Escola austríaca de economia
Tradição iniciada por Carl Menger em Viena (1871) e continuada por Böhm-Bawerk, Mises, Hayek, Rothbard e Kirzner
Tradição de pensamento econômico fundada por Carl Menger (1871), que enfatiza o valor subjetivo, o mercado como processo de descoberta, o papel do empresário e a distorção causada pela expansão do crédito. Associada à crítica do planejamento socialista, não se confunde com o libertarianismo político.
Também: Escola austríaca · Escola de Viena (em economia) · Austrian School of Economics · Escuela austríaca · Economia austríaca
Índice e ficha
- Período
- desde 1871
- Área
- Capitalismo
- Regiões
- Europa, América do Norte, América Latina, Internacional
- Temas
- Teoria e conceitos, Economia e organização social, Estado, poder e democracia
A escola austríaca de economia é uma tradição teórica que começou com os Princípios de economia política de Carl Menger (1871), em Viena, e se desenvolveu com Eugen von Böhm-Bawerk, Friedrich von Wieser, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e, nos Estados Unidos, Murray Rothbard e Israel Kirzner 1 2. Seus temas característicos são o valor subjetivo, o custo de oportunidade, o tempo e a incerteza na produção, a concorrência como processo, o papel do empresário, a não neutralidade da moeda e a crítica do planejamento econômico centralizado.
A escola é frequentemente identificada, no debate público, com a defesa radical do livre mercado e com o libertarianismo. A associação existe, várias instituições ligadas à escola a apresentam como fundamento de uma ordem de propriedade privada sem Estado interventor 3, mas este verbete distingue três planos: a escola de análise (proposições sobre valor, preços, capital, moeda e ciclos), os programas políticos que dela se reivindicam (liberalismo clássico, libertarianismo, anarcocapitalismo) e as formas reais de capitalismo, que nenhum governo organizou segundo os preceitos austríacos de modo integral. Ver Mercado e Capitalismo.
O economista Peter Boettke, ele próprio austríaco, observa que desde os anos 1930 nenhum economista de universidade austríaca foi figura de destaque da escola, que se mudou para Londres e para os Estados Unidos, e que se pode argumentar que o rótulo "austríaco" já não tem conteúdo substantivo próprio 1.
Origem: Menger, o marginalismo e a disputa do método
Menger publicou os Grundsätze em 1871, mesmo ano em que Jevons, na Inglaterra, apresentou de forma independente uma teoria semelhante; Walras completou o trio em 1874 2 4. Para Menger, o valor é inteiramente subjetivo: a utilidade de um bem depende de sua capacidade de satisfazer necessidades humanas e, na margem, do uso menos importante a que se destina, o que resolveria o paradoxo da água e do diamante que Adam Smith deixara em aberto e contradiria a teoria do valor-trabalho de Marx 2.
Menger dedicou o livro a Wilhelm Roscher, figura principal da escola histórica alemã, que dominava as universidades de língua alemã e negava a possibilidade de leis econômicas universais. A defesa da "teoria" por Menger, desenvolvida nas Investigações sobre o método (1883) 5, provocou a Methodenstreit (disputa do método) com Gustav Schmoller. Segundo Boettke, foram os alunos de Roscher, especialmente Schmoller, que deram a Menger e seus seguidores Böhm-Bawerk e Wieser o nome depreciativo de "escola austríaca", por lecionarem na Universidade de Viena; o nome pegou 1.
Em 1900, o institucionalista Thorstein Veblen considerou a "chamada escola austríaca" dificilmente distinguível da neoclássica, salvo na ênfase 6. A diferenciação mais nítida, contra a matematização, o equilíbrio estático e a agregação, consolidou-se no século XX, com Mises e Hayek (ver Economia neoclássica).
Autores e gerações
- Primeira geração (Viena, fim do século XIX): Carl Menger; Friedrich von Wieser, que formulou o conceito de custo de oportunidade e aplicou a utilidade marginal ao valor dos fatores de produção; Eugen von Böhm-Bawerk, que desenvolveu a teoria do capital e do juro com ênfase no tempo, o juro como compensação pela renúncia ao consumo presente 2 7. Böhm-Bawerk, que foi também ministro das Finanças do Império Austro-Húngaro, publicou em 1896 uma crítica influente à coerência de O Capital de Marx 8, respondida pelo marxista Rudolf Hilferding em 1904 9.
