Comunismo no Brasil
Movimentos, partidos, repressão e memória (século XX–XXI)
O Brasil nunca teve governo comunista. Este verbete acompanha a trajetória de movimentos e partidos que se reivindicaram comunistas, do movimento operário dos anos 1910 aos partidos atuais, incluindo cisões, ilegalidade, repressão e anticomunismo.
Também: Movimento comunista no Brasil · Esquerda comunista brasileira

Índice e ficha
- País de referência
- Brasil
- Período analisado
- 1917–2026
- Regime
- O Brasil não teve governo comunista; o verbete trata de movimentos e partidos sob a Primeira República, a Era Vargas, a República de 1946, a ditadura militar (1964–1985) e a Nova República.
- Ideologia declarada
- Comunismo e marxismo-leninismo, em diversas vertentes (pró-soviética, maoísta, guevarista, trotskista, anti-revisionista), conforme cada organização.
- Sobre a classificação
- "Comunismo no Brasil" designa aqui a trajetória de organizações e pessoas que se declararam comunistas, não um regime. O rótulo "comunista" usado pela repressão abrangia pessoas e grupos que não se declaravam como tal; o verbete evita essa extensão.
- Área
- Socialismo e comunismo
- Regiões
- Brasil, América Latina
- Temas
- Partido e organização, Movimento operário e sindical, Repressão, violência política e direitos, Estado, poder e democracia, Mulheres e feminismos, Relações raciais e antirracismo
O Brasil nunca foi governado por um partido comunista. Por isso, falar em "comunismo no Brasil" não é descrever um regime, e sim a história de organizações, militantes, ideias e conflitos: partidos que se declararam comunistas, frentes e alianças das quais participaram, organizações armadas que romperam com eles, sindicatos e movimentos sociais em que atuaram, e o aparato de Estado e as correntes políticas que os combateram.
Essa história começa no movimento operário das primeiras décadas do século XX, marcado pelo anarquismo, e ganha forma partidária com a fundação do Partido Comunista do Brasil em 1922 1. Ao longo de um século, os comunistas brasileiros viveram mais tempo na ilegalidade do que na legalidade, dividiram-se em várias organizações com programas e estratégias diferentes, foram alvo de prisões, tortura e assassinatos, especialmente no Estado Novo e na ditadura de 1964–1985, e, a partir de 1985, passaram a disputar eleições em partidos legalizados.
O verbete distingue fatos documentados de interpretações e evita tratar como uma só corrente organizações que divergiram profundamente entre si, como o PCB, o PCdoB, a ALN, o PCBR, a AP ou o PCR.
Do que se fala quando se fala em comunismo no Brasil
O termo "comunista" foi usado no Brasil de pelo menos três maneiras que convém separar:
- Autoidentificação: organizações e pessoas que se declararam comunistas, em geral com referência ao Marxismo-leninismo, à Revolução Russa e, até 1943, à Internacional Comunista.
- Rótulo de adversários: o anticomunismo usou a palavra para designar um leque muito mais amplo, sindicalistas, nacionalistas, católicos progressistas, liberais de oposição. Muitas vítimas da repressão política não eram comunistas.
- Tradição intelectual: autores marxistas que influenciaram a interpretação do Brasil sem necessariamente pertencer a um partido comunista, ou depois de romper com ele.
Também não há uma "esquerda comunista" homogênea. A divergência sobre o caráter da revolução brasileira, se seria primeiro "nacional e democrática" (anti-imperialista e antifeudal) ou diretamente socialista, e sobre os métodos (via pacífica e alianças amplas, guerrilha rural, guerrilha urbana, trabalho de massas) atravessa todo o período e explica a maior parte das cisões 1 2.
Movimento operário, anarquismo e as greves de 1917
Nas primeiras décadas da República, o movimento operário brasileiro concentrava-se em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Santos e Porto Alegre, com forte presença de imigrantes europeus. A corrente predominante nas associações de trabalhadores era o anarquismo, em especial o anarcossindicalismo, que recusava a participação eleitoral e apostava na ação direta e na greve geral.
O momento mais lembrado é a greve geral de julho de 1917 em São Paulo. O movimento começou com paralisações em fábricas têxteis, o primeiro núcleo foi o Cotonifício Crespi, na Mooca, e ganhou a cidade depois que o sapateiro José Martinez, jovem militante anarquista, foi morto pela Força Pública durante a repressão a um piquete 3. O enterro e o comício que se seguiram reuniram cerca de 10 mil pessoas, segundo a estimativa citada pela reportagem. A greve, coordenada por um Comitê de Defesa Proletária, durou aproximadamente de 9 a 16 de julho e terminou com um acordo que previa a libertação dos presos, o reconhecimento do direito de associação e medidas contra a carestia e o trabalho noturno de mulheres e menores 3.
