Manoel Lisboa de Moura
Estudante de medicina e dirigente do PCR (1944–1973), morto sob tortura
Alagoano de Maceió, militou no PCB e no PCdoB e esteve entre os fundadores do Partido Comunista Revolucionário (PCR) no Nordeste. Preso em Recife em 16 de agosto de 1973, foi torturado no DOI-CODI do IV Exército e em São Paulo e morto em setembro de 1973; a versão oficial de "tiroteio" foi desmentida.
Também: Manoel Lisbôa de Moura · Manuel Lisboa de Moura · Mário · Miguel · Galego · Celso · Estudante
Índice e ficha
- Nome completo
- Manoel Lisbôa de Moura
- Nascimento
- 21 de fevereiro de 1944, Maceió (AL)
- Morte
- 4 de setembro de 1973, São Paulo (SP), DOI-CODI do II Exército, segundo a CNVMorto sob tortura após prisão em Recife em 16/8/1973; versão oficial de tiroteio no largo de Moema desmentida pela CNV e pela comissão de PE.
- Nacionalidade
- brasileira
- Papéis
- Dirigente estudantil secundarista (UESA) e do CPC da UNE em AlagoasMilitante
- Fundador e principal dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR)Liderança de partido comunista · 1966/1967–1973
- Editor do jornal clandestino A LutaMilitante
- Como se definia
- Declarou-se marxista-leninista do PCdoB em interrogatório de 1965, segundo termo citado pela comissão de Pernambuco.
- Filiações
- Partido Comunista Brasileiro (PCB), Juventude (c. 1960–1965); Partido Comunista do Brasil (PCdoB) (1965–1966); Partido Comunista Revolucionário (PCR) (1966/1967–1973)
- Período
- 1944–1973
- Área
- Ditaduras no Brasil
- Regiões
- Brasil
- Temas
- Repressão, violência política e direitos, Partido e organização, Questão agrária e campesinato, Ciência e educação
Manoel Lisboa de Moura (Maceió, 1944 – São Paulo, 1973) foi um militante comunista alagoano, estudante de medicina, que se tornou o principal dirigente do Partido Comunista Revolucionário (PCR) no Nordeste no início dos anos 1970 1 2. Perseguido desde o golpe de 1964, viveu na clandestinidade a partir de 1966 e atuou em Alagoas, Pernambuco e Paraíba, sobretudo junto a estudantes e trabalhadores da zona canavieira 2.
Foi capturado em Recife em 16 de agosto de 1973, torturado no DOI-CODI do IV Exército e, depois, no DOI-CODI de São Paulo, onde morreu. Os órgãos de segurança divulgaram que ele e Emmanuel Bezerra dos Santos haviam morrido num tiroteio no largo de Moema em 4 de setembro de 1973, versão que a CNV e a Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (PE) consideraram falsa 1 2.
O PCR, refundado em 1995, é uma das organizações ligadas à Unidade Popular, que inclui Manoel Lisboa entre os lutadores que homenageia 3. Este verbete segue o mesmo padrão documental dos demais: fatos sobre sua vida e morte apoiam-se nas comissões da verdade e em documentos; a fonte partidária vale para a versão do próprio PCR.
Formação e primeiros anos de militância (1944–1964)
Manoel Lisbôa de Moura nasceu em 21 de fevereiro de 1944, em Maceió (AL), filho de Iracilda Lisbôa de Moura e Augusto de Moura Castro 1. Iniciou a militância no movimento secundarista, no Colégio Liceu Alagoano e na União Estadual dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (UESA) 1. Segundo a comissão pernambucana, fez teatro ligado ao Movimento de Cultura Popular e, aos dezesseis anos, filiou-se à Juventude do PCB 2.
Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, onde ajudou a organizar o Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE 1; em 1964 cursava o primeiro ano 2. (Um trecho do mesmo relatório pernambucano o chama de "estudante de medicina da UFPE"; prevalece aqui a indicação da CNV e da biografia da própria comissão.)
Perseguição, prisões e passagem ao PCdoB (1964–1966)
Logo após o golpe, foi procurado em casa por agentes da repressão e fugiu para Recife, onde trabalhou na Companhia de Eletrificação Rural do Nordeste (Cerne); seguiu depois para o Rio de Janeiro, onde ficou cerca de um ano 1. Nesse período foi expulso da universidade e teve os direitos políticos cassados 1. Segundo a comissão pernambucana, rompeu com a linha do PCB, que considerava "revisionista", e passou ao PCdoB por contato com Amaro Luiz de Carvalho e Ricardo Zarattini 2.
