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Manifesto do Partido Comunista

Programa da Liga dos Comunistas, de Marx e Engels (Londres, fevereiro de 1848)

Programa encomendado pela Liga dos Comunistas a Marx e Engels, publicado anonimamente em alemão, em Londres, em fevereiro de 1848. Um dos textos políticos mais traduzidos e lidos da história.

Também: Manifest der Kommunistischen Partei · Manifesto Comunista · The Communist Manifesto

Capa verde da primeira edição do Manifest der Kommunistischen Partei, com moldura ornamental, a inscrição Veröffentlicht im Februar 1848 e a indicação London.
Karl Marx e Friedrich Engels (texto); impressão de J. E. Burghard, Fevereiro de 1848. Domínio público.

Índice e ficha
Título original
Manifest der Kommunistischen Partei
Publicação original
fevereiro de 1848, Londres (Tipografia da Bildungs-Gesellschaft für Arbeiter (J. E. Burghard))
Idioma original
Alemão
Direitos
Texto original em domínio público.
Onde ler
Período
1847–1848
Área
Socialismo e comunismo
Regiões
Europa, Internacional, Brasil
Temas
Teoria e conceitos, Partido e organização, Movimento operário e sindical

O Manifesto do Partido Comunista é o programa que a Liga dos Comunistas encomendou a Karl Marx e Friedrich Engels no fim de 1847. Escrito entre o fim de 1847 e janeiro de 1848, foi publicado anonimamente, em alemão, em Londres, em fevereiro de 1848 1 2, às vésperas da onda revolucionária que sacudiu a Europa naquele ano.

Em poucas dezenas de páginas, o texto apresenta uma interpretação da história como história de lutas de classes, descreve o papel revolucionário da burguesia e o surgimento do proletariado, expõe as posições dos comunistas e critica outras correntes socialistas. Termina com o chamado "Proletários de todos os países, uni-vos!". O original está em domínio público.

Encomenda e publicação

Fatos documentados

Em janeiro de 1847, a Liga dos Justos, organização de artesãos e trabalhadores alemães emigrados, convidou Marx e Engels a ingressar nela; no congresso de junho de 1847 a organização adotou o nome Liga dos Comunistas 2. Um segundo congresso, no fim de 1847, encarregou os dois de redigir o programa. Engels havia preparado esboços em forma de catecismo, entre eles os "Princípios do comunismo"; a redação final coube sobretudo a Marx.

A capa da primeira edição traz o título Manifest der Kommunistischen Partei, a indicação "Veröffentlicht im Februar 1848" (publicado em fevereiro de 1848) e o lema "Proletarier aller Länder vereinigt Euch!"; foi impressa em Londres, na tipografia da Associação Educativa dos Trabalhadores (Bildungs-Gesellschaft für Arbeiter), de J. E. Burghard, no número 46 da Liverpool Street, Bishopsgate (ver imagem). Os nomes dos autores não apareciam; a autoria passou a constar em edições posteriores 3.

Estrutura

Fatos documentadosDocumento de época

Após um breve preâmbulo ("Um espectro ronda a Europa..."), o texto tem quatro partes 1 4:

  1. Burgueses e proletários, a história como história de lutas de classes; o papel revolucionário da burguesia, que cria o mercado mundial e revoluciona constantemente a produção; a formação do proletariado e suas lutas.
  2. Proletários e comunistas, relação dos comunistas com o conjunto dos operários; abolição da propriedade burguesa; respostas a objeções; lista de dez medidas transitórias (entre elas imposto progressivo, centralização do crédito, educação pública e gratuita, fim do trabalho infantil nas fábricas).
  3. Literatura socialista e comunista, crítica do socialismo "reacionário" (feudal, pequeno-burguês, "verdadeiro" socialismo alemão), do socialismo "conservador ou burguês" e do socialismo e comunismo "crítico-utópicos" (Saint-Simon, Fourier, Owen).
  4. Posição dos comunistas diante dos diversos partidos de oposição, alianças em diferentes países e o chamado final.

Prefácios posteriores

Fatos documentadosDocumento de época

Marx e Engels escreveram prefácios para novas edições que acompanham a recepção do texto e suas revisões 5:

  • 1872 (edição alemã), Marx e Engels, Londres, 24 de junho. Dizem que o Manifesto se tornou um documento histórico que não tinham mais o direito de alterar e que a Comuna de Paris provara que a classe operária não pode simplesmente se apossar da máquina de Estado já pronta e fazê-la funcionar para seus fins.
  • 1882 (edição russa), Marx e Engels, 21 de janeiro. Discutem a possibilidade de a comuna camponesa russa servir de ponto de partida para um desenvolvimento comunista, se a revolução russa servisse de sinal para uma revolução proletária no Ocidente.
  • 1883 (edição alemã), Engels, 28 de junho, após a morte de Marx.
  • 1888 (edição inglesa, tradução de Samuel Moore), Engels, 30 de janeiro.
  • 1890 (edição alemã), Engels, 1º de maio.
  • 1892 (edição polonesa), Engels, 10 de fevereiro.
  • 1893 (edição italiana), Engels, 1º de fevereiro.

As datas foram conferidas na compilação do Marx/Engels Internet Archive; a lista coincide com a da tradução portuguesa da Avante! 4.

