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OrganizaçãoPublicado

Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Fundado em 1922 como Partido Comunista do Brasil

Partido fundado em março de 1922 em Niterói, filiado à Internacional Comunista. Viveu a maior parte do século XX na ilegalidade, teve breve legalidade em 1945–1947, sofreu cisões em 1962 e 1967–68, e em 1992 a maioria criou o PPS; outro grupo manteve o PCB.

Também: Partido Comunista do Brasil (1922–1961) · PCB · Partidão · Seção Brasileira da Internacional Comunista

Nove homens posam em dois planos, seis em pé e três sentados, em fotografia de 1922.
Autoria desconhecida, 1922-03. Domínio público.

Índice e ficha
Sigla
PCB
Natureza
partido político comunista
Fundação
25 de março de 1922, Niterói (RJ)
Países
Brasil
Período
1922–presente
Área
Comunismo
Regiões
Brasil
Temas
Partido e organização, Movimento operário e sindical, Repressão, violência política e direitos, Estado, poder e democracia

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi fundado em março de 1922 com o nome de Partido Comunista do Brasil, como seção da Internacional Comunista 1. Durante quase sete décadas foi o principal partido comunista do país: teve breve existência legal em 1945–1947, elegeu uma bancada constituinte e um senador, e passou o restante do tempo na clandestinidade.

Em 1961 adotou o nome atual. Sofreu cisões que deram origem ao PCdoB (1962) e a organizações armadas nos anos 1960; foi duramente reprimido na ditadura, legalizado em 1985 e, em 1992, teve a maioria de seus delegados aprovando sua transformação em Partido Popular Socialista (PPS). Militantes que recusaram a mudança mantiveram o PCB, que tem registro no TSE desde 1996 1 2.

Fundação (1922)

Fatos documentados

O congresso de fundação ocorreu de 25 a 27 de março de 1922, em Niterói, por iniciativa do Grupo Comunista de Porto Alegre e de núcleos de outras cidades. Segundo o DHBB, estiveram presentes nove delegados: Abílio de Nequete (Porto Alegre), Astrojildo Pereira (Rio de Janeiro), Cristiano Cordeiro (Recife), Hermogênio Silva (Cruzeiro-SP), João da Costa Pimenta (São Paulo), Joaquim Barbosa, José Elias da Silva, Luís Peres (Rio de Janeiro) e o alfaiate espanhol Manuel Cendón. O partido contava então 73 membros 1. A fotografia do grupo identifica os mesmos nove nomes 3.

Vários fundadores vinham do anarquismo e do sindicalismo. A adesão à Internacional Comunista foi inicialmente aceita apenas de forma provisória, como "partido simpatizante", após o IV Congresso da Internacional (fim de 1922), e confirmada no V Congresso, em Moscou, em 1924 1.

Bloco Operário e Camponês e a virada dos anos 1930

Fatos documentados

Em 1927 o partido criou o Bloco Operário, depois Bloco Operário e Camponês (BOC), que elegeu o deputado federal Azevedo Lima. A "Lei Celerada", de agosto de 1927, pôs fim à atuação legal. Em 1928 o BOC elegeu como vereadores no Distrito Federal Otávio Brandão e Minervino de Oliveira 1; este último seria candidato à Presidência em 1930 4.

No início dos anos 1930, sob a orientação da Internacional, o partido adotou uma linha de "proletarização" que afastou intelectuais. A adesão de Luís Carlos Prestes, recusada em 1931, foi aceita em agosto de 1934 5.

ANL e levantes de 1935

Fatos documentados

O PCB liderou a Aliança Nacional Libertadora, fundada em março de 1935 e fechada pelo governo em julho. Em novembro, organizou os levantes de Natal, Recife e Rio de Janeiro, rapidamente derrotados 1 6. A repressão que se seguiu desmantelou a direção e levou à prisão de Prestes e de Olga Benario em março de 1936 5. Ver Levante comunista de 1935.

Legalidade (1945–1947) e cassação

Fatos documentados

Com a anistia de 1945, o PCB obteve registro definitivo no TSE em 10 de novembro de 1945. Na eleição de 2 de dezembro, lançou à Presidência Iedo Fiúza, que teve cerca de 569 mil votos, e elegeu 14 deputados e o senador Prestes para a Constituinte. Em 1947 elegeu 46 deputados estaduais e 18 vereadores no Distrito Federal 1.

