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Exército Lulaacervo documental
AcontecimentoPublicado

Levante comunista de 1935

Levantes militares de Natal, Recife e Rio de Janeiro (novembro de 1935)

Levantes militares organizados pelo PCB em novembro de 1935 em Natal, Recife e Rio de Janeiro, derrotados em poucos dias. Serviram de justificativa para estado de sítio, Tribunal de Segurança Nacional e, depois, para o Estado Novo.

Também: Revolta Comunista de 1935 · Insurreição de 1935 · Intentona Comunista · Levante da ANL

Homem de barba e terno, de pé entre guardas fardados, fala diante de um grupo sentado numa sala de audiência.
Autoria desconhecida, 1937. Domínio público.

Índice e ficha
Período
23/11/1935–27/11/1935
Lugares
Natal (RN), Recife (PE), Rio de Janeiro (então Distrito Federal)
Vítimas
Sem contagem consolidada. O DHBB menciona cerca de 100 mortos em Recife (maioria civis), cerca de 20 no 3º RI (Rio) e 3 oficiais no Campo dos Afonsos; não informa Natal. Números da repressão posterior (presos) variam de 7 mil a 20 mil conforme a fonte.
Área
Comunismo
Regiões
Brasil
Temas
Revoluções e guerras, Repressão, violência política e direitos, Partido e organização, Estado, poder e democracia

Em novembro de 1935, militares e civis ligados ao Partido Comunista do Brasil e à extinta Aliança Nacional Libertadora (ANL) levantaram quartéis em Natal (23 de novembro), Recife (24) e Rio de Janeiro (27). Os levantes foram derrotados em poucos dias 1.

O episódio teve consequências desproporcionais à sua duração: deu ao governo Vargas a justificativa para o estado de sítio, a criação do Tribunal de Segurança Nacional e uma onda de prisões, e tornou-se peça central da memória anticomunista sob o nome de "Intentona Comunista" 1.

Antecedentes: a Aliança Nacional Libertadora

Fatos documentados

A ANL foi fundada oficialmente em 12 de março de 1935 e lançada publicamente em 30 de março, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, quando Luís Carlos Prestes foi aclamado presidente de honra por proposta de Carlos Lacerda 2. Seu manifesto-programa propunha suspender o pagamento da dívida externa, nacionalizar empresas estrangeiras e entregar terras aos camponeses. A Aliança reunia comunistas, tenentes de esquerda, socialistas e outros opositores, num momento de crescimento do integralismo, ver Antifascismo.

Em 5 de julho de 1935, Prestes divulgou manifesto afirmando que a situação era "de guerra" e encerrando com "Todo poder à ANL!". Seis dias depois, em 11 de julho, o governo fechou a ANL por decreto, com base na Lei de Segurança Nacional aprovada naquele ano 2. Em agosto, no VII Congresso da Internacional Comunista, Prestes foi eleito para o comitê executivo 1.

A Internacional Comunista e os estrangeiros

Fatos documentadosDebate em aberto

A Internacional Comunista enviou ao Brasil quadros para assessorar Prestes: o alemão Arthur Ernst Ewert (que usava o nome Harry Berger), o argentino Rodolfo Ghioldi, Jules Léon Vallée e Victor Alan Baron 2. Olga Benario, também enviada pela Internacional, acompanhava Prestes. Ewert foi preso e torturado; sua mulher, Elise, foi expulsa com Olga para a Alemanha 3.

O peso de Moscou nas decisões é o centro do debate historiográfico: pesquisas feitas nos arquivos da Internacional depois de 1991 sustentaram leituras distintas sobre se a insurreição foi decidida fora do país ou resultou sobretudo da dinâmica política brasileira e do tenentismo de esquerda 4 5.

Os levantes

Fatos documentados
  • Natal (23 de novembro): sargentos, cabos e soldados do 21º Batalhão de Caçadores tomaram o quartel e instalaram um Comitê Popular Revolucionário, que controlou a cidade por cerca de quatro dias, até 27 de novembro 1 2.
  • Recife (24 de novembro): o levante partiu do 29º Batalhão de Caçadores; houve combate de cerca de 24 horas no Largo da Paz, e o movimento foi contido na noite de 25 1.
  • Rio de Janeiro (27 de novembro): com ordem de Prestes dada em 25, rebelaram-se o 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, liderado por Agildo Barata, e a Escola de Aviação Militar, no Campo dos Afonsos. O quartel da Praia Vermelha foi bombardeado e os rebeldes se renderam por volta do meio-dia 1 2.

Mortos

Fatos documentados

Não há contagem consolidada. O DHBB menciona cerca de cem mortos em Recife, em sua maioria civis; cerca de 20 mortos no 3º RI, no Rio, em consequência do bombardeio; e três oficiais legalistas mortos no Campo dos Afonsos. Não informa números para Natal 1. Estes números vêm de uma única síntese e devem ser comparados com outras fontes.

Repressão

Fatos documentados

Em 25 de novembro de 1935, o governo pediu ao Congresso o estado de sítio em todo o país; a medida foi sucessivamente prorrogada até junho de 1937. Em 1936 foram criados a Comissão Nacional de Repressão ao Comunismo e o Tribunal de Segurança Nacional (TSN); segundo o DHBB, entre setembro e dezembro de 1936 o TSN condenou 1.420 pessoas 1. Foram presos não só comunistas, mas também aliancistas, parlamentares e o prefeito do Distrito Federal 1.

