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Debate historiográficoPublicado

Escravidão e capitalismo

Debate historiográfico sobre o lugar da escravidão atlântica na formação do capitalismo

Qual foi o peso da escravidão atlântica, cerca de 12,5 milhões de africanos embarcados, quase 4,9 milhões levados ao Brasil, na formação do capitalismo? Da tese de Eric Williams (1944) à "nova história do capitalismo", passando pela "segunda escravidão" e pelo capitalismo racial.

Também: Tese de Eric Williams · Capitalismo e escravidão · Segunda escravidão · Capitalismo racial · Nova história do capitalismo (New History of Capitalism)

Índice e ficha
Período
debate: 1944–; objeto: séculos XVI–XIX
Área
Capitalismo
Regiões
África, América Latina, Brasil, Caribe, América do Norte, Europa, Internacional
Temas
Economia e organização social, Relações raciais e antirracismo, Anticolonialismo e libertação nacional, Movimento operário e sindical, Teoria e conceitos

A escravidão atlântica, a captura, venda e transporte forçado de africanos e o trabalho escravizado nas Américas, durou mais de três séculos e envolveu Estados, companhias de comércio, traficantes, plantadores, banqueiros, seguradores e consumidores em vários continentes. Ninguém na historiografia séria contesta que se tratou de um sistema de violência extrema. O que se discute é como a escravidão se relacionou com o capitalismo: se foi condição da industrialização europeia, um sistema arcaico que o capitalismo superou, uma parte integrante do capitalismo do século XIX ou uma forma de produção própria, com leis específicas.

Desde a publicação de Capitalism and Slavery, de Eric Williams, em 1944, o debate atravessa a história econômica, a história social, o marxismo e os estudos sobre raça. No Brasil, maior destino isolado do tráfico e último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888, ele se cruza com as interpretações sobre a formação do país, da obra de Caio Prado Júnior à de Jacob Gorender.

Este verbete reúne os dados sobre o tráfico (com suas fontes e limites), as responsabilidades documentadas e as principais interpretações, com seus autores, argumentos e críticas.

A pergunta em disputa

Debate em aberto

O debate tem pelo menos quatro camadas:

  1. Contribuição à industrialização. Os lucros do tráfico e das plantações, o mercado colonial e as matérias-primas produzidas por escravizados (açúcar, algodão, tabaco, café) foram decisivos, importantes ou marginais para a Revolução Industrial britânica e para o crescimento europeu?
  2. Fim da escravidão. A abolição resultou de mudanças econômicas (declínio da lucratividade, interesses industriais) ou de mobilização política, religiosa e da resistência dos próprios escravizados?
  3. Natureza da economia escravista. As economias escravistas das Américas eram capitalistas, pré-capitalistas, ou um modo de produção próprio?
  4. Raça. A hierarquia racial foi um subproduto da escravidão ou um elemento constitutivo do capitalismo?

Os autores respondem a essas perguntas de forma combinada, mas elas são logicamente independentes: é possível, por exemplo, considerar a escravidão muito lucrativa e ao mesmo tempo atribuir a abolição sobretudo à política.

O tráfico atlântico em números

Evidência empíricaFatos documentados

A principal base de dados é o Trans-Atlantic Slave Trade Database (projeto Voyages, hoje SlaveVoyages), organizado a partir dos anos 1990 por David Eltis, David Richardson, Stephen Behrendt e outros, que reúne registros de dezenas de milhares de viagens e produz estimativas para o conjunto do tráfico 1.