- Segunda geração (entreguerras): Ludwig von Mises, Teoria da moeda e do crédito (1912), o ensaio sobre o cálculo econômico (1920) e, no exílio, Ação humana (1949) 10 11 12; Friedrich A. Hayek, que dirigiu o Instituto Austríaco de Pesquisa sobre Ciclos Econômicos antes de ir para a London School of Economics em 1931 e, de 1950 a 1962, viveu nos Estados Unidos 13. Hayek e Mises também foram ativos na organização política do liberalismo, por exemplo, na Sociedade Mont Pèlerin, fundada em 1947 por iniciativa de Hayek, rede estudada pelos historiadores do neoliberalismo 14.
- Geração americana (pós-1945): Murray Rothbard, aluno do seminário de Mises em Nova York, que combinou economia austríaca e anarquismo de mercado ("anarcocapitalismo") 15; Israel Kirzner, que desenvolveu a teoria do empresário como agente "alerta" a oportunidades de lucro não percebidas 16; Ludwig Lachmann, que enfatizou expectativas e subjetivismo radical.
- Centros acadêmicos: Boettke lista London School of Economics (1931–1950), New York University (desde 1944), Auburn University (desde 1983) e George Mason University (desde 1981) 1. O Mises Institute, em Auburn, apresenta-se como dedicado à escola austríaca "na tradição de Ludwig von Mises e Murray N. Rothbard" 3.
Quem se identificava com a escola. Mises, Hayek, Rothbard e Kirzner se apresentavam explicitamente como austríacos. Joseph Schumpeter, aluno de Böhm-Bawerk, é às vezes incluído por formação, mas divergiu em pontos centrais e não se considerava membro. Boettke lista ainda economistas de outras tradições que influenciaram os austríacos contemporâneos (Coase, Buchanan, North, Vernon Smith, entre outros), sem que sejam austríacos 1.
Conceitos centrais
Subjetivismo e individualismo metodológico. Para a escola, só indivíduos escolhem; coletivos não escolhem. A tarefa da análise é tornar os fenômenos econômicos inteligíveis a partir de propósitos e planos individuais e rastrear suas consequências não intencionais 1. A SEP cita Mises: a economia "não trata de coisas e objetos materiais tangíveis; trata de homens, de seus significados e ações" 17. Os austríacos estendem o subjetivismo aos custos, contra Marshall, para quem a "lâmina" da oferta refletiria condições objetivas 1.
O mercado como processo e o conhecimento disperso. Hayek argumentou em "O uso do conhecimento na sociedade" (1945) que o problema econômico central é usar conhecimento disperso entre milhões de pessoas, que ninguém possui por inteiro; os preços funcionam como sinais. No exemplo do estanho, os usuários não precisam saber se o preço subiu por aumento de demanda ou queda de oferta: basta saberem que devem economizá-lo 18 17 1.
Concorrência e empresário. A concorrência é uma atividade, não um estado de equilíbrio; o empresário descobre oportunidades de ganho mútuo, e o lucro é a recompensa por essa descoberta 16 1.
Ordem espontânea. Instituições como dinheiro, direito e linguagem seriam "produto da ação humana, mas não do desígnio humano". A SEP destaca que Hayek passou seis décadas refinando essa ideia e que ela coexiste, em sua obra, com a tese de que a "justiça social" é uma miragem 17. Boettke ressalva que nem toda ordem espontânea é benéfica: os resultados dependem das instituições em que os indivíduos agem 1.
Capital heterogêneo e moeda não neutra. Bens de capital são específicos e estruturados em estágios de produção; a moeda, ao entrar na economia por pontos determinados, altera preços relativos, por isso não seria neutra 1.
