Capitalismo na Coreia do Sul
Industrialização dirigida pelo Estado, chaebols, ditadura, democratização e crise (1945–presente)
Trajetória da economia sul-coreana desde a colonização japonesa: reforma agrária, industrialização exportadora sob a ditadura de Park Chung-hee, grandes grupos familiares (chaebols), repressão trabalhista, democratização de 1987, crise de 1997 com o FMI e os desafios atuais.
Também: República da Coreia · Coreia do Sul · Daehan Minguk · Milagre do rio Han · Estado desenvolvimentista coreano
Índice e ficha
- País de referência
- Coreia do Sul
- Estado histórico
- Coreia sob domínio japonês (1910–1945); governo militar dos EUA no Sul (1945–1948); República da Coreia (desde 1948)
- Período analisado
- 1945–2026
- Regime
- Presidencialismo autoritário (Rhee, 1948–1960); breve parlamentarismo (1960–1961); ditadura militar e regime Yushin (1961–1979); regime militar de Chun Doo-hwan (1980–1988); democracia constitucional desde 1987–1988.
- Organização econômica
- Economia de mercado com propriedade privada, grandes conglomerados familiares (chaebols) e, entre 1961 e os anos 1980, forte direção estatal do crédito, do câmbio e do investimento; liberalização crescente a partir dos anos 1980–1990.
- Sobre a classificação
- Fala-se em trajetória capitalista porque a produção é organizada por empresas privadas que visam ao lucro, com trabalho assalariado e mercados, inclusive no período de maior intervenção estatal: o Estado dirigiu crédito e investimento, mas a propriedade dos grandes grupos permaneceu privada e familiar. Por isso parte da literatura usa a expressão "Estado desenvolvimentista" ou "capitalismo dirigido pelo Estado", não "economia planificada".
- Área
- Capitalismo
- Regiões
- Ásia
- Temas
- Economia e organização social, Movimento operário e sindical, Questão agrária e campesinato, Estado, poder e democracia, Repressão, violência política e direitos, Relações internacionais
A República da Coreia (Coreia do Sul) é frequentemente citada como exemplo de industrialização tardia bem-sucedida. Medido em dólares constantes de 2015, o PIB per capita passou de cerca de US$ 1.040 em 1960 para cerca de US$ 37.500 em 2025, segundo o Banco Mundial 1. Esse resultado é usado como argumento por correntes opostas: por liberais, como prova das virtudes da orientação para o mercado externo; por defensores do "Estado desenvolvimentista", como prova de que a intervenção seletiva funciona; por críticos de esquerda, como caso em que o crescimento se apoiou em ditadura e repressão do trabalho.
Este verbete descreve as fases dessa trajetória, separa fatos de interpretações e apresenta os debates. A experiência do Norte, governado pelo Partido do Trabalho da Coreia desde 1948, é tratada em verbete próprio, planejado; a história do comunismo na Coreia colonial e no Sul também tem verbete planejado.
Colonização japonesa (1910–1945)
A Coreia foi anexada pelo Japão em 1910 e governada como colônia até 1945. A administração colonial fez um levantamento cadastral de terras (1910–1918) que consolidou a propriedade privada, favoreceu proprietários coreanos e japoneses e ampliou o arrendamento; nos anos 1930 instalou indústrias químicas, siderúrgicas e de energia, sobretudo no norte da península, ligadas ao esforço de guerra japonês. Houve também empresários coreanos que prosperaram sob o regime colonial, como mostrou Carter Eckert no estudo sobre a família Kim de Koch'ang e a Companhia de Fiação e Tecelagem de Kyongsong 2.
Se a colônia deixou "bases" para o crescimento posterior é controverso. Atul Kohli argumenta que o Estado colonial japonês, centralizado e intervencionista, legou um modelo de Estado e de relação com empresas que seria retomado depois de 1961 3. Críticos dessa tese lembram a destruição causada pela divisão e pela guerra, a concentração da indústria no Norte, a exclusão de coreanos de cargos técnicos e a brutalidade da mobilização de guerra, inclusive o trabalho forçado e a escravidão sexual militar ("mulheres de conforto"), e sustentam que a ruptura de 1945–1953 pesa mais que a continuidade 4.
