Desigualdade de renda (índice de Gini)
Indicador · índice (0 a 1)
Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita (todas as fontes): 0 = perfeita igualdade, 1 = desigualdade máxima.
Índice e ficha
- Área
- Lula e seus governos
- Regiões
- Brasil
- Temas
- Estado, poder e democracia, Economia e organização social
Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita (todas as fontes): 0 = perfeita igualdade, 1 = desigualdade máxima. Território: Brasil. Periodicidade: Anual.
Resultados observados
Segundo o IBGE, em 2024 (0,504) o índice de Gini do rendimento domiciliar per capita diminuiu e alcançou o menor valor da série da PNAD Contínua, com ligeira oscilação em 2025 (0,511).12
Pelo IBGE, o Gini do rendimento domiciliar per capita caiu de 0,540 para 0,524 entre 2012 e 2015, subiu a 0,537 em 2016 e chegou ao maior valor da série em 2018 (0,545).1
No Comunicado nº 155 do Ipea (2012), o índice de Gini da renda domiciliar per capita cai continuamente entre 2001 e 2011, pela PNAD.3
Nos resultados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022, o IBGE informa que o índice de Gini do rendimento mensal domiciliar per capita médio foi de 0,542 para o Brasil em 2022; o IBGE chama esses resultados de preliminares porque a expansão da amostra usou Áreas de Ponderação preliminares, e os resultados não preliminares serão divulgados depois.4
Limitações
Hoffmann, Jesus e Almeida (2018) afirmam que, no caso da distribuição da renda domiciliar per capita, com dados da PNAD tradicional até 2015 e da PNAD contínua para 2016 e 2017, é difícil saber se a mudança nos resultados de 2015 para 2016 se deve às diferenças metodológicas entre as duas pesquisas ou é uma mudança econômica real.5
O método do Comunicado nº 155 é a decomposição do Gini por fontes de renda (Shorrocks, 1982), em que a desigualdade total é equivalente à soma das contribuições de todas as fontes, e a decomposição dinâmica (Mookherjee; Shorrocks, 1982), que analisa como cada fonte de renda contribui para mudanças na desigualdade entre dois momentos no tempo.3
Contexto
O IBGE informa que, no início da pandemia de COVID-19, a perda de ocupação atingiu sobretudo trabalhadores de menor rendimento, o que pode ter contribuído para a queda da desigualdade do rendimento do trabalho de quem se manteve ocupado; em 2020, a participação dos programas sociais na renda domiciliar per capita subiu de 1,7% para 5,9%.1
O Comunicado nº 155 do Ipea decompõe a queda da desigualdade na década por fontes de renda da PNAD: trabalho 58%, previdência 19%, Bolsa Família 13%, BPC 4% e outras rendas 6%.3
O Comunicado nº 155 afirma que, sem as políticas redistributivas patrocinadas pelo Estado brasileiro, a desigualdade teria caído 36% menos na década; no mesmo trecho, a queda é decomposta por fontes de renda, com Previdência (19%), Bolsa Família (13%) e Benefício de Prestação Continuada (4%).3
O Comunicado nº 155 liga o salário mínimo à queda da desigualdade por meio dos benefícios: os aumentos reais do mínimo beneficiam aposentados e pensionistas mais pobres, e o BPC é outro canal da política de reajuste do mínimo.3
Metodologia
A tabela 7435 do SIDRA, da PNAD Contínua anual, traz o Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita, a preços médios do ano, no assunto Rendimento de todas as fontes.6
O IBGE define o índice de Gini como uma medida de concentração de uma distribuição, cujo valor varia de zero (perfeita igualdade) até um (desigualdade máxima).17
No rendimento domiciliar per capita do IBGE entra o rendimento habitual do trabalho (pessoas de 14 anos ou mais) e, para outras fontes, o valor recebido no mês de referência; o deflator é o IPCA.1
Para o IBGE, o rendimento de outras fontes inclui programas sociais do governo (Programa Bolsa Família/Auxílio Brasil, BPC-LOAS e outros), aposentadoria e pensão oficiais, aluguel e arrendamento, seguro-desemprego ou seguro-defeso, pensão alimentícia, doação e mesada de não morador e outros rendimentos.1