  • Embarcados e desembarcados. As estimativas indicam cerca de 12,5 milhões de africanos embarcados para as Américas entre o início do século XVI e meados do XIX, dos quais cerca de 10,7 milhões desembarcaram vivos 1 2. A ferramenta de estimativas apresenta um total de 12.521.337 pessoas embarcadas 3. A diferença, de cerca de 1,8 milhão, corresponde em grande parte às mortes durante a travessia.
  • Por bandeira dos navios. Navios de bandeira portuguesa ou brasileira transportaram cerca de 5,85 milhões de pessoas; britânica, 3,26 milhões; francesa, 1,38 milhão; espanhola (e uruguaia), 1,06 milhão; holandesa, 554 mil; estadunidense, 305 mil; dinamarquesa e báltica, 111 mil 3. O tráfico de bandeira portuguesa respondeu, assim, por quase metade do total.
  • Destinos. O Brasil recebeu quase 4,9 milhões de africanos, segundo o Atlas of the Transatlantic Slave Trade; o Sudeste brasileiro respondeu por 21,5% e a Bahia por 14,7% dos desembarques nas Américas 4 5. Para comparação, cerca de 388 mil africanos foram desembarcados diretamente na América do Norte continental 2.

Limites. São estimativas: parte das viagens é conhecida só indiretamente, e os números são corrigidos à medida que novos registros entram na base. Os dados não incluem as mortes na captura, nas marchas até a costa e na espera nos portos africanos; nem o tráfico interno às Américas; nem os tráficos do Oceano Índico e transaariano, que também foram muito volumosos. Os números de "embarcados" e "desembarcados" não devem ser somados entre si nem com estimativas de outros tráficos.

Quem organizou o tráfico e a escravidão

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

A escravidão atlântica não foi obra de um "sistema" abstrato, mas de agentes identificáveis, cujas responsabilidades a historiografia documenta:

  • Estados. As Coroas de Portugal e Espanha regulamentaram e tributaram o tráfico (no caso espanhol, por contratos de fornecimento, os asientos); Inglaterra, França, Países Baixos e Dinamarca criaram companhias com privilégios e protegeram o comércio com suas marinhas e leis coloniais. Os Estados independentes das Américas mantiveram a escravidão por décadas: o Império do Brasil proibiu o tráfico por lei em 1831, mas tolerou a entrada ilegal de centenas de milhares de africanos até a Lei Eusébio de Queirós, de 1850 6 7.
  • Companhias e traficantes. Companhias privilegiadas (como as companhias das Índias Ocidentais holandesa e francesa e a Royal African Company inglesa) e, sobretudo, comerciantes particulares organizaram as viagens. No Atlântico Sul, como mostrou Luiz Felipe de Alencastro, comerciantes estabelecidos no Rio de Janeiro, em Salvador e em Luanda controlaram boa parte do tráfico, num circuito bilateral entre Brasil e Angola 7. Para João Fragoso, os grandes negociantes do Rio de Janeiro do início do século XIX acumularam fortunas no tráfico e no crédito 8.
  • Elites africanas. Estados e chefes africanos (como o Daomé e diversos reinos da costa e do interior) participaram da captura e da venda, em guerras e redes de comércio que o tráfico ampliou e transformou. Reconhecer essa participação não dilui a responsabilidade dos compradores e dos Estados europeus e americanos que criaram a demanda e a regulamentaram; a historiografia discute o peso relativo de cada lado e os efeitos do tráfico sobre as sociedades africanas, tema central de Walter Rodney.
  • Plantadores e mineradores. Proprietários de engenhos, fazendas de café, algodão e tabaco e de minas compravam escravizados e organizavam o trabalho por meio de violência física, vigilância e separação de famílias.
  • Financiadores e seguradores. Bancos, casas comerciais e seguradoras de portos europeus e americanos financiaram viagens, seguraram cargas humanas e emprestaram a plantadores 9.

No momento da abolição britânica (1833), os proprietários receberam indenização do Estado; os escravizados, não 10. No Brasil, a Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, extinguiu a escravidão sem indenização aos proprietários e sem política de terra ou de integração para os libertos 11.

