Pular para o conteúdo
Exército Lulaacervo documental
Pergunta e guiaPublicado

Coeficiente de Gini

A medida mais usada de desigualdade, como é calculada, de onde vêm os dados e por que países não são diretamente comparáveis

O coeficiente de Gini resume numa escala de 0 (igualdade perfeita) a 1 ou 100 (um só recebe tudo) a desigualdade de uma distribuição, em geral de renda ou consumo. O valor depende da variável, da fonte (pesquisa domiciliar ou dados fiscais) e da etapa (antes ou depois de impostos e transferências).

Também: Índice de Gini · Gini index · Curva de Lorenz · Razão de Palma

Índice e ficha

O coeficiente de Gini é o indicador de desigualdade mais citado no debate público. Proposto pelo estatístico italiano Corrado Gini em 1912 1, ele se apoia na curva de Lorenz, apresentada pelo economista norte-americano Max Lorenz em 1905 2. Ele condensa uma distribuição inteira num único número, o que é útil para comparar, mas apaga informações: dois países podem ter o mesmo Gini com desigualdades de forma muito diferente.

Este explicador mostra como o Gini é calculado, que dados o alimentam, por que o Gini de renda de um país não pode ser posto lado a lado com o Gini de consumo de outro, como a tributação e as transferências o alteram e que medidas alternativas existem. A desigualdade de renda é um dos temas centrais do debate sobre o Capitalismo e sobre a comparação entre sistemas econômicos.

A curva de Lorenz e a definição do Gini

Explicação conceitual

Ordene toda a população da pessoa mais pobre para a mais rica. No eixo horizontal, marque a parcela acumulada da população (de 0% a 100%); no vertical, a parcela acumulada da renda que ela recebe. Essa é a curva de Lorenz 2. Se todos recebessem o mesmo, os 10% mais pobres teriam 10% da renda, os 50% mais pobres teriam 50%, e a curva seria a diagonal, a linha de igualdade perfeita. Quanto mais desigual a distribuição, mais a curva se afasta da diagonal, "barriga" para baixo.

O Banco Mundial define o índice de Gini como a medida da área entre a curva de Lorenz e a linha de igualdade absoluta, expressa como porcentagem da área máxima sob essa linha; 0 representa igualdade perfeita e 100, desigualdade perfeita 3. Em notação de coeficiente, a escala vai de 0 a 1 (o Banco Mundial publica de 0 a 100; a OCDE, de 0 a 1).

Como se calcula

Explicação conceitualModelo econômico

Pela área. Se A é a área entre a diagonal e a curva de Lorenz e B a área sob a curva, então Gini = A / (A + B). Como A + B = 0,5 (metade do quadrado unitário), Gini = 2A = 1 − 2B.

Pela diferença média. Uma fórmula equivalente: o Gini é a média das diferenças absolutas de renda entre todos os pares de pessoas, dividida pelo dobro da renda média. Em texto: some |renda de i − renda de j| para todos os pares (i, j), divida pelo número de pares e pelo dobro da média. Isso mostra que o Gini é uma medida relativa: se todas as rendas dobrarem, ele não muda; se todos ganharem o mesmo valor adicional, ele cai.

Com dados agrupados. Quando só se conhecem as parcelas de renda por decis ou quintis, aproxima-se a curva de Lorenz por segmentos de reta (regra do trapézio), o que tende a subestimar levemente o Gini.

Unidade de análise e escalas de equivalência. É preciso definir se a unidade é a pessoa, o domicílio ou o adulto, e se a renda domiciliar é dividida pelo número de moradores (renda per capita) ou por uma escala de equivalência que reconhece economias de escala em domicílios maiores. Cada escolha muda o resultado.

Sensibilidade. O Gini é mais sensível a mudanças no meio da distribuição do que nas pontas. Por isso, autores como o economista chileno José Gabriel Palma propuseram medidas focadas nos extremos (ver "Outras medidas") 4.