Teoria austríaca do ciclo. Formulada por Mises (1912) e desenvolvida por Hayek em Prices and Production (1931): a expansão do crédito pelos bancos e bancos centrais reduz os juros abaixo do nível que refletiria a preferência temporal, induzindo investimentos em estágios distantes do consumo que não se sustentam; o boom é seguido por uma liquidação inevitável dos "maus investimentos" 10 19 1. Rothbard aplicou a teoria à Grande Depressão, que atribuiu à expansão monetária dos anos 1920 e às intervenções do governo Hoover 20. O comitê do prêmio de 1974 citou o "trabalho pioneiro na teoria da moeda e das flutuações econômicas" de Hayek, dividindo o prêmio com o sueco Gunnar Myrdal, economista de orientação oposta, social-democrata 13.
O cálculo econômico e o socialismo
Em 1920, Mises publicou "O cálculo econômico na comunidade socialista" 11. O argumento, na síntese de Boettke: mesmo que o socialismo transformasse a natureza humana e resolvesse o problema dos incentivos, ele fracassaria porque, sem propriedade privada dos meios de produção, não haveria mercado para eles, nem preços monetários que refletissem sua escassez relativa; sem esses preços, os planejadores não poderiam calcular racionalmente os usos alternativos dos recursos 1. A Britannica resume que Mises (anos 1920) e Hayek (anos 1940) sustentaram que uma economia complexa não pode ser planejada racionalmente na ausência de preços de mercado verdadeiros 2.
A resposta socialista mais conhecida veio de Oskar Lange, que propôs um "socialismo de mercado" em que o órgão central ajustaria preços por tentativa e erro, como o leiloeiro walrasiano 21. Ainda nos anos 1920, Karl Polanyi, então em Viena, publicou uma proposta de contabilidade socialista baseada em associações 22. Hayek respondeu que o problema não é computacional, mas de conhecimento tácito e disperso que só se revela na concorrência 18.
O próprio Mises Institute apresenta o ensaio de 1920 como o texto que teria "derrubado o paradigma socialista" e "provado" que o socialismo não funcionaria 23, uma avaliação da própria corrente. Historiadores e economistas divergem sobre quem "venceu" o debate, sobre o papel dos problemas de cálculo, de incentivo e políticos nas dificuldades das economias de planejamento central e sobre as possibilidades abertas pela computação. A discussão completa fica no verbete planejado sobre o debate do cálculo econômico socialista; ver também Comparando sistemas econômicos e Socialismo.
Método
Mises defendeu que as proposições centrais da economia são deduzidas a priori de axiomas sobre a ação humana ("praxeologia"), não testadas empiricamente. Hayek foi mais próximo do falibilismo de Karl Popper, mas criticou o "cientificismo", a aplicação acrítica dos métodos das ciências naturais à sociedade, e os modelos de maximização e equilíbrio que, segundo ele, "habitualmente desconsideram" dimensões essenciais dos fenômenos 17. Boettke resume: o objetivo das ciências da ação humana seria a inteligibilidade, não a previsão; a teoria se apoiaria na lógica verbal e o trabalho empírico, em narrativas históricas 1. Hausman registra que os austríacos aceitam visões ortodoxas sobre escolhas e restrições, mas enfatizam a incerteza e questionam se os resultados devem ser tratados como equilíbrios 24.
Essa recusa da modelagem matemática e da econometria é a principal razão pela qual a escola permanece marginal nos departamentos de economia, e, para seus críticos, a razão pela qual suas teses seriam pouco testáveis.
Propostas de política associadas
As propostas variam bastante entre autores austríacos:
- Moeda: padrão-ouro (Mises, Rothbard) ou concorrência entre moedas privadas e "bancos livres" (Hayek, a partir dos anos 1970, e autores como Lawrence White e George Selgin) 1; hostilidade à expansão monetária e, em Rothbard, à própria existência de bancos centrais.
- Ciclos: não socorrer setores e bancos insolventes nem estimular a demanda na recessão, para permitir a liquidação dos maus investimentos, posição oposta à keynesiana 20.
- Estado: Hayek admitia uma rede mínima de proteção e certas funções públicas sob o "Estado de direito"; Mises defendia um Estado mínimo; Rothbard, a abolição do Estado 25 15.
- Planejamento: em O caminho da servidão (1944), Hayek argumentou que o planejamento econômico abrangente tende a minar as liberdades políticas 25.