O TSE cancelou o registro em 7 de maio de 1947, por 3 votos a 2; o ministro da Justiça determinou o fechamento das sedes em 10 de maio. Em 7 de janeiro de 1948, a Câmara aprovou por 169 votos a 74 a extinção dos mandatos dos parlamentares eleitos pela legenda 1.

Declaração de Março, novo nome e cisão de 1962

Fatos documentados

Depois do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (1956) e das denúncias contra Stalin, o PCB atravessou uma crise interna. Em agosto de 1957, o comitê central afastou da comissão executiva Diógenes Arruda, João Amazonas e Maurício Grabois; Carlos Marighella passou a ser o segundo nome do partido 1.

A Declaração de Março de 1958 rompeu com o programa do IV Congresso: a revolução brasileira seria, naquela etapa, anti-imperialista e antifeudal, e poderia seguir um caminho pacífico, por meio de uma frente única com o movimento nacionalista. O V Congresso (agosto de 1960) confirmou a orientação 1.

Em agosto de 1961 uma conferência nacional mudou o nome para Partido Comunista Brasileiro, mantendo a sigla, para facilitar a legalização. Os dirigentes que se opunham à nova linha foram expulsos e, em fevereiro de 1962, fundaram o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) 1 7.

Ditadura militar (1964–1985)

Fatos documentados

O golpe de 1964 levou o PCB de volta à plena clandestinidade. O partido manteve a recusa à luta armada, o que provocou novas rupturas: em 1967, Carlos Marighella foi expulso e criou a ALN, e outro grupo de dissidentes formou o PCBR; estudantes do partido no Rio originaram a Dissidência da Guanabara, base do MR-8 8 9 10.

Mesmo sem aderir à guerrilha, o PCB foi alvo de uma ofensiva dos órgãos de segurança em 1974–1976, conhecida como Operação Radar, que desapareceu com vários dirigentes do comitê central, entre eles David Capistrano, Walter de Souza Ribeiro, João Massena Melo, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Elson Costa e Hiram de Lima Pereira 11. Esses casos foram depois reconhecidos como de responsabilidade do Estado 11. Em 1971, Prestes deixou o país por decisão do comitê central 5.

Ruptura com Prestes, legalização e PPS

Fatos documentados

De volta ao Brasil após a anistia de 1979, Prestes entrou em choque com a maioria do comitê central; em março de 1980 publicou a Carta aos comunistas, em maio perdeu o cargo de secretário-geral para Giocondo Dias e, em 1984, foi excluído do partido 5.

O PCB foi legalizado em 1985 7 e obteve registro definitivo em 7 de março de 1990 5. Em 1992, depois do fim da União Soviética, a maioria do partido aprovou sua transformação em Partido Popular Socialista (PPS) 1.

O PCB após 1992

Fatos documentadosDebate em aberto

Militantes contrários à transformação em PPS mantiveram o nome e a sigla e reorganizaram o partido. O PCB atual tem registro deferido pelo TSE em 9 de maio de 1996 e usa o número 21 2.

A herança de 1922 é disputada: o PPS apresentou-se como continuidade do PCB; o PCB atual reivindica a mesma origem; e o PCdoB, fundado em 1962 com o nome original do partido, também data sua história de 1922. Este verbete registra a disputa sem arbitrá-la.

Imprensa e fontes documentais

Fatos documentados

O verbete do DHBB sobre o PCB, com extensa cronologia, é a principal referência de síntese 1. Documentos do partido estão dispersos em acervos como o Arquivo Edgard Leuenroth (Unicamp), o Arquivo Nacional, os fundos do DEOPS e o arquivo da Internacional Comunista em Moscou (RGASPI). A abertura deste último nos anos 1990 alimentou pesquisas sobre 1935 12.