Renda, consumo e riqueza: três desigualdades diferentes

Explicação conceitual

O Banco Mundial esclarece que seu índice mede a distribuição da renda ou, em alguns casos, do gasto de consumo 3. A diferença é decisiva:

  • Renda (salários, lucros, aluguéis, juros, aposentadorias, transferências) varia muito entre os anos e é mais concentrada que o consumo, porque os mais ricos poupam parte do que ganham.
  • Consumo é mais estável e, em países com grande setor informal e agrícola, costuma ser medido com mais confiabilidade nas pesquisas; por isso Índia, Nigéria, África do Sul e China são medidas pelo consumo na plataforma do Banco Mundial 5. Um Gini de consumo tende a ser mais baixo que um Gini de renda da mesma população.
  • Riqueza (imóveis, ações, empresas, terras, depósitos, descontadas as dívidas) é muito mais concentrada que a renda; Ginis de riqueza costumam ser bem mais altos que os de renda, e os dados são mais escassos.

Por isso, o Gini de 23,0 da Índia em 2023 (consumo) e o de 50,3 do Brasil em 2024 (renda) não permitem concluir que a desigualdade de renda na Índia seja menos da metade da brasileira 6 5.

Pesquisas domiciliares × dados tributários: o problema do topo

Evidência empíricaDebate em aberto

Pesquisas domiciliares. A maior parte dos Ginis oficiais vem de pesquisas amostrais de domicílios. O índice do Banco Mundial baseia-se em dados primários de pesquisas obtidos de agências estatísticas nacionais e, para economias de renda alta, sobretudo no banco do Luxembourg Income Study 3. No Brasil, a série usa a PNAD até 2011 e a PNAD Contínua a partir de 2012 5.

Subdeclaração no topo. Pesquisas domiciliares captam mal as rendas mais altas: os mais ricos são poucos na amostra, recusam-se mais a responder e frequentemente subdeclaram rendimentos de capital. Medeiros, Souza e Castro resumem que os levantamentos domiciliares tendem a subestimar os rendimentos mais elevados, por limitações de amostragem e questionário, omissão de respostas ou desconhecimento dos valores exatos 7.

Dados tributários. Uma alternativa, consolidada internacionalmente por Thomas Piketty e Emmanuel Saez a partir do estudo sobre os Estados Unidos (2003) e depois pela World Inequality Database (WID), é estimar a renda do topo a partir das declarações de imposto de renda e combiná-la com pesquisas e contas nacionais 8 9 10. Para o Brasil, Medeiros, Souza e Castro (2015), usando declarações do imposto de renda de pessoas físicas de 2006 a 2012, concluíram que a concentração no topo é "substancialmente maior" do que a estimada nas pesquisas domiciliares: em média, no período, o 1% mais rico se apropriou de pouco menos de 25% da renda total e o 0,1% mais rico, de 11%. Concluíram também que, nesse período, não houve tendência de queda da concentração no topo, "na melhor das hipóteses, pode-se falar em estabilidade", ao contrário da queda do Gini observada na PNAD 7.

O que isso significa. A queda do Gini brasileiro medido por pesquisas domiciliares nos anos 2000 (ver tabela) é um dado real sobre a renda captada pelas pesquisas, sobretudo rendimentos do trabalho e transferências, mas não descreve necessariamente o que aconteceu com os rendimentos do topo, em grande parte rendimentos de capital e lucros distribuídos. O debate continua sobre como combinar as fontes e sobre a qualidade das próprias declarações fiscais (isenções, pejotização, rendimentos não tributáveis).

Antes e depois de impostos e transferências

Evidência empíricaExplicação conceitual

A OCDE publica, na sua Income Distribution Database, dois Ginis para cada país: o da renda de mercado (salários, rendas de trabalho autônomo e de capital, antes de impostos e transferências públicas) e o da renda disponível (depois de impostos diretos e de transferências em dinheiro, como aposentadorias públicas e benefícios sociais) 11. A diferença indica quanto o sistema fiscal e de proteção social reduz a desigualdade de renda monetária.