Em 12 de agosto de 1965, apresentou-se à polícia em Recife e ficou preso 45 dias, período em que foi torturado 2 1. Em interrogatório num inquérito policial-militar, segundo o termo citado pela comissão pernambucana, declarou-se marxista-leninista do PCdoB e responsável pelo jornal A Luta 2. Foi solto em 21 de setembro de 1965, preso de novo para averiguações em 1º de abril de 1966 e libertado em 4 de abril por falta de provas 2. Condenado pela Justiça Militar em 1966, segundo a CNV, passou a viver na clandestinidade, com os codinomes Mário, Miguel, Galego e Celso 1.
A fundação do PCR (1966–1967)
A data e as circunstâncias da fundação do PCR variam conforme a fonte:
- O próprio PCR afirma ter sido fundado em maio de 1966, em Recife, por militantes que deixaram o PCdoB, o líder camponês Amaro Luiz de Carvalho e os jovens Manoel Lisboa de Moura, Selma Bandeira, Valmir Costa e Ricardo Zarattini, e situa no mesmo ano a Carta de 12 Pontos aos Comunistas Revolucionários 4.
- A CNV registra, no perfil de Amaro Luiz de Carvalho, que ele foi "um dos fundadores, junto com Manoel Lisboa e Ricardo Zarattini", e, no perfil de Manoel, que ele "fundou" o PCR, "uma dissidência do PCdoB", sem dar a data 5 1.
- A comissão pernambucana dá versões não inteiramente coincidentes: num capítulo geral, diz que o PCR foi "fundado em 1966, no Recife"; na seção sobre o partido, que a Carta de 12 Pontos, lançada em maio de 1966 por Amaro e Zarattini, fundamentou o partido "que vem a ser criado em 1967"; na biografia de Manoel, que ele "se agregou" à nova formação logo depois da Carta e foi escolhido para a direção; em outra passagem, refere-se aos "três fundadores", Amaro, Zarattini e Manoel 2.
Há, portanto, acordo sobre o núcleo dirigente e a origem no PCdoB, e divergência sobre o ano (1966 ou 1967) e sobre se Manoel participou do primeiro momento ou se juntou logo depois. Segundo a comissão pernambucana, a Carta tinha inspiração maoísta, o campesinato como força decisiva e a guerra popular a partir do campo, e o partido tinha estatuto e o boletim A Luta 2. A CNV registra Manoel como editor de A Luta, jornal de denúncia dos crimes da ditadura 1. Para a história do partido, ver Partido Comunista Revolucionário (PCR).
Atuação no Nordeste (1966–1973)
O PCR atuou na zona da mata de Pernambuco e de Alagoas, com antigos militantes das Ligas Camponesas e dos sindicatos rurais, como Manoel Aleixo da Silva ("Ventania"), e junto a estudantes em Recife, Natal e João Pessoa 2 (ver Ligas Camponesas). Segundo a comissão pernambucana, Manoel tinha mais ligações com o meio estudantil e recrutou, entre outros, Valmir Costa e Emmanuel Bezerra dos Santos 2. O plano de formar um núcleo armado no campo foi adiado; os maiores resultados vieram de greves por salários nos engenhos em 1967–1968, seguidas de prisões e torturas de camponeses que permitiram à polícia localizar o partido, cuja sede passou de Maceió para Barra de Santo Antônio, Caruaru, Garanhuns e Campina Grande 2.
Acusações dos órgãos de segurança. Documentos policiais e militares citados pela comissão pernambucana atribuíram a Manoel treinamento de guerrilha e atentados; o Cenimar chegou a apontar Zarattini, Amaro e Manoel no planejamento do atentado à bomba no aeroporto dos Guararapes, no Recife. A comissão afirma que os serviços da Aeronáutica e da Marinha fizeram essa acusação "sem provas", por "raciocínios de aproximação" 2. Tais registros são alegações de quem os produziu, não fatos estabelecidos. Em janeiro de 1970, a Justiça Militar decretou a prisão preventiva de Manoel 2.