No auge do movimento, o comitê recomendou aceitar a proposta de acordo por temer novas mortes. A reportagem registra ainda o peso dos imigrantes: no Cotonifício Crespi, 947 dos 1.305 trabalhadores eram italianos 3. Esse perfil ajuda a entender por que a repressão ao movimento operário da época combinou prisão de grevistas com expulsão de estrangeiros considerados "agitadores", instrumento que reapareceria contra comunistas estrangeiros nos anos 1930, como no caso de Olga Benario.
Na historiografia, 1917 costuma ser lido como ponto alto do ciclo anarquista e, ao mesmo tempo, como antecedente do comunismo partidário: parte dos militantes que fundariam o Partido Comunista em 1922 vinha do anarquismo e se aproximou do bolchevismo depois da Revolução Russa. Essa passagem não foi automática nem unânime, anarquistas e comunistas disputariam a direção dos sindicatos durante toda a década de 1920.
A fundação do Partido Comunista (1922) e os anos 1920
O Partido Comunista do Brasil, sigla PCB, foi fundado em congresso realizado entre 25 e 27 de março de 1922, em Niterói (RJ). Participaram nove delegados, entre eles Astrojildo Pereira, Abílio de Nequete, Cristiano Cordeiro e João da Costa Pimenta; o partido declarava 73 membros 1. A filiação à Internacional Comunista foi aceita apenas provisoriamente em 1922 e confirmada no V Congresso da Internacional, em 1924 1. Ver o verbete Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Depois de curtos períodos de legalidade, o partido criou em 1927 uma frente eleitoral, o Bloco Operário (depois Bloco Operário e Camponês, BOC), que elegeu o deputado federal Azevedo Lima. A "Lei Celerada", de agosto de 1927, encerrou a atuação legal. Em 1928, o BOC elegeu dois vereadores no Distrito Federal: o intelectual Otávio Brandão e o operário marmorista Minervino de Oliveira 1.
Minervino de Oliveira, trabalhador negro nascido no Rio de Janeiro três anos depois da abolição, foi indicado pelo partido como candidato à Presidência da República na eleição de 1930. A votação foi pequena, mas a historiografia recente destaca que se tratou da primeira candidatura presidencial de um afro-brasileiro, operário e comunista 4.
Tenentismo e Coluna Prestes
Na mesma década, outra vertente de contestação surgia dentro do Exército: o tenentismo, movimento de jovens oficiais contra as oligarquias da Primeira República. Ele não era comunista. Seu desdobramento mais conhecido foi a coluna rebelde que, entre 1924 e 1927, percorreu cerca de 25 mil quilômetros por 13 estados até se internar na Bolívia, em fevereiro de 1927, a Coluna Prestes, também chamada Coluna Miguel Costa–Prestes 5.
A ligação com o comunismo veio depois e por meio de uma pessoa: o capitão Luís Carlos Prestes, que no exílio se aproximou do marxismo, mudou-se para Moscou em 1931 e foi admitido no PCB em 1934 5. A maioria dos antigos chefes tenentistas seguiu outro caminho e participou da Revolução de 1930 e do governo Vargas.
A Aliança Nacional Libertadora e os levantes de 1935
Em março de 1935 foi fundada a Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente com participação decisiva do PCB, que reunia também tenentes, socialistas e outros opositores do governo Vargas e do integralismo; Prestes foi aclamado presidente de honra 6. O programa pedia suspensão do pagamento da dívida externa, nacionalização de empresas estrangeiras e distribuição de terras. Depois de um manifesto de Prestes em 5 de julho, o governo fechou a ANL em 11 de julho de 1935, com base na Lei de Segurança Nacional 6.
Em novembro, levantes militares organizados pelo PCB eclodiram em Natal (23), Recife (24) e Rio de Janeiro (27) e foram derrotados em poucos dias 7. A Internacional Comunista enviara ao Brasil quadros estrangeiros para apoiar Prestes, entre eles Arthur Ewert e Rodolfo Ghioldi, e Olga Benario acompanhava Prestes. O episódio é tratado no verbete Levante comunista de 1935.
Repressão, Plano Cohen e Estado Novo
Os levantes serviram de justificativa para medidas de exceção: estado de sítio a partir de novembro de 1935, prorrogado até 1937, criação da Comissão Nacional de Repressão ao Comunismo e do Tribunal de Segurança Nacional em 1936 7. A polícia do Distrito Federal, chefiada por Filinto Müller, prendeu milhares de pessoas; o próprio chefe de polícia falava em cerca de sete mil presos políticos na área federal, e outras estimativas chegavam a 17 ou 20 mil 8. Entre os presos esteve o escritor Graciliano Ramos, que narrou a experiência em Memórias do cárcere 9.
