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O socialismo e o homem em Cuba

Carta-ensaio de Che Guevara a Carlos Quijano, publicada em Marcha (Montevidéu, 1965)

Texto de Che Guevara escrito em viagem pela África como carta ao editor do semanário uruguaio Marcha, Carlos Quijano, e publicado em 12 de março de 1965. Expõe suas ideias sobre consciência, partido, vanguarda, estímulos morais, cultura e a formação do 'homem novo'.

Também: El socialismo y el hombre en Cuba · Socialism and Man in Cuba

Índice e ficha
Título original
El socialismo y el hombre en Cuba
Publicação original
12 de março de 1965, Montevidéu (Marcha (semanário))
Idioma original
espanhol
Direitos
Obra de autor falecido em 1967; direitos administrados pelo Centro de Estudios Che Guevara e Ocean Press/Ocean Sur. Não presumir domínio público.
Onde ler
Período
1965
Área
Socialismo e comunismo
Regiões
Caribe, América Latina
Temas
Teoria e conceitos, Economia e organização social, Cultura, artes e vida cotidiana

El socialismo y el hombre en Cuba é um ensaio em forma de carta que Ernesto Che Guevara dirigiu a Carlos Quijano, diretor do semanário uruguaio Marcha, de Montevidéu, que o publicou na edição de 12 de março de 1965 1. Guevara diz ter terminado as "notas" durante uma viagem pela África, "animado do desejo de cumprir, ainda que tardiamente", uma promessa, e pensando nos leitores uruguaios 1. É o texto mais conhecido do autor sobre a relação entre indivíduo, sociedade e Estado na construção do socialismo e sobre a ideia de "homem novo".

Publicação original e contexto

Fatos documentados

O texto foi escrito no início de 1965, durante a viagem de três meses que Guevara fez após discursar na ONU (dezembro de 1964), passando pela África, pela China e pela Argélia, onde pronunciou o discurso de Argel em 24 de fevereiro 2 3. A edição do Marxists Internet Archive registra a publicação em Marcha em 12 de março de 1965 1. Poucas semanas depois, em 1º de abril, Guevara deixou Cuba 4. O contexto inclui o grande debate econômico e as críticas de Guevara à URSS.

Marcha (1939–1974) era um semanário independente de esquerda, influente no Uruguai e na América Latina, fechado pela ditadura uruguaia; Quijano foi seu fundador e diretor.

Estrutura e argumento

Documento de épocaFormulação teórica

O ensaio começa refutando o argumento de que o socialismo implica "a abolição do indivíduo em favor do Estado" e propõe responder com "os fatos tal como se vivem em Cuba" 1. Seguem-se:

  1. Resumo da luta revolucionária, de Moncada (26/7/1953) à vitória, e da relação entre o líder (Fidel Castro), a vanguarda e as massas 1.
  2. O período de transição: a sobrevivência da mercadoria e das categorias do capitalismo, e a necessidade de desenvolver simultaneamente a base material e a consciência. Guevara critica a ideia de usar "as armas vencidas do capitalismo (a mercadoria como célula econômica, a rentabilidade, o interesse material individual como alavanca)" 1.
  3. Estímulos morais e materiais, e o trabalho voluntário como forma de educação 1.
  4. Institucionalização: reconhece que a revolução ainda não criara instituições adequadas para a participação das massas 1.
  5. Cultura e arte: critica o realismo socialista soviético como forma "congelada", mas também a arte da "decadência" burguesa, e fala do "pecado original" dos intelectuais formados antes da revolução 1.
  6. O dirigente revolucionário, "guiado por grandes sentimentos de amor", e os sacrifícios exigidos da vanguarda 1.
  7. Conclusões, entre elas: "Faremos o homem do século XXI: nós mesmos"; "quem abre o caminho é o grupo de vanguarda, os melhores entre os bons, o Partido"; e a juventude como "argila fundamental" 1.

Conceitos centrais

Formulação teóricaInterpretação historiográfica
  • Homem novo: um ser humano formado na prática coletiva, motivado por deveres sociais e não pelo interesse individual; o texto afirma que sua imagem "ainda não está acabada" 1.
  • Vanguarda e massas: o partido como vanguarda que educa e dirige; a relação direta entre o líder e as massas é descrita como característica da revolução cubana 1.
  • Consciência e base material: recusa da ideia de que a consciência socialista resultaria automaticamente do desenvolvimento das forças produtivas, ponto central da polêmica com Bettelheim 1 5.

Comentadores como Michael Löwy leram o texto como expressão de um marxismo humanista e antieconomicista; críticos, como Samuel Farber, destacam o papel subordinado atribuído às massas e a ausência de garantias de pluralismo e de liberdades na concepção de vanguarda 6 7.