Depois do assassinato de Amaro Luiz de Carvalho na Casa de Detenção do Recife, em 1971 5, e com Zarattini fora do Nordeste, Manoel assumiu a liderança do partido, segundo a comissão pernambucana 2. Em 1973, depois de uma ação para obter armas no Parque de Aeronáutica do Recife, a repressão ao PCR se intensificou 2. Segundo a comissão, foi o ano das "maiores baixas" da história do partido: 18 estudantes presos e denunciados, o desaparecimento do camponês Amaro Félix Pereira e as mortes de Manoel Aleixo, Emmanuel Bezerra e Manoel Lisboa 2. Manoel Aleixo foi morto por agentes do DOPS/PE em 29 de agosto de 1973, depois de preso, sob versão falsa de "tiroteio", segundo a CNV 6.
Prisão em Recife (16 de agosto de 1973)
Segundo testemunho da operária Fortunata, citado pela CNV e pela comissão pernambucana, Manoel foi capturado quando conversava com ela na praça Ian Fleming, no Rosarinho, em Recife; foi algemado, arrastado para um veículo e levado ao DOI-CODI do IV Exército 1 2. A CNV aponta como responsáveis pela prisão o policial pernambucano Luiz Miranda (Luiz Martins de Miranda Filho) e o delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury 1; a comissão pernambucana atribui a prisão a Luiz Miranda Filho, do DOPS, que trabalhava com o DOI-CODI do IV Exército 2. Uma carta de 1º de setembro de 1973 já denunciava que ele fora levado por agentes no dia 16 de agosto 1.
Documentos dos próprios órgãos de segurança confirmam a prisão em Recife: o ofício nº 144-B-E/2 da 2ª Seção do IV Exército (28/9/1973) registra a prisão e pede sua transferência a São Paulo; e documento do CISA de 7 de janeiro de 1974 informa que o PCR vinha sendo "desmantelado pelo DOI/IV Ex", com "morte de três" militantes, Manoel Aleixo, Emmanuel Bezerra e Manoel Lisboa 1 2.
Tortura e morte
Conteúdo sensívelEsta seção descreve tortura de uma pessoa presa e seu estado físico antes da morte (sem detalhes gráficos).Ler este trechoOcultar trecho
Selma Bandeira Mendes, que fora casada com Manoel e esteve presa no DOI do IV Exército no mesmo período, denunciou que ele foi torturado pela equipe de Luiz Miranda 1. O ex-preso político José Nivaldo Júnior o viu numa cela, deitado no chão, sem roupa e com sinais de tortura; em audiência da comissão pernambucana em 16 de maio de 2013, disse que um torturador ergueu seu capuz para obrigá-lo a ver Manoel, já incapaz de se mover, entre 29 de agosto e 4 de setembro, e afirmou que o estado em que o viu não permitiria sequer que ficasse em pé, "quanto mais que trocasse tiro com alguém" 1 2.
Segundo a CNV, cerca de dez dias depois da prisão Manoel foi levado ao DOI-CODI de São Paulo, na rua Tutoia, e torturado novamente, com participação de Fleury; morreu em 4 de setembro de 1973 em decorrência das torturas, apresentando queimaduras por todo o corpo e estando quase paralítico 1. O ex-preso Edival Nunes da Silva (Cajá), militante do PCR, sustentou à comissão pernambucana outra hipótese: que Manoel teria sido morto ainda no DOI-CODI do IV Exército e levado morto a São Paulo 2. As duas comissões concordam que ele morreu sob tortura, sob custódia do Estado.
A versão oficial do "tiroteio" e por que foi desmentida
Versão oficial (1973). Segundo o inquérito do DOPS de São Paulo, Manoel teria revelado à polícia um encontro com Emmanuel Bezerra dos Santos, recém-chegado do Chile, no largo de Moema, em 4 de setembro de 1973; na emboscada, Emmanuel teria atirado, os agentes revidaram, e os dois teriam morrido a caminho do Hospital das Clínicas 1. Essa versão aparece na requisição de exame necroscópico assinada pelo delegado Edsel Magnotti, no laudo dos legistas Harry Shibata e Armando Cânger Rodrigues, na certidão de óbito ("hemorragia interna por ferimento de projétil de arma de fogo"), em jornais da época ("Terroristas morrem em tiroteio com agentes", Diario de Pernambuco, 5/9/1973) e, em 1993, no relatório do Ministério da Aeronáutica ao Ministério da Justiça 1.