Relação com o libertarianismo político. O Mises Institute descreve-se como "não político, não partidário" e, ao mesmo tempo, defende "uma mudança radical no clima intelectual, do estatismo para uma ordem de propriedade privada" 3. Boettke, de outra ala, insiste que os austríacos chegaram às conclusões favoráveis ao mercado "não por compromisso ideológico prévio, mas pela lógica de seus argumentos" 1, afirmação que críticos contestam. Para este verbete, o ponto é que escola de análise e programa político não se confundem: há austríacos com posições políticas diferentes; e há libertários que não aceitam a teoria austríaca (por exemplo, monetaristas da Escola de Chicago).
Uso político na América Latina. Na Argentina, Javier Milei, presidente do país à data do discurso aqui citado, reivindica publicamente ideias austríacas (situação no cargo não reconferida para outubro de 2026); em Davos, em janeiro de 2024, afirmou que não existe falha de mercado e que a teoria neoclássica, ao admitir essas falhas, abriria "as portas ao socialismo" 26. O discurso é documento do uso político da escola, não demonstração de suas teses; a avaliação de políticas concretas do governo argentino exige dados e fontes próprios e não é feita aqui.
Críticas
Sraffa contra Hayek (1932). Na resenha "Dr. Hayek on Money and Capital", Piero Sraffa atacou Prices and Production: entre outros pontos, argumentou que numa economia sem moeda também haveria uma multiplicidade de taxas "naturais" de juros, uma para cada bem, o que tornaria indeterminada a noção de taxa natural única usada por Hayek; Hayek respondeu, e o debate é considerado por muitos historiadores um revés para a teoria austríaca do ciclo na época 27.
Keynes e os keynesianos. No início dos anos 1930, Keynes e Hayek trocaram críticas em resenhas e cartas; a Teoria geral (1936) ocupou o espaço do debate macroeconômico e relegou a teoria austríaca do ciclo a posição minoritária 28. Keynesianos argumentam que liquidar empresas e bancos em recessão aprofunda a depressão, pela queda da demanda e pela deflação de dívidas.
Críticas empíricas. Gordon Tullock, economista simpático ao mercado, publicou na própria Review of Austrian Economics (1988) um artigo intitulado "Por que os austríacos estão errados sobre as depressões", questionando a correspondência da teoria do ciclo com a experiência 29. A recusa metodológica de testes econométricos é vista por críticos como imunização da teoria.
Crítica marxista. Bukharin viu na teoria austríaca o ponto de vista do rentista, que consome sem produzir, e criticou o ponto de partida no indivíduo isolado 30; Hilferding defendeu Marx contra Böhm-Bawerk 9. Ver Mais-valia e O Capital.
Crítica de Polanyi. Em A grande transformação (1944), Karl Polanyi argumentou que o mercado autorregulado foi construído politicamente e que a tentativa de impô-lo provocou reações de autoproteção da sociedade, uma resposta direta à visão de ordem espontânea (ver Karl Polanyi e A grande transformação).
Crítica ao cálculo econômico. Defensores do planejamento argumentaram que o problema é computacional e solúvel; historiadores das economias de tipo soviético apontam que seus problemas tiveram causas múltiplas, políticas, de incentivo, de informação, não redutíveis ao argumento de Mises (ver União Soviética e Comparando sistemas econômicos).
Debates internos
- Mises/Rothbard × Hayek: apriorismo praxeológico × falibilismo e teoria do conhecimento; anarcocapitalismo × liberalismo clássico com Estado de direito 17 15.
- Equilíbrio: Kirzner vê o empresário como força que leva o mercado em direção ao equilíbrio; Lachmann, com seu subjetivismo radical das expectativas, duvidou dessa tendência 16 31.
- Moeda: padrão-ouro com reservas de 100% (Rothbard) × bancos livres com reservas fracionárias (White, Selgin) 1.
- Identidade da escola: Boettke admite que se pode argumentar que o rótulo "austríaco" já não tem sentido substantivo, dada a mistura de influências 1.
Legado e presença atual
Ideias de origem austríaca entraram no repertório geral da economia: custo de oportunidade (Wieser), preços como transmissores de informação (Hayek), o papel do empresário e da inovação, a crítica da agregação de capital heterogêneo 2 1. O prêmio de 1974 a Hayek reconheceu também sua "análise penetrante da interdependência entre fenômenos econômicos, sociais e institucionais" 13.