Divisão, reforma agrária e guerra (1945–1953)
Com a rendição japonesa, a península foi dividida no paralelo 38: o Sul ficou sob governo militar norte-americano (1945–1948) e a República da Coreia foi proclamada em agosto de 1948, sob a presidência de Syngman Rhee. A questão agrária era explosiva: um memorando do Departamento de Estado dos EUA, de dezembro de 1949, registrava que cerca de 73% da terra cultivada estava sob arrendamento em 1945 e cerca de 40% naquele momento, depois da venda de terras antes pertencentes a japoneses 5.
A lei de reforma agrária foi aprovada pela Assembleia Nacional em 27 de abril de 1949; Rhee a vetou, a Assembleia derrubou o veto em 21 de junho e o presidente a promulgou em 22 de junho de 1949. O objetivo declarado era transformar mais de dois milhões de famílias em proprietárias-cultivadoras e reduzir o arrendamento a menos de 10% da terra cultivada; o governo compraria a terra dos proprietários e a revenderia aos arrendatários em cinco anos 5. A lei foi alterada em 1950 e executada em meio à Guerra da Coreia (1950–1953), com indenização aos proprietários abaixo do valor de mercado, teto para a propriedade de terra por família e proibição de arrendamento.
A interpretação dominante é que a reforma, ao lado da destruição da guerra e da inflação que corroeu as indenizações, dissolveu a classe de grandes proprietários e criou um campesinato de pequenos proprietários, o que retirou um ator capaz de bloquear a industrialização e favoreceu a escolarização em massa 4 3. Os comunistas do Norte haviam feito, em 1946, uma reforma agrária com expropriação sem indenização; a ameaça dessa alternativa é vista por historiadores como um dos motivos da reforma no Sul, apoiada pelos EUA. Estudos posteriores mostram que o arrendamento voltou a crescer de forma informal a partir dos anos 1970, apesar da proibição.
Ajuda externa e substituição de importações (1953–1961)
Depois do armistício de 1953, a economia dependia fortemente da ajuda norte-americana, que financiava a maior parte das importações e uma parcela grande do orçamento. O governo Rhee adotou substituição de importações em bens de consumo (têxteis, farinha, açúcar, as "três indústrias brancas"), com taxas de câmbio múltiplas e distribuição discricionária de licenças de importação, divisas e bens da antiga propriedade japonesa a empresários próximos do poder. Historiadores descrevem o período como de "rentismo" e corrupção, mas também como o momento em que surgiram empresas que se tornariam grandes grupos 6. Protestos estudantis contra a fraude eleitoral derrubaram Rhee na Revolução de Abril de 1960.
Park Chung-hee e o Estado desenvolvimentista (1961–1979)
Em 16 de maio de 1961 o general Park Chung-hee deu um golpe militar; governou até ser assassinado pelo chefe do serviço de inteligência em 26 de outubro de 1979. Seu regime combinou autoritarismo crescente, com a Constituição Yushin de 1972, que permitiu a reeleição indefinida por eleição indireta e ampliou poderes de emergência, e uma estratégia econômica centralizada 7:
- Planos quinquenais a partir de 1962, elaborados pelo Conselho de Planejamento Econômico, ministério criado para coordenar orçamento e planejamento.
- Controle do crédito: os bancos comerciais foram colocados sob controle estatal no início dos anos 1960, e o Estado direcionava empréstimos com juros reais baixos ou negativos a setores e empresas escolhidos. Jung-en Woo mostrou que o controle das finanças foi o principal instrumento de comando sobre os empresários 6.
- Metas de exportação: empresas que cumpriam metas recebiam crédito, licenças e benefícios; reuniões mensais de promoção de exportações eram presididas pelo próprio Park. A desvalorização e a unificação do câmbio em 1964–65 favoreceram exportações intensivas em trabalho (têxteis, vestuário, perucas, calçados, eletrônicos simples).
