Pular para o conteúdo
Exército Lulaacervo documental
Pergunta e guiaPublicado

Quantas foram as vítimas da ditadura? Como se constroem os números

434, 1.843, 8.350, 1.196, 6.591, 80 mil: o que cada número mede, de onde vem e por que não se somam

Não existe um número único de vítimas da ditadura. Há universos diferentes, mortos e desaparecidos confirmados, torturados que denunciaram, indígenas, camponeses, cassados, militares perseguidos, anistiados, cada um com fonte, método e limites próprios.

Também: Número de vítimas da ditadura · Quantos morreram na ditadura · Estatísticas da repressão

Índice e ficha

"Quantos morreram na ditadura?" é uma das perguntas mais feitas, e mais disputadas, sobre o período de 1964 a 1985. A resposta honesta é que não há um número único. Há listas oficiais de nomes, levantamentos de familiares e movimentos, estimativas de pesquisa e registros administrativos, e cada um mede um universo diferente: mortos e desaparecidos por motivação política, camponeses assassinados em conflitos de terra, indígenas mortos por ação ou omissão do Estado, pessoas torturadas, cassadas, exiladas, demitidas 1 2 3.

O número mais citado, 434, é a lista de mortos e desaparecidos confirmados pela Comissão Nacional da Verdade. A própria CNV adverte que ele "certamente não" corresponde ao total, só aos casos que conseguiu comprovar 1. Este explicador mostra de onde vem cada número, o que ele inclui e exclui, e por que somar números de universos diferentes produz um resultado errado.

Resposta curta

Explicação conceitual
  • Mortos e desaparecidos políticos com nome e caso comprovado (CNV): 434 1.
  • Indígenas mortos (estimativa da CNV, dez povos, 1946–1988): ao menos 8.350 2.
  • Camponeses e apoiadores mortos e desaparecidos (SDH, 1961–1988): 1.196 casos estudados 3.
  • Pessoas que denunciaram tortura na Justiça Militar (Brasil: nunca mais, 1964–1979): ao menos 1.843 4.
  • Punidos com cassação, perda de direitos, aposentadoria ou demissão (1964–1973): 4.841 5.
  • Militares perseguidos (CNV): 6.591 6.
  • Pedidos à Comissão de Anistia (2001–2024): mais de 80 mil, cerca de 40 mil deferidos 7.

Cada linha é um universo diferente. Não some.

A lista da Comissão Nacional da Verdade: 434

Conclusão de comissãoEvidência empírica

O que é. O volume III do relatório da CNV traz o perfil individual de 434 pessoas: 191 mortos, 210 desaparecidos e 33 desaparecidos cujos restos foram localizados depois 1. Ver Qual a diferença entre morto e desaparecido político? para as categorias.

Como foi construída. O universo de casos foi consolidado em 2013 com grupos de familiares de mortos e desaparecidos, a partir das listas da CEMDP, do Dossiê ditadura e de pesquisas em processos do STM, arquivos dos DOPS, institutos médico-legais e acervos do exterior 8. A CNV examinou a fundo as conclusões da CEMDP, mas foi além dela em dois pontos: reclassificou como desaparecimento casos antes tratados como morte e deixou de exigir prova de que a vítima militava politicamente, o que permitiu incluir trabalhadores rurais, indígenas e religiosos 9.

Limites. A CNV aponta como principal obstáculo a falta de acesso à documentação das Forças Armadas, "oficialmente dada como destruída", e registra que os textos sobre camponeses e indígenas do volume II descrevem "expressivo número de vítimas" que não estão na lista 1. Reportagem de 2024 registra que só 41 camponeses figuram entre os 434 10. O número mede, portanto, casos comprovados individualmente com documentação mínima, não a violência total.

A Lei 9.140 e a CEMDP: 136 + 221

Fatos documentadosConclusão de comissão

A Lei 9.140/1995 reconheceu, no seu Anexo I, 136 desaparecidos listados num dossiê de familiares; um nome foi excluído depois por se comprovar morte natural 11 12. Em 11 anos, a CEMDP recebeu processos referentes a 475 casos: além dos 136 do anexo, analisou 339, dos quais deferiu 221 e indeferiu 118 11.