Os dados da tabela "Gini antes e depois de impostos e transferências" mostram uma grande variação 11. Na Noruega, em 2023, o Gini da renda de mercado (0,432) era maior que o da Coreia do Sul (0,392), mas o da renda disponível (0,259) era bem menor (Coreia: 0,323). Nos EUA, o Gini passava de 0,506 para 0,394. No Chile e no México, a redução era pequena (de 0,491 para 0,448 e de 0,416 para 0,400, em 2022). Pelos cálculos da redação, a redução foi de cerca de 17 pontos (em escala de 0 a 100) na Noruega, 11 nos EUA, 7 na Coreia e na Costa Rica, 4 no Chile e menos de 2 no México.

Limites. O Gini da renda de mercado é inflado pelos aposentados, que têm renda de mercado próxima de zero e vivem de pensões públicas; países com previdência pública ampla aparecem com Gini de mercado alto. Os serviços públicos gratuitos (saúde, educação) e os impostos indiretos não entram na renda disponível, embora afetem muito o padrão de vida, os impostos indiretos pesam relativamente mais sobre os pobres, o que é relevante em países como o Brasil. Em alguns países, as pesquisas registram renda líquida de impostos, o que reduz artificialmente a diferença entre os dois Ginis; as notas por país da OCDE devem ser consultadas.

Comparabilidade entre países e no tempo

Explicação conceitualEvidência empírica

A tabela "Gini do Banco Mundial: último ano disponível" mostra o problema prático: cada país tem seu último dado num ano diferente, 2021 para a Coreia do Sul, 2022 para a África do Sul e a Nigéria, 2023 para a Índia e a Noruega, 2024 para o Brasil e os EUA 6. Anos diferentes não são diretamente comparáveis, sobretudo quando entre eles há choques como a pandemia.

Além do ano, é preciso conferir:

  1. Variável: renda ou consumo (coluna própria na tabela) 5.
  2. Pesquisa e quebras de série: a plataforma do Banco Mundial marca períodos comparáveis; no Brasil, 1981–2011 (PNAD) e 2012–2024 (PNAD Contínua) são blocos distintos 5.
  3. Unidade e escala: pessoa ou domicílio; renda per capita ou equivalente.
  4. Fonte: Banco Mundial, OCDE, institutos nacionais, WID e o banco do Luxembourg Income Study usam definições diferentes; o mesmo país pode aparecer com Ginis distintos em cada uma.
  5. Anos atípicos: em 2020, o Gini brasileiro caiu para 48,8 e voltou a 52,9 em 2021 6, movimento associado, no debate brasileiro, ao auxílio emergencial pago na pandemia e à sua redução posterior; a plataforma também registra que os dados de 2020 e 2021 vêm de outra visita da PNAD Contínua (a quinta), o que recomenda cautela adicional 5.

Outras medidas de desigualdade

Explicação conceitual
  • Parcelas por decil ou percentil. A parcela da renda recebida pelos 10% ou pelo 1% mais ricos é intuitiva e mostra onde está a concentração. A série do Brasil na tabela inclui a parcela do decil superior segundo o Banco Mundial 5.
  • Razão de Palma. Palma observou que, em muitos países, a parcela dos decis intermediários (5 a 9) fica relativamente estável, em torno de metade da renda, e que a desigualdade se decide na disputa entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres 4. A razão de Palma é a parcela do decil superior dividida pela parcela dos 40% mais pobres. Com dados da plataforma do Banco Mundial, a redação calculou cerca de 3,3 para o Brasil (2024) e 4,0 para a África do Sul (2022), contra cerca de 0,9 na Noruega (2023) 5.
  • Razões entre percentis (P90/P10, P90/P50) e índices de Theil e de Atkinson, que permitem decompor a desigualdade entre grupos ou atribuir pesos diferentes às pontas da distribuição 12.
  • Parcela do 1% mais rico com dados tributários (WID), útil para captar a concentração de capital 10.

