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Exército Lulaacervo documental
AcontecimentoPublicado

Revolução Russa de 1917

Da queda do tsarismo à vitória bolchevique na guerra civil (1917–1921)

Processo revolucionário que derrubou a monarquia russa em fevereiro de 1917 e levou os bolcheviques ao poder em outubro, seguido da dissolução da Assembleia Constituinte, da paz de Brest-Litovsk, da guerra civil, do Terror Vermelho e Branco e da NEP (1921).

Também: Revoluções de Fevereiro e de Outubro · Revolução de Outubro · Grande Revolução Socialista de Outubro (denominação oficial soviética)

Multidão se dispersando em correria na avenida Nevski, em Petrogrado, depois de tiros de metralhadora.
Viktor Bulla (atribuição registrada no Wikimedia Commons), 1917-07-17. Domínio público.

Índice e ficha
Período
fevereiro de 1917 – março de 1921
Lugares
Petrogrado, Moscou, Império Russo / Rússia soviética, Kronstadt, Brest-Litovsk
Vítimas
Não há número único. Execuções da Tcheka em 1918: 6.300 em vinte províncias segundo números oficiais, considerados subestimados (Siegelbaum). Pogroms de 1918–1921: cerca de 50 mil a 100 mil mortos segundo estimativas citadas por historiadores. Fome de 1921–22: cerca de 5 milhões de mortos (estimativa adotada pelo Seventeen Moments). A maior parte das mortes do período decorreu de epidemias e fome; estimativas globais variam com o método e não devem ser somadas às parciais.
Área
Socialismo e comunismo
Regiões
Europa, Ásia
Temas
Revoluções e guerras, Estado, poder e democracia, Partido e organização, Repressão, violência política e direitos, Questão agrária e campesinato, Movimento operário e sindical

A Revolução Russa de 1917 designa o conjunto de acontecimentos que, em meio à Primeira Guerra Mundial, derrubou a monarquia dos Romanov e, oito meses depois, levou ao poder o partido bolchevique liderado por Lenin. Costuma-se distinguir a Revolução de Fevereiro, que pôs fim ao tsarismo e criou uma situação de "duplo poder" entre o Governo Provisório e os sovietes, e a Revolução de Outubro, a insurreição que transferiu o poder ao II Congresso dos Sovietes e a um governo bolchevique.

Este verbete trata também do que veio logo depois e definiu o novo Estado: a dissolução da Assembleia Constituinte (janeiro de 1918), a paz em separado com a Alemanha (março de 1918), a guerra civil (1918–1921), a violência política de todos os lados, o Terror Vermelho, com a polícia política Tcheka, e o Terror Branco, a revolta de Kronstadt e a passagem do "comunismo de guerra" à Nova Política Econômica (NEP), em 1921. O período seguinte é tratado em União Soviética.

Poucos acontecimentos do século XX foram tão disputados. A historiografia soviética, a interpretação liberal e "totalitarista", a história social revisionista e as leituras marxistas não soviéticas chegam a conclusões diferentes sobre o caráter de Outubro, revolução popular, golpe de partido ou as duas coisas. Essas leituras aparecem na seção final, separadas da narrativa factual.

Nota sobre datas: calendário juliano e gregoriano

Fatos documentados

A Rússia usava em 1917 o calendário juliano, então 13 dias atrás do gregoriano usado no Ocidente. Por isso a "Revolução de Fevereiro" começou em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) e a "Revolução de Outubro" ocorreu em 25 de outubro (7 de novembro). O governo soviético adotou o calendário gregoriano por decisão de 24 de janeiro de 1918: o dia seguinte a 31 de janeiro passou a ser 14 de fevereiro 1. Neste verbete, datas anteriores a fevereiro de 1918 aparecem no calendário juliano, com o equivalente gregoriano entre parênteses quando relevante.

Antecedentes

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

O Império Russo do início do século XX combinava autocracia, uma industrialização rápida e concentrada em poucos polos (São Petersburgo, Moscou, a bacia do Donets, Baku) e uma maioria camponesa que reivindicava a terra dos grandes proprietários. A Revolução de 1905 arrancou do tsar Nicolau II uma Duma (parlamento) de poderes limitados, mas não resolveu a questão agrária nem a da representação operária. O Partido Operário Social-Democrata Russo dividira-se em 1903 em bolcheviques e mencheviques; o Partido Socialista-Revolucionário (SR) tinha forte base camponesa; liberais organizavam-se no Partido Constitucional-Democrata (os "cadetes") 2 3.

A Primeira Guerra Mundial, a partir de 1914, mobilizou milhões de camponeses, desorganizou transportes e abastecimento e produziu derrotas militares e milhões de baixas. Inflação, filas de pão e greves cresceram em 1916. Historiadores divergem sobre se o tsarismo estava condenado antes da guerra ou se foi a guerra que tornou a crise incontornável; a maioria concorda que o esforço de guerra foi o detonador imediato 2 4.