Como escola organizada, porém, a economia austríaca permanece minoritária na academia, com presença maior em institutos, think tanks e no debate político, inclusive na América Latina, onde fundações e partidos liberais e libertários a difundem, e onde ganhou visibilidade com o governo de Milei na Argentina 26. Depois da Crise financeira de 2008, a teoria do ciclo voltou a ser invocada por autores que atribuíram a crise aos juros baixos do Federal Reserve, interpretação disputada por keynesianos e por quem enfatiza a desregulamentação financeira. A relação entre escola austríaca e neoliberalismo é objeto de pesquisa histórica 14.
Leituras recomendadas
Visão de dentro: Boettke 1; Boettke e Leeson 31. Hayek: verbete da SEP 17 e "O uso do conhecimento na sociedade" 18. Fontes primárias: Menger (1871) 4, Mises (1920) 11, Hayek (1944) 25. Críticas: Sraffa (1932) 27, Tullock (1988) 29, Bukharin 30. História política: Mirowski e Plehwe (orgs.) 14; Wapshott 28.
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Tradução de texto localizado
“A economia não trata de coisas e objetos materiais tangíveis; trata de homens, de seus significados e ações.”
Mises, Ação humana (1949), citado no verbete 'Friedrich Hayek' da Stanford Encyclopedia of Philosophy.
Tradução da redação a partir da citação em inglês reproduzida na SEP; a obra de Mises não foi consultada diretamente.
Fonte: Friedrich Hayek
- Tradução de texto localizado
“[O Mises Institute existe para] promover o ensino e a pesquisa na Escola Austríaca de economia, a liberdade individual, a história honesta e a paz internacional, na tradição de Ludwig von Mises e Murray N. Rothbard.”
Apresentação institucional do Mises Institute em seu site.
Autodescrição da corrente; tradução da redação.
Cronologia
1871
Carl Menger publica os Grundsätze der Volkswirthschaftslehre.2
1883
Menger publica as Investigações sobre o método; começa a Methodenstreit com Schmoller.5
1896
Böhm-Bawerk publica sua crítica ao sistema de Marx.8
1912
Mises publica a Teoria da moeda e do crédito.10
1920
Mises publica o ensaio sobre o cálculo econômico no socialismo.11
1931
Hayek publica Prices and Production e vai para a London School of Economics.13
1932
Sraffa critica Hayek no Economic Journal.27
1944
Hayek publica O caminho da servidão.25
1945
Hayek publica 'O uso do conhecimento na sociedade'.18
1949
Mises publica Human Action.12
1974
Hayek divide com Gunnar Myrdal o prêmio de economia em memória de Nobel.13
17 de janeiro de 2024
Javier Milei discursa em Davos contra a teoria neoclássica e as 'falhas de mercado'.26
Bibliografia comentada
Peter J. Boettke. Austrian School of Economics
Síntese em dez proposições por um economista austríaco contemporâneo; útil como autodescrição, a ler junto com as críticas.
David Schmidtz; Peter Boettke. Friedrich Hayek
Verbete filosófico sobre ordem espontânea, conhecimento disperso e justiça em Hayek (autores simpáticos à escola).
Friedrich A. Hayek. The Use of Knowledge in Society (1945)
Artigo curto e central sobre preços e conhecimento disperso; leitura obrigatória para o debate sobre planejamento.
Piero Sraffa. Dr. Hayek on Money and Capital (1932)
A crítica mais conhecida à teoria do ciclo de Hayek, no calor do debate dos anos 1930.
Philip Mirowski; Dieter Plehwe (orgs.). The Road from Mont Pèlerin: The Making of the Neoliberal Thought Collective (2009)
História crítica da rede de Mont Pèlerin e da formação do neoliberalismo; ajuda a separar escola econômica e movimento político.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Peter J. Boettke. Austrian School of Economics. The Concise Encyclopedia of Economics (Liberty Fund, Econlib).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Autor da própria escola (George Mason University; editor da Review of Austrian Economics): autodescrição de um participante, não avaliação externa.