A curva de Kuznets. Em 1955, Simon Kuznets sugeriu, com base em poucos países e advertindo que seus dados eram frágeis, que a desigualdade tenderia a subir nas primeiras fases da industrialização e cair depois 13. A hipótese do "U invertido" orientou décadas de pesquisa; o artigo de Palma (2011) argumenta, já no título, contra a validade dessa curva 4, e o aumento da desigualdade em vários países ricos desde os anos 1980, documentado por Piketty e Saez, também a contestou 8.

O que o Gini não mede

Avaliação críticaDebate em aberto
  • Forma da desigualdade. Duas curvas de Lorenz que se cruzam podem gerar o mesmo Gini; o número não diz se a desigualdade está no topo ou na base.
  • Pobreza absoluta. Um país pode ter Gini baixo e pobreza generalizada, ou Gini alto e pouca pobreza extrema.
  • Mobilidade. O Gini de um ano não diz se as mesmas famílias permanecem no topo ou na base ao longo da vida ou entre gerações.
  • Riqueza e poder. O Gini de renda não mede a concentração da propriedade, que é a base de rendas futuras e de poder econômico e político. A tradição marxista enfatiza que a distribuição pessoal da renda deriva da distribuição funcional, entre salários e lucros, e das relações de propriedade (ver Participação dos salários na renda, Lucro e Mais-valia).
  • Desigualdades entre grupos. Raça, gênero e região não aparecem no Gini geral; exigem decomposições específicas.
  • Bens públicos e preços. Diferenças de acesso a saúde, educação e moradia não monetizados, e de custo de vida entre regiões, ficam de fora.

Liberais e conservadores costumam argumentar que o foco deve ser a pobreza e a mobilidade, não a desigualdade em si, e que algum grau de desigualdade é contrapartida de incentivos ao investimento e à inovação. Críticos de esquerda e parte da literatura empírica sustentam que alta desigualdade reduz a mobilidade, concentra poder político e pode prejudicar o próprio crescimento. O Gini não decide esse debate; ele apenas o quantifica parcialmente.

Como ler um gráfico de Gini

Explicação conceitual
  1. Escala: 0–1 ou 0–100? Uma queda de "2 pontos" é pequena ou grande dependendo da escala e do nível inicial.
  2. Eixo truncado: gráficos de Gini raramente começam em zero; isso amplia visualmente variações pequenas. Confira os limites do eixo.
  3. Quebras de série: procure marcas de mudança de pesquisa (no Brasil, 2011/2012) e não conecte as duas séries como se fossem uma só.
  4. Variável e etapa: renda ou consumo; antes ou depois de impostos e transferências.
  5. Ano de cada ponto em gráficos comparativos de países: a barra de um país pode ser de 2021 e a de outro, de 2024.
  6. Margens de erro: Ginis de pesquisas amostrais têm intervalo de confiança; variações de poucos décimos de um ano para outro podem não ser significativas.
  7. Combine com a curva de Lorenz ou com as parcelas por decil para ver onde a distribuição mudou.

Comparações

Tabelas resumem tendências gerais; cada linha simplifica debates que o texto detalha. Classificações sobrepostas não são exclusivas.

Gini do Banco Mundial (SI.POV.GINI): último ano disponível por país
CritérioAnoGini (0–100)VariávelPesquisa (sigla PIP)Parcela do decil mais ricoRazão de Palma (cálculo da redação)
Brasil202450,3rendaPNADC39,3%3,3
África do Sul202254,1consumoIES42,1%4,0
Coreia do Sul202132,9rendaSHFLC (via LIS)25,0%1,3
Índia202323,0consumoHCES20,5%0,8
Nigéria202233,9consumoLSS26,3%1,3
Estados Unidos202441,8rendaCPS-ASEC (via LIS)30,8%2,0
Noruega202326,5rendaEU-SILC21,6%0,9