A Revolução de Fevereiro e o duplo poder

Fatos documentados

Em 23 de fevereiro (8 de março) de 1917, Dia Internacional da Mulher, operárias têxteis de Petrogrado saíram em greve e manifestação por pão. Em poucos dias, a greve tornou-se geral, e as tropas da guarnição, chamadas a reprimir, passaram para o lado dos manifestantes. Em 27 de fevereiro, unidades-chave da guarnição aderiram à multidão e tomaram arsenais; no dia 28, os ministros do tsar foram presos 5. Na tarde de 27 de fevereiro (12 de março), algumas dezenas de intelectuais socialistas e operários reunidos no Palácio Tauride formaram um comitê revolucionário provisório; à noite, cerca de 250 operários, soldados e intelectuais constituíram o Soviete de Deputados Operários de Petrogrado (de "Operários e Soldados" a partir de 1.º de março), presidido pelo menchevique Nikolai Tchkheidze, com Mikhail Skobelev e Aleksandr Kerenski como vice-presidentes 6. Ao mesmo tempo, deputados da Duma formaram um Comitê Provisório. Em 2 (15) de março, Nicolau II abdicou; seu irmão Mikhail recusou a coroa no dia seguinte 7.

Também em 2 de março, o comitê da Duma declarou-se Governo Provisório, formado por políticos liberais e moderados, presidido pelo príncipe Georgi Lvov, com o líder cadete Pavel Miliukov nos Negócios Estrangeiros e o socialista Kerenski na Justiça 5. O Soviete de Petrogrado, dirigido nos primeiros meses por mencheviques e SRs, aceitou apoiar o governo "na medida em que" este cumprisse o programa da revolução, mas emitiu ordens próprias, a Ordem n.º 1, de 1.º (14) de março, que submetia as unidades militares a comitês de soldados e ao soviete em questões políticas. Essa coexistência ficou conhecida como duplo poder (dvoevlastie), uma situação intrinsecamente instável. Em Moscou, o soviete formou-se em 1.º de março por processo quase idêntico, e em todo o país os sovietes, de início dominados por socialistas moderados que colaboravam com os órgãos do Governo Provisório, multiplicaram-se 6. Comitês de fábrica e comitês camponeses agiam por conta própria.

O Governo Provisório decretou liberdades civis, anistia política e abolição de discriminações religiosas e nacionais, mas adiou a reforma agrária e a eleição da Assembleia Constituinte e manteve a Rússia na guerra ao lado dos Aliados. A "nota Miliukov", que reafirmava os objetivos de guerra, provocou a crise de abril e a formação, em maio, de um governo de coalizão com ministros socialistas 4.

Lenin e as Teses de Abril

Fatos documentadosDocumento de época

Lenin, exilado na Suíça, voltou a Petrogrado em 3 (16) de abril de 1917, depois de atravessar a Alemanha num trem com autorização do governo alemão 7. No dia seguinte apresentou as Teses de Abril, publicadas no Pravda de 7 de abril: nenhum apoio ao Governo Provisório; caracterização da guerra como imperialista; passagem da revolução a uma "segunda etapa" que desse o poder ao proletariado e aos camponeses pobres; "não uma república parlamentar", mas uma república de sovietes; nacionalização da terra; fusão dos bancos num banco nacional sob controle dos sovietes; controle operário sobre produção e distribuição, e não "introdução imediata do socialismo"; mudança do nome do partido e criação de uma nova Internacional 8.

As teses surpreenderam a própria direção bolchevique, que vinha dando apoio condicional ao governo. Em semanas, Lenin obteve maioria no partido. O lema "Todo o poder aos sovietes" ganhou adesão à medida que o governo se desgastava 9.

Jornadas de Julho e o caso Kornilov

Fatos documentados

A ofensiva militar de junho de 1917, lançada por Kerenski como ministro da Guerra, fracassou. Da noite de 3 à manhã de 5 de julho (16–18 de julho), soldados da guarnição de Petrogrado, operários e marinheiros de Kronstadt, base cujo soviete se declarara, em maio, única autoridade na ilha, saíram armados às ruas exigindo que o soviete tomasse o poder; manifestantes chegaram a deter o ministro SR Viktor Tchernov. O Comitê Central bolchevique aconselhou cautela, enquanto a Organização Militar e o Comitê de Petersburgo do partido apoiaram publicamente o movimento. O Comitê Executivo do Soviete, dominado por mencheviques e SRs, chamou tropas para dispersar os manifestantes, e o governo divulgou a investigação sobre dinheiro alemão recebido pelos bolcheviques, acusando Lenin de espionagem 10. Lenin escondeu-se e fugiu para a Finlândia 7; Trotsky e outros dirigentes foram presos, e Kerenski tornou-se chefe do governo (dados a conferir em obra especializada, como Rabinowitch) 9.

Em 18 de julho, o general Lavr Kornilov foi nomeado comandante-em-chefe. Em 27 de agosto, depois de trocas ambíguas com Kerenski, ordenou ao general Krymov que marchasse sobre Petrogrado com a "Divisão Selvagem" e o 3.º Corpo de Cavalaria. O soviete mobilizou operários e soldados, inclusive guardas vermelhos armados, em defesa da revolução, e em 31 de agosto Krymov se suicidara e Kornilov e associados estavam presos 11. O episódio é descrito por parte da historiografia como tentativa de golpe e por outra parte como fruto de mal-entendidos e manobras entre Kornilov e Kerenski. O resultado político é consensual: a autoridade de Kerenski e do Governo Provisório ficou gravemente comprometida, e os bolcheviques, que haviam alertado para a ameaça contrarrevolucionária, foram os grandes beneficiados 11. Em setembro conquistaram maioria nos sovietes de Petrogrado e de Moscou 6.