A tese de Eric Williams (1944)

Interpretação historiográficaFormulação teórica

Eric Williams (1911–1981), historiador de Trinidad formado em Oxford e depois primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, publicou Capitalism and Slavery em 1944, a partir de sua tese de doutorado 12. Segundo a síntese de David Brion Davis, o livro sustenta duas teses principais 13:

  1. o capitalismo mercantil europeu construiu o sistema de plantation escravista, e os lucros do tráfico e das plantações ajudaram a financiar a Revolução Industrial;
  2. o declínio das colônias açucareiras britânicas do Caribe depois da independência dos EUA tornou a escravidão menos interessante para o capital britânico, e a abolição (do tráfico em 1807, da escravidão em 1833) refletiu esse declínio e a ascensão de interesses industriais ligados ao livre comércio.

Williams também criticou a narrativa então dominante, que atribuía a abolição sobretudo à virtude dos abolicionistas britânicos 12. Em Trinidad, ele havia sido aluno de C. L. R. James, autor de The Black Jacobins (1938), sobre a Revolução Haitiana. Na síntese de Guy Emerson Mount, a tese de Williams supõe que o capitalismo substituiu a escravidão quando os excedentes acumulados com ela já haviam financiado a industrialização e o trabalho escravo deixara de ser necessário 14.

A ideia de que o tráfico e a escravidão colonial foram parte da gênese do capitalismo industrial já estava em Marx, que os incluiu entre os momentos da "acumulação primitiva", ao lado da conquista das Américas e da colonização da Ásia 15.

Críticas e revisões da tese de Williams

Debate em abertoEvidência empírica

A partir dos anos 1960, as duas teses foram contestadas:

  • Lucros e industrialização. Historiadores econômicos como Roger Anstey e Stanley Engerman (em artigo de 1972 sobre o tráfico e a formação de capital britânica) estimaram que os lucros do tráfico eram uma fração pequena do investimento britânico da época, insuficiente para "financiar" a industrialização 13 16. Davis resume que os historiadores econômicos passaram a duvidar de que o tráfico ou as plantações tenham fornecido parcela importante do capital da Revolução Industrial, embora a escravidão tenha contribuído para o crescimento europeu 13.
  • Declínio e abolição. Em Econocide (1977), Seymour Drescher usou estatísticas de comércio para mostrar que o comércio com as Índias Ocidentais britânicas crescia no fim do século XVIII e que o sistema escravista estava em expansão antes da lei de 1807; a abolição teria sido, portanto, um "econocídio", contrário aos interesses econômicos. Davis considera que Drescher derrubou parte vital da tese de Williams 10 13. Em obra posterior, Drescher atribuiu o abolicionismo britânico à mobilização popular por petições e à cultura política 13.
  • Lucratividade da escravidão no século XIX. O estudo de Robert Fogel e Stanley Engerman, Time on the Cross (1974), concluiu que a escravidão no Sul dos EUA era muito lucrativa e eficiente, o que, para Guy Emerson Mount, desmonta a premissa de que a escravidão teria acabado por deixar de dar lucro 17 14. O livro foi muito criticado por sua metodologia e por conclusões sobre o tratamento dos escravizados.

Houve também reabilitações parciais. A coletânea organizada por Barbara Solow e Stanley Engerman (1987) reexaminou o legado de Williams 16. O historiador nigeriano Joseph Inikori (2002) argumentou que o trabalho africano nas Américas e o mercado atlântico tiveram papel central no crescimento das exportações e da indústria inglesas, mais pela expansão do comércio do que pelos lucros diretos 18. Robin Blackburn (1997) aceitou que o excedente escravista ajudou a industrialização europeia, mas sustentou que a escravidão esteve entrelaçada com a modernidade de forma mais ampla, o capitalismo não a "substituiu" simplesmente 9 14.

A "segunda escravidão" do século XIX

Interpretação historiográficaFormulação teórica

O historiador estadunidense Dale Tomich propôs, nos anos 1980, o conceito de segunda escravidão: no século XIX, enquanto a escravidão declinava no Caribe britânico e francês, ela se expandiu intensamente em três regiões, o Sul dos EUA (algodão), Cuba (açúcar) e o Brasil (café, sobretudo no Vale do Paraíba e depois no Oeste paulista). Essa expansão não teria sido resquício do passado colonial, mas resposta à demanda criada pela industrialização e pela urbanização na Europa e nos EUA, com novas tecnologias (ferrovias, engenhos a vapor), grandes unidades produtivas e integração ao mercado mundial 19.

