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Reforma ou revolução?

Resposta de Rosa Luxemburgo ao revisionismo de Eduard Bernstein (1898–1899; 2ª ed. 1908)

Polêmica de Rosa Luxemburgo contra o revisionismo de Eduard Bernstein, publicada em artigos em 1898–1899 e reunida em livro (2ª ed. revista, 1908). Defende que reformas são meio e a revolução social, o fim.

Também: Sozialreform oder Revolution? · Reforma social ou revolução? · Reform or Revolution

Índice e ficha
Título original
Sozialreform oder Revolution?
Publicação original
setembro de 1898, Leipzig (Leipziger Volkszeitung (artigos de 21–28/9/1898 e 4–8/4/1899))
Idioma original
Alemão
Direitos
Texto original em domínio público.
Onde ler
Período
1898–1908
Área
Socialismo e comunismo
Regiões
Europa, Internacional
Temas
Teoria e conceitos, Partido e organização, Movimento operário e sindical, Estado, poder e democracia

Reforma ou revolução? (Sozialreform oder Revolution?) é a obra em que Rosa Luxemburgo, então jovem militante da social-democracia alemã, respondeu às teses de Eduard Bernstein. A primeira parte saiu no Leipziger Volkszeitung entre 21 e 28 de setembro de 1898; a segunda, entre 4 e 8 de abril de 1899 1. A primeira parte foi publicada em livro em 1899; as duas foram reunidas numa segunda edição revista em 1908 2 1.

O prefácio formula a tese central: para a social-democracia, a luta por reformas sociais e a revolução social estão ligadas, as reformas são o meio, a revolução é o fim; foi Bernstein quem, pela primeira vez, as opôs, propondo abandonar o objetivo final e fazer da reforma um fim em si 3. O livro é uma das peças centrais do chamado debate revisionista na Segunda Internacional (ver Social-democracia).

Contexto: Bernstein e o revisionismo

Fatos documentados

Eduard Bernstein, dirigente e teórico do partido social-democrata alemão (SPD), publicou entre 1896 e 1898 na revista Die Neue Zeit a série Problemas do socialismo, e em 1899 o livro Die Voraussetzungen des Sozialismus und die Aufgaben der Sozialdemokratie (Os pressupostos do socialismo e as tarefas da social-democracia) 2 3. Em linhas gerais, sustentava que o capitalismo vinha se adaptando, o crédito, os cartéis e as comunicações reduziriam as crises, que a polarização social prevista não se confirmava e que o socialismo poderia ser alcançado por reformas graduais, cooperativas, sindicatos e ampliação da democracia 4 5.

Luxemburgo cita, no prefácio, a frase de Bernstein segundo a qual o objetivo final, seja qual for, não é nada, e o movimento é tudo 3. Antes dela, Alexander Parvus já atacara Bernstein no início de 1898, abrindo o debate no partido 2.

Publicação e edições

Fatos documentados
  • Primeira parte: Leipziger Volkszeitung, nos 219–225, 21–28 de setembro de 1898, em resposta aos artigos de Bernstein na Neue Zeit 1.
  • Segunda parte: Leipziger Volkszeitung, nos 76–80, 4–8 de abril de 1899, em resposta ao livro de Bernstein 1 2.
  • Livro: a primeira parte saiu em volume em 1899 2; a ficha do acervo inglês registra primeira publicação em 1900 6, divergência a conferir.
  • Segunda edição revista: Leipzig, 1908, reunindo as duas partes 1.

A edição alemã de referência está no volume 1 das Gesammelte Werke (Dietz, Berlim, 1982), que inclui em anexo o texto Miliz und Militarismus 1.

Estrutura

Fatos documentados

Prefácio e duas partes, de cinco capítulos cada 1 3:

Primeira parte, 1. O método oportunista; 2. A adaptação do capitalismo; 3. A realização do socialismo pelas reformas sociais; 4. A política alfandegária e o militarismo; 5. Consequências práticas e caráter geral do revisionismo.

Segunda parte, 1. O desenvolvimento econômico e o socialismo; 2. Os sindicatos, as cooperativas e a democracia política; 3. A conquista do poder político; 4. O colapso (Der Zusammenbruch); 5. O oportunismo na teoria e na prática.

Conceitos e argumentos

Formulação teóricaDocumento de época

Crédito e "adaptação" do capitalismo. Contra a ideia de que o crédito e os cartéis atenuariam as crises, Luxemburgo argumenta que eles ampliam a produção e a especulação e, com isso, aguçam as contradições, em vez de suprimi-las 2.

Sindicatos: um "trabalho de Sísifo". Os sindicatos defendem o valor da força de trabalho e influenciam a jornada, mas, nas condições capitalistas, suas duas funções econômicas se convertem numa espécie de trabalho de Sísifo, que, ainda assim, é indispensável 4. Não se trata de desprezo pela luta sindical, mas da negação de que ela, sozinha, abula a exploração.