Outubro: a insurreição e o II Congresso dos Sovietes

Fatos documentados

Lenin, de volta clandestinamente a Petrogrado, pressionou o Comitê Central bolchevique a preparar a insurreição; em 10 (23) de outubro, por 10 votos a 2, o comitê pôs o levante armado "na ordem do dia". Grigori Zinoviev e Lev Kamenev votaram contra e tornaram pública sua oposição 12. O Comitê Militar Revolucionário do Soviete de Petrogrado, presidido de fato por bolcheviques, tornou-se o centro de comando. Em 24 de outubro, depois que o governo fechou a gráfica bolchevique, guardas vermelhos e soldados sob ordens do comitê começaram a ocupar pontes, estações, centrais telefônicas e prédios públicos, com pouca resistência. Em 25 de outubro anunciou-se aos delegados do congresso dos sovietes que o poder fora tomado em nome dos sovietes; o cruzador Aurora disparou tiros de festim, e o Palácio de Inverno, onde estavam os ministros do Governo Provisório, foi tomado na madrugada de 26 de outubro 12. Kerenski fugira antes.

O II Congresso dos Sovietes de Deputados Operários e Soldados abriu-se na noite de 25 de outubro com maioria bolchevique e de SRs de esquerda. Mencheviques e SRs de direita denunciaram a insurreição e abandonaram o congresso; Trotsky disse-lhes que fossem para "a lata de lixo da história" 12. Na noite de 26 de outubro, o congresso aprovou o Decreto sobre a Paz, que propunha a todos os beligerantes uma paz imediata "sem anexações nem indenizações", e o Decreto sobre a Terra, que declarava abolida "para sempre" a propriedade privada da terra e incorporava os mandatos camponeses do programa SR; e aprovou um Conselho dos Comissários do Povo (Sovnarkom) só de bolcheviques, presidido por Lenin, com Trotsky nos Negócios Estrangeiros e Stalin nas Nacionalidades 13. SRs de esquerda entraram no governo em dezembro e saíram em março de 1918.

Em Moscou, os combates duraram cerca de uma semana. Entre novembro de 1917 e o início de 1918, o novo poder se estendeu, de forma desigual e muitas vezes violenta, a outras cidades. O governo restringiu a imprensa oposicionista já nos primeiros dias, proibiu o partido cadete em dezembro e criou, em 7 (20) de dezembro de 1917, a Tcheka (Comissão Extraordinária de Toda a Rússia para Combater a Contrarrevolução e a Sabotagem), dirigida por Feliks Dzerjinski 14.

A Assembleia Constituinte e sua dissolução

Fatos documentados

As eleições para a Assembleia Constituinte, prometidas desde fevereiro, ocorreram a partir de 12 (25) de novembro de 1917, já sob o governo bolchevique, em geral por sufrágio universal. Votaram dezenas de milhões de eleitores, as contagens variam entre cerca de 41 e 46 milhões de votos, conforme a fonte e o número de distritos apurados. Os socialistas-revolucionários (somadas as listas regionais e ucranianas) obtiveram a maior votação; os bolcheviques tiveram cerca de 24% dos votos, com vitória nas grandes cidades e entre os soldados das frentes próximas; os cadetes ficaram em torno de 5% 15 16. As listas SR haviam sido feitas antes da cisão entre SRs de direita e de esquerda, o que os bolcheviques usaram para contestar a representatividade do resultado.

A Assembleia reuniu-se no Palácio Tauride em 5 (18) de janeiro de 1918 e elegeu presidente o SR Viktor Tchernov; recusou-se a ratificar os decretos soviéticos nos termos apresentados pelos bolcheviques, que se retiraram. Na madrugada, guardas ordenaram que os deputados saíssem, e no dia seguinte a reabertura foi impedida; o Comitê Executivo Central dos sovietes decretou a dissolução 15. Uma manifestação em apoio à Assembleia em Petrogrado foi dispersada a tiros em 5 de janeiro, com mortos. A dissolução é um dos episódios mais discutidos: para os bolcheviques, os sovietes eram uma forma superior de democracia; para os críticos, inclusive socialistas como Rosa Luxemburgo, a medida suprimiu a única instituição eleita por todo o país 17.

Brest-Litovsk

Fatos documentados

Um armistício com as Potências Centrais foi assinado em Brest-Litovsk em dezembro de 1917. As negociações de paz dividiram os bolcheviques: Lenin defendia aceitar as duras condições alemãs para ganhar "uma trégua"; os "comunistas de esquerda", com Nikolai Bukharin, queriam uma guerra revolucionária; Trotsky propôs "nem guerra nem paz". Depois de uma nova ofensiva alemã, o Tratado de Brest-Litovsk foi assinado em 3 de março de 1918 18. A Rússia soviética renunciou à Polônia, à Finlândia, aos territórios bálticos e reconheceu a independência da Ucrânia, perdendo grande parte de sua população, terra agrícola e indústria. Os SRs de esquerda saíram do governo em protesto. Com a derrota alemã em novembro de 1918, o governo soviético anulou o tratado. A capital transferiu-se para Moscou em março de 1918 7.

