | Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518 |
| Abertura e ocultação da vala | Conclusão de comissão | A CPI de 1990–91, citada pela CNV, concluiu que a vala foi aberta em 1976 sem registro e mantida em clandestinidade; a CNV vê indício de ação coordenada com as alterações em Vila Formosa. Não há atribuição pessoal nas fontes consultadas. | Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518 |
O lugar
- Município e UF
- São Paulo, SP
- Localização
- Localização aproximada
- Endereço histórico
- Cemitério Municipal Dom Bosco, distrito de Perus; vala aberta em área ajardinada destinada ao cruzeiro e a uma capela, fora das quadras de sepultamento.
- Função histórica
- Vala comum clandestina (sem registro) onde foram lançadas, em 1976, ossadas exumadas das quadras de indigentes, incluindo restos de presos políticos mortos sob custódia e enterrados como desconhecidos ou com nome falso. (Cemitério inaugurado em 1971; exumações em massa em 1975; vala aberta em 1976; revelada em 4/9/1990.)
- Situação atual
- Cemitério municipal em funcionamento, aberto à visitação; memorial no local da antiga vala; placa "Colina dos Mártires" prevista em lei (2016). As 1.049 caixas de ossadas estão sob análise do CAAF/Unifesp, com previsão de memorial próprio.
Lugar com acesso público. Lei nº 16.600, de 22 de dezembro de 2016
Indicadores
Cada número traz fonte, série, unidade, período e limitações. Números de séries ou universos diferentes não se comparam nem se somam.
| Indicador | Valor | Período | Fonte e série | Limitações |
|---|---|---|---|---|
| Conjuntos de ossadas retirados da vala | 1.049 sacos/caixas com remanescentes ósseos | abertura em 4/9/1990 | Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518 | Contagem por unidade de acondicionamento; 26% dos conjuntos misturam indivíduos, e o CAAF estima de 1.300 a 1.400 pessoas. |
| Corpos exumados sem registro de reinumação nos livros | 1.564 registros de exumação | 1975–1976 | Vala de Perus, cap. 3, O inquérito | Levantamento da comissão da prefeitura em 1990, segundo reconstituição jornalística; a diferença em relação às 1.049 ossadas é atribuída a ossos de crianças que não teriam resistido. |
| Militantes políticos enterrados no Cemitério Dom Bosco | no mínimo 29 (9 com identidade falsa) pessoas | a partir de 1971 | Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518 | Mínimo apurado pela CNV; nem todos foram para a vala. |
| Desaparecidos políticos procurados pelo GTP | 41 pessoas | 2014– | Grupo de Trabalho Perus | A CNV menciona lista de 46 nomes; listas montadas por cruzamento de fontes e pedidos de familiares. |
| Desaparecidos identificados entre as ossadas da vala | 5 pessoas | 1991–2018 (sem confirmação de novas identificações até 19/10/2026) | Vala de Perus, cap. 7, Os encontrados | Não inclui identificações feitas em sepulturas individuais do mesmo cemitério. |
No portal Ditaduras no Brasil
Ditadura de 1964–1985 · Transição e Nova República (1985–) · Sudeste (SP)
Lugares de memóriaVítimas e sobreviventesRepressãoMemória, verdade e justiçaHistórias regionais
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Citação localizada na fonte
“Colina dos Mártires - neste cemitério o regime militar ocultou cadáveres de perseguidos políticos”
Texto da placa determinada pela Lei municipal nº 16.600, de 22 de dezembro de 2016.
Cronologia
1969
A planta do futuro cemitério prevê um "crematório eventual".1
2 de março de 1971
Inauguração do Cemitério Dom Bosco, na gestão Paulo Maluf; primeiros sepultamentos de corpos enviados pelo IML.5
1972
Lei municipal reduz de cinco para três anos o prazo de exumação.1
1973
A família Xavier Pereira encontra nos livros os registros de Iuri e de Alex (com nome falso).1
1975
Exumações em massa nas quadras 1 e 2, sem reinumação registrada.1
1976
Abandonado o projeto de cremação, as ossadas são lançadas numa vala aberta sem registro.1
1979
Suzana Lisbôa localiza os restos de Luiz Eurico Tejera Lisbôa; abertura parcial da vala a pedido de Gilberto Molina.1
agosto de 1979
Familiares denunciam no Congresso os casos de Dênis Casemiro e Luiz Eurico durante a votação da anistia.1
4 de setembro de 1990
Abertura da vala: 1.049 conjuntos de ossadas em sacos sem identificação.1
17 de setembro de 1990
Instalação da CPI na Câmara Municipal de São Paulo.2
1 de dezembro de 1990
As ossadas são levadas para a Unicamp.10
18 de abril de 1991
Última sessão da CPI.2
8 de julho de 1991
Anúncio da identificação de Dênis Casemiro, a primeira na vala.11
junho de 1992
Identificação de Frederico Eduardo Mayr.11
2001
Após intervenção do MPF, as ossadas saem da Unicamp; quase todas vão para o columbário do Araçá.1
2005
Identificação de Flávio Carvalho Molina por DNA.1
9 de outubro de 2014
A Portaria nº 620 institui o Grupo de Trabalho Perus.3
agosto de 2015
As caixas do Araçá são transferidas provisoriamente para a sede do MPF em São Paulo.13
22 de dezembro de 2016
A Lei nº 16.600 manda fixar a placa "Colina dos Mártires" nas entradas do cemitério.6
janeiro de 2018
Identificação de Dimas Antônio Casemiro.3
dezembro de 2018
Identificação de Aluísio Palhano Pedreira Ferreira.3
abril de 2019
Extinção do Grupo de Trabalho Perus; trabalhos praticamente paralisados.3
fevereiro de 2022
Em audiência na Justiça Federal, prevê-se para abril o fim da coleta genética de 901 caixas.4
2 de setembro de 2024
Retomada das análises no CAAF sob novo acordo de cooperação.3
Bibliografia comentada
Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518 (2014)
Síntese oficial que incorpora as conclusões da CPI de 1990–91, depoimentos de 2014 e o estado das identificações até o fim de 2014.