Em 30 de setembro de 1937, o governo divulgou o Plano Cohen, apresentado como plano de insurreição da Internacional Comunista. O documento era uma fraude: havia sido redigido pelo capitão Olímpio Mourão Filho, chefe do serviço secreto da Ação Integralista Brasileira. Com base nele, Vargas obteve do Congresso o estado de guerra e, em 10 de novembro de 1937, deu o golpe que instituiu o Estado Novo. A falsidade só foi denunciada publicamente em 1945, pelo general Góis Monteiro 10.
A violência policial do período foi denunciada já na época. Em 1938, o tenente Severo Fournier acusou o próprio chefe de polícia de participar de torturas contra presos políticos; Filinto Müller permaneceu no cargo até julho de 1942, quando uma crise com o ministro interino da Justiça levou à sua saída 8. Ele seria depois senador e um dos fundadores da Arena, o partido de sustentação da ditadura de 1964 8.
Durante o Estado Novo (1937–1945), o PCB permaneceu desarticulado e clandestino. Em 1943, na chamada Conferência da Mantiqueira, Prestes, ainda preso, foi eleito secretário-geral 5.
Legalidade breve: 1945–1947
Com a anistia de abril de 1945 e o fim do Estado Novo, o PCB obteve registro no Tribunal Superior Eleitoral em 10 de novembro de 1945 1. Na eleição de 2 de dezembro, seu candidato à Presidência, Iedo Fiúza, teve cerca de 569 mil votos (perto de 10%), e o partido elegeu 14 deputados constituintes e um senador, Prestes. Em 1947, elegeu 46 deputados estaduais e 18 vereadores no Distrito Federal 1.
A legalidade durou pouco. No contexto do início da Guerra Fria, o TSE cancelou o registro do partido em 7 de maio de 1947, por 3 votos a 2, e em 7 de janeiro de 1948 a Câmara aprovou, por 169 votos a 74, a extinção dos mandatos dos parlamentares comunistas 1.
Reformulações e cisões (1950–1964)
Nos anos 1950, o PCB passou de uma linha insurrecional para a defesa de uma frente com setores nacionalistas. A Declaração de Março de 1958 afirmou que a revolução brasileira, naquela etapa, seria anti-imperialista e antifeudal, e não ainda socialista, e que poderia seguir um caminho pacífico 1. Em agosto de 1961, uma conferência mudou o nome para Partido Comunista Brasileiro, mantendo a sigla, em busca de legalização 1.
A mudança e a crítica ao stalinismo, após 1956, aprofundaram a disputa interna. Dirigentes afastados, entre eles João Amazonas, Maurício Grabois e Pedro Pomar, reorganizaram-se em fevereiro de 1962 como Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que reivindicou a continuidade da organização de 1922 e se aproximou da China e, depois de 1976, da Albânia 11.
Outras correntes surgiram fora do PCB:
- POLOP (Política Operária, 1961): reunia ex-trotskistas, ex-comunistas e socialistas influenciados por Rosa Luxemburgo; criticava a hegemonia do PCB e defendia uma revolução socialista dirigida pela classe operária 2.
- Ação Popular (AP, 1962): nasceu da Juventude Universitária Católica; depois de 1964 adotou o maoísmo, e em 1972 sua ala maoísta foi incorporada ao PCdoB, enquanto o restante se tornou APML 12.
Golpe de 1964 e as organizações revolucionárias
O golpe de 31 de março–1º de abril de 1964 depôs o presidente João Goulart e abriu uma ditadura que duraria até 1985. O PCB, que defendia a via pacífica, foi duramente reprimido e acusado por dissidentes de não ter resistido ao golpe. Entre 1966 e 1968, sucessivas rupturas produziram organizações que defendiam a luta armada, sem que formassem uma corrente única 13 14 15 16.
Principais organizações e suas diferenças
- ALN (Ação Libertadora Nacional, 1968): criada por Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira e outros dissidentes do PCB; inspirada na teoria do foco e na guerrilha urbana; em setembro de 1969, com o MR-8, sequestrou o embaixador dos EUA Charles Elbrick em troca de 15 presos políticos. Marighella foi morto pela polícia em 4 de novembro de 1969 13.
- PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, 1968): fundado por Mário Alves, Apolônio de Carvalho e Manuel Jover Teles, também dissidentes do PCB; propunha guerrilha no campo com estrutura partidária nas cidades. Mário Alves morreu sob custódia em 1970 14.
- MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro): origem na Dissidência da Guanabara do PCB, majoritariamente estudantil; o nome lembra a data da morte de Che Guevara. Depois de 1979 passou a atuar dentro do PMDB 15.
- VPR (Vanguarda Popular Revolucionária, 1968): formada por dissidentes da POLOP e ex-militares; teve no capitão Carlos Lamarca seu principal líder. Em 1969 fundiu-se com o Colina, formando a VAR-Palmares; Lamarca foi morto em 1971 na Bahia 16.