A guerra civil (1918–1921)

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

A guerra civil russa não foi um único conflito, mas um conjunto de guerras sobrepostas, de meados de 1918 a 1921 (com combates no Extremo Oriente até 1922):

  • entre o Exército Vermelho, organizado a partir de 1918 sob comando de Trotsky como comissário da Guerra, e os exércitos brancos, de Anton Denikin e depois Piotr Wrangel no sul, Aleksandr Koltchak na Sibéria, Nikolai Iudenitch no noroeste, que reuniam oficiais, cossacos, monarquistas e liberais;
  • com governos socialistas antibolcheviques, como o Komuch (comitê de membros da Constituinte) em Samara, em 1918;
  • com movimentos nacionais e Estados que buscavam independência (Ucrânia, Estados bálticos, Polônia, com a qual houve a guerra de 1919–1920, Transcaucásia, Ásia Central);
  • com exércitos camponeses "verdes" e com o movimento anarquista de Nestor Makhno na Ucrânia;
  • com intervenções estrangeiras limitadas (britânicas, francesas, japonesas, norte-americanas e outras) e com a Legião Tchecoslovaca, cuja revolta, em maio de 1918, abriu a frente do Volga 2 4.

Os vermelhos venceram graças ao controle do centro industrial e ferroviário, à organização de um exército de massas com ex-oficiais tsaristas vigiados por comissários políticos e à desunião dos adversários, cuja associação com a restauração da propriedade fundiária afastava os camponeses. A família imperial foi executada pelos bolcheviques em Ekaterinburg em julho de 1918 4 2.

O custo humano foi enorme. A maior parte das mortes do período não ocorreu em combate, mas por epidemias (tifo, cólera) e fome. A fome de 1921–22, sobretudo na bacia do Volga, afetou pelo menos 20 milhões de pessoas e matou cerca de 5 milhões, segundo a estimativa adotada pelo projeto Seventeen Moments; a American Relief Administration chegou a alimentar cerca de 10 milhões de pessoas 19. As estimativas globais de mortes em excesso de 1918 a 1922 variam conforme o método demográfico e não são somadas aqui.

Terror Vermelho, Terror Branco e a Tcheka

Fatos documentadosDebate em aberto

A violência política foi praticada por todos os lados.

Terror Vermelho. Depois do assassinato do chefe da Tcheka de Petrogrado, Moisei Uritski, e do atentado contra Lenin em 30 de agosto de 1918, o Sovnarkom autorizou, em setembro de 1918, a intensificação das operações contra "contrarrevolucionários" e "inimigos de classe", com execuções de reféns e encarceramento em campos de concentração 14. Números oficiais registram 6.300 execuções pela Tcheka em 1918, em vinte províncias, cifra que o historiador Lewis Siegelbaum considera "provavelmente subestimada"; só em Petrogrado houve mais de quinhentas execuções na onda de setembro 14. Documentos de arquivo mostram que Lenin cobrou pessoalmente medidas exemplares, como no telegrama de 11 de agosto de 1918 aos comunistas de Penza, que ordenava enforcar publicamente "não menos de cem" camponeses ricos e tomar reféns (ver Vladimir Lenin) 20. A requisição forçada de grãos provocou centenas de revoltas camponesas, reprimidas militarmente, a maior delas a de Tambov (1920–1921).

Terror Branco. Os exércitos brancos e governos antibolcheviques também praticaram execuções em massa de prisioneiros, suspeitos e operários, sobretudo na Sibéria e no sul. Os pogroms contra judeus na Ucrânia e regiões vizinhas, entre 1918 e 1921, mataram, segundo estimativas citadas por historiadores, de cerca de 50 mil a 100 mil pessoas; foram cometidos sobretudo por tropas do Diretório ucraniano, por chefes armados independentes (atamans) e por forças brancas, e em menor escala por unidades do Exército Vermelho e tropas polonesas 21.

Debate. A historiografia discute se o terror bolchevique foi resposta à guerra e ao terror adversário, como sustentavam seus dirigentes, ou se decorria da própria concepção de ditadura do partido, como argumentam Richard Pipes e outros 22. Historiadores como S. A. Smith e Orlando Figes enfatizam a brutalização geral da sociedade pela guerra mundial e a lógica de radicalização mútua, sem isentar as decisões dos dirigentes 2 4.

Comunismo de guerra, Kronstadt e a NEP

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

Entre 1918 e 1921, o governo soviético adotou um conjunto de medidas depois chamado de comunismo de guerra: nacionalização da indústria, requisição obrigatória de excedentes agrícolas (prodrazvërstka), proibição do comércio privado, racionamento e militarização do trabalho. Os historiadores divergem sobre se essas medidas foram improvisos impostos pela guerra ou uma tentativa deliberada de saltar ao comunismo, os próprios bolcheviques as justificaram de ambas as formas em momentos diferentes 23 2.

No inverno de 1920–21, com a guerra contra os brancos praticamente vencida, multiplicaram-se greves operárias e revoltas camponesas. Em 1.º de março de 1921, marinheiros e soldados da base naval de Kronstadt, antes símbolo da revolução, aprovaram resoluções que exigiam liberdade de palavra e de reunião, igualdade de rações, eleições livres para os sovietes e o fim do monopólio bolchevique, sob o lema "todo o poder aos sovietes, e não aos partidos". O governo enviou Trotsky para organizar a resposta e Mikhail Tukhatchevski para comandar cerca de 45 mil soldados; o assalto final ocorreu em 16–17 de março, e a revolta foi esmagada por volta de 18 de março. Muitos sobreviventes foram executados ou enviados a campos; outros fugiram para a Finlândia pelo gelo 24.