Cronologia

  1. 25 de março de 1922

    Início do congresso de fundação, em Niterói (até 27/3).1

  2. 1924

    Admissão plena na Internacional Comunista (V Congresso).1

  3. 1927

    Criação do Bloco Operário; Lei Celerada encerra a atuação legal em agosto.1

  4. agosto de 1934

    Luís Carlos Prestes é admitido no partido.5

  5. novembro de 1935

    Levantes de Natal, Recife e Rio de Janeiro.1

  6. 10 de novembro de 1945

    Registro definitivo no TSE.1

  7. 7 de maio de 1947

    TSE cancela o registro do partido (3 votos a 2).1

  8. 7 de janeiro de 1948

    Câmara aprova a extinção dos mandatos comunistas (169 a 74).1

  9. março de 1958

    Declaração de Março.1

  10. agosto de 1961

    Mudança do nome para Partido Comunista Brasileiro.1

  11. fevereiro de 1962

    Dissidentes fundam o PCdoB.7

  12. 1967

    Expulsão de Marighella e de outros dissidentes.8

  13. maio de 1980

    Prestes perde a secretaria-geral, assumida por Giocondo Dias.5

  14. maio de 1985

    Legalização do PCB e do PCdoB.7

  15. 7 de março de 1990

    Registro definitivo na Justiça Eleitoral, no dia da morte de Prestes.5

  16. 1992

    Maioria cria o Partido Popular Socialista (PPS).1

  17. 9 de maio de 1996

    Deferimento do registro do PCB reorganizado.2

Imagens

Nove homens posam em dois planos, seis em pé e três sentados, em fotografia de 1922.
Fundadores do partido em Niterói, março de 1922. Em pé: Manoel Cendón, Joaquim Barbosa, Astrojildo Pereira, João Jorge da Costa Pimenta, Luís Peres e José Elias da Silva; sentados: Hermogênio Fernandes da Silva, Abílio de Nequete e Cristiano Cordeiro (identificação conforme a página do arquivo).Autoria desconhecida, 1922-03. Origem: Wikimedia Commons (reprodução publicada originalmente no site do PCdoB). Licença: Domínio público. Marcada na Wikimedia Commons como PD-old; fotografia de 1922, de autor desconhecido, publicada há mais de 70 anos (Lei 9.610/1998, art. 44). Imagem retocada (contraste, rotação) por editor da Commons.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Partido Comunista Brasileiro (PCB), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Verbete longo; nesta redação foram conferidos os trechos de 1922 a c. 1961 e as menções a 1962 e 1992.
  2. 2Tribunal Superior Eleitoral. Partidos políticos registrados no TSE.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada em navegador (a página recusa leitores automáticos). Tabela com sigla, nome, data de deferimento e número da legenda.
  3. 3Fundadores do PCB (março de 1922), arquivo na Wikimedia Commons.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]Página do arquivo com identificação dos nove retratados e licença PD-old.
  4. 4Petrônio Domingues. Minervino de Oliveira: um negro comunista disputa a presidência do Brasil. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, n. 101, 2017.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado o resumo do artigo.
  5. 5Alzira Alves de Abreu e Alan Carneiro. Prestes, Luís Carlos, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  6. 6Alzira Alves de Abreu. Aliança Nacional Libertadora (ANL), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  7. 7Partido Comunista do Brasil (PCdoB), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  8. 8Alzira Alves de Abreu. Ação Libertadora Nacional (ALN), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  9. 9Alzira Alves de Abreu. Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  10. 10Alzira Alves de Abreu e Lícia Mascarenhas. Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  11. 11Comissão da Verdade reúne depoimentos sobre desaparecidos do PCB. Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), 2013.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  12. 12William Waack. Camaradas: nos arquivos de Moscou, a história secreta da revolução brasileira de 1935. 1993.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
  13. 13Alzira Alves de Abreu. Revolta Comunista de 1935, verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
1.024 palavras · 13 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoBase: verbete temático do PCB no DHBB (trechos de 1922 a c. 1961 efetivamente lidos), verbetes de Prestes, ANL, PCdoB, ALN, PCBR e MR-8, lista de partidos do TSE e notícia da Alesp sobre desaparecidos do PCB. Pendente: ler o restante do verbete do DHBB (1964–1992) e confirmar VI e VII Congressos; confirmar no relatório da CNV os nomes e datas da Operação Radar; obter fonte primária para a legalização de 1985 (Emenda Constitucional nº 25/1985 e lei correspondente); fonte para a disputa de legado entre PCB, PPS e PCdoB.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Partido Comunista Brasileiro (PCB). In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/pcb.

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