- PCdoB: optou pela guerrilha rural de longo prazo, inspirada na experiência chinesa, preparando desde 1966–1967 núcleos no sul do Pará (ver abaixo) 11.
- AP: de origem católica, maoísta depois de 1967 12.
- PCR (Partido Comunista Revolucionário, 1966): surgido no Nordeste a partir de ex-militantes do PCdoB, com atuação nas zonas canavieiras e capitais de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte 17. Ver Partido Comunista Revolucionário (PCR).
Essas organizações divergiam sobre o caráter da revolução (socialista ou nacional-democrática), sobre o papel do campo e da cidade e sobre a relação entre partido e guerrilha. Quase todas foram desarticuladas pela repressão até meados dos anos 1970.
Infiltração, derrota e destinos das organizações
A partir de 1969, o endurecimento do regime após o AI-5 (dezembro de 1968), a tortura sistemática de presos e a infiltração de agentes desarticularam as organizações armadas uma após a outra. A ALN, depois da morte de Marighella, foi dirigida por Joaquim Câmara Ferreira, preso e morto sob custódia em 23 de outubro de 1970 (data da CNV, vol. III; o DHBB indica outubro de 1971); seus remanescentes dividiram-se entre a Tendência Leninista, uma parte que voltou ao PCB e outra que formou a União dos Comunistas 13. A VPR, depois do rompimento de Lamarca, foi dirigida em 1972 pelo "cabo" Anselmo, que tentou montar um foco guerrilheiro em Recife; o grupo foi destruído pela repressão, e a organização praticamente desapareceu depois de 1973 16.
O MR-8 participou da organização da Passeata dos Cem Mil, em junho de 1968, passou à guerrilha urbana após o AI-5 e teve parte dos quadros presa ou exilada no início dos anos 1970. Depois de 1979, decidiu atuar dentro do PMDB, onde permaneceu nas décadas seguintes; em 1983 cerca de trezentos militantes saíram e aderiram ao PCB 15. A POLOP, que em 1968 se juntara a dissidentes do PCB no Partido Operário Comunista (POC), ressurgiu em 1970 a partir de uma dissidência deste 2. A AP, já como APML, teve a maior parte de sua direção morta na repressão de 1972–1973 12. No PCdoB, um grupo "foquista" expulso em 1966 formou a Ala Vermelha, e em 1970 o partido absorveu dissidentes da AP, sobretudo na Bahia 11.
Esse percurso mostra que a "esquerda armada" não foi um bloco: organizações nascidas de matrizes distintas, o PCB, o catolicismo de esquerda, a POLOP, o nacionalismo militar, tomaram caminhos diferentes também depois da derrota, do retorno a partidos legais à atuação em frentes amplas de oposição.
A Guerrilha do Araguaia
O PCdoB começou a instalar militantes no sul do Pará em 1966–1967 (ver o verbete Guerrilha do Araguaia); o núcleo chegou a reunir cerca de 70 pessoas. A partir de 1972, o Exército realizou campanhas contra a guerrilha, que foi praticamente destruída até o fim de 1973; segundo o DHBB, cerca de 50 guerrilheiros foram mortos, entre eles o dirigente Maurício Grabois 11. A maior parte dos corpos nunca foi entregue às famílias.
Em 24 de novembro de 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos julgou o caso Gomes Lund e outros ("Guerrilha do Araguaia") vs. Brasil, que tratava do desaparecimento forçado de dezenas de pessoas nas operações de 1972–1975, e responsabilizou o Estado brasileiro; a sentença foi publicada no Diário Oficial em junho de 2011 18.
Tortura, mortos e desaparecidos
A repressão política da ditadura atingiu comunistas de todas as correntes, inclusive do PCB, que não aderiu à luta armada. Entre 1974 e 1976, uma ofensiva dos órgãos de segurança contra a direção do PCB, conhecida como Operação Radar, resultou no desaparecimento de dirigentes como David Capistrano, Elson Costa, Hiram de Lima Pereira, João Massena Melo, José Montenegro de Lima, Luiz Ignácio Maranhão Filho e Walter de Souza Ribeiro 19. Em dezembro de 1976, uma reunião do comitê central do PCdoB em São Paulo foi cercada; Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Drumond foram mortos 11.
O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), entregue em 10 de dezembro de 2014, reconheceu 434 mortos e desaparecidos políticos, dos quais 210 permaneciam desaparecidos, e apontou 377 agentes do Estado como responsáveis por graves violações 20. A própria comissão registrou que o número corresponde aos casos que conseguiu comprovar, e não ao total de vítimas, e mencionou a falta de acesso a documentos das Forças Armadas 21. O levantamento anterior Brasil: nunca mais (1985), feito a partir de processos da Justiça Militar, é outra referência central 22.