Em paralelo, o X Congresso do Partido, em março de 1921, adotou a Nova Política Econômica (NEP): um imposto em espécie, fixado abaixo das antigas cotas de requisição, permitia aos camponeses vender excedentes no mercado; a pequena indústria e o comércio foram desestatizados; o Estado manteve os "postos de comando", grande indústria, bancos e comércio exterior; buscou-se estabilizar a moeda e atrair concessões estrangeiras 25 7. O mesmo congresso proibiu as frações dentro do partido. A liberalização econômica foi acompanhada, portanto, de fechamento político: mencheviques e SRs foram presos ou exilados, e um processo público contra dirigentes SRs foi realizado em 1922.

Operários, camponeses e soldados: a revolução de baixo

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

A revolução de 1917 não se resumiu às disputas entre governos e partidos na capital. Ela foi também um movimento de auto-organização social em grande escala.

Operários. Comitês de fábrica surgiram já nos dias de fevereiro em Petrogrado e espalharam-se por todos os centros industriais. Em 10 de março, o Soviete de Petrogrado assinou com a associação dos industriais um acordo que reconhecia os comitês como interlocutores; seis conferências de comitês de fábrica da cidade, com centenas de delegados cada, reuniram-se entre o fim de maio de 1917 e janeiro de 1918 26. Pouco depois de Outubro, um decreto sobre o controle operário deu aos comitês poderes sobre produção, estoques, compras, vendas e finanças das empresas, tornando-os, na prática, a administração das fábricas. Logo, porém, o I Congresso Sindical de Toda a Rússia (janeiro de 1918) declarou que os sindicatos deveriam tornar-se "instrumentos da autoridade estatal", e durante a guerra civil os sindicatos assumiram funções disciplinares e de mobilização; mencheviques mantiveram posições em sindicatos como o dos gráficos e o dos padeiros por vários anos 26.

Camponeses. Com a queda da autoridade em fevereiro, camponeses ocuparam terras, ferramentas e animais de tração dos proprietários e elegeram comitês de aldeia e de cantão (volost). Em maio, o Congresso de Deputados Camponeses de Toda a Rússia reuniu 242 "mandatos" camponeses, que serviriam de base ao Decreto sobre a Terra. A entrada dos SRs no governo de coalizão, com Viktor Tchernov como ministro da Agricultura (maio de 1917), gerou expectativas que não se cumpriram. O Decreto sobre a Terra de 26 de outubro, essencialmente o programa agrário SR, entregou as grandes propriedades aos comitês agrários locais até a reunião da Constituinte; os camponeses o aplicaram a seu modo, por meio da comuna aldeã 27. Em 1918, os comitês de camponeses pobres (kombedy) e os destacamentos de requisição de alimentos enviados das cidades provocaram ampla hostilidade no campo 27.

Soldados. O exército de camponeses mobilizados foi decisivo. A Ordem n.º 1 e os comitês de soldados minaram a disciplina dos oficiais; deserções em massa, sobretudo depois do fracasso da ofensiva de junho e das notícias sobre a partilha das terras, esvaziaram as frentes. Para muitos historiadores sociais, a radicalização de operários, soldados e camponeses em torno de "paz, terra e pão" explica a popularidade do lema "todo o poder aos sovietes" no outono de 1917, o que não elimina o papel da organização bolchevique na insurreição 9 2.

Mulheres e família

Fatos documentados

A revolução de fevereiro começou com a marcha de operárias de Petrogrado no Dia Internacional da Mulher, em 23 de fevereiro (8 de março) de 1917 28. O governo soviético adotou cedo uma legislação de gênero muito avançada para a época: um decreto de 18 de dezembro de 1917 retirou da Igreja o controle do casamento e reconheceu apenas o casamento civil registrado; outro, de 29 de dezembro de 1917, permitiu às mulheres divorciar-se sem autorização do marido e previu pensão alimentícia, nem sempre paga 28. Aleksandra Kollontai, comissária do Bem-Estar Social no primeiro governo, ajudou a fundar em 1919 o Departamento Feminino do partido (Jenotdel), dirigido por Inessa Armand e com participação de Nadejda Krupskaia; o departamento nunca recebeu os recursos que sua missão exigia e foi extinto em 1930 28. O aborto foi legalizado em novembro de 1920 29. A distância entre a legislação e a vida das mulheres, sobretudo no campo e na Ásia Central, foi grande, e várias dessas conquistas foram revertidas nos anos 1930 (ver União Soviética).

A questão nacional e a desagregação do império

Fatos documentados

O Império Russo era multinacional, e 1917 abriu espaço para movimentos nacionais. Na Ucrânia, uma Rada (Conselho Central) formou-se em março de 1917, presidida a partir de abril pelo historiador Mikhailo Hrushevski; reivindicou regimentos nacionais e poder fiscal e entrou em guerra com o governo soviético depois de Outubro. Em janeiro de 1918, incapaz de deter o Exército Vermelho, recorreu aos alemães, que depois de Brest-Litovsk a dissolveram e instalaram o hetman Pavlo Skoropadski, cujo regime mal sobreviveu à retirada alemã em novembro de 1918. Na Transcaucásia, partidos socialistas não bolcheviques proclamaram a independência, de onde surgiram as repúblicas da Geórgia, da Armênia e do Azerbaijão, que só se mantiveram enquanto o Exército Vermelho estava ocupado com os brancos 30. Na avaliação do projeto Seventeen Moments, só a Finlândia, a Polônia e os três Estados bálticos realizaram, a longo prazo, suas reivindicações de independência nesse período 30. A política nacional bolchevique combinou o reconhecimento formal da autodeterminação com a reconquista militar e, a partir de 1922, a organização federal da URSS.