Fonte: Banco Mundial, World Development Indicators, a partir da Poverty and Inequality Platform (PIP). Série/código: SI.POV.GINI ('Gini index'); detalhes de pesquisa, tipo de bem-estar e parcelas por decil lidos na API do PIP (campos welfare_type, survey_acronym, decile1–decile10). Período: último ano com dado de cada país até 2025. Unidade: índice de 0 a 100; parcelas em % da renda ou do consumo total. Cobertura: nacional. Ajustes: nenhum feito pela redação, exceto arredondamento das parcelas a uma casa decimal e cálculo da razão de Palma (decil 10 ÷ soma dos decis 1 a 4). Metodologia: Gini sobre renda ou consumo per capita domiciliar de pesquisas amostrais; para países de renda alta, dados harmonizados pelo Luxembourg Income Study. Data de extração: 2026-10-19 (WDI atualizado em 2026-10-08). Download: https://api.worldbank.org/v2/country/BRA;ZAF;KOR;IND;NGA;USA;NOR;SWE;CHN/indicator/SI.POV.GINI?format=json&date=1981:2025&per_page=1000 e https://api.worldbank.org/pip/v1/pip?country=BRA&year=all&format=json. Limitações: os anos diferem entre países e não são diretamente comparáveis; Ginis de consumo (África do Sul, Índia, Nigéria) não são comparáveis com Ginis de renda; pesquisas domiciliares subestimam o topo; a China (Gini de consumo 36,0 em 2022, estimativa 'sintética' a partir de dados rural e urbano) foi omitida da tabela pela diferença de método. Fontes: Gini index, indicador SI.POV.GINI (API, Brasil, África do Sul, Coreia do Sul, Índia, Nigéria, EUA, Noruega, Suécia e China, 1981–2025), PIP API v1, estimativas por país e ano (tipo de bem-estar, pesquisa, comparabilidade, Gini e parcelas por decil), Metadados do indicador SI.POV.GINI (definição e nota de fonte).

Brasil: Gini e parcela do decil mais rico, anos selecionados (1981–2024)
CritérioGini (0–100)Parcela do decil mais ricoPesquisa
198157,945,9%PNAD
198963,251,1%PNAD
199559,547,5%PNAD
200158,446,1%PNAD
200556,344,6%PNAD
201152,941,7%PNAD
2012 (nova série)53,442,4%PNAD Contínua
201551,940,9%PNAD Contínua
201953,541,9%PNAD Contínua
202048,839,4%PNAD Contínua (5ª visita)
202152,941,5%PNAD Contínua (5ª visita)
202450,339,3%PNAD Contínua

Fonte: Banco Mundial, WDI/PIP. Série/código: SI.POV.GINI; parcela do decil superior do campo decile10 da API do PIP. Período: 1981–2024, anos selecionados. Unidade: índice de 0 a 100; parcela em % da renda total. Cobertura: nacional (a PNAD até 2003 não cobria a área rural da antiga região Norte, ponto a conferir na documentação do IBGE). Ajustes: arredondamento a uma casa decimal pela redação. Metodologia: renda domiciliar per capita das pesquisas do IBGE, harmonizada pelo Banco Mundial; a plataforma marca dois períodos comparáveis: 1981–2011 (PNAD) e 2012–2024 (PNAD Contínua, primeira visita, exceto 2020–2021, quinta visita). Data de extração: 2026-10-19. Download: https://api.worldbank.org/pip/v1/pip?country=BRA&year=all&format=json. Limitações: quebra de série entre 2011 e 2012 (não ligar os pontos como série única); pesquisas domiciliares subestimam rendas do topo (Medeiros, Souza e Castro, 2015); 2020 é ano atípico (pandemia e auxílio emergencial); faltam anos sem pesquisa (1991, 1994, 2000, 2010). Fontes: Gini index, indicador SI.POV.GINI (API, Brasil, África do Sul, Coreia do Sul, Índia, Nigéria, EUA, Noruega, Suécia e China, 1981–2025), PIP API v1, estimativas por país e ano (tipo de bem-estar, pesquisa, comparabilidade, Gini e parcelas por decil).

