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Exército Lulaacervo documental
PessoaPublicado

Olga Benario

Militante comunista alemã (1908–1942)

Militante comunista alemã de família judia. Acompanhou Prestes ao Brasil em 1935, foi presa em 1936 e expulsa, grávida, para a Alemanha nazista. Deu à luz Anita Leocádia numa prisão de Berlim e foi assassinada em 1942 no centro de extermínio de Bernburg.

Também: Olga Benario-Prestes · Olga Benário Prestes · Maria Bergner Prestes · Maria Berguer Prestes · Maria Prestes

Retrato de mulher jovem, de cabelos presos e blusa clara com botões, em fotografia de revista.
Autoria desconhecida, 1936-03. Domínio público.

Índice e ficha
Nome completo
Olga Benario
Nascimento
12 de fevereiro de 1908 (data disputada), Munique (Alemanha)
Morte
23 de abril de 1942, Bernburg (Alemanha)Assassinada com gás no centro de extermínio de Bernburg ("Ação 14f13").
Nacionalidade
alemã
Papéis
  • Militante da Juventude Comunista da Alemanha (KJVD)Militante · c. 1923–1928
  • Militante da Internacional Comunista da Juventude em MoscouMilitante · 1928–1934
  • Encarregada da segurança de Prestes no retorno ao BrasilMilitante · 1934–1936
Como se definia
Militante comunista declarada desde a adolescência (KJVD).
Período
1908–1942
Área
Comunismo
Regiões
Brasil, Europa
Temas
Repressão, violência política e direitos, Mulheres e feminismos, Partido e organização, Relações internacionais

Olga Benario (Munique, 1908 – Bernburg, abril de 1942) foi militante da juventude comunista alemã e da Internacional Comunista. Em 1934–1935 foi designada para acompanhar Luís Carlos Prestes em seu retorno clandestino ao Brasil, tornando-se sua companheira. Presa em março de 1936, foi expulsa do país pelo governo de Getúlio Vargas e entregue, grávida, à Alemanha nazista 1.

Na prisão feminina da Barnimstrasse, em Berlim, deu à luz a filha Anita Leocádia. Passou pelos campos de concentração de Lichtenburg e Ravensbrück e foi morta com gás em 1942 no centro de extermínio de Bernburg, no âmbito da chamada "Ação 14f13" 1 2. O episódio de sua entrega, que envolveu o Supremo Tribunal brasileiro, é um dos mais discutidos da Era Vargas.

Origem e militância na Alemanha

Fatos documentados

Olga nasceu em Munique, filha de Leo e Eugenie Benario, numa família judia; o pai era advogado. A legenda do Arquivo Federal alemão registra o nascimento em 12 de fevereiro de 1908 3; o memorial de Munique traz datas divergentes na mesma página 1. Aos 15 anos entrou na Juventude Comunista da Alemanha (KJVD), onde conheceu Otto Braun, com quem se mudou para Berlim em 1925 1.

Em 1928, Olga e outros militantes libertaram Otto Braun da prisão de Moabit, em Berlim; em seguida os dois fugiram para Moscou, onde ela trabalhou para a Internacional Comunista da Juventude 1.

Missão no Brasil (1934–1936)

Fatos documentados

Em 1934, Olga foi designada para acompanhar e proteger Prestes na viagem de volta ao Brasil 1. Os dois chegaram clandestinamente em 1935, com documentos falsos, ela viajou como "Maria Bergner Prestes", apresentada como esposa portuguesa, e passaram a viver como casal 4. Olga não teve papel de comando nos levantes de novembro de 1935, mas fazia parte do grupo de estrangeiros enviados pela Internacional Comunista, junto com Arthur Ewert e sua mulher, Elise ("Sabo") 5.

Em 5 de março de 1936, Olga e Prestes foram presos no Méier, no Rio de Janeiro 6. A polícia do Distrito Federal era chefiada por Filinto Müller, que, segundo o DHBB, mantinha infiltrados no PCB e foi acusado pela oposição de prisões arbitrárias, tortura e caráter antissemita nas deportações 7.