- Indústria pesada e química: a partir de 1973, o regime lançou um programa de indústria pesada e química (siderurgia, construção naval, petroquímica, máquinas, eletrônica), com empresas como a siderúrgica estatal POSCO (fundada em 1968) e estaleiros e montadoras de grupos privados.
A normalização das relações com o Japão (1965) e a participação coreana na Guerra do Vietnã trouxeram capital, empréstimos e receitas em divisas. Segundo o Banco Mundial, o PIB cresceu mais de 10% ao ano em vários anos do período (13,2% em 1968, 15,0% em 1973, 13,3% em 1976) 8, e a indústria de transformação passou de 11,4% do PIB em 1960 para 21,9% em 1980 9.
Os chaebols
Chaebol é o nome dado aos grandes conglomerados controlados por famílias, Samsung, Hyundai, LG, SK, Daewoo e outros, que atuam em muitos setores ao mesmo tempo por meio de empresas ligadas por participações cruzadas. Eles cresceram com crédito dirigido, proteção do mercado interno e acesso privilegiado a licenças, em troca do cumprimento de metas de exportação e investimento.
Alice Amsden sustentou que o traço distintivo da industrialização coreana foi a reciprocidade: o Estado dava subsídios, mas os condicionava a desempenho (exportar, investir, aprender tecnologia) e punia quem falhava, inclusive retirando crédito e transferindo empresas a outros grupos 10. Críticos apontam o outro lado: concentração econômica, dependência mútua entre Estado e grupos, endividamento elevado (que se mostraria frágil em 1997), sufocamento de pequenas e médias empresas e corrupção. Ao longo das décadas seguintes, processos contra dirigentes de chaebols por corrupção, suborno e fraude e escândalos envolvendo presidentes da República tornaram a relação entre grupos e poder político um tema permanente da vida pública sul-coreana.
Trabalho, repressão e ditadura
A competitividade das exportações dos anos 1960 e 1970 apoiou-se em salários baixos e jornadas longas, especialmente de jovens operárias da indústria têxtil e eletrônica. O regime controlava os sindicatos por meio de uma central oficial, restringia greves e, nas zonas francas de exportação, limitou a organização sindical em empresas de capital estrangeiro. Em 13 de novembro de 1970, o operário de confecção Jeon Tae-il imolou-se em Seul em protesto contra o descumprimento da lei trabalhista, episódio que se tornou símbolo do movimento operário e da aliança entre trabalhadores, estudantes e igrejas 11.
Hagen Koo descreveu a formação da classe operária coreana como resultado de industrialização rápida sob regime autoritário, com sindicatos "democráticos" nascendo na clandestinidade e enfrentando prisões, demissões em massa e listas negras 11. Depois do assassinato de Park, o general Chun Doo-hwan tomou o poder (1979–1980); a repressão ao levante de Gwangju, em maio de 1980, deixou centenas de mortos e desaparecidos 4. O período de Chun (1980–1988) manteve controle sindical e combinou estabilização macroeconômica com liberalização gradual.
Democratização e a “grande luta dos trabalhadores” (1987)
Em junho de 1987, manifestações em massa (o "Levante Democrático de Junho") forçaram o regime a aceitar eleições presidenciais diretas e uma nova Constituição. Entre julho e setembro de 1987 seguiu-se uma onda de greves sem precedentes, conhecida como a "grande luta dos trabalhadores", que fundou milhares de sindicatos independentes, sobretudo nas grandes fábricas dos chaebols, e levou a fortes aumentos salariais nos anos seguintes 11. Uma central independente, a Confederação Coreana de Sindicatos (KCTU), foi criada em 1995 e reconhecida legalmente em 1999.
A democratização mudou a relação entre Estado e empresas: o governo perdeu parte do comando sobre o crédito, os grupos ganharam autonomia e o mercado financeiro foi liberalizado nos anos 1990, inclusive com abertura a empréstimos externos de curto prazo, fator central na crise de 1997.