Primeiras traduções

Fatos documentados

Segundo os prefácios de Engels, uma tradução francesa saiu em Paris pouco antes da insurreição de junho de 1848; a primeira tradução inglesa, de Helen Macfarlane, foi publicada em 1850 no Red Republican, de George Julian Harney; uma tradução russa feita por Bakunin saiu em Genebra nos anos 1860 (o prefácio de 1888 a situa por volta de 1863; nota editorial indica 1869) 5. A tradução inglesa de Samuel Moore (1888), revista por Engels, tornou-se a versão de referência em inglês 1.

O Manifesto no Brasil

Fatos documentados

Segundo Leandro Konder, a primeira tradução brasileira foi feita por Octávio Brandão, ex-anarquista que aderira ao comunismo, e publicada em série no jornal Voz Cosmopolita, órgão dos empregados em hotéis, restaurantes e cafés, a partir do número 38, de 1º de dezembro de 1923; em 1924 saiu em livro em Porto Alegre, traduzida da edição francesa de Laura Lafargue revista por Engels. Em 1931 apareceu outra tradução, anônima, pela editora Unitas, de São Paulo 6. Antes disso, um Partido Socialista fundado em São Paulo em 1902 já recomendava uma edição francesa do Manifesto 6. A circulação do texto está ligada à formação do PCB em 1922 (ver Comunismo no Brasil).

Hoje há diversas traduções brasileiras e portuguesas; no Arquivo Marxista na Internet está disponível, com autorização, a tradução de José Barata-Moura (Avante!, Lisboa, 1997) 4.

Recepção e leituras

Interpretação historiográficaDebate em aberto

O Manifesto teve pouca repercussão imediata nas revoluções de 1848. Sua difusão maciça começou nos anos 1870, com o crescimento dos partidos operários; os próprios autores, no prefácio de 1872, já o tratavam como documento histórico 5. No século XX, tornou-se leitura obrigatória nos partidos comunistas e um dos textos mais traduzidos do mundo.

As leituras contemporâneas divergem. Há quem destaque sua descrição da globalização capitalista, a criação do mercado mundial, a revolução permanente dos meios de produção, como surpreendentemente atual. Críticos apontam previsões não realizadas, como a polarização social simples entre burguesia e proletariado e a iminência da revolução, e discutem a relação entre o programa de centralização econômica do Manifesto e os Estados do século XX. Leituras feministas e anticoloniais discutem seus silêncios e seu eurocentrismo. Esses juízos são interpretações, não fatos.

Direitos e onde ler legalmente

Fatos documentados

O texto original alemão e a tradução inglesa de 1888 estão em domínio público. Traduções modernas em português têm direitos próprios.

  • Em português: Arquivo Marxista na Internet, tradução de José Barata-Moura (Editorial "Avante!", 1997), em HTML, EPUB e PDF, com transcrição autorizada; os direitos da tradução pertencem à Avante! 4.
  • Em inglês: Marx/Engels Internet Archive, tradução de Samuel Moore (1888), com os prefácios 1 5.

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

Imagens

Capa verde da primeira edição do Manifest der Kommunistischen Partei, com moldura ornamental, a inscrição Veröffentlicht im Februar 1848 e a indicação London.
Capa da primeira edição do Manifesto do Partido Comunista, publicada em Londres em fevereiro de 1848.Karl Marx e Friedrich Engels (texto); impressão de J. E. Burghard, Fevereiro de 1848. Origem: Wikimedia Commons (arquivo "Communist-manifesto.png"). Licença: Domínio público. Impresso de 1848 cujos autores morreram há mais de 100 anos; reprodução fiel de original bidimensional. A página do arquivo (consultada em 19/10/2026) registra também GFDL e CC BY-SA 3.0 para a digitalização; o fundamento aqui adotado é o domínio público da obra. Convertido para JPEG e reduzido para 1200 px.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Karl Marx; Friedrich Engels. Manifesto of the Communist Party (tradução de Samuel Moore, 1888), índice. Marx/Engels Internet Archive.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  2. 2Karl Marx: Life and Work (cronologia). Marx/Engels Internet Archive (marxists.org).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Cronologia baseada em edições soviéticas; usada para datas de vida, publicações e nascimentos e mortes dos filhos.
  3. 3Verbete "Engels" no Handwörterbuch der Staatswissenschaften, v. 3 (Jena, 1892), em inglês no MIA. 1892.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Verbete de época, sem autoria indicada na página.
  4. 4Karl Marx; Friedrich Engels. Manifesto do Partido Comunista (tradução de José Barata-Moura, Editorial "Avante!", Lisboa, 1997). Arquivo Marxista na Internet.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Direitos da tradução reservados à Editorial "Avante!"; transcrição autorizada.
  5. 5Karl Marx; Friedrich Engels. Prefácios do Manifesto (1872, 1882, 1883, 1888, 1890, 1892, 1893), em inglês. Marx/Engels Internet Archive.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  6. 6Leandro Konder. A chegada do Manifesto. Estudos Avançados, v. 12, n. 34 (reproduzido no Arquivo Marxista na Internet), 1998.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]

Rede de relações

Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.

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Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.

Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
995 palavras · 6 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação a partir dos textos e prefácios no MIA (inglês e português), cronologia do MIA, Konder (1998) e inspeção da capa de 1848. Pendências: detalhes do 2º congresso da Liga (fim de 1847) e da autoria dos esboços sem fonte consultada; número de páginas da 1ª edição não verificado (omitido); conferir traduções brasileiras posteriores; leituras contemporâneas resumidas sem autores, indicar bibliografia na revisão.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

Encontrou um erro? Escreva pela página de correções citando o verbete e a seção. Correções ficam registradas neste histórico.

Como citar: Manifesto do Partido Comunista. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/manifesto-do-partido-comunista.

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