A tabela 7435 do IBGE (Índice de Gini do rendimento domiciliar per capita, a preços médios do ano) tem periodicidade anual, de 2012 a 2025.86
O IBGE calcula os indicadores anuais de rendimento de todas as fontes com a primeira visita ao domicílio; em 2020, 2021 e 2022, por causa da pandemia de COVID-19, o índice de Gini e os demais indicadores usaram a quinta visita.910
Com os resultados do Censo Demográfico 2022, o IBGE atualizou as populações usadas nos fatores de expansão da PNAD Contínua e aplicou a mesma metodologia à reponderação da série histórica, com início em 2012 (Nota técnica 02/2025, de 31 de julho de 2025). Segundo a nota, naquela data foram divulgadas as estimativas dos trimestres móveis; os temas anuais programados para divulgação ainda em 2025 teriam as séries reponderadas nas respectivas divulgações, e os já divulgados antes de 31 de julho de 2025, no ciclo de divulgação de 2026.11
Segundo a Nota técnica 02/2025, os temas anuais da PNAD Contínua já divulgados antes de 31 de julho de 2025 teriam as estimativas reponderadas no ciclo de divulgação de 2026.11
O Gini do rendimento domiciliar per capita publicado pelo IBGE mudou entre edições: no informativo de 2024, 2019 = 0,544 e 2024 = 0,506; no informativo de 2025, 2019 = 0,543 e 2024 = 0,504.121
A Amostra Mestra da PNAD Contínua de 2012 a 2024 foi selecionada com a Base Operacional Geográfica do Censo Demográfico de 2010; o IBGE anunciou atualização completa a partir dos dados do Censo 2022.9
No Ipeadata, a série PNADS_GINI é o coeficiente de Gini da renda domiciliar per capita de todas as fontes, multiplicado por 100.13
Na série PNADS_GINI do Ipea, os resultados da antiga PNAD foram multiplicados pelo fator que, em 2012, iguala o resultado da antiga PNAD ao da pesquisa que a substituiu; é, portanto, uma série ajustada, não o dado original da PNAD.13
A série DISOC_RDCG do Ipeadata, do Gini da renda domiciliar per capita calculado com a PNAD, está inativa e não tem dados nos anos de Censo Demográfico, quando a PNAD foi interrompida.14
A tabela 5801 do SIDRA (Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, 2004 a 2015) mede o Gini do rendimento mensal das pessoas de 15 anos ou mais com rendimento: é outro conceito, diferente do Gini do rendimento domiciliar per capita.15
Hoffmann, Jesus e Almeida (2018) registram que o IBGE adverte que as diferenças metodológicas entre a PNAD tradicional e a PNAD contínua impedem correspondência direta entre os resultados das duas pesquisas.5
A PNAD tradicional foi realizada pela última vez em 2015, com setembro como mês de referência; a PNAD contínua é feita desde 2012, com coleta distribuída ao longo do ano.5
Até 2003, a PNAD não incluía a área rural da antiga região Norte.5
Na Síntese de Indicadores Sociais 2017, o IBGE informa que o rendimento domiciliar per capita é coletado desde a implantação da PNAD Contínua, em 2012, e que, por diferenças metodológicas, não é comparável aos dados da PNAD, descontinuada em 2015; informa também que em 2015 houve mudança no questionário para melhorar a captação do rendimento efetivo do trabalho.16
Em nota técnica de 29 de novembro de 2017, o IBGE informou que, embora o rendimento domiciliar fosse coletado na PNAD Contínua desde 2012, divulgava naquele momento só os dados de 2016, por causa da revisão do questionário no 4º trimestre de 2015, que alterou a captação do rendimento efetivo de trabalho.17
Em nota técnica sobre as principais diferenças metodológicas entre PME, PNAD e PNAD Contínua, o IBGE afirma que essas diferenças inviabilizam comparações entre as pesquisas.18
Nas Notas metodológicas n. 03/2025, o IBGE afirma que as diferenças entre o Censo 2022 e a PNAD Contínua inviabilizam uma comparação direta dos resultados de trabalho e rendimento, e que a variável rendimento domiciliar per capita também tem diferenças significativas de construção entre os dois levantamentos.19
Como ler
Os números ficam nas séries oficiais, sem emendar pesquisas diferentes. Resultado nacional não é atribuído a uma pessoa: o acervo mostra a série e a fonte, e o leitor tira as conclusões.