Dimensão internacional

Fatos documentadosInterpretação historiográfica

Os bolcheviques viam Outubro como o primeiro passo de uma revolução europeia, sem a qual consideravam difícil manter o socialismo num país atrasado. A Internacional Comunista (Comintern) foi fundada em Moscou em março de 1919; em seu II Congresso (julho–agosto de 1920), Grigori Zinoviev, presidente do Comitê Executivo, apresentou as 21 condições de adesão, aprovadas por ampla maioria, que exigiam dos partidos membros ruptura com os reformistas e disciplina centralizada 31. As tentativas revolucionárias na Alemanha e na Hungria em 1919 foram derrotadas, e a guerra com a Polônia (1920) não estendeu a revolução para o oeste. O isolamento internacional, junto com a intervenção estrangeira e o bloqueio, é um dos fatores que historiadores e correntes marxistas invocam para explicar a trajetória posterior do regime. A Comintern acabou subordinada ao partido soviético e foi dissolvida em 1943 31.

Interpretações historiográficas

Interpretação historiográficaDebate em abertoPosição de outras organizações e correntes

A Revolução Russa é um dos campos mais disputados da historiografia. As linhas abaixo são simplificações de debates com muitas nuances; autores de uma mesma "escola" divergem entre si.

Historiografia soviética oficial

Interpretação historiográfica

A historiografia oficial da URSS apresentou Outubro como a "Grande Revolução Socialista de Outubro", resultado necessário das contradições do capitalismo e do imperialismo, dirigida por um partido de vanguarda guiado pela teoria marxista-leninista. Sob Stalin, a narrativa foi reescrita para apagar ou demonizar dirigentes caídos em desgraça, como Trotsky, Zinoviev, Kamenev e Bukharin, processo consolidado no Curso breve de história do PC(b) da URSS (1938). Com a desestalinização e, sobretudo, com a abertura de arquivos a partir do fim dos anos 1980, historiadores russos passaram a questionar essas versões.

Interpretação liberal e "totalitarista"

Interpretação historiográfica

Uma tradição ocidental, associada, entre outros, a Richard Pipes, vê Outubro sobretudo como um golpe de uma minoria conspirativa que se aproveitou do vácuo de poder, e enxerga continuidade direta entre a ideologia e as práticas de Lenin e o terror stalinista. Pipes enfatiza a responsabilidade pessoal de Lenin, o desprezo bolchevique pela democracia representativa e a precocidade do terror 22. Críticos dessa linha apontam que ela subestima a mobilização popular de 1917 e tende a explicar tudo pela ideologia.

História social "revisionista"

Interpretação historiográfica

A partir dos anos 1970, historiadores sociais passaram a estudar operários, soldados, camponeses e organizações de base. Alexander Rabinowitch mostrou, em estudo sobre Petrogrado, um partido bolchevique menos monolítico do que se supunha, cuja força em 1917 vinha da sintonia com reivindicações populares de paz, terra e poder dos sovietes 9. Sheila Fitzpatrick propôs entender a revolução como processo longo, de 1917 até os anos 1930, e analisou a mobilidade social e os grupos que se beneficiaram do novo regime 3. S. A. Smith, em síntese recente, situa a revolução numa crise imperial de 1890 a 1928 e combina a análise da mobilização social com a das escolhas políticas que levaram ao Estado de partido único 2. Orlando Figes escreveu uma narrativa ampla, sensível à experiência popular, que enfatiza a violência e a "tragédia" do processo 4. Para essa corrente, Outubro foi ao mesmo tempo insurreição organizada por um partido e expressão de radicalização popular real, e a deriva autoritária resultou da interação entre ideologia, guerra civil, colapso econômico e decisões concretas.

Marxistas não soviéticos e críticos de esquerda

Posição de outras organizações e correntesDocumento de época

Leon Trotsky, participante e dirigente, escreveu no exílio uma História da Revolução Russa (1930–1932) que defende Outubro como revolução das massas e atribui a degeneração posterior à "burocracia" stalinista, ao isolamento internacional e ao atraso russo, interpretação que funda a tradição do Trotskismo 32.

Rosa Luxemburgo, em manuscrito de 1918 escrito na prisão, saudou a ousadia dos bolcheviques, mas criticou a dissolução da Constituinte, a supressão das liberdades democráticas e o terror, advertindo: "A liberdade é sempre e exclusivamente a liberdade de quem pensa de modo diferente" 17. Karl Kautsky, dirigente da social-democracia alemã, condenou a ditadura bolchevique em nome da democracia em A ditadura do proletariado (1918), e Lenin respondeu com A revolução proletária e o renegado Kautsky 33 34. Mencheviques como Iúli Martov e anarquistas como Piotr Kropotkin também criticaram, de dentro da Rússia, o monopólio do poder.

