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Exército Lulaacervo documental
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Ernesto Che Guevara

Médico, guerrilheiro e dirigente político argentino-cubano (1928–1967)

Médico argentino que integrou a guerrilha de Fidel Castro, foi comandante do Exército Rebelde, presidente do Banco Nacional e ministro das Indústrias de Cuba. Deixou o governo em 1965, lutou no Congo e na Bolívia, onde foi capturado e executado em 9 de outubro de 1967.

Também: Ernesto Guevara de la Serna · Che · Ernesto Guevara · Ramón (nome de guerra na Bolívia) · Adolfo Mena González (identidade falsa usada para entrar na Bolívia)

Jovem Ernesto Guevara deitado na sacada da casa da família em Buenos Aires.
Autor desconhecido, 1949. Domínio público (PD-AR-Photo).

Índice e ficha
Nome completo
Ernesto Guevara de la Serna
Nascimento
14 de junho de 1928 (data disputada), Rosário, Santa Fé, Argentina
Morte
9 de outubro de 1967, La Higuera, BolíviaExecutado um dia após a captura, por ordem do alto comando boliviano, com presença de um agente da CIA.
Nacionalidade
argentina, cubana (declarado cubano de nascimento em 1959)
Papéis
  • Comandante do Exército RebeldeMilitante · 1957–1959
  • Presidente do Banco Nacional de CubaOutro papel · 1959–1961
  • Ministro das Indústrias de CubaOutro papel · 1961–1965
  • Comandante da guerrilha do ELN na BolíviaMilitante · 1966–1967
Como se definia
Declarava-se marxista; na carta de despedida a Fidel Castro (lida em 1965) renuncia a cargos e à cidadania cubana.
Período
1928–1967
Área
Socialismo e comunismo
Regiões
América Latina, Caribe, África
Temas
Revoluções e guerras, Economia e organização social, Anticolonialismo e libertação nacional, Relações internacionais, Repressão, violência política e direitos

Ernesto Guevara de la Serna (Rosário, Argentina, 1928 – La Higuera, Bolívia, 9 de outubro de 1967), conhecido como Che, foi um médico argentino que se tornou um dos principais dirigentes da Revolução Cubana. Integrou a expedição do iate Granma (1956), foi comandante do Exército Rebelde na guerra contra a ditadura de Fulgencio Batista e, depois de 1959, ocupou cargos centrais no novo Estado: comandante da fortaleza de La Cabaña, chefe do Departamento de Industrialização do INRA, presidente do Banco Nacional e ministro das Indústrias.

Como teórico e dirigente, defendeu um modelo de planificação centralizada (o sistema orçamentário de financiamento), a primazia dos estímulos morais sobre os materiais e a ideia de formação de um "homem novo", temas do grande debate econômico cubano (1963–1965) e da carta O socialismo e o homem em Cuba (1965). No plano internacional, defendeu a luta armada no Terceiro Mundo e criticou publicamente as relações comerciais dos países socialistas com os países pobres. Em 1965 deixou Cuba; combateu no Congo e, em 1966–1967, comandou uma guerrilha na Bolívia. Foi ferido e capturado em 8 de outubro de 1967 e executado no dia seguinte, na escola de La Higuera, por ordem do alto comando boliviano, com presença de um agente da CIA.

Sua trajetória envolve tanto contribuições reconhecidas por correntes de esquerda quanto responsabilidades documentadas, entre elas as execuções após julgamentos sumários em La Cabaña (1959), e permanece objeto de avaliações opostas. Este verbete separa fatos documentados, interpretações historiográficas e documentos de época, e indica as fontes de cada afirmação.

Origem, família e formação

Fatos documentados

Guevara nasceu em Rosário, na província argentina de Santa Fé, filho de Ernesto Guevara Lynch e Celia de la Serna, e foi o mais velho de cinco irmãos 1. A certidão de nascimento lavrada no Registro Civil de Rosário registra o nascimento em 14 de junho de 1928 2; a data é discutida na literatura biográfica (ver subseção abaixo).

A data de nascimento

Fatos documentadosDebate em aberto

A certidão registrada em Rosário dá 14 de junho de 1928 2. O biógrafo Jon Lee Anderson recolheu o depoimento da jornalista Julia Constenla segundo o qual a mãe teria dito que o filho nasceu em 14 de maio e que a data foi alterada no registro para evitar escândalo, pois o casamento dos pais era recente; a informação é reproduzida em obras de referência a partir de Anderson 1 3. Não há documento primário conhecido que comprove a data de maio; por isso o verbete adota a data do registro e assinala a divergência.

Família, asma e leituras

Fatos documentados

A família, de origem na classe média e na antiga elite argentina, mudou-se várias vezes, em parte por causa da asma que acompanhou Guevara por toda a vida 1. As biografias registram leituras amplas na juventude, literatura, filosofia, e mais tarde autores marxistas, e a prática de esportes apesar da doença 3 4.

Formação médica

Fatos documentados

Ingressou em 1948 no curso de Medicina da Universidade de Buenos Aires e concluiu o curso em junho de 1953 1. O diploma médico é parte de sua identidade pública posterior: em Cuba foi frequentemente chamado de "doutor Guevara", e a documentação oficial da Alemanha Oriental de 1960 o identifica como "Dr. Ernesto Guevara" 5.

Viagens pela América Latina (1950–1953)

Fatos documentadosDocumento de época

Em 1950 percorreu sozinho o norte da Argentina numa bicicleta motorizada. Entre 1951 e 1952 fez, com o amigo bioquímico Alberto Granado, uma viagem de vários meses pela América do Sul, Chile, Peru (incluindo o leprosário de San Pablo, na Amazônia peruana), Colômbia e Venezuela 1. As anotações dessa viagem foram publicadas postumamente como Notas de viaje, conhecidas em português como Diários de motocicleta; o Marxists Internet Archive reproduz extratos 6.

Os biógrafos atribuem a essas viagens um papel na formação política de Guevara, pelo contato com a pobreza camponesa, mineira e indígena 3 7. Trata-se de interpretação: os próprios diários, escritos sem intenção de publicação, misturam observação social, relato de aventura e juízos que hoje são lidos criticamente.

Guatemala e México (1953–1956)

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

Em julho de 1953 Guevara partiu para uma segunda viagem pela América Latina, que o levou à Bolívia (então sob o governo surgido da revolução de 1952), à América Central e, no fim de 1953, à Guatemala 1. Ali viveu a fase final do governo de Jacobo Árbenz, cuja reforma agrária afetava terras da United Fruit Company. Árbenz foi forçado a renunciar em 27 de junho de 1954, após a invasão de forças comandadas por Carlos Castillo Armas com apoio dos Estados Unidos 1. Na Guatemala Guevara conheceu a economista peruana Hilda Gadea, militante da APRA, com quem se casaria no México em 1955 e teria uma filha, Hilda Beatriz 1.

Em setembro de 1954 chegou à Cidade do México. Em 1955 conheceu exilados cubanos do Movimento 26 de Julho e, por meio de Raúl Castro, foi apresentado a Fidel Castro 1. Na carta de despedida de 1965, o próprio Guevara lembra ter conhecido Fidel "en casa de María Antonia" 8. Os biógrafos situam o encontro em julho de 1955 3 4. Guevara entrou para o grupo como médico da expedição.

A historiografia costuma ligar a experiência guatemalteca à convicção, expressa depois por Guevara, de que reformas sociais na América Latina exigiriam a destruição do exército do antigo regime e a preparação para enfrentar intervenções dos Estados Unidos 3 7. É uma leitura interpretativa, apoiada em cartas da época citadas por esses autores.

Na Revolução Cubana (1956–1958)

Fatos documentados

O iate Granma deixou Tuxpan (México) em 25 de novembro de 1956 com 82 homens e chegou à costa oriental de Cuba em 2 de dezembro; dias depois, o grupo foi atacado em Alegría de Pío e apenas uma pequena parte dos expedicionários conseguiu se reagrupar na Sierra Maestra 9 10. Guevara foi ferido nesse primeiro combate, episódio que ele narra em Pasajes de la guerra revolucionaria 10. Ver Revolução Cubana.