Limites. A lei exigia que a vítima tivesse participado ou sido acusada de participar de atividades políticas e que a família apresentasse requerimento dentro de prazos curtos, depois reabertos 12 13 14. Muitas famílias, sobretudo no campo, nunca souberam da lei ou não puderam provar a motivação política. Por isso a CEMDP reconheceu cerca de 357 casos e a CNV, 434: a diferença vem de critérios mais amplos e de investigação própria, não de "inflação" de números 9.

O Dossiê dos familiares

Resultado de pesquisa

A primeira lista de mortos e desaparecidos foi feita pelos próprios familiares. Preparada em 1979 para a comissão mista do Congresso sobre a anistia, teve versão publicada em 1984 pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e foi revista e ampliada até a 2ª edição do Dossiê ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985), de 2009, organizada pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e pelo IEVE, que acrescentou 69 pessoas à edição anterior 9 15 16. Segundo a CNV, "grande parte do que se conhece" sobre o tema vem dessa busca 15. O total exato de nomes da edição de 2009 não foi conferido nesta redação.

Camponeses: 1.196 casos estudados (e por que o escopo é outro)

Resultado de pesquisaEvidência empírica

O relatório Camponeses mortos e desaparecidos: excluídos da Justiça de Transição, coordenado por Gilney Amorim Viana e publicado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência em 2013, estudou 1.196 casos de camponeses e apoiadores (advogados, religiosos) mortos e desaparecidos entre 1961 e 1988, a partir de registros da Contag, da Comissão Pastoral da Terra, do MST e da própria SDH 3.

O escopo é diferente do da CNV:

  • Inclui mortes por agentes privados (fazendeiros, grileiros, pistoleiros) quando há indício de cumplicidade ou omissão do Estado; entre os 602 casos selecionados para reconhecimento, 131 tiveram participação de agentes do Estado e 471 de agentes privados.
  • Cobre também a transição: 432 dos 1.196 casos são de 1979–1985 e 436 de 1985–1988, depois do fim da ditadura.
  • Inclui 193 casos não identificados nominalmente.
  • Usa conceito amplo de camponês (assalariados rurais e extrativistas) e exclui indígenas e garimpeiros 3.

O estudo constatou que apenas 51 dos 1.196 casos chegaram a apresentar requerimento à CEMDP 3. Em 2024, nova pesquisa do mesmo autor, então inédita, falava em 1.654 camponeses mortos ou desaparecidos de 1964 a 1988 10. A CNV usou a lista da SDH em seu texto sobre camponeses 17.

Indígenas: ao menos 8.350, em dez povos

Conclusão de comissãoEvidência empírica

O texto 5 do volume II da CNV estimou ao menos 8.350 indígenas mortos entre 1946 e 1988 "em decorrência da ação direta de agentes governamentais ou da sua omissão", massacres, remoções forçadas, epidemias levadas por obras e frentes de colonização sem atendimento de saúde. A cifra inclui apenas dez povos: Tapayuna (cerca de 1.180), Parakanã (118), Araweté (72), Arara (mais de 14), Panará (176), Waimiri-Atroari (2.650), Cinta-Larga (3.500), Xetá (192), Yanomami (no mínimo 354) e Xavante de Marãiwatsédé (85). A CNV afirma que o número real "deve ser exponencialmente maior" e que não ousou estimar outros casos, como os dos Guarani e Kaiowá 2.

Por que não entra nos 434. A estimativa é coletiva (por povo), não nominal, cobre período maior que a ditadura e inclui mortes por omissão. Ver Povos indígenas e a ditadura (1964–1985).

Presos e torturados

Evidência empíricaDocumento de época

O projeto Brasil: nunca mais copiou processos da Justiça Militar de abril de 1964 a março de 1979. A CNV registra 707 casos com 7.367 acusados em processos criminais e 10.034 em inquéritos policiais, em cerca de 1 milhão de páginas 9; o portal BNM Digital fala em 710 processos e cerca de 850 mil páginas 18. Nesses autos, ao menos 1.843 pessoas denunciaram torturas, num total de 6.016 denúncias 4.