O que a desmente. A CNV e a comissão pernambucana apontam: (1) documentos do IV Exército e do CISA que registram a prisão em Recife, e não em São Paulo; (2) testemunhos de presos que o viram torturado e incapaz de se locomover; (3) a carta de 1º de setembro denunciando o sequestro de 16 de agosto; (4) o fato de que a família, ao percorrer o largo de Moema, não encontrou quem tivesse ouvido tiroteio; (5) o livro do jornalista Marcelo Godoy (grafado "Godoi" no relatório) sobre o DOI-CODI paulista, que, com depoimento de uma ex-integrante do órgão, descreve a cena de Moema como "encenada" 1 2. A requisição de exame não trazia o nome da vítima, mas um "T" de "terrorista", e o laudo o registrou como "desconhecido", embora os órgãos de segurança conhecessem sua identidade, como destacou a relatora do caso na CEMDP 1. Para Emmanuel, a comissão pernambucana considera provável que tenha sido preso ao voltar do Chile e entregue ao DOI-CODI paulista 2 7.
Enterro como indigente, exumação e a questão dos restos
Manoel e Emmanuel foram enterrados como indigentes no Cemitério de Campo Grande, em São Paulo 1. Seu irmão, o capitão do Exército Carlos Cavalcante, escreveu em 7 de setembro de 1973 ao II Exército pedindo a identificação correta da sepultura; encontrou no cemitério duas guias de "nome desconhecido" com os mesmos dados. A família só poderia receber o corpo em caixão lacrado e recusou, por não ter certeza de que seria o de Manoel 1.
Em 10 de dezembro de 1991, na exumação dos restos de Emmanuel, peritos da Unicamp abriram a sepultura indicada como a de Manoel e recolheram a ossada de um homem "aparentemente com menos de 30 anos" ao ossário 1. Os restos atribuídos a Manoel foram trasladados a Maceió em 6 de maio de 2003, após intervenção da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos; a comissão pernambucana registra entrega à família e solenidade na Ufal 1 2 8.
Incerteza. Apesar do traslado, a CNV o classifica como desaparecido político ("teve o seu cadáver ocultado") e recomenda "a localização e identificação de seus restos mortais" 1. As fontes consultadas não informam se houve exame de DNA conclusivo sobre a ossada levada a Maceió; o portal Memórias da Ditadura afirma que ele permaneceu desaparecido até que os restos fossem identificados e devolvidos 8. Este verbete registra a divergência sem resolvê-la (ver Qual a diferença entre morto e desaparecido político? e, sobre ossadas de cemitérios paulistas, Vala clandestina de Perus).
Reconhecimento oficial e conclusões das comissões
A CEMDP reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de Manoel Lisboa em decisão de 18 de março de 1996 (processo nº 137/96, segundo a comissão pernambucana) 1 2 9.
CNV (2014): concluiu que Manoel Lisbôa de Moura "foi preso, torturado, morto e teve o seu cadáver ocultado por agentes do Estado brasileiro, sendo desaparecido político", e recomendou retificar a certidão de óbito para que conste que a morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependências do Estado, continuar as investigações e identificar e responsabilizar os agentes 1. A CNV listou como autores de graves violações: Sérgio Fernando Paranhos Fleury (DOPS/SP) e Luiz Martins de Miranda Filho (chefes de equipe responsáveis pela prisão e tortura), Edsel Magnotti (requisição de exame com causa de morte alterada) e os legistas Harry Shibata e Armando Cânger Rodrigues (laudo com identidade e causa de morte falsas); e, na cadeia de comando, do presidente Médici e do ministro Orlando Geisel aos comandos do IV e do II Exército, incluindo o chefe do DOI do II Exército, major Carlos Alberto Brilhante Ustra 1.
Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (PE, relatório de 2017): concluiu que a versão oficial "não pode ser aceita", que Manoel foi preso no Recife por Luiz Miranda Filho, "barbaramente torturado", transferido ao DOI-CODI de São Paulo sob responsabilidade de Fleury e torturado até a morte, e recomendou a continuidade das investigações 2. A comissão também afirmou haver "ação deliberada dos órgãos da repressão para eliminação dos membros de maior proeminência" do PCR 2.
Conclusões de comissão não são condenação penal. Nenhum agente foi julgado pela morte de Manoel Lisboa, segundo as fontes consultadas (situação em 19/10/2026).
Situação documentada
As categorias não se somam: uma mesma pessoa pode ter sido presa, exilada e depois desaparecida.