Sierra Maestra e comando de coluna

Fatos documentados

Na guerrilha, Guevara passou de médico a combatente e, em 1957, foi o primeiro dos expedicionários a receber de Fidel Castro o posto de comandante, à frente de uma coluna própria 1 3. Seus relatos de combates, La Plata (janeiro de 1957), Uvero (maio de 1957) e outros, foram publicados em jornais e revistas entre 1959 e 1961 e reunidos em livro em 1963, como Pasajes de la guerra revolucionaria 10. Na zona sob controle rebelde, organizou escolas, oficinas, um jornal (El Cubano Libre) e participou da montagem da Rádio Rebelde 3 4.

Disciplina e execuções na guerrilha

Fatos documentadosDebate em aberto

A guerrilha aplicou a pena de morte a acusados de traição, delação, deserção armada e banditismo. Em Pasajes de la guerra revolucionaria, no capítulo "Fin de un traidor", Guevara narra a execução do camponês Eutimio Guerra, acusado de guiar o exército contra os rebeldes (fevereiro de 1957), sem dizer no texto publicado quem disparou 11. Biografias baseadas no diário de campanha atribuem o disparo ao próprio Guevara 3 1.

O levantamento da organização Cuba Archive, crítica ao governo cubano, contabiliza 25 execuções pelo Exército Rebelde nas quais Guevara era comandante de alto nível, das quais "ao menos 6" teriam sido ordenadas ou executadas diretamente por ele; a própria organização apresenta os números como trabalho em andamento 12. Outros capítulos de Pasajes ("Lucha contra el bandidaje", "Un episodio desagradable") mostram que o próprio Guevara tratou esses episódios como parte necessária da disciplina guerrilheira 10. A avaliação moral e jurídica dessas execuções é objeto de debate (ver "Críticas e controvérsias").

A ofensiva para o centro da ilha e Santa Clara

Fatos documentados

Depois do fracasso da ofensiva de verão do exército de Batista (Operação Verano, julho–agosto de 1958), Fidel Castro enviou para oeste duas colunas, comandadas por Camilo Cienfuegos e por Guevara 9. A coluna de Guevara chegou à serra do Escambray, onde atuavam também o Diretório Revolucionário e outros grupos, e no fim de dezembro de 1958 atacou Santa Clara, capital da província de Las Villas. A batalha, que incluiu o descarrilamento e a captura de um trem blindado do exército, terminou com a tomada da cidade na virada de 31 de dezembro para 1º de janeiro de 1959, mesma noite em que Batista fugiu do país 9 3. Guevara entrou em Havana em 2 de janeiro 1.

No governo revolucionário (1959–1965)

Fatos documentados

Entre 1959 e 1965 Guevara exerceu funções militares, econômicas e diplomáticas. Em fevereiro de 1959 o governo o declarou "cubano de nascimento"; em 2 de junho de 1959 casou-se com Aleida March, combatente do Movimento 26 de Julho, com quem teve quatro filhos 1. Entre junho e setembro de 1959 chefiou uma viagem a países do bloco de Bandung (Egito, Índia, Indonésia, Iugoslávia, entre outros) e ao Japão 1.

La Cabaña e as execuções de 1959

Fatos documentadosDebate em aberto

Em janeiro de 1959 Guevara foi nomeado comandante da fortaleza de San Carlos de La Cabaña, em Havana, que funcionou como prisão e sede de tribunais revolucionários encarregados de julgar militares, policiais e colaboradores do regime de Batista acusados de tortura e assassinato 13. Como comandante, Guevara tinha a palavra final sobre recursos (apelações) contra sentenças daqueles tribunais 13 3.

O que está documentado. Houve execuções por fuzilamento em La Cabaña depois de julgamentos rápidos, com garantias processuais reduzidas, sob a autoridade de Guevara. Em 11 de dezembro de 1964, na Assembleia Geral da ONU, respondendo ao representante da Venezuela, ele afirmou publicamente a política de fuzilamentos, na versão oficial em inglês da ata: "executions? Yes, we have executed people; we are executing people and shall continue to execute people as long as it is necessary" 14.

Quantos. Os números variam conforme a fonte, o período considerado e o critério de atribuição:

  • Jon Lee Anderson indica 55 execuções em La Cabaña sob o comando de Guevara e estima "várias centenas" de execuções oficiais em toda Cuba no período 3 13.
  • Jorge Castañeda registra que os estudos divergem, com totais nacionais entre 200 e 700 execuções, e observa que, a partir de certa data, a maior parte das execuções ocorreu fora da jurisdição de Guevara 7 13.
  • A organização Cuba Archive atribui a Guevara 73 execuções em La Cabaña entre 4 de janeiro e 26 de novembro de 1959, num total de 123 casos ligados a ele entre 1957 e 1959; o mesmo grupo divulgou em outros documentos cifras de 105 e 176 para La Cabaña, sem conciliação publicada entre elas 12 13.

Por que os números divergem. (1) Guevara deixou o comando por volta de 12 de junho de 1959 e viajou ao exterior entre junho e setembro; parte dos autores conta sentenças confirmadas antes da viagem e executadas depois, e parte não. (2) Alguns levantamentos estendem o período até 26 de novembro de 1959, data em que ele assumiu o Banco Nacional. (3) Levantamentos de oposição trabalham com listas nominais ainda não publicadas integralmente; biógrafos trabalham com depoimentos e documentos parciais 13 12. O verbete não soma essas estimativas, que se sobrepõem.

Interpretações. Defensores da revolução e a historiografia oficial cubana descrevem os fuzilamentos como "justiça revolucionária" contra responsáveis por crimes da ditadura, num contexto de forte apoio popular aos julgamentos e de memória de assassinatos cometidos pelas forças de Batista. Críticos, exilados cubanos, autores liberais como Álvaro Vargas Llosa e organizações de direitos humanos, enfatizam a ausência de devido processo, o caráter político de parte das condenações e o papel pessoal de Guevara na confirmação de sentenças 15 12. Biógrafos de perfis diferentes (Anderson, Taibo II, Castañeda) concordam quanto à responsabilidade de Guevara pela confirmação de sentenças e divergem quanto à sua conduta individual e ao peso relativo dos casos 3 4 7. A questão permanece em debate e depende de acesso a arquivos judiciais cubanos ainda não abertos a pesquisa independente.

INRA, Banco Nacional e Ministério das Indústrias

Fatos documentados

Em outubro de 1959 Guevara passou a chefiar o Departamento de Industrialização do Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA). Em 26 de novembro de 1959 foi nomeado presidente do Banco Nacional de Cuba, cargo que ocupou até 23 de fevereiro de 1961; assinava as cédulas e títulos apenas como "Che" 1 16. Em fevereiro de 1961 tornou-se o primeiro titular do Ministério das Indústrias (MININD), criado para administrar a indústria nacionalizada, e permaneceu no posto até deixar Cuba, em 1965 17 18.

Nesse período Guevara chefiou delegações comerciais ao bloco soviético, em dezembro de 1960 esteve na República Democrática Alemã à frente de uma delegação econômica, como registra o arquivo federal alemão 5, e participou da conferência do Conselho Interamericano Econômico e Social em Punta del Este (agosto de 1961), onde criticou a Aliança para o Progresso 6. Em agosto de 1962 viajou à URSS em missão ligada ao acordo que levaria à instalação de mísseis soviéticos em Cuba 1.