Limites. Só aparece quem foi processado e conseguiu denunciar diante de um juiz militar. Muitos foram coagidos ou orientados a calar, juízes proibiram a transcrição de relatos, e houve tortura de pessoas nunca processadas, camponeses no Araguaia, por exemplo. A CNV cita a estimativa do PNDH-3, de cerca de 20 mil torturados, e conclui que contagens por denúncia formal "sempre" subestimam o total 4.

Cassados, expurgados, exilados e militares perseguidos

Evidência empírica
  • Punidos (1964–1973): inventário de Marcus Figueiredo, citado pela CNV, conta 4.841 pessoas punidas com perda de direitos políticos, cassação, aposentadoria ou demissão; 513 mandatos cassados; 3.783 servidores aposentados ou demitidos; 1.313 militares expulsos 5.
  • Militares perseguidos: o volume II chega a 6.591 (oficiais e praças das três Forças e das polícias estaduais), com base no Brasil: nunca mais, arquivos e listas de entidades; somando cerca de mil perseguidos entre 1946 e 1964, segundo testemunhos, seriam 7.591 6.
  • Exilados: documento do SNI registra 2.692 exilados em 1979; a CNV considera que o número "não reflete a realidade" 6.
  • Banidos: 130 presos foram banidos nas quatro trocas por diplomatas sequestrados (15, 5, 40 e 70) entre 1969 e 1971 19 5.
  • Beneficiados pela Lei de Anistia de 1979: 4.650 pessoas 5.

Note que 1.313 e 6.591 são ambos números de "militares atingidos", mas medem coisas diferentes (expulsão em 1964–1973 versus perseguição em sentido amplo até os anos 1980).

Anistiados: a Comissão de Anistia

Fatos documentadosEvidência empírica

A Comissão de Anistia, regulada pela Lei 10.559/2002, analisa pedidos de reparação de pessoas atingidas por atos de exceção entre 1946 e 1988, prisões, tortura, demissões, expurgos estudantis, clandestinidade, exílio, monitoramento 9. Até setembro de 2014, havia apreciado cerca de 62 mil requerimentos e deferido cerca de 35 mil 9. Segundo a Agência Brasil, até dezembro de 2024 havia recebido mais de 80 mil pedidos desde 2001, com cerca de 40 mil deferidos, 31 mil indeferidos e mais de 5 mil arquivados 7.

Limites. É um registro administrativo de pedidos, não um censo de vítimas: depende de iniciativa e documentação de quem pede, inclui perseguições de natureza muito diversa (de demissão a tortura) e cobre período maior que a ditadura.

O que significa "pelo menos" e por que os números mudam

Explicação conceitual

"Pelo menos" é um piso documentado. Quando a CNV diz "ao menos 8.350 indígenas" ou o Brasil: nunca mais diz "ao menos 1.843 torturados", significa: estes casos estão comprovados com o método e as fontes disponíveis; o total real é maior e desconhecido. Não é uma estimativa do total, nem um teto 2 4.

Os números mudam porque:

  1. Novos documentos aparecem, arquivos estaduais, documentos estrangeiros desclassificados, processos antes inacessíveis.
  2. Restos são identificados, um desaparecido identificado muda de subcategoria (de "desaparecido" para "desaparecido com restos localizados"), sem deixar de ser vítima 20 21.
  3. Os critérios mudam, a Lei 9.140 exigia militância política e um período até 1979; leis posteriores e a CNV ampliaram período e critérios 13 14 9.
  4. Pesquisas recortam universos diferentes, o estudo sobre camponeses de 2013 trabalhou com 1.196 casos; a nova pesquisa de 2024 fala em 1.654 3 10.
  5. Arquivos militares continuam fechados ou dados como destruídos, o que impede fechar a conta 1.

Variações assim não indicam que os números sejam "inventados": indicam que a pesquisa continua, como em qualquer investigação de crimes que o próprio Estado tentou ocultar.