- 2Editores da Encyclopaedia Britannica. Austrian school of economics. Britannica Money.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 3Mises Institute (Auburn, Alabama, EUA). Ludwig von Mises and the Austrian School of Economics, página com a apresentação institucional do Mises Institute. mises.org.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Fonte da própria corrente (ala rothbardiana): vale como autodescrição institucional, não como avaliação neutra.
- 4Carl Menger. Grundsätze der Volkswirthschaftslehre (Princípios de economia política). 1871.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 5Carl Menger. Untersuchungen über die Methode der Socialwissenschaften (Investigações sobre o método das ciências sociais). 1883.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 6Thorstein Veblen. The Preconceptions of Economic Science, parte III. Quarterly Journal of Economics, v. 14 (transcrição no arquivo de história do pensamento econômico da McMaster University), 1900.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Texto em que Veblen emprega 'neo-classical' para a linha que continua a economia clássica (Marshall). A primazia do termo é afirmada pela literatura (Aspromourgos 1986), não conferida nesta redação.
- 7Eugen von Böhm-Bawerk. Kapital und Kapitalzins (Capital e juro, 2 v., 1884 e 1889).[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 8Eugen von Böhm-Bawerk. Zum Abschluss des Marxschen Systems (Karl Marx and the Close of His System). 1896.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 9Rudolf Hilferding. Böhm-Bawerks Marx-Kritik (A crítica de Böhm-Bawerk a Marx). 1904.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 10Ludwig von Mises. Theorie des Geldes und der Umlaufsmittel (A teoria da moeda e do crédito). 1912.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 11Ludwig von Mises. Die Wirtschaftsrechnung im sozialistischen Gemeinwesen (O cálculo econômico na comunidade socialista). Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, 1920.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 12Ludwig von Mises. Human Action: A Treatise on Economics (versão alemã anterior: Nationalökonomie, 1940). 1949.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 13Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel 1974, Gunnar Myrdal e Friedrich August von Hayek (resumo e ficha de Hayek). NobelPrize.org.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 14Philip Mirowski; Dieter Plehwe (orgs.). The Road from Mont Pèlerin: The Making of the Neoliberal Thought Collective. Harvard University Press, 2009.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 15Murray N. Rothbard. Man, Economy, and State. 1962.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 16Israel M. Kirzner. Competition and Entrepreneurship. 1973.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 17David Schmidtz; Peter Boettke. Friedrich Hayek. Stanford Encyclopedia of Philosophy (1ª publ. 2012; revisão substantiva de 28 de fevereiro de 2025).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 18Friedrich A. Hayek. The Use of Knowledge in Society. American Economic Review, 1945.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 19Friedrich A. Hayek. Prices and Production. 1931.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 20Murray N. Rothbard. America's Great Depression. 1963.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 21Oskar Lange. On the Economic Theory of Socialism. Review of Economic Studies, 1936–1937.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 22Karl Polanyi. Sozialistische Rechnungslegung (Contabilidade socialista). Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, 1922.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 23Mises Institute. Economic Calculation in the Socialist Commonwealth (página da edição do Mises Institute, com posfácio de Joseph Salerno). mises.org.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Apresentação editorial da própria corrente, de tom laudatório; usada apenas para registrar como a corrente apresenta o ensaio de 1920.
- 24Daniel M. Hausman. Philosophy of Economics. Stanford Encyclopedia of Philosophy (revisão substantiva de 2018).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 25Friedrich A. Hayek. The Road to Serfdom. 1944.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 26Javier Milei (presidente da Argentina). Palabras del Presidente de la Nación, Javier Milei, en la 54° Reunión Anual del Foro Económico Mundial, en Davos (17 de janeiro de 2024). Casa Rosada, Presidência da Nação Argentina, 2024.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Documento de um chefe de Estado em exercício: vale como registro do uso político de ideias econômicas, não como fonte sobre a teoria.