Os resultados da política industrial são controvertidos. Um memorando da CIA de outubro de 1965, hoje desclassificado, atribuía à estratégia de "industrialização rápida e centralização" a queda da economia ao "ponto mais baixo" desde 1959 19. A colheita de açúcar de 1963 foi a menor em mais de vinte anos 1. Autores como Helen Yaffe, que estudou os arquivos do ministério, argumentam que o MININD desenvolveu sistemas de controle de custos, formação técnica e participação operária que merecem avaliação própria, separada do resultado agregado da economia 18 17.

Pensamento econômico

Formulação teóricaInterpretação historiográfica

As posições econômicas de Guevara foram expostas em artigos de 1963–1964 publicados em revistas cubanas (Nuestra Industria, Revista Económica; Cuba Socialista; Comercio Exterior), em discursos e em atas de reuniões internas do Ministério das Indústrias, além de notas críticas escritas em 1965–1966 e publicadas apenas em 2006 20 17 21.

O sistema orçamentário de financiamento

Formulação teórica

No artigo "Sobre el sistema presupuestario de financiamiento" (Nuestra Industria, Revista Económica, nº 5, fevereiro de 1964), Guevara compara dois métodos de gestão das empresas estatais 20:

  • o cálculo econômico ou autofinanciamento, usado na URSS e nos países do Leste europeu, em que cada empresa tem autonomia financeira, crédito bancário próprio e deve ser rentável;
  • o sistema orçamentário de financiamento (SOF), aplicado no MININD, em que as empresas consolidadas não têm fundos próprios, recebem recursos do orçamento central e entregam suas receitas ao Estado, que funciona como uma "grande empresa" única.

Guevara argumenta que o SOF era adequado a Cuba pelo pequeno número de empresas, pela escassez de quadros e pela existência de técnicas contábeis e de controle centralizado herdadas das grandes empresas norte-americanas que operavam na ilha antes de 1959 20 17. No mesmo texto, sustenta que a lei do valor sobrevive parcialmente no período de transição, mas não deve regular a produção nem as trocas entre empresas estatais, que não seriam, a seu ver, trocas de mercadorias 20.

Estímulos morais e materiais

Formulação teóricaDebate em aberto

Guevara não rejeitava os estímulos materiais, mas defendia limitá-los, preferindo prêmios coletivos a individuais, e dar primazia aos estímulos morais (reconhecimento, trabalho voluntário, emulação), por entender que o uso generalizado do interesse material reproduziria a consciência mercantil que o socialismo pretendia superar 22 23. Em O socialismo e o homem em Cuba ele escreve que o problema é "a correta utilização do estímulo material" sem que este se converta no motor principal, e associa a construção do socialismo à formação de um "homem novo" 22. Para críticos dessa posição, incluindo economistas cubanos e Charles Bettelheim, o nível de desenvolvimento das forças produtivas limitava o alcance dos estímulos morais, e a visão de Guevara seria voluntarista 24. Ver Grande debate econômico cubano (1963–1965).

Crítica ao Manual soviético

Formulação teóricaFatos documentados

Entre 1965 e 1966, na Tanzânia e em Praga, Guevara redigiu notas críticas ao Manual de Economia Política da Academia de Ciências da URSS. Nelas critica a "lei do valor" no socialismo, a reforma econômica soviética e a Nova Política Econômica de Lênin como origem de distorções, e conclui que a URSS estaria "retornando ao capitalismo". As notas, privadas, foram publicadas em Havana em 2006 como Apuntes críticos a la Economía Política 17. A historiadora Helen Yaffe lê nesse material uma crítica marxista independente do modelo soviético; outros autores lembram que as notas não foram revistas pelo autor para publicação 17 25.

Internacionalismo e política externa

Documento de épocaInterpretação historiográfica

Guevara foi um dos porta-vozes da política externa cubana nos anos 1960 e defendeu a extensão da luta armada a outros países do Terceiro Mundo.

Assembleia Geral da ONU (dezembro de 1964)

Documento de época

Em 11 de dezembro de 1964, como chefe da delegação cubana, discursou na XIX sessão da Assembleia Geral da ONU sobre coexistência pacífica, Congo, Vietnã, racismo nos Estados Unidos e na África do Sul, e sobre as agressões norte-americanas contra Cuba 26 27. Na sessão da tarde, em direito de resposta a representantes latino-americanos, fez a declaração sobre os fuzilamentos citada acima 14.

Discurso de Argel (24 de fevereiro de 1965)

Documento de épocaInterpretação historiográfica

No Segundo Seminário Econômico de Solidariedade Afro-Asiática, em Argel, Guevara afirmou que o desenvolvimento dos países que se libertavam "deve custar aos países socialistas" e que, ao comprar matérias-primas e vender máquinas a preços do mercado mundial, os países socialistas eram "de certa maneira, cúmplices da exploração imperial" 28. Também definiu o socialismo como "a abolição da exploração do homem pelo homem" 28. O discurso foi sua última grande aparição pública internacional 1. Muitos biógrafos interpretam o texto como uma crítica pública à URSS que agravou tensões dentro da direção cubana; outros, como Taibo II, relativizam a tese de ruptura com Fidel Castro 3 4 7.

Mensagem à Tricontinental (1967)

Documento de época

A "Mensagem aos povos do mundo através da Tricontinental", publicada em Havana em 16 de abril de 1967 como suplemento da revista Tricontinental (órgão da OSPAAAL), quando Guevara já estava na Bolívia, defende "criar dois, três... muitos Vietnãs" para dispersar as forças dos Estados Unidos 29. O texto inclui a passagem sobre "o ódio como fator de luta", que faria do combatente "uma eficaz, violenta, seletiva e fria máquina de matar", trecho frequentemente citado por críticos como prova de uma ética da violência e, por defensores, lido no contexto da guerra do Vietnã 29 15. Ver Vietnã.

Relação com a URSS, a China e os partidos comunistas

Interpretação historiográficaFatos documentados

Guevara negociou acordos com a URSS e a China e defendeu o alinhamento de Cuba ao campo socialista, mas criticou a reforma econômica soviética e a "coexistência pacífica" quando esta implicava conter movimentos armados. Um memorando da CIA de 1965 descrevia suas posições econômicas como mais próximas da prática chinesa do que da soviética 19. Em 1967, segundo telegrama da CIA desclassificado, o primeiro-ministro soviético Aleksei Kossiguin criticou em Havana o envio de Guevara à Bolívia e o apoio cubano a grupos guerrilheiros em choque com os partidos comunistas reconhecidos por Moscou 19. Ver União Soviética e China (República Popular da China).

Saída de Cuba e Congo (1965)

Fatos documentadosDocumento de época

Guevara voltou a Cuba em 14 de março de 1965 e desapareceu da vida pública. Em 1º de abril entregou a Fidel Castro uma carta de despedida, que Fidel leu em 3 de outubro de 1965, no ato de apresentação do Comitê Central do recém-renomeado Partido Comunista de Cuba 8. Na carta, Guevara renuncia a seus cargos na direção do partido, ao posto de ministro, ao grau de comandante e "à condição de cubano", e afirma que "outras terras do mundo reclamam o concurso de meus modestos esforços" 8.

Em 24 de abril de 1965 chegou ao leste do então Congo-Léopoldville (atual República Democrática do Congo) com um pequeno grupo de cubanos, depois reforçado por cerca de uma centena de combatentes, para apoiar a rebelião remanescente dos partidários de Patrice Lumumba 1. A operação enfrentou divisões entre os chefes congoleses, problemas de disciplina e a ofensiva de forças do governo de Moïse Tshombe apoiadas por mercenários estrangeiros. Guevara deixou o Congo em novembro de 1965 e, no prefácio de seu relato da campanha, publicado postumamente como Pasajes de la guerra revolucionaria: Congo, chamou a experiência de "a história de um fracasso" 1 30. Seguiram-se meses em Dar es Salaam (Tanzânia) e numa casa clandestina perto de Praga; em julho de 1966 voltou secretamente a Cuba para preparar a expedição à Bolívia 1.