Camilo Vannuchi. Vala de Perus, cap. 3, O inquérito
Série jornalística em sete capítulos de Camilo Vannuchi para o Instituto Vladimir Herzog; reconstitui com detalhe a CPI, as buscas dos familiares e cada identificação.
Maria Amélia de Almeida Teles e Suzana Keniger Lisbôa (orgs.). Vala clandestina de Perus: desaparecidos políticos, um capítulo não encerrado da história brasileira (2012)
Coletânea organizada por duas familiares que participaram das buscas, citada pela CNV, com textos de familiares, procuradores e pesquisadores (não consultada aqui).
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Habeas corpus: que se apresente o corpo (2010)
Publicação oficial sobre cemitérios usados para ocultar corpos de desaparecidos, base do capítulo da CNV sobre Vila Formosa e outros cemitérios (não consultada aqui).
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Parágrafos 24–30 (Vila Formosa e Perus) e 36–60 (vala de Perus, CPI, identificações, lista de 46 desaparecidos).
- 2Camilo Vannuchi. Vala de Perus, cap. 3, O inquérito. Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog).[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Fonte das datas da CPI (requerimento, instalação, composição, última sessão) e dos 1.564 exumados.
- 3Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF), Universidade Federal de São Paulo. Grupo de Trabalho Perus. Unifesp.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Histórico do GTP, identificações de 2018, paralisação (2019–2022), acordo de 2024 e retomada em 02/09/2024. Fonte de parte interessada (equipe responsável).
- 4Após 32 anos, termina o trabalho com as ossadas da vala de Perus. IstoÉ Dinheiro (14/02/2022), 2022.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Grafa "Frederico Antonio Mayr" (a CNV dá Frederico Eduardo Mayr) e situa Perus na zona oeste (é zona norte/noroeste).
- 5Camilo Vannuchi. Vala de Perus, cap. 2, A origem. Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog).[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Narrativa jornalística baseada em documentos e entrevistas.
- 6Município de São Paulo. Lei nº 16.600, de 22 de dezembro de 2016. Legislação municipal, Prefeitura de São Paulo, 2016.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 7Colaboradores do OpenStreetMap. Cemitério Dom Bosco (via 142643216), consulta Nominatim. OpenStreetMap (ODbL 1.0).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Centroide do polígono do cemitério (-23.3925, -46.7434), não o ponto da vala.
- 8Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.3 "DOPS/SP", pp. 549–550, e parágrafo 109, p. 532. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Parágrafos 109 (Miguel Sabat Nuet) e 166–170 (desaparecimentos sob custódia do DOPS/SP).
- 9Camilo Vannuchi. Vala de Perus, cap. 1, A abertura. Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog).[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 10Camilo Vannuchi. Vala de Perus, cap. 4, Primeiras análises. Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog).[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 11Camilo Vannuchi. Vala de Perus, cap. 7, Os encontrados. Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog).[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Lista dos cinco identificados na vala até setembro de 2020, com datas.
- 12Camilo Vannuchi. Vala de Perus, cap. 5, Verdade e justiça. Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog).[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 13Ossadas de Perus são transferidas temporariamente para prédio do MPF. G1 São Paulo (19/08/2015), 2015.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 14Camilo Vannuchi. Vala de Perus, cap. 6, A retomada. Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog).[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Atenção: diz que Palhano morreu em 1972; a CNV e o CAAF indicam maio de 1971.
- 15Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.1 "Casa da Morte de Petrópolis", pp. 532–544, e parágrafo 179, p. 553. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]PDF baixado e lido nesta redação (texto extraído com pdftotext). Parágrafos 110–154 e 179 (José Raimundo da Costa).
- 16Cemitério de Perus (verbete). Wikipédia, em português.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Só orientação: data de 26/08/1993 e autoria do texto do memorial (Ricardo Ohtake) a conferir em fonte primária.