- 27Piero Sraffa. Dr. Hayek on Money and Capital. Economic Journal, 1932.[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 28Nicholas Wapshott. Keynes Hayek: The Clash That Defined Modern Economics. 2011.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 29Gordon Tullock. Why the Austrians Are Wrong about Depressions. Review of Austrian Economics, 1988.[Historiografia · referência bibliográfica]
- 30Nikolai Bukharin. A economia política do rentista (crítica da escola austríaca; escrita em 1914, publicada em 1919).[Fonte primária · referência bibliográfica]
- 31Peter J. Boettke; Peter T. Leeson. The Austrian School of Economics: 1950–2000 (em Biddle e Samuels, orgs., A Companion to the History of Economic Thought). Blackwell, 2003.[Historiografia · referência bibliográfica]
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
relacionado a
- Friedrich HayekPessoaPrincipal autor da segunda geração. Fonte: Prêmio de Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel 1974, Gunnar Myrdal e Friedrich August von Hayek (resumo e ficha de Hayek)
- Debate do cálculo econômico socialistaDebate historiográficoFonte: Die Wirtschaftsrechnung im sozialistischen Gemeinwesen (O cálculo econômico na comunidade socialista)
- Economia neoclássicaEscola econômicaOrigem marginalista comum; divergência de método. Fonte: The Preconceptions of Economic Science, parte III
- Propriedade privada (verbete planejado)Conceito
- MercadoConceito
- Crises capitalistas (verbete planejado)ConceitoTeoria austríaca do ciclo. Fonte: Prices and Production
- Grande DepressãoAcontecimentoFonte: America's Great Depression
- Crise financeira de 2008Acontecimento
- Karl PolanyiPessoaPolanyi participou do debate do cálculo em Viena e criticou o mercado autorregulado. Fonte: Sozialistische Rechnungslegung (Contabilidade socialista)
- Socialismo de mercadoConceitoFonte: On the Economic Theory of Socialism
- Rudolf Hilferding (verbete planejado)PessoaFonte: Böhm-Bawerks Marx-Kritik (A crítica de Böhm-Bawerk a Marx)
- Nikolai Bukharin (verbete planejado)PessoaFonte: A economia política do rentista (crítica da escola austríaca; escrita em 1914, publicada em 1919)
- União SoviéticaPaís e experiência históricaObjeto implícito da crítica ao planejamento central.
- A grande transformaçãoObra
- Concorrência e monopólioConceito
criticou
- Planejamento econômicoConceitoFonte: The Use of Knowledge in Society
- SocialismoConceitoFonte: Die Wirtschaftsrechnung im sozialistischen Gemeinwesen (O cálculo econômico na comunidade socialista)
- O CapitalObraCrítica de Böhm-Bawerk (1896). Fonte: Zum Abschluss des Marxschen Systems (Karl Marx and the Close of His System)
debateu com
- Karl MarxPessoaDebate póstumo via Böhm-Bawerk e Hilferding. Fonte: Zum Abschluss des Marxschen Systems (Karl Marx and the Close of His System)
- KeynesianismoEscola econômicaFonte: Keynes Hayek: The Clash That Defined Modern Economics
Compartilhe
Peças para as redes
Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.
Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação assistida por IA (Claude)
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 2.514 palavras · 31 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · redacaoRedação a partir de Boettke (Econlib), Britannica, SEP (Hayek; Philosophy of Economics), NobelPrize.org (1974), páginas do Mises Institute (autodescrição) e discurso de Milei (Casa Rosada). Pendências: obras de Menger, Böhm-Bawerk, Mises, Hayek, Rothbard, Kirzner, Sraffa (1932), Tullock, Polanyi (1922), Lange, Bukharin, Mirowski-Plehwe e Wapshott não consultadas; conferir resumo do argumento de Sraffa, data de fundação de Mont Pèlerin e a caracterização de Schumpeter.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
Encontrou um erro? Escreva pela página de correções citando o verbete e a seção. Correções ficam registradas neste histórico.
Como citar: Escola austríaca de economia. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/escola-austriaca.
Continue explorando
Friedrich Hayek
Economista e filósofo político austro-britânico (1899–1992)
Debate do cálculo econômico socialista
Mises, Hayek, Lange e os interlocutores posteriores (1920–hoje)
Planejamento econômico
Do Gosplan ao planejamento participativo: modelos, resultados e debates
Socialismo
Família de ideias, movimento político e projeto de sociedade
O Capital
Crítica da economia política, de Karl Marx (Livro I, 1867)
Karl Marx
Filósofo, jornalista, economista e militante revolucionário alemão (1818–1883)