Crise asiática de 1997 e o programa do FMI
Em 1997, a falência de grupos endividados (Hanbo, Kia) e a crise que começou na Tailândia levaram à fuga de capitais de curto prazo e ao colapso do won. Em 4 de dezembro de 1997, o FMI aprovou um acordo stand-by de três anos de DES 15,5 bilhões (cerca de US$ 21 bilhões), equivalente a 1.939% da cota coreana, com desembolso imediato de DES 4,1 bilhões 12. O programa exigia reestruturação financeira com "política de saída clara e firme" para instituições inviáveis, nove bancos de investimento ("merchant banks") insolventes foram suspensos, padrões contábeis internacionais, divulgação semestral de créditos inadimplentes e estrutura de propriedade das grandes instituições, e abertura ao capital estrangeiro: o teto de participação estrangeira em ações listadas subiria de 26% para 50% até o fim de 1997 e 55% até o fim de 1998 12.
O PIB caiu 4,9% em 1998 e cresceu 11,6% em 1999 8. O grupo Daewoo quebrou em 1999 4. Em 1998, um pacto tripartite entre governo, empresas e sindicatos legalizou demissões por motivo econômico e o trabalho temporário, em troca de direitos sindicais ampliados.
A avaliação do programa é disputada. Joseph Stiglitz e Steven Radelet e Jeffrey Sachs argumentaram que se tratava de uma crise de liquidez provocada pela liberalização financeira e que o aperto fiscal e monetário inicial, combinado com o fechamento abrupto de instituições, agravou o pânico 13 14. Defensores do Fundo sustentam que as reformas atacaram fragilidades reais, endividamento dos chaebols, supervisão bancária frouxa, empréstimos politicamente dirigidos, e que a recuperação rápida comprova o acerto do núcleo do programa. O Escritório de Avaliação Independente do FMI publicou em 2003 uma avaliação dos programas para Indonésia, Coreia e Brasil, que também discute o desenho inicial desses programas 15.
O debate sobre o “milagre”: mercado, Estado ou acumulação?
- Leitura neoclássica/"amigável ao mercado". O relatório do Banco Mundial The East Asian Miracle (1993), sobre oito economias de alto desempenho no período 1965–1990, atribuiu o crescimento sobretudo a "fundamentos": estabilidade macroeconômica, educação, alta poupança e investimento, burocracia competente e orientação exportadora; considerou pouco comprovado que políticas industriais tenham mudado a estrutura produtiva ou elevado a produtividade, e advertiu que tentativas de copiá-las "frequentemente fracassaram" 16 17. O estudo foi encomendado e financiado pelo governo japonês, que esperava ver reconhecido o papel do Estado 17.
- Estado desenvolvimentista. Alice Amsden ("Asia's Next Giant", 1989) argumentou que a Coreia cresceu porque o Estado "distorceu deliberadamente os preços", juros, câmbio, proteção, e disciplinou as empresas por metas de desempenho 10; Robert Wade ("Governing the Market", 1990) cunhou a ideia de um mercado "governado" pelo Estado 18; Ha-Joon Chang sustentou que os países hoje ricos também usaram proteção e subsídios e que as regras atuais "chutam a escada" dos países em desenvolvimento 19; Dani Rodrik destacou a coordenação de investimentos pelo Estado 20.
- Acumulação de fatores. Paul Krugman (1994) e Alwyn Young (1995) argumentaram que o crescimento do Leste Asiático se explicava sobretudo pela mobilização de capital e trabalho (investimento, escolarização, entrada de mulheres no mercado de trabalho, transferência de mão de obra do campo), com ganhos modestos de produtividade total, o que não seria "milagre" e tenderia a desacelerar 21 22.
- Críticas de esquerda e do trabalho. Autores como Hagen Koo enfatizam que a competitividade se apoiou em repressão sindical, salários baixos e jornadas longas, e que o modelo não pode ser isolado da ditadura 11.