Bolívia (1966–1967)

Fatos documentadosDocumento de época

Guevara chegou a La Paz em 3 de novembro de 1966, com passaporte uruguaio falso, e instalou-se num acampamento junto ao rio Ñancahuazú, no sudeste boliviano; seu diário de campanha vai de 7 de novembro de 1966 a 7 de outubro de 1967 1 31 19. O grupo, que se chamou Exército de Libertação Nacional (ELN) da Bolívia, teve no máximo cerca de cinquenta integrantes, cubanos, bolivianos, peruanos e alguns de outras nacionalidades 1.

Mario Monje, dirigente da ala pró-soviética do Partido Comunista da Bolívia, chegou a se comprometer com o projeto em 1966 e depois recuou, deixando a guerrilha sem o apoio do partido 32; a guerrilha tampouco conseguiu recrutar camponeses da região, e a CIA apontaria depois a dependência da população local e a confiança no partido boliviano como erros da campanha 19. O primeiro combate ocorreu em 23 de março de 1967, numa emboscada a uma patrulha do exército no rio Ñancahuazú, descrita no Comunicado nº 1 do ELN 33. Em abril o intelectual francês Régis Debray, que visitara o acampamento, foi preso. Em 28 de abril de 1967 os governos da Bolívia e dos Estados Unidos assinaram o memorando que criou o 2º Batalhão de Rangers, treinado por uma equipe de 16 boinas-verdes norte-americanos 19. Em 31 de agosto o exército destruiu a retaguarda guerrilheira, comandada por "Joaquín", numa emboscada na travessia do rio Grande em Vado del Yeso, onde morreu, entre outros, a argentino-alemã Tamara Bunke ("Tania") 19 34. Em 26 de setembro a vanguarda caiu numa emboscada perto de La Higuera 19.

Telegramas desclassificados mostram que o governo dos Estados Unidos acompanhava a guerrilha desde maio de 1967 e que a CIA enviou à Bolívia agentes cubano-americanos, entre eles Félix Rodríguez e Gustavo Villoldo, para apoiar o exército boliviano em inteligência e interrogatórios 19.

Captura e execução em La Higuera (8–9 de outubro de 1967)

Fatos documentadosDocumento de épocaDebate em aberto

As informações abaixo vêm principalmente de documentos norte-americanos desclassificados e de depoimentos reunidos pelo National Security Archive (Universidade George Washington), que alerta que milhares de registros da CIA e das forças armadas sobre o caso continuam sigilosos 19.

Captura na Quebrada del Yuro

Fatos documentados

Em 8 de outubro de 1967, companhias do 2º Batalhão de Rangers cercaram o grupo na Quebrada del Yuro. Guevara foi ferido na perna e capturado por volta das 15h30, junto com o guerrilheiro boliviano Simón Cuba ("Willy"). Foi levado a pé, numa maca, até La Higuera, a cerca de sete quilômetros, e mantido na escola de uma sala do povoado 19. Ver La Higuera (Bolívia).

A ordem de execução

Fatos documentadosDocumento de época

Na manhã de 9 de outubro chegaram de helicóptero a La Higuera o coronel Joaquín Zenteno Anaya, comandante da 8ª Divisão, e o agente da CIA Félix Rodríguez, que usava o nome "Félix Ramos" e se apresentava como oficial boliviano; Rodríguez fotografou o diário e outros documentos de Guevara 19. Segundo o próprio Rodríguez, em depoimento à Inspetoria-Geral da CIA em 1975, ele recebeu do alto comando boliviano, em Vallegrande, a ordem codificada "quinientos – seiscientos" (500 = Guevara; 600 = executar) e a transmitiu a Zenteno, embora, segundo afirmou, a instrução da CIA fosse manter Guevara vivo; Zenteno respondeu que cumpriria as ordens bolivianas 19. Rodríguez diz ter informado pessoalmente Guevara de que seria morto e ter pedido que não atirassem no rosto, para que os ferimentos parecessem de combate; depois levou consigo o relógio de Guevara 19.

A execução foi feita por um sargento do exército de sobrenome Terán, chamado Mario Terán na maior parte da literatura e "Jaime Terán" na cronologia do NSA, com uma carabina M-2, por volta do início da tarde; Rodríguez situou o horário em 13h10, e o general Alfredo Ovando anunciou 13h30 19 1. Outros guerrilheiros presos, entre eles Simón Cuba ("Willy"), também foram executados em La Higuera no mesmo dia 19.

O papel dos Estados Unidos segundo os documentos

Documento de épocaInterpretação historiográfica

Os documentos desclassificados permitem afirmar que: (1) o batalhão que capturou Guevara foi criado, equipado e treinado pelos Estados Unidos em 1967; (2) agentes da CIA participaram da caçada e um deles estava presente em La Higuera no momento da execução e transmitiu a ordem; (3) a decisão formal de matar Guevara foi do alto comando boliviano 19. Em memorando ao presidente Lyndon Johnson de 11 de outubro de 1967, o assessor Walt Rostow disse estar "99% seguro" da morte, classificou a execução como "estúpida" do ponto de vista norte-americano e avaliou que o episódio mostrava o acerto da "medicina preventiva" de assistência contrainsurgente 19.

O que continua em debate: se houve instrução ou anuência norte-americana à execução, além da versão de Rodríguez; a cadeia exata da ordem dentro do governo do general René Barrientos; e o conteúdo dos registros ainda sigilosos 19 35 7.

O corpo, as mãos e os restos mortais

Fatos documentados

O corpo foi levado de helicóptero a Vallegrande e exibido à imprensa na lavanderia do hospital Nuestro Señor de Malta. Dois médicos assinaram a certidão de óbito sem indicar a hora da morte, o que o embaixador norte-americano Douglas Henderson atribuiu à tentativa de conciliar versões divergentes das forças armadas bolivianas, que inicialmente disseram que Guevara morrera em combate 19. As mãos foram amputadas para identificação por peritos da polícia federal argentina, que confirmaram as impressões digitais em 14 de outubro de 1967 19.

O governo boliviano afirmou ter cremado o corpo. Em 1995 o general reformado Mario Vargas Salinas revelou a Jon Lee Anderson que Guevara e outros guerrilheiros haviam sido enterrados numa vala junto à pista de pouso de Vallegrande; após dois anos de buscas, uma equipe de antropólogos forenses cubanos e argentinos localizou em julho de 1997 um esqueleto sem as mãos, identificado como o de Guevara. Os restos foram levados a Cuba e depositados em 17 de outubro de 1997 num memorial em Santa Clara 19.

Obras, discursos e correspondência

Documento de épocaFatos documentados

A obra escrita de Guevara compreende livros de memória e de doutrina militar, artigos de teoria econômica e política, centenas de discursos, cartas e diários de campanha publicados postumamente. A edição e os direitos de grande parte desses textos pertencem ao Centro de Estudios Che Guevara (Havana) e à editora Ocean Press/Ocean Sur; o Marxists Internet Archive reproduz parte deles com permissão 6 31.

Livros

Documento de época
  • La guerra de guerrillas (Havana, 1960), manual que sistematiza a experiência cubana e formula a tese de que um núcleo guerrilheiro rural pode criar condições para a revolução, base do que depois se chamou "foquismo" 1.
  • Pasajes de la guerra revolucionaria (artigos de 1959–1961, livro de 1963) 10.
  • O socialismo e o homem em Cuba (1965), carta-ensaio publicada no semanário uruguaio Marcha, ver O socialismo e o homem em Cuba 22.
  • Diario de Bolivia (primeira edição em 1968) 31.
  • Publicações póstumas: Notas de viaje (Diários de motocicleta), Pasajes de la guerra revolucionaria: Congo e Apuntes críticos a la Economía Política (2006) 6 17.

Discursos e artigos principais

Documento de época

Entre os textos mais citados: "Contra el burocratismo" (1963); "Sobre el sistema presupuestario de financiamiento" (1964); o discurso em Punta del Este (8 de agosto de 1961); o discurso na ONU (11 de dezembro de 1964); o discurso de Argel (24 de fevereiro de 1965); a Mensagem à Tricontinental (1967) 6 20 27 28 29.