Por que não se somam

Explicação conceitual

Somar 434 + 8.350 + 1.196 + 1.843 daria um número sem sentido, por quatro razões:

  1. Sobreposição de pessoas. Um camponês morto pode estar na lista da SDH e na da CNV; um desaparecido foi antes torturado e, às vezes, banido; um militar expulso pode ter sido depois exilado e anistiado 20.
  2. Natureza diferente. Alguns números são listas nominais (434), outros estimativas por povo (8.350), outros contagens de denúncias (1.843) ou de pedidos administrativos (80 mil).
  3. Períodos diferentes. 1964–1979 (Brasil: nunca mais), 1946–1988 (CNV, indígenas; Comissão de Anistia), 1961–1988 (Lei 9.140 após 2002; estudo dos camponeses).
  4. Autores diferentes. Os 1.196 casos de camponeses incluem mortes por agentes privados; a lista da CNV trata de agentes do Estado ou a seu serviço.

O correto é apresentar cada número com seu universo, como na tabela abaixo. Ver também Violações de direitos humanos na ditadura (1964–1985).

Comparações

Tabelas resumem tendências gerais; cada linha simplifica debates que o texto detalha. Classificações sobrepostas não são exclusivas.

Os principais números sobre vítimas da ditadura: o que medem
CritérioNúmeroFonte e métodoPeríodoLimites
Mortos e desaparecidos políticos (CNV)434 (191 mortos; 210 desaparecidos; 33 desaparecidos com restos localizados depois)Lista nominal; casos comprovados individualmente (vol. III do relatório)1946–1988, concentrada em 1964–1985Não é o total; arquivos militares inacessíveis; poucos camponeses e indígenas
Desaparecidos no Anexo da Lei 9.140136 (um excluído depois)Lista nominal elaborada a partir do dossiê de familiares1961–1979Só desaparecidos; não inclui mortos
Casos deferidos pela CEMDP221 (de 339 analisados; 118 indeferidos)Requerimento de familiares; exigência de motivação política1961–1988 (após 2002)Depende de iniciativa da família e de prazos
Camponeses e apoiadores mortos e desaparecidos (SDH)1.196 casos estudados; 602 selecionadosRegistros de Contag, CPT, MST e SDH; inclui agentes privados1961–1988Inclui transição e casos não identificados; não é lista oficial de reconhecimento
Indígenas mortos (CNV, vol. II)ao menos 8.350Estimativa por povo (dez povos), ação direta ou omissão do Estado1946–1988Piso; outros povos não estimados
Denúncias de tortura (Brasil: nunca mais)ao menos 1.843 pessoas; 6.016 denúnciasProcessos da Justiça Militar que chegaram ao STM1964–1979Só processados que conseguiram denunciar
Punidos por atos de exceção (Marcus Figueiredo, via CNV)4.841Inventário de cassações, perdas de direitos, aposentadorias e demissões1964–1973Não cobre o período posterior a 1973
Militares perseguidos (CNV, vol. II)6.591Diagnóstico a partir do BNM, arquivos e listas de entidades1964 até os anos 1980Pode ser ampliado; critério amplo de perseguição
Exilados registrados pelo SNI2.692Documento do SNI1979Subestimado segundo a CNV
Pedidos à Comissão de Anistiamais de 80 mil; cerca de 40 mil deferidosRegistro administrativo de requerimentosatos de 1946–1988; pedidos de 2001 a 2024Não é censo de vítimas; inclui perseguições diversas

Os universos se sobrepõem e foram construídos com métodos e períodos diferentes: os valores não devem ser somados. Fontes: Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 18: Conclusões e recomendações, Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Camponeses mortos e desaparecidos: excluídos da Justiça de Transição, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II (textos temáticos), Texto 5: Violações de direitos humanos dos povos indígenas, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 9: Tortura, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 3: Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II (textos temáticos), Texto 1: Violações de direitos humanos no meio militar, Comissão de Anistia já analisou 97% de mais de 80 mil pedidos.

Indicadores

Cada número traz fonte, série, unidade, período e limitações. Números de séries ou universos diferentes não se comparam nem se somam.