- Contexto geopolítico. Bruce Cumings e outros destacam a Guerra Fria: ajuda dos EUA, acesso preferencial ao mercado norte-americano, tolerância com a proteção coreana e o papel do Japão como fornecedor de tecnologia e insumos 4. Esse contexto dificulta transpor a experiência para outros países.
A comparação com o Brasil e a América Latina é frequente nessa literatura: reforma agrária, escolarização universal, disciplina sobre empresas e orientação exportadora aparecem como diferenças, mas a importância relativa de cada uma continua em debate.
Educação, finanças e reformas depois de 1997
Educação. A escolarização expandiu-se muito rapidamente depois de 1945: universalização do ensino primário nos anos 1950 e 1960, do secundário nas décadas seguintes e, depois, uma das maiores taxas de ingresso no ensino superior do mundo. A literatura sobre o "milagre" atribui à educação papel decisivo tanto na leitura do Banco Mundial quanto na de Amsden, que destacou a formação de engenheiros e o aprendizado tecnológico dentro das empresas 16 10. A reforma agrária, ao distribuir renda no campo, é frequentemente associada a essa expansão educacional 3. O lado menos celebrado é a competição educacional intensa, com gastos familiares altos com cursos preparatórios, hoje citada entre as causas da baixa natalidade.
Finanças e governança empresarial. O programa de 1997 e as reformas seguintes abriram o mercado de ações e os bancos ao capital estrangeiro, o teto de participação estrangeira em ações listadas subiu para 55% até o fim de 1998, segundo o acordo com o FMI 12, impuseram padrões contábeis internacionais e reduziram as garantias cruzadas entre empresas de um mesmo grupo. Parte dos chaebols foi desmembrada ou vendida; os maiores grupos sobreviventes saíram da crise mais concentrados e mais internacionalizados. Para críticos, a reforma substituiu o antigo controle estatal do crédito pela disciplina dos mercados financeiros e de investidores estrangeiros, com aumento da instabilidade do emprego; para defensores, corrigiu o excesso de endividamento e de investimento dirigido politicamente que levara à crise 13 15.
Relações com o exterior. O crescimento coreano dependeu do acesso ao mercado norte-americano, de tecnologia e insumos japoneses e, depois dos anos 1990, da integração com a China, que se tornou o principal parceiro comercial do país. A posição na fronteira da Guerra Fria, e, hoje, na rivalidade entre EUA e China em semicondutores, faz da política industrial coreana também uma questão de segurança 4.
Economia e sociedade no século XXI
A Coreia do Sul é hoje uma economia de alta renda, com indústria de transformação ainda muito relevante, 27,4% do PIB em 2025, segundo o Banco Mundial 9, e grupos líderes mundiais em semicondutores, eletrônicos, automóveis, construção naval e baterias. O crescimento desacelerou: ficou em torno de 3% ao ano entre 2011 e 2019 e foi de 1,0% em 2025 8.
Desigualdade e dualismo. O índice de Gini estimado pelo Banco Mundial ficou entre 31 e 35 de 2006 a 2021 (32,9 em 2021) 23, nível intermediário entre os países da OCDE. Pesquisadores e sindicatos apontam um mercado de trabalho dual, com diferenças grandes de salário e proteção entre empregados das grandes empresas e trabalhadores "não regulares" (temporários, terceirizados, de pequenas empresas), além de alta pobreza entre idosos.
Natalidade. A taxa de fecundidade total caiu de 6,0 filhos por mulher em 1960 para 1,6 em 1990, 1,2 em 2010 e 0,75 em 2024 24, uma das mais baixas registradas no mundo. As explicações discutidas incluem custos de moradia e educação, longas jornadas, competição educacional, desigualdade de gênero no trabalho e em casa e insegurança no emprego dos jovens; o tema tornou-se prioridade de governo.