Exílio e anistia
Milhares de militantes foram para o exílio, no Chile até 1973, depois na Europa, em Cuba, na URSS e em países africanos. O próprio Prestes deixou o Brasil em 1971, por decisão do comitê central do PCB, e viveu em Moscou até 1979 5.
A Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979, concedeu anistia aos crimes políticos e conexos cometidos entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, excluindo os condenados por terrorismo, assalto, sequestro e atentado pessoal 23. A extensão da anistia aos agentes do Estado acusados de tortura continua em debate; a CNV recomendou que ela não impedisse a responsabilização desses crimes 21.
Entre as 29 recomendações da CNV estão também o reconhecimento de "responsabilidade institucional" pelas Forças Armadas, a proibição de eventos oficiais comemorativos do golpe de 1964 e a revogação da Lei de Segurança Nacional 21. No caso Araguaia, a Comissão Interamericana havia pedido que a Lei nº 6.683/1979 deixasse de ser obstáculo à persecução penal de graves violações de direitos humanos 18. O tema é parte de um debate jurídico e político ainda aberto no país.
Legalização e reconfiguração (1985–1996)
Em maio de 1985, já no governo José Sarney, foram aprovadas as normas que permitiram a legalização do PCB e do PCdoB 11. O PCB obteve registro definitivo na Justiça Eleitoral em 7 de março de 1990, no mesmo dia da morte de Prestes, que havia rompido com o partido em 1980 5.
Com a crise e o fim da União Soviética, a maioria do PCB decidiu, em 1992, transformar o partido no Partido Popular Socialista (PPS) 1. Militantes que rejeitaram a mudança mantiveram o nome e a sigla e obtiveram novo registro: na lista atual do TSE, o Partido Comunista Brasileiro consta com deferimento em 9 de maio de 1996 24. O PCdoB, por sua vez, tem registro deferido em 23 de junho de 1988 24.
Sindicalismo e movimentos sociais
Desde os anos 1920, comunistas disputaram a direção de sindicatos, primeiro com anarquistas, depois com o sindicalismo oficial criado no governo Vargas e, mais tarde, com outras correntes. Nos anos 1950 e início dos 1960, o PCB teve presença importante em sindicatos urbanos e nas ligas e sindicatos rurais. A ditadura interveio nos sindicatos e perseguiu suas lideranças.
No fim dos anos 1970, o chamado "novo sindicalismo" do ABC paulista surgiu em boa parte fora da influência dos partidos comunistas, que passaram a disputar espaço com o PT e com outras correntes na reorganização sindical dos anos 1980. Organizações comunistas também atuaram no movimento estudantil, o PCR, por exemplo, afirma ter dirigido DCEs em Pernambuco nos anos 1970 e chegado à vice-presidência da UNE em 1981 17, e em movimentos de moradia, de mulheres e de juventude.
Este é um tema em que a pesquisa ainda é desigual: estudos de caso por categoria e por região são mais confiáveis do que generalizações nacionais.
Partidos e organizações atuais que se reivindicam comunistas
Em 2026, a lista de partidos registrados no TSE inclui, entre outros, quatro legendas cujos nomes ou documentos se referem ao comunismo ou ao socialismo revolucionário. Em ordem alfabética de sigla, com a data de deferimento e o número da legenda 24:
- PCB, Partido Comunista Brasileiro, 9/5/1996, número 21.
- PCdoB, Partido Comunista do Brasil, 23/6/1988, número 65.
- PCO, Partido da Causa Operária, 30/9/1997, número 29 (de tradição trotskista).
- UP, Unidade Popular, 10/12/2019, número 80. Ver Unidade Popular (UP).
Há ainda organizações sem registro eleitoral, como o PCR, e partidos que abrigam correntes marxistas sem se declararem comunistas. Esses partidos divergem entre si em estratégia, alianças, avaliação das experiências socialistas do século XX e relação com governos; este verbete não os hierarquiza. As posições de cada um devem ser buscadas em seus próprios documentos.
Imprensa e editoras
A imprensa foi instrumento central de organização. O PCdoB tem como órgão oficial, desde março de 1962, o jornal A Classe Operária 11. O MR-8 publicou Brasil Socialista, Unidade Proletária e, depois, Hora do Povo 15. O PCR lançou o jornal A Verdade em dezembro de 1998 17; o jornal se define como "um jornal dos trabalhadores a serviço da luta pelo socialismo" 25.
Boa parte dessa imprensa circulou na clandestinidade, e coleções completas são raras. Acervos como a Hemeroteca Digital Brasileira, o Arquivo Edgard Leuenroth (Unicamp) e os fundos do DEOPS guardam exemplares e prontuários.
Mulheres e militância negra
A história dos partidos comunistas brasileiros foi por muito tempo contada a partir de seus dirigentes homens e brancos. Estudos recentes recuperam outras trajetórias:
- Patrícia Galvão (Pagu) filiou-se ao PCB por volta de 1930–1931, foi presa em Santos em 1931, o que lhe valeu a reputação de primeira mulher presa política do país, publicou em 1933 o romance proletário Parque industrial sob o pseudônimo Mara Lobo e, depois de novas prisões, rompeu com o partido em 1940, aproximando-se dos trotskistas 26.