Cooperativas. As cooperativas de produção são, para ela, uma forma híbrida no meio do capitalismo: pequenas unidades de produção socializada dentro de uma troca capitalista. Pressionadas pela concorrência, ou se tornam empresas capitalistas, ou se dissolvem; só sobrevivem quando apoiadas em cooperativas de consumo e num mercado garantido 4. Ver Cooperativismo e Economia solidária.

Democracia. Luxemburgo recusa a tese de que a democracia avança como lei universal ligada ao capitalismo: com o militarismo e a política mundial, a burguesia abandona o liberalismo por medo do movimento operário; a sorte da democracia, conclui, depende do movimento socialista, e quem renuncia à luta pelo socialismo enfraquece também a democracia 4.

Reforma e revolução como "fatores". A reforma legislativa e a revolução não são métodos que se escolhem no "balcão da história", mas fatores diferentes do desenvolvimento da sociedade de classes. Quem defende a via legislativa em lugar da conquista do poder político não escolhe um caminho mais calmo para o mesmo fim, mas outro fim: a reforma do capitalismo, em vez de sua superação 7.

Tomada "prematura" do poder. Ao temor de Bernstein de que o proletariado tome o poder cedo demais, ela responde que uma transformação dessa escala não se faz num só golpe; derrotas e tentativas "prematuras" fazem parte do amadurecimento político da classe, e objetar à conquista "prematura" equivale, na prática, a objetar à conquista do poder 7.

Recepção

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

A redação e a publicação coincidiram com congressos do SPD em 1899, 1901 e 1903, nos quais as posições de Luxemburgo e da maioria ortodoxa prevaleceram sobre as de Bernstein, e o partido manteve formalmente o marxismo como doutrina; Karl Kautsky apoiou Luxemburgo, o que deu peso às suas posições na Alemanha e na Internacional 2. Kautsky publicou em 1899 sua própria resposta, Bernstein und das sozialdemokratische Programm 8.

A vitória foi sobretudo doutrinária. Na prática, segundo avaliação frequente (a conferir em historiografia específica), sindicatos e parlamentares do SPD seguiram uma linha cada vez mais reformista; a página da editora Expressão Popular resume que, apesar do impacto do livro, o partido acabou adotando as posições de Bernstein, e que Luxemburgo e outros, como Karl Liebknecht, buscaram construir outra organização voltada à revolução social 9. A ruptura veio com a votação dos créditos de guerra em 1914 e a fundação da Liga Spartakus e do Partido Comunista da Alemanha (KPD) em 1918–1919 (ver Rosa Luxemburgo).

O texto foi muito influente nos meios socialistas revolucionários e, com outras obras da autora, é considerado precursor de correntes da esquerda comunista 2. No Brasil e em Portugal, circula em várias edições (ver abaixo).

Críticas e debates

Avaliação críticaDebate em aberto
  • Do lado reformista, defensores de Bernstein e, depois, da Social-democracia do século XX argumentam que a trajetória dos Estados de bem-estar europeus deu razão parcial a Bernstein: reformas acumuladas mudaram as condições de vida dos trabalhadores sem revolução (ver Estado de bem-estar é socialismo?). Críticos à esquerda respondem que essas reformas não superaram a propriedade capitalista e foram parcialmente revertidas desde os anos 1980. Ambas as posições são interpretações.
  • A tese do colapso. O capítulo sobre o "colapso" foi lido por alguns como defesa de um desmoronamento inevitável do capitalismo; outros leem nele a afirmação de que, sem a hipótese de limites objetivos do capitalismo, o socialismo deixa de ser necessidade histórica. O tema reaparece em A acumulação do capital (1913).
  • Cooperativas. Defensores do Cooperativismo e da Economia solidária contestam o diagnóstico de que as cooperativas tendem inevitavelmente a se degenerar ou a desaparecer, apontando experiências duradouras; estudos sobre essa "tese da degeneração" chegam a resultados variados.
  • Atualidade. A oposição "reforma ou revolução" continua organizando debates da esquerda; muitos autores, seguindo o próprio prefácio de Luxemburgo 3, insistem em que a questão não é escolher entre lutar por reformas e lutar pela revolução, mas qual é o objetivo das reformas.

Edições e traduções em português

Fatos documentados
  • Editorial Estampa (Lisboa), tradução de Manuel Augusto Araújo, coleção Clássicos de Bolso (4ª ed., 1970), transcrita no Arquivo Marxista na Internet 3.
  • Expressão Popular (São Paulo), a página da editora indica 144 páginas e ISBN 9788577433742, com ano de 2004; não informa o tradutor 9.

Direitos e onde ler legalmente

Fatos documentados

Rosa Luxemburgo morreu em 1919; seus textos estão em domínio público na maioria dos países. Traduções modernas têm direitos próprios.

  • Em português: Arquivo Marxista na Internet, tradução de Manuel Augusto Araújo (Estampa); a página não traz indicação de direitos 3.
  • Em alemão: Marxists Internet Archive, a partir das Gesammelte Werke 1.
  • Em inglês: Rosa Luxemburg Internet Archive (edição Militant Publications, Londres, 1986, sem copyright) 6.