E. H. Carr, historiador britânico não marxista mas próximo de uma leitura estrutural, produziu a primeira grande história institucional do regime soviético, valorizando a racionalidade das escolhas bolcheviques diante das circunstâncias 23.

Repercussão no Brasil

Fatos documentados

As notícias de 1917 chegaram a um movimento operário brasileiro em que predominavam anarquistas e sindicalistas revolucionários, então mobilizados pela greve geral de 1917 em São Paulo. A Revolução de Outubro e a fundação da Internacional Comunista (1919) contribuíram para a criação do Partido Comunista do Brasil (Partido Comunista Brasileiro (PCB)) em 1922, formado em grande parte por ex-anarquistas. Ver Comunismo no Brasil.

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

  • Tradução de texto localizado
    “A liberdade é sempre e exclusivamente a liberdade de quem pensa de modo diferente.”

    Freedom is always and exclusively freedom for the one who thinks differently.

    Rosa Luxemburgo, A Revolução Russa (manuscrito de 1918), crítica à supressão das liberdades pelos bolcheviques.

    Tradução da redação a partir da versão inglesa do Marxists Internet Archive; original em alemão.

    Fonte: The Russian Revolution, cap. 6 ("The Problem of Dictatorship")

  • Paráfrase
    “Não uma república parlamentar […], mas uma república de sovietes de deputados operários, trabalhadores agrícolas e camponeses em todo o país, de baixo para cima.”

    Lenin, Teses de Abril (tese 5), publicadas no Pravda de 7 de abril de 1917.

    Paráfrase próxima do texto da tese 5; só o trecho "não uma república parlamentar" foi conferido literalmente.

    Fonte: The Tasks of the Proletariat in the Present Revolution (Teses de Abril)

Cronologia

  1. 8 de março de 1917

    Greves e manifestações em Petrogrado: início da Revolução de Fevereiro.5

  2. 12 de março de 1917

    Formação do Soviete de Petrogrado e do Comitê Provisório da Duma.6

  3. 15 de março de 1917

    Abdicação de Nicolau II; formação do Governo Provisório.5

  4. 16 de abril de 1917

    Lenin chega a Petrogrado.7

  5. 20 de abril de 1917

    Publicação das Teses de Abril no Pravda.8

  6. 16 de julho de 1917

    Jornadas de Julho em Petrogrado.10

  7. 9 de setembro de 1917

    Caso Kornilov.11

  8. 23 de outubro de 1917

    Comitê Central bolchevique aprova a insurreição por 10 votos a 2.12

  9. 7 de novembro de 1917

    Insurreição em Petrogrado; abertura do II Congresso dos Sovietes.7

  10. 8 de novembro de 1917

    Decretos sobre a Paz e sobre a Terra; formação do Sovnarkom.13

  11. 25 de novembro de 1917

    Eleições para a Assembleia Constituinte.15

  12. 20 de dezembro de 1917

    Criação da Tcheka.14

  13. 18 de janeiro de 1918

    Abertura e dissolução da Assembleia Constituinte.15

  14. 14 de fevereiro de 1918

    Adoção do calendário gregoriano.1

  15. 3 de março de 1918

    Tratado de Brest-Litovsk.18

  16. 30 de agosto de 1918

    Atentado contra Lenin; início da onda do Terror Vermelho.7

  17. março de 1921

    Revolta de Kronstadt; X Congresso adota a NEP e proíbe frações.24

Imagens

Multidão se dispersando em correria na avenida Nevski, em Petrogrado, depois de tiros de metralhadora.
Avenida Nevski, Petrogrado, 4 (17) de julho de 1917: manifestantes se dispersam depois que tropas do Governo Provisório abrem fogo, durante as Jornadas de Julho.Viktor Bulla (atribuição registrada no Wikimedia Commons), 1917-07-17. Origem: Wikimedia Commons (reprodução da coleção David King, Tate). Licença: Domínio público. Marcada na página do arquivo como PD-old-auto-expired (autor falecido em 1938).

Bibliografia comentada

  • S. A. Smith. Russia in Revolution: An Empire in Crisis, 1890 to 1928 (2017)

    Síntese recente e equilibrada, que situa 1917 numa crise imperial de longa duração (1890–1928) e incorpora a abertura dos arquivos. Bom ponto de partida.

  • Sheila Fitzpatrick. The Russian Revolution (1982)

    Ensaio curto e influente da história social; trata a revolução como processo que vai até os anos 1930.

  • Alexander Rabinowitch. The Bolsheviks Come to Power: The Revolution of 1917 in Petrograd (1976)

    Estudo clássico, baseado em fontes de Petrogrado, sobre como os bolcheviques conquistaram apoio em 1917; mostra um partido menos monolítico do que a imagem corrente.

  • Orlando Figes. A People's Tragedy: The Russian Revolution, 1891–1924 (1996)

    Narrativa ampla e muito lida, atenta à experiência popular e à violência; críticos apontam um tom moralizante.

  • Richard Pipes. The Russian Revolution (1990)

    Principal síntese da interpretação liberal-conservadora: Outubro como golpe e continuidade entre Lenin e o stalinismo. Útil para conhecer o argumento e sua documentação.

  • Leon Trotsky. História da Revolução Russa (1930–1932)

    Obra de um protagonista, ao mesmo tempo fonte primária e interpretação marxista; leitura indispensável para o debate de esquerda.