No acervo
O dossiê completo, com a data de corte, o estado de cada afirmação, gráficos e o trecho de cada fonte, está em Desigualdade de renda (índice de Gini), com gráficos e tabelas.
Fontes
“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.
- 1Rendimento de todas as fontes 2025 (PNAD Contínua, informativo). IBGE, 2026.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 2Rendimento médio da população brasileira atinge R$ 3.367 em 2025. IBGE, Agência de Notícias, 2026.[Fonte oficial · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 3Comunicados do Ipea nº 155: A Década Inclusiva (2001-2011): Desigualdade, Pobreza e Políticas de Renda. Ipea, 2012.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 4Censo Demográfico 2022: Trabalho e rendimento: Resultados preliminares da amostra. IBGE, 2025.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 5A distribuição da renda no Brasil conforme a PNAD: 1995-2017 (Texto para Discussão nº 45, IEPE/Casa das Garças). Rodolfo Hoffmann, Josimar Gonçalves de Jesus e Sara Soares Pereira de Almeida (IEPE/Casa das Garças).[Historiografia · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 6API de agregados do IBGE: metadados da tabela 7435. IBGE.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 7Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: síntese de indicadores 2015. IBGE.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 8SIDRA, tabela 7435: nome, fonte, notas e metadados (JSON público usado pela página da tabela). IBGE.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 9PNAD Contínua, Nota técnica 01/2025: Sobre os rendimentos de todas as fontes. IBGE, Diretoria de Pesquisas, 2025.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 10SIDRA, descrição da tabela 7435 para a API (desctabapi). IBGE.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 11PNAD Contínua, Nota técnica 02/2025: Atualização das estimativas populacionais para cálculo dos pesos da PNAD Contínua e reponderação da série histórica em 2025. IBGE, Diretoria de Pesquisas, 2025.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 12Rendimento de todas as fontes 2024 (PNAD Contínua, informativo). IBGE.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 13Ipeadata, metadados da série PNADS_GINI (OData v4). Ipea.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 14Ipeadata, metadados da série DISOC_RDCG (OData v4). Ipea.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 15API de agregados do IBGE: metadados da tabela 5801. IBGE.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 16Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira: 2017. IBGE, 2017.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 17Nota Técnica: Divulgação do rendimento domiciliar calculado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua. IBGE, 2017.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 18Nota Técnica: Principais diferenças metodológicas entre as pesquisas PME, PNAD e PNAD Contínua. IBGE.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
- 19Censo Demográfico 2022: Sobre as limitações na comparação dos resultados do Censo Demográfico 2022 e da PNAD Contínua. Trabalho e Rendimentos: Resultados da Amostra (Notas metodológicas n. 03/2025). IBGE, 2025.[Estatística · consultada em 14 de outubro de 2026]
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Histórico e revisão
- Estado
- Publicado
- Autoria
- Exército Lula, a partir das afirmações conferidas do acervo
- Criado em
- 20 de outubro de 2026
- Atualizado em
- 14 de outubro de 2026
- Extensão
- 1.293 palavras · 19 fontes
- Revisão humana
- Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
- 20 de outubro de 2026 · criacaoVerbete montado com as afirmações elegíveis do dossiê, cada uma com as fontes em que foi conferida.Exército Lula (geração automática a partir do acervo)
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Como citar: Desigualdade de renda (índice de Gini). In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/indicador-indice-gini.