A noção permite tratar a escravidão e o capitalismo industrial como partes do mesmo sistema no século XIX, sem afirmar que as fazendas escravistas eram empresas capitalistas idênticas às fábricas. O conceito foi adotado por historiadores brasileiros e latino-americanos para estudar o café e o açúcar, e discutido por quem prefere categorias como "modo de produção escravista" (ver abaixo) 19.

A "nova história do capitalismo" e suas críticas

Debate em abertoInterpretação historiográfica

Nos anos 2010, um grupo de historiadores dos EUA, reunidos sob o rótulo de New History of Capitalism, recolocou a escravidão no centro do capitalismo:

  • Sven Beckert, em Empire of Cotton (2014), reconstruiu a história global do algodão e propôs o conceito de "capitalismo de guerra" para a fase em que expropriação, escravidão e violência estatal abriram terras e mercados; a indústria têxtil britânica e depois a de outros países dependeram do algodão produzido por escravizados nos EUA até a Guerra Civil 20.
  • Edward Baptist, em The Half Has Never Been Told (2014), argumentou que o aumento da produtividade na colheita de algodão no Sul dos EUA resultou de um sistema de cotas e torturas, e que a escravidão teve peso enorme na economia estadunidense antes de 1860 21.

Os historiadores econômicos Alan Olmstead e Paul Rhode publicaram em 2018 uma crítica extensa a esses livros e ao de Walter Johnson: segundo eles, os três autores tratam mal as evidências históricas e distorcem a compreensão do funcionamento das plantações, da importância econômica do algodão e da escravidão e das origens da Revolução Industrial 22. Entre os pontos contestados estão estimativas de Baptist sobre a participação do algodão na economia dos EUA e a atribuição dos ganhos de produtividade principalmente à violência, Olmstead e Rhode, em trabalhos anteriores, deram peso maior à introdução de novas variedades de algodão. Os autores criticados responderam, e a discussão segue aberta; ela opõe também métodos (econometria e séries quantitativas × narrativas e fontes qualitativas) e concepções de capitalismo.

O debate no Brasil

Interpretação historiográficaDebate em aberto

No Brasil, a relação entre escravidão e capitalismo é inseparável das interpretações da formação nacional:

  • Caio Prado Júnior, em Formação do Brasil contemporâneo (1942), definiu o "sentido da colonização" como a produção de gêneros para o mercado europeu, em grandes unidades com trabalho escravo, uma colônia voltada para fora, integrada ao capitalismo comercial 23.
  • Celso Furtado, em Formação econômica do Brasil (1959), analisou o fluxo de renda das economias açucareira, mineira e cafeeira: renda muito concentrada, gasto em importações, ausência de mercado interno de trabalho assalariado e baixa difusão do progresso técnico. A passagem ao trabalho assalariado com a imigração, no café, aparece como condição da formação de um mercado interno 24.
  • Jacob Gorender, em O escravismo colonial (1978), rejeitou tanto a tese de um feudalismo colonial quanto a de um capitalismo colonial e propôs o modo de produção escravista colonial como modo de produção historicamente novo, com leis próprias, como a rigidez da mão de obra escravizada e a necessidade de reposição pelo tráfico 25. A obra dialogava com o debate sobre o caráter da revolução brasileira e com o debate sobre o feudalismo.
  • João Fragoso e outros historiadores da chamada "história econômica fluminense" mostraram, a partir de inventários e registros comerciais, uma acumulação de capital significativa dentro da colônia, concentrada em negociantes de grosso trato que controlavam o tráfico e o crédito, o que relativizou a imagem de uma colônia apenas drenada pela metrópole 8.
  • Luiz Felipe de Alencastro descreveu a formação do Brasil num espaço do Atlântico Sul, com Angola e o Rio de Janeiro ligados pelo tráfico 7.