Recepção

Interpretação historiográfica

O ensaio circulou amplamente em folhetos, revistas e antologias e foi traduzido para muitas línguas. Tornou-se referência para a esquerda latino-americana e europeia dos anos 1960 e 1970 e é frequentemente citado no ensino de pensamento político latino-americano. Foi incluído na coletânea inglesa sobre o grande debate (Man and Socialism in Cuba, 1971) 8. Passagens como a do "pecado original" dos intelectuais foram lidas por críticos como justificativa de controle sobre a criação artística 7.

Edições, traduções, direitos e onde ler

Fatos documentados
  • Texto integral em espanhol: Marxists Internet Archive (edição online) 1; também na antologia Che Guevara Presente (Ocean Press, 2005), com direitos de Aleida March, do Centro de Estudios Che Guevara e da Ocean Press 9.
  • Inglês: em Man and Socialism in Cuba: The Great Debate (Atheneum, 1971) 8.
  • Português: há traduções brasileiras em antologias de textos de Guevara; edições específicas não foram verificadas para este verbete.
  • Direitos: o autor morreu em 1967; os textos de Guevara são administrados pelo Centro de Estudios Che Guevara e pela Ocean Press/Ocean Sur, que autorizam a reprodução no MIA 9. O prazo de proteção varia conforme o país; não se presume domínio público.

Citações

Cada citação traz o grau de confirmação: frase famosa sem fonte localizada não é tratada como autêntica.

  • Tradução de texto localizado
    “Faremos o homem do século XXI: nós mesmos.”

    Haremos el hombre del siglo XXI: nosotros mismos.

    Fonte: El socialismo y el hombre en Cuba

  • Tradução de texto localizado
    “Quem abre o caminho é o grupo de vanguarda, os melhores entre os bons, o Partido.”

    Quien abre el camino es el grupo de vanguardia, los mejores entre los buenos, el Partido.

    Fonte: El socialismo y el hombre en Cuba

  • Tradução de texto localizado
    “Nós, socialistas, somos mais livres porque somos mais plenos; somos mais plenos por sermos mais livres.”

    Nosotros, socialistas, somos más libres porque somos más plenos; somos más plenos por ser más libres.

    Fonte: El socialismo y el hombre en Cuba

Fontes

“Consultada” indica que o endereço foi aberto na data informada. “Referência bibliográfica” indica obra citada sem conferência de página nesta versão.

  1. 1Ernesto Che Guevara. El socialismo y el hombre en Cuba. Marxists Internet Archive (seção em espanhol), 1965.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]Nota da edição: Carlos Quijano, editor do semanário uruguaio Marcha, publicou a carta na edição de 12 de março de 1965.
  2. 2Che Guevara (verbete da Wikipédia em inglês). Wikipedia.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  3. 3Ernesto Che Guevara. En la Conferencia Afroasiática en Argelia (24 de febrero de 1965). Marxists Internet Archive, 1965.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  4. 4Fidel Castro Ruz. Discurso de 3 de octubre de 1965 (com a carta de despedida de Guevara). portal cuba.cu, 1965.[Fonte primária · consultada em 19 de outubro de 2026]
  5. 5Julián Santiago Puyó. Revisitando el debate económico cubano de los años '60. Acta Académica, 2013.[Historiografia · consultada em 19 de outubro de 2026]
  6. 6Michael Löwy. La pensée de Che Guevara. François Maspero, 1970.[Historiografia · referência bibliográfica]
  7. 7Samuel Farber. The Politics of Che Guevara: Theory and Practice. Haymarket Books, 2016.[Historiografia · referência bibliográfica]
  8. 8Bertram Silverman (org.). Man and Socialism in Cuba: The Great Debate (registro de catálogo). Atheneum, catálogo do IIRE, 1971.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]
  9. 9Marxists Internet Archive. Che Guevara Presente: una antología mínima (índice e nota de direitos). Ocean Press, via MIA, 2005.[Obra de referência · consultada em 19 de outubro de 2026]

Rede de relações

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Histórico e revisão

Estado
Publicado
Autoria
Redação UP, rascunho assistido por IA
Criado em
19 de outubro de 2026
Atualizado em
19 de outubro de 2026
Extensão
745 palavras · 9 fontes
Revisão humana
Tiago Moura Cesar do Nascimento
  1. 20 de outubro de 2026 · revisao editorialRevisão e publicação no Exército Lula.Tiago Moura Cesar do Nascimento
  2. 19 de outubro de 2026 · redacaoTexto integral lido no MIA; data de publicação (12/3/1965) conferida na nota da própria edição. Pendente: conferir a edição de Marcha em hemeroteca (número e página); localizar traduções brasileiras com editora e ano; histórico de Marcha (1939–1974) e de Quijano escrito sem fonte aberta.Redação assistida por IA (Claude), sem revisão humana

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Como citar: O socialismo e o homem em Cuba. In: Enciclopédia do Exército Lula. Versão de 20 de outubro de 2026. Disponível em: https://exercitolula.com.br/enciclopedia/o-socialismo-e-o-homem-em-cuba.

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