O habeas corpus no Supremo (HC 26.155)

Fatos documentadosDocumento de época

O advogado Heitor Lima impetrou habeas corpus em favor de "Maria Prestes" para impedir a expulsão. Em 17 de junho de 1936, a Corte Suprema, nome do STF sob a Constituição de 1934, com relatoria do ministro Bento de Faria, decidiu por maioria não conhecer do pedido. O acórdão considerou a paciente "perigosa à ordem pública e nociva aos interesses do país", invocou o art. 2º do Decreto nº 702, de 21 de março de 1936, para afastar o habeas corpus, e recusou requisitar o processo administrativo, ouvir a paciente e examinar sua gravidez 8. A transcrição publicada pela Conjur registra como vencidos os ministros Carlos Maximiliano, Carvalho Mourão e Eduardo Espínola 8.

Em 2004, o então ministro Celso de Mello qualificou o caso como uma "extradição indireta": a Alemanha não formulou pedido formal, e a expulsão administrativa produziu o mesmo efeito de entregá-la a um regime totalitário 8. Juridicamente, portanto, tratou-se de expulsão, não de extradição.

Expulsão e responsabilidades

Fatos documentadosDebate em aberto

O decreto de expulsão foi assinado em agosto de 1936; segundo a Fundação Perseu Abramo, em 27 de agosto, por Vargas 9. O DHBB registra que Filinto Müller foi responsabilizado pela entrega, embora a decisão formal tenha passado pelo ministro da Justiça e pelo presidente 7. Olga e Elise Ewert foram embarcadas no navio alemão La Coruña em setembro de 1936; segundo a mesma fundação, Müller combinou com a Gestapo que o navio seguisse direto para Hamburgo, sem escalas que permitissem tentativas de resgate 9. As datas de embarque e de chegada variam entre as fontes consultadas (setembro, outubro e até novembro de 1936).

O grau de envolvimento pessoal de Vargas é discutido: parte da literatura o considera diretamente responsável, outra parte atribui a iniciativa ao aparato policial. O debate não está encerrado nas fontes consultadas.

Prisão na Alemanha, campos e morte (1936–1942)

Fatos documentados

Em Berlim, Olga foi levada à prisão feminina da Barnimstrasse, onde, em 27 de novembro de 1936, nasceu sua filha, Anita Leocádia 1. Depois de uma campanha internacional, a criança foi separada da mãe pela Gestapo e entregue à avó paterna, Leocádia Prestes 1 9.

Olga foi transferida em 1938 para o campo de concentração de Lichtenburg e, em 1939, para o campo feminino de Ravensbrück 2. Em Ravensbrück foi designada chefe do bloco das prisioneiras judias 1. No início de 1942, foi incluída num dos primeiros transportes de prisioneiras judias de Ravensbrück para o centro de extermínio de Bernburg, uma das instalações do programa nazista de assassinato de doentes ("T4"), usada então na "Ação 14f13" contra prisioneiros dos campos 2 1. Foi morta com monóxido de carbono em 23 de abril de 1942, segundo o memorial de Munique; o memorial T4 indica o fim de abril de 1942 1 2.

A mãe de Olga, Eugenie, foi assassinada em Theresienstadt, e o irmão, Otto, em Auschwitz 1.

Memória

Fatos documentados

Na Alemanha Oriental, Olga foi celebrada como heroína antifascista; ruas, escolas e um memorial em Bernburg lembram seu nome. No Brasil, sua história ganhou grande público com a biografia Olga, do jornalista Fernando Morais, publicada em 1985 10, e com o filme homônimo de 2004, dirigido por Jayme Monjardim. A filha, Anita Leocádia Prestes, tornou-se historiadora 6.

O Movimento de Mulheres Olga Benario, que leva seu nome, surgiu em março de 2011, segundo a apresentação da Unidade Popular, que o inclui entre os movimentos de sua base 11.