Historiadores e sociólogos como Clóvis Moura destacaram a resistência escravizada, fugas, quilombos, revoltas, como parte da dinâmica econômica e política da escravidão, e não como episódio marginal.

Capitalismo racial e tradição radical negra

Formulação teóricaDebate em aberto

O cientista político Cedric Robinson (1940–2016), em Black Marxism (1983), propôs a noção de capitalismo racial: o capitalismo teria se desenvolvido a partir de uma civilização europeia já marcada por diferenciações "raciais" internas (entre povos europeus) e teria tendido a aprofundar as diferenças em vez de homogeneizar a classe trabalhadora. Robinson reconstruiu uma "tradição radical negra", com W. E. B. Du Bois, C. L. R. James e Richard Wright, que, segundo ele, o marxismo europeu não conseguia incorporar inteiramente 26.

A expressão ganhou grande circulação depois de 2010. Os debates giram em torno de duas perguntas: se a hierarquia racial é constitutiva do capitalismo (não pode haver capitalismo sem ela) ou historicamente contingente (o capitalismo se apropriou de hierarquias existentes e as reproduz, mas poderia funcionar sem elas); e se o conceito explica algo além do que já explicam as categorias de classe, colonialismo e Estado. Autores marxistas de orientação mais estritamente classista tendem à segunda posição; autores da tradição radical negra, à primeira. No Brasil, a discussão se cruza com os estudos sobre raça e classe, a obra de Clóvis Moura e de Lélia Gonzalez, e com o debate sobre as desigualdades raciais posteriores à abolição.

Estado atual do debate

Debate em aberto

Algumas conclusões são amplamente aceitas: a escravidão atlântica foi altamente lucrativa para muitos dos envolvidos; as economias escravistas estavam integradas ao mercado mundial; o algodão, o açúcar e o café produzidos por escravizados abasteceram a indústria e o consumo europeus e estadunidenses; e a abolição não se explica apenas por cálculos econômicos.

Continuam em disputa o tamanho da contribuição da escravidão ao crescimento industrial (de "condição necessária" a "contribuição modesta"), a classificação das economias escravistas (capitalistas, pré-capitalistas, escravistas coloniais) e o papel da raça na teoria do capitalismo. A forma mais segura de citar o debate é distinguir os dados do tráfico (estimativas com fonte e margem), as responsabilidades documentadas (Estados, companhias, traficantes, plantadores, financiadores) e as interpretações (com autor e método) 3 22 13.

Cronologia

  1. c. 1501

    Primeiros embarques de africanos escravizados registrados com destino às Américas.3

  2. 1807

    Grã-Bretanha proíbe o tráfico de escravizados.10

  3. 1833

    Lei britânica de abolição da escravidão nas colônias, com indenização aos proprietários.10

  4. 4 de setembro de 1850

    Lei Eusébio de Queirós reprime o tráfico de africanos para o Brasil.6

  5. c. 1866

    Últimas viagens registradas do tráfico transatlântico.3

  6. 13 de maio de 1888

    Lei Áurea extingue a escravidão no Brasil.11

  7. 1944

    Eric Williams publica Capitalism and Slavery.12

  8. 1977

    Seymour Drescher publica Econocide.10

  9. 1978

    Jacob Gorender publica O escravismo colonial.25

  10. 1983

    Cedric Robinson publica Black Marxism.26

  11. 2014

    Publicação de Empire of Cotton (Beckert) e The Half Has Never Been Told (Baptist).20

  12. 2018

    Olmstead e Rhode publicam crítica à "nova história do capitalismo".22

Bibliografia comentada

  • Eric Williams. Capitalism and Slavery (1944)

    Clássico que abriu o debate; ler junto às críticas, sobretudo de Drescher e dos historiadores econômicos.

  • Seymour Drescher. Econocide: British Slavery in the Era of Abolition (1977)

    Principal refutação empírica da tese do declínio econômico como causa da abolição britânica.