Sobre os indicadores
Os valores abaixo vêm de séries do Banco Mundial extraídas pela API em 19/10/2026. PIB per capita em dólares constantes de 2015 é uma medida real (desconta a inflação), convertida pelo câmbio do ano-base, sem ajuste de paridade de poder de compra. Crescimento é variação real anual. A participação da indústria é calculada a preços correntes. A taxa de fecundidade é uma estimativa demográfica de período, não o número de filhos que uma geração efetivamente teve.
Cronologia
1910
Anexação da Coreia pelo Japão.
agosto de 1945
Fim do domínio japonês; divisão da península no paralelo 38.
agosto de 1948
Proclamação da República da Coreia.
22 de junho de 1949
Promulgação da lei de reforma agrária, depois de veto derrubado pela Assembleia.5
junho de 1950
Início da Guerra da Coreia (armistício em julho de 1953).
16 de maio de 1961
Golpe militar de Park Chung-hee.
1962
Primeiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico.
13 de novembro de 1970
Morte de Jeon Tae-il em protesto pelos direitos trabalhistas.11
1973
Programa de indústria pesada e química.
26 de outubro de 1979
Assassinato de Park Chung-hee.
maio de 1980
Repressão ao levante de Gwangju.
junho de 1987
Levante democrático; eleições diretas; onda de greves de julho a setembro.11
4 de dezembro de 1997
FMI aprova acordo stand-by de DES 15,5 bilhões.12
Indicadores
Cada número traz fonte, série, unidade, período e limitações. Números de séries diferentes não devem ser comparados entre si.
| Indicador | Valor | Período | Fonte e série | Limitações |
|---|---|---|---|---|
| PIB per capita | 1.038 (1960) · 4.140 (1980) · 17.763 (2000) · 26.623 (2010) · 37.470 (2025) US$ constantes de 2015 | 1960–2025 | Coreia do Sul, PIB per capita (US$ constantes de 2015)Banco Mundial, WDI, NY.GDP.PCAP.KD (extração 19/10/2026) | Conversão pelo câmbio de 2015, sem ajuste de paridade de poder de compra; dados dos anos 1960 dependem de reconstruções das contas nacionais. |
| Crescimento real do PIB | 13,2 (1968) · 15,0 (1973) · −1,5 (1980) · 12,9 (1987) · −4,9 (1998) · 11,6 (1999) · 0,8 (2009) · 1,0 (2025) % ao ano | 1968–2025 | Coreia do Sul, crescimento anual do PIB (% a preços constantes)Banco Mundial, WDI, NY.GDP.MKTP.KD.ZG | Anos selecionados pela redação; o valor de 2025 é preliminar. |
| Indústria de transformação no PIB | 11,4 (1960) · 21,9 (1980) · 26,6 (2000) · 28,1 (2010) · 27,4 (2025) % do PIB (valor adicionado, preços correntes) | 1960–2025 | Coreia do Sul, valor adicionado da indústria de transformação (% do PIB)Banco Mundial, NV.IND.MANF.ZS | Participação a preços correntes; não mede volume nem emprego industrial. |
| Taxa de fecundidade total | 5,99 (1960) · 2,82 (1980) · 1,48 (2000) · 0,84 (2020) · 0,75 (2024) filhos por mulher | 1960–2024 | Coreia do Sul, taxa de fecundidade total (filhos por mulher)Banco Mundial, SP.DYN.TFRT.IN (com base em estatísticas nacionais e na ONU) | Medida de período, sensível ao adiamento de nascimentos; dados preliminares mais recentes do órgão estatístico coreano podem diferir. |
| Índice de Gini da renda | 31,7 (2006) · 31,2 (2014) · 35,2 (2016) · 32,9 (2021) índice de 0 a 100 | 2006–2021 | Coreia do Sul, índice de Gini (estimativa do Banco Mundial)Banco Mundial, SI.POV.GINI | Mudança de pesquisa de base em 2016 provoca salto; pesquisas domiciliares subestimam rendas do topo. |
Bibliografia comentada
Alice H. Amsden. Asia's Next Giant: South Korea and Late Industrialization (1989)
Obra fundadora da tese do Estado desenvolvimentista coreano: subsídios condicionados a desempenho e aprendizado tecnológico.