- Desaparecido(a)
- Sobrevivente
- Cassado(a)
- Expurgado(a)
- Reconhecimento oficial
- CEMDP: Responsabilidade do Estado reconhecida em 18/3/1996 (processo nº 137/96). Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura
- CNV: Perfil no vol. III; conclui que foi preso, torturado, morto e teve o cadáver ocultado por agentes do Estado; desaparecido político. Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura
- Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (PE): Rejeita a versão oficial e conclui que foi torturado até a morte. Relatório Final, Volume I (Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara)
- Restos mortais
- Enterrado como indigente no Cemitério de Campo Grande (SP); sepultura indicada como sua exumada em 1991; restos atribuídos a ele trasladados a Maceió em 6/5/2003. A CNV, porém, recomenda localizar e identificar os restos, a identificação conclusiva não está documentada nas fontes consultadas.
- Investigações e processos
- Não há ação penal identificada. A CNV e a comissão de PE recomendaram continuidade das investigações e responsabilização dos agentes.
- Reparação e memória
- Ruas em Maceió, Recife e São Paulo; centro cultural no Recife; Memorial Pessoas Imprescindíveis (Ufal). A CNV recomendou retificar a certidão de óbito.
- O que não se sabe
- Local exato da morte (São Paulo ou Recife), identificação científica dos restos trasladados, ano da fundação do PCR e momento de sua adesão.
Informações sobre processos e reparações conferidas até 19 de outubro de 2026; podem ter mudado depois.
Responsabilidades e grau de prova
Ocupar um cargo não prova participação pessoal em cada crime. A tabela diz o que cada fonte afirma e com que grau de prova.
| Sobre | Grau de prova | O que a fonte afirma | Fonte |
|---|---|---|---|
| Prisão e tortura (Sérgio Fernando Paranhos Fleury, DOPS/SP) | Conclusão de comissão | A CNV o aponta como chefe da equipe responsável pela prisão e tortura, com base em documento da CEMDP; a comissão de PE diz que Manoel foi entregue a ele e torturado até a morte no DOI-CODI/SP. | Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura |
| Prisão e tortura em Recife (Luiz Martins de Miranda Filho) | Conclusão de comissão | A CNV o aponta como chefe da equipe responsável pela prisão e tortura, com base na denúncia de Selma Bandeira; a comissão de PE afirma que ele prendeu Manoel no Recife. | Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura |
| Falsificação documental da morte (Edsel Magnotti, Harry Shibata, Armando Cânger Rodrigues) | Conclusão de comissão | A CNV atribui ao delegado Magnotti a requisição de exame com causa de morte alterada e aos legistas Shibata e Cânger Rodrigues laudo que registrou a vítima como desconhecida e com causa de morte falsa. | Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura |
| Cadeia de comando (DOI-CODI do IV e do II Exército) | Cargo ou comando | A CNV lista, entre outros, o presidente Médici, o ministro Orlando Geisel, os comandantes do IV e do II Exército, o coronel Antônio Cúrcio Neto (DOI/IV Ex.) e o major Carlos Alberto Brilhante Ustra (DOI/II Ex.). Cargo não prova participação pessoal. | Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura |
| Prisão no Recife (documento de época) | Documento de época | Documento do CISA de 7/1/1974 e ofício do IV Exército de 28/9/1973 registram a prisão pelo DOI/IV Exército no Recife, contrariando a versão de captura em São Paulo. | Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura |
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Ditadura de 1964–1985 · Nordeste, Sudeste (AL, PE, PB, SP)
Vítimas e sobreviventesPessoasResistênciasOrganizaçõesHistórias regionaisMemória, verdade e justiça
Cronologia
21 de fevereiro de 1944
Nasce em Maceió (AL).1
c. 1960
Filia-se, aos dezesseis anos, à Juventude do PCB.2
1964
Cursando o 1º ano de Medicina na Ufal, é procurado pela repressão após o golpe e foge para Recife.2
12 de agosto de 1965
Apresenta-se à polícia em Recife; fica preso 45 dias e é torturado.2
1 de abril de 1966
Nova prisão para averiguações; solto em 4 de abril.2
maio de 1966 (data disputada)
Fundação do PCR, com Amaro Luiz de Carvalho e Ricardo Zarattini.4
1966
Condenado pela Justiça Militar, passa à clandestinidade.1
22 de janeiro de 1970
Justiça Militar decreta sua prisão preventiva.2
22 de agosto de 1971
Amaro Luiz de Carvalho é morto na Casa de Detenção do Recife.5