Correspondência publicada

Documento de época

A carta de despedida a Fidel Castro (entregue em 1º de abril de 1965 e lida em público em 3 de outubro de 1965) é o documento mais conhecido; a transcrição oficial do discurso de Fidel registra o texto integral, que termina com "Hasta la victoria siempre. ¡Patria o Muerte!" 8. A antologia Che Guevara Presente (Ocean Press, 2005) reúne cartas a familiares, aos filhos e a correspondentes diversos 6.

Relações políticas

Fatos documentadosInterpretação historiográfica
  • Fidel Castro: Guevara foi subordinado e próximo colaborador de Fidel desde 1955. A carta de 1965 elogia sua liderança e se diz "identificado sempre com a política exterior de nossa Revolução" 8. A existência de divergências entre os dois em 1964–1965, sobre economia e sobre a URSS, é sustentada por relatórios da CIA da época e por parte dos biógrafos, e contestada pela historiografia cubana oficial 19 7 4.
  • Raúl Castro e Camilo Cienfuegos: companheiros de expedição e de comando no Exército Rebelde 9.
  • Partidos comunistas latino-americanos: relações tensas, sobretudo com os partidos alinhados a Moscou, críticos da estratégia guerrilheira; o caso boliviano é o mais documentado 19.
  • Movimentos de libertação africanos: contatos em 1964–1965 com dirigentes de Angola, Moçambique, Congo e Guiné-Bissau, parte da política africana cubana estudada por Piero Gleijeses 30. Ver Amílcar Cabral.

Críticas e controvérsias

Debate em abertoPosição de outras organizações e correntes

As avaliações de Guevara dividem-se fortemente. Esta seção resume as críticas de diferentes campos, com as respectivas fontes, sem endossá-las nem descartá-las.

Violência política e execuções

Debate em abertoPosição de outras organizações e correntes

É a crítica mais difundida. Exilados cubanos, organizações como a Cuba Archive e autores liberais como Álvaro Vargas Llosa (artigo "The Killing Machine", 2005) destacam as execuções na guerrilha e em La Cabaña, a defesa pública dos fuzilamentos na ONU e a apologia do "ódio intransigente" na Mensagem à Tricontinental 15 12 14 29. Defensores respondem que os julgamentos de 1959 se dirigiam a agentes de uma ditadura acusada de milhares de mortes; mas a cifra de 20 mil mortos atribuída a Batista pelo governo revolucionário não tem comprovação documental, e o próprio levantamento da Cuba Archive registra no máximo cerca de 700 casos documentados para aquele regime, números que também são objeto de disputa 12.

Gestão econômica

Debate em aberto

Críticos de diversos campos atribuem à industrialização acelerada de 1961–1963 desequilíbrios, queda da produção açucareira e problemas de produtividade; a CIA chegou a essa conclusão em 1965 19. Economistas soviéticos e cubanos ligados ao cálculo econômico consideraram o sistema orçamentário inviável em escala maior. Outros autores, Ernest Mandel na época, Carlos Tablada e Helen Yaffe depois, defendem a coerência teórica e a experiência administrativa do MININD 23 36 18.

A estratégia guerrilheira

Debate em abertoPosição de outras organizações e correntes

Partidos comunistas pró-soviéticos criticaram a tese de que um foco guerrilheiro poderia criar condições revolucionárias, considerando-a voluntarista; após 1967, o fracasso na Bolívia foi usado nesse sentido, como antecipava um relatório do Departamento de Estado 19. Correntes trotskistas e socialistas críticas, como Samuel Farber, apontam o caráter vertical e militar da concepção de partido e de revolução em Guevara, com pouco espaço para a auto-organização operária e para liberdades políticas 25. Ver Trotskismo.

Liberdades, cultura e Guanahacabibes

Debate em aberto

Em O socialismo e o homem em Cuba, Guevara critica o realismo socialista, mas fala do "pecado original" dos intelectuais e artistas formados antes da revolução 22. Críticos citam ainda o centro de "reabilitação" de Guanahacabibes, criado pelo Ministério das Indústrias para punir administradores com trabalho agrícola, cuja situação jurídica é mal documentada, e relatos de hostilidade de Guevara à homossexualidade 1. Esses pontos dependem de pesquisa adicional em fontes primárias.

Leituras favoráveis

Interpretação historiográficaPosição de outras organizações e correntes

Para grande parte da esquerda latino-americana e de movimentos de libertação, Guevara simboliza o internacionalismo, a coerência entre discurso e prática e a recusa de privilégios de dirigente, leitura promovida pelo Estado cubano desde o discurso fúnebre de Fidel Castro em 18 de outubro de 1967 19. Intelectuais marxistas como Michael Löwy destacaram o humanismo de seu pensamento e sua crítica ao modelo soviético 37.

Imagem, memória e apropriação

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

Poucos dirigentes políticos do século XX tiveram a imagem tão reproduzida.

A fotografia "Guerrillero Heroico"

Fatos documentados

A fotografia conhecida como Guerrillero Heroico foi feita por Alberto Korda (Alberto Díaz Gutiérrez), fotógrafo do jornal Revolución, em 5 de março de 1960, em Havana, durante o ato fúnebre pelas vítimas da explosão do navio francês La Coubre no porto da cidade 38 39. Foi publicada pela primeira vez em Revolución em abril de 1961 e ganhou circulação internacional a partir de 1967, quando o editor italiano Giangiacomo Feltrinelli a usou em cartazes e na capa do diário boliviano, e quando o artista irlandês Jim Fitzpatrick fez uma versão gráfica que se difundiu sem controle de direitos 39.

Direitos. A situação jurídica é complexa: a lei cubana de 1994 estabelecia o domínio público para fotografias 25 anos após o primeiro uso, e o Wikimedia Commons hospeda versões da imagem com a etiqueta "PD-Cuba", com avisos sobre a exigência de domínio público também nos Estados Unidos e sobre versões alteradas 38 39. Ao mesmo tempo, Korda contestou em 2000, num tribunal britânico, o uso da foto numa propaganda da vodca Smirnoff, alegando direitos morais; o caso terminou num acordo de cerca de 50 mil dólares, doados por ele ao sistema de saúde cubano 39. Por essa incerteza, esta enciclopédia não hospeda a fotografia; ela pode ser vista no Wikimedia Commons e em acervos de museus.

Do ícone político à mercadoria

Interpretação historiográfica

A imagem de Guevara foi apropriada por movimentos estudantis de 1968, por guerrilhas e partidos de esquerda, por governos (Cuba a usa em notas, monumentos e propaganda oficial) e pela indústria cultural, que a estampou em camisetas, bebidas e acessórios, uso que o próprio Korda distinguiu, aceitando a difusão política e recusando a publicidade comercial 39 40. O jornalista Michael Casey estudou essa circulação global; críticos de direita veem no culto à imagem um apagamento da violência, e críticos de esquerda, uma despolitização da figura 40 15. Na Bolívia, La Higuera e Vallegrande tornaram-se locais de peregrinação e turismo, com a "Ruta del Che" 41. Ver La Higuera (Bolívia).

Historiografia e estado da pesquisa

Interpretação historiográficaDebate em aberto

As três grandes biografias publicadas em torno do 30º aniversário da morte (1996–1997) continuam como referência: a de Jon Lee Anderson, baseada em entrevistas e documentos inéditos; a de Paco Ignacio Taibo II, que reproduz amplamente textos do próprio Guevara; e a de Jorge G. Castañeda, mais crítica e atenta às divergências com Fidel Castro e à política soviética 3 4 7. Henry Butterfield Ryan estudou a campanha boliviana a partir de documentos norte-americanos 35. Para o pensamento econômico, os estudos de Carlos Tablada e Helen Yaffe são os mais citados 36 18; para uma crítica socialista, o de Samuel Farber 25.