Robert Wade. Governing the Market: Economic Theory and the Role of Government in East Asian Industrialization (1990)
Estudo centrado em Taiwan, com comparação com a Coreia, que formula a ideia de "mercado governado".
Banco Mundial (equipe coordenada por John Page). The East Asian Miracle: Economic Growth and Public Policy (Policy Research Report) (1993)
Relatório do Banco Mundial que consolidou a leitura "amigável ao mercado" e se tornou alvo de críticas dos dois lados.
Jung-en Woo. Race to the Swift: State and Finance in Korean Industrialization (1991)
Mostra como o controle estatal das finanças moldou a relação com os empresários e os chaebols.
Hagen Koo. Korean Workers: The Culture and Politics of Class Formation (2001)
História social da classe operária sul-coreana, da industrialização autoritária à grande onda de greves de 1987.
Bruce Cumings. Korea's Place in the Sun: A Modern History (1.ª ed. 1997)
História moderna da Coreia que enfatiza a colonização, a divisão, a guerra e o papel dos EUA.
Paul Krugman. The Myth of Asia's Miracle (1994)
Ensaio de divulgação que contestou a ideia de "milagre", atribuindo o crescimento à acumulação de fatores.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Banco Mundial, World Development Indicators. Coreia do Sul, PIB per capita (US$ constantes de 2015). World Bank Open Data (API v2).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Série NY.GDP.PCAP.KD; extração em 19/10/2026 (campo lastupdated da API: 2026-10-08).
- 2Carter J. Eckert. Offspring of Empire: The Koch'ang Kims and the Colonial Origins of Korean Capitalism, 1876–1945. 1991.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 3Atul Kohli. State-Directed Development: Political Power and Industrialization in the Global Periphery. 2004.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 4Bruce Cumings. Korea's Place in the Sun: A Modern History (1.ª ed. 1997).[Historiografia · referência bibliográfica]
- 5W. Walton Butterworth (secretário-assistente de Estado para o Extremo Oriente). Memorando ao secretário de Estado, 16 dez. 1949, Foreign Relations of the United States, 1949, v. VII, parte 2, doc. 304. Office of the Historian, Departamento de Estado dos EUA, 1949.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 6Jung-en Woo. Race to the Swift: State and Finance in Korean Industrialization. 1991.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 7Byung-Kook Kim; Ezra F. Vogel (orgs.). The Park Chung Hee Era: The Transformation of South Korea. 2011.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 8Banco Mundial, World Development Indicators. Coreia do Sul, crescimento anual do PIB (% a preços constantes). World Bank Open Data (API v2).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Série NY.GDP.MKTP.KD.ZG; extração em 19/10/2026 (campo lastupdated da API: 2026-10-08).
- 9Banco Mundial, World Development Indicators. Coreia do Sul, valor adicionado da indústria de transformação (% do PIB). World Bank Open Data (API v2).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Série NV.IND.MANF.ZS; extração em 19/10/2026 (campo lastupdated da API: 2026-10-08).
- 10Alice H. Amsden. Asia's Next Giant: South Korea and Late Industrialization. Oxford University Press, 1989.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 11Hagen Koo. Korean Workers: The Culture and Politics of Class Formation. 2001.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 12Fundo Monetário Internacional. Press Release No. 97/55: IMF approves SDR 15.5 billion stand-by credit for Korea (4 dez. 1997). 1997.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 13Joseph E. Stiglitz. Globalization and Its Discontents. 2002.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 14Steven Radelet; Jeffrey Sachs. The East Asian Financial Crisis: Diagnosis, Remedies, Prospects. Brookings Papers on Economic Activity, 1998.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 15Independent Evaluation Office do FMI. The IMF and Recent Capital Account Crises: Indonesia, Korea, Brazil. 2003.[Fonte oficial · referência bibliográfica]
- 16Banco Mundial (equipe coordenada por John Page). The East Asian Miracle: Economic Growth and Public Policy (Policy Research Report). Oxford University Press para o Banco Mundial, 1993.[Fonte oficial · referência bibliográfica]
- 17Clayton Jones. East Asia's Economic Model Is No Miracle, Study Shows. The Christian Science Monitor, 27 set. 1993, 1993.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Reportagem contemporânea sobre o relatório The East Asian Miracle (Banco Mundial, 1993).