Gini antes e depois de impostos e transferências (OCDE, escala 0–1)
CritérioAnoRenda de mercadoRenda disponívelRedução (pontos, cálculo da redação)
Noruega20230,4320,25917,3
Estados Unidos20230,5060,39411,2
Coreia do Sul20230,3920,3236,9
Costa Rica20240,5260,4606,6
Chile20220,4910,4484,3
México20220,4160,4001,6

Fonte: OCDE, Income Distribution Database. Série/código: INC_MRKT_GINI (Gini da renda de mercado) e INC_DISP_GINI (Gini da renda disponível), população total (AGE=_T), metodologia 2012 (METH2012), definição corrente (D_CUR). Período: último ano disponível para cada país na consulta (2018 em diante). Unidade: coeficiente de 0 a 1; redução em pontos de Gini na escala 0–100. Cobertura: nacional. Ajustes: arredondamento a três casas e cálculo da diferença pela redação. Metodologia: renda domiciliar ajustada pelo tamanho do domicílio; renda de mercado antes de impostos diretos e transferências públicas em dinheiro, renda disponível depois deles (definições da OCDE; documentação não consultada nesta redação). Data de extração: 2026-10-19. Download: https://sdmx.oecd.org/public/rest/data/OECD.WISE.INE,DSD_WISE_IDD@DF_IDD,/USA+NOR+KOR+CRI+CHL+MEX..INC_DISP_GINI+INC_MRKT_GINI......?startPeriod=2018 (CSV). Limitações: o Brasil não integra a base da OCDE com esses dados; não inclui serviços públicos gratuitos nem impostos indiretos; aposentados elevam o Gini de mercado em países com previdência pública ampla; em alguns países a renda de mercado é registrada líquida de impostos; anos diferentes entre países. Fontes: Gini da renda de mercado (INC_MRKT_GINI) e da renda disponível (INC_DISP_GINI), população total, metodologia 2012 (API SDMX).

Cronologia

  1. 1905

    Max Lorenz apresenta a curva de concentração que leva seu nome.2

  2. 1912

    Corrado Gini publica Variabilità e mutabilità, base do coeficiente.1

  3. 1955

    Simon Kuznets apresenta a hipótese do 'U invertido' entre crescimento e desigualdade.13

  4. 2003

    Piketty e Saez publicam séries de renda do topo nos EUA com dados tributários.8

  5. 2011

    José Gabriel Palma publica o artigo que dá origem à razão de Palma.4

  6. 2012

    Início da série do Banco Mundial para o Brasil baseada na PNAD Contínua.5

  7. 2015

    Medeiros, Souza e Castro publicam as primeiras estimativas do topo da distribuição brasileira com dados do imposto de renda.7

Bibliografia comentada

  • Marcelo Medeiros; Pedro H. G. Ferreira de Souza; Fábio Avila de Castro. O topo da distribuição de renda no Brasil: primeiras estimativas com dados tributários e comparação com pesquisas domiciliares (2006–2012) (2015)

    Estudo pioneiro sobre o topo da distribuição de renda no Brasil com dados do imposto de renda; essencial para entender os limites das pesquisas domiciliares.

  • José Gabriel Palma. Homogeneous Middles vs. Heterogeneous Tails, and the End of the 'Inverted-U': It's All About the Share of the Rich (2011)

    Artigo que propõe olhar para a disputa entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres e critica a curva de Kuznets.

  • Thomas Piketty. Le Capital au XXIe siècle (O capital no século XXI) (2013)

    Síntese de longo prazo sobre renda e riqueza com dados fiscais; sua tese sobre a relação entre retorno do capital e crescimento gerou amplo debate.

  • Anthony B. Atkinson. Inequality: What Can Be Done? (2015)

    Introdução às medidas de desigualdade e a propostas de política de um dos principais especialistas do campo.