- Olga Benario, militante comunista alemã, foi entregue pelo governo Vargas à Alemanha nazista em 1936 e morta em 1942.
- Minervino de Oliveira, operário negro, foi vereador em 1928 e candidato à Presidência em 1930 4.
- Clóvis Moura (1925–2003), nascido em Amarante (PI), filiou-se ao PCB em 1945 e publicou em 1959 Rebeliões da senzala, obra pioneira sobre as revoltas de escravizados e os quilombos como resistência ao escravismo 27 28. Moura é lido como intérprete marxista das relações raciais, crítico da ideia de democracia racial.
Mulheres estiveram também entre os mortos e desaparecidos das organizações de esquerda na ditadura, inclusive na Guerrilha do Araguaia.
Trajetórias: Pagu, Minervino e Clóvis Moura
A trajetória de Pagu expõe tensões internas do partido. Depois da prisão em Santos, o PCB reagiu mal à repercussão do caso e criticou sua origem social, segundo o verbete do Dicionário Marxismo na América. Ela viajou em 1933–1934 por Estados Unidos, Japão, China, União Soviética e Europa, foi presa em Paris e deportada; voltou a ser presa após o levante de 1935, fugiu em 1937, foi condenada pelo Tribunal de Segurança Nacional em 1938 e libertada em 1940. Em 1939, um panfleto do comitê central intitulado Contra o trotskismo a acusou de trotskismo; ao sair da prisão, rompeu com o partido. Mais tarde ligou-se à Vanguarda Socialista, de Mário Pedrosa, e foi candidata a deputada estadual pelo Partido Socialista em 1950. Morreu em Santos, em 1962 26.
A candidatura de Minervino de Oliveira é estudada como caso raro de um operário negro indicado por um partido para disputar a Presidência numa república de eleitorado restrito e sob forte repressão policial. Petrônio Domingues reconstitui sua trajetória e a campanha, do fim de 1929 ao início de 1930, mostrando que a candidatura teve baixa votação, mas grande valor simbólico 4.
Clóvis Moura começou a militância no PCB pelo jornalismo e pela literatura, trabalhou na imprensa do partido, foi redator de O Momento, da seção baiana, em 1950, e construiu depois uma obra de sociologia e história centrada na resistência negra à escravidão 27. Sua leitura dos quilombos como resistência coletiva à ordem escravista contrastava com interpretações que viam a escravidão brasileira como relativamente branda.
Anticomunismo
O anticomunismo foi uma força política duradoura no Brasil, com matrizes católica, nacionalista e liberal. Ele se apoiou em episódios reais, os levantes de 1935, e em fabricações, como o Plano Cohen de 1937 10. O termo "Intentona Comunista", cunhado pelos meios oficiais com sentido depreciativo ("intento louco, plano insensato"), e as cerimônias militares anuais de 27 de novembro em memória dos mortos legalistas de 1935 consolidaram uma memória oficial do episódio 7.
O medo do "perigo vermelho" foi mobilizado na cassação do PCB em 1947–1948 e na campanha que precedeu o golpe de 1964. A historiografia, por exemplo, o estudo de Rodrigo Patto Sá Motta sobre o anticomunismo entre 1917 e 1964 29, trata o anticomunismo como fenômeno próprio, com organizações, imaginário e efeitos políticos que não se reduzem à força real dos comunistas em cada momento.
Debates historiográficos
Algumas questões permanecem em discussão:
- 1935: levante dirigido de Moscou ou movimento com raízes nacionais? A abertura dos arquivos da Internacional Comunista, nos anos 1990, alimentou leituras diferentes 30 31.
- Luta armada: derrota inevitável, resposta à ditadura ou escolha equivocada? Balanços como os de Jacob Gorender e Marcelo Ridenti são referências do debate 32 33.
- Prestes e o PCB: a biografia de Prestes divide autores, compare Daniel Aarão Reis e Anita Leocádia Prestes 34 35.
- Legado de 1922: PCB e PCdoB reivindicam a mesma origem; a disputa é também política.
As obras indicadas acima não foram consultadas nesta redação e são listadas como leituras, não como sustentação de passagens específicas.
Fontes e acervos para pesquisa
Quem pesquisa o tema conta com acervos de naturezas diferentes:
- Sínteses de referência: o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (CPDOC/FGV), com verbetes sobre partidos, organizações e pessoas 1.
- Repressão e direitos humanos: o relatório da Comissão Nacional da Verdade (2014), o projeto Brasil: nunca mais 22, os acervos do Arquivo Nacional (Memórias Reveladas) e dos DEOPS estaduais, e portais que resumem os casos individuais, como o Memórias da Ditadura 36.