- 18Robert Wade. Governing the Market: Economic Theory and the Role of Government in East Asian Industrialization. Princeton University Press, 1990.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 19Ha-Joon Chang. Kicking Away the Ladder: Development Strategy in Historical Perspective. 2002.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 20Dani Rodrik. Getting Interventions Right: How South Korea and Taiwan Grew Rich. Economic Policy, 1995.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 21Paul Krugman. The Myth of Asia's Miracle. Foreign Affairs, 1994.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 22Alwyn Young. The Tyranny of Numbers: Confronting the Statistical Realities of the East Asian Growth Experience. Quarterly Journal of Economics, 1995.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 23Banco Mundial, World Development Indicators. Coreia do Sul, índice de Gini (estimativa do Banco Mundial). World Bank Open Data (API v2).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Série SI.POV.GINI; extração em 19/10/2026 (campo lastupdated da API: 2026-10-08). Série disponível só de 2006 em diante.
- 24Banco Mundial, World Development Indicators. Coreia do Sul, taxa de fecundidade total (filhos por mulher). World Bank Open Data (API v2).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Série SP.DYN.TFRT.IN; extração em 19/10/2026 (campo lastupdated da API: 2026-10-08).
Rede de relações
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- CapitalismoConceito
relacionado a
- República Popular Democrática da Coreia (verbete planejado)País e experiência históricaEstado vizinho, resultado da mesma divisão de 1945–1948.
- Comunismo na Coreia colonial e no Sul (verbete planejado)País e experiência histórica
- Guerra da Coreia (verbete planejado)Acontecimento1950–1953.
- Colonialismo (verbete planejado)Conceito1910–1945.
- Reforma agrária (verbete planejado)ConceitoFonte: Memorando ao secretário de Estado, 16 dez. 1949, Foreign Relations of the United States, 1949, v. VII, parte 2, doc. 304
- Fundo Monetário Internacional (FMI)Organização1997–2000. Fonte: Press Release No. 97/55: IMF approves SDR 15.5 billion stand-by credit for Korea (4 dez. 1997)
- Planejamento econômicoConceito
- Capitalismo de Estado (verbete planejado)Conceito
- Concorrência e monopólioConceitoConcentração econômica dos chaebols.
- Sindicatos e negociação coletivaConceitoFonte: Korean Workers: The Culture and Politics of Class Formation
- MercadoConceito
- Economia neoclássicaEscola econômicaLeitura "amigável ao mercado" do relatório do Banco Mundial (1993).
- Capitalismo no BrasilPaís e experiência históricaComparação frequente na literatura sobre industrialização tardia.
- China (República Popular da China)País e experiência histórica
- PIB e PIB per capitaPergunta e guiaFonte: Coreia do Sul, PIB per capita (US$ constantes de 2015)
- Coeficiente de GiniPergunta e guiaFonte: Gini index, indicador SI.POV.GINI (API, Brasil, África do Sul, Coreia do Sul, Índia, Nigéria, EUA, Noruega, Suécia e China, 1981–2025) (no verbete Coeficiente de Gini)
- Estruturalismo latino-americanoEscola econômicaComparação de Fajnzylber com o Leste Asiático. Fonte: Acerca del pensamiento de Fernando Fajnzylber (no verbete Estruturalismo latino-americano)
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação assistida por IA (Claude)
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.692 palavras · 24 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação inicial com séries do Banco Mundial extraídas em 19/10/2026, documento FRUS sobre a reforma agrária e comunicado do FMI de 1997. Bibliografia sobre o Estado desenvolvimentista citada sem consulta direta.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Capitalismo na Coreia do Sul. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/capitalismo-na-coreia-do-sul.
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