  • Banco Mundial, Poverty and Inequality Platform (PIP). PIP API v1, estimativas por país e ano (tipo de bem-estar, pesquisa, comparabilidade, Gini e parcelas por decil)

    Fonte dos dados comparáveis por país, com indicação de pesquisa, tipo de bem-estar e períodos comparáveis.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Corrado Gini. Variabilità e mutabilità. 1912.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  2. 2Max O. Lorenz. Methods of Measuring the Concentration of Wealth. Publications of the American Statistical Association, 1905.[Fonte primária · referência bibliográfica]
  3. 3Banco Mundial, World Development Indicators. Metadados do indicador SI.POV.GINI (definição e nota de fonte). World Bank Open Data API v2.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  4. 4José Gabriel Palma. Homogeneous Middles vs. Heterogeneous Tails, and the End of the 'Inverted-U': It's All About the Share of the Rich. Development and Change, 2011.[Historiografia · referência bibliográfica]
  5. 5Banco Mundial, Poverty and Inequality Platform (PIP). PIP API v1, estimativas por país e ano (tipo de bem-estar, pesquisa, comparabilidade, Gini e parcelas por decil). World Bank.[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada para Brasil, África do Sul, Coreia do Sul, Índia, Nigéria, EUA, Noruega e China (trocar o código do país na URL).
  6. 6Banco Mundial, World Development Indicators / Poverty and Inequality Platform (PIP). Gini index, indicador SI.POV.GINI (API, Brasil, África do Sul, Coreia do Sul, Índia, Nigéria, EUA, Noruega, Suécia e China, 1981–2025). World Bank Open Data API v2 (última atualização informada: 08/10/2026).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Dados para download (JSON). Página do indicador: https://data.worldbank.org/indicator/SI.POV.GINI
  7. 7Marcelo Medeiros; Pedro H. G. Ferreira de Souza; Fábio Avila de Castro. O topo da distribuição de renda no Brasil: primeiras estimativas com dados tributários e comparação com pesquisas domiciliares (2006–2012). Dados – Revista de Ciências Sociais, vol. 58, n. 1, p. 7–36, 2015.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  8. 8Thomas Piketty; Emmanuel Saez. Income Inequality in the United States, 1913–1998. Quarterly Journal of Economics, 2003.[Historiografia · referência bibliográfica]
  9. 9Thomas Piketty. Le Capital au XXIe siècle (O capital no século XXI). 2013.[Historiografia · referência bibliográfica]
  10. 10World Inequality Lab. World Inequality Database (WID), página do Brasil.[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Página aberta; os valores do gráfico interativo não foram lidos e por isso nenhum número do WID é citado.
  11. 11OCDE, Income Distribution Database (IDD). Gini da renda de mercado (INC_MRKT_GINI) e da renda disponível (INC_DISP_GINI), população total, metodologia 2012 (API SDMX). OECD Data Explorer (sdmx.oecd.org).[Estatística · consultada em 19 de outubro de 2026]Resposta em CSV (cabeçalho Accept: application/vnd.sdmx.data+csv). Filtro usado: AGE=_T, METHODOLOGY=METH2012, DEFINITION=D_CUR.
  12. 12Anthony B. Atkinson. Inequality: What Can Be Done?. 2015.[Historiografia · referência bibliográfica]
  13. 13Simon Kuznets. Economic Growth and Income Inequality. American Economic Review, 1955.[Historiografia · referência bibliográfica]

Rede de relações

Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.

relacionado a

Compartilhe

Peças para as redes

Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.

Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação assistida por IA (Claude)
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
2.227 palavras · 13 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação do explicador do Gini com dados lidos nas APIs do Banco Mundial (SI.POV.GINI e PIP) e da OCDE (IDD), extração de 19/10/2026, e no artigo de Medeiros, Souza e Castro (2015). Pendências: Lorenz, Gini, Kuznets (1955), Piketty, Saez, Palma e Atkinson citados sem consulta; documentação metodológica da OCDE e do PIP não aberta (escala de equivalência, renda líquida em alguns países); cobertura rural da PNAD anterior a 2004 a conferir; valores do WID não lidos.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

Encontrou um erro? Escreva pela página de correções citando o verbete e a seção. Correções ficam registradas neste histórico.

Como citar: Coeficiente de Gini. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/coeficiente-de-gini.

Continue explorando

Preferências de leitura
Tamanho do texto
Fonte