A polícia de Filinto Müller falava em cerca de sete mil presos políticos na área federal; outras estimativas chegavam a 17 ou 20 mil, e a oposição denunciou torturas 6. Prestes e Olga foram presos em março de 1936 7; Prestes foi julgado pelo TSN em 1937 8. O escritor Graciliano Ramos, preso em 1936 sem processo, deixou relato em Memórias do cárcere 9.

O DHBB interpreta essas medidas como preparação do golpe de 10 de novembro de 1937, que instituiu o Estado Novo, precedido pela divulgação do falso Plano Cohen 1 10.

"Intentona": o nome e a memória oficial

Interpretação historiográficaDebate em aberto

O termo "Intentona Comunista" foi cunhado pelos meios oficiais com intenção depreciativa, "intentona" significa intento louco, plano insensato 1. Ele se fixou nos livros escolares e na imprensa durante décadas. Historiadores e o próprio DHBB preferem expressões descritivas como "Revolta Comunista de 1935" ou "levante de 1935".

As Forças Armadas passaram a lembrar a data de 27 de novembro com cerimônias anuais em homenagem aos militares legalistas mortos, apresentando o episódio como exemplo da ameaça comunista 1. A memória oficial difundiu, por exemplo, a versão de que oficiais teriam sido mortos enquanto dormiam, que é contestada por parte da historiografia. O estudo do anticomunismo como fenômeno próprio é um dos caminhos para compreender esse uso 11.

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

Cronologia

  1. 12 de março de 1935

    Fundação oficial da ANL.2

  2. 30 de março de 1935

    Lançamento público da ANL no Teatro João Caetano.2

  3. 5 de julho de 1935

    Manifesto de Prestes.2

  4. 11 de julho de 1935

    Fechamento da ANL por decreto.2

  5. 23 de novembro de 1935

    Levante em Natal.1

  6. 24 de novembro de 1935

    Levante em Recife.1

  7. 25 de novembro de 1935

    Governo pede estado de sítio.1

  8. 27 de novembro de 1935

    Levante no Rio de Janeiro (3º RI e Campo dos Afonsos).1

  9. 5 de março de 1936

    Prisão de Prestes e Olga Benario.7

  10. 1936

    Criação do Tribunal de Segurança Nacional.1

  11. 10 de novembro de 1937

    Golpe do Estado Novo.10

Imagens

Homem de barba e terno, de pé entre guardas fardados, fala diante de um grupo sentado numa sala de audiência.
Luís Carlos Prestes (ao centro, de barba) durante julgamento no Tribunal de Segurança Nacional, criado em 1936 para julgar os implicados nos levantes. Revista Careta, 1937.Autoria desconhecida, 1937. Origem: Revista Careta, ed. 1498, p. 33 (Rio de Janeiro), via Wikimedia Commons. Licença: Domínio público. PD-Brazil-media na Wikimedia Commons: fotografia publicada no Brasil há mais de 70 anos (Lei 9.610/1998, art. 44).

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Alzira Alves de Abreu. Revolta Comunista de 1935, verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  2. 2Alzira Alves de Abreu. Aliança Nacional Libertadora (ANL), verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  3. 3Em setembro de 1936, Olga era deportada e entregue à Gestapo. Fundação Perseu Abramo.[Fonte partidária · consultada em 19 de outubro de 2026]Fundação ligada ao PT; texto de divulgação com datas internamente inconsistentes (23/9 e 18/10 para o embarque).
  4. 4William Waack. Camaradas: nos arquivos de Moscou, a história secreta da revolução brasileira de 1935. 1993.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
  5. 5Marly de Almeida Gomes Vianna. Revolucionários de 35: sonho e realidade. 1992.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
  6. 6Müller, Filinto, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  7. 7Alzira Alves de Abreu e Alan Carneiro. Prestes, Luís Carlos, verbete biográfico. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  8. 8Prestes em julgamento no Tribunal de Segurança Nacional, Careta, ed. 1498 (1937), via Wikimedia Commons.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]
  9. 9Graciliano Ramos. Memórias do cárcere. 1953.[Fonte primária · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.
  10. 10Plano Cohen, verbete temático. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  11. 11Rodrigo Patto Sá Motta. Em guarda contra o perigo vermelho: o anticomunismo no Brasil (1917-1964). 2002.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não consultada nesta redação; indicada como leitura, não como sustentação de passagem específica.

Rede de relações

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
804 palavras · 11 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · atualizacaoIntegração ao núcleo Ditaduras no Brasil: links para os verbetes do Tribunal de Segurança Nacional e do Estado Novo. Divergência a conferir: o DHBB atribui os 1.420 sentenciados do TSN a set.–dez. de 1936 num verbete e a set./1936–dez./1937 em outro.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana
  3. 19 de outubro de 2026 · redacaoBase: verbetes do DHBB sobre a Revolta Comunista de 1935, a ANL, Prestes, Filinto Müller e o Plano Cohen. Pendente: confirmar a data da Lei de Segurança Nacional de 1935 e a data de criação do TSN; confrontar os números de mortos com outra fonte; dar fonte à afirmação sobre a versão dos 'oficiais mortos dormindo' e sua contestação; verificar se as cerimônias de 27 de novembro continuam; ler Waack e Vianna antes de detalhar o debate.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Levante comunista de 1935. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/levante-comunista-de-1935.

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