16 de agosto de 1973
Preso na praça Ian Fleming, no Recife, e levado ao DOI-CODI do IV Exército.1
29 de agosto de 1973
Manoel Aleixo, dirigente camponês do PCR, é morto por agentes do DOPS/PE.6
4 de setembro de 1973
Morre sob tortura no DOI-CODI de São Paulo; órgãos de segurança anunciam "tiroteio" em Moema.1
7 de setembro de 1973
Irmão pede ao II Exército a identificação da sepultura.1
28 de setembro de 1973
Ofício do IV Exército confirma a prisão no Recife e a transferência a São Paulo.1
7 de janeiro de 1974
Documento do CISA atribui ao DOI/IV Exército o desmantelamento do PCR e três mortes.1
10 de dezembro de 1991
Exumação, pela Unicamp, da sepultura indicada como a de Manoel no Cemitério de Campo Grande.1
18 de março de 1996
CEMDP reconhece a responsabilidade do Estado por sua morte.1
6 de maio de 2003
Restos atribuídos a ele são trasladados a Maceió.1
16 de maio de 2013
Audiência da comissão de PE ouve ex-presos do PCR sobre sua morte.2
dezembro de 2014
CNV conclui que foi preso, torturado, morto e teve o cadáver ocultado por agentes do Estado.1
2017
Relatório final da Comissão Dom Helder Câmara rejeita a versão oficial.2
Bibliografia comentada
Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura (2014)
Perfil oficial com biografia, versão oficial, documentos que a contradizem, autores apontados e cadeia de comando.
Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (CEMVDHC), Governo do Estado de Pernambuco. Relatório Final, Volume I (Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara) (2017)
Biografia mais detalhada (relatora Socorro Ferraz), com documentos do DOPS-PE, depoimentos de ex-presos do PCR e capítulo sobre o partido; atenção às datas divergentes de fundação.
Partido Comunista Revolucionário (PCR). História, Partido Comunista Revolucionário
Versão do próprio partido sobre sua fundação e seus mortos; vale como posição partidária.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura. 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Texto lido nesta tarefa em cópia integral do PDF oficial baixada em 19/10/2026 do endereço indicado; em nova tentativa, o servidor da CNV passou a bloquear o acesso automatizado. Perfil nas páginas 1296–1301 do volume III.
- 2Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (CEMVDHC), Governo do Estado de Pernambuco. Relatório Final, Volume I (Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara). Recife, 2017.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Cópia do relatório oficial hospedada no Marxists Internet Archive (conferir com a edição do governo de Pernambuco). Seção sobre o PCR nas pp. 310–314; biografia de Manoel Lisboa de Moura (relatora Socorro Ferraz) nas pp. 337–343.
- 3Unidade Popular. Apresentação, Unidade Popular.[Fonte partidária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 4Partido Comunista Revolucionário (PCR). História, Partido Comunista Revolucionário.[Fonte partidária · consultada em 19 de outubro de 2026]Fonte partidária: vale para a versão do próprio PCR sobre sua história.
- 5Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, Volume III: Amaro Luiz de Carvalho. 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Texto lido nesta tarefa em cópia integral do PDF oficial baixada em 19/10/2026 do endereço indicado; em nova tentativa, o servidor da CNV passou a bloquear o acesso automatizado. Perfil a partir da página 701 do volume III.
- 6Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, Volume III: Manoel Aleixo da Silva. 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Texto lido nesta tarefa em cópia integral do PDF oficial baixada em 19/10/2026 do endereço indicado; em nova tentativa, o servidor da CNV passou a bloquear o acesso automatizado. Perfil a partir da página 1281 do volume III.
- 7Comissão Nacional da Verdade (CNV). Relatório, Volume III: Emmanuel Bezerra dos Santos. 2014.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Texto lido nesta tarefa em cópia integral do PDF oficial baixada em 19/10/2026 do endereço indicado; em nova tentativa, o servidor da CNV passou a bloquear o acesso automatizado. Perfil nas páginas 1292–1295 do volume III.
- 8Manoel Lisboa de Moura, perfil. Portal Memórias da Ditadura (Instituto Vladimir Herzog).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Resume a versão oficial da época, os documentos que a contradizem e as conclusões da CNV.