IndicadorValorPeríodoFonte e sérieLimitações
Mortos e desaparecidos políticos confirmados pela CNV434 pessoas (lista nominal)1946–1988, concentrada em 1964–1985Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 18: Conclusões e recomendações191 mortos; 210 desaparecidos; 33 desaparecidos com restos localizados depoisCasos com comprovação possível; não é o total; poucos camponeses (41, segundo reportagem de 2024) e indígenas.
Desaparecidos reconhecidos no Anexo I da Lei 9.140/1995136 pessoas1961–1979Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos PolíticosUm nome excluído depois (morte natural). Só desaparecidos.
Casos deferidos pela CEMDP além do Anexo221 casosanálise até 2006Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos339 analisados, 118 indeferidos; exige requerimento familiar e motivação política.
Camponeses e apoiadores mortos e desaparecidos (casos estudados)1.196 casos1961–1988Camponeses mortos e desaparecidos: excluídos da Justiça de TransiçãoInclui agentes privados, a transição (868 casos em 1979–1988) e 193 casos não identificados.
Indígenas mortos (estimativa)ao menos 8.350 pessoas1946–1988Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II (textos temáticos), Texto 5: Violações de direitos humanos dos povos indígenasDez povos; ação direta ou omissão; real muito maior.
Pessoas que denunciaram tortura na Justiça Militarao menos 1.843 pessoas1964–1979Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 9: Tortura6.016 denúnciasSó processados que conseguiram denunciar; subestima.
Militares perseguidos6.591 pessoas1964 até os anos 1980Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II (textos temáticos), Texto 1: Violações de direitos humanos no meio militarDiagnóstico ampliável; difere dos 1.313 militares expulsos em 1964–1973.
Pedidos à Comissão de Anistiamais de 80 mil (cerca de 40 mil deferidos) requerimentos2001 a dezembro de 2024Comissão de Anistia já analisou 97% de mais de 80 mil pedidosRegistro administrativo; não é censo de vítimas.

No portal Ditaduras no Brasil

Ditadura de 1964–1985 · Transição e Nova República (1985–) · Nacional

Vítimas e sobreviventesDebates e perguntasMemória, verdade e justiçaComece aquiCampo e conflitos agráriosPovos indígenas

Cronologia

  1. 1979

    Familiares preparam o primeiro dossiê de mortos e desaparecidos para a comissão mista da anistia.15

  2. 1984

    Assembleia Legislativa do RS publica o Dossiê dos mortos e desaparecidos.15

  3. 1985

    Publicação do Brasil: nunca mais (1.843 pessoas denunciaram tortura nos processos).18

  4. 4 de dezembro de 1995

    Lei 9.140 reconhece 136 desaparecidos.12

  5. 2006

    CEMDP conclui a análise de 339 casos (221 deferidos).11

  6. 2009

    2ª edição do Dossiê ditadura, com 69 pessoas a mais.9

  7. 2013

    SDH publica estudo com 1.196 casos de camponeses mortos e desaparecidos.3

  8. setembro de 2014

    Comissão de Anistia soma cerca de 62 mil requerimentos apreciados.9

  9. 10 de dezembro de 2014

    CNV confirma 434 mortos e desaparecidos e estima ao menos 8.350 indígenas mortos.1

  10. 21 de março de 2024

    Divulgada pesquisa com 1.654 camponeses mortos ou desaparecidos (1964–1988).10

  11. dezembro de 2024

    Comissão de Anistia ultrapassa 80 mil pedidos recebidos desde 2001.7

Bibliografia comentada

  • Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 18: Conclusões e recomendações (2014)

    A conclusão [1] do relatório da CNV é a fonte dos números 434/191/210/33 e da advertência de que não são o total.

  • Gilney Amorim Viana (coord.); Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Camponeses mortos e desaparecidos: excluídos da Justiça de Transição (2013)

    Estudo que mostra a exclusão dos camponeses das políticas de reparação, com listas nominais e explicação detalhada de critérios, leitura indispensável para entender por que a lista oficial é tão menor que a violência no campo.

  • Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II (textos temáticos), Texto 5: Violações de direitos humanos dos povos indígenas (2014)

    O texto sobre povos indígenas explica a estimativa de 8.350 mortos, povo a povo, e seus limites.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 18: Conclusões e recomendações. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Cap. 18, pp. 961–976. Conclusões [1] a [4] (434 mortos e desaparecidos: 191 mortos, 210 desaparecidos, 33 desaparecidos com restos localizados depois; política de Estado; crimes contra a humanidade; persistência) e 29 recomendações.
  2. 2Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II (textos temáticos), Texto 5: Violações de direitos humanos dos povos indígenas. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Vol. II, texto 5, pp. 203–263. Estimativa de ao menos 8.350 indígenas mortos (1946–1988) em dez povos estudados (nota 2 do texto).
  3. 3Gilney Amorim Viana (coord.); Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Camponeses mortos e desaparecidos: excluídos da Justiça de Transição. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Brasília, 2013.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado em cópia no Marxists Internet Archive (que indica como origem o repositório do Fórum Verdade da UFPR). Edição e ano conforme a referência do vol. II da CNV (texto 3, nota 7). Introdução, itens 1–7 e tabela 01: 1.196 casos estudados (1961–1988), 602 selecionados, 51 com requerimento à CEMDP.
  4. 4Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 9: Tortura. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Cap. 9, pp. 327–397. Caráter massivo e sistemático; números do Brasil: nunca mais (1.843 pessoas, 6.016 denúncias); estimativa do PNDH-3 (cerca de 20 mil).
  5. 5Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 3: Contexto histórico das graves violações entre 1946 e 1988. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Cap. 3, pp. 85–109. Linha do tempo; balanço de cassações (Marcus Figueiredo, citado por José Murilo de Carvalho); sequestros e trocas de presos; Lei de Anistia.
  6. 6Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II (textos temáticos), Texto 1: Violações de direitos humanos no meio militar. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Vol. II, texto 1, pp. 11–55. Diagnóstico de 6.591 militares perseguidos; SNI registra 2.692 exilados em 1979.
  7. 7Gésio Passos (Radioagência Nacional / Agência Brasil, EBC). Comissão de Anistia já analisou 97% de mais de 80 mil pedidos. Agência Brasil, Radioagência Nacional (14/4/2025), 2025.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Dados até dezembro de 2024: mais de 80 mil pedidos desde 2001; cerca de 40 mil deferidos, 31 mil indeferidos, mais de 5 mil arquivados.
  8. 8Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 2: As atividades da CNV. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Cap. 2, pp. 47–81. Inclui o relacionamento com o Ministério da Defesa e as Forças Armadas (sindicâncias de 2014) e a definição da lista de vítimas com os familiares.
  9. 9Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 1: A criação da Comissão Nacional da Verdade. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Cap. 1, pp. 19–45 (numeração do índice do volume). Antecedentes: CEMDP, Lei 9.140/1995 e alterações, Comissão de Anistia (Lei 10.559/2002), Brasil: nunca mais, Dossiê ditadura.
  10. 10Agência Pública. 60 anos do golpe militar: estudo aponta 1.654 camponeses mortos e desaparecidos na ditadura. Agência Pública (21/3/2024), 2024.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Reportagem sobre estudo então inédito de Gilney Viana (UnB), 'A resistência camponesa à ditadura militar', cobrindo de 1964 a 1988.
  11. 11Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP); Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Direito à memória e à verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Brasília, 2007.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]PDF integral consultado em espelho do Marxists Internet Archive (não no portal oficial). ISBN impresso na ficha: 978-85-60877-00-3. Cap. 4: 475 casos em 11 anos; 136 no Anexo da Lei; dos 339 restantes, 221 deferidos e 118 indeferidos.
  12. 12Brasil. Lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995 (texto compilado). Presidência da República, Planalto, 1995.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Reconhece como mortas as pessoas do Anexo I e cria a CEMDP. Texto compilado com as redações das Leis 10.536/2002 e 10.875/2004. O Anexo I (lista nominal) é arquivo separado, não aberto nesta redação.
  13. 13Brasil. Lei nº 10.536, de 14 de agosto de 2002. Presidência da República, Planalto, 2002.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Amplia o período da Lei 9.140/1995 até 5 de outubro de 1988.
  14. 14Brasil. Lei nº 10.875, de 1º de junho de 2004. Presidência da República, Planalto, 2004.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Inclui mortes em manifestações públicas ou conflitos armados com agentes públicos e suicídios na iminência de prisão ou por sequelas de tortura entre os casos reconhecíveis pela CEMDP.
  15. 15Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 11: Execuções e mortes decorrentes de tortura. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Cap. 11, pp. 437–497. Falsos confrontos, falsas versões de suicídio, mortes em manifestações, chacinas; percentuais das versões falsas de morte.
  16. 16Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos; Instituto de Estudos sobre a Violência do Estado (IEVE), org. Crimeia Schmidt et al.. Dossiê ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985). Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (2ª ed.), São Paulo, 2009.[Historiografia · referência bibliográfica]Referência conforme o vol. I da CNV (cap. 1, notas 8 e 13; cap. 11, nota 29), que registra a origem em 1979, a versão de 1984 da Assembleia Legislativa do RS e o acréscimo de 69 pessoas na 2ª edição. Obra não aberta nesta redação; o total de nomes não foi conferido.
  17. 17Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. II (textos temáticos), Texto 3: Violações de direitos humanos dos camponeses. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Vol. II, texto 3, pp. 91–153. Período 1946–1988; trabalha com a lista de camponeses mortos e desaparecidos da SDH (2013).
  18. 18Ministério Público Federal e parceiros. Brasil: Nunca Mais Digital. MPF.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]Portal do acervo digital. Informa cerca de 850 mil páginas de processos do STM e 710 processos (a CNV fala em 707 processos completos e dezenas de incompletos). Relatório e livro de 1985.
  19. 19Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 6: Conexões internacionais, a aliança repressiva no Cone Sul e a Operação Condor. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Cap. 6, pp. 219–273. Inclui o caso de presos banidos para o México em troca do embaixador dos EUA (1969).
  20. 20Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório da Comissão Nacional da Verdade, vol. I, Capítulo 12: Desaparecimentos forçados. Comissão Nacional da Verdade, Brasília, 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Cap. 12, pp. 499–591. 243 desaparecidos (1964–1985), 33 com restos identificados depois; vala de Perus (1.049 ossadas); identificações de 1991–2008.
  21. 21ABC do ABC. CEMDP anuncia duas identificações de desaparecidos políticos enterrados na Vala de Perus. ABC do ABC (15/4/2025), 2025.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Anúncio de 16/4/2025: Grenaldo de Jesus da Silva e Denis Casemiro; análise genética com laboratório da Comissão Internacional sobre Pessoas Desaparecidas (ICMP); Dimas Antônio Casemiro identificado em 2018.