Limitações: o acesso a arquivos cubanos (tribunais de 1959, atas do Ministério das Indústrias, documentos do Partido) é restrito e mediado pelo Centro de Estudios Che Guevara; parte da documentação norte-americana permanece sigilosa; e muitos testemunhos foram colhidos décadas depois 19 17.

Documentos, fontes primárias e acervos

Documento de época
  • Marxists Internet Archive (seção em espanhol): escritos, discursos, Pasajes, diário da Bolívia e comunicados do ELN 6.
  • National Security Archive, Electronic Briefing Book nº 5, "The Death of Che Guevara: Declassified": memorandos da Casa Branca, da CIA e do Departamento de Estado, com cronologia 19.
  • Atas oficiais da ONU (A/PV.1299 e A/PV.1300, 11 de dezembro de 1964) 26 14.
  • Discurso de Fidel Castro de 3 de outubro de 1965, com o texto da carta de despedida (versões taquigráficas do governo cubano) 8.
  • Centro de Estudios Che Guevara (Havana): guarda manuscritos e coordena edições; acesso para pesquisa sujeito a autorização.
  • Wikimedia Commons: certidão de nascimento e fotografias de época com licença verificada 2 5.

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

  • Tradução de texto localizado
    “Faremos o homem do século XXI: nós mesmos.”

    Haremos el hombre del siglo XXI: nosotros mismos.

    Conclusões de O socialismo e o homem em Cuba (1965).

    Original localizado no texto publicado; tradução da redação.

    Fonte: El socialismo y el hombre en Cuba

  • Tradução de texto localizado
    “Deixe-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que o revolucionário verdadeiro é guiado por grandes sentimentos de amor.”

    Déjeme decirle, a riesgo de parecer ridículo, que el revolucionario verdadero está guiado por grandes sentimientos de amor.

    O socialismo e o homem em Cuba (1965).

    Original localizado; tradução da redação.

    Fonte: El socialismo y el hombre en Cuba

  • Atribuição não confirmada
    “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.”

    Frase amplamente atribuída a Guevara em cartazes, livros e redes sociais.

    Não foi localizada em nenhum escrito, discurso ou carta publicados de Guevara consultados para este verbete (MIA, antologia Che Guevara Presente, carta de despedida). Um artigo da agência cubana Prensa Latina (2024) registra que leitores questionaram a autoria e não indica fonte primária. Atribuições a um discurso de 1963 ou a uma entrevista em Punta del Este circulam sem referência verificável. Até que se localize a fonte, a frase deve ser tratada como atribuição não confirmada.

    Fonte: ¿Qué dijo o no dijo Che Guevara?

  • Tradução de texto localizado
    “Execuções? Sim, temos executado; estamos executando e continuaremos a executar enquanto for necessário.”

    executions? Yes, we have executed people; we are executing people and shall continue to execute people as long as it is necessary.

    Direito de resposta na Assembleia Geral da ONU, sessão da tarde de 11 de dezembro de 1964, dirigido ao representante da Venezuela.

    O original citado é a versão oficial em inglês da ata (A/PV.1300), ela própria tradução do discurso em espanhol. A forma espanhola que circula ("Fusilamientos, sí, hemos fusilado...") não foi conferida com a ata em espanhol.

    Fonte: General Assembly, Nineteenth Session, 1300th Plenary Meeting (A/PV.1300), 11 December 1964, 3.30 p.m.

  • Tradução de texto localizado
    “Os países socialistas são, de certa maneira, cúmplices da exploração imperial.”

    los países socialistas son, en cierta manera, cómplices de la explotación imperial.

    Discurso de Argel, 24 de fevereiro de 1965, sobre as relações comerciais entre países socialistas e subdesenvolvidos.

    Fonte: En la Conferencia Afroasiática en Argelia (24 de febrero de 1965)

  • Tradução de texto localizado
    “O ódio como fator de luta; o ódio intransigente ao inimigo, que impulsiona para além das limitações naturais do ser humano e o converte numa eficaz, violenta, seletiva e fria máquina de matar.”

    El odio como factor de lucha; el odio intransigente al enemigo, que impulsa más allá de las limitaciones naturales del ser humano y lo convierte en una efectiva, violenta, selectiva y fría máquina de matar.

    Mensagem à Tricontinental (1967).

    Fonte: Mensaje a los pueblos del mundo a través de la Tricontinental ("Crear dos, tres... muchos Vietnam")

  • Citação localizada na fonte
    “Hasta la victoria siempre.”

    Fecho da carta de despedida a Fidel Castro (1965), lida por Fidel em 3 de outubro de 1965.

    Fonte: Discurso en el acto de presentación del Comité Central del Partido Comunista de Cuba, Teatro Chaplin, 3 de octubre de 1965 (inclui a carta de despedida de Guevara)

  • Atribuição não confirmada
    “Saiba que está matando um homem.”

    Know this now, you are killing a man.

    Últimas palavras atribuídas a Guevara diante do sargento Terán, em 9 de outubro de 1967.

    A frase aparece num relatório de inteligência do Departamento de Defesa dos EUA (28/11/1967) baseado em entrevistas com militares bolivianos; outras versões (Anderson; Félix Rodríguez; general Ovando) divergem. Não há registro direto.

    Fonte: The Death of Che Guevara: Declassified, National Security Archive Electronic Briefing Book No. 5

Cronologia

  1. 14 de junho de 1928 (data disputada)

    Nasce em Rosário, Argentina.2

  2. 1948

    Ingressa no curso de Medicina da Universidade de Buenos Aires.1

  3. 1951

    Inicia com Alberto Granado a viagem pela América do Sul (até 1952).1

  4. junho de 1953

    Conclui o curso de Medicina.1

  5. 7 de julho de 1953

    Parte para a segunda viagem latino-americana.1

  6. 27 de junho de 1954

    Queda de Jacobo Árbenz na Guatemala, onde Guevara vivia.1

  7. setembro de 1954

    Chega à Cidade do México.1

  8. c. 1955

    Conhece Fidel Castro na casa de María Antonia González, no México.8

  9. 25 de novembro de 1956

    Parte de Tuxpan no iate Granma, como médico da expedição.9

  10. 2 de dezembro de 1956

    Desembarque do Granma no oriente de Cuba.9

  11. 1957

    Recebe o posto de comandante e o comando de uma coluna.1

  12. dezembro de 1958

    Batalha de Santa Clara; a cidade cai entre 31/12/1958 e 1/1/1959.9

  13. 2 de janeiro de 1959

    Entra em Havana; assume a fortaleza de La Cabaña.1

  14. fevereiro de 1959

    É declarado cubano de nascimento.1

  15. 2 de junho de 1959

    Casa-se com Aleida March.1

  16. junho de 1959

    Deixa o comando de La Cabaña e inicia viagem a países afro-asiáticos (até setembro).13