- 9Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República / CEMDP. Direito à Memória e à Verdade: Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Brasília, 2007.[Fonte oficial · referência bibliográfica]Livro-relatório da CEMDP. Não aberto nesta redação; as informações dele usadas aqui chegam por citação da CNV.
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
fundou
- Partido Comunista Revolucionário (PCR)OrganizaçãoData da fundação disputada (1966 ou 1967). Fonte: Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura
dirigiu
- Partido Comunista Revolucionário (PCR)Organizaçãoc. 1971–1973. Fonte: Relatório Final, Volume I (Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara)
integrou
- Partido Comunista Brasileiro (PCB)OrganizaçãoFonte: Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura
- Partido Comunista do Brasil (PCdoB) (verbete planejado)OrganizaçãoFonte: Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura
relacionado a
- Emmanuel Bezerra dos Santos (verbete planejado)PessoaCompanheiro de partido, morto no mesmo episódio. Fonte: Relatório, Volume III: Emmanuel Bezerra dos Santos
- Amaro Luiz de Carvalho (Capivara) (verbete planejado)PessoaCofundador do PCR. Fonte: Relatório, Volume III: Amaro Luiz de Carvalho
- Sérgio Paranhos Fleury (verbete planejado)PessoaApontado pela CNV como chefe da equipe responsável pela prisão e tortura (conclusão de comissão). Fonte: Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura
- Sistema DOI-CODI e Operação BandeiranteInstituiçãoFonte: Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura
- DOI-CODI de São Paulo (rua Tutoia) (verbete planejado)Lugar históricoLocal da morte segundo a CNV. Fonte: Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura
- DOPS/DEOPS, polícias políticas estaduais (1924–1983)InstituiçãoFonte: Relatório, Volume III: Manoel Lisbôa de Moura
- Luta armada no Brasil (verbete planejado)Acontecimento
- Ligas CamponesasOrganizaçãoFonte: Relatório Final, Volume I (Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara)
- Unidade Popular (UP)OrganizaçãoHomenageado na apresentação da UP. Fonte: Apresentação, Unidade Popular
- Comunismo no BrasilPaís e experiência histórica
- Qual a diferença entre morto e desaparecido político?Pergunta e guia
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP, rascunho assistido por IA
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.297 palavras · 9 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisado: CNV vol. III (perfis de Manoel Lisbôa de Moura, Emmanuel Bezerra dos Santos, Amaro Luiz de Carvalho e Manoel Aleixo da Silva, lidos no PDF oficial); relatório final da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara (PE, 2017, vol. I, em cópia hospedada no Marxists Internet Archive): seção sobre o PCR e biografia de Manoel; perfil do Memórias da Ditadura; história do PCR (fonte partidária); apresentação da UP. Coerente com o verbete organizacao:partido-comunista-revolucionario (prisão em 16/8/1973, versão oficial de Moema, conclusão da CNV). Pendências: (1) conferir a cópia do relatório de PE com a edição oficial do governo de Pernambuco; (2) esclarecer se a ossada trasladada a Maceió em 2003 teve identificação científica (DNA/antropologia) e por que a CNV ainda o classifica como desaparecido; (3) conferir em fonte acadêmica independente (dissertação da UFRN sobre o PCR, DHBB) a data de fundação (1966 ou 1967) e a participação de Selma Bandeira e Valmir Costa; (4) data e tribunal da condenação pela Justiça Militar em 1966; (5) livro de Marcelo Godoy (A Casa da Vovó) citado pela comissão de PE, não consultado; (6) o livro de memórias de Ricardo Zarattini, citado pela comissão de PE, não identificado nem consultado; (7) homenagens em São Paulo (bairro indicado pela comissão de PE) a conferir. Imagens não incluídas.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Manoel Lisboa de Moura. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/manoel-lisboa.
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Partido Comunista Revolucionário (PCR)
Organização comunista fundada em 1966 no Nordeste
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Fundado em 1922 como Partido Comunista do Brasil
Sistema DOI-CODI e Operação Bandeirante
Destacamentos de Operações de Informações e Centros de Operações de Defesa Interna do Exército (1969–anos 1980)
DOPS/DEOPS, polícias políticas estaduais (1924–1983)
Delegacias e departamentos de Ordem Política e Social das polícias civis estaduais
Ligas Camponesas
Movimento de foreiros, meeiros e pequenos lavradores do Nordeste (1955–1964)
Unidade Popular (UP)
Partido político brasileiro registrado no TSE em 2019 (número 80)