- 17Maria Amélia de Almeida Teles e Suzana Keniger Lisbôa (orgs.). Vala clandestina de Perus: desaparecidos políticos, um capítulo não encerrado da história brasileira. Ed. do Autor, São Paulo, 2012.[Historiografia · referência bibliográfica]Referência conforme citada pela CNV; não consultada nesta redação.
- 18Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Habeas corpus: que se apresente o corpo. Secretaria de Direitos Humanos, Brasília, 2010.[Fonte oficial · referência bibliográfica]Referência conforme citada pela CNV; não consultada nesta redação.
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
parte de
relacionado a
- DOPS/DEOPS, polícias políticas estaduais (1924–1983)InstituiçãoA CPI apontou relação entre DOPS, DOI-CODI, IML e administração do cemitério. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518
- Sistema DOI-CODI e Operação BandeiranteInstituiçãoFonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518
- DOI-CODI de São Paulo (rua Tutoia) (verbete planejado)Lugar históricoFonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518
- Edifício do DEOPS/SPLugar históricoPresos mortos sob custódia do DOPS/SP enterrados em Perus. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), item B.3 "DOPS/SP", pp. 549–550, e parágrafo 109, p. 532
- Casa da Morte de PetrópolisLugar históricoAluísio Palhano, que passou pela casa, foi identificado entre as ossadas em 2018. Fonte: Grupo de Trabalho Perus
- Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos (verbete planejado)OrganizaçãoFonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518
- Ação Libertadora Nacional (ALN) (verbete planejado)OrganizaçãoVários militantes da ALN foram enterrados em Perus. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518
- Dom Paulo Evaristo ArnsPessoaCelebrou na Sé as cerimônias pelos identificados em 1991 e 1992. Fonte: Vala de Perus, cap. 7, Os encontrados
- Pedro Pomar (verbete planejado)PessoaSeu corpo estava em Perus antes de 1990. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518
- Ângelo Arroyo (verbete planejado)PessoaSeu corpo estava em Perus antes de 1990. Fonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518
- Qual a diferença entre morto e desaparecido político?Pergunta e guia
- Quantas foram as vítimas da ditadura? Como se constroem os númerosPergunta e guia
- Memória, verdade, reparação e justiça no BrasilPolítica públicaFonte: Vala de Perus, cap. 5, Verdade e justiça
- Relatório da Comissão Nacional da VerdadeDocumentoFonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518
- Anistia de 1979AcontecimentoFonte: Relatório, vol. I, cap. 12 (Desaparecimentos forçados), itens 2.2–2.3, incluindo "A vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus", pp. 507–518
- Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985)TemaFonte: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 12: Desaparecimentos forçados (no verbete Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985))
Compartilhe
Peças para as redes
Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.
Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP, rascunho assistido por IA
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.358 palavras · 18 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisado: CNV vol. I, cap. 12 (pp. 507–518 e 549–550); página do Grupo de Trabalho Perus no CAAF/Unifesp; Lei municipal nº 16.600/2016; série "Vala de Perus" de Camilo Vannuchi no portal Memórias da Ditadura (caps. 1 a 7); G1 (2015); IstoÉ Dinheiro (2022); OpenStreetMap (coordenadas); Wikipédia apenas como orientação. Pendências: (1) confirmar identificações posteriores a 2018 (MDHC/CEMDP, 2024–2026); a cota de buscas na web acabou antes desta checagem; (2) conferir em fonte primária a data (26/08/1993) e o autor do memorial; (3) verificar se a placa da Lei 16.600 foi instalada; (4) andamento da ação civil pública do MPF de 2009 sobre Perus e Vila Formosa e do memorial das caixas previsto em acordo judicial; (5) data da denúncia no Congresso em 1979 (CNV: 28/8; Memórias da Ditadura: 22/8); (6) confirmar se Luiz José da Cunha foi identificado em sepultura individual de Perus; (7) horários de visitação e gestão atual do cemitério (concessão). Imagem candidata: fotos do memorial na Wikimedia Commons (licença a conferir).Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
Encontrou um erro? Escreva pela página de correções citando o verbete e a seção. Correções ficam registradas neste histórico.
Como citar: Vala clandestina de Perus. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/vala-de-perus.
Continue explorando
Ditadura militar (1964–1985)
Regime instaurado pelo golpe de 1964 e encerrado com a posse de um presidente civil em 15 de março de 1985
DOPS/DEOPS, polícias políticas estaduais (1924–1983)
Delegacias e departamentos de Ordem Política e Social das polícias civis estaduais
Sistema DOI-CODI e Operação Bandeirante
Destacamentos de Operações de Informações e Centros de Operações de Defesa Interna do Exército (1969–anos 1980)
Edifício do DEOPS/SP
Sede da polícia política paulista (1940–1983) e hoje Memorial da Resistência de São Paulo
Casa da Morte de Petrópolis
Centro clandestino de tortura, execução e desaparecimento do CIE (Petrópolis, RJ, c. 1971–1974)
Dom Paulo Evaristo Arns
Frade franciscano, arcebispo de São Paulo (1970–1998) e cardeal (1921–2016)