- Imprensa e documentos partidários: a Hemeroteca Digital Brasileira, o Arquivo Edgard Leuenroth (Unicamp) e os acervos mantidos pelos próprios partidos e fundações a eles ligadas. Estes últimos valem para a posição de cada organização, mas não substituem a pesquisa independente.
- Arquivos estrangeiros: o arquivo da Internacional Comunista em Moscou e arquivos diplomáticos de outros países.
Uma dificuldade recorrente é que muitos documentos foram produzidos pela polícia política, em interrogatórios sob tortura ou com objetivo de incriminar; outros foram escritos por militantes em disputas internas. Ambos exigem leitura crítica.
Citações
Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.
- Citação localizada na fonte
“Um jornal dos trabalhadores a serviço da luta pelo socialismo.”
Autodefinição do jornal A Verdade em sua página "Quem somos".
Indicadores
Cada número traz fonte, série, unidade, período e limitações. Números de séries diferentes não devem ser comparados entre si.
| Indicador | Valor | Período | Fonte e série | Limitações |
|---|---|---|---|---|
| Mortos e desaparecidos políticos reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade | 434 (dos quais 210 desaparecidos) pessoas | 1946–1988 (foco em 1964–1985) | Renan recebe relatório final da Comissão Nacional da VerdadeRelatório final da CNV, 2014 | Inclui vítimas de todas as filiações políticas, não só comunistas. Corresponde aos casos comprovados pela comissão; não é estimativa do total de vítimas. |
| Representação do PCB na Assembleia Constituinte | 14 deputados e 1 senador parlamentares | 1946 | Partido Comunista Brasileiro (PCB), verbete temático | Única eleição nacional disputada pelo PCB com registro próprio antes de 1985. |
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Bibliografia comentada
Partido Comunista Brasileiro (PCB), verbete temático
Ponto de partida para datas e números da história institucional do PCB.
Renan recebe relatório final da Comissão Nacional da Verdade (2014)
Os números do relatório da CNV são mínimos comprovados, não estimativas totais.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Partido Comunista Brasileiro (PCB), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Verbete longo; nesta redação foram conferidos os trechos de 1922 a c. 1961 e as menções a 1962 e 1992.
- 2Alzira Alves de Abreu. Organização Revolucionária Marxista Política Operária (POLOP), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 3Vitor Nuzzi. A greve de 1917 conta histórias que continuam atuais. Rede Brasil Atual, reproduzido no site da CUT, 2017.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 4Petrônio Domingues. Minervino de Oliveira: um negro comunista disputa a presidência do Brasil. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, n. 101, 2017.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado o resumo do artigo.
- 5Alzira Alves de Abreu e Alan Carneiro. Prestes, Luís Carlos, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 6Alzira Alves de Abreu. Aliança Nacional Libertadora (ANL), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 7Alzira Alves de Abreu. Revolta Comunista de 1935, verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 8Müller, Filinto, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 9Graciliano Ramos. Memórias do cárcere. 1953.[Fonte primária · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
- 10Plano Cohen, verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 11Partido Comunista do Brasil (PCdoB), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 12Mônica Kornis. Ação Popular (AP), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 13Alzira Alves de Abreu. Ação Libertadora Nacional (ALN), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 14Alzira Alves de Abreu. Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 15Alzira Alves de Abreu e Lícia Mascarenhas. Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 16Alzira Alves de Abreu. Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 17Partido Comunista Revolucionário (PCR). História, Partido Comunista Revolucionário.[Fonte partidária · consultada em 19 de outubro de 2026]Fonte partidária: vale para a versão do próprio PCR sobre sua história.
- 18SDH divulga sentença da OEA sobre casos de desaparecimentos na Guerrilha do Araguaia. Migalhas, 2011.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 19Comissão da Verdade reúne depoimentos sobre desaparecidos do PCB. Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), 2013.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 20Renan recebe relatório final da Comissão Nacional da Verdade. Rádio Senado, 2014.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 21CNV responsabiliza Estado por crimes cometidos pelo regime militar. Instituto Humanitas Unisinos (IHU), 2014.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 22Arquidiocese de São Paulo. Brasil: nunca mais. 1985.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
- 23Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979 (Lei de Anistia), publicação original. Câmara dos Deputados, Legislação Informatizada.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 24Tribunal Superior Eleitoral. Partidos políticos registrados no TSE.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada em navegador (a página recusa leitores automáticos). Tabela com sigla, nome, data de deferimento e número da legenda.
- 25A Verdade, página inicial e "Quem somos".[Fonte partidária · consultada em 19 de outubro de 2026]Jornal do campo político do PCR e da UP; fonte partidária. A página inicial (averdade.org.br) também foi aberta.