Cronologia

  1. 12 de fevereiro de 1908 (data disputada)

    Nasce em Munique.3

  2. 1928

    Participa da libertação de Otto Braun da prisão de Moabit e parte para Moscou.1

  3. 1934

    Designada para acompanhar Prestes ao Brasil.1

  4. 5 de março de 1936

    Presa com Prestes no Rio de Janeiro.6

  5. 17 de junho de 1936

    Corte Suprema não conhece do habeas corpus 26.155.8

  6. c. 1936

    Embarcada no navio La Coruña para a Alemanha.9

  7. 27 de novembro de 1936

    Nasce Anita Leocádia na prisão da Barnimstrasse, em Berlim.1

  8. 1938

    Transferida para o campo de Lichtenburg.2

  9. 1939

    Transferida para Ravensbrück.2

  10. 23 de abril de 1942

    Assassinada no centro de extermínio de Bernburg.1

Imagens

Retrato de mulher jovem, de cabelos presos e blusa clara com botões, em fotografia de revista.
Olga Benario fotografada após a prisão, em março de 1936, quando ainda era identificada pelo nome falso de Maria Bergner Prestes. Revista Careta, 14 de março de 1936.Autoria desconhecida, 1936-03. Origem: Revista Careta, ed. 1447 (Rio de Janeiro), via Wikimedia Commons. Licença: Domínio público. PD-Brazil-media na Wikimedia Commons: fotografia publicada no Brasil há mais de 70 anos (Lei 9.610/1998, art. 44). A página registra que a fonte na Hemeroteca Digital ainda precisa ser conferida.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Olga Benario-Prestes, biografia. Erinnerungszeichen (sinais de memória das vítimas do nazismo, Munique).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]O texto da página dá 12 de dezembro de 1908 como nascimento, enquanto os metadados da mesma página dão 12/02/1908; ver também a legenda do Arquivo Federal alemão.
  2. 2Olga Benario-Prestes (1908–1942). Memorial e centro de informação sobre as vítimas da "eutanásia" nazista (T4), Berlim.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  3. 3Bundesarchiv Bild 183-P0220-303, Olga Benario-Prestes (legenda original). Arquivo Federal da Alemanha (Bundesarchiv), via Wikimedia Commons.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]A legenda de 1975 (ADN-ZB) registra nascimento em 12.2.1908, em Munique, e morte em abril de 1942, em Bernburg. Legendas do Bundesarchiv preservam o texto da época e podem conter erros.
  4. 4Olga Benario na revista Careta, ed. 1447 (14/03/1936), via Wikimedia Commons.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]
  5. 5Alzira Alves de Abreu. Revolta Comunista de 1935, verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  6. 6Alzira Alves de Abreu e Alan Carneiro. Prestes, Luís Carlos, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  7. 7Müller, Filinto, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  8. 8STF não repetiria extradição de Olga Benário (com transcrição do acórdão do HC 26.155). Consultor Jurídico (Conjur), 2004.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]
  9. 9Em setembro de 1936, Olga era deportada e entregue à Gestapo. Fundação Perseu Abramo.[Fonte partidária · consultada em 19 de outubro de 2026]Fundação ligada ao PT; texto de divulgação com datas internamente inconsistentes (23/9 e 18/10 para o embarque).
  10. 10Fernando Morais. Olga. 1985.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
  11. 11Unidade Popular. Apresentação, Unidade Popular.[Fonte partidária · consultada em 19 de outubro de 2026]

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
895 palavras · 11 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoFontes consultadas: memoriais de Munique (Erinnerungszeichen) e T4 (Berlim), legenda do Bundesarchiv, transcrição do acórdão do HC 26.155 pela Conjur, verbetes do DHBB (Prestes, Revolta de 1935, Filinto Müller), texto da Fundação Perseu Abramo e apresentação da UP. Pendente: ler o acórdão original do HC 26.155 no STF e confirmar a lista de votos vencidos e o conteúdo do Decreto 702/1936; resolver a divergência sobre a data de nascimento (fevereiro ou dezembro de 1908) e sobre as datas de embarque e chegada; fonte para o filme de 2004 e para o memorial de Bernburg; fonte independente para a data de fundação do Movimento de Mulheres Olga Benario.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Olga Benario. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/olga-benario.

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