  • David Eltis; David Richardson. Atlas of the Transatlantic Slave Trade (2010)

    Atlas baseado no banco de dados Voyages; o melhor ponto de partida para números, rotas e destinos do tráfico.

  • Luiz Felipe de Alencastro. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII (2000)

    Reinterpreta a formação do Brasil a partir do Atlântico Sul e do tráfico com Angola.

  • Jacob Gorender. O escravismo colonial (1978)

    Formulação teórica do modo de produção escravista colonial; referência do marxismo brasileiro sobre a escravidão.

  • Dale W. Tomich. Through the Prism of Slavery: Labor, Capital, and World Economy (2004)

    Apresenta o conceito de segunda escravidão e a integração da escravidão oitocentista ao capitalismo industrial.

  • Alan L. Olmstead; Paul W. Rhode. Cotton, slavery, and the new history of capitalism (2018)

    Crítica de historiadores econômicos à "nova história do capitalismo"; essencial para avaliar Beckert e Baptist.

  • Cedric J. Robinson. Black Marxism: The Making of the Black Radical Tradition (1983)

    Obra fundadora da noção de capitalismo racial e da reconstrução da tradição radical negra.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Reportagem sobre a criação do banco de dados Voyages ("Gross Injustice"). Humanities (National Endowment for the Humanities), set./out. 2010, 2010.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Fonte dos totais arredondados de 12,5 milhões embarcados e 10,7 milhões desembarcados e da participação portuguesa (46%) no tráfico.
  2. 2Henry Louis Gates Jr.. How Many Slaves Landed in the U.S.?. PBS, The African Americans: Many Rivers to Cross.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  3. 3Trans-Atlantic Slave Trade Database (Voyages), Emory University e parceiros. Estimates (ferramenta de estimativas do tráfico transatlântico, 1501–1866). SlaveVoyages (versão legada).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Tabela padrão consultada: total de 12.521.337 pessoas, por bandeira do navio (Portugal/Brasil: 5.848.266; Grã-Bretanha: 3.259.441; França: 1.381.404; Espanha/Uruguai: 1.061.524; Países Baixos: 554.336; EUA: 305.326; Dinamarca/Báltico: 111.040). A distribuição por região de desembarque não foi conferida diretamente na ferramenta.
  4. 4Robin Einhorn. An Atlas of Reckonings (resenha de Eltis e Richardson, Atlas of the Transatlantic Slave Trade). The Nation, 2011.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Usada para o número de quase 4,9 milhões de africanos levados ao Brasil e para as participações do Sudeste (21,5%) e da Bahia (14,7%) nos desembarques, segundo o Atlas.
  5. 5David Eltis; David Richardson. Atlas of the Transatlantic Slave Trade. Yale University Press, 2010.[Historiografia · referência bibliográfica]
  6. 6Império do Brasil. Lei n.º 581, de 4 de setembro de 1850 (Lei Eusébio de Queirós), que estabelece medidas para a repressão do tráfico de africanos. 1850.[Fonte oficial · referência bibliográfica]Texto disponível no portal da legislação federal (planalto.gov.br); a página não abriu nesta redação.
  7. 7Luiz Felipe de Alencastro. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII. Companhia das Letras, 2000.[Historiografia · referência bibliográfica]
  8. 8João Luís Ribeiro Fragoso. Homens de grossa aventura: acumulação e hierarquia na praça mercantil do Rio de Janeiro (1790–1830). Arquivo Nacional, 1992.[Historiografia · referência bibliográfica]
  9. 9Robin Blackburn. The Making of New World Slavery: From the Baroque to the Modern, 1492–1800. Verso, 1997.[Historiografia · referência bibliográfica]
  10. 10Seymour Drescher. Econocide: British Slavery in the Era of Abolition. University of Pittsburgh Press, 1977.[Historiografia · referência bibliográfica]
  11. 11Império do Brasil. Lei n.º 3.353, de 13 de maio de 1888 (Lei Áurea), que declara extinta a escravidão no Brasil. 1888.[Fonte oficial · referência bibliográfica]Texto disponível no portal da legislação federal (planalto.gov.br); a página não abriu nesta redação.