- 26Walnice Nogueira Galvão. A rebeldia e o marxismo de Pagu. Outras Palavras (verbete do Dicionário Marxismo na América, Núcleo Práxis-USP), 2026.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 27Gabriel dos Santos Rocha. Clóvis Moura: sociabilidade e formação intelectual (1940-1950). Revista Sem Aspas (Unesp), v. 10, 2021.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
- 28Clóvis Moura. Rebeliões da senzala. 1959.[Fonte primária · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
- 29Rodrigo Patto Sá Motta. Em guarda contra o perigo vermelho: o anticomunismo no Brasil (1917-1964). 2002.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
- 30William Waack. Camaradas: nos arquivos de Moscou, a história secreta da revolução brasileira de 1935. 1993.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
- 31Marly de Almeida Gomes Vianna. Revolucionários de 35: sonho e realidade. 1992.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
- 32Jacob Gorender. Combate nas trevas. 1987.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
- 33Marcelo Ridenti. O fantasma da revolução brasileira. 1993.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
- 34Daniel Aarão Reis. Luís Carlos Prestes: um revolucionário entre dois mundos. 2014.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
- 35Anita Leocádia Prestes. Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro. 2015.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
- 36Manoel Lisboa de Moura, perfil. Portal Memórias da Ditadura.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]O perfil resume a versão oficial da época, os documentos que a contradizem e as conclusões da Comissão Nacional da Verdade.
- 37"A última photographia dos chefes revolucionários", Careta, ed. 978 (19/03/1927), via Wikimedia Commons.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]
Rede de relações
Ligações documentadas com tipo, período e fonte. Verbetes ainda planejados aparecem tracejados e sem link.
relacionado a
- Partido Comunista Brasileiro (PCB)Organização
- Partido Comunista do Brasil (PCdoB) (verbete planejado)OrganizaçãoFonte: Partido Comunista do Brasil (PCdoB), verbete temático
- Ação Libertadora Nacional (ALN) (verbete planejado)OrganizaçãoFonte: Ação Libertadora Nacional (ALN), verbete temático
- Partido Comunista Revolucionário (PCR)Organização
- Unidade Popular (UP)Organização
- Aliança Nacional Libertadora (ANL) (verbete planejado)OrganizaçãoFonte: Aliança Nacional Libertadora (ANL), verbete temático
- Levante comunista de 1935Acontecimento
- Golpe de 1964Acontecimento
- Guerrilha do AraguaiaAcontecimentoFonte: Partido Comunista do Brasil (PCdoB), verbete temático
- Luís Carlos PrestesPessoa
- Olga BenarioPessoa
- Carlos MarighellaPessoaFonte: Ação Libertadora Nacional (ALN), verbete temático
- Astrojildo Pereira (verbete planejado)PessoaFonte: Partido Comunista Brasileiro (PCB), verbete temático
- ComunismoConceito
- AntifascismoConceito
- Capitalismo no BrasilPaís e experiência histórica
- Manoel Lisboa de MouraPessoa
- Socialismo no BrasilPaís e experiência histórica
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Geradas a partir deste verbete. Cada peça leva o endereço do verbete, onde ficam as fontes e o contexto.
Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Redação UP, rascunho assistido por IA
- Criado em
- 19 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 19 de outubro de 2026
- Extensão
- 4.207 palavras · 37 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 19 de outubro de 2026 · correcaoIntegração ao núcleo Ditaduras no Brasil: links para os verbetes canônicos (Estado Novo, golpe de 1964, ditadura, AI-5, Guerrilha do Araguaia) e correção da data de prisão e morte de Joaquim Câmara Ferreira (23/10/1970, segundo a CNV, vol. III; o DHBB indica 1971).Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
- 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisa em verbetes do DHBB (CPDOC/FGV: PCB, Prestes, ANL, Revolta de 1935, Plano Cohen, PCdoB, ALN, VPR, PCBR, MR-8, AP, POLOP, Filinto Müller), lista de partidos do TSE, notícias sobre o relatório da CNV, Lei 6.683/1979, artigos sobre Minervino de Oliveira, Pagu e Clóvis Moura. Pendente: conferir no relatório da CNV (vol. III) os casos citados; conferir dados de 1964–1992 do verbete do PCB no DHBB (só parcialmente lido); fontes para sindicalismo e imprensa (seções com poucas citações); verificar a afirmação sobre A Classe Operária no PCB dos anos 1920; ler as obras indicadas como bibliografia.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
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Como citar: Comunismo no Brasil. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/comunismo-no-brasil.
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Levantes militares de Natal, Recife e Rio de Janeiro (novembro de 1935)
Golpe de 1964
Deposição do presidente João Goulart (31 de março–2 de abril de 1964)
Guerrilha do Araguaia
Núcleo guerrilheiro do PCdoB no sudeste do Pará e campanhas militares de extermínio (1966–1974)