  17. 26 de novembro de 1959

    Nomeado presidente do Banco Nacional de Cuba.16

  18. 5 de março de 1960

    Korda o fotografa no ato fúnebre das vítimas do La Coubre.38

  19. 17 de dezembro de 1960

    Encerra visita da delegação econômica cubana à RDA.5

  20. fevereiro de 1961

    Torna-se ministro das Indústrias.17

  21. 8 de agosto de 1961

    Discursa na conferência do CIES em Punta del Este.6

  22. fevereiro de 1964

    Publica "Sobre el sistema presupuestario de financiamiento".20

  23. 11 de dezembro de 1964

    Discursa na Assembleia Geral da ONU.26

  24. 24 de fevereiro de 1965

    Discurso de Argel.28

  25. 12 de março de 1965

    Marcha publica a carta a Carlos Quijano (O socialismo e o homem em Cuba).22

  26. 1 de abril de 1965

    Entrega a carta de despedida a Fidel Castro e deixa Cuba.8

  27. 24 de abril de 1965

    Chega ao leste do Congo.1

  28. 3 de outubro de 1965

    Fidel Castro lê a carta de despedida em público.8

  29. novembro de 1965

    Retira-se do Congo; segue para Tanzânia e depois Praga.1

  30. 3 de novembro de 1966

    Chega a La Paz com identidade falsa.1

  31. 23 de março de 1967

    Primeiro combate da guerrilha, no rio Ñancahuazú.33

  32. 16 de abril de 1967

    Publicação da Mensagem à Tricontinental, em Havana.29

  33. 28 de abril de 1967

    Bolívia e EUA assinam o memorando que cria o 2º Batalhão de Rangers.19

  34. 31 de agosto de 1967

    Destruição da retaguarda guerrilheira em Vado del Yeso.19

  35. 8 de outubro de 1967

    Ferido e capturado na Quebrada del Yuro; levado a La Higuera.19

  36. 9 de outubro de 1967

    Executado na escola de La Higuera.19

  37. 18 de outubro de 1967

    Discurso fúnebre de Fidel Castro na Praça da Revolução.19

  38. 1968

    Primeira edição do Diario de Bolivia.31

  39. julho de 1997

    Restos localizados junto à pista de Vallegrande.19

  40. 17 de outubro de 1997

    Restos depositados em memorial em Santa Clara, Cuba.19

Imagens

Ernesto Guevara, de uniforme e boina, cumprimenta Heinrich Rau num aeroporto.
Guevara, como presidente do Banco Nacional de Cuba, despede-se do vice-primeiro-ministro da RDA Heinrich Rau no aeroporto de Schönefeld, 17 de dezembro de 1960, ao fim de visita de uma delegação econômica cubana.Horst Sturm (Zentralbild), 1960-12-17. Origem: Bundesarchiv (Arquivo Federal da Alemanha), Bild 183-78854-0008, via Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 3.0 DE. Licença livre declarada na página do arquivo (cessão do Bundesarchiv). Atribuição exigida: Bundesarchiv, Bild 183-78854-0008 / Sturm, Horst / CC-BY-SA 3.0. A legenda original do arquivo é documento da RDA.
Jovem Ernesto Guevara deitado na sacada da casa da família em Buenos Aires.
Ernesto Guevara aos 20 ou 21 anos, na sacada da casa da família na rua Araoz, em Buenos Aires (c. 1949).Autor desconhecido, 1949. Origem: Museo Che Guevara (Centro de Estudios Che Guevara, Havana), via Wikimedia Commons. Licença: Domínio público (PD-AR-Photo). Fotografia argentina com mais de 20 anos, em domínio público segundo a lei argentina, conforme etiqueta da página do arquivo.
Título do Banco Nacional de Cuba de 1960 com a assinatura 'Che'.
Certificado provisório de título do Banco Nacional de Cuba, emitido em Havana em 22 de janeiro de 1960 e assinado "Che" pelo presidente do banco.Fotografia de Julie Ceccaldi (documento: Banco Nacional de Cuba), 1960-01-22. Origem: Coleção Commodore (Rüdiger K. Weng), via Wikimedia Commons. Licença: CC0 1.0 (dedicação ao domínio público). Reprodução de documento financeiro de 1960 liberada pela autora da fotografia sob CC0, conforme a página do arquivo.

Bibliografia comentada

  • Jon Lee Anderson. Che Guevara: A Revolutionary Life (1997)

    Biografia extensa baseada em entrevistas, arquivos cubanos e bolivianos e no diário inédito de campanha; o autor localizou em 1995 a pista que levou aos restos mortais. Referência obrigatória para datas e episódios, incluindo La Cabaña.

  • Paco Ignacio Taibo II. Ernesto Guevara, también conocido como el Che (1996)

    Biografia de um escritor mexicano de esquerda, construída em grande parte com textos do próprio Guevara e depoimentos de companheiros; útil para o período cubano e para o pensamento, mais favorável ao biografado.

  • Jorge G. Castañeda. Compañero: The Life and Death of Che Guevara (1997)

    Biografia de um intelectual mexicano então próximo da centro-esquerda, mais crítica; enfatiza as tensões com Fidel Castro e a URSS e a dimensão do mito.

  • Peter Kornbluh (org.); cronologia de Paola Evans, Kim Healey, Peter Kornbluh, Ramón Cruz e Hannah Elinson. The Death of Che Guevara: Declassified, National Security Archive Electronic Briefing Book No. 5 (1997)

    Coleção de documentos desclassificados dos EUA sobre a campanha boliviana e a execução, com cronologia comentada. Fonte primária essencial sobre o papel norte-americano, com a ressalva de que muitos registros seguem sigilosos.

  • Helen Yaffe. Che Guevara: The Economics of Revolution (2009)

    Estudo do pensamento econômico e da gestão do Ministério das Indústrias com base em arquivos e entrevistas em Cuba; defende a originalidade do sistema orçamentário.

  • Ernesto Che Guevara. Sobre el sistema presupuestario de financiamiento (1964)

    Texto central de Guevara no grande debate econômico: expõe o sistema orçamentário, a crítica ao cálculo econômico e a posição sobre a lei do valor.

  • Ernesto Che Guevara. El socialismo y el hombre en Cuba (1965)

    Síntese mais citada de suas ideias sobre consciência, partido, vanguarda, cultura e 'homem novo'.

  • Samuel Farber. The Politics of Che Guevara: Theory and Practice (2016)

    Crítica de um socialista cubano-americano à concepção política de Guevara, contrapondo-a a uma tradição socialista democrática.

  • Henry Butterfield Ryan. The Fall of Che Guevara: A Story of Soldiers, Spies, and Diplomats (1998)

    Estudo da campanha boliviana a partir de documentos diplomáticos e militares norte-americanos.

  • Cuba Archive / Free Society Project (resumo da obra de Maria C. Werlau). Che Guevara's Forgotten Victims (2017)