  12. 12Eric Williams. Capitalism and Slavery. University of North Carolina Press, 1944.[Historiografia · referência bibliográfica]Em português: Capitalismo e escravidão.
  13. 13David Brion Davis. The Benefit of Slavery (resenha de Eltis e Drescher). The New York Review of Books, 31 mar. 1988, 1988.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  14. 14Guy Emerson Mount. Capitalism and Slavery: Reflections on the Williams Thesis. Black Perspectives (African American Intellectual History Society), 2015.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  15. 15Karl Marx. O Capital, livro I, cap. 31: Gênese do capitalista industrial (tradução inglesa no MIA). Marxists Internet Archive, 1867.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  16. 16Barbara L. Solow; Stanley L. Engerman (orgs.). British Capitalism and Caribbean Slavery: The Legacy of Eric Williams. Cambridge University Press, 1987.[Historiografia · referência bibliográfica]
  17. 17Robert W. Fogel; Stanley L. Engerman. Time on the Cross: The Economics of American Negro Slavery. Little, Brown, 1974.[Historiografia · referência bibliográfica]
  18. 18Joseph E. Inikori. Africans and the Industrial Revolution in England: A Study in International Trade and Economic Development. Cambridge University Press, 2002.[Historiografia · referência bibliográfica]
  19. 19Dale W. Tomich. Through the Prism of Slavery: Labor, Capital, and World Economy. Rowman & Littlefield, 2004.[Historiografia · referência bibliográfica]Reúne o ensaio que propôs o conceito de "segunda escravidão"; em português, Pelo prisma da escravidão (Edusp).
  20. 20Sven Beckert. Empire of Cotton: A Global History. Alfred A. Knopf, 2014.[Historiografia · referência bibliográfica]
  21. 21Edward E. Baptist. The Half Has Never Been Told: Slavery and the Making of American Capitalism. Basic Books, 2014.[Historiografia · referência bibliográfica]
  22. 22Alan L. Olmstead; Paul W. Rhode. Cotton, slavery, and the new history of capitalism. Explorations in Economic History, v. 67, p. 1–17, 2018.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado o resumo (RePEc/IDEAS), não o texto integral.
  23. 23Caio Prado Júnior. Formação do Brasil contemporâneo: colônia. Livraria Martins, 1942.[Historiografia · referência bibliográfica]
  24. 24Celso Furtado. Formação econômica do Brasil. Fundo de Cultura, 1959.[Historiografia · referência bibliográfica]
  25. 25Jacob Gorender. O escravismo colonial. Ática, 1978.[Historiografia · referência bibliográfica]
  26. 26Cedric J. Robinson. Black Marxism: The Making of the Black Radical Tradition. Zed Press, 1983.[Historiografia · referência bibliográfica]

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação assistida por IA (Claude)
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
2.592 palavras · 26 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoDados do tráfico conferidos na ferramenta de estimativas do SlaveVoyages (versão legada; total por bandeira), na reportagem da NEH (12,5 e 10,7 milhões), na resenha de Einhorn sobre o Atlas (Brasil, quase 4,9 milhões) e no texto de H. L. Gates (América do Norte). Debate sobre Williams a partir das resenhas de David Brion Davis (NYRB, 1988) e Guy Emerson Mount (AAIHS, 2015); crítica de Olmstead e Rhode pelo resumo. Demais obras citadas como referência bibliográfica. Pendente: conferir o total de desembarques no Brasil diretamente na ferramenta de estimativas (por região de desembarque); conferir a menção a Engerman (1972) e Anstey; conferir a menção a trabalhos anteriores de Olmstead e Rhode sobre variedades de algodão; verificar a afirmação sobre entrada ilegal de africanos entre 1831 e 1850 com estimativa numérica em fonte especializada.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Escravidão e capitalismo. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/escravidao-e-capitalismo.

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