Rede de relações

Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.

Compartilhe

Peças para as redes

Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.

Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
1.755 palavras · 21 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisa: CNV vol. I (caps. 1, 2, 3, 9, 11, 12, 18) e vol. II (textos 1, 3 e 5) em PDF; livro da CEMDP (2007); relatório da SDH sobre camponeses (2013), lido em cópia no Marxists Internet Archive; reportagens da Agência Pública (2024) e da Agência Brasil (2025); portal BNM Digital. Pendências: (1) conferir o total de nomes do Dossiê ditadura (2009) e se a lista dos familiares hoje difere da CNV; (2) confirmar, em fonte primária da Comissão de Anistia/MDHC, os números exatos de pedidos e deferimentos com data de corte; (3) conferir a contagem de 41 camponeses entre os 434 (dado de reportagem); (4) verificar se a pesquisa de 1.654 camponeses já foi publicada; (5) incluir, se houver fonte confiável, estimativas do número total de presos políticos e de exilados.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

Encontrou um erro? Escreva pela página de correções citando o verbete e a seção. Correções ficam registradas neste histórico.

Como citar: Quantas foram as vítimas da ditadura? Como se constroem os números. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/quantas-foram-as-vitimas-da-ditadura.

Continue explorando

Preferências de leitura
Tamanho do texto
Fonte