    Levantamento de vítimas feito por organização de oposição; útil como contraponto quantitativo, mas sem metodologia publicada em detalhe e com cifras que variaram entre versões.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Che Guevara (verbete da Wikipédia em inglês). Wikipedia.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Usada como orientação para datas biográficas; conferir nas biografias citadas.
  2. 2Registro Civil de la Ciudad de Rosario. Acta de nacimiento de Ernesto Guevara (cópia digitalizada). Wikimedia Commons.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]A ata registra nascimento em 14 de junho [de 1928], declarado no dia seguinte.
  3. 3Jon Lee Anderson. Che Guevara: A Revolutionary Life. Grove Press, Nova York, 1997.[Historiografia · referência bibliográfica]Não consultado diretamente; dados citados a partir de fontes que o reproduzem (NSA, Wikipedia).
  4. 4Paco Ignacio Taibo II. Ernesto Guevara, también conocido como el Che. Planeta / Joaquín Mortiz, Cidade do México, 1996.[Historiografia · referência bibliográfica]
  5. 5Horst Sturm (fotógrafo) / Bundesarchiv. Bild 183-78854-0008: Heinrich Rau und Dr. Ernesto Guevara (17.12.1960). Bundesarchiv, via Wikimedia Commons, 1960.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]
  6. 6Marxists Internet Archive. Che Guevara: Escritos (índice da seção em espanhol).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  7. 7Jorge G. Castañeda. Compañero: The Life and Death of Che Guevara. Knopf, Nova York, 1997.[Historiografia · referência bibliográfica]Edição em espanhol: La vida en rojo (1997).
  8. 8Fidel Castro Ruz. Discurso en el acto de presentación del Comité Central del Partido Comunista de Cuba, Teatro Chaplin, 3 de octubre de 1965 (inclui a carta de despedida de Guevara). Departamento de Versiones Taquigráficas del Gobierno Revolucionario, portal cuba.cu, 1965.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  9. 9Cuban Revolution (verbete da Wikipédia em inglês). Wikipedia.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  10. 10Ernesto Che Guevara. Pasajes de la guerra revolucionaria (extractos). Ocean Press (2005), via MIA, 1963.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  11. 11Ernesto Che Guevara. Fin de un traidor (capítulo de Pasajes de la guerra revolucionaria). Ocean Press (2005), via MIA.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  12. 12Cuba Archive / Free Society Project (resumo da obra de Maria C. Werlau). Che Guevara's Forgotten Victims. Boletim eletrônico da Cuba Archive, 2017.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Organização crítica ao governo cubano; os números são apresentados como trabalho em andamento, sem metodologia detalhada no texto.
  13. 13La Cabaña (verbete da Wikipédia em inglês). Wikipedia.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Usada para orientar e para reproduzir as cifras atribuídas a Anderson (1997), Castañeda (1998) e Cuba Archive; as obras citadas não foram consultadas diretamente.
  14. 14Organização das Nações Unidas. General Assembly, Nineteenth Session, 1300th Plenary Meeting (A/PV.1300), 11 December 1964, 3.30 p.m.. Official Records of the General Assembly, 1964.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]Parágrafo 67: resposta de Guevara ao representante da Venezuela.
  15. 15Álvaro Vargas Llosa. The Killing Machine: Che Guevara, from Communist Firebrand to Capitalist Brand. The New Republic, 2005.[Imprensa · referência bibliográfica]Artigo de opinião crítico; não consultado.
  16. 16Título provisório do Banco Nacional de Cuba, 22/1/1960, assinado "Che" (Coleção Commodore). Wikimedia Commons, 1960.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]A descrição do arquivo indica a presidência do Banco de 26/11/1959 a 23/2/1961.
  17. 17Helen Yaffe. Ernesto 'Che' Guevara: a rebel against Soviet Political Economy. Marxists Internet Archive, 2007.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]Escrito em 2006, publicado em 2007.
  18. 18Helen Yaffe. Che Guevara: The Economics of Revolution. Palgrave Macmillan, Basingstoke, 2009.[Historiografia · referência bibliográfica]
  19. 19Peter Kornbluh (org.); cronologia de Paola Evans, Kim Healey, Peter Kornbluh, Ramón Cruz e Hannah Elinson. The Death of Che Guevara: Declassified, National Security Archive Electronic Briefing Book No. 5. National Security Archive, George Washington University, 1997.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]Reúne memorandos de W. Rostow (9, 11 e 13/10/1967), o interrogatório de Félix Rodríguez pela CIA (1975), o memorando de 28/4/1967 sobre o 2º Batalhão de Rangers, telegramas do Departamento de Estado e uma cronologia.
  20. 20Ernesto Che Guevara. Sobre el sistema presupuestario de financiamiento. Nuestra Industria, Revista Económica, nº 5, fev. 1964, edição MIA (2001), 1964.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  21. 21Bertram Silverman (org.). Man and Socialism in Cuba: The Great Debate (registro de catálogo com sumário). Atheneum, Nova York, catálogo da biblioteca do IIRE, 1971.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultado o registro de catálogo, não o livro.
  22. 22Ernesto Che Guevara. El socialismo y el hombre en Cuba. Marxists Internet Archive (seção em espanhol), 1965.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Nota final da edição: publicada em Marcha em 12 de março de 1965.
  23. 23Ernest Mandel. El debate económico en Cuba durante el período 1963-1964. Partisans (Paris), nº 37; trad. em El gran debate sobre la economía en Cuba (2004), PDF em marxistarkiv.se, 1967.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  24. 24Julián Santiago Puyó. Revisitando el debate económico cubano de los años '60. La contribución del Che Guevara a la teoría de la transición. XIV Jornadas Interescuelas/Departamentos de Historia, Universidad Nacional de Cuyo (Acta Académica), 2013.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  25. 25Samuel Farber. The Politics of Che Guevara: Theory and Practice. Haymarket Books, 2016.[Historiografia · referência bibliográfica]
  26. 26Organização das Nações Unidas. General Assembly, Nineteenth Session, 1299th Plenary Meeting (A/PV.1299), 11 December 1964. Official Records of the General Assembly, 1964.[Fonte oficial · consultada em 19 de outubro de 2026]
  27. 27Ernesto Che Guevara. En las Naciones Unidas (11 de diciembre de 1964). Che Guevara Presente: una antología mínima (Ocean Press, 2005), via MIA, 1964.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Contém o discurso principal, não a resposta da tarde.
  28. 28Ernesto Che Guevara. En la Conferencia Afroasiática en Argelia (24 de febrero de 1965). Che Guevara Presente: una antología mínima (Ocean Press, 2005), via MIA, 1965.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  29. 29Ernesto Che Guevara. Mensaje a los pueblos del mundo a través de la Tricontinental ("Crear dos, tres... muchos Vietnam"). Suplemento especial da revista Tricontinental (OSPAAAL), Havana, 16/4/1967, edição MIA, 1967.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  30. 30Piero Gleijeses. Conflicting Missions: Havana, Washington, and Africa, 1959–1976. University of North Carolina Press, 2002.[Historiografia · referência bibliográfica]
  31. 31Ernesto Che Guevara. Diario del Che en Bolivia (edición autorizada). Ocean Press (2005), via MIA, 1968.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Página de índice; primeira edição em 1968.
  32. 32Mario Monje (verbete da Wikipédia em inglês). Wikipedia.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  33. 33Ejército de Liberación Nacional de Bolivia (Ernesto Che Guevara). Comunicado No. 1 del Ejército de Liberación Nacional de Bolivia. Ocean Press (2005), via MIA, 1967.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  34. 34Tamara Bunke (verbete da Wikipédia em inglês). Wikipedia.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  35. 35Henry Butterfield Ryan. The Fall of Che Guevara: A Story of Soldiers, Spies, and Diplomats. Oxford University Press, 1998.[Historiografia · referência bibliográfica]
  36. 36Carlos Tablada. El pensamiento económico de Ernesto Che Guevara. 1987.[Historiografia · referência bibliográfica]
  37. 37Michael Löwy. La pensée de Che Guevara. François Maspero, Paris, 1970.[Historiografia · referência bibliográfica]
  38. 38File:CheHigh.jpg, página de arquivo do Wikimedia Commons (Guerrillero Heroico). Wikimedia Commons.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Consultada apenas para data, autoria e situação de licença; a imagem não é hospedada aqui.
  39. 39Guerrillero Heroico (verbete da Wikipédia em inglês). Wikipedia.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Informações sobre o processo contra a Smirnoff remetem a reportagens do Guardian (2000) e da Reuters (2001), não consultadas.
  40. 40Michael Casey. Che's Afterlife: The Legacy of an Image. Vintage, 2009.[Historiografia · referência bibliográfica]
  41. 41Mike Gatehouse. On the trail of Che. Latin America Bureau (publicado antes no New Internationalist), 2017.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  42. 42Lucas Siqueira. ¿Qué dijo o no dijo Che Guevara?. Prensa Latina, 2024.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
5.540 palavras · 42 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisa em fontes primárias abertas (MIA: El socialismo y el hombre en Cuba, Sobre el sistema presupuestario, Mensaje a la Tricontinental, discursos de Argel e da ONU, Pasajes, diário e comunicado do ELN; atas da ONU A/PV.1299 e A/PV.1300; discurso de Fidel Castro de 3/10/1965 com a carta de despedida; NSA EBB nº 5) e em historiografia acessível (Yaffe, Mandel, Puyó). Biografias de Anderson, Taibo II e Castañeda NÃO foram consultadas diretamente: dados atribuídos a elas vêm de fontes intermediárias e precisam ser conferidos com página. Pendente: números de La Cabaña nas obras originais; data de nomeação como comandante; data exata de criação do MININD; Guanahacabibes; texto da resposta na ONU em espanhol; situação de direitos da foto de Korda com assessoria jurídica.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Ernesto Che Guevara. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/che-guevara.

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