  • E. H. Carr. The Bolshevik Revolution, 1917–1923 (3 vols., parte de "A History of Soviet Russia") (1950–1953)

    Primeira grande história institucional do regime; datada em alguns pontos, mas ainda referência para políticas econômicas e constitucionais.

  • Rosa Luxemburgo. The Russian Revolution, cap. 6 ("The Problem of Dictatorship") (1918)

    Crítica contemporânea, de dentro do campo revolucionário, sobre democracia, Constituinte e terror.

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). New Letters and Dates (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  2. 2S. A. Smith. Russia in Revolution: An Empire in Crisis, 1890 to 1928. Oxford University Press, 2017.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  3. 3Sheila Fitzpatrick. The Russian Revolution. Oxford University Press (várias edições revistas), 1982.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  4. 4Orlando Figes. A People's Tragedy: The Russian Revolution, 1891–1924. Jonathan Cape, 1996.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  5. 5Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). February Revolution (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  6. 6Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Formation of the Soviets (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  7. 7Marxists Internet Archive. Lenin, Timeline. Marxists Internet Archive.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Datas no calendário juliano com equivalente gregoriano entre parênteses.
  8. 8V. I. Lenin. The Tasks of the Proletariat in the Present Revolution (Teses de Abril). Marxists Internet Archive; original no Pravda n.º 26, 7 de abril de 1917, 1917.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  9. 9Alexander Rabinowitch. The Bolsheviks Come to Power: The Revolution of 1917 in Petrograd. W. W. Norton, 1976.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  10. 10Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). July Days (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  11. 11Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Kornilov Affair (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  12. 12Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Bolsheviks Seize Power (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  13. 13Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). First Bolshevik Decrees (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  14. 14Lewis Siegelbaum, Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). State Security (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  15. 15Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Constituent Assembly (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  16. 161917 Russian Constituent Assembly election. Wikipédia em inglês.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]Resultados baseados sobretudo em Oliver Radkey; totais variam conforme a fonte.
  17. 17Rosa Luxemburgo. The Russian Revolution, cap. 6 ("The Problem of Dictatorship"). Marxists Internet Archive, 1918.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Manuscrito redigido na prisão em 1918 e publicado postumamente (1922); a página não traz os dados de publicação.
  18. 18Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Treaty of Brest Litovsk (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  19. 19Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Famine of 1921-22.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  20. 20V. I. Lenin. Telegrama aos comunistas de Penza (Kuraev, Bosh, Minkin e outros), 11 de agosto de 1918. Marxists Internet Archive, a partir da exposição "Revelations from the Russian Archives" (Biblioteca do Congresso dos EUA); tradução de Richard B. Day (2008), 1918.[Arquivo · consultada em 19 de outubro de 2026]Cota indicada na página: RTsKhIDNI (atual RGASPI), f. 2, op. 1, d. 6898, l. 1–1 ob.
  21. 21Ukrainian Jewish Encounter. Between the "Whites" and the "Reds": Who carried out pogroms against the Jews during the Civil War?.[Imprensa · consultada em 19 de outubro de 2026]Reportagem com historiadores (Nadia Lipes, Mykola Lazarovych e outros).
  22. 22Richard Pipes. The Russian Revolution. Alfred A. Knopf, 1990.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  23. 23E. H. Carr. The Bolshevik Revolution, 1917–1923 (3 vols., parte de "A History of Soviet Russia"). Macmillan, 1950–1953.[Historiografia · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  24. 24Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Kronstadt Uprising (1921).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  25. 25Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). The New Economic Policy (1921).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  26. 26Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Workers Organization (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  27. 27Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Peasant Revolution (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  28. 28Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). The New Woman (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  29. 29Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Abolition of Legal Abortion (1936).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  30. 30Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). The Empire Falls (1917).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  31. 31Seventeen Moments in Soviet History (Michigan State University). Comintern (1921).[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  32. 32Leon Trotsky. História da Revolução Russa. 1930–1932.[Fonte primária · referência bibliográfica]Obra de participante e dirigente; ao mesmo tempo fonte e interpretação. Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  33. 33Karl Kautsky. Die Diktatur des Proletariats. 1918.[Fonte primária · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.
  34. 34V. I. Lenin. A revolução proletária e o renegado Kautsky. 1918.[Fonte primária · referência bibliográfica]Obra não aberta nesta redação: a citação indica onde conferir a passagem, não confirmação de página.

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
4.414 palavras · 34 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoPesquisa em Seventeen Moments in Soviet History (calendário, decretos, Constituinte, Brest, Tcheka, Kronstadt, NEP, fome de 1921), Marxists Internet Archive (Teses de Abril, cronologia de Lenin, telegrama de Penza, Rosa Luxemburgo), reportagem do Ukrainian Jewish Encounter (pogroms) e Wikipédia (eleição da Constituinte, só orientação). Obras de historiografia (Pipes, Fitzpatrick, Rabinowitch, Smith, Figes, Carr, Trotsky) citadas como referência bibliográfica, sem consulta de página. Pendente: conferir datas de julho e Kornilov e a manifestação de 5/1/1918 em obra especializada; números da eleição da Constituinte (Radkey); estimativas demográficas globais da guerra civil; número de execuções após Kronstadt; dados de perdas de Brest-Litovsk.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: Revolução Russa de 1917. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/revolucao-russa-de-1917.

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