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

  • Paráfrase
    “uma espécie de trabalho de Sísifo, que é, no entanto, indispensável”

    a sort of labour of Sisyphus, which is, nevertheless, indispensable

    Parte II, cap. 2 (sindicatos, cooperativas e democracia), sobre a luta sindical sob o capitalismo.

    Tradução livre da redação a partir da tradução inglesa (Integer; Militant Publications, 1986).

    Fonte: Reform or Revolution, cap. VII (Co-operatives, Unions, Democracy)

  • Paráfrase
    “não escolhem, na verdade, um caminho mais tranquilo, calmo e lento para o mesmo objetivo, mas um objetivo diferente”

    do not really choose a more tranquil, calmer and slower road to the same goal, but a different goal

    Parte II, cap. 3 (a conquista do poder político), sobre quem defende a reforma legislativa em lugar da conquista do poder.

    Tradução livre da redação a partir da versão inglesa.

    Fonte: Reform or Revolution, cap. VIII (Conquest of Political Power)

Cronologia

  1. 1896

    Bernstein começa a série Problemas do socialismo na Neue Zeit (até 1898).2

  2. 21 de setembro de 1898

    Primeira parte começa a sair no Leipziger Volkszeitung (até 28/9).1

  3. 1899

    Bernstein publica Die Voraussetzungen des Sozialismus.2

  4. 4 de abril de 1899

    Segunda parte começa a sair no Leipziger Volkszeitung (até 8/4).1

  5. 1908

    Segunda edição revista (Leipzig), com as duas partes.1

  6. 1970

    4ª edição portuguesa da Estampa (trad. Manuel Augusto Araújo).3

Bibliografia comentada

  • Rosa Luxemburgo. Reforma ou Revolução?, tradução de Manuel Augusto Araújo

    Texto integral em português (Estampa). O prefácio, curto, já expõe a tese central.

  • Rosa Luxemburg. Sozialreform oder Revolution? (1899) (1898–1899 (2ª ed. 1908))

    Original alemão com as datas exatas dos artigos e o anexo Miliz und Militarismus.

  • Eduard Bernstein. Die Voraussetzungen des Sozialismus und die Aufgaben der Sozialdemokratie (1899)

    O livro a que a segunda parte responde; indispensável para julgar se a crítica é justa.

  • Social Reform or Revolution?

    Panorama do contexto partidário e da recepção, com bibliografia.

  • Reforma ou revolução?, Rosa Luxemburgo

    Edição brasileira em catálogo, usada em cursos de formação.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Rosa Luxemburg. Sozialreform oder Revolution? (1899). Marxists Internet Archive (a partir de Gesammelte Werke, vol. 1/1, Dietz, Berlim, 1982, p. 369–445), 1898–1899 (2ª ed. 1908).[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  2. 2Social Reform or Revolution?. Wikipedia (inglês).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Usada para histórico de publicação, Parvus, congressos do SPD e apoio de Kautsky; conferir com historiografia.
  3. 3Rosa Luxemburgo. Reforma ou Revolução?, tradução de Manuel Augusto Araújo. Arquivo Marxista na Internet (a partir de Editorial Estampa, Clássicos de Bolso, 4ª ed., 1970).[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Ficha indica primeira edição conjunta em 1908; prefácio lido.
  4. 4Rosa Luxemburg. Reform or Revolution, cap. VII (Co-operatives, Unions, Democracy). Rosa Luxemburg Internet Archive.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  5. 5Eduard Bernstein. Die Voraussetzungen des Sozialismus und die Aufgaben der Sozialdemokratie. 1899.[Fonte primária · referência bibliográfica]Não consultado nesta redação; resumo das teses a partir de Luxemburgo e de fontes de referência.
  6. 6Rosa Luxemburg. Reform or Revolution (índice e ficha). Rosa Luxemburg Internet Archive (a partir de Militant Publications, Londres, 1986).[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  7. 7Rosa Luxemburg. Reform or Revolution, cap. VIII (Conquest of Political Power). Rosa Luxemburg Internet Archive.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  8. 8Karl Kautsky. Bernstein und das sozialdemokratische Programm. Eine Antikritik. 1899.[Fonte primária · referência bibliográfica]Não consultado nesta redação; subtítulo a conferir.
  9. 9Reforma ou revolução?, Rosa Luxemburgo. Editora Expressão Popular.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Página da editora: 144 p., ISBN 9788577433742, ano 2004; tradutor não informado. Uma resenha cita 2ª ed. de 2019 (não conferida).

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP (assistida por IA)
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
1.300 palavras · 9 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação a partir do original alemão (ficha e índice no MIA), tradução inglesa (cap. VII e VIII) e portuguesa (ficha e prefácio), Wikipédia e página da Expressão Popular. Pendências: divergência sobre a primeira edição em livro (1899 × 1900); mudanças da 2ª edição de 1908 não verificadas; argumento sobre o crédito resumido da Wikipédia, sem consulta ao capítulo; congressos do SPD (Hannover 1899, Lübeck 1901, Dresden 1903) não nomeados por falta de fonte aberta; seção de críticas sem autores específicos, indicar bibliografia na revisão; tradutor da edição Expressão Popular.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Reforma ou revolução?. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/reforma-ou-revolucao.

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